sexta-feira, 24 de setembro de 2021

O que estamos fazendo com nossas Crianças?

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E aí pessoal, quanto tempo. Muitos meses que eu não escrevia nada. Esses últimos meses estão sendo bem desafiadores e bacanas nas mais variadas esferas da minha vida. Espero voltar a escrever com mais constância.

Nossa Maior Responsabilidade

Você leitor talvez não seja Pai ou Mãe. Talvez a maior parte dos leitores não sejam papais ou mamães, e por esse fato, talvez seja um pouco mais difícil de entender, ou até mesmo concordar, com minhas próximas frases. Não tem problema!

Eu acredito que a maior responsabilidade de uma geração de seres humanos é deixar um mundo melhor para a próxima geração. É exatamente por esse motivo que a questão ambiental e do uso não racional dos recursos do nosso planeta pensando apenas nos desejos, prazeres e necessidades de nossa geração um dos atos mais antiéticos que nós coletivamente praticamos.

Mensalão? Petrolão? Bolsonaro e suas maluquices? Tudo, em minha visão, empalidece em termos morais quando pensamos em quão abjeta é a postura de colocar os interesses da geração presente a frente das inúmeras gerações vindouras.

Não gosto de pensar em termos assim tão amplos, tão “coletivos”. Perfeito. A maior obrigação de um Pai ou Mãe, em minha opinião, é com o bem-estar físico, psíquico, emocional e espiritual dos seus filhos.

Não é fácil. Criar nossa filha do jeito que achamos correto, para tentar produzir uma jovem que poderá ser capaz de explorar todos os potenciais humanos, sem sombras ou ansiedade, e com empatia para com os outros, é uma tarefa árdua minha e da minha companheira.

É preciso atenção de qualidade, é preciso paciência, é necessário estudar vários tópicos, etc. É extremamente recompensador, pois não tem nada mais bonito e tocante do que ver a sua filha te abraçando e descobrindo o mundo. Mas não é fácil, é preciso fazer escolhas, e é preciso abrir mão de vontade e desejos pessoais.

Você até pode achar, ou acreditar, que não possui responsabilidade em relação a outros, mas apenas a si próprio. É uma forma de ver a vida e há muitas pessoas inteligentes que pensam assim. Não é como eu vejo a realidade.

Não pensarmos sobre as gerações vindouras, ou o que é pior, deixar um mundo muito pior para elas, é como agredir alguém que não pode se defender, é como dar um tapa num recém-nascido de 20 dias. Se a cena de agredir um bebê de poucas semanas é abjeta, é como deveríamos nos sentir talvez eticamente sobre deixar um mundo pior para as próximas gerações.

O Covid e as Crianças

A crise de COVID se alastra pelo tempo. Quem me conhece, ou gosta do que escrevo, sabe que no começo, por pura curiosidade, fiz uma série de vários artigos sobre vários aspectos técnicos de saúde. Entrevistei inclusive pesquisadores famosos no meu podcast. Isso faz mais de 14 meses.

De lá para cá muita coisa mudou, inclusive em termos de ciência, e eu fico abismado como muitas pessoas, inclusive cientistas, continuam repetindo coisas como se a gente tivesse em março de 2020. Isso não faz o menor sentido.

Uma das ferramentas mais impressionantes de análise da realidade é pensar sobre acontecimentos pro meio de uma lógica de estatística bayesiana. Não, eu não entendo profundamente estatística, mas sei compreender o conceito central dessa forma de analisar o mundo:

AS PROBABILIDADES DOS EVENTOS FUTUROS E INCERTOS DEVEM SER AJUSTADAS CONFORME NOVAS INFORMAÇÕES OCORRAM.

Um exemplo prático sobre o Sars-CoV-2? Em março de 2020 eu passava álcool,  minha mulher ir ao supermercado de luva, etc, etc. Isso fazia sentido na época, pois não se sabia qual era a forma de transmissão, nem a probabilidade de cada forma de transmissão. O alcool, luvas, etc, serviam para minimizar o risco de contágio via superfície de objetos.

Acelere o relógio para setembro de 2021. Faz mais de 14 meses que eu não uso álcool (eu não gosto de passar nenhum produto químico de forma desnecessária no meu corpo), usar aquelas luvas de plástico para se servir num restaurante a quilo não faz o menor sentido (na verdade só cria um passivo ambiental), assim como outras posturas. Por quê? Ora, porque está mais do que claro que a transmissão via superfície é extremamente rara, se é que ela ocorre.

Porém, nós socialmente não utilizamos o modelo mental bayesiano de readequar as probabilidades, e por via de consequência nossas atitudes, no tocante ao uso de álcool, luvas, etc. Isso é irracional.

E isso vem acontecendo em relação às nossas crianças, a nossa maior responsabilidade enquanto pais, sociedade e Nação.

Alguns fatos sobre COVID e crianças:

  1. A chance de mortalidade é minúscula. Um estudo feito na Inglaterra mostrou que a chance de crianças e adolescentes de se hospitalizarem por COVID foi uma em 50 mil. De morrerem UMA EM 500 MIL.  Isso porque pegaram adolescentes, se fossem crianças pequenas, isso seria ainda menor. Dos 25 jovens que morreram na Inglaterra de morte atribuída ao SARS-CoV-2. Da esmagadora maioria do número já muito pequeno que morreu de jovens possuía graves comorbidades, ou seja, já eram crianças/jovens muito frágeis em primeiro lugar.
  2. Se alguém for no site do CDC  e  observar as estatísticas desse órgão de saúde americana observará que morreram 172 crianças de 0 a 4 anos nesse país de abril de 2020 a setembro de 2021. Há cerca de 20 milhões de crianças nessa faixa etária nos EUA. Isso dá uma morte a cada 120 mil crianças. Não há estatísticas sobre a existência ou não de comorbidades nessas crianças. E, se retirasse as mortes ocorridas em bebês de 0-1 anos (segundo uma estatística que não consigo mais encontrar e o sentido da exclusão seria que essas crianças são muito frágeis) as mortes ficariam em linha com o estudo feito na Inglaterra.
  3. Se o leitor for em outra página do CDC observará as estatísticas sobre a temporada de gripe nos EUA na temporada de 2018-2019 (a temporada de gripe vai de outubro a maio do próximo ano, ou seja, oito meses).  Foi uma temporada de baixa-média mortalidade, não foi uma temporada forte. Sabe quantas crianças de 0 a 4 anos morrerem de gripe?  266. Numa temporada fraca-média de gripe em 8 meses morreram 266 crianças. De mortes atribuídas a COVID foram 172 em quase 18 meses.
  4. Crianças, especialmente as mais jovens, não são bons vetores, ou seja, transmissores da doença para adultos. Você pode procurar mais informações, deixo apenas um link de uma reportagem da National Geographic falando sobre um estudo na Islândia.

Em março de 2020 ficar muito preocupado com a saúde das crianças fazia todo e total sentido, inclusive tomando medidas que obviamente trariam malefícios a elas. Mas entre um risco desconhecido e talvez um leve risco de algumas medidas temporárias, era racional e justo, temer o desconhecido.

Porém, amigos, as informações mudaram. Crianças saudáveis tem uma chance absolutamente remota de hospitalização e quase inexistente de morte. A gripe, ao menos nos EUA, mata muito mais crianças de zero a quatro anos do que COVID, e eu ao menos nunca vi nenhum pânico generalizado por causa disso. E além de tudo crianças são pouco transmissíveis da doença, apesar de em relação a variante delta isso estar mudando um pouco.

