domingo, 30 de julho de 2017

O INVESTIMENTO MAIS RENTÁVEL DE TODOS

Olá, colegas. Qual é o melhor investimento que você pode fazer? Qual é o investimento que vai gerar o maior ROI (Return On Investment – Retorno Sobre o Investimento) possível? Bitcoin? Empresas que pagam dividendos crescentes? Títulos do Governo Brasileiro? E se houver uma espécie de investimento que gera retornos astronômicos, sem risco de você ficar numa posição pior, e ainda por cima fazer você melhorar como ser humano?

 Difícil a questão? Creio que não. O melhor investimento é aquele que você faz em si próprio.  Há uns meses, assisti a uma palestra que dois autores deram no Google. Não consigo achar mais o vídeo, mas o tema foi sobre como o investimento em si mesmo é aquele que pode alcançar o maior ROI possível, e eles falavam do estrito ponto financeiro.

 Sim, o assunto não é novo nem mesmo entre os blogs de finanças. Apenas resolvi escrever a respeito, pois recebi nos últimos dias dois e-mails muito interessantes. Um era de um médico com a minha idade já consolidado, professor de universidade federal, renda altíssima, patrimônio alto, grande escolaridade e formação.  O outro era de um jovem de 25 anos no quinto ano de medicina, com muita vontade, e com um patrimônio acumulado quase inexistente.  Este jovem então fez perguntas sobre investimento, se deveria ir para fundos multimercados, ficar na renda fixa, etc. Perguntas todas elas legítimas e boas, mas que podem fazer as pessoas se distraírem do maior investimento de todos.

 É claro que o médico mais consolidado investiu muitas horas e anos de estudos nele mesmo. Talvez num determinado momento da vida dele ele possa ter pensando em desistir, diminuir o esforço, investir o seu tempo e atenção em alguma outra coisa. Porém, ele persistiu. Ele investiu nele mesmo. Qual será o ROI do investimento que ele fez nele mesmo? Altíssimo.  

 Para a esmagadora maioria das pessoas os maiores retornos virão de investimentos diretos nelas mesmas, não da análise de ativos financeiros.  Isso não quer dizer que não possamos conhecer de finanças, pelo contrário, até porque para virar um investidor mediano-razoável não são necessários conhecimentos sofisticados. Porém, não se enganem queridos leitores, não é analisando o último balanço da AMBEV, ou refletindo se a alocação em renda fixa deve ser de 30% ao invés de 25%, que irá trazer retornos substanciais do ponto de vista financeiro.

Os frutos de investimentos em nós mesmos, contudo, vão muito além de dividendos financeiros. Muito além.  Aliás, para mim hoje em dia tenho muito mais preocupações com outros desdobramentos de meus “investimentos em mim mesmo” do que com os aspectos financeiros. 

 Mas o que é investir em nós mesmos? Comecemos pelo mais óbvio: educação. Evidentemente, o investimento seja em dinheiro, seja em horas, na nossa própria educação tem um potencial gigantesco de oferecer retornos altíssimos. Educação aqui não é apenas em sentido formal, até porque títulos formais para mim querem dizer pouca coisa, mas também não se pode cair em discursos tolos de que a escola, ou o ensino universitário, não serve para muita coisa nos dias atuais.

    O tema é amplo e daqui o texto poderia seguir em várias vertentes, mas irei tratar sobre especialização x generalidades. Um colega nosso da blogosfera foi estudar no Canadá há alguns anos e me pediu alguns conselhos sobre livros de investimento. O conselho que dei foi: experimente idéias novas, áreas novas, nunca se sabe as conexões que podem se formar quando você se aventura em “mares nunca antes navegados”.  Pode haver certa parcialidade minha nisso, pois é assim que enxergo a vida, vejo-a muito mais colorida quando podemos ter diversas perspectivas sobre o mesmo tema.

  Porém, em que pese essa pretensa parcialidade, o fato é que pessoas bem sucedidas em suas áreas parecem adotar um modelo mental parecido. Charlie Munger é um sujeito que me vem a cabeça. Sócio do W.Buffett ele é conhecido pela sua ideia de “modelos mentais”, que nada mais são do que diversas formas de ver a vida sob perspectivas e áreas do conhecimento diversas.

  Steve Jobs disse em certa palestra que sua obsessão com a estética dos produtos da Apple veio muito por causa de um curso de caligrafia que ele fez logo depois de abandonar a faculdade.  Pensem um pouco sobre isso, prezados leitores. Talvez o sucesso de uma das maiores empresas de todos os tempos é fruto de um curso de caligrafia que um jovem resolveu fazer. Uma conexão como essa é impossível de prever antecipadamente, mas elas ocorrem, em maior ou menor grau, quando estamos dispostos a investir em nós mesmos e alargar nossa visão de mundo ou nossas habilidades.

