quarta-feira, 4 de março de 2020

EXAMES LABORATORIAIS - PARTE 1 - SAÚDE METABÓLICA


Olá, prezados leitores. O presente artigo trata sobre exames de saúde laboratoriais que você pode querer, ou não, monitorar. Eu não sou médico, nem nutricionista, nem farmacêutico, por isso não me perguntem sobre tratamentos, doenças, etc, pois eu não tenho formação e nem conhecimento para ajudar. Tudo aqui escrito é resultado da minha busca individual de conhecimento.

                A minha última bateria de exames mediu 62 parâmetros. Sim, sou um ponto fora da curva, já que quando os médicos pedem exames laboratoriais, isso quando a pessoa faz exames anuais (eu costumo fazer semestrais), dos mais simples possíveis, o que muitas vezes pode ser terrivelmente enganoso.

                Irei separar os exames por tópicos. Isso é apenas uma ferramenta mental minha para visualizar todos esses resultados, não é nada técnico ou reconhecido por alguma organização de saúde.


SAÚDE METABÓLICA

                Coloco como saúde metabólica, pois estes exames tendem a verificar como anda o seu metabolismo de energia. O seu corpo está eficazmente metabolizando a glicose que você consome (o substrato mais utilizado por quase todas as pessoas para oxidação) ou há algo errado?
                Geralmente, as pessoas fazem apenas um único exame para averiguar isso, que é a glicemia em jejum. Isso é de uma pobreza sem igual, pois só com esse dado, a não ser em casos já de franca doença, não é possível saber sobre a saúde de uma pessoa.  Algumas outras pessoas vão um pouco mais além e fazem um exame chamado A1C ou hemoglobina glicada. Esse exame tem o seu mérito, mas possui diversas limitações também. Eu faço, e sugiro, três outros exames, dois extremamente importantes.

Exames

   A)Glicemia de Jejum – Esse exame busca ver a quantidade de glicose em seu sangue depois de 8 a 12 horas de jejum. O motivo desse exame é que se depois de várias horas sem comer, o seu organismo está com uma glicemia alta, é porque há algo muito errado.

-É considerado normal até 99mg/dl. Mas, é preciso entender que isso é um continum. O diagnóstico de diabetes se faz com glicemias em jejum acima de 126mg/dl, mas isso não quer dizer que alguém com 123mg/dl já não seja diabético ou esteja numa situação muito melhor.

-Um nível entre a metade superior dos 70 e a metade inferior dos 80 é considerado ótimo.

- O problema desse exame é que se mede apenas um ponto no tempo e não diz absolutamente nada sobre o que acontece com a glicemia da pessoa quando ela come, que é o que realmente importa.

- O meu caso: eu apresento-me com glicemias de jejum que num exame dá 83, por exemplo, e em outros dois deram 98, o que me colocaria na condição de quase pré-diabético, o que não faz muito sentido. Há explicações de porque eu posso ter uma glicemia um pouco mais elevada em algumas manhãs, mas não entrarei aqui.

   B)A1C (Hemoglobina Glicada) – Quando uma molécula de glicose, algo “grudendo” do ponto de vista molecular, se liga a uma molécula de hemoglobina, esse vínculo não é desfeito. Sendo assim, ao se medir a quantidade de hemoglobinas que sofreram glicação, por meio de fórmulas é possível estimar a média de glicose de um indivíduo nos últimos 60-90 dias. Esse é um exame com capacidade de diagnóstico muito melhor do que uma simples glicemia de jejum.

- Níveis ótimos são de 4.5% a 5.2%. Tudo abaixo de 5.7% (significa que 5.7% da sua hemoglobina encontrada na amostra do laboratório sofreu glicação) é considerado normal. De 5.7% a 6.4% é considerado pré-diabetes e acima de 6.5% diabetes;

- Há problemas, porém,  com esse exame. As fórmulas que fazem a média de glicose não levam em conta a flutuação da mesma. Assim um indivíduo que tem grande flutuações glicêmicas, o que é prejudicial ao coração, cérebro e quase tudo o que você possa imaginar em seu corpo, talvez possa ter uma A1C normal, apesar de ser francamente diabético.  Porém, o problema principal é que as mesmas fórmulas colocam um tempo de vida médio padrão de 90-120  dias para as hemoglobinas. Entretanto, há uma grande variação individual na vida média das red blod cells. Se suas hemoglobinas tem um prazo médio de vida maior do que 90-120 dias, a sua A1C será artificialmente maior (pois como as hemoglobinas vivem mais, elas têm mais tempo para ser glicadas), por outro lado se o tempo de vida é menor, a A1C será artificialmente baixa. Há ainda um terceiro fator, e isso é bem geek. Quase ninguém sabe, mas há um enzima que faz a “deglicação”, então há pessoas que podem ter uma glicemia alta, mas uma atividade dessa enzima específica alta, dando um baixo número em relação a A1C. E há pessoas que podem ter uma atividade baixa dessa enzima.  Isso é genético e muito difícil de medir fora de laboratórios preparados para estudos técnicos.

- meu caso. Minha A1C varia entre 5.4% a 5.8% o que me colocaria na condição de pré-diabético. Foi por causa desse exame alterado há 18 meses que eu fiz um mergulho de cabeça no tema saúde e otimização de vida. Foi por causa dele que eu comprei um medidor contínuo de glicose. Pois a A1C é apenas uma estimativa, o medidor contínuo de glicose mostra o que acontece exatamente na sua glicemia.  Pois bem. Pelo controle dos meus medidores, e pelo controle que faço no sangue com materiais de teste caseiro, eu não possuo variações bruscas de glicose, ela dificilmente passa dos 120 mg/dl mesmo com o consumo de bastante carboidrato, e pela média das 24 horas, a minha A1C deveria ser entre 4.8 e 5%. O meu caso é mais comum do que se imagina. O próprio Dr. Peter Attia que usa um monitor há 3 anos e faz todos os seus pacientes utilizarem um por alguns meses ao menos, já comentou que a A1C quase nunca bate com o que o sensor realmente mede na grande maioria dos casos, sendo um erro de 15-20% para mais ou menos. Peter Attia, por causa disso, não pede mais exames de A1C dos seus pacientes, por achar um dado irrelevante.

 C)Insulina – esse exame mede o hormônio insulina depois de 8-12 horas de jejum. Quase nenhum médico pede e não deveria ser assim, pois esse é um dos exames mais importantes a ser feito por alguém, já que é simples e barato. A insulina está relacionada a uma série enorme de processos metabólicos, sendo um deles ativar transportadores de glicose para a membrana das células para o controle da glicemia sanguínea. Não produza insulina, e você é um diabético tipo 1. Produza insulina demais e você está no caminho para ser um diabético tipo 2. 

- níveis ótimos e saudáveis são abaixo de 5. A referência laboratorial vai até 30. Prezado leitor, se depois de 8-10 horas de jejum, a sua insulina está em 15 é porque o seu organismo está com problemas metabólicos e você está no caminho para o desastre (o que me assusta é que uma endócrino disse uma vez para a minha mulher que uma insulina dessa era normal e não era alta). Uma insulina de jejum de 25 é basicamente um diabético não diagnosticado. Quase ninguém deve ter uma insulina ótima nos tempos de hoje, mas deveria ser o seu objetivo.

- a minha insulina varia entre 2 e 3, o que mostra que sou extremamente sensível á insulina, o que deve ser buscado por todos. Quanto maior a insulina de jejum, significa que mais resistente o seu corpo vai ficando à insulina, e resistência insulínica está associado a quase tudo de ruim que acontece com doenças degenerativas (demência, doenças cardíacas, câncer, etc, etc).