O que estamos fazendo com nossas crianças?

A Catástrofe Atual e a que se Aproxima

Mas e daí? Você pode estar perguntando. O que estamos fazendo de tão errado em relação a crianças. É tão ruim assim usar máscara, deixar as crianças em casa e deixá-las cada vez mais imersas no mundo online de aprendizado.

Não é ruim, amigos, é uma verdadeira catástrofe que iremos nos arrepender profundamente.

Nos EUA, e não há razão para pensar que no Brasil tenha sido muito diferente, houve uma explosão de obesidade infantil. Eu não disse aumento, mas sim explosão.

Em um estudo longitudinal publicado pelo CDC nessa semana  esse órgão de saúde americano chegou a conclusão de que o número de crianças acima do peso ou obesas na faixa etária de 5-11 anos saiu de 36% para 46% no último ano. Os EUA já lutam com o problema de obesidade infantil, sendo talvez um dos maiores problemas de saúde pública daquele país. O aumento de 10% nessa faixa etária é assustador.

Para se ter ideia esse aumento equivale a todo aumento de obesidade observado nos últimos 20 anos! Em um ano a obesidade, que já era muito grande, subiu tanto como nos 20 anos anteriores.

O número de diagnósticos de crianças com diabetes tipo 2, que era uma doença quase que desconhecida em crianças há 20 anos, aumentou quase 70% no último ano. Isso já é uma consequência direta dessa explosão de obesidade. Diagnosticar uma criança de 10 anos diabetes tipo 2 é algo tão absurdo, que só uma sociedade doente sem qualquer responsabilidade pelas suas crianças deixa isso ocorrer.

Crianças obesas terão mais depressão, menos baixa-estima, ganharão menos, terão mais doenças crônicas e viverão menos. Sim, haverá queda na expectativa de vida, haverá diminuição drástica da expectativa de anos com qualidade de vida, a economia se enfraquecerá e os gastos com saúde serão ainda maiores, pois tratar de doenças crônicas custa muito dinheiro.

O que estamos fazendo com nossas crianças?

 Nós humanos evoluímos para ver o rosto e as emoções das outras pessoas. É como nós fomos constituídos geneticamente. Eu estou treinando Krav Maga há uns meses, e só vi o rosto do meu professor uma única vez, até brinquei com ele sobre esse fato. É estranho conviver com pessoas assim, mas talvez em relação a adultos, apesar de piorar a qualidade das interações, o benefício de usar uma máscara para conter a transmissão de um vírus que se transmite pelo ar faça sentido.

Mas, para crianças? Elas tem uma chance muito pequena de qualquer coisa de ruim acontecer, elas não são bons vetores da doença, por qual motivo elas devem usar máscaras? E os prejuízos de usar máscaras?

Os benefícios são teóricos e talvez muito diminutos. E os prejuízos? Esses são bens reais. Ao contrário de adultos que já se desenvolveram, crianças pequenas precisam ver o rosto de outras crianças e de adultos. Não é um capricho. Não é algo estético. É uma necessidade biológica vinda da nossa evolução.

Uma criança irá olhar o rosto de um adulto, e verá se ele ficou triste, feliz, brabo, com alguma atitude que ela tomou. Irá relacionar atitudes a emoções, irá aprender por conta própria a comunicação não verbal. Isso é essencial para o desenvolvimento de crianças saudáveis do ponto de vista físico e mental. De crianças que viraram jovens e saberão navegar nas complexidades e nuances da comunicação humana seja verbal, como não-verbal.

Ao se colocar uma máscara nas crianças, e nos cuidadores dessas crianças, isso tudo é muito prejudicado. Qual a consequência? O tempo irá dizer quão ruim será, eu temo que seja muito, mas muito ruim.

A OMS inclusive não recomenda o uso de máscaras em crianças abaixo de cinco anos.  Em crianças de 5 a 11 anos, a OMS recomenda o uso de máscaras apenas se houver seis requisitos cumulativos, e um deles é o seguinte:

  • Potential impact of wearing a mask on learning and psychosocial development, in consultation with teachers, parents/caregivers and/or medical providers (“potencial impacto do uso de máscara no aprendizado e desenvolvimento psicosocial, em consulta com professores, pais/cuidadores e médicos”)

Ou seja, o órgão mundial de saúde não recomenda máscara para crianças de cinco anos, e para crianças de 5-11 anos (que já se desenvolverem bem mais do que crianças na primeira infância), o uso de máscara deve levar em conta se isso não vai atrapalhar o desenvolvimento saudável da criança.

A OMS diz isso desde agosto de 2020, há mais de um ano portanto. Eles sabiam que o uso de máscara em crianças de 5-11 anos seria deletério, e em crianças abaixo de cinco anos não seria deletério, mas seria catastrófico para o desenvolvimento delas, é algo quase que criminoso.

Em bebês até 1-2 anos, particularmente, a situação é ainda potencialmente pior, como esse artigo científico The implications of face masks for babies and families during the COVID-19 pandemic: A discussion paper propõe.

O que estamos fazendo com nossas crianças?

Tira máscara, põe máscara. Vírus letal, vírus não letal. Vacinas são a solução para a saída da pandemia, vacinas não colocarão fim a pandemia. Se isso é até difícil de entender para adultos bem informados, imagina para jovens de 7-8 anos?

Há cada vez mais relatos de jovens que se sentem mais seguro e à vontade usando máscaras. Imagina uma criança tímida, a máscara causa um anonimato reconfortante. Mas nem tudo que é reconfortante é necessariamente útil e adequado para o desenvolvimento de um ser humano.

Será que não estamos criando uma geração de pessoas ansiosas, com desejo de esconder suas emoções, não se importando com as emoções dos outros? Como um adulto com essa mentalidade ou esse desenvolvimento vindo da infância irá navegar num mundo cada vez mais complexo de interações humanas?

O que estamos fazendo com nossas crianças?

Lute pelas nossas crianças, ou ao menos pelo seu filho. É nossa (sua) maior responsabilidade.

TEMPOS DIFÍCEIS PRODUZEM HOMENS FORTES. HOMENS FORTES PRODUZEM TEMPOS FÁCEIS. TEMPOS FÁCEIS PRODUZEM HOMENS FRACOS. HOMENS FRACOS PRODUZEM TEMPOS DIFÍCEIS.

Não sejamos a geração fraca que produzirá tempos muito difíceis para as novas e vindouras gerações.

Um abraço a todos!

 

domingo, 13 de setembro de 2020

Vitamina B6: O Guia Completo

Olá, amigos leitores.  O tema do presente artigo é sobre vitamina B6, também conhecida como pirodoxina.  Mas por qual motivo falar dessa vitamina em específico? Porque ela é muito importante para a nossa saúde, e porque há alguns detalhes de extrema importância que não são muito conhecidos sobre essa vitamina.

SE QUISEREM CONTINUAR LENDO, ACESSEM O NOVO SITE:


 https://mundosoul.com/vitaminab6/


OBRIGADO!

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Você Não é As Suas Ideias

Você não é as suas ideias. Essa talvez seja uma das lições mais fáceis, e ao mesmo tempo mais difícil, de ser aprendida e apreendida. Mas por qual motivo? Porque somos tão ligados às nossas ideias?

Para Continuar Lendo o Artigo, continue no novo Site (Aliás, já deveria estar indo lá de forma direta hein? hehe)


https://mundosoul.com/voce-nao-e-sua-ideias/

Grande Abraço!