 “Mas Soul, não é uma perda de tempo fazer um curso de caligrafia, esse exemplo do Jobs é um em 100 milhões”, claro que é a exceção da exceção argumentativo leitor.  Apenas nesse tópico poderia escrever outro texto, mas deixarei para outra oportunidade. 

 O ponto não é o que o Steve Jobs fez ou deixou de fazer, mas sim que quando desafiamos a nossa perspectiva de ver o mundo, coisas incríveis podem ocorrer. Para nós a caligrafia é algo completamente distante da nossa vida (apesar do senso estético dela estar permeando a nossa vida com o design dos produtos eletrônicos que consumimos). Porém, para a cultura chinesa, por exemplo, a caligrafia é algo muito mais presente. Era muito normal em praças chinesas (aliás, a vitalidade de uma praça chinesa perto do entardecer daria para escrever pelo menos dois artigos) eu observar senhores praticando a caligrafia construindo os ideogramas chineses.

  Porém, como dito alguns parágrafos acima, o investimento em nós mesmos gera frutos tão ou mais importantes do que os retornos financeiros.  No famoso Oráculo de Delfos na  Antiga Grécia, dizem que havia uma frase “Homem, conhece-te a ti mesmo”.  Essa deveria ser uma das perguntas mais fundamentais na vida de uma pessoa. Não é sobre carros, onde investimos nosso dinheiro, ou sobre quem nos relacionamos.

  Sinceramente, conheço pouquíssimas pessoas que realmente conhecem a si mesmo de maneira profunda. Conhecer quem realmente somos exige esforço e dedicação, em outras palavras exige um “investimento”.  Nunca fiz o caminho de Santiago de Compostela, mas creio saber o motivo de tantas pessoas terem experiências “espirituais” profundas ao término da caminhada.

 Imagine um sujeito de 40-45 anos tendo que caminhar durante semanas, na maior parte do tempo de forma solitária. Com qual pessoa ele terá que dialogar? Ora, com ele mesmo. Imagine uma pessoa durante semanas dialogando com ela mesma. Será que perguntas difíceis não serão feitas? Será que ela vai ficar feliz quando for descobrindo o que ela se tornou?  Isso nada mais é do que meditação e autoconhecimento sobre si próprio. Eu imagino o impacto que isso pode ter na vida de um homem, ou mulher, de meia idade que simplesmente navegou pela vida, sem perguntar muito para a pessoa mais importante, ou seja ela mesma, se ela realmente queria ter tomado certos caminhos.

 Portanto, o investimento em nós mesmos faz com que tenhamos uma melhor ideia de quem somos. Se eu sei quem sou, eu posso saber com mais facilidade o que quero. Um carro mais caro e um trabalho não prazeroso (mas com boa remuneração), por exemplo, são compatíveis com os meus sinceros objetivos de vida? Talvez sejam e não há nada de errado nisso, desde que a pessoa saiba conscientemente as trocas que por ventura está fazendo.

 O único “porém” do contínuo desenvolvimento em nós mesmos, é que não há volta. O conhecimento não pode ser “desfeito”. Antes um “cidadão de bem”, depois de uma profunda reflexão, a descoberta de que não é um cidadão tão do bem assim (para ficarmos apenas num exemplo). Algumas pessoas podem achar isso extremamente desconfortável, e o é mesmo, e por isso simplesmente se travam. É o que mais vejo em certas situações, e esse blog possui muitos comentários assim.

 Após me informar durante alguns anos como nós humanos nos relacionamos com os mais variados tipos de animais (seja para comida, entretenimento, pesquisas científicas e militares, etc), eu não posso “apagar” esse conhecimento de mim.  E obviamente como pertenço a espécie dominante e me beneficio da exploração, em muitos casos extremamente cruel, a minha visão ética sobre mim mesmo ficou mais turva. Não é à toa que esse é um verdadeiro assunto politicamente incorreto , e combatido com extrema virulência quando raramente é trazido à tona. Não, prezados leitores, politicamente incorreto não é falar sobre conspirações globalistas, ou sobre homossexuais, ou defender um político de 30 anos de carreira política dizendo que ele é um outsider da política.

 Há uma história anedótica sobre um aluno perguntando a um professor de filosofia se ele não se sentia envergonhado de muitas vezes estar agoniado, enquanto uma simples camponesa, ignorante de muitos fatos da vida, sempre estava sorrindo e alegre. O professor teria respondido que preferia a infelicidade do conhecimento à felicidade da ignorância.

 Não há dúvidas de que o conhecimento pode trazer sofrimento, e não é à toa que os mais variados mitos religiosos tratam dessa temática. Entretanto, também é verdade que um autoconhecimento profundo sobre nós mesmos pode nos fazer nos religar com a realidade e com outros seres humanos de forma muito mais profunda e genuína. E isso não deixa de ser  uma experiência religiosa, já que a raiz da palavra religião vem de religar.

