domingo, 26 de julho de 2015

HERANÇA E A INCONGRUÊNCIA DE ALGUNS ARGUMENTOS

  Olá, colegas! Espero que esteja tudo certo com todos. Estou começando a escrever este artigo na bacana cidade de Hervey Bay. O local é muito especial por dois motivos. O primeiro deles é que a região é um ponto de descanso para milhares de baleias, ao todo entre 15 mil a 20 mil baleias passam pela costa de Hervey Bay entre o final de julho e começo de outubro, um dos pouquíssimos lugares do mundo onde isso ocorre. Ao chegar na cidade, tive a oportunidade de avistar algumas baleias. O segundo motivo é ser a porta de entrada para a famosa Fraser Island. Marquei um tour de três dias e duas noites. Geralmente, o custo gira em torno de 500 dólares, mas consegui por meio de um site chamado bookme o preço de 250 dólares, o que é bem razoável. Irei pilotar um 4x4 no meio de dunas, praias e lagos, seguindo um 4x4 de um guia com experiência. Creio que será uma experiência fantástica. Falando em experiências extraordinárias, os últimos três dias foram demais. Não estava no roteiro, mas resolvi fazer um desvio de “apenas” 900km e visitar dois parques nacionais quase perto do outback australiano. O primeiro foi especial, só havia eu e a Sra. Soulsurfer num parque nacional belíssimo. Uma estrada sinuosa, cheia de buracos, de terra e com declives para dormirmos literalmente no meio da floresta. O outro parque foi algo surreal. Fiz uma trilha de 25km, a maior da minha vida em único dia, e foi simplesmente inacreditável. Estou com vontade de escrever sobre essas experiências, mesmo que não seja do interesse da maioria dos leitores desse blog, mas resolvi dissertar sobre algum tema diferente de viagens. O assunto escolhido foi herança.

  Abordarei o tema  sobre uma perspectiva não muito usual, talvez seja a primeira vez que muitas pessoas pensem ou reflitam a respeito com esse viés. Se este for o caso, creio que a função do artigo, se é que um artigo desse blog precisa ter alguma finalidade - eu creio que não - , terá sido atingida. Na verdade, irei falar sobre o tema mais precisamente apontando a incongruência de alguns argumentos. Vejam, estimados leitores, não há nada pior para uma argumentação do que a incoerência. Numa discussão séria, quando uma incongruência é mostrada, a discussão acaba. Eu fico muito surpreso quando, mesmo com as eventuais contradições do discurso apontadas, a conversa ainda continua. Isso não tem nenhuma lógica, e não é nem um pouco racional. Quando digo que a discussão acaba, obviamente não é do tipo “ah, não leio mais sobre isso” ou “ah, você pensa diferente de mim, você na verdade é isso (colocar qualquer rótulo)” ou argumento do tipo Katchanga "sua opinião é muito rasa e superficial". Não, a discussão acaba, pois quando um discurso cai em contradição, ele soçobra, ele simplesmente desmorona e querer salvá-lo não faz sentido. É verdade que um eventual debatedor pode não reconhecer a contradição, e obviamente isso também é legítimo, desde que seja apoiado em argumentos, não em discursos emocionais.

   Pois bem. Feita a pequena digressão do parágrafo anterior, posso iniciar o tema do artigo. Quando se fala em herança, o senso comum, ou a imagem que vem na cabeça, é muito provavelmente a herança individual, quase sempre algum(ns) imóveis. Não é uma imagem errada. O que é a herança senão a passagem do capital acumulado de uma geração para a próxima. Já escrevi sobre o tema, mas não custa relembrar alguns conceitos básicos.

   Basicamente, um indivíduo pode ter renda do seu trabalho ou renda de capital. Para se ter renda de capital, é necessário possuí-lo. A afirmação é quase tautológica, mas é crucial para entendermos alguns fenômenos. A independência financeira almejada por muitos blogueiros ou não, nada mais é a situação onde uma renda proveniente de um capital previamente acumulado seja suficiente para manter um determinado padrão de vida. Logo, a pessoa nessa situação não precisa de renda do seu trabalho, ela, se assim o quiser, pode manter-se apenas com a renda do seu capital. Como se pode conseguir capital? Colegas, só há duas maneiras: por meio da poupança de uma parte da renda do salário ou recebendo o capital acumulado por alguma outra pessoa. A herança nada mais é do que um exemplo do segundo caso. Num caso mais corriqueiro, por exemplo, um filho recebe uma casa - que nada mais é do que capital acumulado na forma de imóvel - do seu pai falecido. Assim, o filho agora possui capital acumulado e pode usufruir renda desse ativo, no caso por meio de aluguéis, ou se for do seu desejo simplesmente vender a casa e gastar o patrimônio herdado.

   Qual é o mérito do filho que herdou essa casa? Muito provavelmente nenhum. Falo provavelmente, pois às vezes o filho pode ter ajudado o pai de alguma maneira a adquirir esse bem. Entretanto, na maioria dos casos, não há mérito algum, os herdeiros apenas recebem um capital acumulado às custas do esforço dos outros, nesse caso a geração anterior. Por causa desse motivo, muitas pessoas bradam e dizem: “ Eu prosperei pelas minhas próprias forças, sou um vencedor, não herdei nada de ninguém. Aliás, a herança é um mal, o que importa é a herança ‘educacional’".  Certo, prossigo com o raciocínio.

   Qual é o mérito de um dinamarquês ter nascido na Dinamarca? “ Como assim, Soul?”  Não entendi o ponto” alguém pode pensar. Repito a pergunta: Qual é o mérito de um dinamarquês ter nascido na Dinamarca? A resposta só pode ser nenhum mérito. O motivo da pergunta ficará mais claro no decorrer do artigo.