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Independente Financeiramente. Para quê?

Como é ser independente financeiramente? Melhor dizendo como é viver sabendo-se que possui patrimônio suficiente para uma boa vida? Ou talvez melhor ainda colocado como é a viver sem possuir um trabalho formal?
No meu último artigo, escrito em 2017 e republicado semana passada, contei sobre minha exoneração do cargo de Procurador Federal. Mas, então, o que aconteceu nesses últimos 30 meses?

 PARA CONTINUAR LENDO O ARTIGO VÁ:

https://mundosoul.com/independente-financeiramente/

E aproveite para se inscrever no e-mail feed.

Um abraço!

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Hindsight Bias: O Que Jornais Antigos Podem Nos Ensinar?


Olá colegas! Nesse artigo gostaria de abordar um assunto que me fascina: vieses de julgamento, mas especificamente sobre um em específico o Hindsight Bias.

Se quiser continuar lendo o texto, por gentileza vá ao novo site:


https://mundosoul.com/hindsight-bias/

Amanhã sai novo episódio do Mundo Soul Podcast, confira também!

Obrigado e um abraço!

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Crise de Meia Idade? Os Quarenta Chegaram - E novo Podcast no ar!


Os quarenta chegaram. Será que a crise de meia idade também? Como isso aconteceu? Fecho os meus olhos e me vejo um garoto com cabelos loiros lisos fartos, sempre caindo no meu rosto.
Hoje mal tenho cabelos, acabei de passar a máquina um e não saiu muita coisa. Como isso pôde acontecer?
SE QUISER CONTINUAR LENDO ACESSE O NOVO SITE:


https://mundosoul.com/crise-de-meia-idade/


Ouça também o novo Podcast sobre se as empresas possuem ou não responsabilidade social com o host do Scicast Fernanda Malta.

https://mundosoul.com/podcast/

OBRIGADO!

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Magnésio: O Guia Completo Para a Sua Saúde



Deficiência de Magnésio, por qual motivo esse assunto poderia interessar você prezado leitor? Aliás, o que é Magnésio? Por qual motivo ele é importante para uma boa saúde? São questões a ser abordadas no presente texto.

PARA CONTINUAR LENDO O TEXTO VÁ AO NOVO SITE MUNDO SOUL:

https://mundosoul.com/magnesio-o-guia-completo/

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Magnésio: O Guia Completo Para A Sua Saúde

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Mentawai: Surfe e Felicidade na Indonésia

Esse texto foi escrito no final de 2015. Revisito-o sem fazer qualquer revisão, pois foram duas semanas das mais bacanas da minha longa jornada de dois anos pelo mundo. O motivo foi as ondas de Mentawai.

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segunda-feira, 22 de junho de 2020

Mérito (Virtude) e Acaso (Fortuna). A Relação Inescapável

Olá, prezados leitores. Mérito e Sorte. Qual o papel de um e outro no rumo de um indivíduo, e talvez de comunidades inteiras? Somo apenas animais recompensados e guiados por nossos esforços pessoais ou somos indivíduos premiados ou não por eventos puramente aleatórios?

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sexta-feira, 19 de junho de 2020

Insulina e Glicose: Tudo (quase) que você precisa saber

Nesse artigo são tratados os diversos aspectos do nosso metabolismo energético mais básico. O que é insulina e por qual motivo ela é importante para termos uma boa saúde, e sua relação com a glicose são os tópicos a ser explorados.

PARA CONTINUAR LENDO ESSE ARTIGO VISITE O NOVO SITE

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Obrigado!

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Venezuela: Para muito Além do Chavismo

Venezuela e Chávez. Duas palavras que entraram no imaginário popular brasileiro, ao menos de uma parcela da população. Mas será que um país como a Venezuela não é muito mais do que a sua política das últimas décadas?
Nesse artigo, escrevo um pouco sobre um país lindíssimo, mas temido por muitos brasileiros pelo suposto espectro negativo
que lança sobre o Brasil.
Conto a minha experiência de 2011, num texto originalmente escrito em 2015. Muita coisa aconteceu nesse país desde essas datas, muitas coisas mesmo.
Porém, mesmo assim, creio que o presente relato possa ser de valia para algumas pessoas, pois este foi um dos países que mais me surpreendeu na vida pela quantidade de paisagens belas e diversas.
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segunda-feira, 15 de junho de 2020

Herança Social. O que devemos a nossos antepassados?

    Herança social. Um assunto pouco tratado no dia a dia. O que herdamos de nossos antepassados? Será que o conceito de herança é apenas aquilo que nossos pais nos deixam em bens materiais ou abrange mais aspectos? É possível que sejamos herdeiros de gerações passadas inteiras ou não? Esse é o assunto explorado nesse texto.


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sexta-feira, 12 de junho de 2020

Japão, A Flor Estúpida e a Graciosa

Essa é um breve relato de um viagem que fiz de um mês com a minha companheira pelo Japão . Que experiência. Que povo fantástico. Até hoje guardo no meu coração as experiências dessa incrível jornada.

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Um abs!

quarta-feira, 10 de junho de 2020

O Governo Bolsonaro: Um desastre Anunciado

      Governo Bolsonaro. Sim, infelizmente ou não, este é o tema do presente artigo.  Artigos como esse não são “atemporais”, e muito provavelmente não possuem valia para muitas pessoas, mas resolvi escrever, pois creio que o grau de insanidade chegou a patamares inimagináveis.

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https://mundosoul.com/governo-bolsonaro/

     A razão de continuar publicando trechos de novos artigos nesse blog, é porque muitos leitores, ou blogueiros, ainda visitam esse espaço. Se você gosta do conteúdo que eu produzo, coloque o novo site em seu Feed, se inscreva no novo site e siga o Podcast Mundo Soul.

Muito obrigado!

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Finalidade do Dinheiro. Há mais de uma?

Qual a finalidade do dinheiro? O dinheiro tem alguma  outra finalidade para além de comprar coisas, de nos transformar em consumidores?
   Eu acredito que sim, e essa função comumente associada ao dinheiro para mim é a mais elementar entre as finalidades do “vil metal”.
   O meu pai constantemente falava para mim, mesmo quando eu era uma criança/adolescente, que o dinheiro possuía três finalidades, e é sobre elas que esse texto trata.
  (PARA CONTINUAR LENDO ESSE TEXTO, ACESSE O NOVO SITE MUNDO SOUL)


quinta-feira, 4 de junho de 2020

COVID19, Atualidades sobre a doença. Para onde vamos?

     Olá, prezados leitores! O primeiro artigo no novo site.  Neste texto, discuto sobre o que há de novo em relação à crise do COVID-19. Para quem não sabe, eu escrevi mais de 10 artigos sobre o tema no meu outro espaço, e devotei tempo e energia para entender melhor o que estava ocorrendo.

   Para onde o Brasil vai? Para onde a humanidade se encaminha? Houve um exagero na reação? Não houve? O que há de novo na pesquisa médica a respeito do tema depois de quase três meses?

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MUNDO SOUL ATUALIDADES SOBRE COVID-19

  Estarei usando esse espaço ainda, já que muitos leitores ainda não conhecem o novo espaço, e por causa do tráfego que vem de outros blogs.

  Entre no novo site, e cadastre-se, se tiver interesse para receber os novos artigos.

  Escute também o último podcast Cientista Natalia Pasternak com a cientista Natalia Pasternak. 