   D)Exame de Tolerância à Glicose cumulado com medição de Insulina – Talvez você não precise de nenhum dos três exames acima, pois este aqui é o padrão ouro para saber como está a sua saúde metabólica. Quantas pessoas eu conheço no Brasil que já fizeram esse exame? Nenhuma. Quantos médicos eu já vi pedindo esse exame? Nenhum.  Esse exame consiste em tomar uma solução nojenta de 75 gramas de glicose (é como um refrigerante ainda mais adocicado) e medir o que acontece com a sua glicemia. Esse teste várias pessoas fazem (medir apenas a glicemia). O segredo porém, e isso foi descoberto por um médico na década de 70 chamado Kraft, é medir também a insulina e ver como é a secreção desse hormônio em relação a um desafio de glicose.

- Muitos diabéticos e pré-diabéticos, que passam com louvor nos exames de A1C e glicemia de jejum, são diagnosticados quando se mede a glicemia depois de 75 gramas de glicose (algo como 200 gramas de macarrão ou 250 gramas de arroz branco – nada muito fora do que a maioria das pessoas come no dia a dia 3-4 vezes por dia). Um sujeito pode ter a glicemia de 85 mg/dl, uma A1C de 5%, e depois de 75 gramas de glicose ver a sua glicemia em uma hora disparar para 180-190 mg/dl. O consenso é diagnosticar diabéticos quando depois de duas horas a glicemia estiver acima de 200mg/dl e pré-diabéticos quando a glicemia estiver acima de 140mg/dl. Aqui mora a vantagem de monitores contínuos de glicose. A pessoa pode saber o que acontece não apenas quando ela ingere algo como 75gramas de glicose, mas quando ela come arroz com feijão, macarrão, sorvete, um pão integral, etc. Se a sua glicemia chegou a 160 mg/dl em qualquer momento no monitor é porque há algo muito errado. O teste em laboratório só mede no minuto zero, 60min e 120min (eu aconselho acrescentar o minuto 30 ou 45, pois segundo estudos o pico de glicose em pessoas saudáveis acontece na maior parte nesse intervalo).

- Porém, o pulo do gato é medir a insulina junto com a glicose. Há padrões de resposta, e há apenas um padrão saudável que é o padrão I. Todos os outros são considerados diabetis in situ. Eu creio que na média da população brasileira, ou americana, pessoas acima de 35 anos, algo em torno de 85-90% das pessoas não teriam um padrão bom de resposta insulínica, isso colocaria a esmagadora maioria da população com problemas metabólicos ou uma saúde comprometida.

- eu já fiz duas vezes esse exame. O meu padrão sempre foi o mais saudável o do tipo I. Na última vez, minha insulina de jejum estava em 2 e voltou para 2 apenas duas horas depois, colocando-me numa posição de extrema sensibilidade à insulina (mesmo pelo padrão I, espera-se que a insulina volte ao basal apenas 4 horas depois da ingestão da glicose).
obs: minhas medidas de glicose foram ótimas na primeira vez que fiz. Já na segunda, minha glicemia caiu consideravelmente, e fiquei até um pouco hipoglicêmico. Perguntei pessoalmente isso ao famoso Dr. Souto, numa consulta paga, e ele não me deu uma resposta tão clara de que por isso tinha ocorrido, apenas me disse que eu estava absurdamente sensível à insulina.


Portanto, tendo em vista o meu monitor contínuo de glicose, minha insulina de jejum, e especialmente a minha medição de insulina depois de um desafio de 75 gramas de glicose, eu consigo analisar os meus números de A1C com muito mais confiança. Aposto que quase todos os médicos não passaria pela cabeça todas essas explicações, e apenas apontaria que eu sou quase pré-diabético, o que não faria o menor sentido tendo em vista uma investigação mais profunda e testes muito mais condizentes para averiguar a saúde metabólica. Eu tomei a responsabilidade da minha saúde para mim mesmo, e sou profundamente agradecido de ter tomado essa decisão.

Já se passaram três folhas, e vou ter que fazer uma série de exames laboratoriais, porque senão o artigo vai virar um capítulo de um livro.

Até a próxima!
               


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

SEJA MUSCULOSO


Pessoas pedem conselhos curtos e objetivos sobre saúde. Aliás, boa parte dos indivíduos preferem mensagens curtas a longas explanações seja para o bem-estar físico, finanças, etc, etc. Dentre vários conselhos possíveis sobre longevidade, um que parece destacar-se é esse: seja musculoso.

Eu não tenho nem quarenta anos de idade, então não posso falar por experiência própria sobre longevidade. Aliás, posso nem estar vivo aos cinquenta anos. Entretanto, tudo leva a crer que a manutenção de massa muscular é imprescindível para uma boa saúde e um envelhecimento com qualidade.

Aliás, eu penso no meu próprio envelhecimento imaginando envelhecer com qualidade. Se eu for agraciado de chegar aos 80 anos, eu quero poder fazer barras com essa idade, surfar, fazer trilhas e inúmeras outras atividades. No Brasil, infelizmente, quase nenhum idoso envelhece com qualidade, e isso mesmo nas classes mais abastadas. E como chegar aos 80 anos bem assim? Nesse ponto, eu gosto muito do processo de engenharia reversa esposado pelo médico Dr. Peter Attia.

Peter Attia sempre fala que ele quer participar dos jogos olímpicos dos centenários. Isso querendo dizer que ele quer chegar aos 100 anos podendo fazer alguns movimentos que ele considera fundamental. Ele gosta de nadar, então aos 100 anos ele quer ter a habilidade de sair da piscina escalando a borda da mesma. Você com 20 anos não percebe como esse movimento é quase que inacessível para pessoas que envelheceram mal, mesmo com 60 anos. Peter Attia imagina que vai ter netos, ou bisnetos, então ele quer poder pegar uma criança no chão e levantá-la, num movimento muito parecido com um exercício chamado Goblet Squat. Ele criou então na cabeça dele uma série de movimentos que ele gostaria de realizar aos 100 anos.

Quer pegar o seu neto no chão? Talvez seja a hora de começar desde já a treinar um exercício como Goblet Squat


Porém, para realizar esse movimento aos 100, ele provavelmente vai ter que realizar movimentos com mais intensidade quando ele tiver 90 anos. Sendo assim, para ele chegar aos 100 anos e poder realizar esses movimentos,  ele deve imaginar como estar fisicamente aos 90 anos. E assim sucessivamente. Como ele tem 47 anos, ele se pergunta como ele deve estar aos 50 anos.

Amigos, isso não quer dizer que ele vai chegar aos 100 anos, ele mesmo sabe que é improvável. Ele pode morrer atropelado, ele pode ter um câncer, ser infectado por alguma doença letal, isso antes de chegar aos 65. Porém, como exercício mental de como você deve levar a sua vida, eu acho de extrema valia. Eu não sou tão ambicioso, e minha meta vai apenas até os 75-80 anos. Porém, se eu conseguir chegar nessa idade bem, é provável que talvez possa chegar a idades ainda maiores sendo fisicamente funcional.

Esse exercício mental serve também para avaliar onde se está em relação à saúde. Um senhor veio falar comigo sobre barras, pois eu passei umas variações para ele aumentar a versatilidade nesse exercício umas semanas atrás. Ele tem 66 anos, e fiquei surpreso quando ele me falou que faz de 7 a 8 barras. Eu o vi fazendo, e são barras de qualidade, ou seja, passando o queixo da barra, e na parte negativa estendendo todo o braço. Uau. Pense em pessoas do seu círculo com mais de 60 anos, e as imagine fazendo 8 barras bem executadas, você conhece alguém? Aliás, você consegue fazer oito barras bem executadas? Eu aposto que a esmagadora maioria dos leitores desse blog não consegue.

