domingo, 21 de junho de 2015

A INEVITÁVEL TRIBUTAÇÃO DE SUA RENDA


 Olá, colegas. Em tempos de "ajuste fiscal”, o espectro de aumento da carga tributária ronda os brasileiros, principalmente aqueles mais abastados, o que necessariamente não significa pessoas com grande patrimônio ou renda. Neste artigo, reflito sobre o que eu acho ser um caminho inevitável no médio prazo.

Para "digerir" melhor o artigo de hoje, nada melhor do que estar bem relaxado. Hamner Springs Nova Zelândia, uma das termas mais gostosas que já fui, uma cidade bem pequena cercada por montanhas belíssimas, e uma economia que gira em torno dessa bela spring.

   Comecemos com conceitos e ideias básicas. Um dos temas mais importantes já abordados aqui nesse site foi o meu artigo sobre as duas formas que o nosso cérebro opera preguiça intelectual - viés de confirmação. O meu texto em si não é muito técnico ou extremamente bem escrito, mas o assunto é de extrema importância. Assim, quando leio um texto que falo “nossa, concordo com tudo que está escrito, muito bom” isso nada mais é do que o sistema 1 operando, a nossa forma mais preguiçosa de pensar. Evoluímos muito pouco com qualquer texto que corrobore a nossa forma prévia de raciocinar ou ver o mundo. É por isso que sempre acho engraçado textos que começam com “se você for dessa ala de pensamento, diversa da que eu vou escrever, nem continue lendo, pois será perda de tempo”, pois essa frase não faz nenhum sentido e está em desacordo  com as descobertas mais recentes da ciência cognitiva.  Isso é tão chocante para algumas pessoas, que a solução encontrada é simplesmente ignorar esse fato, e seguir com a vida.

    Por outro lado, textos que subvertem a nossa maneira de ver o mundo, quase sempre precisam ser “decodificados” pelo nosso sistema 2, a forma de pensar mais racional e profunda com o qual nosso cérebro opera. Essa breve digressão serve apenas para salientar que o meu sistema 2 foi muito requisitado ao ler inúmeros artigos do Instituto Mises. Muitos artigos lá contrariavam formas minhas de pensar e ver o mundo, e depois de bastante refletir vi que algumas delas não faziam tanto sentido como eu pensava. Assim, ao invés de não ler artigos do Instituto Mises, eu li vários e com isso evolui a minha forma de pensar. “Ok, Soul, bom para você, mas o que isso remotamente tem a ver com o tema do texto?” um leitor mais afoito pode estar se perguntando. Bom, colegas, o Instituto Mises, pelo menos o brasileiro, é conhecido por sua defesa intransigente da liberdade humana, eu complementaria as liberdades negativas, ou direitos humanos de primeira geração (como algum estudante de direito pode reconhecer). Nessa cruzada pela liberdade, um dos inimigos preferidos, se não for O preferido, é o Estado. A coisa é tão intensa que há muitos que compartilham a ideia de uma sociedade sem Estado ou também conhecido como “Anarcocapitalismo”.  Eu acho que essa ideia possui várias falhas, inclusive já escrevi a respeito o ato de fé de algumas ideias. Se você acha que não é possível a existência de uma sociedade minimamente organizada sem a presença mínima do Estado, então você obrigatoriamente não é um anarcocapitalista, e apóia algum grau a taxação da riqueza produzida, ou acumulada. Por qual motivo? Se a pessoa acredita que é preciso existir uma força policial um exército, um poder Judiciário, subordinados a um ente estatal, então necessariamente deve haver dinheiro, ou riqueza, para manter essa estrutura, por mais mínima que ela possa ser. 

  “Ok, Soul, mas isso não significa que o Estado deve ser inchado e expropriar uma parcela significativa da riqueza criada pelos cidadãos”. Eu concordo com essa ideia. Porém, o foco inicial da minha argumentação é que se você acha que deve existir nem que seja um Estado Mínimo, alguém deverá pagar por ele, e isso, em certa medida, sempre será origem de conflitos. Há pessoas, e eu tendo a me incluir entre elas, que pensam que as liberdades negativas são apenas um lado da moeda, sendo que as liberdades ditas positivas (ou direitos humanos de segunda geração) também são fundamentais para uma boa vida. Se assim o é, o Estado não possui apenas a função precípua de garantir contratos e a ordem, mas também é responsável por direitos sociais mínimos, neles inclusos a saúde e educação. “Isso é socialismo!”, já vi diversas vezes esse argumento. Bom, precisamos definir o que se entende por socialismo, já vi pessoas citando o Nacional Socialismo dos Nazistas como uma forma de socialismo baseado na doutrina de Marx, o que não faz o menor sentido e é obviamente falso. Além do mais, se isso for socialismo, precisamos concluir que os países com maior IDH, maior índice de felicidade medido pela ONU, maiores renda per capta, são socialistas, já que os países escandinavos possuem um estado de bem-estar social robusto, principalmente no que se refere à saúde e educação.


   Eu, pare ser sincero, acho a discussão entre socialismo, liberalismo, capitalismo, quando centrada em nomes, uma verdadeira bobagem. É apenas um rótulo, nada mais do que isso. O que é importante é entender os pressupostos básicos, bem como a forma que diversos problemas humanos podem ser enfrentados. Uma vez vi uma cena de uma entrevista onde o entrevistado dizia que não existia o problema americano, soviético (é uma entrevista antiga), o problema negro, o problema branco, o que há, e sempre irá existir, são problemas humanos. Qual é a melhor forma de lidar com os diversos problemas humanos, os diversos conflitos que surgem no seio de uma sociedade, irão variar conforme o grau de desenvolvimento humano, as condições históricas, geográficas e sociais. Já tratei desse tema de forma mais ampla no meu último artigo, portanto não irei me estender aqui.

  Se a pessoa acha que o Estado deve ter uma função ativa em áreas como saúde e educação, fica claro que a quantidade de dinheiro, ou riqueza, necessária será maior do que um “modelo” de Estado Mínimo. Não há qualquer problema na defesa ideológica de um Estado extremamente reduzido, há argumentos para tanto. Porém, creio que as pessoas devem manter a coerência, pois não se pode almejar a vida em países onde o Estado Mínimo não é a tônica, e defender a existência de um Estado muito pequeno. Talvez, seja até possível, mas não deixa de ser irônico defender uma determinada ideia, e querer morar, por exemplo, num país onde a presença do Estado em certas áreas é relevante. Portanto, se você acredita que o Estado deve ter alguma função em áreas críticas para o bem-estar da população, alguém deve pagar a conta. 

   Feitas essas diversas digressões, creio que o meu raciocínio pode ser melhor desenvolvido. Quer gostemos ou não, quando o nosso país se redemocratizou, fez-se uma escolha de que tipo de Estado o Brasil seria. Essa escolha foi consubstanciada em nossa Constituição de 1988, também conhecida como a Constituição Cidadã. Infelizmente, esse tema é pouco abordado na sociedade brasileira, apesar de alguns bons economistas estarem cada vez mais trazendo esse tema à tona. Qual foi o Estado que se privilegiou com a nossa Constituição? Um Estado que de alguma forma tentasse mitigar e diminuir a horrenda desigualdade social que sempre foi muito intensa nesse país. Há economistas inclusive que dizem expressamente que o Brasil fez uma escolha de crescer pouco, mas de forma inclusiva. Com essa nossa Constituição, nunca poderíamos ou poderemos ter uma taxa de poupança de 50% como a China, por exemplo, o que evidentemente impede que cresçamos como a China, já que o crescimento de um país está intimamente ligado com a sua taxa de poupança. Por outro lado, a China não tem uma cobertura previdenciária mínima, por exemplo, como o Brasil. Ela pode crescer mais rapidamente, mas talvez não de uma maneira tão inclusiva. É o que alguns economistas dizem e faz todo o sentido.