Deixe sugestões, perguntas em mundosoulcontato@gmail.com

 Obrigado!

quarta-feira, 3 de junho de 2020

NOVO SITE MUNDO SOUL! NOVO PODCAST NO AR!


    Meus amigos leitores!  Depois de anos protelando, finalmente tirei o projeto do papel e melhorei o visual e navegabilidade do meu espaço.
   Encerra-se, depois de seis anos, o blog pensamentos financeiros, inicia-se o Mundo Soul! Estou bastante animado, especialmente para fazer podcasts.
  Falando em podcasts, já está no ar o segundo podcast do Mundo Soul. Uma conversa com a Dra. Natalia Pasternak, microbiologista doutora pela USP, e grande divulgadora científica em nosso país. Confiram, e sigam, este novo episódio na sua plataforma preferida.
Irei aos poucos (re)publicar artigos que escrevi há vários anos, revisitando alguns temas, e talvez até refletindo sobre a minha  eventual mudança de pensamento sobre algum tema em específico. Aos poucos irei deletando os artigos aqui, e republicando os artigos lá adaptados a uma nova realidade e a um novo "Eu".
 Peço aos amigos blogueiros que gostam do que escrevo que coloquem o novo blog https://mundosoul.com/ em seus Feed.
 Aos leitores que gostam do que escrevo, peço que visitem o novo espaço e se cadastrem (um problema antigo que nunca resolvi) para receber novos artigos, novos podcasts e ocasionalmente uma newsletter que poderá ser sobre um filme, um estudo científico, um acontecimento político ou alguma reflexão sobre a vida.
  Por enquanto é isso, um grande abraço!

quarta-feira, 20 de maio de 2020

CORONAVÍRUS - PARTE XI - VOCÊ NÃO PRECISA (NECESSARIAMENTE) TER UMA OPINIÃO SOBRE A CRISE COVID-19


Olá, colegas. Espero que estejam bem! Se ainda não leu nenhum artigo da série, convido a começar pela primeira parte.

          VOCÊ NÃO PRECISA TER OPINIÃO SOBRE TUDO

     Eu estava lendo um espaço da internet sobre o “vírus chinês”. O artigo era uma sucessão de senso comum, sem qualquer nuance num tema tão complexo. Não sei nem mesmo porque perdi o meu tempo com a leitura, já que o que mais tenho é coisa para ler.

   No meio do artigo, o autor dizia que “ainda não tinha uma opinião formada a respeito”, apesar dele já ter dado a opinião dele no decorrer do artigo, e o mesmo nem perceber a contradição entre as duas coisas.  

   Prezados leitores, vocês não precisam ter uma “opinião formada” sobre muitas coisas, especialmente sobre aquelas que pouco entendem ou dedicaram um escasso tempo para ao menos compreender os conceitos básicos.

         Sim, é uma tendência natural o ser humano querer ter uma opinião e ser ouvido. Claro que é. Adicione-se a isso a facilidade de ter acesso a uma quantidade enorme de informações sobre diversos temas de diversos lugares, e está feita a receita para que as pessoas sintam a necessidade de opinar sobre tudo.

       Eu sou imune a esse fenômeno? Claro que não! É possível tentar ao menos ter ciência dessa faceta da existência e procurar melhorar? Evidentemente que sim. Portanto, antes de opinar sobre se a política do Trump sobre o Irã faz sentido, primeiro, honestamente, pergunte a si mesmo se você sabe ao menos qual é a língua falada naquele país.  Trago esse exemplo à tona, porque já ouvi pessoas discorrendo sobre o Irã e quando perguntei qual era a língua falada lá, não faziam a mínima ideia.

        Como alguém pode ter alguma opinião sobre uma questão específica de um país, se não sabe nem mesmo qual a língua o país majoritariamente fala? Se não sabe a divisão geográfica, onde estão as montanhas, onde estão os desertos, quais são as minorias, qual a relação dessas minorias com o governo central, etc, etc. Isso é o básico do básico se alguém quer falar sobre o Irã.

                Tire Irã e coloque qualquer coisa, do menos ao mais complexo, e creio que o leitor pode ter dimensão do problema.

        Sim, a crise da COVID-19 está afetando a todos em maior ou menor grau. Somos bombardeados por inúmeras notícias e opiniões, e é perfeitamente compreensível a necessidade da pessoa querer ter e fazer que a sua opinião seja ouvida. Mas, pensem comigo prezados leitores, se alguém não sabe o que é um ensaio clínico duplo cego randomizado, como essa pessoa pode ter qualquer opinião sobre a Hidroxicloroquina? É o equivalente de falar sobre nuances da política do Irã, sem saber a língua que se fala lá. Ou seja, é uma tolice sem tamanho.

      Saber o que é cegar duplamente um experimento, e o porquê disso ser fundamental para a análise de hipóteses (especialmente no que tange a tratamentos e drogas), é meio que uma condição antecedente necessária para se ter alguma opinião que faça algum sentido sobre se a Cloroquina deve ou não ser aplicada em pacientes que contraíram o SARS-CoV-2.

       Eu fiquei muito feliz em receber uma mensagem de um leitor que por conta própria estava tentando entender as notícias sobre exames. Ele disse que assistiu o vídeo indicado por mim (sobre teorema de bayes e exames médicos) algumas vezes, e ainda não tinha compreendido bem. Normal, nem eu compreendo bem ainda. Mas, esse leitor, percebeu que para ter uma opinião sobre um tema específico da crise COVID-19 (no caso exames sorológicos) , entre tantos outros temas, ele precisava entender um monte de conceito antes.

     Não é fácil, ninguém disse que era. Não é certo, e ninguém disse que era. A vida é assim mesmo. Não é à toa que o W. Buffett e o seu parceiro Munger dizem que passam horas e horas lendo e refletindo. Alguém acha que é fácil formar opiniões sólidas num mundo envolto em complexidades e incertezas das mais variadas ordens?

     Eu sei que muitas pessoas acham que é fácil. Mas não é. Já disse várias vezes aqui. Fujam de gurus prometendo explicações simples para o mundo e as mais variadas facetas do complexo relacionamento humano. Seja esse guru à esquerda, à direta ou ao centro.

       Por que essa série já teve 10 artigos, e cada um tratando de vários temas diversos? Porque estou “enrolando”?  Não, porque eu estou devotando o meu tempo em entender os mais diversos aspectos dessa crise, inclusive os de ordem técnica. E, quanto mais leio e estudo, mais complexo e difícil tudo vai ficando. O que compartilho aqui é apenas uma fração do que leio.


                Meu pai já me dizia que nós nascemos com dois olhos e duas orelhas, e apenas uma boca, por um motivo. Ele também me dizia para sempre observar o ambiente antes de abrir a minha boca. Ele também ensinava para dar a minha opinião apenas se perguntado (algo que com quase 40 anos estou apenas agora compreendendo a profundidade desse ensinamento).

      Portanto, não, você não precisa ter opinião sobre tudo. Na verdade, é até prudente que você não o tenha.


PRÓXIMO PODCAST


   Meus amigos, muito obrigado pelo feedback sobre o podcast. Levarei todos em consideração.  A sugestão de fazer podcasts mais curtos intercalados com outros mais longos será acatada. Os mais curtos terão duração de 15-30 minutos, e serão, ironia, opiniões minhas sobre algum assunto, resposta a leitores-ouvintes, ou uma entrevista curta com alguém sobre uma determinada questão.

