Olá, prezados
leitores. O presente artigo trata sobre exames de saúde laboratoriais que você
pode querer, ou não, monitorar. Eu não sou médico, nem nutricionista, nem
farmacêutico, por isso não me perguntem sobre tratamentos, doenças, etc, pois
eu não tenho formação e nem conhecimento para ajudar. Tudo aqui escrito é
resultado da minha busca individual de conhecimento.
A
minha última bateria de exames mediu 62 parâmetros. Sim, sou um ponto fora da
curva, já que quando os médicos pedem exames laboratoriais, isso quando a
pessoa faz exames anuais (eu costumo fazer semestrais), dos mais simples
possíveis, o que muitas vezes pode ser terrivelmente enganoso.
Irei
separar os exames por tópicos. Isso é apenas uma ferramenta mental minha para
visualizar todos esses resultados, não é nada técnico ou reconhecido por alguma
organização de saúde.
SAÚDE METABÓLICA
Coloco
como saúde metabólica, pois estes exames tendem a verificar como anda o seu
metabolismo de energia. O seu corpo está eficazmente metabolizando a glicose
que você consome (o substrato mais utilizado por quase todas as pessoas para
oxidação) ou há algo errado?
Geralmente,
as pessoas fazem apenas um único exame para averiguar isso, que é a glicemia em
jejum. Isso é de uma pobreza sem igual, pois só com esse dado, a não ser em
casos já de franca doença, não é possível saber sobre a saúde de uma
pessoa. Algumas outras pessoas vão um
pouco mais além e fazem um exame chamado A1C ou hemoglobina glicada. Esse exame
tem o seu mérito, mas possui diversas limitações também. Eu faço, e sugiro,
três outros exames, dois extremamente importantes.
Exames
A)Glicemia de Jejum – Esse exame busca ver a
quantidade de glicose em seu sangue depois de 8 a 12 horas de jejum. O motivo
desse exame é que se depois de várias horas sem comer, o seu organismo está com
uma glicemia alta, é porque há algo muito errado.
-É considerado normal até 99mg/dl. Mas, é
preciso entender que isso é um continum. O
diagnóstico de diabetes se faz com glicemias em jejum acima de 126mg/dl, mas
isso não quer dizer que alguém com 123mg/dl já não seja diabético ou esteja
numa situação muito melhor.
-Um nível entre a metade superior dos 70 e
a metade inferior dos 80 é considerado ótimo.
- O problema desse exame é que se mede
apenas um ponto no tempo e não diz absolutamente nada sobre o que acontece com
a glicemia da pessoa quando ela come, que é o que realmente importa.
- O meu caso: eu apresento-me com glicemias
de jejum que num exame dá 83, por exemplo, e em outros dois deram 98, o que me
colocaria na condição de quase pré-diabético, o que não faz muito sentido. Há
explicações de porque eu posso ter uma glicemia um pouco mais elevada em algumas manhãs,
mas não entrarei aqui.
B)A1C
(Hemoglobina Glicada) – Quando uma molécula de glicose, algo “grudendo” do
ponto de vista molecular, se liga a uma molécula de hemoglobina, esse vínculo
não é desfeito. Sendo assim, ao se medir a quantidade de hemoglobinas que
sofreram glicação, por meio de fórmulas é possível estimar a média de glicose
de um indivíduo nos últimos 60-90 dias. Esse é um exame com capacidade de
diagnóstico muito melhor do que uma simples glicemia de jejum.
