domingo, 6 de janeiro de 2019

A REFORMA DA PREVIDÊNCIA É A SOLUÇÃO PARA OS SEUS PROBLEMAS. VOCÊ FAZ MUITO BEM EM CONHECÊ-LA EM TODOS OS DETALHES E GASTAR O SEU TEMPO COM ISSO.


                Jonas está frustrado. Passou dos cinqüenta e poucos anos. Seu desempenho sexual deixa a desejar.  Seu casamento se mantém em pé mais por comodidade do que qualquer outra coisa. Seus níveis de testosterona estão cada vez mais baixos, a última vez que mediu deu abaixo de 180. Apesar de a idade ser um fator, está visivelmente acima do peso, ele não consegue recordar a última vez que subiu mais de dois lances de escada sem pegar o elevador.  Não fala com o seu filho há mais de cinco meses, aliás, o relacionamento com ele nunca esteve tão ruim.

                Caramba, a situação está ruim para Jonas. Sua vida poderia ser muito melhor do que é, seu bem-estar poderia ser ordens de magnitude maior. Porém, Jonas, está esperançoso, ele acredita que algo muito importante vai acontecer, ele comenta sobre isso, lê sobre o assunto, gasta horas e horas discutindo com quem pensa diferente, defendendo a sua perspectiva de maneira intensa e apaixonada. Jonas se matriculou numa academia e começou a se informar melhor sobre como alimentar melhor o corpo e daí advém a esperança dele de alguma coisa mudar na sua vida? Jonas redescobriu que a mulher com quem convive foi a sua companheira de uma vida, e o amor, que apesar de não ser uma paixão juvenil, ainda existe? Não, Jonas está confiante na aprovação da reforma da previdência.

                Michele tem 25 anos. Todo dia que se olha no espelho percebe alguma imperfeição em seu corpo. Uma hora é o bumbum que é um “pouco caído”, outra são os olhos que poderiam ser claros, ou o cabelo que poderia ser mais liso.  Como um ritual de auto-imolação, Michele todos os dias fica triste e ansiosa com o seu físico.  Uma tristeza um pouco mais profunda recentemente se abateu sobre a mesma, e ela foi diagnosticada com uma depressão leve.  O médico não pergunta sobre a rotina de auto-flagelo e prefere receitar uma antidepressivo. E assim, Michele, continua os seus dias, extraindo algum conforto efêmero e passageiro nas roupas que compra, nas fotos que compartilha sorrindo em suas mídias sociais, para logo depois sentir-se ainda mais triste, ansiosa e vazia.

                A situação não é boa para Michele. Porém, Michele está esperançosa que as coisas irão melhorar. Ela está confiante que um fato marcante irá ocorrer, melhorando a sua vida e por conseqüência o seu bem-estar. Ela vai parar de se olhar no espelho de maneira tão crítica, e aceitar como é, ao descobrir que muitos dos desejos físicos que ela projeta no seu corpo nada mais são do que miragens feitas por um marketing cada vez mais subliminar? Ou será que ela passará mais tempo com ela e pessoas próximas de forma mais direta, deixando as relações virtuais para um segundo plano? Não, na verdade Michele está confiante na aprovação da reforma da previdência.

                Carlos há anos ocupa um cargo que não o satisfaz. Com 35 anos, todo o entusiasmo juvenil que algum dia existiu nele parece que nunca existiu, é uma quimera de um passado longínquo.  Ele não gosta dos seus colegas de trabalho, do seu chefe,  de ficar preso no trânsito. O seu desgosto com a profissão começou a se alastrar para outras partes da vida. O cinismo virou a sua forma preferida de comunicação com os seus pares, afinal “homens não choram”.  De repente, sua mulher não é mais atraente. Não vê mais sentido em ter hobbies, pois acha uma perda de tempo.  Tudo que foi colorido se torna cinza, carregado, pesado. Matricula-se num curso online de um filósofo que nunca foi para academia, e lá aprende a ficar ainda mais zangado, brabo com tudo e todos.

                A situação de Carlos parece péssima. Porém, Carlos está esperançoso que sua vida vai dar uma guinada para melhor. Ele briga e ofende pessoas que não compartilham da sua visão gloriosa. O que Carlos percebeu? Porque com tanto afinco se compromete com algo? Será que ele percebeu que sua mulher sempre esteve ao seu lado nos momentos de dificuldade, e está disposto a brigar com tudo e todos para manter aceso um sentimento lisonjeiro por sua companheira? Ou será que ele percebeu que o curso online era oferecido por um charlatão que ao invés de realmente indicar caminhos para que ele ficasse “amigo do conhecimento”, na verdade o deixa mais paranóico, agressivo e com perda de qualidade de vida? Ou talvez ele começou a se esforçar com afinco para aprender Inglês, e quem sabe realizar o sonho de viver na Austrália nem que seja por um ano, um objetivo que com certeza faria o seu trabalho parecer muito mais “suportável”? Não, na verdade Carlos está esperançoso com a aprovação da reforma da previdência.

                Você possui alguma coisa em comum com o Jonas, a Michele ou o Carlos, prezado leitor? Identificou-se? Achou absurdos os relatos? Tragicômicos? Será tão distante assim mesmo da sua vida? Pessoas estão pré-diabéticas (e nem sabem disso), sem ânimo, tristes, com relacionamentos pessoais deteriorados, pais que não conversam com os seus filhos e vice-versa, adultos mal resolvidos com sua sexualidade e emoções, desgostosos com tudo, infelizes, refugiando-se em realidades virtuais que apenas as afundam ainda mais, mas por algum motivo essas mesmas pessoas acreditam que seja mais importante falar sobre a reforma da previdência do que esses problemas tão visíveis e profundos em suas próprias vidas.