                Pretendo lançar esses episódios de forma semanal. As entrevistas mais longas, mais densas, pretendo fazer uma a cada 15 dias. Por qual motivo? Pois eu realmente quero me preparar. 

  Por exemplo, há uma probabilidade enorme da próxima segunda-feira eu entrevistar a cientista Natalia Pasternark. Ela vem se destacando nas últimas semanas dando entrevistas na Globo News, CNN, etc.  Ela é extremamente técnica e bem versada, e quero fazer um podcast à altura, e não apenas uma entrevista que não acrescentaria nada no que ela já disse em várias outras entrevistas. Esse preparo toma tempo. É algo que estou gostando muito de fazer, porém.
               
FIM DO BLOG PENSAMENTOS FINANCEIROS

      E, depois de seis anos, esse espaço está com os dias contados. Será o fim do “Pensamentos Financeiros” no formato atual. Só tenho a agradecer tudo que aprendi e os amigos que fiz.

Um abs!

quinta-feira, 14 de maio de 2020

MUNDO SOUL PODCAST ESTÁ NO AR!!

  Anchor - https://anchor.fm/mundosoul
Spotiffy- https://open.spotify.com/show/3RVLyhN1MUbNsCIIMZ9MxF 

Olá caros leitores!

   O meu primeiro podcast já está no ar!  O primeiro entrevistado foi um leitor desse espaço, professor universitário de ciências biológicas, que me mandou um e-mail com um arquivo anexado de mais de 10 páginas com reflexões pessoais dele sobre a atual crise.

  Eu achei tão interesse que resolvi entrevistá-lo, e o resultado ficou acima das minhas expectativas pela qualidade do entrevistado.

 Já também está em "produção" o novo site, como não tenho habilidade e tanta paciência, contratei uma designer recomendada por outro leitor desse espaço. 

 E o que quero com isso? Um amigo blogueiro me mandou a foto de um casal que veleja pelo mundo, e dava para ver o encantamento dele com as fotos. Imagens lindas. Eu, porém, já tive o privilégio de  viajar por lugares remotos como o interior da Mongólia, lindos como regiões tibetanas na China, morando num carro por seis meses na Nova Zelândia e Austrália, entre tantas outras experiências.  

 Eu já vi muita coisa nesse mundo, e isso me ajudou muito a formar o meu atual caráter.  Atualmente, percebo, mais do que necessariamente viajar, possuo uma vontade ainda maior de construir relações significativas com meus semelhantes, pois de há muito percebi que as minhas melhores fotos das inúmeras viagens que fiz são aquelas onde havia pessoas com as quais compartilhei algum momento da minha breve existência. 

 Por meio desse modesto espaço, eu já conheci diversas pessoas e todas as vezes a experiência foi bacana. Portanto, pelo feedback que recebo de alguns leitores, vi que faria bem para mim expandir um pouco e tentar tornar o espaço algo visualmente mais bonito, e quem sabe crescer um pouco a audiência.

  O Podcast era algo que eu tinha há muito tempo em mente, depois de conhecer os diversos podcast de qualidade americano. Eu creio que há espaço para algo semelhante no país, com as nossas limitações é claro. Eu creio que poderia, se me for dada a oportunidade, extrair boas informações de pessoas inteligentes sobre os mais variados assuntos.

  Se serei bem sucedido? Só o tempo irá dizer. Mas, o que é sucesso? Fazer algo que me agrada, e que de alguma maneira possa ajudar algumas pessoas a ampliar o conhecimento sobre o mundo ou ter alguma reflexão relevante já não seria sucesso? Na minha percepção, seria.

 Por isso, convido a todos que gostam desse espaço, a ouvir o primeiro podcast. Podem deixar sugestão, críticas construtivas, etc, etc. Talvez tenha ficado muito longo, talvez a minha voz não é das melhores, pode sugerir qualquer coisa, que irei me esforçar para melhorar.

 Se gostar do podcast, peço que siga o programa na própria plataforma escolhida. E, mais importante, compartilhe com familiares, pessoas que conhecem, etc, para que o espaço possa crescer de forma orgânica. Ah, e compartilhe se você quiser e achar que vale a pena, se não gostar do podcast, sem problemas!

  Um grande abraço!

Links -  Anchor - https://anchor.fm/mundosoul

Em breve, outras plataformas serão adicionadas

sexta-feira, 8 de maio de 2020

CORONAVÍRUS - PARTE X - MODELOS

     Olá, prezados leitores. Como sempre, sugiro a leitura dos artigos anteriores da série. Comece pela Primeira Parte


SE VOCÊ QUER PROFECIAS, NÃO PROCURE MODELOS


     Pelos comentários que esse espaço vem recebendo, e por comentários que venho observando nos mais variados programas, eu creio que conceitos básicos ainda não foram bem entendidos. Quem vem lendo essa série, com a devida atenção, provavelmente já tem alguns conceitos mais solidificados.

     Volto a dizer: modelos são aproximações da realidade, eles não são a realidade. Repita comigo, você que ainda não entendeu: MODELOS SÃO APROXIMAÇÕES DA REALIDADE, ELES NÃO SÃO A REALIDADE. Mais uma vez: MODELOS SÃO APROXIMAÇÕES DA REALIDADE, ELES NÃO SÃO A REALIDADE. Para que fique claro só mais um vez: Modelos são aproximações da realidade, eles não são a realidade. 

     O meu primeiro entrevistado, do meu futuro podcast, muito bem falou que modelos não são oráculos proféticos sobre o que vai acontecer, ainda mais em sistemas complexos como modelagem de uma epidemia de um patógeno novo.

   Sim, na entrevista ambos concordamos que a esmagadora maioria das pessoas, ainda mais num momento como esse, querem certezas. "A Vacina sai até o final do ano?". A pergunta não é "Uma vacina vai mesmo sair?". Se não me engano, a vacina mais rápida produzida no mundo demorou quatro anos. "O Pico da infecção vai ser no dia 12 ou 14 de maio"? "A economia vai voltar à normalidade em três meses ou quatro meses?".
     
    Se um cientista sério, baseado num modelo, disser que ele não tem como responder as perguntas acima, ele, por boa parte das pessoas, vai ser ridicularizado, esquecido ou às vezes, a depender dos ânimos, agredido. Prezados leitores, modelos tentam modelar, no caso de uma pandemia por um vírus novo, algo completamente incerto. Não há qualquer certeza sobre o que vai acontecer.  Quem diz o contrário está simplesmente equivocado ou de má-fé.

      Portanto, modelos são aproximações que tentam de alguma maneira fornecer alguma forma de refletir sobre a realidade. Entenda isso, prezado leitor, e a sua vida tornar-se-á muito mais incerta, mas a sua compreensão da realidade ganhará alguns graus de profundidade.

MICHAEL OSTERHOLM


   Outra coisa que as pessoas, nos últimos comentários, estão se perdendo um pouco é sobre fontes. Eu indiquei o biólogo Átila, não porque o acho a melhor fonte de conhecimento sobre a eventual crise, ele está longe de ter esse conhecimento.  Eu já indiquei diversas fontes de uma qualidade absurdamente alta de renome internacional. Um deles chama-se Michael Osterholm. Foi ouvindo uma entrevista dele no Joe Rogan há dois meses que eu percebi que a crise seria realmente séria, e que muita coisa mudaria, pois era nítido que o cara sabia do que estava falando.

