segunda-feira, 14 de agosto de 2017

MITOS DE INVESTIMENTOS – VOLATILIDADE NÃO É RISCO


 Olá, colegas. Hoje o artigo será curto.  Se há um tema que gera muita confusão é sobre risco no sentido financeiro do termo. É claro que a palavra risco pode assumir diversas conotações a depender dos mais variados contextos. Sim, isso é verdade. Porém, também é verdade que um conceito que nada explica por ser muito abrangente ou com inúmeras definições às vezes não é de grande valia. Talvez por causa disso, para se dar uma maior sistematicidade, geralmente se atribui a palavra risco no contexto de ativos financeiros à volatilidade, e isso deixa inúmeros investidores amadores desconfortáveis.

 “Volatilidade não é risco, risco é perder o dinheiro num mau investimento” pode pensar alguém com certa dose de razão. Outro pode refletir “ As ações são mais voláteis, mas e daí? Elas possuem uma expectativa de retorno maior, conforme demonstrado pelo professor Siegel em seu famoso livro, arriscado é não se submeter à volatilidade” e também não estaria totalmente errado.

Talvez pela existência dessa noção que o  risco da volatilidade apenas se materializaria  quando da liquidação de uma posição com perdas efetivas, criou-se a ideia em muitos investidores de que volatilidade não é risco, ou que é uma medida defeituosa de risco.  Entretanto, prezados leitores, isso está equivocado. A volatilidade apresenta dois riscos claros.


I – O BREAK EVEN DE UMA QUEDA ACENTUA-SE TREMENDAMENTE TANTO MAIOR FOR A VOLATILIDADE NEGATIVA


     O meu pai adorava, quando eu era adolescente, me dizer que para se voltar ao mesmo lugar de uma perda de 50% seria necessário não um ganho de 50%, mas sim um aumento de 100%. Lembro-me de ter ficado impressionado com essa constatação tão simples, mas que aparentemente fugia do entendimento de quase todo mundo. 

   Hoje em dia, eu aplico essa mesma lógica em negociações imobiliárias, pois se  compro um imóvel por 50% do valor, eu tenho uma perspectiva de retorno de 100% e não apenas de 50%. Se eu compro com um deságio de 40%, o meu potencial é de 66%. Na verdade, eu uso o break even (expressão inglesa que seria algo como “empatar”, “estar quite”) em meu favor nessas operações.

     Notou alguma coisa no meu exemplo prezado leitor? Quanto maior o deságio que eu compro um imóvel, muito maior é o meu potencial retorno. Inverta a lógica e aplique para retornos negativos no mercado acionário. Quanto maior o retorno negativo, maior a rentabilidade positiva necessária para apenas voltar ao mesmo lugar.

Percebam como as perdas vão tendo um impacto cada vez maior


Logo, se vê claramente que num cenário de rentabilidade negativa, a pessoa deveria querer estar investida em ativos com baixa volatilidade, quanto maior a volatilidade, maior a perda potencial, às vezes permanente, que um portfólio pode sofrer.


II – A VOLATILIDADE POSITIVA TAMBÉM É RUIM PARA OS RETORNOS


   A volatilidade, mesmo quando a média dos retornos é positiva, também é um fator de risco, pois diminui necessariamente o retorno anualizado. Há uma diferença entre a média aritmética e a média geométrica de algo. Os educadores financeiros falam que o retorno anualizado, ou geométrico, é o único que o investidor pode gastar no mundo real, é o único que faz sentido ser analisado pelo investidor.

  Quanto maior for a dispersão dos retornos, ou seja maior a volatilidade, menor será o retorno anualizado de um investimento. Logo, quando se aumenta a volatilidade de um portfólio necessariamente o seu retorno anualizado diminuiu e vice-versa.



     Percebam, prezados leitores, quanto maior for a volatilidade dos retornos, mesmo que a média aritmética seja a mesma, o retorno anualizado fica cada vez menor, independente se há retornos negativos ou não.  Portanto, mesmo que um ativo só suba num determinado período, se houver dispersão nos retornos, o retorno anualizado necessariamente diminui.