- Níveis ótimos
são de 4.5% a 5.2%. Tudo abaixo de 5.7% (significa que 5.7% da sua hemoglobina
encontrada na amostra do laboratório sofreu glicação) é considerado normal. De
5.7% a 6.4% é considerado pré-diabetes e acima de 6.5% diabetes;
- Há problemas, porém, com esse exame. As fórmulas que fazem a média de glicose
não levam em conta a flutuação da mesma. Assim um indivíduo que tem grande
flutuações glicêmicas, o que é prejudicial ao coração, cérebro e quase tudo o
que você possa imaginar em seu corpo, talvez possa ter uma A1C normal, apesar
de ser francamente diabético. Porém, o
problema principal é que as mesmas fórmulas colocam um tempo de vida médio
padrão de 90-120 dias para as hemoglobinas. Entretanto, há uma grande variação
individual na vida média das red blod cells. Se suas hemoglobinas tem um prazo médio de vida maior do que 90-120
dias, a sua A1C será artificialmente maior (pois como as hemoglobinas vivem
mais, elas têm mais tempo para ser glicadas), por outro lado se o tempo de vida
é menor, a A1C será artificialmente baixa. Há ainda um terceiro fator, e isso é
bem geek. Quase ninguém sabe, mas há um enzima que faz a “deglicação”, então há
pessoas que podem ter uma glicemia alta, mas uma atividade dessa enzima
específica alta, dando um baixo número em relação a A1C. E há pessoas que podem
ter uma atividade baixa dessa enzima.
Isso é genético e muito difícil de medir fora de laboratórios preparados
para estudos técnicos.
- meu caso. Minha
A1C varia entre 5.4% a 5.8% o que me colocaria na condição de pré-diabético.
Foi por causa desse exame alterado há 18 meses que eu fiz um mergulho de cabeça
no tema saúde e otimização de vida. Foi por causa dele que eu comprei um
medidor contínuo de glicose. Pois a A1C é apenas uma estimativa, o medidor
contínuo de glicose mostra o que acontece exatamente na sua glicemia. Pois bem. Pelo controle dos meus medidores, e
pelo controle que faço no sangue com materiais de teste caseiro, eu não possuo
variações bruscas de glicose, ela dificilmente passa dos 120 mg/dl mesmo com o
consumo de bastante carboidrato, e pela média das 24 horas, a minha A1C deveria
ser entre 4.8 e 5%. O meu caso é mais comum do que se imagina. O próprio Dr. Peter
Attia que usa um monitor há 3 anos e faz todos os seus pacientes utilizarem um
por alguns meses ao menos, já comentou que a A1C quase nunca bate com o que o
sensor realmente mede na grande maioria dos casos, sendo um erro de 15-20% para
mais ou menos. Peter Attia, por causa disso, não pede mais exames de A1C dos seus pacientes, por achar um dado irrelevante.
C)Insulina – esse exame mede o hormônio insulina depois de 8-12 horas de jejum.
Quase nenhum médico pede e não deveria ser assim, pois esse é um dos exames
mais importantes a ser feito por alguém, já que é simples e barato. A insulina está relacionada a uma série enorme de processos
metabólicos, sendo um deles ativar transportadores de glicose para a membrana
das células para o controle da glicemia sanguínea. Não produza insulina, e você
é um diabético tipo 1. Produza insulina demais e você está no caminho para ser
um diabético tipo 2.
- níveis ótimos e saudáveis são abaixo de 5. A referência laboratorial vai até 30. Prezado leitor, se depois de 8-10
horas de jejum, a sua insulina está em 15 é porque o seu organismo está com
problemas metabólicos e você está no caminho para o desastre (o que me assusta é que uma endócrino disse uma vez para a minha mulher que uma insulina dessa era normal e não era alta). Uma insulina de
jejum de 25 é basicamente um diabético não diagnosticado. Quase ninguém deve
ter uma insulina ótima nos tempos de hoje, mas deveria ser o seu objetivo.
- a minha insulina varia entre 2
e 3, o que mostra que sou extremamente sensível á insulina, o que deve ser
buscado por todos. Quanto maior a insulina de jejum, significa que mais resistente o seu
corpo vai ficando à insulina, e resistência insulínica está associado a quase
tudo de ruim que acontece com doenças degenerativas (demência, doenças cardíacas,
câncer, etc, etc).
D)Exame
de Tolerância à Glicose cumulado com medição de Insulina – Talvez você não
precise de nenhum dos três exames acima, pois este aqui é o padrão ouro para
saber como está a sua saúde metabólica. Quantas pessoas eu conheço no Brasil
que já fizeram esse exame? Nenhuma. Quantos médicos eu já vi pedindo esse
exame? Nenhum. Esse exame consiste em
tomar uma solução nojenta de 75 gramas de glicose (é como um refrigerante ainda
mais adocicado) e medir o que acontece com a sua glicemia. Esse teste várias
pessoas fazem (medir apenas a glicemia). O segredo porém, e isso foi descoberto por um médico na década
de 70 chamado Kraft, é medir também a insulina e ver como é a secreção desse
hormônio em relação a um desafio de glicose.