 Encerrando esse artigo, digo ao meu jovem colega quase médico formado: invista em você mesmo. O ROI do seu investimento será gigantesco, como o outro colega médico de alta renda e patrimônio consolidado pode atestar.  Não perca tanta energia com detalhes sobre uma alocação fina do seu patrimônio ainda incipiente.  Com um grande bônus: um maior investimento em si fará com que você tome decisões muito mais conscientes na vida e muito mais atreladas com os seus anseios enquanto indivíduo.


 Um grande abraço a todos!

domingo, 16 de julho de 2017

GUEST POST - O INFINITO E O ZERO

Olá, colegas. É com extrema satisfação que reproduzo o texto abaixo. O meu último artigo abriu a possibilidade da minha conversa direta com leitores, e fiquei muito feliz com o retorno. Recebi vários e-mails de pessoas muito inteligentes e interessantes: publicitários, engenheiros, advogados, e até mesmo de um jovem batalhador. Fiquei muito satisfeito de saber que posso não possuir um público grande, mas são pessoas extremamente qualificadas. É uma grande satisfação e agradeço todos os leitores que enviaram mensagens.

Um deles é engenheiro e está fazendo mestrado em Inteligência Artificial. Nossa, que tema interessante. Ele me passou alguns vídeos, e achei o tema fantástico e com implicações profundas (já tinha lido a respeito, mas nunca tinha parado para refletir com mais calma). Pelos vídeos e leituras adicionais, já adicionei três livros sobre o tema para ler. Perguntei então para o colega leitor se ele não queria escrever um artigo sobre o tema, e ser a primeira pessoa a fazer um guest post no meu espaço. Ele topou e escreveu o texto abaixo. Eu achei um artigo muito bom mesmo, espero que gostem.

obs: muitos querem conversar sobre leilão, tentarei bolar alguma coisa para que mais pessoas possam participar e fazer perguntas diretas para mim, talvez alguma espécie de Hangout onde várias pessoas podem entrar numa sala? Entendidos do assunto podem dar sugestões.


O infinito e o zero
 Por JAIRO LUCIANO ALVES 


E se a gente não precisasse mais trabalhar? E se não precisássemos avaliar o melhor negócio, o melhor investimento? E se não precisássemos mais nos preocupar com o CDI?
Os seres humanos produziram muitas coisas impressionantes. Algumas delas até serviram de base para outras ainda mais impressionantes. Vejamos o exemplo do computador. Em pouco tempo deixou de ser uma máquina monumental, cara e difícil para ser ubíqua, acessível e amigável.
O ser humano, que havia experimentado o efeito revolucionário que as máquinas podem ter na sociedade, durante a Revolução Industrial, agora iniciava uma nova era, a Era da Informação. Se, antes, nossas máquinas fiavam e teciam, agora elas não processariam apenas coisas palpáveis, mas também dados e informações.
Peter Diamandis, um engenheiro americano, defende (vide TED Talk, abaixo) que nosso futuro será abundante. Não somente melhor, mas exponencialmente melhor que nosso presente.

É difícil apreciarmos a priori a magnitude dessas mudanças porque nossa percepção biológica tende a ser mais linear, enquanto os avanços na tecnologia e nas ciências são exponenciais. Pense no acesso a informações. Se você tem uma certa idade, talvez se lembre que em muitas cidades simplesmente não havia bibliotecas para as crianças. Se você tivesse uma curiosidade não usual, típica das crianças, a imaginação poderia ser sua única resposta. Isso não faz muito tempo, uns 20 anos talvez? E hoje? Hoje temos o Google no bolso.
Você sabe o que é Inteligência Artificial (A.I.)? Certamente já ouviu falar. Já pensou em como esta tecnologia poderá alterar dramaticamente o nosso futuro?
Muitos cientistas e pesquisadores defendem que o que está em curso agora é o início de uma verdadeira revolução, com potencial semelhante ao da própria Revolução Industrial. Os especialistas no assunto, como Andrew Ng, já consideram a AI como a “nova Eletricidade”. Como assim? Bem, você sabe, quantos e quantos setores da economia foram radicalmente impactados pela facilidade da utilização em massa da eletricidade, não é? Então, será que você conseguiria imaginar a sua vida sem a eletricidade hoje? Será que consegue imaginar um único setor industrial ou econômico que não tenha sido transformado e influenciado pela eletricidade? Pois este é o panorama que se apresenta para a Inteligência Artificial nos próximos anos e décadas.

Mas então, o que é AI?

Costumava ser assim. Um programador de computadores escrevia instruções precisas sobre como resolver algum problema. Ele utilizava uma linguagem especial e os computadores simplesmente executavam, mecanicamente, essas instruções.
Mas algo mudou. Hoje, muitas vezes, os computadores estão resolvendo problemas sem que seja necessário que um humano indique o caminho ou a melhor solução. Quer ver um exemplo? Em um dos laboratórios do Google, um robô virtual foi instruído a tentar se locomover do ponto A para o ponto B. Ele contava com sensores e outras informações, mas nada foi dito sobre como ele poderia se locomover para atingir este objetivo. Através de um processo de tentativa e erro, o robô ensinou a si mesmo a andar. Isso mesmo, um processo que pode ter levado milhões de anos para acontecer evolutivamente foi aprendido por um robô de forma autônoma em pouco tempo.