   Veja, não estou fazendo um juízo de valor, apenas um juízo de fato. Podemos não concordar com essa forma de organizar o Estado, e por via de consequência a sociedade, ou podemos concordar. Porém, o fato é que isso é o que aconteceu no Brasil nos últimos 25 anos. Os dados corroboram. Métricas como desigualdade, miséria extrema, mortalidade e desnutrição infantil e vários outros melhoraram significativamente ao longo das últimas décadas. A cobertura previdenciária do Brasil, aqui incluo também a assistência social, é extensa, o que mitiga diversos riscos sociais. Entretanto, tudo isso tem um preço. A nossa carga tributária saiu de algo em torno de 20% do PIB há 25-30 anos, para os atuais quase 37%. Isso é muita coisa, colegas. O nosso Estado expropria uma fatia expressiva da riqueza nacional, e esse fenômeno se intensificou muito nos últimos 20-25 anos.

   “Caramba, Soul, aumentou-se tanto assim a carga tributária para termos serviços públicos tão ruins?” alguém pode perguntar. É verdade, mas aqui estamos falando sobre outro tema que é um adequado retorno ou não da riqueza expropriada pelo Estado para a própria sociedade. Porém, ao contrário do que muito se fala, talvez porque não se conhece tão bem os dados, boa parte, a esmagadora maioria dos gastos para ser preciso, são gastos obrigatórios pela nossa constituição. Se não me engano, 75% do orçamento da União é para pagar pessoas, sejam funcionários públicos (que não é a parte mais significativa), aposentados, pensionistas, beneficiários de programas de assistência social, etc. Logo, a conversa de que o nosso Estado é muito corrupto por isso não sobra dinheiro é de fácil assimilação, mas ela está longe de explicar o que acontece com o nosso país. “Mas não é possível! As aposentadorias são uma merreca, benefícios assistenciais são mínimos, boa parte dos servidores públicos, como professores - se não me engano funcionários da educação representam mais de 3 milhões de servidores, não ganha bem, e nós gastamos quase todo o tributo arrecado com o pagamento desse pessoal?”. Sim, é a mais pura verdade. Por isso alguns economistas falam, e alguns no instituto Mises também encampam essa ideia, de que um Estado mais presente na promoção de direitos humanos de segunda geração só é possível de forma minimamente eficiente quando a sociedade já se tornou rica como um todo. Aliás, esse é o argumento principal quando se toca nos países escandinavos. Portanto, segundo essa forma de pensar que em minha opinião possui os seus méritos, uma sociedade só pode se dar ao luxo de aumentar a sua tributação para que o Estado forneça meios para o desenvolvimento de liberdades positivas, depois de um longo período de acumulação de riqueza. Só que amigos não foi esse o caminho que o Brasil escolheu. Isso não tem nada a ver com PT, Dilma, Lula, PSDB, etc, mas sim com a forma que a sociedade brasileira resolveu se organizar.  Não há como voltar atrás nesse processo. Com certeza o nosso Estado pode ser mais eficiente na forma de gastar o nosso dinheiro, mas não se iludam que é impossível uma diminuição substancial da nossa carga tributária sem que a ordem constitucional seja quebrada.

Ou seja, apenas com uma nova constituição. Novas constituições não são feitas geralmente sem graves crises sociais prévias, e cada vez mais penso que essa é uma hipótese que não se pode descartar. Ao ler algumas notícias sobre o Brasil, fiquei sabendo que houve um protesto de professores no Paraná contra uma lei que retiraria alguns direitos. De um lado o governo do Estado dizendo que não há dinheiro (e nossos Estados, e principalmente municípios estão à beira da bancarrota, não é à toa que foi votado no congresso a mudança do indexador da dívida dos Estados), de outro professores protestando por seus direitos. Até aqui tudo normal numa democracia. O que me assustou é que houve invasão da assembléia, centenas de feridos e uma repercussão danada. Isso para mim é apenas um prelúdio do que pode vir a acontecer com o país daqui uns 10-15 anos, talvez até em menos tempo, quando chegarmos num limite de possibilidade de aumento de carga tributária.
   
  Infelizmente, parece que nós, enquanto sociedade, não temos maturidade política suficiente para discutir essa delicada questão. Pior para as gerações futuras. Sendo assim, o Brasil possui a necessidade, pelo arranjo constitucional estabelecido (quer concordemos com isso ou não), de uma carga tributária elevada, muito maior do que países em desenvolvimento, e muito parecida com inúmeros países desenvolvidos.
   
   Quem paga essa conta?  Todos nós pagamos, independente de classe social, credo, etnia ou convicções políticas. Quem deveria pagar essa conta? Aqui, como em qualquer conflito humano, há discordância. O pressuposto mínimo, pelo menos para mim, é que os que menos tem devem pagar no máximo o mesmo, proporcionalmente, do que os que mais tem. Há pessoas que acreditam que os mais pobres devem pagar menos do que os mais ricos, por uma questão de justiça. Essa, aliás, foi a escolha da nossa Constituição, pois a nossa Lei Maior claramente diz que a tributação deve na medida do possível ser progressiva. Quando se diz que um tributo é progressivo, simplesmente quer se dizer que os extratos de rendas mais elevados são tributados com alíquotas maiores. O nosso Imposto de Renda pessoa física é assim, por exemplo. Este parece ser também a forma de tributação escolhida pelos países mais desenvolvidos. Eu também creio que é o que mais faz sentido. Entretanto, há pessoas que não concordam, por isso disse que  no mínimo o sistema tributário deveria ser neutro.

  Entretanto, não faz nenhum sentido um sistema tributário ter caráter regressivo. O que se entende por uma tributação regressiva? É aquela onde os mais pobres pagam de tributos uma parcela proporcional da sua renda muito maior do que as pessoas mais ricas. Isso ocorre no Brasil? Sim, nosso sistema tributária é altamente regressivo e nisso nos afastamos dos países mais desenvolvidos, da nossa Constituição e do bom-senso. “Como um sistema se torna regressivo, Soul?”, um leitor pode pensar.  Quando se dá ênfase na tributação não da renda e do patrimônio, mas sim na produção e consumo. Se um pacote de bolacha custa R$2,00, e 50% é basicamente tributos, quer dizer que todos irão pagar R$1,00 de tributo por cada pacote de bolacha. Se uma pessoa ganha R$10,00 por hora, isso quer dizer que ela pagará de tributos em relação ao pacote o equivalente a 10% de sua hora trabalhada. Por outro lado,  uma pessoa que ganha R$100,00 a hora pagará apenas 1% da sua hora trabalhada de tributos pelo mesmo pacote de bolachas. Assim,  quando se tributa o consumo, está se tributando os mais pobres de maneira muito mais forte do que os mais ricos, e isso não faz o menor sentido. Além do mais, a tributação sobre o consumo inibe o mesmo, o que acaba inibindo o crescimento econômico, logo além de ser regressivo, essa forma de tributar tende a ser ainda mais danosa ao desenvolvimento econômico e social. Vários gráficos valem mais do que inúmeros parágrafos (retirados da internet):

  
 Observem como a Tributação da renda é baixa no Brasil, assim como a do patrimônio, enquanto se tributa muito o consumo. Apenas o México tributa mais o consumo, mas se não me engano a carga tributária lá é da ordem de apenas 20% do PIB.
A regressividade da nossa Carga Tributária fica evidente nesse gráfico.