Quanto maior a volatilidade, menor é o retorno anualizado


  Isso possui consequências sérias. Não lembro qual foi o blog, mas o autor escreveu um belo texto falando sobre finanças, mas ao final passava a ideia de que volatilidade não seria necessariamente um risco. Eu chamei atenção então que volatilidade talvez seja o maior risco que alguém que quer viver de renda possa enfrentar. Há até um nome técnico para isso: risco da sequência de retornos

O blogueiro americano Early Retirement Now (link ao lado) possui a melhor série sobre retirada de um patrimônio previdenciário. E ele diz claramente, repetido num podcast bacana que ouvi do mesmo nesse final de semana, que o maior risco para quem quer viver de renda não é nem tanto retornos um pouco menores, mas sim ser azarado e sofrer com a volatilidade no começo do período de retiradas.

 Tal fato pode ser facilmente entendido no gráfico abaixo:


  O quadro acima mostra a situação hipotética de alguém que possui um patrimônio de $1M e quer retirar desse patrimônio fluxos de caixa durante 25 anos com 85% de confiança, assumindo que o portfólio irá ter um retorno real de 7% aa.


   Fica claro que a volatilidade maior do patrimônio faz com que a taxa de retirada segura seja cada vez menor. Com uma volatilidade de 7%, o aposentado poderia retirar mais de  U$ 71 mil por 25 anos com 85% de confiança de que não acabaria com o patrimônio, representando uma taxa de retirada de mais de 7% aa. Com uma volatilidade de 20%, por seu turno, a retirada cai para aproximadamente U$ 40 mil, ou seja 4%aa, uma diferença de U$ 30 mil, que com certeza faria uma diferença enorme no padrão de vida do fictício aposentado. 

 Portanto, colegas, volatilidade é risco sim. Essa constatação é pura matemática, não foi retirado da cabeça de algum acadêmico sem que houvesse base para tanto.

 Um abraço a todos!

Notas: (1) gráficos retirados www.gestaltu.com
(2) A ideia para o artigo veio dos textos de Ed Easterling fundados da Cresmont Research (www.crestmontresearch.com/). Recomendo muito a leitura dos textos, e os vídeos do Easterling. Talvez seja uma das pessoas que consegue passar a sabedoria do que são os mercados financeiros, com insights poderosos,  da forma mais acessível que já observei nas minhas variadas leituras sobre o tema


39 comentários:

  1. Excelente post SoulSurfer,

    Às vezes eu uso a volatilidade para comprar ações.

    Abraços.

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    1. Olá, Cowboy.
      Realmente, mercados muito voláteis como o Brasileiro podem fornecer muitos pontos de entrada bons, se a pessoa acha que possui a habilidade de fazer alguma espécie de timing.
      Um abraço

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  2. Excelente postagem. Há um erro de interpretação bastante grande sobre o que é risco e o que é volatilidade.
    Muito pertinente sua explanação sobre o assunto.

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    1. Olá, Dividendos.
      Tudo bem? Como anda a jornada empreendedora?
      Grato pelo comentário, amigo.
      Abs

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    2. Está indo bem. Os ganhos ainda estão oscilando muito, mas espero aos poucos conseguir uma certa estabilidade.

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  3. Interessante analise

    Mas também volatilidade pode ser oportunidade de comprar excelente negócios abaixo do valor intrínseco é assim que Warren Buffet e Luiz Barsi aproveitam a volatilidade

    Abraço e bons investimentos

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    1. Colega, e é assim que mais de 75% de gestores profissionais nos EUA perdem para uma simples estratégia de indexar um índice abrangente do mercado acionário. Não precisa nem falar sobre investidores amadores pessoas físicas tentando fazer timing em mercado, pois os resultados, em média, costumam ser de péssimos a horrorosos.
      Porém, você tem razão ao dizer que em teoria ativos que são mais voláteis tendem a dar mais oportunidades de se fazer timing.
      Abs

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  4. Soul, excelente texto!

    por este argumento, refuta-se a posição, popularizada na finansfera, de que volatilidade ajuda a comprar pouco quando está alto e muito quando está baixo? Não entendo, se eu estou comprando o mesmo valor todo mês, o que muda nesse sentido?

    Lembro de ter visto um vídeo do Bastter em que ele mostrava que, havendo volatilidade durante os aportes, o retorno final seria maior do que sem ela.