Para fazer oito barras é preciso de força e músculo. “Ah, Soul, mas eu não estou nem aí para barras, muito menos quando eu tiver uma idade mais avançada, então esse conselho de ter músculos não é grande valia”. Hum. Você quer levantar de uma cadeira? Precisa de músculos. Você quer pegar o seu neto no chão? Precisa de músculos. Você quer andar? Precisa de músculos.

O nosso tecido muscular é basicamente tudo. Quanto menos músculo uma pessoa possui, pior a sua qualidade de vida, e menos ela vive.  A sarcopenia, que é uma doença caracterizada por perda de músculos, é talvez uma das maiores causas de perda de qualidade de vida, doença e mortes em pessoas de mais idade. Músculos são essenciais para controle de glicemia e sensibilidade à insulina, ou seja, quanto mais músculos, mais difícil desenvolver doenças crônicas metabólicas como diabetes. Quer saber que tem mais condições de viver ao ser internado numa UTI? A sobrevivência é correlacionado com a quantidade de massa muscular. As pessoas de câncer geralmente morrem de cachexia, ou seja, de perda acentuada de músculos. É por isso que pessoas com câncer em estado avançado parecem frágeis e em muitos casos esqueléticas.

Portanto, colega, se você tem 30 anos, o que quer fazer quando tiver 40 anos? Seja o que for, você precisará de músculos. A partir de 50 anos, há uma perda acelerada de massa muscular, acelerando-se mais ainda com o passar do tempo. Portanto, pessoas que chegam aos 60 anos sem muita massa muscular, tendem a ficar sarcopênicos aos chegarem aos 70-80 anos, com uma queda abissal da qualidade de vida.

Para ter músculos não tem outra solução: é preciso fazer exercício de força resistido. Portanto, encontre alguma coisa para fazer que envolva o levantamento de coisas pesadas em relação à sua força e ao seu corpo. Além de exercício de força, você precisa de proteína de boa qualidade numa quantidade suficiente, e isso é muito mais do que o limite recomendado de 0,8 gramas por KG. O pior conselho que se pode dar para uma pessoa de idade, em relação a sua constituição corporal, é colocar a mesma apenas para andar e de alguma maneira limitar o seu consumo de proteína.

É evidente que a força vai diminuindo com o passar da idade, mas alguém que fazia supino com 100kg aos 40 anos, pode chegar aos 75 anos talvez fazendo supino com 50-60kg, por exemplo, o que já vai ser um ótimo exercício resistido para a idade.  É evidente também que pessoas de mais idade precisam de auxílio para fazer exercícios de força da forma correta. Porém, a mensagem é clara, todos deveriam fazer algum tipo de exercício resistido, seja na musculação, seja fazendo atividades que envolvam o uso de força e peso.

Portanto, meus prezados leitores, se quer envelhecer com qualidade, é preciso ter músculos e força. Nunca é tarde para começar, e tenha em mente que quanto mais você posterga o começo, mais difícil fica com o passar do tempo.

Um abs!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

O LIVRO DE R$ 250,00 E O ACORDO DE R$ 65.000,00


Olá, prezados leitores. O tema do presente artigo não é do mais relevante, mas estava com vontade de escrever algo hoje, e foi o que me veio à mente no momento em que sentei para escrever.

O LIVRO

Eu não comento muito sobre esse tema, apenas de maneira esparsa, até porque venho escrevendo pouco nesse espaço, mas a área do conhecimento que mais me atrai ultimamente é “otimização” de saúde.  Todas as semanas eu escuto pelo menos de 10-15 podcasts sobre o tema, são horas e horas, fora a leitura de diversos livros e papers. Eu realmente gosto do tema. 

Como ouço tanto? Vou lavar a louça (e como tem louça para lavar com um bebê e fazendo a sua própria refeição), no percuso pedalando para academia, treinando pesado (e há um estudo interessante que ouvir alguma coisa que demanda o seu foco fazendo exercício resistido aumenta a produção de uma substância muito importante para saúde cognitiva chamada BDNF - Brain-Derived  Neurotrophic factor), indo ao centro de carro, etc, etc, vou fazendo tudo isso ouvindo podcast.

Tem um sujeito chamando Ben Greenfield, e ele é quase que o Kelly Slater entre a comunidade Biohacking, isso querendo dizer que ele é bem conhecido por quem se interessa pelo tema.
                
          Eu já escutei vários podcast com ele, e vários podcast dele, e muitos são bem interessantes. Um dos últimos foi sobre azeite de oliva, quase 90 minutos apenas sobre esse tema. É impressionante como os produtos que compramos estão longe de ser de boa qualidade, e esse é um dos motivos de eu usar azeite de oliva apenas em pequenas quantidades. 

      O material que ele proporciona é em certa medida um pouco mais “avançado” e tem mais valia para quem já está ciente das principais coisas que precisam ser feitas.  Falar sobre a necessidade da acidez de um azeite de oliva ser menor do que 0.5 ou como é importante saber a data não do engarrafamento, mas da colheita, de um determinado óleo de azeite para fins de saber os efeitos sobre polifenóis e oxidação do óleo, é apenas um detalhe quase que irrelevante para quem ainda consome óleos vegetais. E quem consome óleos vegetais industrializados no Brasil? 99.7%% das pessoas? 

    Prezado leitor, se você usa óleo de milho, soja, canola, ou qualquer outro lixo desses, que vem numa garrafa de plástico transparente (ou seja um óleo com muito mais gordura polinsaturada, ou seja com muito mais pontos fáceis de oxidação, num recipiente transparente pronto para ser oxidado por qualquer luz)  e custa alguns poucos reais, a primeira coisa que eu faria era jogar todas essas garrafas fora e nunca mais usar um lixo como esse.

     O Ben Greenfield lançou há poucas semanas um livro nos EUA. Chamado "Boundless", é um livro de 700 páginas, diz que pesa 2 quilos e para importar para o Brasil tive que pagar a bagatela de R$ 250,00. Comprei o livro assim que saiu e deve chegar daqui alguns dias em casa. Só da dica prática que aprendi ouvindo um podcast dele sobre o conceito de deixar os carboidratos para o começo da noite, depois do treino, já valeu muito mais do que R$ 250,00.


         
      Eu estou usando o meu sétimo sensor que monitora a glicose minuto a minuto no meu sangue. Sim, eu sei o que acontece com a minha glicemia durante 24 horas, quando eu como, quando eu durmo, quando eu me exercito, quando eu fico stressado, relaxado, etc, etc. Depois de usar seis sensores, eu sei muitas coisas sobre o meu metabolismo e o que certas coisas fazem com ele. Esse dispositivo é tão fantástico para auto-conhecimento, que todo mundo, a partir de uns 35 anos,  deveria usar um pelo menos durante algumas semanas.
                
         Não preciso nem dizer o quão exótico no Brasil é alguém usar um monitor desse sem ser diabético ou pré-diabético (e meu amigo, você morando numa cidade grande, comendo pão, com massa muscular pequena, adiposidade visceral, tem uma chance enorme de ser pré-diabético e não ter a mínima ideia sobre isso, especialmente depois dos 35 anos). Nem diabéticos e pré-diabéticos usam no Brasil (a não ser uma minoria) e talvez nem mesmo a maioria dos médicos saiba que um dispositivo desse exista (o que é uma grande pena).

       Eu sei exatamente o que um carboidrato refinado, por exemplo, faz com a minha glicemia. Porém, a depender se estou de jejum, se estou exercitado ou não, se consumo com gorduras ou proteínas, o horário do dia, a resposta glicêmica a carboidratos pode ser muito mais suave e amena, que é a forma mais “otimizada” para bem envelhecer e conservar um bom metabolismo relacionado ao uso de energia pelo próprio corpo.