- Muitos
diabéticos e pré-diabéticos, que passam com louvor nos exames de A1C e glicemia
de jejum, são diagnosticados quando se mede a glicemia depois de 75 gramas de
glicose (algo como 200 gramas de macarrão ou 250 gramas de arroz branco – nada muito
fora do que a maioria das pessoas come no dia a dia 3-4 vezes por dia). Um
sujeito pode ter a glicemia de 85 mg/dl, uma A1C de 5%, e depois de 75 gramas de
glicose ver a sua glicemia em uma hora disparar para 180-190 mg/dl. O consenso
é diagnosticar diabéticos quando depois de duas horas a glicemia estiver acima
de 200mg/dl e pré-diabéticos quando a glicemia estiver acima de 140mg/dl. Aqui
mora a vantagem de monitores contínuos de glicose. A pessoa pode saber o que
acontece não apenas quando ela ingere algo como 75gramas de glicose, mas quando
ela come arroz com feijão, macarrão, sorvete, um pão integral, etc. Se a sua
glicemia chegou a 160 mg/dl em qualquer momento no monitor é porque há algo
muito errado. O teste em laboratório só mede no minuto zero, 60min e 120min (eu aconselho acrescentar o minuto 30 ou 45, pois segundo estudos o pico de glicose em pessoas saudáveis acontece na maior parte nesse intervalo).
- Porém, o pulo
do gato é medir a insulina junto com a glicose. Há padrões de resposta, e há
apenas um padrão saudável que é o padrão I. Todos os outros são considerados
diabetis in situ. Eu creio que na média da população brasileira, ou americana,
pessoas acima de 35 anos, algo em torno de 85-90% das pessoas não teriam um
padrão bom de resposta insulínica, isso colocaria a esmagadora maioria da
população com problemas metabólicos ou uma saúde comprometida.
- eu já fiz duas
vezes esse exame. O meu padrão sempre foi o mais saudável o do tipo I. Na
última vez, minha insulina de jejum estava em 2 e voltou para 2 apenas duas
horas depois, colocando-me numa posição de extrema sensibilidade à insulina
(mesmo pelo padrão I, espera-se que a insulina volte ao basal apenas 4 horas
depois da ingestão da glicose).
obs: minhas medidas de glicose foram ótimas na primeira vez que fiz. Já na segunda, minha glicemia caiu consideravelmente, e fiquei até um pouco hipoglicêmico. Perguntei pessoalmente isso ao famoso Dr. Souto, numa consulta paga, e ele não me deu uma resposta tão clara de que por isso tinha ocorrido, apenas me disse que eu estava absurdamente sensível à insulina.
obs: minhas medidas de glicose foram ótimas na primeira vez que fiz. Já na segunda, minha glicemia caiu consideravelmente, e fiquei até um pouco hipoglicêmico. Perguntei pessoalmente isso ao famoso Dr. Souto, numa consulta paga, e ele não me deu uma resposta tão clara de que por isso tinha ocorrido, apenas me disse que eu estava absurdamente sensível à insulina.
Portanto, tendo
em vista o meu monitor contínuo de glicose, minha insulina de jejum, e
especialmente a minha medição de insulina depois de um desafio de 75 gramas de
glicose, eu consigo analisar os meus números de A1C com muito mais confiança.
Aposto que quase todos os médicos não passaria pela cabeça todas essas
explicações, e apenas apontaria que eu sou quase pré-diabético, o que não faria
o menor sentido tendo em vista uma investigação mais profunda e testes muito
mais condizentes para averiguar a saúde metabólica. Eu tomei a responsabilidade
da minha saúde para mim mesmo, e sou profundamente agradecido de ter tomado
essa decisão.
Já se passaram
três folhas, e vou ter que fazer uma série de exames laboratoriais, porque
senão o artigo vai virar um capítulo de um livro.
Até a próxima!