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    1. Olá, Jairo.
      Veja, o que o Bastter falou nada mais é do que uma espécie de DCA (dollar cost averaging). É bastante utilizado no exterior, principalmente quando se fala em comprar todo o risco de mercado (via algum fundo de índice).
      O pouco quando está alto e muito quando está baixa, creio que se relaciona mais com alocação de ativos com rebalanceamento periódico. Vende-se o que está alto, compra-se o que está baixo.
      Se o aporte vai ser constante, quando o mercado estiver com valuation mais esticado vai se "gastar" a mesma quantidade de dinheiro e comprar menos papeis.
      Bom, com volatilidade, a pessoa irá comprar em preços deprimidos em alguns momentos, com preços esticados em outros. Não há dúvida de que para portfólios de acumulação, tudo que um jovem pode querer, parafraseando o Berstein, é um prolongado bear market.
      Agora, em patrimônios de retirada, a volatilidade pode ser extremamente perniciosa.

      Um abraço!

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  5. Saudações, Soulsurfer! Percebi que você está certo, após ler seu texto concordo que a volatidade é sim um risco. Acho que fui eu quem escreveu o belo texto ao qual você se refere.

    No meu caso, eu realmente desprezo a volatilidade de curto prazo, porque não tenho que sacar nada dos investimentos e porque considero que meus investimentos estão suficientemente diversificados para prevenir qualquer risco relativo a um segmento específico do mercado. Mesmo se eu perdesse 90% em alguns investimentos, não seria o fim da minha carteira.

    Foi esse post? http://capitalismus.blogspot.com.br/2017/01/volatilidade-nao-e-risco.html

    Abraços!

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    1. Oie Marcelo!
      Não, não foi o seu texto, foi de outro colega blogueiro, mas não lembro quem foi.

      Eu concordo que dizer que volatilidade não é um risco tão acentuado, possa ser uma boa estratégia mental para impedir que nos desesperemos com alguma eventual rentabilidade negativa, para que possamos manter o curso e seguir nossos objetivos. Não há nenhum mal nisso, pode até fazer bem para a maioria dos investidores.

      Um abs

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    2. creio que o artigo referido seja este:

      https://mercadoinsensato.blogspot.com.br/2017/06/o-problema-do-calculo-de-risco.html

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    3. Isso, Mercado Insensato. Ele vem produzindo artigos de excelente qualidade.
      Valeu Anônimo
      Abs

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  6. Concordo com o fato de que volatilidade é risco, mas também acredito que se possa aproveitar a volatilidade com a intenção de se obter retornos acima do mercado. Imagino que você já tenha lido sobre o resultado de estratégias quantitativas no mercado acionário, como por exemplo comprar uma cesta de ações com baixo p/vpa, p/ebit etc. Na minha opinião essas estratégias funcionam simplesmente por retorno à média, pois geralmente empresas negociadas a multiplos baixos estão passando por alguma dificuldade que, se superada, levarão a empresa a voltar às graças do mercado e os investidores, por vício cognitivo, tendem a extrapolar retornos negativos (ou positivos) para o futuro. Assim, ações que tenham experimentado uma queda expressiva e estejam negociadas a múltiplos baixos podem ser, desde que compradas em uma cesta diversificada, uma boa oportunidade. Claro que adotar uma estratégia baseada em retornos passados também é um erro, mas se vc acredita que os fatores intrinsecos que eu coloquei fazem sentido, a coisa muda um pouco de figura. PS: sou cético quanto ao mérito da análise (gráfica, fundamentalista), pra compra de ativos individuais. PS2: me perdoe se não me expressei muito bem. Estou no segundo pisco sour em um restaurante peruano. Grande abraço

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    1. Olá, Investidor.
      Nos últimos meses tenho lido e ouvido muito podcast sobre investimento em fatores, que é basicamente o que você está falando. Você está falando no fator valor, sim há uma tendência (de um grupo grande de ações ) de retorno à média, e o prêmio em valor ainda se mantém, mesmo depois das descobertas de Fama e French de 1992. Porém, sabe que o fator momentum é o que se mostra mais consistente nesses anos todos? É por isso que pretendo investir no exterior com Tilt para esses fatores: valor e momentum.


      Porém, independente disso, se dois ativos possuem expectativa de retorno parecida, mas com volatilidade diversa, não faz muito sentido investir no ativo mais volátil.

