segunda-feira, 23 de junho de 2014

REFLEXÃO - RETORNO HISTÓRICO DO CAPITAL, PIKETTY, MERCADO ACIONÁRIO, GESTÃO ATIVA E OUTROS TEMAS

           Olá colegas, estava aqui trabalhando e pensando em escrever sobre RF (que se tratado com profundidade é extremamente complexo), e resolvi compartilhar com os leitores desse blog, uma salutar discussão que tive com algumas pessoas na internet.
A minha mensagem inicial tinha o foco de falar sobre: alguns fatos históricos, retorno sobre capital, gestão ativa e a fórmula básica de precificação do mercado acionário. Eu citei de passagem o livro do Piketty (para quem não sabe um economista Francês que escreveu um livro que está dando o que falar). Houve um comentário um  sobre esse pequeno detalhe do texto de citar o Piketty, e a conversa se transformou, e foi-se falado de impostos, justiça, paraísos fiscais, artigos do site Mises, países da Escandinávia, etc.
Eu coloquei algumas mensagens, mas acho que ficou meio se pé nem cabeça (foram muitas mensagens), portanto resolvi editar agora e apenas colocar a mensagem original, que ficou como se fosse um artigo.



"Colegas,

a) É muito interessante quando lemos sobre pessoas que tratam um determinado tema de uma maneira original. Aliás, nós termos tempo para ler sobre isso também é fundamental para tornar as nossas visões de mundo mais apuradas (e por isso falam sobre o decréscimo exponencial de utilidade marginal no estudo cada vez mais aprofundado de FII, um dos motivos é o custo de oportunidade do seu tempo estar sendo destinado a uma atividade que não irá trazer uma utilidade marginal muito pequena em relação a outras atividades onde a utilidade pode ser muito maior). Falo sobre isso, pois estou lendo o monumental livro do Sr. Piketty sobre desigualdade. Antes de mais nada, o livro, pelo menos até a parte que eu cheguei, é extremamente instrutivo sobre diversos temas que ou não são debatidos, ou são debatidos pelo “ouvi dizer” sem qualquer embasamento em dados. A toda evidência, o tema é central para o convívio humano no século XXI, se realmente queremos um mundo mais pacífico (não é demais lembrar, que ontem era o dia do refugiado, e a humanidade hoje possui mais deslocados – 51 milhões – que quando da segunda guerra mundial);

b) Porém, eu não vou falar sobre desigualdade aqui. Eu citei o livro do economista francês, pois ele utiliza muito a métrica retorno do capital. Esse retorno, e estou falando aqui de dados de 300 anos, tem uma média de 5% (em termos reais), mas atualmente ela oscila entre 3-4% (o que achei incrível, pois é idêntico aos 4% do estudo Trinity sobre uma taxa segura de retirada de portfólio para fins previdenciários). A toda evidência algumas espécies de ativos remuneraram mais do que isso e outros menos. Porém, essa foi uma média. Algo muito interessante também é ver um livro sobre economia citando exemplos de Balzac ou Jane Austen, tal fato inusitado fez o Sr. Krugman dizer que havia dezenas de anos que isso não ocorria, e o Gianetti fala exatamente a mesma em seus livros, que a discussão econômica foi dominada por apenas uma forma de ver os fatos (mas isso também é outra história, para um outro momento). Citei os exemplos literários de mais de 200 anos citados no livro, pois nos séculos 18/19 os conceitos de capital e renda deste mesmo capital eram intercambiáveis como se fossem a mesma coisa. Alguma semelhança aqui com FII e como as pessoas vem esses instrumentos para os seus fins sucessórios e previdenciários?