   Eu já indiquei inclusive um livro dele escrito em 2017 sobre pandemias. No capítulo 13 do livro em questão, ele trata sobre uma provável nova pandemia de um novo coronavírus tão ou mais contagioso como um vírus Influenza. Alguma relação com o que está acontecendo? Esse cara estava em Hong Kong como um investigador em 2002 no surto do SARS-CoV-1. Ele estava em Dubai em 2012-2013 no primeiro surto da MERS-CoV. Ele em 2015 disse que o MERS aparecer em algum centro urbano era questão de tempo, meses depois estourou um surto na Coréia do Sul matando 38 pessoas de quase 200 infectados (ou seja uma letalidade absurdamente alta de 20%) (1).

    O cara vive há 40 anos estudando surtos epidêmicos ao redor do mundo. Você, prezado leitor, quer informação melhor do que essa? Quem no Brasil já citou, dos diversos textos que li, Michael Osterholm? Ninguém. Zero. Nem mesmo o professor universitário de ciências biológicas que entrevistei o conhecida. Ele possui um podcast apenas sobre essa crise, e libera um episódio semanal, que sempre ouço no mesmo dia (2). Um dos órgãos que ele participa está soltando informes semanais desde a última semana, e eles são a coisa mais sensata e técnica que se pode ler sobre o assunto (3).

    Portanto, eu cito o Atila Iamarino pois ele produz vídeos simples, objetivos, com boas informações todas elas trazidas do exterior. E principalmente porque é em português. Quem vai ouvir uma entrevista técnica com um especialista em inglês? Aliás, quem consegue entender com a fluência necessária uma entrevista dessa? Mesmo um público seleto como desse blog, talvez 5%, no máximo 10% tenha a proficiência necessária da língua.  Portanto, diversas fontes de altíssima qualidade já foram fornecidas nesse espaço, e todas elas são, infelizmente, em inglês. Para uma boa fonte de informação em português acessível para o cidadão médio, sim os vídeos do biólogo brasileiro é uma boa fonte para ser ter um quadro geral do ponto de vista científico.

    Agora, se o cientista brasileiro citado é comunista, se ele fala bem ou mal da China ou EUA, isso deveria ser de tudo desimportante para quem é leigo em ciências biológicas, pois não tem qualquer relevância. Você que pensa assim deveria se importar apenas com a qualidade do assunto técnico tratado por ele, se não puder ter acesso a fontes estrangeiras.

Fica de novo a dica. Se você quer ir direto à fonte dos maiores especialistas aqui esta uma delas, não precisa de um tradutor brasileiro. Porém, se a língua, conhecimentos técnicos, tempo, são impeditivos, sim há pessoas produzindo bom conteúdo em português.



MODELO OXFORD X MODELO IMPERIAL COLLEGE - A DIFERENÇA É NA TAXA DE FATALIDADE DA DOENÇA E/OU POPULAÇÃO SUSCETÍVEL


   Leitores, eu falo aqui de "modelo oxford" ou "modelo imperial college" apenas como uma aproximação da realidade. Leia a Parte IV para mais detalhes sobre esse tema A grande e única discussão é sobre o grau de fatalidade da doença. Ponto. Se uma cidade-país tem uma população de 10 milhões, e morrem 10 mil pessoas, isso pode ser uma notícia não tão ruim se 50% das pessoas já tiverem sido infectadas - "Modelo Oxford". Porém, a notícia pode ser péssima  se 10% das pessoas foram infectadas - "Modelo Imperial College" (4). É isso. Ponto.

     E qual a diferença? Num, o vírus se alastrou pela população, causou muitas mortes sim, mas a sociedade já pode se preparar para voltar à normalidade. No outro, o vírus nem de perto se alastrou por uma parcela significativa da população e tem a probabilidade de ocasionar muitas mais mortes, com consequências nefastas na economia e no próprio sistema de saúde.

     E quem está certo? Só dados poderão responder. Só exames em massa de anticorpos de testes de boa qualidade (altíssima especificidade e ótima sensibilidade - vide Parte VIII - Imunidade e Testes) em populações que passaram por um grande surto.

    Mas os dados do Imperial College estão obviamente errados, muitos afirma, sem nem ter aberto o paper orginal, e eles já produziram dezenas deles desde o início da crise. Qual dado especificamente? De volta para um dos maiores especialistas do mundo no assunto o Sr. Michael Osterholm "Modelos todos podem fazer, sejam mais ou menos complexos, forneça a sua IFR e a população suscetível e começamos daí a conversar". 

   No exemplo da cidade de 10 milhões de habitantes. Qual é a população suscetível para um novo vírus? 20% da população? 30%? 75%? Há imunidade natural ou todos são suscetíveis? Tendo essa premissa, qual é a fatalidade da doença sem contar com colapso da saúde: 1%? 0.5%? 0.001%? Com isso, prezados leitores, você já pode entender, nos fundamentos ao menos, qualquer modelo epidemiológico para essa doença, e pode questionar se os fundamentos fazem sentido ou não.

   Muito se fala dos números exagerados do modelo original do Imperial College. É possível que seja exagerado mesmo. Mas onde estaria o exagero? No índice de fatalidade da doença? Ou na População Suscetível? Para se ter uma ideia, na modelação inicial para EUA e Reino Unido, a IFR foi fixada como um todo em 0.9%, e para cidades como NY e Londres em 0.6%, porque essas cidades possuem populações mais jovens do que o resto dos respectivos países.

    E para o Brasil?

                           
     

          Essa é uma modelagem para o país. Veja, prezados leitores, há cenários de supressão que eles dizem ser distanciamento de 75% da população. Há cenários de mitigação maior ou menor, com mais foco ou não em idosos, e com números de R0 variáveis de 2,4 a 3. Todos esses números de R-Naught são absurdamente altos. Os países que pensam em (re)abrir suas economias devem trazer esses números para abaixo de 1, e se quiserem margem de segurança para bem abaixo de 1. 

      Aqui estão os números. Os infectados, a depender do cenário, variam de 5% da população (11 milhões) a aproximadamente 85% (187 milhões). As IFR variam de 0,6% no pior cenário até 0.4% no melhor cenário. As mortes variam de 1.150 milhões até 44 mil. E qual é a diferença enorme para tantas mortes? Não é a fatalidade da doença, mas sim o número de pessoas infectadas. Simples assim. 

      

QUAL É IFR MAIS PROVÁVEL?  DADOS ATÉ O MOMENTO


       A única maneira de saber o real índice de fatalidade é saber o número de mortos e o número real de infectados. No brasil, conforme visto no último artigo Parte IX - Subnotificação, há até mesmo um problema enorme no número de contagem de mortes. Os números oficiais não condizem com a realidade, já que todos os indícios apontam para no mínimo o dobro de mortos pela COVID19. Cito isso, pois se parte do princípio de que não se poderia contar errado a morte, mas é o que se está fazendo no Brasil.

     Entretanto, a grande discussão é sobre o número de infectados assintomáticos e, ou, com sintomas leves. Sem testes de toda a população, não tem jeito, será preciso realizar testes de anticorpos e estimar o número de infectados atuais e passados. Isso foi explorado à exaustão na Parte VIII.

    Há inúmeros problemas com testes de anticorpos. A qualidade dos mesmos é algo que interfere muito nos resultados, especialmente se a incidência da infecção na população é pequena. Em lugares onde a crise foi imensa, e onde a testagem é feita num número muito grande, é possível que os números sejam mais confiáveis, simplesmente porque o "sample size" é maior, e porque a incidência é maior, aumentando o poder positivo preditivo.