E isto é só o começo, lembra do crescimento exponencial? Pois é, ele também se aplica aqui e vai fazer com que essas tecnologias deixem de ser curiosidades de laboratório e passem a ser parte indissociável de nossas vidas. Diante do que já se sabe hoje, impactos da Inteligência Artificial são esperados nas mais variadas esferas, desde financeiros e econômicos a políticos, sociais e até mesmo psicológicos.


Vamos falar de negócios?

A Blockbuster foi uma gigante do mercado de locação de filmes. Estava presente no cotidiano de milhões de pessoas. Um ícone americano, receita bilionária, com presença até aqui no Brasil.  Empregava cerca de 40 mil pessoas, pois suas lojas físicas necessitavam de muitos empregados para operar.


A concorrência com uma nova tecnologia levou a Blockbuster à falência em 2011.  O gráfico acima mostra como pode ser rápida a mudança que uma nova tecnologia impõe, mesmo a empresas que eram sólidas e estabelecidas.
Pois é, hoje a Netflix é uma gigante do mercado de locação de filmes. Está presente no cotidiano de milhões de pessoas. Um ícone americano, receita bilionária, com presença até aqui no Brasil. A Netflix não tem lojas físicas e emprega pouco mais de 3 mil funcionários.
Percebeu alguma coisa? Negócios que antes necessitavam de muitos empregados, hoje podem ser feitos mais eficientemente e com muito menos gente.
Isto não é um caso isolado, agências de viagem, lojas de CD e livrarias físicas são alguns exemplos de setores (e empregos) que tem sido engolidos pelo surgimento de empresas como a Netflix.
Este vídeo, altamente recomendado, mostra um futuro em que literalmente “Humanos não serão mais necessários” no mercado de trabalho.

O fato é que as empresas que estão tendo sucesso hoje já são bem menos dependentes de pessoas do que no passado, ao mesmo tempo em que são bem mais dependentes de grandes massas de dados, algoritmos e servidores. Seus custos de difusão são baixos (veja o exemplo dos youtubers) e o alcance de suas operações é global.


Impactos nos Empregos

As novas tecnologias proporcionam enormes ganhos de produtividade. Graças a eles, os lucros das corporações subiram enormemente nas últimas décadas. A despeito disso, o gráfico abaixo mostra que esses ganhos com a produtividade não vêm se traduzindo em ganhos nos salários. Há quem conjecture que isto se deve, ainda que em parte, a uma menor dependência dos negócios em relação aos trabalhadores. Especialmente os menos qualificados, que se tornam mais descartáveis e por isso mesmo, menos valorizados.

http://www.outsidethebeltway.com/wp-content/uploads/2012/07/wages-productivity-Figure-A.png


Por outro lado, se a automação é cruel com alguns setores e empregos, ela certamente é pródiga em criar outros tantos. Algumas pessoas defendem que novos empregos sempre surgirão para substituir os antigos e que esses novos empregos são intrinsecamente mais agradáveis e interessantes.
Historicamente, sempre que uma inovação deixava um setor obsoleto, um novo setor surgia. Assim, se os empregados antigos fossem adequadamente qualificados para ocupar os novos postos de trabalho, todos sairiam ganhando.
Porém, com a Inteligência Artificial tem sido menos evidente que este comportamento é válido. Talvez o desenvolvimento de uma AI suficientemente avançada traga para o mercado de trabalho urbano algo semelhante ao que a mecanização do campo trouxe para o mercado de trabalho agrícola.

O gráfico acima mostra a queda no percentual necessário de pessoas para trabalhar na produção de alimentos nos Estados Unidos. Mesmo se quiséssemos voltar a trabalhar no campo, nossa mão de obra seria impotente diante das modernas formas de produção mecanizada de alimentos empregadas hoje.
Vale observar que o trabalho em si necessário para produzir os alimentos não mudou de 1800 para cá. Ainda é preciso plantar, colher. As nossas ferramentas é que evoluíram e, agora, nós praticamente não somos mais necessários para manter esse processo funcionando.
Se imaginarmos que o mesmo pode ocorrer para os trabalhos intelectuais, é possível que, no futuro, não precisemos de tantos contadores, advogados, médicos ou engenheiros.