                Todos nós podemos decidir hoje mesmo qual tipo de vida queremos ter e quais tipos de relacionamentos almejamos usufruir.  Nem mesmo dinheiro é necessário para fazer grandes mudanças. Com o peso do seu corpo você pode fazer inúmeros exercícios, o que o deixará mais focado, mais em forma, mais saudável, e com uma confiança muito maior. Com um simples “bom dia” nós podemos interagir com a nossa família, nossos vizinhos e conterrâneos de forma muito mais amena e agradável. Podemos escolher entre sermos empáticos, conscientes dos próprios erros  e mais satisfeitos, ou podemos ser rancorosos, agressivos com quase todos, e no fundo com nós mesmos. Podemos nos queixar de nossas condições financeiras, podemos apontar para os outros, ou podemos nos esforçar para que possamos atingir objetivos tangíveis. Tudo isso não precisa de dinheiro, um talento extraordinário, ou algum gadget novo. Porém, boa parte das pessoas prefere devotar o seu tempo e energia para discutir a reforma da previdência.

                Veja, a reforma da previdência é importante, sem dúvidas, esse mesmo blog escreveu sobre a mesma há três anos Não, a previdência não possui déficit. Sim, ela é um grande problema. Não há nenhum mal você enquanto cidadão querer ter uma opinião, além do mais se está prestes a se aposentar pelas regras atuais. Porém, a reforma da previdência, mesmo se aprovada ou rejeitada, não fará a testosterona de Jonas subir, a auto-estima de Michele melhorar, e a sanidade mental de Carlos voltar.  E, prezados leitores, a reforma da previdência é usada apenas como um exemplo, uma metáfora para a nossa miopia (não iria colocar essa frase, pois parece-me claro que esse era o caso, mas ganho em clareza às expensas de fluidez do texto).

                Portanto, a nossa vida precisa ser refletida. Precisamos encontrar tempo e espaço para nós mesmos. Precisamos descobrir quem realmente somos, auscultar os recônditos da nossa consciência, para podemos entender o que podemos fazer para nos tornamos pessoas melhores e mais satisfeitas com a vida. Cabe a você, prezado leitor, o chão está do seu lado, basta se inclinar e começar a fazer flexões. Não conseguiu nenhuma? Sua força está absurdamente diminuta. Mas não tem problema, esforce-se que você vai conseguir. Conseguiu apenas quatro? Não tem problema, aos poucos, cada dia vai tentando fazer uma a mais, quem sabe daqui alguns meses você não consegue fazer 200? Pode ter certeza que quando conseguir fazer 100, sua auto-estima terá aumentado em várias partes diversas da sua vida. O chão está aí, você está pisando nele. Mas, se quiser brigar, se preocupar, gastar horas e horas, com a reforma da previdência, fique à vontade, a vida é sua.  

Depois de sete horas num barco (isso depois de pegar dois voos e um ferry), tive que pegar esse barquinho por mais de duas horas, molhando todas as roupas e equipamentos meus e da minha companheira. Fiquei muito brabo? Infeliz?
Como não ficar feliz num lugar desses? Mentawai -Indonésia - final de 2015 (saudade!)


Um abraço!



               

48 comentários:

  1. Olá Soul Surfer. Em um dos links do post direciona para outro post seu que argumenta existir déficit pela Constituição.

    Em relação a isso, qual sua opinião sobre este texto: https://www.institutomillenium.org.br/artigos/a-previdencia-superavitaria/

    Abraço.

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    1. Olá, colega. Não vi divergência entre os textos.
      Abs!

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    2. Correção: não existir deficit.

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  2. Fala Soul, eu como quase formado e com 22 anos queria que a discussão referente a previdência fosse quanto a obrigatoriedade de contribuir com esse sistema falido e que lá na frente vai quebrar novamente e a conta vai ficar pro futuro pensionista(eu denovo) pagar.
    Eu invisto meu dinheiro melhor que o Estado, não quero trabalhar até os 65 anos para me aposentar, infelizmente a contribuição pra previdência é um dinheiro desperdiçado. Acho que o mesmo aconteceu com você após pedir exoneração da procuradoria né?
    Abraço!

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    1. Olá, colega, nem eu gostaria de contribuir.
      Se levar em conta o que contribuir durante os anos, mas o fato que poderia ter colocado num TD qualquer, a quantia "perdida" deve ser mais de R$ 500.000,00. E daí? O que não tem solução, solucionado está.
      Espero que você compreenda que o "futuro pensionista" representando você é uma construção abstrata. Talvez daqui 43 anos, você nem vivo esteja, talvez não more no Brasil, talvez não dependa de absolutamente nada da previdência. Porém, há questões prementes na sua vida com impacto imediato no seu bem-estar.
      Isso não significa que você não possa se preocupar, se posicionar, aderir a um movimento, porém é preciso entender que isso é uma troca, como todas as nossas escolhas o são, o ponto do texto é que se dá muito de atenção, energia e disposição para problemas que fogem do nosso controle e que em última instância não são tão importantes para o nosso bem-estar presente.
      Um abraço!

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    2. Anônimo, que investimento que você faria com 600 reais mensais que te daria uma fluxo vitalício de 5.000 e tanto depois de 35 anos? E, de bônus, ainda te daria seguro de vida e diversos outros seguros (invalidez, afastamento temporário por doença etc)?

      PS.: Lembre-se de descontar das contas a inflação.

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    3. Sim, anônimo2.
      A previdência pode ser encarada como um seguro mínimo, e se a pessoa puder fazer a contribuição mínima talvez não seja tão ruim assim, pois a previdência pública realmente é um seguro que abrange muitos riscos.
      Abs

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    4. Anônimo2,
      Se parece bom demais para ser verdade, é porque não é verdade.
      O governo está lhe fazendo promessas incríveis a um custo irrisório, que a iniciativa privada não consegue concorrer.
      Isso significa que o governo é eficiente ou que está lhe enganando com promessas que não terá como cumprir?