    O que torna uma pessoa rica? Quem me conhece, nem que seja apenas pelos artigos do blog, pode muito bem imaginar que a verdadeira riqueza para mim não se mede com bens materiais. As verdadeiras relações humanas não são construídas e mantidas por meio de dinheiro, na verdade ele é um dificultador , mas por outras coisas. Entretanto aqui irei usar o termo riqueza no sentido apenas financeiro. Uma pessoa é rica em função do seu patrimônio acumulado, seja por meio de poupança, seja herdado.  E o que torna um país rico?  A resposta para a questão é a mesma da resposta para os indivíduos: capital acumulado Se a questão o que torna uma pessoa rica é mais comum, a pergunta sobre os países é mais infrequente.

   Muitas pessoas, de maneira incorreta é claro, tendem, nem que seja por processos mentais involuntários, a pensar que os países ricos são ricos desde sempre. A Dinamarca sempre foi uma ilha de prosperidade, e na Nova Zelândia sempre se viveu bem. É como se a riqueza acumulada tivesse brotado. Não foi assim que aconteceu. O capital de um país não se acumulou da noite para o dia. Gerações precisaram construir com “sangue, suor e lágrima”  na forma de poupança o capital acumulado do país.

   Se você visitar um site da internet como o Instituto Mises Brasil, irá ver inúmeros artigos falando que os sindicatos do final do século 19 e começo do século 20 não tiveram qualquer participação na melhora de vida dos trabalhadores. Lá naquele espaço virtual, geralmente de forma virulenta, costuma-se dizer que “quem acha que a vida no século 19 era igual a vida dos confortos e comodidades do século 21, não passa de um ignorante”. E qual é a principal diferença entre a vida de 150 anos e agora? Segundo os coordenadores do próprio site a principal diferença é o capital acumulado. Concordo que essa é uma grande diferença, e que a vida de hoje é muito mais fácil do que a de outrora, porém ir ao extremo de negar conquistas de movimentos organizados parece-me não se sustentar. Porém, esse não é o foco aqui, o que quero chamar atenção, é que até para uma ala de pensamento mais “extrema” de pensamento econômico a geração atual só pode ter uma vida melhor pelo acúmulo de capital das gerações anteriores.

   E o capital acumulado pode ser de várias formas. Pode ser o capital humano da alta educação passada de uma geração para a outra. Pode ser o “capital" de instituições sólidas. Muitos falam do Brasil e de suas instituições, mas eu me pergunto se essas pessoas algum dia refletiram sobre o que muitos países desenvolvidos passaram para chegarem no estágio atual. O preço que gerações inteiras pagaram com muito sofrimento, algo que nem remotamente aconteceu no Brasil. Na Europa, duas guerras devastaram o continente, e as cicatrizes desses conflitos podem ser vistas até hoje, mesmo com quase 70 anos do fim da segunda guerra mundial.  Talvez não se reflita que a revolução francesa, que nada mais foi uma revolução para a obtenção de direitos humanos, data de 1789. Portanto, as instituições de muitos países foram obrigadas a evoluir depois de muito sofrimento, doação e bravura de muitas gerações. Assim, um Francês que nasce hoje, um Australiano que possui 20 anos, recebeu um país rico, sem fazer absolutamente nada para tal, ele apenas nasceu no local correto na hora certa.

  Talvez a pergunta sobre o Dinamarquês comece a fazer mais sentido agora. Um Dinamarquês de 20 anos não possui qualquer mérito em ter nascido num país com um capital, sobre as diversas formas, acumulado tão grande. E qual é a consequência disso. Comparemos com um jovem de 20 anos nascido na Somália. Em média, o jovem Dinamarquês viverá muito mais, será muito mais rico, terá uma educação formal infinitamente superior, provavelmente falará mais de uma língua, se comparado com o jovem Somali. Falo em média, pois obviamente sempre poderá ter as exceções, mas a média , nesse caso específico, nada mais é o que acontece com a maioria das pessoas. Ignorar os dados, por causa de alguma história individual, não faz o menor sentido e apenas atrapalha num correto entendimento sobre a realidade.

  Imagine colocar um jovem médio Dinamarquês ao lado de um jovem Somali. Aos olhos de uma sociedade (e eu fico assustado como tantas pessoas podem se apequenar tanto e considerar sucesso financeiro como sinônimo de sucesso humano, escreverei um artigo especificamente sobre isso) onde o sucesso material representa quase tudo, fica claro que o europeu parecerá um vencedor, e o africano um perdedor. Porém, qual é o mérito do Dinamarquês nisso tudo? E qual é a culpa do Somali nisso? Evidentemente, não ha mérito, nem culpa, o mundo é apenas assim. Uns tem sorte de ter nascido em países com grande acúmulo de capital na época certa (e não há 200-250 anos), outros, muitos outros diga-se de passagem, tiveram o azar de nascer em países com quase nenhum capital acumulado.

   Fica evidente que ninguém prospera sozinho. Ninguém é o vencedor solitário da sua própria vida. Um dos homens mais brilhantes de todos os tempos (ao lado de Einstein em minha opinião), disse certa vez, ao ser congratulado por suas teorias, que ele nada mais tinha feito que “se apoiado no ombro de gigantes” - foi Isaac Newton que proferiu essas palavras. Uma das maiores mentes de todos os tempos  foi humilde o bastante para reconhecer que sem gerações anteriores, sem o conhecimento anterior acumulado, muito provavelmente não seria possível para ele chegar nas conclusões cientificas sobre gravitação, cálculo, etc. No meu primeiro artigo sobre a Austrália, destaquei expressamente uma frase de uma placa num memorial da segunda guerra que dizia: “Nós estamos aqui hoje, devido aos lugares em que estivemos ontem”. Destarte, os australianos de hoje apenas tem uma boa vida, pelo esforço das gerações anteriores, seja acumulando patrimônio, seja entregando a própria vida em conflitos sangrentos.