    Não vou aqui discutir os inúmeros benefícios de não se alimentar por um determinado período de tempo (e são muitos), nem os inúmeros benefícios de ter uma flexibilidade metabólica de o seu corpo ser eficiente na utilização de ácidos graxos, corpos cetônicos e glicose para produção de energia (e são muitos). A ideia de Ben Greenfield é consumir carboidratos a noite depois do treino porque:

 a) se você ficou de 16-18 horas sem se alimentar, é possível que o seu corpo esteja operando numa leve cetose, o que é bom;
 b) se a sua alimentação for baixa em carbo, a leve cetose permanecerá, o que fará com o seu estoque de glicogênio seja ainda mais diminuído; 
c) exercício resistido levará a uma diminuição maior do seu glicogênio muscular, e de quebra ainda ativará transportadores de glucose do tipo GLUT-4 sem a necessidade de muita insulina; 
d) ao se alimentar de carboidratos de noite, a pessoa ficou 24 horas ou em jejum e ou se alimentando de gordura e proteína, o que com certeza se não terminou o glicogênio muscular, chegou perto disso; e) ao se comer os carboidratos de boa qualidade, a glicose irá quase toda para a formação do glicogênio muscular e hepático, fazendo que esses órgãos sejam como uma “ralo” sugando toda a glicose do plasma sem que haja aumentos significativos da glicemia e sem aumentos da insulina, o que é algo ideal.

         Nos dois dias que tentei esse procedimento, mesmo comendo quantidades grandes de caloria (algo em torno de 1200 calorias) na janta e com quantidades razoáveis de carboidratos (100 gramas, com uns 70 gramas de carboidratos líquidos), minha glicemia se alterou pouco, algo como de 10 a 20mg/dl, o que é extremamente baixo para essa quantidade de energia, ainda mais que na ocasião não comi carboidratos apenas "bons" (como vegetais), mas sim fontes não tão boas como aveia e banana (eu faço uma panqueca com esses ingredientes e fica muito gostosa). No outro dia até mesmo arroz branco, que é uma verdadeira bomba para quem tem resistência à insulina (75-80% da população adulta), não alterou quase nada a glicemia com esse protocolo. 

    Teoria de um podcast. Aplicação prática confirmada pelo monitor contínuo de glicose. Só por essa informação, os 250,00 do livro já seriam uma retribuição minúscula ao autor, mas tenho certeza que vou aprender muito mais coisas interessantes. Além do mais, eu estou com vários livros no computador, e preciso de um livro impresso para ler depois das 20:00, já que não quero qualquer exposição a eletrônicos depois desse horário.

O ACORDO

       Ah, o acordo. O meu imóvel enrolado. Comprado há 20 meses, e sem que eu tenha tido a posse ainda. Tive até que viajar 3.000km e fazer uma sustentação oral num Tribunal, ganhei o recurso, o que me trouxe muita satisfação pessoal, e ainda de quebra fiquei hospedado na mansão do Viver de Renda.

           Já comentei aqui que tudo deu errado com esse caso. Tudo. Esse recurso que ganhei, o relator simplesmente publicou uma decisão que não foi o que aconteceu na sessão de julgamento (sim, surreal). Tive que recorrer desse fato há 3 meses, e nada se resolveu. Já teve algo em torno de uns 4-5 recursos só relacionado a esse caso , uma canseira só, até porque sou eu que faço minhas próprias peças. Se esse fosse o meu primeiro leilão, ou o meu quinto, eu talvez tivesse desistido. Ainda bem que as dezenas de outras operações anteriores não foram nada parecidas.

           Pois bem. Acertei um acordo de desocupação. Nem acredito. Vou pagar R$ 65.000,00. O imóvel ainda tem uns R$ 15.000,00 em dívidas do tempo que fiquei na Justiça litigando. Eu jamais faria esse acordo se fosse nos locais onde estou acostumado a arrematar, pois sei bem como o Judiciário decide nesses locais. Mas, acho que fiz um bom acordo. O cara vai deixar o imóvel com todos os móveis planejados. Três/quatro corretores já me disseram que o valor do imóvel é algo que vai me proporcionar uns 250-300 mil de lucro (mesmo depois de pago esse acordo), e ainda vou ter um retorno de uns 40-50% líquido, o que é ótimo.

        Eu colocava o valor investido nesse imóvel como perdido, valor zero no meu controle de patrimônio. Com a assinatura desse acordo, meu patrimônio do dia para a noite aumentou em 700k, o que fez o meu patrimônio avançar uma escala em número de dígitos. O melhor de tudo não é nem isso, é a paz de espírito. Algumas noites eu me peguei pensando sobre esse caso durante alguns minutos, ou talvez dezenas de minutos, e eu ficava incomodado com isso, pois não fazia sentido pensar sobre esse caso, muito menos antes de dormir que é um dos principais atos para uma boa saúde e vida.

        Eu estou é louco para começar a cair na estrada com a minha filha. Daqui uns dois meses faremos a primeira experiência, 30-35 passeando de carro por Portugal. Acho que vai ser bem bacana. E a próxima, ela com uns 2 anos e pouco, é rodar uns 60 dias pela Nova Zelândia numa campervan, algo que fiz com a minha mulher em 2015 e foi inesquecível.


Nova Zelândia - Belezura da Natureza. Dormindo num carro pequeno, cozinhando com equipamentos improvisados, todos os dias bebendo um pouco de vinho e dormindo em paisagens sublimes, que dias foram esses meses percorrendo 10-12mil km por esse país fantástico


                Enfim, é isso, amigos.    Um abraço!
                               
               

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA


Olá, prezados leitores.  Independência Financeira, a expressão mágica que cativa a tantos que frequentam esse espaço. Traduziram uma expressão do inglês, e adicionaram Aposentadoria Precoce à expressão mágica (Para quem não conhece, FIRE - Financial Independe Retire Early. Eu pessoalmente sempre achei uma bobagem traduzir essa expressão para o português). Lendo na última semana  alguns artigos, foram levantados questionamentos se vale a pena parar de trabalhar, especialmente pelo conhecido blogueiro Corey. Pessoas escreveram artigos tentando colocar outras perspectivas, comentários dos mais variados foram escritos, e eu resolvi falar sobre o assunto.

Por qual motivo? Porque o acho extremamente interessante atualmente? Não, por mim estava mais a fim de falar sobre o hormônio insulina, e minhas experiências de meses com o uso de um monitor contínuo de glicose implantado em meu braço.  Mas, deixo esse assunto relacionado ao tema de “biohacking” para outra oportunidade.

NUANCE. Sim, em letras garrafais, nuance. Por qual motivo diversos textos meus se esforçavam, ao menos na época que possuía mais empolgação com esse espaço, a falar sobre nuances? Porque a vida é complexa e cheia de nuances. Simples assim. Foram tantos e tantos artigos nesse espaço tendo essa temática como pano de fundo. O último, por exemplo, sobre o Irã e o escritor Taleb, é um texto basicamente sobre nuance.

Quando se descobre que quase tudo na realidade possui camadas de complexidade, a vida se torna mais difícil, mas muito mais interessante. Não existem respostas simples para questões existenciais complexas que atormentam pensadores há milhares de anos, meus amigos leitores.  Porém, há alguns caminhos.

Algum tempo atrás escrevi sobre o ranking da ONU de felicidade dos países. Quase ninguém conhece, alguns que ouvem a respeito criticam sem saber do que se trata, quem procura conhecer um pouco vê que é uma métrica extremamente interessante. Não vou entrar em detalhes, mas basicamente são analisados os seguintes parâmetros: a) renda; b) liberdade; c) coesão social; d) generosidade entre membros da comunidade e e) qualidade da saúde da população.