      Se você se interessar por um estudo mais aprofundado sobre fatores, mande-me uma mensagem que posso indicar um monte de material para você se aprofundar.

      Um abs!

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    2. Sim Soul, acho que vi num blog dos autores daquele livro Quantitative Value Investing (ou blog relacionado a eles) sobre o fator momentum, bem como a combinação dos dois, que parece que é o que deu melhores resultados. Um cuidado que eu sempre gosto de ter é em encontrar explicações lógicas para o porque de uma estratégia funcionar, e acho que nesses casos tudo faz sentido (basicamente estamos nos aproveitando dos diferentes erros de avaliação dos investidores como um grupo). No poker (não sei se vc curte tb), equivale a utilizarmos uma estratégia que se aproveita dos diferentes leaks de nossos adversários. Um grande cuidado que temos de ter é que, especialmente no caso das estratégias isoladas, podemos ter muitos anos seguidos de underperformance. Não vejo porque a combinação de ambas não possa nos decepcionar também por períodos grandes. Gostaria de receber o estudo sim. Grande abraço

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    3. Olá, colega. Se você já conhece o livro "Quantitative Value", pode ler o livro do mesmo autor chamado "Quantitative Momentum". Ele (o autor Jack Vogel) foi inclusive entrevistado num dos últimos PODCAST do MEB
      FABER: http://mebfaber.com/2017/07/12/episode-61-jack-vogel-factor-timing-next-near-impossible/

      Claro, sugiro a leitura do livro do famoso Swedroe "Your Complete Guide to Factor-Based Investing: The Way Smart Money Invests Today", inclusive por uma troca de ideia com VR, ele comprou o livro e baseou sua estratégia de investimento internacional bastante nesse livro. Ele também foi entrevistado pelo MAB FABER, e a entrevista foi muito boa.

      Sim, um dos melhores jogadores de Poker do Brasil é meu grande amigo, começamos a jogar juntos torneios, eu cheguei a mesas finais em torneios medianos, mas depois parei de jogar. Ele continuou, virou campeão brasileiro, e esse ano ficou muito próximo de pegar mesa final no Main Event de Vegas.

      Você tem toda razão, eles podem performar abaixo do índice (um ETF voltado para fator, por exemplo) por períodos longos de tempo, e o prêmio talvez desapareça no futuro. Porém, há uma probabilidade razoável para períodos de médio-longo prazo que esses fatores produzam retornos em excesso.

      Um abs

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  7. À propósito, me refiro à acumulação de patrimônio. Para retiradas concordo que o objetivo deveria ser minimizar a volatilidade.

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  8. Soul, acho que vc não conhece o Mauro CAlil, administrador, autor de livros de finanças, ele explica como se defender desses cenários de forma bem simples.

    Até o Bastter fala isso, se o indivíduo tiver o valor equivalente a 2 anos ou mais de contas pagas na Rnda Fixca, pode ser até poupança, é possível passar por turbulências sem sofrer.

    O investidor que já recebe por mês o equivalente a 3 vezes a renda mensal E ainda tem uma reserva de 2 anos de contas pagas deve se preocupar em malhar, correr na praia e outras coisas mais importantes.

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    1. Olá, é verdade.
      Veja a minha resposta abaixo.
      Porém, no caso de uma crise prolongada de vários e vários anos, não se pode dizer que com apenas dois anos de despesas em RF possa ser suficiente para mitigar por completo o risco, mas com certeza ajuda.
      Abs

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  9. Ter dinheiro em RF suficiente para pagar 3 anos de despesa serve para espantar qualquer crise.


    Para que retirar dinheiro do patrimônio, é algo sem cabimento. Melhor receber proventos dos fiis e das ações. Se quiser um pouco a mais faça uma venda coberta bem longe do dinheiro, para ganhar mais ainda.