A estrutura da tributação dos nossos hermanos argentinos consegue se pior do que a nossa...

Não são poucos os trabalhos que ligam a ineficiência ou regressividade do sistema tributário e desigualdade social. Este é apenas um dentre vários gráficos encontráveis na internet. A razão é clara, sistemas regressivos fazem com que os mais pobres gastem mais parte da sua renda com tributos, fazendo com que a sua habilidade de consumo seja diminuída, bem como o nível de vida em geral.

    Portanto, o Brasil tributa muito para garantir as diversas garantias contidas em nossa Constituição (saúde universal, educação universal, aposentadorias para trabalhadores rurais - o grande causador do déficit do Regime Geral da Previdência Social - benefícios sociais, etc, etc). Além disso, o Brasil tributa de maneira injusta e ineficiente, penalizando os mais pobres e travando o próprio desenvolvimento econômico e social.

  Já escrevi sobre as duas modalidades de renda: capital e trabalho. Só é possível ter renda de capital, quando se acumulou previamente capital. Sendo assim, meus amigos que possuem alguma forma de renda de capital, há duas forças em movimento para que a renda de capital seja maior tributada no Brasil. Primeiramente, porque a nossa carga tributária tende a crescer com o envelhecimento da nossa população. Creio que nós chegaremos a um limite, já que parece que não iremos agir de maneira prévia e responsável. Basta ver as medidas completamente fora da realidade de alteração do fator previdenciário, sem colocar nada no lugar, sendo que o Brasil é um dos poucos países que não se exige idade mínima para aposentar (acreditem, o que eu vejo de pessoas se aposentando com 44, 47 anos, é uma enormidade, e isso tudo dentro da lei). Creio que ainda temos uns 10 anos pela frente, até lá a nossa carga irá subir. Essa carga só poderá subir por uma tributação maior da renda e do patrimônio, já que passamos do limite em relação à tributação do consumo.

  A outra força é que precisamos melhorar o nosso sistema tributário. Não elogiamos tanto a vida em países desenvolvidos e o seu sistema? Pois então, temos enquanto nação de nos espelhar em como se tributa, principalmente os países da OCDE.  Assim, independente de aumento ou não da carga tributária, terá, se quisermos evoluir enquanto nação, que existir uma mudança de uma tributação sobre o consumo para uma tributação sobre a renda e patrimônio.  A tributação sobre o patrimônio é minúscula no Brasil, mas ela também não chega a ser significativa em outros países. Entretanto, a tributação sobre a renda, seja do trabalho ou de capital, no Brasil não encontra nenhum parâmetro com os países desenvolvidos.

   Uma vez escrevi há mais de um ano sobre os diversos “almoços grátis” que existiam no mercado financeiro brasileiro.  Quando pesquisei, creio que existiam apenas três países no mundo onde os dividendos não eram tributados: Brasil, Irá e mais um outro.  Não haver tributação sobre FII (uma forma muito mais segura e eficiente de se investir em imóveis para renda) e se tributar em 27.5% aluguéis recebidos por pessoas físicas não faz o menor sentido. Quer dizer, é claro que faz, e se estimula e se desenvolve o setor imobiliário, mas não é compatível com um sistema de tributação mais equilibrado. Instrumentos como LCA-LCI serem isentas, e ainda não terem risco de duration, é outra anomalia. A tributação dos ganhos de capital, como na venda de um imóvel, é baixa para padrões internacionais (15%), até mesmo para ganho de capital com ações, nos EUA pode ser muito maior do que 15%.

   “Pronto, era só o que faltava, sugerir a tributação do meu suado patrimônio e da minha renda, é um comunista mesmo!” um leitor que talvez não tenha compreendido  corretamente o texto até aqui possa ter pensado.  Eu, Soulsurfer, só tenho a perder. Possuo renda de capital de FII, tenho grandes operações que geram  às vezes lucros imobiliários de vários anos de minhas despesas  (ou seja é uma renda de capital) e se não bastasse possuo instrumentos como LCI-LCA. Ou seja, é fumo para todos os lados. Entretanto, para mim a pior forma de se preparar para a realidade é negá-la. Já sugeri a diversos colegas não serem otimistas e acharem que o rendimento dos FII não será tributado. Logo, mais fácil, conservador e realista assumir a sua tributação no médio prazo, sendo assim, isso demandará mais capital acumulado para qualquer nível de renda projetado.

  “Você não fica ansioso, não se desespera com essa possibilidade?” Não. Primeiramente, ficar ansioso com algo que não temos qualquer controle, além de não ser uma atitude sábia, só traz sofrimento de maneira desnecessária. Em segundo lugar, ou se vai para um paraíso fiscal (e está cada vez ficando mais difícil migrar o dinheiro para lugares como estes) ou se prepare para uma enorme tributação na renda e patrimônio. Assim, se a ideia é sair do país e levar todo o patrimônio para o exterior em algum país desenvolvido da OCDE prepare-se para pancada, além de retornos baixos, já que o capital acumulado é muito mais abundante lá do que aqui, o que obviamente comprime os retornos potenciais de médio-longo prazo. Por último, enquanto a música continuar tocando, eu simplesmente sigo o ritmo. Enquanto os rendimentos de FII ainda não forem tributados, os lucros imobiliários tributados em 15% , os dividendos forem isentos e tivermos renda fixa isenta de IR, eu apenas, enquanto indivíduo , aproveito. “Seja eterno, enquanto dure”.

   Logo, colegas, preparem para o aumento da tributação na renda do trabalho (eu acredito em aumento das alíquotas de IR para pessoa física e aumento do número de faixas, o que estaria em mais consonância com países desenvolvidos) e principalmente para o aumento da tributação da renda de capital a médio prazo. Enquanto a música da baixa tributação tocar, aproveite, mas se prepare para quando ela parar, fazendo planejamentos mais conservadores sobre a quantidade de capital necessária para uma determinada renda.

  Há pessoas que não gostam, mas há pessoas que gostam (talvez eu deva abrir apenas um blog de relatos de viagens). Para estas coloco algumas fotos.

 A belíssima cidade de Dunedin. Tem um dos centros mais charmosos que eu já vi. Além disso tem altas ondas. Como fica quase no extremo da ilha sul da Nova Zelândia, em meia hora eu quase congelei, mesmo vestindo roupa de borracha.
Uma das Great Walks. Nova Zelândia é o país das trilhas, é simplesmente sensacional (primeiro dia de trilha, Routenburn Track).