    Assim, o simples fato de você ter entre 20-40 anos e ter nascido no Brasil já o coloca numa posição de superioridade de quase mais do que a metade da população humana.  Se você teve sempre um teto e comida na mesa, independente de sua origem, então a sua situação com certeza foi muito mais privilegiada do que a maioria dos seres humanos. E você não tem qualquer mérito nisso. Não acredita? Imagine, faça um esforço, como seria a sua vida, se ao invés de ter nascido em São Paulo ou no Rio de Janeiro, ou em qualquer outra cidade brasileira, você tivesse nascido em algum campo de refugiados em algum país esquecido da África. Sua mãe estuprada por cinquenta soldados rebeldes de uma só vez, quatro dos seus cinco irmãos assassinados. A sua expectativa média de vida de dezenas de anos a menos do que um europeu de um país desenvolvido. Não há educação, não há empregos, há apenas desespero. Imaginou-se nessa vida? Não se importa com isso, pois não lhe diz respeito? Talvez não diga, o que é uma atitude triste em minha opinião, mas saiba que você é privilegiado de ter nascido num país de renda média como o Brasil, com instituições relativamente estáveis nas últimas décadas. Você não possui qualquer mérito nisso, bilhões de seres humanos serão mais pobres do que você (eu disse bilhões, não milhões), viverão em média menos do que você, terão muito menos educação formal do que você, e você não possui qualquer mérito nisso.

   A incongruência maior de pessoas que repudiam a herança no nível individual é quando as mesmas admiram e buscam  morar em países com uma patrimônio acumulado gigantesco de gerações anteriores.  Ora, se uma pessoa despreza a herança em nível individual, uma atitude plenamente justificável, cai numa contradição enorme ao querer desfrutar a riqueza acumulada por gerações que nem mesmo lhe dizem respeito. Um jovem australiano de 20 anos pode ter tido um avô que faleceu na segunda guerra mundial o que pode ter causado um trauma no seu pai que pode ter sido passado para ele na forma de uma infância não tão feliz, ou pode ter tido um pai que poupou bastante e ajudou o país a prosperar, ou seja, pode ter algum vínculo, nem que de forma indireta, com as privações necessárias para a construção de riqueza financeira e institucional. Um brasileiro que queira morar na Austrália, com quase toda certeza, não possui qualquer elo, nem de forma indireta, com as gerações australianas anteriores. Ou seja, a pessoa irá usufruir o bem-estar geral de uma sociedade sem ter qualquer mérito ou participação nisso. 

   Faria muito mais sentido, e seria muito mais lógico, se uma pessoa que despreza a herança no nível individual fosse para países como Somália, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Yemen, ou seja, países com quase nenhum capital acumulado em nenhuma das formas. Lá, elas poderiam exercer o “mérito” próprio em toda plenitude, sem qualquer apropriação do capital acumulado de gerações anteriores. Bradar com toda força que não é um herdeiro individual, mas querer ser um herdeiro da riqueza alheia de outros países não possui qualquer coerência.

  “Mas, Soul, e a riqueza passada a nível individual, não há nenhum mérito nisso”, claro que não colega, como expressamente dito por mim nos primeiros parágrafos. Não há qualquer mérito em receber uma herança substanciosa. Receber um grande capital acumulado de uma geração anterior obviamente desequilibra o jogo. Imagine então receber uma herança individual e ainda nascer num país como a Alemanha? Alguém realmente acha que há qualquer mérito numa disputa assim? É evidente que não. Tanto é verdade, e aqui cito mais uma vez o IMB, que mesmo a ala libertária de pensamento econômico não fala em mérito em conquistas financeiras, mas sim em geração de valor , uma ideia que para mim tem os seus furos e posso abordar qualquer horas dessas em algum artigo, mas com certeza é muito mais forte do ponto de vista argumentativo do que a simples ideia de mérito.  A própria noção de mérito é supervalorizada, e se eu trazer à tona estudos na área de neurociência, o que para mim é vital em qualquer discussão minimamente séria sobre comportamento humano, isso é ainda mais evidente. A vida em sociedade humana na maioria das vezes nada mais é do que uma sucessão de atos aleatórios sobre os quais os indivíduos tem pouco ou nenhum controle. É basicamente sorte ou azar. Há tantos filmes e livros que tratam sobre essa temática nas mais variadas formas, que fica difícil enumerar. Porém, cito o ótimo livro escrito pelo físico Leonardo Mlodinov (há ótimos livros dele como "A Janela de Euclides") chamado  “O andar do Bêbado - Como o acaso determina nossas vidas”. É um livro simples e fácil de ler e muito interessante. 

Um ótimo livro. Se quer ler novos livros, não leia livros que apenas corroboram o que você pensa. Sempre irei bater nessa tecla. Desafie o seu sistema 2, e amplie o seu horizonte racional e cognitivo.

   Há um video muito interessante de uma entrevista onde o economista Milton Friedman responde a uma pergunta sobre mérito ou não de herdeiros e se a herança não deveria ser brutalmente taxada. A resposta dele foi mais ou menos no sentido de que um dos maiores incentivos de uma geração é construir uma vida melhor para a geração posterior e que um imposto alto sobre a herança iria simplesmente destruir essa lógica, fazendo com a geração atual simplesmente não se desse mais ao trabalho de poupar e entregando-se ao consumo conspícuo. O homem que disse que “a única função social de uma empresa é gerar lucro” raciocinou de que cada geração deve deixar a vida da geração posterior melhor. Nesse ponto, eu concordo inteiramente com ele. A geração atual tem obrigação de deixar o mundo de um jeito pelo menos igual, de preferência melhor para gerações futuras. Infelizmente, não é o que provavelmente vai ocorrer, mas aqui já entro na seara de um tema que chama muito minha atenção que é a insustentabilidade da forma atual de consumirmos e nos organizarmos economicamente, o que não é o tema desse artigo.

   Portanto, recapitulando e me encaminho para o final do artigo. Não há qualquer mérito em receber capital acumulado de uma outra geração, seja na forma individual, seja na forma coletiva nas mais diversas formas de capital. Não há qualquer problema lógico ou filosófico de se desprezar a herança individual, desde que a pessoa queira emigrar para o Sudão do Sul, não para a Alemanha ou outros países de grande capital acumulado por gerações anteriores.  Caso não queira emigrar, para a posição continuar coerente, a pessoa deveria advogar que todo o capital acumulado anterior do país onde vive, por exemplo, fosse destruído, pois não há mérito em receber pontes, estradas, aeroportos, ativos que vieram do acúmulo de gerações passadas. Um dos maiores representantes dos economistas libertários acredita que um dos principais incentivos  da geração atual é proporcionar uma vida melhor para gerações futuras. Não, você não é um triunfante vencedor solitário que venceu por méritos exclusivamente próprios num mundo caótico, muito provavelmente você teve sorte de nascer em um país não devastado, com capital médio acumulado e com instituições minimamente estáveis. 