    Se o indivíduo tiver o impulso imbecil de comprar uma Ferrari, ele pode juntar simplesmente, sem destruir o patrimônio

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    1. Olá, colega.
      É verdade, em patrimônios de retirada, essa é uma forma de mitigar o risco de sequência de retornos: ter uma parte alocada em BONDs (Renda Fixa) de curta duração ou cash.
      No Brasil, ainda temos o bônus de receber juros reais altos em instrumentos de dívida sem duration e com liquidez.
      O Brasil também é pródigo em rendimentos isentos via dividendos ou aluguéis de ações e FII respectivamente.
      Não é uma realidade para quase todos os investidores não nacionais.
      Isso tudo vem com o risco de estarmos num país complicado, pois jamais haveria isso num país ajeitado. O Yield do S$P500 é de 2%aa e do NAREIT (REITs = FII) é algo em torno de 3.5% aa bruto, além do imposto de renda que tem que se pagar.

      Um abs

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  10. Fala, Soul,

    se vc se propôs a falar sobre volatilidade, acho que deveria ter focado mais então na discussão de como o desvio padrão pode afetar os retornos e não simplesmente inventar uns retornos aleatórios e traçar uma média geométrica de retornos DIFERENTES ainda por cima....

    By the way, eu já havia abordado o assunto há mto tempo atrás:
    http://di-finance.blogspot.com.br/2012/12/risco-nao-e-volatilidade.html

    sds

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    1. Oi Márcio! Tudo bem? Anda sumido...Espero que esteja tudo bem contigo.
      a) Veja, os gráficos foram todos retirados do site da nota de rodapé “1”. O artigo do site, por seu turno, foi baseado nos escritos, vídeos, livros, pensamentos, do fundador da Crestmont Research: Ed Easterling. Desconhecido aqui no Brasil, razoavelmente conhecido nos EUA. Creio que a ideia dele é mostrar que retornos aritméticos idênticos podem gerar retornos geométricos diversos a depender da dispersão dos resultados. Pode ser intuitivo para alguns, mas não o é para a grande maioria. A mesma ideia, com números parecidos, também é apresentada por Richard Ferri no seu famoso livro “All About Asset Allocation”. Logo, os exemplos nem meus são, infelizmente.
      b) Bacana, Márcio. Li o seu artigo de 2012. Você escrevia bons artigos.
      Um abs!

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    2. Você tocou no ponto que eu estava pensando mas não soube me expressar muito bem. Volatilidade é consequencia de outros riscos, e não O risco. Até porque volatilidade como desvio padrão mede algo que já passou, e a não ser que você tenha uma explicação perfeitamente lógica de porque faz sentido extrapolá-la para o futuro, juntamente com os retornos (papel da análise do investidor), acaba sendo uma discussão muito inútil.

      Minha conclusão aqui é: a volatilidade FUTURA é importante para um aposentado que viva de seus investimentos, e ela é consequência de outras variáveis que cabe ao investidor aposentado estimar.

      O que acham? Concordam? Discordam?

      Grande abraço

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    3. Sim, colega. Esse breve artigo de nem três páginas não quis fazer uma abordagem sobre risco de forma geral. Aliás, tal fato foi expressamente abordado logo no começo do texto. O objetivo do texto foi chamar atenção que há motivos para se considerar a volatilidade como um risco.
      É verdade, mas há uma probabilidade bem grande da volatilidade do mercado brasileiro continuar a ser bem superior a volatilidade de um S$P500, por exemplo.
      É uma certeza absoluta? Não. É uma probabilidade grande? Sim.
      Um abs

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    4. Fala, Soul,

      vc colocou que: "Creio que a ideia dele é mostrar que retornos aritméticos idênticos podem gerar retornos geométricos diversos a depender da dispersão dos resultados."

      Na verdade, não tem nada a ver com a dispersão dos dados a relação entre as médias. Esta relação é velha conhecida pra quem é da área de exatas: https://pt.wikipedia.org/wiki/Desigualdade_das_m%C3%A9dias

      A MA é sempre maior ou igual a MG. Se não me engano, o caso da igualdade se dá qdo os números são iguais, mas não lembro agora com ctz.

      Mas, se o ponto foi esse blz, então seu artigo era pra falar sobre retornos e não sobre volatilidade. Acho que vc deu uma misturada nos temas.

      []s!

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    5. Investidor Nômade,

      sim, seu comentário está correto. O problema é que para prever a volatilidade futura, só com bola de cristal mesmo.

      Mas a parte interessante disso é vc não precisa saber o cenário futuro para fazer um bom GERENCIAMENTO DE RISCO da sua carteira. Este é o ponto chave que a maioria esmagadora dos investidores iniciantes não domina.