    Não consigo pensar num exemplo melhor do que a cidade de Nova Iorque, bem como o estado de Nova Iorque. Eles estão fazendo dezenas de milhares de testes. Resultados preliminares em 02 de maio, conforme o governador do Estado:


Aproximadamente 12% da população do Estado de NY possui anticorpos, ou seja foi infectado

Para cidade de NY o número é de aproximadamente 20%



     A população da cidade de NY é de aproximadamente 8.4 milhões. A do Estado de NY é de aproximadamente 19.5 milhões.  Sendo assim, aproximadamente 1.7 milhões de habitantes da cidade teriam/estão infectados (8.400.000 x 20%). Já no Estado seria aproximadamente de 2.350 milhões (19.500.000 x 12%). Pode ser um pouco mais, pode ser um pouco menos, mas parecem números compatíveis com os resultados dos exames de anticorpos.

     E o número de mortos? Conforme o site worldmeters, há algo em torno de 27 mil mortes no Estado. Já em algumas outras fontes, o número é de aproximadamente 21 mil mortes. A diferença se dá porque há algo em torno de 5.500 mortes creditadas como prováveis por COVID19, e isso se deu porque foram, se não me engano quando eles reconheceram em meados de abril, de pessoas que morreram em casa com sintomas respiratórios. 

  Dados bem completos podem ser encontrados diretamente no site da cidade de NY sobre o tema (5). Mesmo com o acréscimo dessas 5.5 mil mortes, ainda haveria excesso de mortalidade de alguns milhares ainda não contabilizados, conforme reportagem recente do NYT. Portanto, creio que o número de 27 mil o mais fidedigno, sendo conservador. Para a cidade a mortalidade é de aproximadamente 20 mil pessoas.

      Se a IFR é igual a divisão do número de mortos pela população efetivamente infectada, a IFR para a cidade de NY atualmente é de 1.17% (20.000/1.700.000). A do Estado e de 1.14%. Essa IFR, porém, é provavelmente maior, razoavelmente maior. Por qual motivo? Porque, conforme já explicado em artigos , há uma demora entre a infecção e a morte que vai de 30 a 45 dias. Por isso, que a curva de descida das mortes é um processo bem demorado, conforme Itália, Espanha e França vem demonstrando. Há 257 mil casos ativos, ou seja de pessoas com algum sintoma, no Estado de NY. 

  Portanto, não seria de se estranhar que esses casos ativos redundasse em 2% de mortes, acrescentando algo em torno de mais 5000 mortes. Isso levaria a IFR da cidade e do Estado para algo em torno de 1.5%.  Sim, um número absurdamente alto, isso na cidade mais importante do mundo do país mais poderoso do mundo. Não é em Manaus, ou em Manila, mas sim Nova Iorque. 

    Talvez NY seja um aviso de que se a epidemia sai fora de controle num grande centro, mesmo sendo um centro rico, com os melhores médicos, melhores equipamentos, a IFR pode ser superior a 1%. O que é um aviso sinistro, pois conforme a seção anterior o cenário mais pessimista de IFR para o Brasil segundo o Imperial College é de 0.6%.


       A cidade de NY é um exemplo de que o modelo de oxford não se mostrou acertado, ou seja, uma IFR na faixa de 0.1-0.15%. Aliás, longe disso.

     E quando a crise acontece numa cidade de um país sem estrutura, mas não tão mais pobre que o Brasil como o Equador? Aí, meus amigos, são cenas de horror. Na cidade de Guayaquil há aproximadamente 10 mil mortes em excesso nos meses de março e abril. No ano de 2019 nos meses de março e abril nessa cidade morreram 2900 pessoas. Nesse ano, foram quase 13 mil pessoas. Sim, 10 mil mortes a mais. Os números oficiais dizem que morreram apenas 500 pessoas na cidade. O sistema lá colapsou de todas as formas (6). Como a população da cidade é de aproximadamente 2 milhões, a mortalidade em excesso é de algo em torno de 0.5% de toda a população

         Para se ter uma ideia, uma mortalidade em excesso de 0.5% da população brasileira inteira seria mais de um milhão de brasileiros. Não sei se a cidade de Guayaquil vai fazer testes de anticorpos em massa. Eu acho que não. E se apenas 10% da população tiver sido infectada? Isso quer dizer que seria uma IFR de aterradores 5% (10 mil/200 mil). 

  Espero, sinceramente, já que o Equador é um dos únicos países que não conheço em nosso continente, e gostaria muito de conhecer, que o número de infectados lá seja de 40-50%, e eles estejam próximo de Herd Imunnity depois de tanto sofrimento. Mas, Guayaquil é um alerta sinistro do que pode estar acontecendo em Manaus, Recife, Belém e Fortaleza nesse exato momento.

     Eu, particularmente, de tudo que eu vi e li, acredito que o limite para a IFR se for um bom sistema de saúde, se não houver um colapso, se os médicos estiverem bem equipados e protegidos, se houver uma liderança séria e um povo unido, é no mínimo na faixa de 0.3%-0.4%.



POPULAÇÃO SUSCETÍVEL

     
   Em teoria, um vírus novo pode infectar 100% da população. É o caso do SARS-CoV-2? Ninguém sabe. Será que há 50% das pessoas que são naturalmente imunes por alguma questão genética? Será que a exposição a outros coronavírus que causam gripe (há quatro deles) de alguma maneira fornece imunidade contra esse novo vírus? Não se sabe. Será que o vírus depois de infectar 15-20% da população simplesmente desaparece? Ninguém sabe. Será que o verão americano vai extinguir o vírus lá? Ninguém sabe

     Portanto, não se sabe o tamanho da população suscetível a ser infectada. Eu acho que o que faz mais sentido é presumir que todos podem ser infectados, sendo que boa parte, ou a imensa maioria será assintomática ou terá sintomas leves. Então, como todos podem ser suscetíveis, o vírus teoricamente apenas deixaria de ser epidêmico depois que uma parte da população se tornar imune, no conceito conhecido como imunidade de rebanho que é estimado em torno de 60-70%.

     Há um conceito, porém, que a mídia brasileira não trata bem, se é que já tratou, que é o conceito de overshooting. A ideia é basicamente a seguinte: se 60% garante imunidade de rebanho, mas se todos se infectam rápido demais, há um aumento acima de 60% de pessoas infectadas.  Se o R-Naught cair abaixo de 1, indicando que uma pessoa infecta em média menos de uma pessoa, mesmo assim o número de infectados cresce. 

   Se numa população de 50 milhões de pessoas, por exemplo, 60% já tenham sido infectadas (30 milhões), mas 20 milhões de pessoas estejam atualmente infectadas  com o vírus e o R-Naught caia para 0.5, isso significa que mais 10 milhões de pessoas ainda seriam infectadas (uma nova pessoa infecta em média 0,5 pessoas, logo 20 milhões de pessoas infectariam 10 milhões), levando o número total de infectados para 40 milhões, ou 80% da população, mesmo que a imunidade de rebanho fosse atingida com apenas 60% da população. Esse efeito é diluído se as infecções acontecem espalhadas no tempo, mas é muito mais acentuado se a infecção da população ocorre rápido demais.  Sobre imunidade de rebanho, sugiro a leitura Parte V.

    Um leitor atento, e o tema precisa de atenção, talvez tenha olhado com o devido cuidado os números do Imperial College para o Brasil e percebido uma inconsistência de achar que 85% da população poderia ser infectada, mesmo com um R0 de 3, que produz imunidade de rebanho com 70% da população. Esses 15%  a mais muito provavelmente é modelagem de overshooting, especialmente porque é o cenário onde nenhuma atitude fosse tomada.