Sim, os leitores libertários, ou aqueles que gostam e defendem a liberdade, tem razão, ou parcial razão. Uma vida sem a possibilidade de fazer escolhas livres, sejam econômicas ou políticas, é uma vida empobrecida. Porém, tudo se resume a isso? Pessoas fazendo escolhas livres? Ou isso é uma descrição incompleta da realidade?

Sim, os leitores com viés chamado “progressista”, tem razão, ou parcial razão. Sentimentos como generosidade, coesão social provocada por uma sociedade que não possua muitas fraturas e diferenças abissais entre os seus membros, também provocam bem-estar humano, e por via de consequência felicidade. Porém, será que com apenas generosidade é possível fazer uma empresa de aviação comercial operar 2000 voos diários pelo mundo afora ou é necessário incentivo econômico? Será que os seres humanos não precisam ser desafiados e recompensados de maneira diversa?

Sim, os leitores que querem mais e mais dinheiro, possuem razão, ou ao menos uma razão parcial. Países com maior renda possuem populações mais felizes. Stress financeiro é uma fonte enorme de ansiedade, transtornos pessoais, desequilíbrios mentais, ou seja, de uma vida mais infeliz. Porém, a solução para os problemas da vida é mais e mais crescimento econômico apenas? Para alguém que possui R$ 20 milhões, ganhar mais R$ 10 milhões irá resolver os seus problemas existenciais? Seus problemas familiares? O seu filho passará a não consumir cocaína por causa disso? Parece-me evidente que a vida é muito mais do que isso, e que há um limite a partir do qual mais dinheiro não se transforma em mais satisfação ou bem-estar, e há uma tonelada de estudos científicos mostrando exatamente isso.

Por fim, eu tenho razão nos últimos 12-18 meses, ou pelo menos parcial razão, de refletir que o nosso principal bem é um corpo saudável. Do que adiante liberdade, dinheiro e generosidade alheia, se estou fraco, sem saúde, doente, sem a possibilidade de fazer movimentos mínimos, sem a possibilidade de aproveitar o que a vida oferece?  Mas, uma saúde otimizada, um corpo forte, no meio de uma sociedade enfraquecida, com problemas financeiros, e sem generosidade ou coesão social, poderá atingir todo o seu potencial? Do que adianta estar saudável se sua família está adoecendo?

Logo, a vida é composta por uma série de circunstâncias, algumas sobre nosso controle, outras nem tanto, das mais variadas formas e sabores, e é o conjunto dessas circunstâncias que fazem uma vida ser melhor, ou não, vivida.

Portanto, se tornar independente financeiramente, é uma parte apenas de um grande emaranhado. A melhor independência financeira não é ter um monte de dinheiro, mas sim “fazer o seu trabalho como se fossem férias”.  Achar algo significativo, algo que produza valor para si próprio e para outros.  Ter dinheiro apenas facilita que esse algo significativo não necessariamente daí precisa estar atrelado a um retorno financeiro. Um músico pode amar o que faz, mas ele tem contas a pagar, tem desejos de consumo, e é necessário um retorno financeiro. Um músico com alguns milhões pode se dedicar à sua paixão sem ter essa preocupação. Por outro lado, um músico com alguns milhões talvez não tenha a sede e o apetite que um músico que depende a sua vida do retorno de sua arte disso possui. É complicado, e não há certo ou errado.

Possuir dinheiro, perder a necessidade de trabalhar para alguém, não vai transformar um relacionamento ruim num relacionamento maravilhoso. Não vai fazer com que o seu filho o respeite mais, ou que você ache a iluminação. Não. Porém, pode dar o tempo suficiente para que essas transformações sejam mais factíveis de ocorrer, pois tudo que vale a pena na vida quase sempre envolve esforço. Criar um relacionamento forte com o seu filho exige tempo e esforço. Tornar-se faixa preta de Jiu Jitsu exige esforço e tempo. E, como já dito diversas vezes nesse espaço, e parafraseando o grande ex-presidente Mujica, “TEMPO NÃO SE GANHA, TEMPO SE GASTA”. 

Em relação ao tempo, todos nós somos consumidores.  Possuir certa quantidade de dinheiro, apenas possibilita que uma fração maior de tempo possa ser dedicada para que inúmeras transformações positivas possam ocorrer na vida.  Ter dinheiro não garante que essas transformações ocorreram, apenas possibilita, se a pessoa for sábia, a um uso mais consciente da sua poupança de tempo.

Você, prezado leitor, se possui quase 40 anos, não apenas possui mais uns 40-45 anos (se tudo der certo) de vida, mas como você já morreu 40 anos. A morte já ocorreu para você prezado leitor, e ela ocorre dia após dia.  Tic Tac, Tic Tac, o seu encontro com ela fica cada vez mais próximo. O seu tempo cada vez diminui mais, e não o contrário.

A solução para esta angústia existencial é viver. Viver bem. Viver da melhor maneira possível. Dia após dia, semana após semana, esse é o meu objetivo. Alguns dias eu vou muito mal. Brigo com a minha mulher. Perco tempo com alguma bobagem. Alguns dias eu vou muito bem. Leio um brilhante artigo científico, consigo acordar cedo e pegar onda sem roupa de borracha, troco apenas sorrisos com a minha mulher, aproveito essa frase incrível do desenvolvimento com a minha filha de um ano,  faço exercício intenso, como uma pizza deliciosa, encontro com amigos. Uau, isso sim é um dia bem vivido.

Tic, Tac. Viva, meu amigo prezado leitor. Lembre-se que a vida é complexa, as questões quase nunca são simples , e a nuance é a que traz cor e sentido para a realidade que nos cerca. A independência financeira é um instrumento para atingir uma boa vida. Eliminar o stress financeiro e o desperdício de tempo e energia em atividades não tão satisfatórias realizadas apenas por dinheiro, é um grande salto de qualidade de vida. É o único instrumento? Claro que não. Dizer bom dia para os seus vizinhos e construir uma boa relação com os mesmos é outro. Encontrar significado e sentido é mais um. Há tantos outros. O dinheiro e a independência financeira são apenas instrumentos, nunca fins em si mesmos. E eles são apenas uma ferramenta entre tantas outras.

Fácil? Não. Complicado? Muitas vezes. Desafiador? Sem dúvidas. Essa é a vida, essa é a minha vida, essa é a sua vida. Somos protagonistas das nossas próprias tramas, num grande teatro onde não há ensaios, e onde a peça sempre se desenrola no aqui e agora. Cabe a nós tentar ser os melhores protagonistas possíveis desse nosso drama, até que as cortinas abaixem definitivamente.



segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

ALGUÉM REALMENTE LEU TALEB? IRÃ E OS EFEITOS DE SEGUNDA E TERCEIRA ORDEM


Será que alguém realmente leu Taleb? Para quem não conhece, Nicholas Nassim Taleb é um escritor que escreve sobre vários assuntos relacionados à incerteza. Ele ficou muito famoso especialmente pelo seu livro chamado “A Lógica do Cisne Negro”. É preciso ler Taleb? Evidentemente que não. Alimentar-se bem, ter boas relações sociais e dormir bem são os atos que eu colocaria como essenciais para uma boa vida, não a leitura de um autor específico. Ele é um grande ser humano? Sinceramente, não sei. Pelos escritos e algumas palestras que eu vi dele, há um certo ar de superioridade que realmente não me agrada, como se apenas ele guardasse as chaves para os mistérios humanos, porém não dá para saber como ele é sem conhecê-lo pessoalmente, assim como com qualquer pessoa. Se não é necessário a leitura desse escritor, se eu acredito que ele tem certas características pessoais não tão positivas, por qual o motivo o título do presente artigo? Por qual motivo perder tempo com isso?