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    5. Anônimo3, você pode ter razão ou não.
      O fato é que o conceito de previdência pública possui uma probabilidade razoável de ainda existir daqui 30 anos. Muito diferente do que é hoje? muito provavelmente. Vai decepcionar muitas pessoas que não se prepararam? Muito provável também.
      Porém, é crível que o conceito ainda permaneça, e se assim o for, é melhor a pessoa ter contribuído o mínimo, mesmo que receba o mínimo, pois se o conceito de previdência pública ainda existir é provável que ele atenderá ao menos o mínimo.
      O futuro, ainda mais décadas a frente, sempre será incerto num mundo de rápidas mudanças, mas as pessoas precisam fazer decisões presentes, e a melhor forma de fazer isso é honestamente analisar os dados, fatos, e se posicionar da maneira que faça mais sentido.
      Abs!

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  3. Opa! Boa tarde!

    Eu tento não pensar muito em coisas que eu não tenho nenhum controle sobre. Tenho alguns espasmos de discutir política de vez em quando, mas quando começa a ficar chato eu desisto, porque no fim, a não ser em época de votação, eu não tenho nenhum poder de ação sobre as coisas que acontecem.
    Tento também não dar a mínima atenção sobre a vida de gente famosa e coisas desse tipo, pois isso não tem nenhuma influência sobre mim.

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    1. Olá, Vira Lata.
      Bem que você faz, colega.
      Um abraço!

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  4. Fala Soul, tudo bem?
    Chamou a atenção nos seus últimos posts sua opinião relativa ao Olavo de Carvalho. Você já leu algum livro dele? Se for analisar as obras escritas há mais de duas décadas, verá que o professor conseguiu antecipar muitos eventos recentes com bastante precisão. Espero que esse preconceito com relação ao professor não seja decorrente de um ou dois vídeos que você tenha assistido no YouTube, como muitos têm feito. O professor Olavo costuma cometer alguns exageros nos vídeos, mas isso não desmerece a totalidade da obra escrita e publicada. Afinal, até mesmo os gênios têm sua cota de loucura, não é mesmo? Forte abraço!
    Fabio

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    1. Olá, Fabio.
      a) Veja, o seu comentário pode ser desdobrado em vários aspectos. Comecemos pelo final. Quais eventos e com qual precisão? Sério, me diga. Atualmente, estou lendo o livro do Philip E. Tetlock chamado "Superprevisões". Não sei se o conhece, mas ele ficou internacionalmente famoso com o seu livro: "Expert Political Judgment: How Good Is It? How Can We Know?". Neste livro mais famoso dele de 2005, ele mostra os resultados de sua pesquisa feita com os mais diversos especialistas-previsores sobre a acurácia das previsões feitas por eles. O estudo contou com 300 especialistas de diversas áreas, ideologias, famas, etc. Foram feitas quase 30 mil previsões. O estudo durou de 1988 a 2004 se não me engano. O resultado foi que na média não houve diferença estatística entre especialistas fazendo previsões e um chimpanzé escolhendo aleatoriamente.
      Neste livro "superprevisões", porém, ele esclarece que analisando os dados por subgrupos era possível ver a diferença bem clara entre dois tipos de previsões, ele chamou um tipo de previsor porco-espinho, a outra de raposa.
      Tal denominação vem de um pedaço de uma poesia atribuída a um poeta grego de mais de 2500 anos que dizia “ A raposa sabe muitas coisas, o porco espinho apenas uma mais muito importante”. Previsões porco-espinhos possuem ideias consolidadas, raramente mudam de opinião (mesmo com fatos contrários), não se importam com pensamentos divergentes e suas previsões possuem a característica de certezas. Os previsões porco-espinhos se saíram pior do que os chimpanzés. Os previsões raposas, por seu turno, já possuem pensamento mais nuançado, admitem que suas previsões possuem muitos “poréns”, estão contentemente atualizando suas convicções com novas informações, os previsões raposa foram melhores do que o chimpanzé.
      a.1) O que isso tudo quer dizer? Que como nós enquanto sociedade não prestamos atenção em medir as previsões feitas, os previsões são igualados. Nesse contexto, há uma tendência de se dar mais espaço para previsões porco-espinhos, pois eles possuem a certeza que muitas pessoas acham reconfortantes. Quando um previsor porco-espinho acerta alguma coisa em cheio, apesar de ter errado 10 anteriores, costuma ganhar uma grande fama.
      Precisaríamos olhar as previsões de Olavo de Carvalho, como elas foram feitas, quais as precisões que elas foram enunciadas, e aí ver se ele foi ou não um grande preditor, ou se um chimpanzé faria melhor. Ele claramente é um porco-espinho, e é por isso que agrada tantas pessoas, num mundo complexo e multifacetado, muita gente se sente acolhida com certezas sobre tantas coisas.

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    2. b) Fabio, alguém que escreve o principal livro com o título “tudo que você precisa saber para não ser um idiota” já é alguém que você precisa desconfiar. O que significa? Quer dizer que quem não ler o livro é um idiota? Quem ler e discordar de alguma coisa é necessariamente um idiota? Você percebe que assim como o lema do Bolsonaro “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos” desmorona a uma análise mais detida, já o título do principal título dele demonstra o tipo de “ensinamento” que ele quer passar. Não há nada de reflexivo ou crítico, isso é pura endocrinação ideológica, em nada diferentes de endocrinações religiosas, marxistas, etc, etc.
      b.1) Além do mais, alguém que começa um livro com um xingamento e uma agressão a outras pessoas não pode ser um modelo, muito menos sobre moral e ética. Eu não iria gostar de alguém assim nem mesmo perto da minha filha, a não ser que controlasse o palavriado. Sim, eu li as primeiras 40 páginas desse livro numa cortesia do blogueiro frugal que me mandou em PDF, eu realmente não consegui ler mais, pois achei de baixíssima qualidade não só o escrito, mas como a forma de escrita. Essa foi a minha opinião, e outras pessoas podem ter opiniões diversas, e não há nenhum mal nisso.
      b.2) Sobre vídeos, eu vi alguns, e em certos momentos ele parece um alucinado. Não falo nem de vídeos onde ele fala de Einstein e Newton (ninguém que se auto-insula filósofo poderia falar as bobagens anti-científicas que ele fala), falo em vídeos sobre assuntos comezinhos. O sujeito parece sempre estar com raiva, parece sempre estar “puto” com alguma coisa, é evidente que tal raiva e mal-estar iria se espelhar nas pessoas que o seguem mais detidamente.
      b.3) Por fim, se você vê valor no que ele escreve, em suas condutas, ora é assim mesmo que funciona a diversidade humana. Porém, se o acompanha por conhecimento, colega há inúmeras outras fontes de muito melhor qualidade, e com muito melhor postura.