  Por fim, o exemplo de emigração não foi tendo ninguém em vista. Primeiramente, porque sei que muitos que escrevem, ou leem sobre finanças, possuem o desejo legítimo de emigrar. Em segundo lugar, porque eu não faço a mínima ideia do que as mais variadas pessoas pensam sobre herança. Agora, se alguém por ventura despreza a herança individual, e quer emigrar para países com grande capital acumulado, fica a reflexão sobre a incoerência da postura. Por último, antes que venham os usuais comentários agressivos com falácias ad hominem, respondo que muito provavelmente serei um herdeiro individual. Tive sorte de nascer numa família onde houve acúmulo de capital, seja financeiro, seja educacional, seja ético. Sou um privilegiado e não tenho qualquer mérito nisso, tive apenas sorte de nascer nessa família. Entretanto, minha IF não depende disso, e meus cálculos quase nunca levam isso em consideração. Se eu for considerar o que provavelmente num futuro venha a herdar ou receber como doação , caso todo o capital acumulado seja passado ainda em vida, a IF de filhos que ainda nem tenho estaria assegurada.  Aliás, é assim que eu vejo. Caso eu tenha filhos, e eles venham a crescer e a se desenvolver com fortes princípios éticos, pretendo apenas ser um fiel depositário de todo o capital acumulado ganho por mim, ou simplesmente recebido das gerações anteriores da família.

   É isso, não sei se conseguirei postar o artigo antes de ir para a Fraser Island. Espero que eu tenha uma grande experiência, assim como espero que todos tenham uma ótima semana.

obs: só consegui publicar o artigo agora.  A Fraser Island é um local único no mundo. Foi muito especial mesmo a experiência, fora as pessoas excepcionais que eu conheci no passeio. Show de bola mesmo.

  Grande abraço!


37 comentários:

  1. Excelente Soul Surfer, mais um excelente artigo.
    Falando um pouco de Brasil, qual sua opinião em relação a nossa prosperidade a longo prazo, você acha vamos conseguir gerar valor para ajudar as próximas gerações?

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    1. Obrigado, colega.
      Olha, é uma pergunta difícil de ser respondida.
      Sobre o ponto de vista financeiro, eu creio que o Brasil muito provavelmente irá se tornar mais rico. A diferença de renda per capta é muito grande em relação aos países desenvolvidos. Além do mais, há uma tendência natural do capital migrar para países com menos capital acumulado, caso do Brasil, em busca de maiores rentabilidades, principalmente para que a aposentadoria dos baby boomers seja de alguma maneira sustentável.

      Por outro lado, creio que as sementes plantadas no Brasil são muito ruins. Estamos, já somos na verdade, um país extremamente violento nas mais comezinhas relações, basta ver o nível de agressividade no dia a dia das cidades brasileiras.

      Portanto, creio que sim as gerações futuras do Brasil talvez tenham vida melhor do que a geração atual. O meu grande receio é do ponto de vista da sustentabilidade ambiental do nosso arranjo atual, mas isso fica como tema para um próximo artigo.

      Abraço!

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  2. Herdar é parte inerente de viver. Desprezar uma herança significa desperdiçar uma oportunidade de desenvolvimento, seja este financeiro ou intelectual. Além disso, somos todos herdeiros indiretos de tantas coisas que muitas vezes nem enxergamos. A vida é do jeito que é, e heranças sempre farão parte de nossa existência.

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    1. Concordo. Algum dia li um artigo de algum blog e leitores negros se manifestaram.
      Bom, há 150 anos o status jurídico de um negro era o mesmo de uma cadeira, era considerado uma "coisa", tanto que um negro escravo era possuído por alguém.
      Demorou centenas de anos para a Igreja católica aceitar que os Índios tinham almas como os Brancos.

      Foram necessários muitos negros, índios e brancos corajosos, muitos pagando com a própria vida, para que hoje todos sejam vistos por aquilo que são: seres humanos dotados de direitos e dignidade humana. Ou seja, os negros de hoje são herdeiros diretos ou indiretos da luta e sofrimento de inúmeras gerações.

      Logo, o seu comentário é pertinente em minha opinião. Não quis dar esse foco no artigo para focar mais na parte financeira de acumulação de riqueza.

      Abs

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    2. "Ou seja, os negros de hoje são herdeiros diretos ou indiretos da luta e sofrimento de inúmeras gerações."

      Logo os negros de hj são sortudos e não merecessem o mérito de nascer livres e teriam que brigar também, não é mesmo?

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    3. Só como anônimo mesmo para escrever um comentário assim, inacreditável mesmo. As linhas não citadas por você do meu comentário: "Foram necessários muitos negros, índios e brancos corajosos, muitos pagando com a própria vida, para que hoje todos sejam vistos por aquilo que são: seres humanos dotados de direitos e dignidade humana".

      Se você se identificasse será que colocaria um comentário tão fraco desse? Eu duvido.

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  3. Corrija-me se eu estiver errado. É uma linha de pensamento achar que o que é taxado seria um tributo pago ao país por mazelas passadas e que se reverteram em acúmulos de benefícios quando do nascimento de determinada pessoa? Ou seja, paga-se muito na Alemanha na transmissão de herança por todo o sofrimento de gerações passadas revertidas em benefícios hoje.

    Ok, é um ponto. Mas os EUA sofreram tantas mazelas assim no passado? Não!

    Pois bem, mais : o imposto deveria ser proporcionalmente maior nos países que oferecem hoje mais benefícios?