O cito, pois Taleb virou para muitas pessoas que gostam de finanças, ou comentam sobre política, uma espécie de norte intelectual. Além do mais, como ele diz que gosta muito do libertarianismo, bem como autores da escola austríaca de economia, e como esses temas estão em voga, ao menos em relação a pessoas que gostam de finanças, ele acaba sendo bastante citado. Aliás, sobre isso, ele tem uma ideia muito interessante sobre como deveríamos nos comportar e como essa ótica esquerda x direita é um tanto quanto tola. Ele diz que no nível familiar devemos ser comunistas, em nossa comunidade socialistas, a nível municipal progressistas-democratas, em nível estadual conservadores-republicanos e em nível federal libertários. Essa forma de ver o mundo é tão mais inteligente e complexa e faz tão mais sentido, que é uma pena essa ideia dele não ser tão discutida e analisada. Entretanto, sistemas de governos não é o foco desse artigo, e nem o motivo de trazer esse autor à baila.

Taleb bate muito na tecla, em vários dos seus livros, que interferências em sistemas complexos levam não só a consequências de primeira ordem, mas especialmente a consequências de segunda e terceira ordem.  As consequências de primeira ordem costumam ser mais previsíveis, porém as consequências de segunda e especialmente terceira ordem não são nada previsíveis e muitas vezes fogem a qualquer controle de uma análise prévia. Esse é o principal argumento do Taleb, por exemplo, para que governos interfiram o mínimo num sistema complexo como é a economia. Quer-se controlar a inflação, congela-se o preço da gasolina, por exemplo. Num primeiro momento, o efeito de primeira ordem (controle da inflação) pode acontecer, mas a interferência (congelamento de preços) pode ocasionar uma pletora de consequências imprevisíveis. Portanto, a melhor coisa a se fazer em sistemas complexos é deixar eles mesmos se auto-regularem e evitar ao máximo interferências externas.

Taleb, até porque libanês, é especialmente vocal a respeito de interferências militares, ainda mais em regiões extremamente complexas do ponto de vista geopolítico.  As intervenções quase sempre, ou talvez sempre, causam muito mais malefícios do que benefícios. Geralmente, o motivo da intervenção faz sentido, mas quase sempre se ignora que os efeitos secundários e terciários são imprevisíveis e podem produzir resultados ainda piores na situação do que se não houvesse a intervenção. 

Líbia. Governada por um ditador chamado Muamar Al- Gaddafi por décadas. Ele assassinava opositores, tinha harém de mulheres e cometia os atos grotescos piores possíveis. Porém, esse mesmo crápula, manteve um país basicamente tribal unido, a Líbia tinha um dos maiores IDHs da África, ele abriu mão de ter armas nucleares e nos últimos anos de seu governo a Líbia se comportava como um país razoavelmente “normal” nas relações internacionais. Manifestações populares emergiram pegando carona na primavera árabe, o ditador reprimiu duramente o dissenso político, a situação degringolou, uma coalização internacional atacou a Líbia e as forças de Gaddafi, e este acabou sendo capturado por rebeldes e morto. E o que é a Líbia hoje? Basicamente, uma terra sem lei. Grupos terroristas se instalaram no país. Há comércios de escravos em alguns lugares, como se estivéssemos no século XV. Não há qualquer futuro pacífico de uma sociedade minimamente organizada na Líbia no curto e médio prazo. Depois da intervenção a vida dos líbios piorou e o mundo ficou mais inseguro, não mais seguro.

Trump resolveu assassinar o maior general iraniano. Virou manchete no mundo, amigos meus comentaram o incidente. Todos correm para ter uma opinião. Eu não sou especialista em Irã, mas como tive o privilégio de passar mais de um mês nesse país espetacular, convivendo e muitas vezes dormindo na casa de locais das mais variadas classes sociais, posso comentar um pouco. 

Primeiramente, o Irã não tem nada a ver com o Iraque, inclusive são países com matrizes culturais completamente distintas. Iranianos não são árabes, e é uma grande ofensa no Irã você confundi-los com árabes. Iranianos, ao menos o maior grupo étnico, são herdeiros dos grandes impérios persas. Estes foram os primeiros grandes impérios territoriais-culturais que a humanidade presenciou. O Irã é fonte de uma história milenar riquíssima, cheio de cultura, cidades históricas e especialmente um povo muito orgulhoso de suas origens. Até mesmo comentadores políticos talvez não saibam que o Irã é uma panela cultural, sendo que a segunda etnia mais numerosa no país é na verdade de origem Turca-Azeri (Arzebaijão) e que o atual líder supremo religioso (Khamenei) não é persa, mas turco-azeri.

O Irã é um pais de classe média com uma renda per capta um pouco menor do que o Brasil, ou seja, eles são parecidos economicamente nesse sentido com a gente. Tehran é uma cidade vibrante e caótica como São Paulo. Possui uma classe média que está de “saco cheio” do governo, e só quer um pouco mais de prosperidade econômica e liberdade. As jovens em Tehran usam o Hijab (lenço na cabeça obrigatório de ser usado, inclusive por estrangeiros) com quase todo o cabelo a mostra, numa forma de protesto e de sinal de mudanças dos tempos. As mulheres de classe média são ativas, trabalham, são médicas e participam das decisões da família, assim como qualquer mulher no Brasil.

É o mundo ideal para mulheres? Claro que não. Não estamos falando da Austrália ou Finlândia. Mas dentro do mundo muçulmano, com certeza a situação da mulher é muito melhor, mais muito melhor no Irã do que na Arábia Saudita. Aliás, em tudo o Irã é um modelo muito mais moderado e sensato para o mundo muçulmano do que a Arábia Saudita. 

A não ser que a pessoa tenha passado um tempo no Irã, dificilmente se sabe o que a guerra Irã-Iraque de 1980-1988 significa para os iranianos. Quem já viajou pela Rússia, especialmente o seu vasto interior, sabe que os russos chamam a segunda guerra mundial de “A Grande Guerra Patriótica”. Essa guerra aconteceu entre 1941-1945. Portanto, e essa é uma das maravilhas de se viajar e realmente mergulhar nem que seja um pouco na vida de um país diferente, a percepção russa sobre a guerra é completamente diferente da nossa percepção da Segunda Guerra Mundial. Isso já tinha ficado claro para mim quando visitei o Vietnã há 12 anos, e descobri que a guerra lá era chamada de “Guerra Americana” e não como conhecemos “Guerra do Vietnã”, pois para os vietnamitas a guerra foi uma agressão injustificada dos americanos, e foi mesmo. 

O Irã em 1980 estava à beira de convulsões sociais. Havia se passado a revolução de 1979, uma revolução que contou com comunistas, republicanos e islamitas iniciada para acabar com a última dinastia de reis iranianos. Por acontecimentos do destino, os islamistas tomaram preponderância, e tornaram a revolução de 1979 numa revolução religiosa, mesmo que inicialmente ela não tivesse esse propósito (fato este também ignorado por muitos comentadores políticos).  

O Irã, até pela sua história riquíssima, possui elites letradas, mas também camadas populares mais conservadoras. O fato é que em 1980 não se sabia ao certo se o regime teocrático manteria-se por muito tempo. Então, com ajuda financeira e militar dos EUA, o Iraque invade territorialmente o Irã para tomar os campos de petróleo do sul do pais. Aproveitando-se da fraqueza política e militar do Irã naquele momento, o Iraque (que é muito menor e menos populoso) consegue vitórias militares fáceis e toma parte do sul do Irã. 