      c) Por fim, como estou meio alheio a notícias, essa semana resolvi ler um pouco mais, e fiquei abismado com o nível de alguns ministros de alto gabarito. E mais espantoso ainda que algumas indicações veio de alguém como Olavo de Carvalho. É impressionante. Não são blogueiros com pouca formação escrevendo textos sem pé nem cabeça sobre teorias conspiratórias, é o chefe da diplomacia brasileira. Para mim é inacreditável, por isso minha vontade de escrever um pouco mais sobre o tema.

      Um abraço Fábio!

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    3. Fala Soul, beleza?
      Grato pelos comentários. Eu particularmente não considero "O Mínimo" e nem "o imbecil coletivo" os melhores livros de Olavo, embora estes tenham caído no gosto popular. Considero leituras mais interessantes os livros "Aristóteles em Nova perspectiva" e "o jardim das aflições". Este último, particularmente, demandou que fechasse o livro logo no primeiro capítulo e fosse estudar Tomismo, para entender o raciocínio do autor. Somente após esse exercício, decidi manter a leitura.
      De qualquer forma, Olavo representa um ponto de vista diferenciado, cujos livros merecem uma leitura atenta.
      Abraço e bom 2019!

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    4. Fala Fabio,
      Claro, se você gosta de ler esse autor e de alguma maneira foi positivo para você, ótimo.
      Um abs!

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  5. Olá Soul, boa reflexão.

    Eu assistia a muitos vídeos sobre políticas e também discutia muito com colegas. Vi que isso às vezes me dá um pouco de raiva. Então, vi que a solução é focar em outras coisas que não evolva muita política.

    Sobre previdência. Eu não pagaria se tivesse a opção de escolha. Então, eu invisto para não depender de governo.

    Fugindo um pouco do texto. Eu acho você parecido com o Chris Daughtry (cantor). Por sinal canta muito. Você o conhece?

    Abraços!

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    1. Olá, Cowboy.
      a) Sim, amigo, esse é o ponto. As pessoas ficam bravas, tristes, às vezes até mesmo rompem com outras pessoas. Eu mesmo, não me faz bem, vi que alguns vieses (como o de confirmação) que eu tento conscientemente combater em meus processos cognitivos aparecem de forma mais intensa em temas assim. E eu não ganho nada em troca. Quando me dedico a outras tarefas, entretanto, os ganhos são enormes, e sem perdas.

      b) Não conhecia, estou ouvindo uma música. Não me acho parecido fisicamente com ele, mas ele realmente canta bem, gostaria de estar no nível dele:)

      Um abraço!

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  6. Durante alguns anos eu trabalhei em um órgão "grandão" da praca dos tres poderes. Vou tentar sintetizar o que de mais importante aprendi com essa experiência:

    1. Existe uma abissal diferença entre a realidade brasileira (e aqui nem vou entrar no mérito das enormes diferenças regionais), a visão dos decisores e o que a imprensa notícia.

    2. Os argumentos lógicos dessa e de outras questões exerce uma influência muitíssimo menor do que se supõe. Nas esferas mais altas, técnicos são minoria e seus pareceres não resistem aos interesses, ainda que mais rasos.

    3. Não há empatia no poder. Lá de cima, quase ninguém está pensando no Jonas, na Michele, no Carlos ou nos Anons. Normalmente os decisores já estão com "a vida ganha", assim como seus parentes mais próximos. A maioria absoluta deles, aliás, conhece pouco sobre a vida fora da bolha de Brasília, onde é normal as pessoas se orgulharem de ganhar muito e trabalhar pouco... Eu tinha amigos que pulavam de concurso em concurso atrás dos órgãos com os maiores recessos, com incríveis jornadas de trabalho de 6h diárias.

    Isso posto, passei a pensar que o deslinde dessas discussões é um processo estocástico, quase aleatório. Veja: se no meio da discussão de algum ponto da reforna um dos elementos com poder de interferência no processo achar que a opcao A é melhor que a B porque ela possibilita que ele atinja um cargo que pague 3 mil reais a mais, ainda que isso traga prejuízo a milhares de trabalhadores, ele não hesita, vota na A e "faz gestoes" para que outros também optem por A. Isso em todos os níveis.

    Desde que tive o feliz insight de sair desse meio e voltar a viver minha boa vida no interior, deixei de gastar energia com essas discussões, de me revolrar quando as coisas iam por caminhos clara e notoriamente errados.

    Tínhamos até uma piada interna:

    Não faz sentido, logo, acontecerá.

    Não faz nenhum sentido, isso é um absurdo completo, logo, acontecerá mais rápido do que você supõe.

    Então, quando alguém fala sobre o tema e diz "isso é uma outra outra sacanagem!" Eu meio que automaticamemte penso: "então é assim que vai ser."

    O que fazer sobre isso? Exatamente o que o Soul propoe: cuidar do nosso microcosmo.

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    1. Colega, grato pelo comentário.
      Em linhas gerais concordo com os seus itens "1", "2" e "3". Como trabalhava numa Procuradoria do interior de um Estado, era incrível como era recebido em Brasília. Como não estava lotado nem mesmo numa capital de Estado, era como se eu estivesse num país distante. Brasília é extremamente autocentrada em si própria, é por isso que o lema da campanha da Marina, capitaneado pelo esse sim Filósofo e dos bons Eduardo Giannetti, "Menos Brasília, mais Brasil". Isso é fundamental.
      Há excelentes técnicos nas burocracias, em alguns poucos órgãos eles conseguem ter uma voz mais ativa, e por isso se criam ilhas de excelência no serviço público, porém numa imensa maioria de órgãos públicos as vozes técnicas nas grandes decisões possuem uma importância secundária (não é que não possuem importância, mas muitas vezes não é o argumento principal).