Impactos Sociais

Toda essa evolução não vem para tirar empregos. Pelo contrário, ela só ocorre porque representa uma melhoria sensível e global nas condições de vida das pessoas. Mesmo os pobres de hoje têm acesso a mais recursos do que no passado.
A substituição de pessoas por máquinas tem significado um aumento generalizado na nossa eficiência. Tomemos por exemplo o mercado de transportes. Muitas empresas têm se dedicado a desenvolver um Carro Autônomo.
Olha Mãe, sem as mãos!
A Tesla já comercializa carros que estacionam e se movem sem o comando direto do motorista. Os veículos deles se comunicam com a sede para receber atualizações de software e replicam as melhores formas de fazer os caminhos de uns para os outros. Elon Musk, CEO da Tesla, espera que carros autônomos sejam a única forma de transporte em um intervalo de 10 a 20 anos.
Já pensou em não precisar dirigir? Você poderia ver um filme ao invés de se desgastar tentando evitar um acidente. Você poderia trabalhar enquanto o algoritmo escolhe os caminhos e o leva ao seu destino. Eles não precisam ser perfeitos, eles só precisam ser melhores do que nós.
Os robôs sempre seguirão as regras de trânsito e poderão se comunicar, minimizando congestionamentos. Aliás, em um trânsito totalmente autônomo, não seria sequer preciso haver semáforos. Impossível, certo? À primeira vista parece mesmo, mas sabia que a nossa internet já funciona assim? Todos os nossos acessos são transportados de um lugar para o outro em “pacotes” de dados, roteados automática e exclusivamente por milhões de roteadores e switches que funcionam de modo distribuído e harmonioso.
Virou cena comum ver taxistas ao redor do mundo protestando contra os motoristas do Uber, não é? Mas se o carro autônomo passar a ser o melhor meio de transporte, seja economicamente, seja em termos de segurança, como defender a manutenção dos empregos desses motoristas? Como você imagina que serão entregues nossos fretes? Será que com motoristas humanos ou com algoritmos automáticos? Quem continuará empregando os motoristas de caminhão?


Mais educação resolve, certo?

Talvez não seja tão simples assim. Muitas vezes, essa é uma disputa que não podemos vencer. Sabemos que a capacidade computacional dobra a cada dois ou três anos (a famosa Lei de Moore). Em quase todas as áreas, é questão de tempo até que um computador ou robô seja capaz de fazer muito bem aquilo que antes só um humano seria capaz.
Garry Kasparov é um dos maiores enxadristas de todos os tempos. Uma mente brilhante do xadrez. Em 1996, ele demonstrou sua capacidade ao vencer o duelo com supercomputador da IBM, Deep Blue. Um ano depois, em 1997, após melhorias no algoritmo, uma nova disputa ocorreu e dessa vez a supermáquina levou a melhor. Em um intervalo de algumas décadas, os computadores haviam evoluído de adversários ingênuos no xadrez para um páreo duro contra o campeão mundial. De lá para cá, no entanto, o que foi uma disputa apertada se transformou em um massacre absoluto. Atualmente, é simplesmente impensável que um jogador humano e um computador possam competir em pé de igualdade um contra o outro, independentemente de quem seja este humano.
Se mentes brilhantes como Kasparov e Carlsen foram impotentes contra o avanço implacável das máquinas, será que é realista acharmos que conosco será diferente quando chegar a nossa vez? De novo, do Deep Blue para cá são só 20 anos. O que nos espera nos próximos 20, ou 50?

Divagações descompromissadas e distopias.

Se a disputa com as máquinas nos será quase certamente inglória, isso significa que nossas tecnologias provavelmente não dependerão mais de nós para evoluir. Para continuarmos melhorando de vida não mais seria necessário nosso esforço direto, posto que as máquinas sobrepujariam com grande margem os nossos melhores desempenhos.
Se isso acontecer um dia, será que a disputa entre os humanos continuaria a fazer sentido? Será que ainda seria algo necessário? Ou, neste momento, ao invés disso, seria mais produtivo para nós, como espécie, apostar na cooperação?
E como seria um mundo em que ninguém precisasse trabalhar nunca mais? Que impacto a abundância desmedida teria em nossa condição emocional. Que faríamos dia após dia? Seria essa a liberdade última? Seria isso algo parecido com a sonhada terra prometida, aquela onde corre leite e mel, onde não precisaríamos despender nenhum tipo de esforço para ser? Me pergunto se, neste mundo hipotético, sentiríamos, por absurdo que pareça, alguma saudade da escassez.
E a morte no futuro? Bom, já que estamos divagando sem compromisso, não seria absurdo imaginar que algum dia, daqui a 1000 anos quem sabe, se descubra uma tecnologia capaz de manter de modo indefinido a vida. Seja por avanços da medicina, da biotecnologia, da bioengenharia, vai saber. Se isso ocorrer, nada impediria o homem de alcançar uma virtual “vida eterna”. Quem viu alguns episódios da série Black Mirror vai se lembrar de temática semelhante. Se a morte fosse apenas uma escolha, se a perpetuação da saúde e da vida fosse uma possibilidade, o que isso mudaria nossa visão do mundo?
Por fim, será que algum dia não seremos mais necessários uns para os outros? Quando a oferta de bens e de serviços à disposição de todos for infinita, será que nossa contribuição individual estaria próxima do zero? Existimos para sermos necessários aos demais? Ou existe outro propósito mais fundamental?