      []s!

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    6. Olá, Márcio. Grato pelo link.
      Bom, não sei se concordo necessariamente. O desvio padrão dos retornos nos casos A a E varia enormemente e isso ocasiona uma diminuição dos retornos. Como disse, isso pode ser intuitivo para quem tem formação em exatas, mas a esmagadora maioria dos investidores não tem essa formação.

      Sobre o seu segundo comentário,
      Sim, com certeza. O maior gerenciamento de risco, como o MAB FABER fala, é não se expor a ele em primeiro lugar. Quer risco bem menor, compre títulos suíços e americanos, mas diminua o potencial de retorno do portfólio. Aumente o risco do seu portfólio, aumente a expectativa de retorno dele. Alargue o seu horizonte e diminua o risco de ativos voláteis. Tente comprar o mercado inteiro, ao invés de ativos isolados, e elimine o seu risco não-sistêmico e principalmente os biases emocionais.
      Creio que tudo isso é bem conhecido na comunidade financeira.
      Abs

      obs: repito mais uma vez, quem disse isso não fui eu, e sim Ferri, Easterling, e vários outros doutrinadores estrangeiros, conforme links fornecidos.

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    7. Fala, Soul,

      a questão de vc, Ed ou o Papa concordarem ou não é irrelevante. A relação é matemática pura simples. Independente de ser intuitiva ou não (não acho que seja intuitiva).

      A média aritmética é SEMPRE maior ou igual à média geométrica.

      Repetindo: a discussão é sobre volatilidade ou sobre retorno? Pois se for sobre volatilidade, vc deveria ter apresentado fontes melhores. Se o seu objetivo é dar carteirada, fui lá ler o artigo em q vc se baseou e ele incorre no mesmo erro ao dizer que "how volatility impacts the growth of investment portfolios" usando médias para explicação. Isso não faz sentido nenhum, me desculpe.

      Se vc quer analisar como APENAS a volatilidade afeta seu patrimônio, então vc tem que traçar cenários de MESMO RETORNO e diferentes volatilidades (ceteris paribus).

      O próprio mercado americano mostra isso. As ações no longo prazo possuem muito maior volatilidade do que os treasures E possuem retorno maior.

      A tabela apresentada mostra exemplos enviesados: são exemplos onde quanto maior a volatilidade, menor o retorno.

      O que vale ser dito é: "Não podemos usar média aritmética pra prever retornos e sim a média geométrica."

      A palavra volatilidade nem aparece nessa frase, rsrsrsrs

      []s!

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    8. Márcio,
      "O próprio mercado americano mostra isso. As ações no longo prazo possuem muito maior volatilidade do que os treasures E possuem retorno maior."
      Sim, correto.

      "A tabela apresentada mostra exemplos enviesados: são exemplos onde quanto maior a volatilidade, menor o retorno."
      Exato.

      "A média aritmética é SEMPRE maior ou igual à média geométrica."
      Mais uma vez você está certo.


      "a questão de vc, Ed ou o Papa concordarem ou não é irrelevante. A relação é matemática pura simples. Independente de ser intuitiva ou não (não acho que seja intuitiva)."
      Também é verdade, não o falei como intuito de argumento de autoridade.

      "Se o seu objetivo é dar carteirada,"
      Carteirada é um pouco demais, mas ok, deixo passar essa.

      "how volatility impacts the growth of investment portfolios" usando médias para explicação. Isso não faz sentido nenhum, me desculpe."
      Sua opinião, não creio que ela esteja correta. E os exemplos da imagem são claros. O que você quer dizer é que ativos com maior volatilidade podem possuir expectativas de retornos diferentes, muitas vezes maiores, bem maiores do que ativos menos voláteis.
      Certo, sem problemas aqui.

      Para não criarmos mais uma discussão que liga o nada ao lugar algum, qual é exatamente o seu ponto?
      a) Ativos com o mesmo RA terão RGeométricos diversos a depender da variação dos retornos no período. Você é engenheiro, isso é trivial para você, ótimo, parabéns.
      b) Ativos com volatilidade diversas podem ter retornos esperados diversos. Ótimo, ninguém discutiu isso.
      c) Volatilidade pode ser um enorme risco para patrimônios de retirada que foi o maior ponto do artigo.
      d) Há outras formas para se medir o risco que não apenas a volatilidade. Perfeito, em nenhum momento foi dito o diverso.