      Bem que você fez, amigo.

      Um abraço!

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  7. O soulsurfer é o exemplo típico do homem massa do Ortega y Gasset.

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    1. Olá, anônimo. Desenvolva mais essa provocativa afirmação.
      Um abs

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  8. O lance da previdência publica é contribuir o mínimo e o que vier é lucro. O unico ponto positivo da previdencia publica sao os beneficios acidentários. Eu tenho a sensação que tanto o regime de capitalização como o de solidariedade não dao certo. Para mim, seria muito mais interessante o governo educar financeiramente as pessoas a fazerem elas próprias tal aposentadoria. Provavelmente uma utopia. Falando a respeito da reforma, excelente a colocação, uma vez que, essas regras ainda serao modificadas inúmeras vezes. Por isso, as vezes não entendo a implicancia de muitas pessoa na casa dos 30 anos contra tal reforma. Acho que teremos problemas maiores a lidar no futuro, como a crescente automação.

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  9. Olá Soul, excelente post. Mantendo o assunto previdência mas voltando um pouco pra parte, digamos, mais técnica rsrs, eu vejo esse e outros temas atuais muito como ciclos de boom seguidos do inevitável bust. Vou falar um nome meio odiado na blogosfera e no mundo atual, mas eu concordo com muita coisa que o Soros escreveu no The Alchemy of Finance. Temos aqui um problema real, a solvência do estado brasileiro, e temos os agentes econômicos que, tendo observado o mal gerenciamento dessa área pelo governo anterior combinado com uma falta de confiança de que o estado consiga pagar seus compromissos e/ou de que consigamos crescer a taxas aceitáveis, culminou com a situação de crise de confiança que vivenciamos. Logo, se a previdência parece ser o maior problema, uma solução desse problema deve sim levar a uma melhora imediata de ânimos, independente disso ser ou não (na minha opinião não é) a cura milagrosa do Brasil. Se a maior parte das pessoas acreditam em algo, esse algo vai acontecer, as pessoas vão se empolgar, cresceremos. Aí no futuro, isso talvez vire uma nova bolha, as pessoas exagerarão e não verão os problemas que provavelmente aparecerão, e quando perceberem o castelo de cartas ruirá de uma maneira que não podemos ainda imaginar e a história se repetirá. Cenas de um próximo capítulo hehehe. Grande abraço!

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    1. Olá, Investidor. Concordo com a sua mensagem, apesar de não ter sido bem isso o que o texto tratou.
      A sua mensagem foi discutir em si o fato da importância da reforma da previdência, o que não se discute que o tema da solvência fiscal é importante.
      Porém, o que é mais importante diminuir de 50 mil estupros reportados para 25 mil estupros por ano, ou a reforma da previdência? Muitos irão dizer que a pergunta é absurda, mas eu não acho. Muitas prioridades não são prioridades brasileiras, e às vezes nem mesmo humanas, e o que é mais prioritário muitas vezes depende única e exclusivamente de uma narrativa. É o que vejo no Brasil no atual momento.
      Um abraço!

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  10. Oi Soul, acompanho seu blog há bastante tempo, então logicamente sempre gostei de lê-lo. Ultimamente tenho sentido um tom meio pedante, sei lá. Pode ser mera interpretação minha. De qualquer forma deixo o comentário com intenção de crítica construtiva.

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    1. Olá, colega. Agradeço o comentário. O que pode ser pedante para um, pode não ser para outro, e é difícil saber o que um leitor ou outro vai achar do texto.
      Um abraço!

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  11. Com todo respeito, texto excessivamente longo e prolixo para basicamente tecer críticas ao comportamento da maioria dos brasileiros que se preocuparam muito com política nos últimos meses,e que formam a maioria que elegeu democraticamente esse novo governo ou com blogueiros cujos textos lhe deixam irritado ( os tais das " teorias conspiratorias" ou mais preocupados com política). Sem contar as críticas ao Olavo de Carvalho, que não entendo o cuidado de não citar seu nome. Se sua intenção fosse somente fazer uma crítica ao fato das pessoas não darem atenção aos próprios problemas, ao invés de preocuparem-se com questões fora de seu alcance, não seria necessário rechear o texto com referências e críticas a questões que te irritam ou pontos que você não concorda, seja em outros blogueiros ou no pessoal da "direita" em geral.
    Seria legal se você soubesse conviver de forma mais pacífica com a diversidade de opiniões políticas na blogosfera , e, se tem um posicionamento de esquerda, deixar mais claro juntamente com as críticas frequentes em seus textos, bem como sustentar melhor seus argumentos. Se a pessoa acha a reforma da previdência mais importante do que seus problemas conjugais, por exemplo, não cabe a você julgar. Muitos brasileiros que perderam seus empregos em função do desastre petista contam com a reforma da previdência como uma ação determinante para a retomada da economia e melhora da confiança no país. Certamente não é seu caso, visto que foi funcionário público até atingir o grande patrimônio que já vinrntot aqui. Mas a realidade da maioria dos brasileiros passa muito longe da sua.