Já vi inúmeros lagos cristalinos nos mais variados lugares do mundo. Água azul como essa eu nunca tinha visto, um dos lugares mais bonitos que já estive (Lake Tekapo, NZ). Em destaque a minha casa por dois meses, saudades já, quantas histórias, lugares fora do "beaten track" foram visitados por causa da nossa "espaçonave". Ao todo quase 8.000 km rodados.

Soulsurfer, num momento de contemplação da extraordinária beleza do mundo...

Abraço a todos!







terça-feira, 16 de junho de 2015

A RACIONALIDADE POR TRÁS DO ATO DE ROTULAR E O SEU LADO MAIS SOMBRIO


Olá, colegas! Hoje o tema do artigo com certeza fará alguns leitores torcer o nariz. Sem problemas, o objetivo desse blog nunca foi escrever para agradar alguém, defender ideologia X ou Y ou fazer média com formas de pensar mais corriqueiras. Entretanto, e aqui muitas pessoas confundem as posturas, isso em nenhum momento significa que os textos devem ser agressivos ou não se importar em ter o mínimo de respeito com pessoas. Tenho a impressão que as pessoas não são acostumadas a ser desafiadas, ou postas em cheque suas ideias, principalmente no Brasil. Há um antigo ditado hebreu que diz algo mais ou menos assim: “Quase todos estão insatisfeitos com a sua forma física, quase todos estão satisfeitos com os seus intelectos”.  Essas duas frases em relação ao Brasil caem como uma luva. Homens que querem abdomens sarados a todo custo, músculos maiores, etc. Mulheres desesperadas para se tornarem “perfeitas" ou esconder os anos de vida por meio de agressões ao próprio corpo. Todos insatisfeitos com os seus corpos, numa ansiedade impressionante. Agora, se alguém perguntar: “ Está satisfeito com a sua inteligência? Com as suas opiniões? Há formas de evoluir a sua atual forma de pensar?”, o que vocês acham, prezados leitores, que seria a resposta preponderante? “ Sim, estou insatisfeito com as minhas opiniões, minha inteligência e minha percepção do mundo, preciso melhorar” seria uma resposta usual? 

Eu Também não sei Sr.Thoreau (em homenagem a Sra.Soulsurfer, que começou a ler um livro do Thoreau, colocarei algumas frases desse grande pensador no artigo).

    Assim, as pessoas, geralmente, não gostam de desafios intelectuais que coloquem em cheque a própria percepção delas do mundo. Desafiar para uma partida de futebol, uma queda de braço, ok, desafios intelectuais são tidos como rudes e agressivos. Talvez pelos meus pais, e principalmente pelo fato do jogo xadrez ser um constante desafio intelectual com outra pessoa, eu nunca me senti desconfortável com isso. Vejam, no xadrez a responsabilidade é sua, e somente sua. Como é um jogo eminentemente intelectual, você está sempre em constante batalha mental com o seu oponente. Inúmeras vezes você tem que admitir, principalmente depois de uma derrota avassaladora, que o seu oponente foi muito melhor do que você, foi intelectualmente superior. Uma sociedade que não realiza embate de ideias ou que eventual choque de ideias não se dê no campo amistoso de respeito as pessoas (como é o caso atual do Brasil em muitas ocasiões, e é muito interessante que posso ver isso no meu blog, como um pequeno experimento) não tem a menor possibilidade de evoluir, muito menos num mundo onde o conhecimento intelectual será cada vez mais e mais predominante.

    “Vixe, Soul, e qual é a relevância disso tudo para o tema do artigo?”, chegarei lá colega. O que significa rotular? Basicamente, é colocar uma classificação em alguma coisa ou em alguém. Isso é ruim? Não, claro que não. Aliás, nós estudamos matérias que possuem determinada classificação.  Isso torna mais fácil o aprendizado e a sistematização do estudo da realidade para nós que temos um cérebro naturalmente limitado. Porém, a natureza é compartimentada? Não, colegas. A realidade e a natureza simplesmente existem. Há uma realidade, não uma realidade para a química, uma realidade para matemática, uma para física, existe apenas uma realidade e todas essas classificações são atalhos que o homem toma para melhor entender o universo que o circunda, ou a si próprio.

   Assim, rotular, classificar, com certeza tem a sua serventia para a humanidade, há até mesmo um ramo da biologia onde essa é a principal função: a taxinomia. A propensão de  rotular também está impressa no nosso cérebro, pois com certeza absoluta essa é uma habilidade fundamental para se sobreviver num ambiente hostil, faz todo o sentido separar quais plantas se pode comer e quais não se pode comer, por exemplo, se você fosse um ser humano habitando o planeta azul há 30 mil anos. 

   “Ótimo, Soul, mas rotular não pode ser só bom, senão você não estaria escrevendo um texto a respeito, não faz o seu estilo”, pode pensar algum um arguto leitor. Excelente observação, e aqui o artigo realmente começa. Para desenvolver o raciocínio vou dar um toque pessoal. As pessoas adoram toques pessoais, e são quase imunes a dados. Essa atitude não é racional por razões óbvias, mas é assim que o nosso Sistema 1 gosta, e é quase sempre ele que está no controle. Não foi por outra razão que Stalin foi preciso ao dizer que “ A morte de uma pessoa é uma tragédia, a morte de milhões apenas uma estatística”. O ditador soviético não poderia conhecer na época o que a ciência sabe hoje sobre formas de pensar, mas ele foi preciso. Nosso cérebro não evoluiu para trabalhar com dados, números e estatísticas. Logo, histórias com algum toque pessoal sempre prendem mais a atenção.

   No penúltimo artigo que escrevi sobre o Brasil houve uma série de comentários. O artigo pode ser resumido assim: O Brasil melhorou diversas métricas nos últimos 30 anos. Assim, do ponto de vista apenas econômico está melhor do que muitos países. Porém, o nível de agressividade está tão alto, até em atitudes cotidianas das mais banais, que mesmo países mais pobres do que o Brasil parecem ter relações mais saudáveis entre os seus membros. Algumas das pessoas não concordaram, o que é algo normal e natural, mas até hoje me pergunto exatamente com o que elas não concordaram, pois em nenhum momento ficou claro. Outras, quase que servindo como exemplo para o que foi escrito no texto sobre agressividade na forma de “idiota” para lá,  “imbecil” para cá, chamaram-me de “defensor do marxismo cultural”, “esquerdista caviar”, “esquerdopata”. Permitam-me,então, contar a mesma história, mas apenas com o sinal trocado.

  Eu tenho um primo que é filiado ao PT. Não é apenas filiado ao PT, como exerceu cargos em comissão importantes. Toda hora via fotos dele em Brasília com gente graúda. Bom, o meu querido Primo, é como o colega do blog Heavy Metal, e tantos outros anônimos que se manifestaram, mas de cabeça para baixo, ou com sinal trocado (poderia fazer um paralelo com antimatéria?). Ao invés de “Petralha”, “Esquerda Caviar”, os termos preferidos eram “Coxinha” e “PIG”. Ao invés de “Todas as sementes ruins foram plantadas há 12 anos”, ele dizia que “todas as sementes boas foram plantadas apenas há 12 anos”. Aliás, sobre essa afirmação,apenas um comentário. As pessoas não conseguem perceber a contradição lógica e evidente que era ficar brabo quando o Lula dizia “nunca antes na história desse país” aproveitando-se do fato da economia ir muito bem, e agora dizer que tudo de errado vem de 12 anos? A contradição no discurso é ululante. Sempre me incomodava ouvir o ex-Presidente insinuar que o Brasil tinha começado com ele, como se a própria possibilidade  da eleição para o cargo máximo do país de uma pessoa como o Lula não fosse fruto de um longo caminho de melhora institucional do nosso país. Entretanto, se essa é a forma de se raciocinar, não faz sentido , e aqui falo apenas de lógica formal mesmo, que todas as malezas do nosso país advieram com o ingresso do PT no poder. Esse é apenas um exemplo de como esses discursos inflamados estão cheios de erros de lógica simples, sem falar que eles não costumam se manter em pé depois de um sopro argumentativo.