Depois desse fato, onde havia divisão, surgiu união. Os iranianos se uniram, ao menos boa parte deles, o regime teocrático conseguiu a legitimidade que precisava, e com muito esforço em vidas humanas, o Irã conseguiu impedir o avanço das tropas iraquianas, bem como expulsar essas tropas do Irã. As histórias dos combatentes iranianos em nada deixa a dever em bravura e determinação do que histórias de desembarque na Normandia no famoso  dia D. Dezenas de milhares de iranianos sabiam que iriam morrer, mas mesmo assim alistavam-se para defender o seu país. Por coincidência ou não, a guerra Irã-Iraque é conhecida no Irã como “A Guerra Patriótica”. Assim como na Rússia que em qualquer vilarejo há homenagens aos soldados russos da grande guerra patriótica, no Irã em qualquer cidade há homenagens aos chamados mártires da guerra de 1980-1988. É um evento doloroso para os iranianos. 



Por que falar tudo isso? Pois sem entender minimamente a história e algumas nuances, é fácil se perder em análises generalistas opacas. Eu não conhecia o general assassinado, mas li que ele era considerado um grande herói na guerra de 1980-1988. Se ele realmente era um herói nacional por causa dessa guerra, a comoção do país pelo seu assassinato com certeza não é algo fingido ou manobrado pelo governo. 

Ao se matar um general tão importante, Trump interveio num sistema complexo, muitas vezes mais complexo do que era o Iraque de Saddam em 2003 quando começou os bombardeios americanos. As consequências secundárias, terciárias e talvez de quarta ordem (daqui 10-15 anos) são completamente imprevisíveis. Um fato imprevisível já ocorreu. De maneira alucinada, a própria guarda revolucionária derrubou um avião comercial por engano. Não apenas iranianos morreram, mas também dezenas de canadenses. Qual impacto isso vai ter no governo, no ânimo das pessoas? Um país tão importante como o Irã é aconselhável uma ruptura drástica de poder depois de tantos anos? Se o Irã, com seus 70 milhões de habitantes, degenerasse em caos, o que não aconteceria com uma região que já está caótica, e com o mundo? E um passo mal calculado pelo regime iraniano, e uma retaliação americana, onde poderia levar o mundo? E se o assassinato desse general não unir as forças políticas do país e o regime se manter por mais dezenas de anos? E os efeitos que não se pode prever e que serão resultados desse ato daqui 2, 3 , 5 anos?

Ao ler e ouvir alguns comentários, parece que realmente as pessoas que dizem gostar de Taleb não o leram, ou passaram batido uma das partes principais sobre o desastre que é a intervenção, especialmente com força, em sistemas complexos. 

Esse vídeo de apenas cinco minutos da história do Irã é fantástico. Eu o vi várias vezes quando estava lá, até para poder entender um pouco mais da história das diversas cidades que eu visite. Mesmo que você não tenha interesse no Irã, o vídeo é muito bem produzido.

Um grande abraço a todos!


quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

A DÁDIVA DO PRESENTE


Eu gosto de assistir animações.  Há algumas muito bonitas e bem construídas. Uma das últimas que assisti chama-se “Divertida Mente”  e chorei algumas vezes, especialmente por causa da minha pequena filha e das lembranças e sentimentos que o filme evocou em mim.

 Há uma animação chamada “Kung Fu Panda” que é realmente muito bacana. Trata-se da história de um urso Panda que gostaria de aprender kung fu, só que ele é lento, gordo e desajeitado.  Porém, por algum mistério cósmico, ele é o apontado para ser o novo “Dragão Guerreiro”. O mestre treinador, um rato, deve então treiná-lo para ser o grande lutador de kung fu.  Entretanto, o urso panda não consegue evoluir e só se mete em trapalhadas, e no meio do filme, o mestre resolve pedir conselhos para o “mestre dos mestres” uma tartaruga de fala e movimentos lentos.

Numa das cenas mais bonitas que eu já vi, a tartaruga fala sobre a vida, sobre a paciência, sobre como as pessoas que menos esperamos podem nos surpreender positivamente e também fala isso:


Não se pode duvidar da simplicidade e profundidade dessas palavras. Tanto é verdade que é um ensinamento central em muitas doutrinas filosóficas ou espirituais. Sim, com memes, com um acúmulo de informação e livros, podemos banalizar um ensinamento poderoso como este, é verdade. Sinto que essa é uma lição fácil de entender, extremamente difícil de viver de acordo, pois tudo à nossa volta, especialmente em ambientes urbanos, nos distrai da realidade presente. Sempre almejamos algo, sempre nos lembramos de algo.

Bebês. Minha filha fez um ano recentemente.  Há algo de extraordinário com crianças pequenas, e qualquer pai, ou mãe, pode atestar esse fato. Uma das palestras mais interessantes que já vi foi de uma pesquisadora que comparou o cérebro de crianças ao cérebro de pessoas que utilizam substâncias psicodélicas como psilocibina ou DMT.  As crianças aparentemente não possuem restrições e fazem conexões entre várias partes do cérebro que nós adultos não mais fazemos, a não ser em estados meditativos profundos ou com o uso de substâncias psicodélicas.  Cores ganham sons, sons ganham cheiro e a forma de perceber a realidade se torna radicalmente diferente.

É claro que não se pode saber ao certo, mas tudo leva a crer que bebês vivem o momento presente com uma intensidade de dar inveja a qualquer grande meditador.  A diversão, tristeza, alegria e frustração são intensas e direcionadas a sensações do momento presente.  Os bebês, e talvez alguns poucos seres humanos mais iluminados, são o exemplo melhor acabado de como viver a dádiva que é o momento presente.

Proporcionar infâncias felizes é a maior responsabilidade dos pais, e da sociedade como um todo. Quando minha filha gargalha, eu não penso se ela vai lembrar-se desse momento ou se isso vai ajudar ela a ser uma criança mais inteligente, ou se por causa disso ela vai ter mais condições de ser uma pesquisadora numa universidade de prestígio dos EUA. Não. A gargalhada dela significa que o momento presente dela, e por via de consequência o meu, está sendo significativo, independentemente se isso irá acarretar ou não alguma consequência positiva no futuro. Estamos experimentando a dádiva de estar vivos e conectados com a única realidade que realmente existe. É uma lição de como viver a vida, e sou grato por ter uma filha e passar por essa experiência.

Obrigado vida. Obrigado filha.

Obs: agradeço aos leitores pelas sugestões de perguntas para o livro. O capítulo estava com 18 questões e 35 folhas, e há dois dias acabei de (re)escrevê-lo e agora possui 30 questões e 65 folhas. Foi de grande valia a participação de vocês, obrigado.
obs1: a pesquisadora citada no texto chama-se Alison Gopnik, ela tem um livro conhecido chamado "The Philosophical Baby". Essa é a palestra: https://www.youtube.com/watch?v=v2VzRMevUXg&t=1806s. Nela também está um pesquisador inglês conhecido sobre psicodélicos.
obs2: Se o tema sobre consciência e psicodélicos interessar alguém, o famoso escritor Michael Pollan (escritor do já clássico "O Dilema do Onívoro") recentemente lançou um livro sobre o tema chamado "Como Mudar a Sua Mente". O livro é fantástico. Conta a história recente dos psicodélicos, os vários estudos científicos da década de 50, o frenesi da década de 60, o banimento da década de 70, a retomada dos estudos na primeira década desse estudo e a explosão dos estudos nos anos recentes (tratamento de stress pós-traumático especialmente em veteranos de guerra, cuidado paliativo em pacientes com câncer em estado terminal, manejo para cura de vício em bebidas e drogas e muitas outras finalidades).

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

LIVRO LEILÃO DE IMÓVEIS - PERGUNTAS - SUGESTÃO DE LEITORES


Olá, prezados leitores. Sim, a enrolação foi e está sendo grande. Já falei sobre esse tópico algumas vezes no blog, mas resolvi fechar um ciclo: terminar de escrever um livro sobre leilão de imóveis. De vez em quando, eu participo de uma reunião de homens chamado “Brotherhood”. Nos encontros, se discutem temas como vulnerabilidade, sagrado masculino e feminino, empatia, entre um monte de outros temas. As conversas se dão em roda, depois de uma janta preparada pelos participantes, há cantos em sintonia, e como o rapaz que é uma espécie de coordenador é descendente de tupis guaranis, a parte final foi uma espécie de meditação coletiva em torno de uma fogueira.