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    1. Olá, colega.
      a) Com todo o respeito a sua mensagem, já que você se permitiu elaborar um arrazoado e ler um “texto longo e prolixo” antes de fazê-lo, não tem muito sentido. Aliás, nenhum sentido, e é de uma miopia ímpar, miopia essa que grasa não só brasileiros, mas muitos outros povos.
      b) Desde quando se preocupar com as questões que afligem em um nível profundo e existencial alguém é ser de “direita” ou “esquerda”? Essas lentes de dualismo infantilizado não servem para a análise reflexiva e consciente da própria existência.
      c) Eu não sei o que você entende por irritação, e talvez você não acompanhe os meus textos (e não há nenhum mal nisso), mas poucas coisas me deixam irritados hoje em dia. Aliás, esse é um esforço contínuo meu, de não deixar que as pequenos contratempos da vida me irritem. Aliás, há uma palestra sensacional proferida 2005 chamada “This is Water”, e é como procuro levar minha vida. Não é fácil, às vezes é anti-natural, mas é o melhor caminho. Agora, ficar irritado com textos de quem quer seja, isso já faz tempo que superei meu amigo. Agora, num espaço onde exponho meus textos, sentimentos e idéias, creio ser razoável que eu possa expor o que quero, ou não é?
      d) Partindo do item anterior, onde se encaixa “Seria legal se você soubesse conviver de forma mais pacífica com a diversidade de opiniões políticas na blogosfera”? Sério, elucide esse ponto. O que seria conviver de forma mais pacífica? Cada um tem o direito de pensar o que bem entender, e não creio que a pessoa seja um idiota por pensar diferentemente de mim (ao contrário do escritor citado por você, e que você talvez admira). Chamar outros de imbecis ou idiotas é conviver pacificamente? Explique-me essa lógica. Para mim somos apenas humanos vivendo, com angústias, conflitos, preconceitos, forças e fraquezas, e se em determinados aspectos pensamos diferentes, isso não nos faz inimigos, nem idiotas ou imbecis. Aliás, isso é um enfoque que há muitos anos eu dou nesse blog. Portanto, não faz o menor sentido o que você escreveu.

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    2. e) “, e, se tem um posicionamento de esquerda, deixar mais claro juntamente com as críticas frequentes em seus textos, bem como sustentar melhor seus argumentos”, amigo, voltar a dualidade infantilizada de esquerda x direita, por gentileza. Sério, é cansativo esse tema, e parece ser um refúgio para a não troca mais objetiva de idéias.
      f) “Se a pessoa acha a reforma da previdência mais importante do que seus problemas conjugais, por exemplo, não cabe a você julgar.” E o que é julgar para você? Você já comete uma imprecisão, não sei se consciente ou não. Podemos avaliar julgamento como algo negativo, um ato de admoestar alguém que faz algo errado, ou uma crítica destrutiva. Ou, podemos entender julgamento como algo inerente a qualquer tomada de decisão humana. Você faz um julgamento ao decidir ler ou não o meu texto, fazer um comentário ou não, pegar uma pizza para o almoço ou um macarrão. Sempre que fomos escrever sobre um aspecto da realidade estaremos fazendo um “julgamento”. Muito provavelmente, o sentido adotado por você, conscientemente ou não, deve ter sido o primeiro, o que não faz sentido. Se alguém quer se preocupar mais com algo que não tem controle do que a sua própria vida conjugal, e isso é ressaltado no texto, é uma escolha única e exclusiva da pessoa. A toda evidência é uma escolha que não vai levar a pessoa a um melhor bem-estar subjetivo, ao contrário, pode piorar a vida da pessoa, mas se ela quiser continuar nesse caminho que assim seja, mas que seja ao menos refletido. Não há nenhum problema em fazer escolhas, desde que elas sejam conscientes e refletidas, o que boa parte das pessoas em muitos aspectos não o fazem. Se a pessoa refletir e conscientemente achar que a sua vida conjugal é menos importante do que passar horas matutando, brigando, sobre uma reforma política, ora que assim seja.
      g) “Muitos brasileiros que perderam seus empregos em função do desastre petista contam com a reforma da previdência como uma ação determinante para a retomada da economia e melhora da confiança no país.” Sim, pode ser. Se assim te apraz, amigo, que assim seja.
      h) “Mas a realidade da maioria dos brasileiros passa muito longe da sua.” É mesmo amigo? Dá uma conferida nesse texto escrito por mim há quase cinco anos: https://pensamentosfinanceiros.blogspot.com/2014/06/reflexao-as-tres-finalidades-do-dinheiro.html. Sério, de novo é cansativo. Se tem uma linha maestra nesse blog é reconhecer como somos privilegiados, e eu em especial como sou priviliegiado, e que esse meu privilégio advém de atributos aleatórios como genética, ter nascido numa época propícia, num país estável e numa família amorosa. A realidade da esmagadora dos humanos é muito mais dura que a minha, a sua. A realidade de boa parte dos humanos é muito mais difícil do que de um brasileiro médio. Sim, fico feliz que tenha chegado a essa conclusão (não sei se chegou a essa conclusão para você também ou somente para mim).
      i) Por fim, colega (e uso o termo por força do hábito e porque realmente considero todos que postam aqui colegas, independente do teor da mensagem), minha longa resposta não foi irritação. Aliás, considere-se que o fiz por respeito a você, por achar que realmente quer uma resposta. Talvez, como escreve na condição de anônimo, seja apenas um troll, ou alguém que não quer o diálogo. É possível que seja, há muitos comentários assim feitos de forma anônima aqui, porque as pessoas se irritam com o que eu escrevo, de uma maneira visceral em alguns casos. Mas, eu parto do pressuposto que as pessoas querem realmente dialogar, e por isso dediquei alguns minutos nessa resposta a você.
      Um abraço!

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  12. Grande Soul, parabéns por seus textos. Acho que vc pega na veia aqui. As pessoas, hoje, ficam discutindo abstrações como se fossem coisas absolutamente significativas nas suas vidas. Mas, na verdade, os fatos significativos são os que decorrem das suas escolhas mais concretas e prosaicas. Infelizmente, essas escolhas acabam sendo influenciadas por essas opiniões abstratas e aí o problema surge. :( É o que posso dizer.

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    1. Olá, colega. Pois é.
      A significância em muitos casos é nenhuma. Muitos sabem os nomes de mandatários, mas não sabem o nome dos seus vizinhos, e acreditam que a vida é assim mesmo, e não percebem o maravilhamento que estão perdendo.
      Um abs!

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  13. Olá Soul! Como vai?
    Soul, fugindo do texto, posso fazer algumas perguntas?