  Pois bem. Eu comecei a usar o facebook mais frequentemente ano passado (porém, eu ainda utilizo pouco e fico impressionado com o tempo que certas pessoas perdem com bobagens em redes sociais), e fiquei assustado com o nível das mensagens do meu primo. Havia muito rancor e tantos erros, principalmente quando ele se manifestava sobre economia, que era algo muito insólito. Comecei a me manifestar da forma que sempre faço. O meu primo ficou tão descontrolado, que ele chegou a dizer que eu tinha votado no Collor quando o tema do assunto era a influência da CIA ou não nos rumos da América Latina (What a fuck?). Aliás, é muito comum que em discussões como essa temas do arco da velha surjam. Quando salientei que eu tinha 8-9 anos na eleição do caçador de marajás, ele simplesmente me deletou do Facebook, não antes de me chamar de neoliberal, defensor dos capitalistas e é claro coxinha (seja lá o que isso signifique).

   “Soul, mas também pudera, você é chato para caramba!”, um leitor mais mordaz talvez tenha dito agora ao ler o texto. Talvez, talvez jocoso leitor. Porém, o ponto que mais me chamou atenção é que meu Primo se manifestava em diversas ocasiões quando as proverbiais palavras “petralha”, “imbecil” eram ditas. Ele dizia as mesmas palavras em sentido contrário, e como num teatro a discussão encerrava. Depois do meu último texto sobre o Brasil, eu refleti mais uma vez sobre o episódio, e posso entender que muitas pessoas só conseguem lidar com posições muito bem definidas, não importando se elas fazem sentido ou não, se elas são compatíveis com a realidade e os dados ou não. Assim, a pessoa sabe lidar com aquilo que se encaixa nos seus modelos mentais previamente estabelecidos.  Quando a forma de classificar é mais fácil, a pessoa sente um alívio, ao leitor mais atento sim é o nosso Sistema 1 preguiçoso trabalhando.  Logo, se o meu primo  aparecer em algum espaço “anti-pt”, o rótulo será rapidamente aplicado, e as eventuais ofensas de praxes serão desferidas, e está tudo certo. Porém, quando uma determinada opinião foge do "rótulo padrão", eu creio que se cria alguma forma de GAP nos sistemas de pensamento. A pessoa se sente, nem que no nível inconsciente, desconfortável com a situação. Como a situação não pode perdurar muito tempo, eu creio que se abre duas possibilidades (creio que também podem acontecer de forma inconsciente): a) o Sistema 1 toma o controle novamente, e, por aproximação (uma forma muito comum do nosso cérebro tomar decisões, o que leva a inúmeros equívocos, talvez escreva um artigo  sobre esse tema algum dia) simplesmente traz essa nova informação para algum rótulo já previamente bem estabelecido ou b) o Sistema 2, nossa forma de pensar mais custosa e racional, é chamado para corroborar ou não os nossos rótulos anteriores.  A toda evidência a solução “b" é mais custosa, mais trabalhosa, mas de certa maneira traz algum tipo de evolução.


Ou as colunas das revistas Veja, Caro Amigos, Carta Capital.....

  Na bem da verdade, eu acho que há uma terceira forma. E aqui dou mais um toque pessoal. Qualquer pessoa mais acostumada com alguns pensamentos budistas, talvez já tenha ouvido falar sobre o ser humano ser uma máquina de classificação. Como vimos alguns parágrafos acima, isso é verdade. Porém, há algo mais profundo aqui, pois essa nossa convulsão por classificar coisas e pessoas pode atrasar a nossa evolução e embotar a nossa visão sobre a verdadeira realidade das coisas. Quando estava em Auckland na Nova Zelândia, fiquei hospedado na casa de uma amiga da Sra. Soulsurfer. Foi muito maneiro, pois além da amiga e o namorado serem muito gente boa, eles nos apresentaram a pessoas muito legais (além é claro de ter rolado banho quente e uma cama confortável de graça né!), uma delas foi o Eric.

  O Eric é mais um brasileiro tentando a vida no exterior. Desgostoso com a vida no Brasil, principalmente a violência cotidiana nas relações mais simples, cidades agressivas a uma boa vida, ele resolveu tentar a sorte na NZ (foi muito engraçado, aliás ele é uma pessoa extremamente engraçada, ouvir ele dizendo que a rádio mais tocada em SP é a “rádio trânsito” e que isso diz muito a respeito de uma cidade e sobre as relações que lá se desenvolvem). Ele passou e ainda passa por uma situação muito particular, e é um belo exemplo de superação. Num determinando momento de uma conversa que estávamos tendo, ele disse que estava começando a ficar incomodado de ser conhecido como “O Eric do Pilates”. Ele é professor de Pilates , e aparentemente muito bom no que faz. Porém, ele me disse que era muito mais do que “O Eric do Pilates”. Sim, meu caro Eric você com certeza o é. Uma vez vi uma palestra dada na Índia que o nome era “a verdade fundamental sobre a natureza humana” e a pergunta principal feita era "quem é você?”. Você não é a sua profissão, o seu nome, as suas opiniões políticas, você é muito mais do que isso. Ou os colegas blogueiros Corey e Rover são apenas empreendedores? O Neymar é apenas jogador de futebol? O Soulsurfer é apenas viajante, ou apenas comunista, ou apenas defensor dos capitalistas?  Evidentemente que não. Aliás,faça essa pergunta a si mesmo, “quem é você?”, e veja o que você responde.

Uma das frases que mais gosto. Ás vezes parece que a verdade pouco interessa a várias pessoas.

    Entretanto, máquinas classificadores que somos, apoiados no nosso Sistema 1, em sistemas educacionais que alimentam apenas essa forma de pensar, muito dificilmente se enxerga algo sem colocar inúmeros rótulos nele. Não damos, por preguiça, medo ou ignorância mesmo, passos para que nossa forma de ver o mundo seja muito mais abrangente.  Assim, rótulos podem tornar a nossa visão do mundo e das outras pessoas muito mais empobrecida do que ela poderia ser. Porém, há algo mais nefasto nos rótulos que às vezes faz surgir a faceta mais sombria dos humanos. E, infelizmente, eu vi a semente disso aqui no meu próprio blog num comentário que associava pessoas ou uma visão política específica a uma doença.