    Por fim, é notório como as grandes riquezas não sofrem a mesma taxação que a das pessoas médias. Os ricos criam holdings, criam SA etc e se defendem da sede do governo, mantendo seus filhos com o patrimônio intacto.

    São apenas contra-pontos. Entendi seu ponto de vista mas tenho visão distinta, permita-me dizer. Creio ser legítimo num país que recebe mais de um trilhao ao ano de impostos e nada reverte em educação, segurança ou saúde que um pai tenha objetivo de se matar de trabalhar pra ver seus filhos com uma vida melhor.

    Abraço meu amigo, boa viagem, curta bastante e nos presenteie com seus textos. É muito bom, mas possivelmente só são factíveis hoje pelo trabalho árduo de sua família em gerações anteriores!

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    1. Olá, Guardião!
      O seu primeiro ponto sobre herança e taxação eu realmente não entendi. Se você o aclarasse mais, ficaria grato.

      O seu outro ponto foi sobre quem realmente paga a tributação. Não foi muito o foco desse artigo falar sobre isso. Porém, creio que no meu artigo sobre tributação, eu lhe disse que creio que a tributação sobre patrimônio e renda é mais eficiente e justa. A sua colocação foi sobre quem de fato paga os tributos. Isso é uma questão de legislação, não de princípio. Espero que entenda a diferença. Num ponto discutimos sobre quem deve arcar com os custos de manutenção do Estado, no ponto levado por você falamos sobre eventuais gaps na legislação (e eles existem aos montes).

      A sua colocação sobre ser legítimo um pai querer deixar uma vida melhor para o filho ser verdadeiro em qualquer lugar do mundo. É exatamente o que eu vejo no Vietnã, no Brasil, na Austrália, etc. Assim, não entendi especialmente qual é o ponto de discordância em relação ao texto. Você não compactua da ideia do Friedman? Não crê em herança coletiva? Não vê relação entre a herança individual e coletiva? Enfim, fiquei sem entender a divergência:)

      Não tenho a menor dúvida, e já deixei isso claro muitas vezes. Não do ponto de vista financeiro de ter dinheiro para viajar, pois sempre ganhei dinheiro como deixei claro no meu artigo sobre a minha história financeira. Porém, com certeza a minha vida é fruto do trabalho árduo de gerações anteriores, nisso não tenho a menor dúvida. A vida da minha mãe foi melhor do que a da minha Avó e espero que a vida do meu filho seja melhor do que a minha.

      Abraço!

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    2. Herança é mais um ótimo motivo pra não ter filhos, tão mais fácil gastar tudo em vida e não ter essas preocupações.

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  4. Bacana seu post, Soul.

    É interessante saber quer algumas pessoas pensam diferente sobre finanças e veem as coisas de outro modo.

    Infelizmente, no Brasil é preciso considerar a guerra política que prejudica tudo e todos. Os congressistas não fazem o que seria mais benéfico para a maioria da população, eles agem de maneira a aumentar seu capital político. Nos dois lados do espectro ideológico há motivações eleitoreiras.

    Outro ponto não falado é a questão da paternidade responsável. Não parece ser bom senso que uma mendiga tenha cinco ou mais filhos. Não parece bom para o país, para a mãe e muito menos para as crianças.


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    1. Olá, colega. Grato.
      Sim, pretendo falar sobre capital político, política e situação atual do Brasil em algum próximo artigo.
      Concordo com este seu ponto.

      Sobre índice de natalidade, a melhor forma de diminuir índices altos é por meio do "empodeiramento" feminino. Uma forma extremamente eficaz é por meio do acesso de meninas à educação formal. É por isso que admiro tanto uma ONG muito bacana chamada "Room to Read" (você pode ler sobre a história da ONG e do seu fundador no interessante livro "Sai da Microsoft para mudar o mundo". Outros meios eficazes são a diminuição da mortalidade infantil e urbanização (esse tema é muito bem tratado no ótimo livro "O fim da pobreza").

      Não é à toa que o índice de natalidade caiu no Brasil, já que houve uma melhora significativa no índice de mortalidade infantil, a mulher assumiu um papel muito mais relevante na sociedade (na época de casada da minha mãe, havia o estatuto da mulher casada, a mulher era considerada juridicamente relativamente incapaz) e os índices de acesso a educação formal aumentaram bastante.


      Abs

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    2. Por incrível que possa parecer, a Rede Globo colaborou com isso ao mostrar famílias com menos filhos. Esse fato influenciou a população menos escolarizada, mais pobre a ter menos filhos. Ao ver um exemplo na tela, a pessoa menos instruída tende a imitar.

      No livro Amores Líquidos, Zygmunt Bauman fala do declínio da natalidade no mundo desenvolvido, por causa das relações precárias que existem, os aumentos das taxas de divórcios, os casamentos sem filhos.

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    3. Eu tenho um ponto de vista um pouco diferente. Realmente a natalidade diminuiu no Brasil de uma forma geral. Mas pessoas em situação de vulnerabilidade social ainda tem mais filhos.
      Por outro lado o número de famílias desestruturadas vem aumentando ao meu ver, o número de mães solteiras é considerável, sem contar que muitas crianças são criadas por parentes geralmente (avós) ou ficam desde cedo em creches, isso acontece inclusive e muito em famílias de classe média e média alta.
      Quanto a queda de natalidade no mundo desenvolvido, acho que se deve a vários fatores: Relações interpessoais muito superficiais, os casais competem ao invés de compartilhar, muitos homens estão perdidos sem saber muito como se comportar diante de mulheres mais independentes economicamente, há a necessidade de uma formação escolar mais longa para ter maiores chances no mercado de trabalho que acaba adiando a maternidade/paternidade, muitas mulheres não querem abrir mão ou dar um tempo em objetivos profissionais, o excesso ou facilidade de relações casuais etc.