Conclusão

Imaginar o futuro é um exercício fascinante, porém incerto. Muitos consideram um exercício inútil. Outros, que é no hoje que se deve começar a pensar o que faremos e o que seremos como sociedade no amanhã.
É possível que descubramos assim nosso maior tesouro futuro em coisas ancestrais, como a subjetividade, a contemplação, as artes, a capacidade de sentir, a gratidão, o amor.
Enquanto o futuro não vem, é a apreciação do elemento puramente humano o que ainda nos leva a transcender.

Jairo Luciano Alves é engenheiro eletricista pela UFCG.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

DETALHANDO OS ELEMENTOS DO RETORNO FINANCEIRO DE UM ATIVO



Olá, colegas. Como uma continuação do artigo fundamento - explicando o retorno de um ativo financeiro, hoje abordo um pouco mais sobre retornos financeiros. Se quiser saber um pouco mais sobre os fundamentos, sugiro a leitura do artigo supracitado.



 Como explicitado, o retorno de um ativo financeiro basicamente é dado pela seguinte fórmula:


RETORNO DO ATIVO =  (DIVIDENDO + CRESCIMENTO DOS LUCROS) X MUDANÇAS DE PRECIFICAÇÃO


  Vamos analisar mais detidamente cada um dos elementos dessa fórmula.


1 – DIVIDENDO 


      Esse é o o elemento mais fácil, talvez o único que o investidor tem um grande controle.  É pelo yield que geralmente se analisa se um investimento está ou não esticado. Em instrumentos de dívida, ou renda fixa, esse elemento é o que vai determinar quase todo o retorno do investimento.


    Se eu compro uma Debênture que  remunera 12% aa ( deixemos de lado questões tributárias e supondo que não há mercado secundário para a venda desse título - ou seja sem liquidez e a correspondente marcação a mercado), o retorno do meu investimento será:


RETORNO ESPERADO = 12% + 0% (não há crescimento de distribuição) x 1 (ou seja não há alteração na precificação)

RETORNO ESPERADO = 12% aa.



      Portanto, tudo mais constante e idêntico, um ativo com yield de compra maior terá uma expectativa de retorno maior. É  nesse aspecto que a maioria dos investidores amadores se concentra: a busca por "bons" preços nos ativos. 

     Para quem gosta de Fundo Imobiliário é comprar fundos com um yield alto, para quem gosta de títulos indexados a inflação é adquirir com um prêmio mais alto, e quem gosta de dividendos acionários é comprar um papel com o maior dividend yield possível.



2 - CRESCIMENTO DOS LUCROS OU DA DISTRIBUIÇÃO

               
 Esse é um ponto mais difícil de análise. Por qual motivo? Porque ao contrário do yield, ele requer que o investidor faça estimativas sobre o futuro.  Como funciona a grosso modo com as três grandes classes de ativos brasileiros?

Renda Fixa – Não há crescimento da distribuição, ou o crescimento se dá indexado pela inflação (pense numa NTN-B onde a distribuição é corrigida pela inflação do período).


Imóveis/FII – Em teoria, não há crescimento real das distribuições. O que quer dizer? Que em períodos maiores de tempo, o aluguel tende a corrigir pela inflação, ou levemente abaixo ou acima. Não há possibilidade de grandes crescimentos reais da renda gerada pelo ativo. “Mas Soul, e os FII que estão diminuindo a renda seja por diminuição dos aluguéis, seja por vacância?”. É verdade, colega, mas repare que disse que isso é uma tendência e de longo prazo, ou seja , pelo menos durante um ciclo imobiliário de uns 15-20 anos. Não podemos nos esquecer que houve forte crescimento real dos aluguéis entre os anos 2003-2012, e os últimos anos talvez sejam apenas uma correção do excesso, e que se analisarmos no futuro o período de 2003-2022, os aluguéis terão mantido em média o mesmo patamar real.


Ações – Aqui que mora o sonho acalentado de muitos blogueiros. Uns investem em ações “aristocráticas”, ou seja, que possuem um histórico de aumento dos lucros, e conseqüentemente aumento dos dividendos, por décadas. Há aqueles que querem descobrir uma empresa pequena, que tem o potencial de crescer os lucros 20/30 vezes. Não há dúvida que o mercado acionário é o tipo de ativo mais indicado para se ter um retorno potencial maior oriundo do crescimento dos lucros.


  É nesse fundamento que alguns educadores financeiros falam para se concentrar. “É uma empresa que cresce os lucros de forma consistente durante os anos”, então é uma boa candidata para compor a sua carteira. É aqui também onde analistas, profissionais ou não, tentam entender o negócio da empresa, projetar para onde a companhia pode crescer, onde pode se tornar mais eficiente, tudo isso para que os lucros aumentem.