  Quer se aprofundar realmente nos recônditos da alma humana? Colegas, não achem que irão encontrar isso em obras como “Quem mexeu no meu queijo?”, “ O Monge e o Executivo”, “ Como influenciar Pessoas”, etc, etc.  Um escritor que se torna clássico tem um bom motivo para isso. Eu sou um admirador muito grande de Kafka. Para mim, ele é um dos maiores escritores de todos os tempos. Suas análises sobre comportamento humano, ética, sociedade, justiça são simplesmente devastadoras. O livro “O Processo” é um que já li duas vezes, e creio que irei ler pela terceira vez brevemente. É simplesmente brilhante. É tão magistral que se utiliza o termo kafkiano para muitas situações desconcertantes hoje em dia.  Esse é um ótimo autor para entendermos mais sobre nós mesmos. Outro gigante é Doistoiéviski. Livros como “Irmãos Karamazov”, “O Idiota” são absurdamente geniais e desnudam a “alma” humana com uma profundidade marcante.

"Marxista Cultural, Coxinha, Defensor de Capitalista, Não Patriota, Patriota, Individualista, Coletivista, Direitista, Esquerdista, Convencido, Humilde e inúmeros outros istas" depois de tantos rótulos recebidos, Soulsurfer com dificuldades existenciais para saber quem é. Nope, minha  única dúvida existencial esta noite é sobre se escolho peixe ou pasta e se amanhã vou para Frigates ou Pipes.


  “Ok, Soul, por qual motivo agora essa digressão sobre literatura?” Quando estive em Praga (aliás é uma das cidades mais bonitas em que já estive), tive o prazer de visitar um museu inteiramente dedicado a Kafka. Eu ainda quero voltar a esse museu e aproveitá-lo melhor, porém há algo que eu lembro como uma imagem muito vívida em minha mente. Na parte do museu que travava sobre o livro “O Castelo”  - outro livro sensacional também - havia uma montagem muito forte. Era mais ou menos assim (não sei se alguém que porventura ler esse artigo já leu o livro em questão): começava com um castelo que se tornava meio escuro, uma figura humana aparecia na tela - muito provavelmente representando o protagonista da história - , e uma  série de frases apareceram “Quem era ele?”, “Ninguém.”, “Não, ele não era ninguém, ele não pode ser ninguém”. "Ele era um estranho”, “ Um estranho.”, daí a imagem do homem ia se transformando aos poucos até que ficava visível pessoas num campo de concentração nazista. Não consigo pensar numa forma mais brilhante de colocar a questão. O processo de desumanização dos Judeus feito pelos nazistas passou exatamente pela habilidade de se construir uma imagem de “estranhos”. Está aí uma palavra que raramente utilizo no meu vocabulário para me referir a pessoas que não conheço, e quando o faço e me dou conta, sinto-me muito mal.

   O que isso tem a ver com rótulos? O exemplo do holocausto judeu vem bem a calhar. Há um livro muito forte também do escritor Primo Levi chamado “ É isto um homem?”. Não consigo imaginar um relato mais pungente sobre a miséria humana do que esse. O prefácio do livro é extremamente forte. Nele, Levi escreve expressamente que enquanto existir a mentalidade do “estranho”, “do outro”, as sementes para o abominável sempre estarão presentes. A forma mais nefasta que os rótulos podem ter é quando se tenta por meio de classificações associar pessoas, ou grupos inteiros, a conceitos extremamente ruins, e baseado nisso de certa forma “desumanizar" pessoas ou grupos de pessoas. Aliás, o primeiro passo sempre é a tentativa de desumanizar, tirar o que há de humano, de grupos ou indivíduos específico.  “Soul, está muito confuso e abstrato”, não é, colega. O padrão é, sem surpresas,  o mesmo. Um anônimo associou pessoas com doença. Isso foi exatamente utilizado pelos nazistas em relação aos judeus, que eram considerados sujos, mais propensos a transmitir doenças, bem como comparados a ratos. Os Hutus, no genocídio de Ruanda de 1994, também associavam os Tutsis a doenças, e os chamavam de baratas. Os exemplos históricos são muitos.  Por isso, é com extrema tristeza que eu constato que as afirmações de Primo Levi são verdadeiras. De alguma maneira, nós humanos temos a propensão de criar “estranhos” por meio de processos de rótulos, e que isso, na pior hipótese, pode levar a atos de genocídio.

  Conviver numa sociedade em que, mesmo que a nível inconsciente, de alguma forma se dê vazão, e muitas vezes são até mesmo incentivadas,  a condutas tão deploráveis como essa é algo para se preocupar. Isso apenas me faz ter certo que esse período de estabilidade social em que vivemos não é necessariamente um arranjo permanente. Quem não garante que “ defensores de capitalistas ” não poderiam perseguir, torturar, “marxistas culturais”, se tivesse poder para tanto? Quem não garante que “marxistas culturais” não perseguiriam e torturariam “defensores de capitalistas" se tivessem o poder para tanto? O que garante que isso não ocorra é um Estado de Direito, Instituições Sólidas, e relações humanas mais saudáveis e equilibradas. Ajuda também um lugar sem muitas tensões “raciais”, étnicas e religiosas,e nisso nosso país, ainda bem, é relativamente estável. Eu como posso ser rotulado de “marxista cultural” e “defensor de capitalistas” a depender do humor e do sinal se + ou - do interlocutor (já que as opiniões nesse nível são as mesmas, apenas possuem o sinal trocado), me daria muito mal se pessoas como essas algum dia chegassem ao poder num Estado desestruturado como tantos que existem no mundo. A única defesa é o Estado de Direito, e é por isso que sempre defenderei os direitos humanos, a legalidade constitucional e relações humanas mais saudáveis e menos agressivas. Não é de se estranhar também que luminares da humanidade tenham sido assassinados por trazerem mensagens de paz e amor, que de certa maneira são mensagens anti-rótulos - quando aplicados na sua pior utilidade que fique claro. Talvez seja por isso também que Nietzche disse que o único cristão morreu na cruz. Porém,  creio que começo a me afastar do tema proposto.

  Portanto, é preciso, no meu sentir, fazer sempre uma auto-crítica quando rotulamos ideias e pessoas e ter cuidado para que não cheguemos nas piores formas, como algumas pessoas parecem chegar por tão pouco.

   Eu, sinceramente, não me incomodo com nenhum rótulo que por ventura coloquem em mim. Já me chamaram de tantas coisas no trabalho, na vida, e até aqui mesmo nesse espaço pequeno da internet Aliás, esse foi um processo meu de amadurecimento. Para mim já é bastante claro que a forma de rotular ideias e pessoas de maneira acrítica é uma forma incompleta, preguiçosa e ineficiente de se analisar a realidade. Além do mais, não se tem controle sobre o que outros podem pensar sobre você, e se libertar disso é uma fonte a menos de stress e ansiedade. Acima de tudo, o Eric é muito maior do que o “Eric do Pilates”, assim como o Soulsurfer é muito maior do que qualquer rótulo verdadeiro ou não, e qualquer colega que esteja lendo esse blog é muito maior do que qualquer categorização que se tenha de si mesmo. 

Para desanuviar um pouco e incentivar mais pessoas a sair da rotina, cito uma última frase de Thoreau que bem poderia ser traduzida como "ode à viagem zen".