      Se você tiver algo objetivo e concreto a adicionar, fique à vontade. Se não, agradeço a conversa.

      Abs

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    9. E Márcio, e aqui sem intuito de ser um ad hominem, ou provocação.
      Quase todos os doutrinadores famosos de livros escritos em língua inglesa, você já disse que estão errados. Isso não é trivial. Se esse tipo de conhecimento errôneo nem chega no Brasil, imagina alguém que possa traduzir essas ideias de uma maneira correta.
      Creio que há um grande potencial para os seus escritos, inclusive como estratégias para manejar o risco, que fujam de diversificação intra-extra classe, e carregar renda fixa sem duration. Eu mesmo gostaria de ler artigos assim escritos em português.

      Abs

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    10. a arrogância desse Márcio é insuportável, isso sem falar na estupidez técnica que ele sempre demonstra. se atém a pontos irrelevantes e deixa escapar o que realmente importa.

      Soul, obrigado por mais uma aula de humildade.

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    11. Soul,

      é impossível eu ser mais objetivo. Repetindo: vc se propôs a falar sobre a volatilidade como risco e apresentou dados sobre RETORNO (e não sobre volatilidade)

      Mais objetivo que isso impossível.

      Sobre os "doutrinadores".... rs... Bastter é um puta doutrinador aqui no Brasil, amplamente conhecido dentro da esfera de investidores iniciantes (e bem desconhecido entre os profissionais, diga-se de passagem, rs)

      Os gráficos apresentados apenas mostram que não devemos raciocinar em termos de média aritmética e sim em termos de média geométrica. E isso não tem absolutamente nada a ver com a volatilidade.

      Isto está intimamente ligado ao fato de que o retorno de um ativo é dado pelo seu produtório de (1+i) por período.
      É o mesmo produtório que parece numa média geométrica.

      E sendo mais uma vez objetivo: se vc quisesse falar sobre como a volatilidade se apresenta como risco, deveria ter focado na análise do desvio padrão, sacou? Por isso eu disse q vc está misturando os temas...

      Vc se baseou numa fonte onde o cara faz a mesma confusão. Perceba, inclusve, que foi um termo INVENTADO por ele:
      "The term ‘Volatility Gremlins’ was coined by Ed Easterling of Crestmont Research to describe how volatility impacts the growth of investment portfolios."

      E mais a frente coloca:

      "Volatility Gremlins work by tricking you into thinking average returns are the same as compound returns."

      Mas o Volatility Gremlins que ele cunhou o nome não é nada mais do que o velho e conhecido problema da Desigualdade das Médias. Vc está simplesmente usando a média errada. Ponto final, não tem nada a ver com a dispersão dos dados ou não.

      Bom, em matemática a gente precisa apresentar apenas um contra-exemplo pra derruba uma teoria. Sua teoria é:

      "O desvio padrão dos retornos nos casos A a E varia enormemente e isso ocasiona uma diminuição dos retornos." deixando a entender que qto maior o desvio, menores os retornos.

      Então segue o Case G:
      Year 1 - 5%
      year 2 - 5%
      Year 3 - 50%

      Apresenta a maior volatilidade do que qualquer exemplo na sua tabela e retorno superior a todos elas tb.

      Pronto, contra-exemplo dado, hipótese refutada.

      []s!

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    12. ""O desvio padrão dos retornos nos casos A a E varia enormemente e isso ocasiona uma diminuição dos retornos." deixando a entender que qto maior o desvio, menores os retornos."