   Eu tenho sérias dúvidas sobre a capacidade de investidores amadores analisarem isso. Porém, tenho que reconhecer que já vi boas análises sobre fundos imobiliários em grupos de discussão que eventualmente participo. Pessoas que muitos meses antes faziam análises de que um determinado fundo tinha potencial para aumentar a sua distribuição, potencial esse que não estava refletido na cota num determinado momento.



 Logo, por mais que ache difícil, e algo que pode consumir muito o tempo escasso de um investidor, que antes de tudo é um ser humano com diversos outros interesses, é possível investidores em alguns casos estimarem com certo grau de acerto o crescimento, ou eventual decréscimo, dos lucros.



3 - MUDANÇA DE PRECIFICAÇÃO


   Porém, é esse o componente que geralmente traz os maiores  ou piores retornos. É atrás disso que os grandes gestores estão atrás. É isso que o gestor do fundo verde tenta descobrir. É claro que o Luis Stuhlberger deve analisar o mercado num todo para saber se ele tem uma tendência de aumentar os lucros/distribuição, e por via de consequência aumentar os retornos,  mas o que ele realmente quer acertar é mudanças na precificação.



   E o que é isso exatamente? É simplesmente a mudança da relação entre a quantidade de dinheiro que o mercado quer pagar por uma determinada quantidade de lucro de uma  determinada empresa ,  de um determinado imóvel para renda, de um título de dívida soberano, de um setor da economia, ou de um mercado inteiro.



   Se alguém diz que o mercado acionário americano está “bolhudo”, por exemplo,  o que na verdade essa pessoa está expressando é que ela acredita que a quantidade de unidades monetárias que se paga por uma unidade de lucro não faz mais sentido. No íntimo, ela acredita que essa relação irá diminuir, irá ocorrer uma mudança na precificação.



   Nesse item, colegas, eu posso dizer com certa confiança que nunca vi um investidor amador, principalmente em mudanças de precificação para baixo, acertar em cheio uma mudança. Muitas vezes, talvez na esmagadora maioria das vezes, é apenas sorte ou azar. O investidor pode cometer um  autoengano e sinceramente achar que o seu retorno consistente é devido a uma capacidade superior de análise, a uma habilidade de analisar dezenas de elementos, e então fazer um investimento correto.  Nada mais enganoso.



 Se alguém começou a investir em ativos financeiros brasileiros em 2015, ou melhor ainda no começo de 2016, essa pessoa muito provavelmente terá retornos muito altos,  quase garantido que em excesso ao CDI, ou a gestores profissionais. Por quê? Ora, houve uma mudança de precificação nos ativos brasileiros para cima, e quase qualquer ativo que a pessoa por ventura tenha comprado subiu única e exclusivamente pelo efeito de mudança de precificação.



 Basta ver os Fundos Imobiliários. Seja com vacância, sem vacância, revisional negativa ou não, o simples fato é que quase tudo subiu desde 2015, e principalmente desde o começo do ano de 2016. Ora, se quase tudo subiu, a capacidade de analisar ativos em separado teve pouca ou nenhuma relevância, o fator principal de um bom retorno no período foi simplesmente o começo dos investimentos no momento certo. 

 É possível que seja por habilidade, mas é difícil imaginar habilidade em alguém com pouco dinheiro e início de investimento, a probabilidade maior é que seja pura aleatoriedade, ou seja sorte, ou Fortuna como diziam os antigos gregos (uma palavra mais bonita realmente).

    Por seu turno, alguém que começou a investir no mercado acionário brasileiro em 2012-2013 muito provavelmente terá retornos tímidos se comparados com uma simples aplicação em algum título do tesouro direto. Péssimo investidor? Não soube analisar as peculiaridades de cada empresa ou setor? Não soube escolher boas empresas? Muito provavelmente a simples resposta seria algo como: azar na escolha do momento de começar a investir ou uma má Fortuna.



 É muito difícil antever essas mudanças de precificação, principalmente quando se está com preços não muito destoantes de médias históricas. Por que é difícil? Bom, porque é simplesmente muito complicado saber os impactos positivos ou negativos que uma sucessão de eventos podem ter na precificação dos ativos (sem contar os eventos aleatórios, eventos imprevisíveis, etc, etc). 

  Geralmente, e isso é um erro de julgamento que já foi abordado netse blog HINDSIGHT BIAS (recomendo muito a leitura do artigo), as explicações posteriores fazem todo o sentido de porque uma precificação aumenta ou diminui, mas na hora dos acontecimentos é uma tarefa das mais complexas antever mudanças bruscas de precificação.


  É isso, colegas, espero que tenham gostado. Um grande abraço!

domingo, 25 de junho de 2017

O ESCAFRANDRO E A BORBOLETA E SUA LIGAÇÃO COM A ONSEN JAPONESA

 Revolutionary Road, esse é o nome do filme. Foi apenas um sonho, esse o nome que deram em português.  Lembro-me de ter recomendado esse filme para um dos meus melhores amigos. Há uns meses, ele apenas me mandou uma mensagem de que tinha ficado impressionado com a história. No meu primeiro dia com 37 anos, resolvi assistir novamente esse drama.
  