   Como último pensamento desse artigo, digo que nunca terei nenhum pejo para dizer o que penso sobre qualquer coisa. No ano passado, tive uma reunião em Brasília com o chefe da minha instituição. Provavelmente, ele é responsável de maneira direta e indireta pela gestão de bilhões ou centenas de bilhões de reais. Ele, para minha surpresa positiva, foi muito polido e gentil mesmo discordando de mim diversas vezes. Eu, por outro lado, mantendo a educação que recebi dos meus pais, fui respeitoso e o tratei como trataria qualquer outra pessoa. Discordei diversas vezes também, mesmo tendo assessores engravatados tendo olhos fixos em mim. Sendo assim, quando falo que se deve tratar com respeito qualquer pessoa, independente do seu poder ou dinheiro, eu falo realmente sério. Além do mais, não vai ser num espaço da internet que escrevo sem ganhar nada, sem qualquer responsabilidade, que terei algum receio de assumir posições sobre qualquer coisa. 

Não, Soulsurfer não estava dançando a macarena Foi uma tentativa satírica, talvez não bem sucedida,  de imitar a famosa foto do Jânio um pouco antes dele renunciar. A foto é sensacional e mostra a indecisão de um homem.

É isso colegas. Abraço a todos!

sábado, 13 de junho de 2015

FIJI+CLOUDBREAK+WCT+SLATER+ EU = SICK!

 Bula! E aí colegas! Hoje foi demais mesmo! Atualmente, estou em Fiji. O lugar é simplesmente fantástico. O povo é um dos mais acolhedores que eu já conheci. A beleza é indescritível. Na última semana, depois de tanta aventura e dias com inúmeras atividades na Nova Zelândia, eu e a Sra. Soulsurfer ficamos simplesmente sem fazer muita coisa. O lugar? Nacula Island pertencente a  Yasawa group. Ficamos num resort simplesmente espetacular. “Espetacular, aposto que era um resort luxuoso 5 estrelas!” alguém pode estar pensando. Nope. Na verdade ficamos num dormitório (um resort ter um dormitório foi novidade para mim), numa ilha paradisíaca. Quando falo paraíso, não estou exagerando. Já vi praias lindíssimas no Panamá, Filipinas, Tailândia, Indonésia, Malásia, mas uma ilha como aquela eu nunca tinha visto. Foi demais.

 Que lugar é esse...
Uma boa vista para se ter enquanto se come um delicioso café-da-manhã ou almoço.
Sem quase ninguém na ilha. Sem resorts cinco estrelas como é comum em muitas ilhas bonitas. Com um povo hospitaleiro ao extremo. O lugar é simplesmente sensacional. Se tivesse onda, eu acho que eu iria fazer um curso de dive master e morar um tempo no lugar.
   
Por 130 dólares por dia o casal, ficamos no resort com todas as refeições incluídas. Algumas refeições eram simplesmente deliciosas, pareciam feitas por algum chef extremamente talentoso. O resort era completamente integrado a natureza com capacidade para umas 70 pessoas. Nada de shopping-resorts como em Cancun ou algumas partes da Tailândia. Também não era tão rústico como San Blás no Panama. Era simplesmente perfeito. Passamos seis dias sem usar nem mesmo chinelo, fazendo SUP, andando de caiaque, nadando, ficando com o pé na areia e aproveitando as inúmeras atividades culturais que aconteciam de noite. A hospitalidade dos funcionários foi impressionante. Havia ali uma alegria e educação genuínas.

 Uma cervejinha local na janta sempre vai bem...
 Sempre havia atividades culturais, quase todas elas ligadas às pequenas vilas que existem na ilha e que de diversas maneiras se beneficiam do turismo. Uma forma inteligente de se ganhar dinheiro. Nesse dia era um coral, muito por sinal. O legal era que sempre envolvia todas as gerações. Tinha até mesmo uma criança muito simpática com síndrome de Down. Todos os dias tinha cerimônia de Kava, onde se tocava um som muito gostoso de se ouvir. Na última noite, teve dança típica e foi muito divertido mesmo. 
Educação e gentileza no atender e no se portar. Talvez uma boa medida seria trazer milhares de Fijianos para o Brasil. Ajudaria aos brasileiros serem um pouco mais gentis e menos agressivos no trânsito, em blogs de finanças pessoais, na fila do supermercado? Não sei, mas seria uma tentativa:)

    
       O lugar é tão bonito que um dos filmes que mais gosto foi filmado aqui: o sensacional e maravilhoso “Contato”. Se não bastasse isso, o famoso filme “Lagoa Azul” foi filmado na região, e eu tive a oportunidade de visitar alguns lugares da filmagem. Preciso rever esse filme, pois eu não lembro quase nada da história e do cenário.

Um dos locais onde gravaram o filme lagoa azul. Tentativa minha frustada de capturar o momento de um pulo.


 Todos os dias o sunset era impressionante, com uma explosão incríveis de cores. Alguns dias o céu era muito estrelado (não tanto como em alguns lugares que já estive, mas mesmo assim impressionante). Caminhar com a Sra. Soulsurfer descalço numa praia com uma água que parecia uma lagoa,sem quase nenhuma luz artificial com a iluminação das próprias estrelas na água (isso eu nunca tinha visto) foi uma experiência incrível mesmo. Um lugar para se voltar, com certeza absoluta.

 Sunsets sensacionais todos os dias...
Soulsurfer em momento de criança!


   Entretanto, o objetivo principal de estar em FIJI não é para relaxar em alguma ilha paradisíaca, apesar disso não ser nada mau e o divertido da viagem é se adaptar as circunstância do lugar, mas sim ver e tentar surfar ondas perfeitas que habitam o sonho de qualquer surfista.

   O velho e bom Nick também está em FIJI. Para quem não se lembra, ele é um dos americanos que conheci no salto de Bungy, depois reencontrei na iradíssima cidade de Raglan e viajamos diversos dias juntos, sendo que até mesmo num jogo de Rugby fomos em Auckland. Nick estava em FIJI há uma semana a mais do que eu. Em apenas 12 dias, o intrépido americano fez um curso de certificação de mergulho, mergulhou com tubarões de noite, tirou o longo atraso de meses (ele estava viajando com o Steve numa campervan por vários meses na NZ) num barco pesqueiro, quase garantiu vaga num navio partindo de FIJI para Austrália numa viagem que irá passar (meu deus do céu!!) por Vanuatu, Ilhas Cook, Nova Caledônia e ainda quase morreu numa experiência surreal para alguém como ele.

   Sobre trabalhar num barco, ele me indicou o site findacrew.net  É simplesmente sensacional. Meus olhos brilharam, pois é algo que sempre quis fazer. Simplesmente se pode cruzar oceanos, viajar por lugares impossíveis de serem atingidos se você é turista convencional, e isso tudo de graça. Fantástico. Com certeza eu vou querer aprender algumas noções básicas de navegação (e em alguns barcos nem isso é requerido) e vou querer fazer uma viagem dessas. Se juntar com os diversos sites que oferecem hospedagem em casas de graça desde que você cuide da mesma na ausência dos donos ou de algum animal de estimação, as opções de viagem são ilimitadas. Fiquei tão animado com a ideia, que estou considerando seriamente a possibilidade de mudar radicalmente a minha viagem. Talvez não volte tão cedo para o Brasil. Porém, creio que neste exato momento a possibilidade é pequena de fazer uma jornada como essa. Irado Nick!