É incrível quando vem pessoas novas e nunca pararam para refletir a respeito dos diversos temas, ou, por causa da forma que nossa sociedade trata esses temas, nunca se sentiu num ambiente que assuntos tão essenciais para uma boa vida pudessem ser discutidos de forma franca e de boa-fé. É possível às vezes também perceber como questões pessoais das mais simples às vezes são tão prevalentes em algumas pessoas pelo simples fato delas nunca terem refletido a respeito sobre outra prisma. Raiva, frustração, medo, desejos e imposições sexuais, papel do homem na sociedade, na família, etc, etc. E é bem bacana ver que uma simples conversa de algumas horas, alguns gestos como cantar com outros, olhares de respeito, podem realmente transformar a pessoa, ou ao menos colocar numa boa direção para uma mudança positiva em sua vida.

            Por causa da paternidade, eu vou poucas vezes a esses encontros. Entretanto, quando vou, sempre saio com bons insights e com uma “boa energia”. Nas rodas de conversa, só é permitido um falar, e o outro que vai falar em seguida não quer contestar a fala anterior, mas apenas colocar a sua própria visão. Eu acredito muito em debates genuínos e sinceros de ideias, mas é muito interessante quando você se despe dessa postura e apenas ouve o que os outros têm a dizer. Enfim, só falo tudo isso, pois o tema final da conversa do último “Brotherhood” do ano foi rituais e fechamento de ciclos. A discussão sobre rituais, ainda mais vindo de um descendente indígena, foi bem interessante e instrutiva, mas foi sobre o fim de ciclos que deu um clique maior. 

Foi dito por um rapaz sobre a experiência de um pesquisador australiano sobre como comunidades aborígenes são diferentes na forma de pensar sobre projetos. Ao invés de duas fases como planejar e executar, geralmente comunidades aborígenes trabalham com quatro fases: sonhar (muitas vezes coletivamente), planejar, executar e celebrar. Eu achei incrível refletir sobre a celebração no fim de um ciclo. Eu sou um cara, comparado com o padrão vigente à minha volta, bem tranquilo e relaxado. Porém, é incrível como minha mente passa de uma função à outra, muitas vezes não celebrando o fim de um projeto/ciclo, antes de se preparar para mais uma empreitada.

Enfim, toda essa conversa me fez perceber que eu preciso fechar esse ciclo de escrever pelo menos um livro, e que com certeza eu celebrarei o resultado, para que possa estar pronto para sonhar com mais um projeto.

O livro está quase pronto (pelo menos do ponto de vista da escrita), e possui umas 500-550 páginas. Não há nada parecido escrito em português, e imagino que possa ser útil para advogados, juízes, leigos, interessados em leilão, apenas curiosos.  Quero agradecer aqui publicamente um leitor que me mandou um e-mail (e ainda não respondi, o que peço desculpas) que gentilmente me encorajou a terminar o projeto e inclusive fez uma revisão de português de uma pequena parte do livro que disponibilizei nesse blog há um tempo. Obrigado, amigo. O seu e-mail uns 40 dias atrás foi um incentivo para eu retomar, apesar de toda a “correria” que é ser um pai presente, esse projeto.

Pois bem. O livro será dividido em Três partes, mais ou menos assim:

PARTE I – 120-120 páginas
- Introdução. – 15 páginas
- Conceitos Fundamentais de Finanças – 25 páginas
- Finanças Comportamentais aplicadas à leilão de imóveis – 30 páginas
- Conceitos Fundamentais de Direito Imobiliário – 35 páginas
- Direitos Reais de Garantia – 15 páginas

PARTE II – (essa é a parte mais difícil para leigos, mas tentei deixar o mais claro possível) – 270-280 páginas
- O Leilão Extrajudicial – 90 páginas
- Defesas do Devedor em relação a um leilão extrajudicial – 35 páginas
- O Leilão Judicial – 140 páginas
- Leilão Judicial x Extrajudicial – 15 páginas
E mais umas 40-50 páginas de anexo em decisões judiciais que resolvi tirar do corpo da obra e colocar num anexo para quem tiver interesse, conforme sugestão de um leitor desse blog.

PARTE III – ASPECTOS PRÁTICOS 130-140 páginas
- Casos Práticos e Análise – algo em torno de umas 40 páginas (fiquei feliz que já tinha escrito algo em torno de 30 páginas e nem me lembrava)
- Acordo de Desocupação Voluntária – 25 páginas
- Perguntas e Respostas – Umas 30-35 páginas (razão desse post)
- Pós-Leilão. Venda. Reforma. Corretores – Ainda não escrito (creio que umas 20-25 páginas)
- É Ético comprar imóveis em leilão? (umas 15-20 páginas) – ainda não escrito

            É isso. Ainda não decidi se vou fazer um curso de vídeos aulas, ou simplesmente publicar o livro. Tem um monte de coisa para fazer e não faço a mínima ideia ainda como irei proceder: fazer imagens e diagramas, revisão do português, edição, diagramação, etc, etc.

            Se você prezado leitor, quiser ajudar (e muitos leitores foram de extrema valia) olhe as perguntas abaixo e veja se existe alguma dúvida que você por ventura possa ter que não está nas indagações abaixo. Esse capítulo é como uma série de perguntas e respostas que fui colecionando ao longo dos anos, quase todas as respostas para as perguntas estão no decorrer do livro de forma mais técnica e minuciosa, mas achei interessante fazer um capítulo apenas com as perguntas específicas.


1)      Como Saber Dívidas de IPTU e Condomínio? Quais Dívidas Poderão Ser De Responsabilidade Do Arrematante?
2)      Quais São Os Outros Custos Na Compra De Um Imóvel Em Leilão? O ITBI, A Escritura E O Registro Imobiliário
3)      Quais São As Melhores Estratégias Para Se Dar Lance Num Leilão?
4)      Qual A Periodicidade Para O Monitoramento De Leilões? Como Saber Se É O Momento Adequado?
5)      Comprar Qual Tipo De Imóvel? Casa, Apartamento ou Terreno?
6)      Quanto É Necessário De Dinheiro Acumulado Para Participar De Um Leilão?

7)      Comprar Um Imóvel Leiloado Para Moradia É Uma Boa Ideia?

8)      Qual É Uma Boa Margem De Lucro De Um Leilão?
9)      O que Pode Dar Errado? É Possível Perder O Dinheiro?
10)  Quanto Tempo Para Tomar Posse Do Imóvel Arrematado? Se Houver Uma Família Ocupando Leva Mais Tempo?
11)  Qual É O Menor Preço Que Se Pode Pagar Num Imóvel Leiloado (preço vil)?
12)  Quanto Se Paga De Imposto Na Venda Do Imóvel Arrematado Em Leilão? E Se a Arrematação For Feita Via Pessoa Jurídica?
13)  Funcionários públicos de qualquer ente federativo e qualquer Poder podem participar de leilões judiciais? Em quais casos são proibidos?

14)  Advogado, como escolher um? Quanto Custa?

15)  É Importante Ler O Edital Do Leilão?

16)  Venda Direta, o que é? Melhor ou Pior do que comprar em Leilão?
17)  É recomendável comprar imóvel em leilão de forma alavancada?
18)  Como Funciona O Leilão De Direitos Creditórios?
19)  O Autor Do Livro Já Sofreu Algum Prejuízo Comprando Imóvel Em Leilão?


É isso aí, um grande abraço!