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    4. Olá, colega.
      Tudo o que citou sobre a queda da taxa de natalidade pode ser verdadeiro, muitos envolvem discussões que tocam na forma que estamos levando nossas vidas num mundo cada vez mais urbanizado, apressado e desenvolvido. Entretanto, todas elas estão ligadas à urbanização, educação feminina e queda da taxa de mortalidade infantil. Eu mesmo, na minha profissão, pude testemunhar a diferença entre urbanização ou não na natalidade. No campo, um filho é mais um par de braços para ajudar. Fiz diversas audiências onde a pessoa dizia ter 10-12 irmãos. Na cidade, o filho é um gasto, e cada vez maior. Tanto é verdade que eu calculo um gasto duas vezes maior com dois filhos, de um gasto sem filhos. Assim, a urbanização diminui a taxa de natalidade, pois simplesmente é muito caro ter um filho e dar condições apropriadas para o seu desenvolvimento num centro urbano.

      No mais, grato pelo comentário.

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  5. Muito boa reflexão.
    Já me detive a pensar sobre o mérito algumas vezes, e cheguei à conclusão de que ele não existe. A causalidade rege todas as coisas. Fortuna imperatrix mundi.
    Abraço!

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    1. Olá, Tarik.
      Grato pelo comentário.
      Eu não iria tão longe, ainda mais com os conceitos que se apreendem da física quântica, a própria relação de casualidade é colocada em teste.
      Há um mundo extraordinário e misterioso, se você tem interesse pelo tema, tente ler um pouco sobre emaranhamento quântico (Eistein morreu simplesmente não entendendo e acreditando nesse fenômeno, tanto que ele chamava de spook action).

      No mais, grato pelo comentário.

      Abraço!

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  6. "Fica evidente que ninguém prospera sozinho".

    Fica? Vc fala para ignorar casos individuais, mas existem MILHÕES de casos individuais de pessoas que cresceram com o próprio suor.

    Assim como existem MILHÕES de pessoas que herdaram grandes heranças ou ainda tiveram altíssimos salários durante a vida e terminaram mais pobres que alguém morando num cortiço em Salvador.

    Comparar o mérito entre locais tão distantes é estupidez. O mérito está no ponto de partida igual. Mas se este mérito existir, então, no futuro já haverá desigualdade entre os pares. Simplesmente nunca haverá igualdade. Tenta forçar a igualdade, destrói o incentivo ao mérito o que, provado belamente pelas catástrofes comunistas, faz com que a produção caia em queda livre. Afinal de contas, para que construir algo durante décadas, que só poderei aproveiter durante poucos anos e depois irá para alguém que pode ser uma pessoa da qual eu não daria nem uma bala?

    E mais: este movimento ocorre justamente por incompetência dos governos que não conseguem dar condições iguais e satisfatórias de ponto de partida para a população. O ser humano não vai ficar esperando: ele simplesmente corre atrás!

    Esse discursinho Dinamarca x Somália, puta quiu pariu. África foi o berço do mundo e é o lugar mais atrasado. E vc lembra que na acumulação de capital o TEMPO é um fator essencial, não é mesmo? O que aconteceu por lá?????????

    E aqui no Brasil? Portugueses chegando com naus que atravessaram o atlântico enquanto os índios tinham no máximo uma canoa?????

    Este discurso de esquerda sempre ignora o outro lado da moeda, isto é a coisa mais impressionante que existe neste planeta. Vocês deveriam se juntar num país só de vocês e viverem o lindo e utópico mundo de vcs.

    Tem vários outros pontos falhos em sua argumentação aos quais, sinceramente, não perderei tempo em escrever, visto que vc não irá mudar de opinião mesmo...

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    1. Amigo salada mista, qual é o seu ponto e qual é a relação com o texto?
      Vamos, apesar de ser difícil, tentar colocar um pouco de ordem argumentativa na sua salada interpretativa.

      a) Você começa a falar que comparar mérito entre lugares distintos é estupidez, ao falar sobre o exemplo da Dinamarca e Somália. Certo. Então, responda a pergunta do texto: qual é o mérito de um dinamarquês nascer na Dinamarca e ele viver em média dezenas de anos a mais de um somali, ter mais educação formal, ser muito mais rico. Responda objetivamente, acaso consiga.

      b) O velho discurso de uma nota só. Sério você não cansa não? Texto de herança coletiva, termina em incentivo, esquerda e comunismo. Texto sobre casamento, termina em incentivo, esquerda e comunismo. Sério, aponte no texto onde a igualdade foi "forçada"? O texto foi quase que uma sucessão de juízos de fato. Como você não conseguirá, como nunca consegue, sei que além dos comentários de uma nota só, a coisa sempre para por aqui.
      O seu raciocínio é tão difícil de entender, que no final do segundo parágrafo fala que as pessoas não vão se esforçar para aproveitar a riqueza acumulado em poucos anos de vida e depois deixar a riqueza para outro. Está falando de filhos, do Estado, é difícil entender o que exatamente quer dizer.

      c) Aí coloca governo na história, e coloca a responsabilidade em governos de dar condições iguais de partida. Isso é impossível, sempre haverá pessoas mais bonitas, inteligentes, com problemas genéticos. Colega, leia os próprios textos do IMB, e depois venha aqui comentar.
      Como os governos, aqueles que você criticou nos parágrafos anteriores, não conseguem promover pontos de partidas igualitários, as pessoas "correm atrás". Hum, você descobriu que os humanos tem instinto de sobrevivência, parabéns.

      d) Fique à vontade para fazer um tratado sobre o que aconteceu com a África, não tenho competência para tanto e nem foi o foco desse artigo.

      e) Bom, já entendi que você é bem de tocar a mesma nota e de rotular. Ótimo. Agora, de uma forma mais coerente e objetiva, aponte "qual é o outro lado da moeda" em relação ao meu texto. Por gentileza. É a herança individual tendo que ser taxada, contrariando o entendimento do Friedman. É não haver herança coletiva? É ter mérito em nascer num país com grande capital acumulado?
      Seja mais claro.

      f) Hum, o texto foi claro no sentido de que ninguém prospera sozinho, muito menos hoje, pois recebeu uma enormidade de herança de capital acumulado, institucional e educacional. A sua própria mensagem é fruto da luta de muitas pessoas que acreditaram que todos poderiam ter direito de manifestar o que pensam. Você não tem qualquer mérito em nascer num mundo onde você pode se manifestar livremente, isso lhe foi herdado por outras gerações.
      É claro que pessoas se esforçam, umas conseguem mais, outras menos, mas ninguém é o vencedor solitário da vida, pois só podemos prosperar em sociedade e, para nós humanos do século 21, devido ás muitas heranças recebidas.