   É um filme forte, daqueles para se refletir bastante. A história me atrai porque eu creio que ela é real, toca na realidade de uma forma muito intensa, quer o espectador se veja na situação dos protagonistas, quer não. Esse é um dos motivos de gostar de um escritor como Doistoiéviski, por exemplo, a habilidade do gigante russo de nos tocar com personagens tão profundos e  tão reais. Ao me aproximar do final de mais de 1000 páginas do livro “ A Revolta de Atlas”, não consigo entender como uma história com personagens tão irreais,  que nada mais são do que caricaturas mal construídas, possa atrair tantas pessoas. A fábula moral da história  é uma construção interessante, o aspecto literário não faz jus à fama.

  É um filme sobre o quê? Amor, ódio, frustração, pressões sociais, depressão, medo, coragem, ambição, filhos? É sobre tudo isso colegas. Amor. Talvez um dos temas mais importantes e quase que complemente negligenciado em nossas vidas frenéticas atuais.  É um assunto sobre o qual gosto de conversar, ler e escrever. 

 Lembrei-me então de um filme maravilhoso que vi há muitos anos. O filme teve um impacto tão forte em mim, que quando ele acabou, recordo como se fosse hoje, eu ao invés de dormir, fui para o computador e escrevi um e-mail sobre amor para uma pessoa importante da minha família. Foi quase que uma necessidade de exprimir algo de bom que o filme aflorou em mim. Quão maravilhoso não é isso? Imaginem exercer alguma atividade humana onde você possa fazer aflorar um sentimento tão bom em outras pessoas? Quão magnífico não pode ser?

 O Escafandro e a Borboleta, esse é o nome do filme. Uma das cenas mais lindas que já vi numa tela foi nesse filme. Um filho com quarenta e poucos anos fazendo a barba do pai de uns oitenta e poucos anos. O afeto da cena, a delicadeza do momento, o amor do filho para com o pai demonstrado sem qualquer fala num simples ato de carinho, eu não sei, de alguma maneira me toca de uma maneira que me faz querer ser uma pessoa melhor.

Que filme. A sonoridade do Francês realmente às vezes pode ser algo especial : "Le Scaphandre e  Le Papillon".


  Esse é um dos poucos filmes que realmente gosto que vi apenas uma vez. Talvez seja o momento de revê-lo.  “E foi apenas um Sonho?”.  É um filme com muita dor. Há muita dor no filme francês também, mas o sofrimento, mesmo que para mim e provavelmente para a esmagadora maioria dos leitores fosse insuportável, é de certa maneira conquistado. 

 A dor. É possível entender a dor dos outros? Até que ponto realmente podemos entender algo que uma dor lancinante para alguém, mas por ventura não tenha qualquer impacto em nós mesmos? Se isso ocorre, podemos realmente nos sensibilizar com um outro ser humano que esteja sofrendo?

É um filme sobre dor. Apesar de se passar na década de 50, não consigo imaginar um filme mais atual do que esse sobre diversos aspectos na forma que nos relacionamos com nossos companheiros e com nós mesmos.


  Não tenho as respostas para essas perguntas, mas gostaria de terminar esse brevíssimo texto escrevendo não sobre dor, mas sobre amor. Os Japoneses possuem um “esporte nacional” que é ir a Onsen. Uma Onsen nada mais é do que uma Hot Spring, e existem mais de 3 mil no Japão, já que há intensa atividade vulcânica nas ilhas japonesas. Apenas sobre Onsen eu tenho várias histórias interessantes do mês que passei no Japão, mas há uma cena em especial que guardarei comigo por muito tempo.

 Você deve entrar pelado numa Onsen, e há separação entre homens e mulheres. É interessante que os Japoneses são tímidos, mas possuem uma relação, em muitos aspectos, muito mais natural com corpos nus, do que nós próprios brasileiros que supostamente somos sensuais e bem conscientes dos nossos próprios corpos, ao menos em teoria. 

 Eu estava numa vila bem no interior do sul do Japão, que era uma “Vila Onsen” no meio de uma floresta. Eu estava quase que num estado meditativo naquela Onsen natural no meio de uma floresta. Foi quando vi um Japonês segurando uma criança de uns dois anos no colo, e vi a criança alisando o rosto do Pai, e o Pai sorrir para criança. 

  Pensei comigo mesmo “Eu já vi isso em algum lugar”. Sim, já tinha visto, ao observar num filme francês um filho barbear o seu pai idoso. O mesmo carinho, o mesmo amor, a mesma delicadeza, aquela mesma coisa pela qual a vida, que às vezes parece um emaranhado de fatos e sensações que não fazem muito sentido, de repente ganha um significado profundo e bonito.

 Gostaria de ser um artista para poder de alguma maneira transmitir  aquela cena da forma como ela mereceria ser retratada. Ainda bem que existem poetas, escritores, músicos, artistas de teatro. 



  Um abraço a todos!