    Sobre a quase morte do Nick, isso me leva ao tema da minha experiência extraordinária de hoje. Nick não sabia surfar há seis meses. Ele e seu amigo foram para NZ com o objetivo de aprender a surfar. Eu surfei com eles e fiquei impressionado com a postura deles na água. Obviamente, eles eram surfistas com quase nenhuma habilidade, mas surf é um esporte muito difícil mesmo. Atingir o nível deles de remar num mar de um metro e meio até o line up, remar em ondas e dropar (mesmo que reto) uma onda dessas é algo incomum para quem surfa há tão pouco tempo. Entretanto, eu adverti o Nick “Cara, Fiji é outro nível, pode ser muito perigoso, tome cuidado”. Não é que ele foi para Cloudbreak num mar de 6 pés plus (eu não surfaria num mar desses, muito menos se fosse a minha primeira vez em Cloud), junto com o Medina, Slater, Fanny, Toledo e o cara não pegou uma onda? Eu falei: “Não acredito que você fez isso”. Como ele não tem quase nenhuma habilidade, algo que vem com muito tempo de surf, ele dropou reto a onda. Não se faz isso numa onda como Cloudbreak. Ele se viu na zona de arrebentação e sendo cada vez mais empurrado para os reefs (corais) mais rasos. Não tem como remar de volta, e fico feliz que ele se lembrou do meu conselho dado ainda em Raglan de remar paralelo e tentar de todas as maneiras voltar para o canal. Ele disse que  remou quase 40 minutos pela vida e foi a coisa mais assustadora que ele passou na vida (e olha que o cara já fez semi-profissionalmente wakeborad e mount bike e tem inúmeras cicatrizes de acidentes com esportes). Apenas disse : “Meu amigo, isso que você fez foi uma mistura de coragem, insanidade e burrice”, ele apenas assentiu e respondeu “É, eu sei, mas eu surtei Cloudbreak dude!” O que me traz finalmente ao assunto do presente artigo.


   A etapa do campeonato mundial de surf (WCT) está acontecendo em FIJI nessa semana. Pensei comigo mesmo que seria algo sensacional assistir de perto a etapa mais alucinante do Tour. Cloudbreak é uma onda que quebra nos chamados outer reefs, ou seja no meio do nada. O acesso se dá apenas por barco. Sendo assim, não há ninguém assistindo, apenas os surfistas profissionais, o barco oficial onde eles fazem as filmagens e eventuais outros barcos que resolvem ir lá ver a competição (não é permitido surfar lá em dias de campeonato). O Nick arranjou um barco para nos levar lá de Nadi. Hoje de manhã, lá estava eu, minha companheira, o nick, uma família de indianos muito bacanas (conheciam até mesmo Ubatuba, o que foi algo bem fora do comum), dois franceses e um Kiwi. Meus amigos, para mim que sou surfista foi algo extraordinário avistar o palanque dos juízes no meio dos corais (quem é do surf conhece essa imagem). Quando chegamos lá, avisaram por megafone que barcos deveriam ficar bem mais afastados, mas mesmo assim era possível ver as ondas e os profissionais. O Mar estava 8 pés plus, ou seja grande (cloudbreak segura até 15 pés, quando está assim é uma das ondas mais perfeitas, pesadas e perigosas do planeta).

 Torcida de Fiji para o surfista local. Não deu para torcer para o fijiano, pois a bateria era contra o prodígio brasileiro Felipe Toledo.
 Cloudbreak e os seus tubos largos, compridos e pesados. 
Eu e Nick curtindo as baterias. Quem diria que iria ter tantas experiências fantásticas com esse americano sensacional.


      Ficamos vendo baterias do Felipe Toledo, e outros feras. Até que o Slater caiu na água. Para quem não conhece o Kelly Slater é o Pelé do surf, ou talvez o Pelé seja o Kelly Slater do futebol. O cara é 11 vezes campeão do mundo, tem mais de 40 anos e ainda é extremamente competitivo num  esporte dificílimo e que requer muito vigor físico. Ou seja, o cara é simplesmente uma lenda do esporte e não apenas do surf. A primeira onda do Slater ele pega um tubo bem profundo. A galera vibrou. Falei comigo mesmo, “caraca, preciso ver isso mais de perto”. Perguntei para o barqueiro se eu poderia remar na minha prancha até onde estavam os Jet Skis da competição. Ele falou “provavelmente não, mas vai lá e tenta”. Munido com a minha Go Pro fui remando até bem perto, chegando bem devagar. Quando me dei conta estava no meio dos Jets, bem perto das ondas, e olhei para o lado e tinham vários surfistas profissionais gringos conhecidos.

 Nossa, foi surreal aquilo para mim. Comecei a pensar “Estou em Cloudbreak vendo a famosa etapa do Tour, sentando na minha prancha nessa mar absurdamente azul,  vendo bem de perto essa onda excepcional”. Depois desse pensamento, vi que estava do lado do Kelly Slater e ele estava dando uma entrevista para um repórter sentado numa prancha como eu. A entrevista acabou e o Kelly Slater passou por mim e eu falei “Hey, man!”, e ele assentiu com a cabeça e fez um Hang Loose. 

   Logo depois disso chegou, creio eu, o chefe dos Jets e disse que eu não poderia ficar ali. Eu respondi “Beleza”, ele polidamente agradeceu. Foram uns 20-25 minutos bem intensos e muito bacanas para um surfista como eu que apesar de não ser um bom surfista em matéria de habilidade, possuo um grande sentimento em relação a essa prática que é muito mais do que um esporte. Aliás, é desse sentimento que vem o meu Nickname Soulsurfer.

 Soulsurfer remando em direção à adrenalina (canto direito sem camisa). Ao fundo área dos Jet Skis, e depois fui descobrir que as outras pessoas ali era a imprensa oficial do evento e alguns surfistas internacionais muito famosos (eu creio que eu vi o Fanny, a lenda Occhilupo)

Soulsufer sentando em sua prancha em Cloubreak. Ao fundo Kelly Slater dando entrevista. Mais ao fundo ainda as ondas de cloudbreak. Irado demais!! Ou como diriam os gringos: "Sick Bro!" (algo como "maneríssimo cara!")

    De tarde, depois de tanta adrenalina, peguei um cinema em Fiji (adoro ir a cinemas no exterior, tenho histórias interessantes em cinemas na Índia e Filipinas). Após o mediano filme "Lost World",  comi  camarões gigantes fritos no alho (yummy!!). What a day! Daqui alguns dias, se tudo der certo, será hora de não apenas assistir, mas de surfar Cloudbreak. Será que estou preparado? Não sei, só de pensar já me dá frio na barriga, muito, mais muito maior do que saltar de paraquedas, pular de bungy, ou pensar na possibilidade de perder dinheiro. Apenas a possibilidade de pegar um tubo, ou tentar entubar,  nessa onda perfeita coloca um sorriso na minha face, parecendo que voltei aos dias tão bacanas de criança.  Vamos ver o que vai acontecer.

Escrevi inúmeros artigos enquanto estava na ilha paradisíaca (vou publicando aos poucos). Também com um visual desses (pegava internet na praia), é um incentivo a escrever e manter a serenidade e paz de espírito ao responder alguns comentários...

Grande abraço a todos!