   IFR e população passível de ser infectada, as duas premissas que qualquer pessoa precisa ter em mente para analisar qualquer modelo.


O PICO DA INFECÇÃO NÃO QUER DIZER ABSOLUTAMENTE NADA SE APENAS UMA PEQUENA PARCELA DA POPULAÇÃO FOI EXPOSTA AO NOVO VÍRUS. É APENAS A PRIMEIRA BATALHA, NÃO O FIM DA GUERRA


      "O pico no nosso modelo acontece entre 04 de maio a 10 de maio". Sim, e? Pico relacionado ao quê? O cidadão médio não está entendendo esse conceito, e eu o trouxe com maior detalhe na Parte V. Achatar a curva, deprimir a curva, demolir a curva, não irá fazer com que o vírus desapareça. Ele pode ser controlado com extremas medidas de segurança, testagem e controle da população, como está sendo feito na Coréia do Sul, China e Taiwan. A curva pode ser domada como o foi pela Austrália e Nova Zelândia


     Porém, enquanto houver focos de contaminação no mundo, nenhum país está seguro de novos surtos, se a sua população não possui imunidade. Ponto. Não entender isso, as autoridades não comunicarem isso com clareza ao público, vai criar e já está criando extrema frustração para as pessoas que em alguns lugares já estão 30-40 dias sob medidas de restrição. 

    Um amigo meu quis comparar a nossa ilha de Santa Catarina com a ilha da Nova Zelândia no combate à pandemia.  Sério, não precisamos desse escapismo, a hora é séria, talvez uma das mais graves das últimas décadas, da minha geração com certeza, e precisamos de realismo.

Sim, a NZ esmagou a curva

     A Nova Zelândia é longe de praticamente tudo. É uma ilha onde a entrada de quase todos os estrangeiros se faz por aeroportos. É uma população de aproximadamente cinco milhões de pessoas, razoavelmente esparsa. É liderado por uma mulher com M maiúsculo.  É um país com forte senso de identidade. É um país rico. É um país educado.  Etc, etc.  Eles talvez consigam manter o vírus longe do país ou sob controle, se puderem testar, fazer rastreamento, quarentena de estrangeiros que chegam, etc. Talvez seja possível. Ninguém sabe ao certo. Mas em nada, absolutamente em nada, se compara com a situação da ilha de Florianópolis. Ainda mais agora, onde o vírus saiu completamente de qualquer controle das autoridades brasileiras.
    

   A "Gripe Espanhola" é dita que ocorreu em 1918. Sim, mas o que não se fala muito é que houve ondas sucessivas de contaminação, sendo que a segunda e terceira ondas (ocorrida em 1919) foram muito mais mortais

                                     
Será que o Sars-cov-2 terá o mesmo comportamento? É o que alguns especialistas prevem para os EUA, que eles estão ainda na crista da primeira onda, e a segunda onda a começar no outono pode ser muito maior e mortal, especialmente se vier cumulada com uma temporada forte de Influenza.



    Ninguém sabe ao certo. O grupo de Michael Osterholm propõe 3 cenários. O primeiro cenário é de picos sucessivos de contaminação, onde a atividade comercial vai e volta a depender de cenários de R-Naught, leitos de UTI disponíveis, etc, etc. É o que um grupo de Harvard modelou de cenários intermitentes como esse até 2022. É o cenário do Do Martelo e da Dança descrito na Parte VI. Há o cenário de ondas sucessivas maiores a começar no outono americano. E o último cenário, que não foi visto em nenhuma das últimas 8 pandemias de influenza nos últimos 250 anos, que o vírus tem um pico inicial e vai se extinguindo aos poucos até 2022.





     Portanto, ou a população já foi exposta ao vírus em sua imensa maioria, ou nós vamos conviver com isso, a não ser que haja uma vacina em tempo record, por bastante tempo. Ficar falando de pico como se ao passar o "pico" tudo teria se resolvido, é uma grande ilusão, a não ser que o "modelo oxford" realmente esteja correto, e a IFR seja em níveis menores do que 0.1%.


"MODELO SAMY DANA"


     Por fim, me foi perguntado algumas vezes sobre o "Modelo Samy Dana". Conversei sobre ele no meu primeiro podcast com o professor universitário. Para quem não sabe, esse não é um modelo Samy Dana, mas ele é o "garoto propaganda". Há uma equipe formada por médicos, matemáticos e pelo próprio Samy Dana.  E aqui, deixo já expressado, absolutamente nada contra ou desrespeitoso ao economista e sua equipe. Pelo contrário, acho louvável brasileiros tentarem modular algo para a realidade nacional.

  Cada um, imagino, depois desse artigo, na verdade depois dos nove artigos anteriores, pode analisar por si só a força do modelo, sem precisar de grandes conhecimentos matemáticos ou de modelagem. Sabe qual é a IFR desse modelo? Segundo palavras do próprio Samy Dana a IFR no cenário mediano é de 0.05% (7).  Não, você não leu errado. Vou repetir: a IFR desse modelo é de 0.05%. É só 8-10 vezes menos do que os cenários mais realistas de países de primeiro mundo  onde o sistema de saúde não vai ruir, e talvez 20-25 menos do que aconteceu na cidade de NY. Eu não acho nem um pouco crível. Na verdade, o "modelo Samy Dana" nada mais é do que o "Modelo Oxford". Sendo assim, com uma IFR de 0.05%, mesmo que 50% de brasileiros sejam infectados, 50 mil brasileiros morreriam. 

   Um número alto, com certeza, mas muito menor que os cenários piores. E na real, é o que eles projetam, com o número de mortes até o final de maio em aproximadamente 40 mil. O que eles deveriam dizer claramente, é que o modelo estima que até o final de maio 80 milhões de pessoas teriam sido infectadas, para que a IFR de 0.05% faça sentido, ou seja 40% da população (8).  Até porque pelo modelo, ao menos na apresentação, ninguém morre mais por COVID19 no Brasil a partir de junho de 2020. Sim, a curva de mortes se torna flat.

   E como se chega numa IFR tão baixa assim? Porque segundo o economista para cada uma pessoa testada positiva com sintomas, há nada mais nada menos do que 99 pessoas assintomáticas ou com sintomas bem leves (7). Sim, um fator de 99 para 1. É crível? Eu tenho a minha opinião de que não, não é nada crível pelos dados que vem de todo o mundo. Mas, leitor, você já está suficientemente informado para fazer a sua própria análise.

  Um abraço a todos!




(1) https://www.who.int/westernpacific/emergencies/2015-mers-outbreak
(2) https://www.cidrap.umn.edu/covid-19/podcasts-webinars
(3) https://www.cidrap.umn.edu/covid-19/covid-19-cidrap-viewpoint
(4) num a fatalidade da doença é de 0.2% e no outro é de 1%.
(5) https://www1.nyc.gov/site/doh/covid/covid-19-data.page
(6) https://edition.cnn.com/2020/05/07/americas/ecuador-coronavirus-missing-intl/index.html - relato guayaquil
(7) https://www.youtube.com/watch?v=FWoxyVEZ1JI&t=1504s - entrevista Samy Dana da semana passada final de abril de 2020
(8) https://investnews.com.br/relatorios/relatorio_covid_v2.pdf - fls.32 da apresentação do modelo