      Não, isso são palavras suas. Os exemplos mostram claramente médias aritiméticas idênticas, mas com desvio padrão diversos. O seu exemplo apresenta uma média muito maior, logo é evidente que o retorno geométrico será maior. Parece que quer criar um espantalho, mas enfim, o seu ponto já foi entendido e abordado.
      Sobre "doutrinadores" não creio que o Ed Easterling mereça aspas, mas enfim. Foi como aquela discussão uma vez que você disse que um ETF que compra dívida é renda variável, o "doutrinador" Jack Bogle pensa diferente, por exemplo.
      Por isso que disse que você deveria abordar mais esses temas, demonstrando de forma objetiva o motivo desse pessoal todo Ferri, Bogle, Easterling, etc, estarem errados, seria uma bela contribuição.
      Abs

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  11. Soul e demais colegas, vou colocar mais um ponto aqui: toda discussão sobre volatilidade e retornos refere-se ao passado, até porque não temos bola de cristal para prever o futuro. É razoável extrapolar o passado para o futuro? Existem estudos comprovando que a volatilidade (medida por exemplo pelo desvio padrão) tende a se manter razoavelmente constante para diferentes classes de ativos em longos intervalos de tempo? De preferência estudos em que os autores não só tenham realizado procedimentos econométricos, mas que tenham tambem chegado a uma explicação perfeitamente lógica, em palavras, do porquê essa extrapolação faz sentido. Grande abraço

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    1. Olá, Investidor.
      Veja, colega, a resposta para o seu questionamento é não.
      O futuro necessariamente não será parecido com o passado. Porém, a única forma de se tentar entender alguns conceitos, ou testar algumas ideias, é olhando para o passado. Isso não vai te trazer certeza de nada, mas pode ser um instrumento poderoso para se tentar entender algumas coisas.
      As correlações sempre estão mudando, isso é outro fato, mas certas correlações, apesar de cambiantes, tendem a ter uma certa tendência (como por exemplo IBOV e dólar).
      Explicação lógica? O Ed Easterling dá uma explicação fenomenal sobre mercados nos seus seis vídeos de três horas disponíveis no link que deixei. Não é nada com precisão "matemática científica", mas é um instrumental para entender algumas coisas sobre mercados financeiros.
      Um abs

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  12. Grande Soul.

    Grato pela gentileza habitual através do comentário elogioso mais acima. Bom, como você mesmo disse, o conceito de risco é complicadíssimo por ter várias conotações, o que acaba dificultando bastante sua compreensão. Quando você diz que volatilidade é risco pelos motivos expostos no seu artigo, eu invariavelmente tenho de concordar; porém, também existem casos onde você provavelmente concordaria comigo que não.

    Em primeiro lugar, concordamos que, dentro de condições normais, uma menor volatilidade é desejável para qualquer portfólio. Existem alguns dados que chegam a conclusão de que ativos mais voláteis tendem a performar de forma inferior no longo prazo, inclusive existindo estratégias com alto sharpe-ratio histórico operando na via contrária, ou seja, alavancando baixas volatilidades (observação: nunca é demais lembrar que nem toda volatilidade é igual). A tabela do seu artigo (e eu usei uma idêntica recentemente retirada do livro do Ferri) ilustra bem os efeitos da volatilidade no retorno composto de um portfólio.

    Para mim, o ponto chave da compreensão da volatilidade como fator de risco se deve a necessidade de resgate de parte do portfólio. Em portfólios de retirada, o risco da sequência de retorno é real e a volatilidade realmente é o maior fator de risco. Em portfólios de acumulação, onde não existe uma necessidade de resgate no médio-longo prazo, não vejo a volatilidade como fator predominante na mensuração do risco. E isso se agrava quando vamos analisar a compra de ativos para o longo prazo, onde projetamos seus retornos e sua chance de perda/colapso. Neste cenário, acho a volatilidade pouquíssimo útil, e isso vale tanto para ações, títulos ou imóveis, onde temos lucros futuros, inflação, juros etc. como fatores mais importantes.

    Mas é aquela coisa: uma empresa está com baixo P/L porque é mais arriscada ou porque possui expectativa de retorno inferior? Sempre haverá as duas interpretações, e ambas podem estar certas.

    Abraços!

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    1. Olá, Pretenso Milionário!
      Agradeço o seu belo comentário. Estou de acordo. Talvez o meu texto, até por ter sido mais curto, poderia ter enfatizado mais o risco associado ao portfólio de retirada.
      No mais, sim, se uma volatilidade maior vier acompanhada de uma expectativa de retorno maior (nem sempre é o caso, basta analisar o comportamento do ouro), o que é o caso em muitos ativos, então num portfólio de acumulação vale a pena se expor a esse risco, sem sombras de dúvida.
      Abs

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