    Qual a última vez que doou sangue? Você doa com frequência?
    Você e sua esposa fizeram sopa e entregou na rua a pessoas desabrigadas no último inverno?
    Aventou a possibilidade de adotar um cão abandonado? Já tem um adotado? E uma criança? Da Síria, talvez? O que acha?
    Fazem trabalho voluntário frequentemente? No último ano, qual foi o trabalho voluntário que fizeram?
    Pegou "cartinha do papai noel" e deu uma cesta de higiene pessoal, roupas e brinquedo a uma criança?
    No último mês, em que circunstância você priorizou um desconhecido na mesma proporção em que priorizaria um grande amigo?
    Lembra-se de, no último mês, ter sido tão útil à sociedade assim como você o foi na qualidade de Procurador Federal? Se sim, qual foi essa ocasião?

    Gostaria de fazer mais algumas. Mas, rapidamente, é isso.

    Forte abraço, meu querido!

    Ass: Um Grande Brother.

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    1. Olá Soul! Como vai?
      Soul, fugindo do texto, posso fazer algumas perguntas?
      - Pode.

      Qual a última vez que doou sangue? Você doa com frequência?
      - Cara, eu quero doar sangue por alguns motivos. Um de ordem puramente de saúde (e talvez você não esteja interessado, mas mesmo assim vai a resposta). Os níveis de ferritina que aparecem como normais em exames laboratoriais (até 500) estão longe de ser otimizados. Eu tenho uma ferritina de 200, o que é considerado absolutamente normal. Porém, níveis ótimos são abaixo de 100, pois em alguns estudos uma alta ferritina como um risco independente de eventos cardíacos. Uma forma de diminuir a ferritina sérica é fazer doações de sangue, é algo que pretendo fazer com certeza, mas ainda infelizmente não o fiz. Além dessa ajuda na otimização da saúde, pode-se ajudar outras pessoas, então a doação de sangue é um enorme ganha-ganha.

      Você e sua esposa fizeram sopa e entregou na rua a pessoas desabrigadas no último inverno?
      Não, aqui não chega a fazer tanto frio, mas adoraria alguns dias ajudar dessa forma.

      Aventou a possibilidade de adotar um cão abandonado? Já tem um adotado? E uma criança? Da Síria, talvez? O que acha?
      Aventamos a possibilidade sim. Como viajávamos muito, não teria como ter um animal de estimação, pois um animal exige responsabilidade, cuidado e carinho, e muitos donos não pensam nisso, basta ver a quantidade de animais abandonados. Agora com a chegada da nossa pequena, pensamos novamente na ideia, quem sabe quando ela crescer mais um pouco. Eu acho adoção algo fantástico, já pensamos também. Uma criança da Síria? Quem sabe, o processo talvez seja complexo, mas acho uma ideia muito boa para quem quer adotar.

      Fazem trabalho voluntário frequentemente? No último ano, qual foi o trabalho voluntário que fizeram? Pegou "cartinha do papai noel" e deu uma cesta de higiene pessoal, roupas e brinquedo a uma criança?
      Respondo essas em conjunto. Não para todas.

      No último mês, em que circunstância você priorizou um desconhecido na mesma proporção em que priorizaria um grande amigo?
      Uma grande pergunta. Precisaria definir melhor o que entende por priorizar. Dar atenção? Se sim, difícil responder. Se uma pessoa é um grande amigo é porque temos afeição, e é natural e humano que queiramos passar tempo com pessoas que temos afinidade e carinho. Como nosso tempo é limitado, não podemos dar atenção a todos, e evidentemente escolhemos, há até mesmo um termo técnico para isso chamado de Número de Dunbar. Agora, isso não quer dizer que não possamos tratar com respeito desconhecidos, e nas interações com pessoas não tão conhecidas, quando elas se apresentam, procurar ter empatia.

      Lembra-se de, no último mês, ter sido tão útil à sociedade assim como você o foi na qualidade de Procurador Federal? Se sim, qual foi essa ocasião?
      O que você entende como ser útil a sociedade? A Ambev é útil a sociedade? Talvez num aspecto sim, em outro não. Quem vende coxinha é útil a sociedade? Talvez num aspecto sim, no outro não. Quem instila comportamentos odiosos é útil? Quem de forma anônima tenta “testar” alguma outra pessoa é útil a sociedade? Talvez sim, talvez não. Talvez no meu trabalho como Procurador eu possa ter sido útil em algum aspecto, em outro talvez não. No último mês, ao tentar ser um bom pai e criar minha filha da melhor maneira possível, para que ela se transforme num ser humano sem neuras, sombras, raivas, etc, etc, eu creio estar fazendo um dos trabalhos mais úteis a sociedade por alguns graus de magnitude em relação a outras tarefas. Ou talvez não.

      Abraço!

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  14. O que mais admiro, além do excelente texto, é sua paciência em responder a todos e a maneira como faz. Parece o monge tartaruga do filme kung fu panda (é um elogio... kkk). Na espera das próximas reflexões. Elas são raras e preciosas.

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    1. Olá, colega. Valeu. Eu adoro aquela tartaruga. A cena em que ele "morre" ou "transcende" eu acho de uma beleza ímpar.
      Um abraço

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  15. Soul, li o post de 2014 que vc citou na resposta do colega acima.

    Após avaliar o fechamento do ano passado com minha esposa, ela se surpreendeu com a evolução e questionou, quase com satisfação, "o que mais nos falta nessa vida?"

    Dividir uma parte do que temos, foi a minha resposta. Decidimos inserir a linha "doação recorrente" em nossa planilha.

    Aqui começa a minha dúvida, sobre a qual você talvez possa discorrer em algumas breves linhas.

    Pensei nos médicos sem fronteiras.Li os relatórios da organização, ouvi um podcast com uma psicóloga brasileira que trabalhou com eles em algumas missões mundo afora. Estou convencido de que é uma organização sólida e seria, muito embora eu tenha uma ou duas reservas.

    Minha esposa questiona a "eficiência" da doação. Melhor doar para uma boa instituição que ajudará pessoas longe de mim ou ajudar uma organização "ok" que faça o bem mais perto de mim?