      A única parte do seu texto que é razoável é quando fala da mobilidade. Sim, você estar numa sociedade onde há mobilidade entre os extratos também não é qualquer mérito seu. Se você tivesse nascido na idade média européia, ou até mesmo hoje numa comunidade rural da Índia onde o sistema de castas é ainda muito forte, você não teria qualquer probabilidade de ascenção, independente do seu esforço. Logo, a sua possibilidade de se esforçar e melhorar de vida, viver numa sociedade assim, também não é nenhum mérito seu, você recebeu isso depois da luta de muitas gerações.

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  7. Soul,

    Realmente, não entendi aonde você quis chegar com esse artigo. Mas eu consigo perceber, claramente, que você tem um viés humano ao escrever os seus artigos.

    Pessoalmente, eu sou conservador, liberal economicamente e acredito 100% no capitalismo, no livre mercado e principalmente na meritocracia.

    Não acho que heranças devem ser tributadas, afinal, o governo já confisca a riqueza produzida por nós durante toda a vida e não estou preocupado com os outros e sim com o bem estar meu e da minha família.

    Sobre o Brasil, ou Bostil, como eu chamo, o mesmo não passa de uma republiqueta de meia tigela que jamais será um país desenvolvido pois o maior problema dele é o seu povo.

    Essa é a minha visão.

    Abraços.

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    1. Olá IL,
      Como disse no texto não creio que os artigos nesse espaço tenham que ter necessariamente uma finalidade.
      Entretanto, o texto foi feito para mostrar a incongruência de muitos argumentos. Além do mais, talvez para fazer as pessoas refletirem que elas são muito mais "sortudas" e não tão "meritórias" como elas talvez possam pensar.
      Também creio que seja interessante refletir no sofrimento de muita gente para que nós hoje em dia possamos ter uma vida mais confortável. Além do mais, revela a nossa responsabilidade para com as gerações futuras. Não se preocupar com as gerações do porvir é um dos atos mais egoístas que um ser humano pode fazer, e nesse mundo cada vez mais do instantâneo não me parece que o interesse de gerações futuras estejam sendo levados em conta em muitas questões.
      Por fim, creio, para o lado financeiro, mostra como o viés deve ser de longo prazo. São gerações, são dezenas de anos, o processo é lento. Assim, talvez pessoas que pensam em resultados financeiros de muito curto prazo possam refletir o que realmente significa acumular riqueza a nível individual e coletivo.

      Entendo. Próximo artigo irei fazer uma provocação sadia então a esse seu raciocínio.

      Abraço!

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  8. Seu texto não é sobre herança e sim sobre meritocracia:

    http://www.viagemlenta.com/2014/09/meritocracia-e-os-5-principais-mitos-utilizados-para-sua-objecao.html#at_pco=smlrebh-1.0&at_si=55ba234876597d74&at_ab=per-2&at_pos=4&at_tot=5

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    1. Não, o assunto "mérito" é trazido de forma complementar.
      Veja, meu pai sempre me disse desde criança que as pessoas tinham a mania de discutir sobre assuntos, mesmo que estivessem falando a mesma coisa.
      O fato de eu atribuir o nome porta para um objeto e você cadeira não muda a qualidade do objeto. Isso apenas revela a necessidade de um acordo semântico prévio.

      Coloquei como herança coletiva todos os bens, instituições e conquistas que recebemos das gerações passadas. Quer chamar isso de outro nome para não se confundir com herança individual? Ótimo, não fará nenhuma diferença.

      Apenas faria diferença se você negasse o próprio fenômeno de recebermos algo de gerações anteriores de forma coletiva. Se você acha que isso não ocorre, precisa ter argumentos, pois não vejo muito sentido nessa posição.

      Eu li o texto do André, alguém que acho muito bacana e sempre foi muito gentil comigo, e concordo com algumas partes, discordo de outras. Entretanto, grato por trazer o texto do colega à baila.

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  9. Resumindo:

    Herança coletiva pode
    Herança individual não pode

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    1. É basicamente o que alguns argumentos contraditórios sustentam.

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    2. Não entendi....

      Os argumntos contraditório sustentam isso.... pq o seu texto fla exatamnte sobr isso

      vc concorda ou não?

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    3. O texto sustenta que somos herdeiros individuais, mas também coletivos. Sempre herdamos algo das gerações anteriores. Portanto, não entendi o seu segundo comentário.

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    4. continuo sem entedr,,,,

      pode ou não herança invidivual?

      a herança coletiva é sempre justa e individual pode ser injusta/

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    5. Olá, Márcio! Quanto tempo colega, tudo bem? Não entendi, era você comentando anteriormente?
      Hum, Márcio, o texto parece claro nesse aspecto, mas como foi você que escreveu, posso escrever um pouco mais.
      O texto em nenhum momento toca no tema justiça. Do próprio texto: "Porém, qual é o mérito do Dinamarquês nisso tudo? E qual é a culpa do Somali nisso? Evidentemente, não ha mérito, nem culpa, o mundo é apenas assim".

      A herança individual existe desde tempos imemoriais, até pouco tempo atrás mulheres não herdavam como homens e os primogênitos tinham muito mais direito. Isso sim poderia ser injusto. A herança individual apenas existe, e o mundo se comporta assim. Num próximo artigo posso falar mais sobre mérito, justiça, ou outros temas relacionados, mas não foi o tópico desse artigo.
      O artigo foi no sentido contrário da sua mensagem, foi chamar atenção de que sempre estamos herdando e as gerações passadas são importantes, e principalmente que possuímos responsabilidades com as gerações futuras (e não apenas os nossos filhos genéticos).