    Podemos fazer os dois... Podemos doar dinheiro para a ajuda remota e tempo para a ajuda próxima. No momento, estamos paralisados nesse dilema.

    Qual sua visao sobre o tema?

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    1. Olá, colega.
      Se você pode fazer os dois, e tem vontade, por quê não?
      Eu, particularmente, também gosto muito dos médicos sem fronteiras, e acho uma das organizações mais incríveis do mundo.
      Um abs

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  16. Soul, sou leitor assíduo e sempre que há um post novo, corro para ler. Faz muito tempo que não aprecio suas reflexoes como era de costume, porém. Seus leitores são complexos e tamanha argumentação para defender um ponto de vista singelo, porem simples, foi um pouco demais imho. Nós sabemos que nossa vidas não dependem de uma reforma da previdência, posse de armas ou discriminação da maconha, porém específicamente sobre o tema usado como exemplo, há um impacto indireto, imediato e futuro, que causa sim preocupação na população economicamente ativa. Alguns leitores citaram e vc não fez muita questão de elaborar, mas é óbvio que de tempos para cá seus assuntos tornaram-se incrivelmente menos mundanos. O blog é seu e acredito que nunca houve um objetivo pré estabelecido neste espaço, porém gosto mais dos pensamentos financeiros, que não ocorrem há tempos. Forte ABS!

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    1. Olá, colega. Quando você fala "nós", a quem está se referindo? Se é a coletividade em geral, é um pouco difícil saber o que os indivíduos pensam ou deixam de pensar, não?
      Não creio que seja tão lógico e certo para muitas pessoas, se o fosse não veríamos comportamentos tão aberrantes (ao menos em minha opinião). Na verdade, acho que a evidência anedótica e empírica diz exatamente o contrário que boa parte das pessoas está perdendo contato com os aspectos da existência que são mais importantes e que são aqueles onde nós temos maior controle.
      Em nenhum momento no texto disse que não poderia causar preocupação o interesse esses temas, basta ler o artigo novamente.
      No mais, agradeço a sua mensagem, e sim tenho interesse em escrever artigos sobre temas "menos mundanos", mas na verdade eu acho que os temas são os mais mundanos possíveis, nós, entendido como coletividade, que parecem que estamos ficando cada vez mais míopes.
      Um abraço!

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    2. Soul, "nós" só podemos ser nós, vc, eu, seus leitores, que são um minúsculo microcosmos da realidade. Sinceramente, vejo a mesma realidade há séculos: as pessoas se aproximam ou distanciam da realidade conforme sua experiência + momento da vida, e não há pesos pré-estabelecidos para estes critérios.

      Sobre a previdência, citada como exemplo, 95% das pessoas sequer sabem como funcionam as regras atuais, que dirá as necessárias para transformar o sistema sustentável. Por isso, me desculpe a franqueza, achei o texto enfadonho e pouco razoável. Mas veja, vc é um cara que admiro e tenho certeza q se nos encontrássemos pessoalmente nos daríamos muito bem, só estou te dando my 2 cents sobre seus últimos textos, cujo conteúdo não apreciei como já ocorreu no passado :-). Abs!!

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    3. Olá, colega.
      Creio que você foi preciso no comentário. O "nós" é um pequeníssimo microcosmos. Quem lê esse espaço com certeza é um perfil muito reduzido do que é a população brasileira, o que dirá da população mundial.
      Sendo assim, o meu texto (ou textos) é mais dirigido as pessoas que sei que provavelmente poderiam ler esse texto. Nesse sentido, eu creio sim que o texto pode-se aplicar perfeitamente, pois é isso que vejo em alguns comportamentos.
      Entretanto, aprecio o seu feedback, mas não se esqueça, como dito no texto, que "a reforma da previdência" foi apenas uma exemplo metafórico, pode ser qualquer outra coisa que não temos controle, mas que mesmo assim, muitas pessoas tendem a dar mais importância do que aspectos de vida muito mais preciosos.
      Um abraço!

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  17. Soul, obrigado por seus posts.
    Parabens pela sua forma de pensar e lidar com a vida... vc é um ótimo exemplo

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  18. Previdência não tem déficit??
    Você escreveu mesmo isso?
    Não tem a noção do que disse.
    Se nao reformar, e nao essa reforma mixuruca de 57 e 62 anos, daqui pouco terão que cortar 20% da aposentadoria do seu João que recebe 1 salário mínimo.
    Lia muito teu blog, mas depois dessa...

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    1. Olá, colega. Refere-se ao artigo de 2016? Se sim, dê uma lida no mesmo, primeiramente, já que a audiência desse blog costuma ir além de apenas ler o título de uma notícia ou artigo. Porém, mesmo a leitura apenas do título "Não, não há déficit na previdência. Sim, a previdência é um enorme problema", já dá o indicativo de que há uma questão fiscal no tema, o que tornaria a sua mensagem sem sentido.
      No mais, recomendo a leitura do artigo de 2016, talvez o faça entender alguns tópicos, e como a discussão desse tema é feito de uma perspectiva equivocada (sobre o porquê, por gentileza ver o meu artigo de porque temos que ser um líder vermelho e sobre o método red army).
      Abs!

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    2. 09:04 a previdência não tem déficit, o problema está na desvinculação de receitas.
      O sistema de seguridade social engloba a previdência, a saúde e a assistência social, por isso falam no termo déficit da previdência, mas na verdade o problema está na forma que o sistema da seguridade social foi concebido, principalmente por conta da redução da arrecadação em virtude da extinção da CPMF.
      Lembre-se que o valor que é arrecadado para a previdência não fica só na previdência, estude mais a questão do sistema da seguridade social e da desvinculação de receitas, não critique o artigo por conta do que você pensa o que é a previdência, o problema é bem mais profundo, sendo que mesmo que ocorra a reforma da previdência, isso não significa que uma nova reforma tenha que ser aprovada no futuro.
      Não critique o artigo por conta do seu desconhecimento técnico.
      Abraço.

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