      Abraço márcio!

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    6. Este assunto da herança muito me interessa. Não tenho nada pra receber, pois foi dos que me fez abrir um pouco mais a mente para raciocinar sobre outros temas, como por exemplo, meritocracia.

      Claro, sempre há uma mistura. O mérito deve-se partir de condições iguais. Mas criamos um problema: se vai haver mérito, então, ao final, haverá diferenças. E se queremos que os herdeiros comecem em condições iguais, como fazer com as diferenças?

      Por isso a dúvida. O seu texto deixou a entender a que a "herança coletiva" é "justa" e a "herança individual" PODE ser "injusta". Acho que foi isso que o anônimo quis dizer.

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    7. Entendi. Lembro que num artigo meu, onde eu postei um vídeo de um programa do Globo News com o Mansueto e o Gianetti, e você gostou bastante do conceito de igualdade de oportunidades, já que a igualdade de resultados não deve ser perseguida. Sim, eu concordo com isso, e há exemplos históricos para corroborar que a igualdade de resultados não produz bons resultados e poder ser contrária até mesmo a nossa natureza humana.

      Entretanto, a igualdade de pontos de partida iniciais é apenas uma metáfora. Isso nunca será possível, pois nascemos seres individuais com um código genético único. O que pode ser tentado é minorar diferenças de ponto de partida muito gritantes, para que assim possamos ter um "jogo", uma "competição" mais equilibrada, e a natural desigualdade de resultados possa ser mais fruto do esforço pessoal (o que nunca será 100% apenas do esforço próprio).

      O mundo é assim. O meu artigo não teria lógica se eu de alguma maneira dissesse que a herança coletiva seria justa, e a individual não, pois daí eu cometeria o mesmo erro lógico de quem pensa na hipótese ao contrário. Não quis abordar conceitos de justiça nesse texto, apenas chamar atenção para algo pouco abordado que é a conquista coletiva de uma geração, ou gerações anteriores, e o impacto disso na vida da geração atual.

      abraço

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    8. Sim, tb concordo sobre as questões de partida igual e tudo mais. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa... rs

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  10. Para contribuir com o artigo eu sugiro esse livro:
    http://www.amazon.com.br/Fora-s%C3%A9rie-Outliers-Descubra-algumas-ebook/dp/B00B0WJIF0/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1438345860&sr=8-1&keywords=outliers

    Apesar de discordar em alguns pontos com o autor não posso negar que é um livro bom. "Para Gladwell, mais importante do que entender como são essas pessoas é saber qual é sua cultura, a época em que nasceram, quem são seus amigos, sua família e o local de origem de seus antepassados, pois tudo isso exerce um impacto fundamental no padrão de qualidade das realizações humanas. E ele menciona a história de sua própria família como exemplo disso."

    Resumindo, o sucesso individual de uma pessoa depende de fatores como a origem, o lugar onde nasceu, etc. Sorte segudo o autor é nascer no lugar (país) certo na hora certa (um americano que nasceu por volta de 1910 teve azar que na vida adulta enfrentou a grande depressão e a segunda guerra mundial).

    Pelos fatores citados tanto no livro, tanto por você eu acredito que méritocracia fica só teoria, mas eu tenho dúvidas em relação ao que fazer, pois eu não sei se taxar herança por exemplo é a maneira mais correta de diminuir a desigualdade existente.

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    1. Olá, colega. Grato pelo comentário e por citar o livro do Gladwell. Não li nenhum dele ainda, mas ele tem alguns livros famosos.

      Eu não quis fazer nenhum juízo de valor sobre o que deve ser feito, ou se alguma coisa deve ser feita, como um anônimo equivocadamente escreveu algumas mensagens acima. Foi apenas uma descrição de como o mundo de comporta.

      Também não o sei o que deve ser feito, tenho algumas pistas e nortes, qualquer dia escrevo a respeito. Penso que passa por uma forma mais amorosa e gentil de ver o mundo e os outros.

      Abraço

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  11. Acho que o Foco do Soul foi mais na questão da "mercitocracia".
    Concordo e muito, e digo mais a natureza é assim!!!Ela não zela pelos mais "fracos" somente "premia" os mais fortes. Ex: nascem 3 filhos de leões, se um nascer sem uma pata (como uma pessoa nascer na somália) ela terá desvantagens gigantescas se comparado a os outros que nasceram saudáveis (como os dinamarqueses), ai ao meu ver esta a beleza da natureza, ela não se importa se voce nasceu pobre, sem um membro, com uma doença congênita, voce que se vire. A vida é assim, sempre foi, sempre será mesmo depois de nossa passagem pela terra (que pelo visto acho que não será muito longa, em termos de homens sapiens)

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    1. Olá, colega. Não quis focar muito na meritocracia, mas qualquer dia escreverei sobre o tema.
      O foco foi mais fazer refletir sobre as heranças que recebemos das gerações anteriores e a nossa responsabilidade para com as gerações futuras.

      No mais, grato pelo comentário.

      Abraço!

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  12. obrigado pelo texto. muito boa a reflexão.

    Um pensamento que me veio foi que a herança é uma confirmação de que nada aqui nos pertence, que viemos e iremos, recebemos algo e usaremos e talvez criemos algo que deixaremos como legado, mas, no fundo, tudo é de todos. Nossas limitações nos fazem nos apegar ao que não nos pertence, seja ontem, seja hoje, seja amanhã.

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  13. Achei o seu Blog a pouco tempo e gostei muito.
    Um raciocínio que fiz, a partir do momento em que todos os países fazem dividas para serem pagas, inclusive, pelas gerações futuras, não estariam essas gerações igualmente contribuindo para tudo aquilo que foi edificado anteriormente e que foi legado para essas mesmas gerações, que vão terminar de pagar o que outros fizeram e vão iniciar obras que também serão pagas por outras gerações futuras?
    Nesse caso quem nasceu depois, a meu ver, é tão merecedor quanto os que vieram antes.
    Filipe

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