c) Se não ficou muito claro o final do último parágrafo, explico. A riqueza naquela época estava nas terras rurais (e é por isso que um dos maiores economistas clássicos, David Ricardo, focou toda a sua análise sobre escassez na relação terra x aluguéis). Logo, o retorno sobre o capital terra equivalia a 5%. Como não existia inflação naquela época, ou era muito reduzida como 0,1/0,2%, esse era um retorno real. Logo, os escritores daquela época diziam que 1 milhão de francos (no caso Francês) era equivalente a uma renda de 50.000 francos por ano. E essa era uma quantia para que a pessoa não precisasse trabalhar e ter uma boa vida. Logo, o capital 1 milhão era uma medida intercambiáveis com a renda. A outra forma de capital daquela época era ser credor do governo, e os governos também pagavam em média 5% reais (lembrando que não tinha inflação). Logo, o capital proveniente de terras ou o capital proveniente de empréstimos ao governo também eram noções intercambiáveis, pois a quantia de 1 milhão de francos era o passaporte para uma vida de rentista. Apenas a título de curiosidade, a frança deu calote em sua dívida quando houve a queda do antigo regime, pois possuía uma relação dívida/PIB bem alta. A frança também no pós segunda guerra, assim como a Alemanha, deram outro calote na dívida pela inflação alta(algo que pode acontecer num futuro não muito distante no Brasil, se não começarmos a discutir as questões realmente sérias nesse país). Já a Inglaterra nunca deu o calote na sua dívida por moratória ou por inflação nos últimos 300 anos. A relação dívida/PIB, que chegou a quase 200/250%, foi diminuída a base de superávits. Dá para entender agora por qual motivo o Brasil sempre, num janela de muitos anos ainda, vai pagar mais por seus empréstimos do que uma Inglaterra?
d) E o que isso tudo quer dizer Soulsurfer? Significa muitas coisas, colegas. Primeiro, essa ideia de não me preocupo com o capital, pois a função de FII é gerar renda, é muito, mais muito antiga. Segundo, o retorno sobre o capital sempre oscilou numa média histórica de 5% (e isso antes dos impostos), e está caindo para 3-4% (e há uma explicação muito lógica para isso, tem a ver com a relação capital/renda produzida pela sociedade seja nacional ou global, mas eu não vou adentrar nisso também). Logo, qualquer estimativa de longo prazo que leve a taxas de retorno do capital muito baixas ou muito altas, ou são pessimistas demais ou otimistas demais (e aqui a sua valoração vai depender de como você enxerga ideologicamente o retorno sobre o capital);
e) Portanto, se uma pessoa possui um capital de 5M, e vive com 100k, dando um retorno de capital sobre 2%, ela pode estar em FII, renda fixa, ações, não vai fazer diferença, a não ser que haja eventos de ruptura completa da ordem como a revolução bolchevique de 1917, a desapropriação em massa de fazendeiros brancos no Zimbábue no final da década de 80 ou se você era Judeu em boa parte da Europa entre os anos de 33 a 45. Esse nível de 2% é metade dos 4% do estudo Trinity, logo, não há chance de dissipação do capital e não manutenção da renda (na verdade alguém com esse patrimônio faz parte da super elite mundial, faz parte dos 0,1% do mundo, apenas lembrando que na época da revolução francesa, a nobreza que vivia em festas nos palácios representava 2,5% da população). Logo, quando fomos discutir decisões financeiras ótimas ou não-ótimas (retornos esperados para determinados graus de risco) não faz sentido confundirmos essa discussão com risco de exaurimento do capital em casos extremados como esse. São duas coisas distintas;
f) Por mais abstrato que isso possa estar parecendo, ele é fundamental para nos dizer que os yields atuais dos FII (estimando em 10%) são o dobro do retorno histórico do capital. Para melhorar a situação, esses retornos são isentos de impostos, e o retorno atual do capital de 3-4% é pré-tax, que em países ricos ultrapassa 30%. Portanto, e aqui concordo com o Small, esses dividendos não serão provavelmente sustentáveis no médio/longo prazo, nem mesmo a isenção dos mesmos, pois eles diferem em muito do retorno médio do capital, numa forma de investimento que é muito menos arriscada do que o investimento em setores produtivos (mercado acionário);
g) Aqui mudo um pouco o enfoque e o tema. Colegas, acadêmicos, gestores de fundos hedges, grandes investidores, concordam que o retorno do mercado acionário pode ser resumido na seguinte equação (presumindo-se uma taxa de payout constante do tempo, bem como valoração constante):
Equity premium Risk + Return on Riskless asset = Dividend Yield + Real Growth (ou EPR + Y = D/P +G).
Para quem já leu ou pensou sobre o assunto, sabe que o lado esquerdo nada mais é do que a taxa de desconto, sendo que o lado direito nada mais é do que o fluxo de caixa.
Algumas pessoas cometem o equívoco de comparar o Y nominal (geralmente a taxa de um Bond americano, se a análise for daquele mercado) com um G real. Isso é muito comum, e a toda evidência não se pode comparar medidas nominais com medidas reais, sob pena de se chegar a valores subavaliados no caso (o que não deixa de ser uma margem de segurança).
h) Os inputs dessa equação podem ser trabalhados de diversas formas, e dependendo dos resultados podem mostrar se há sobreavaliação ou não, se há otimismo exagerado ou não. Geralmente, o otimismo se concentra na parte do G, ou seja do crescimento real dos dividendos, ou se você usar um modelo do fluxo de caixa para empresa, do crescimento real dos lucros. Logo, as pessoas podem estimar crescimentos reais de 5%, 10%, 15%. Entretanto, sabem qual foi o crescimento real dos lucros e dos dividendos na maior potência econômica da história mundial entre 1950-2009 (época do grande boom econômico americano pós-guerra)? 1.5% e 1.3% respectivamente. Sim, isso mesmo, os lucros das empresas americanas listadas na bolsa tiveram em média um crescimento real dos lucros anualizados de 1.5% (a título de curiosidade o crescimento do PIB real americano foi de 3%, se você ficou confuso pelo descompasso entre o crescimento real dos lucros das empresas e o crescimento real do PIB, isso se deve principalmente ao fato de que boa parte do crescimento de uma economia se dá nas start-ups, empresas que não estão listadas em bolsa. Pode-se imaginar que o descompasso no caso brasileiro, talvez seja maior ainda, devido ao tamanho diminuto de nosso mercado).
i) Logo, previsões de crescimentos reais de 10-12% para o mercado como um todo são completamente dissociadas da realidade e dos retornos históricos. Geralmente, esse super-otimismo acontece apenas em investidores individuais bem como em analistas, pois gestores de fundo hedge, por exemplo, costumam serem muito mais pessimistas em relação ao crescimento. Já vi gráficos que quando as previsões de crescimentos de analistas e investidores amadores/ou retaliers ficam assim sem qualquer base com a realidade é quase que completamente correlacionada com momentos pré-crash. O motivo é claro, quando se é otimista demais com o crescimento real dos lucros, se pode pagar pelos ativos preços esticados em seus múltiplos (P/L, P/VP), o que leva a valorações extremas dos ativos;
j) O crescimento tende a diminuir no mundo, e isso é muito bem explicado pelo Pikkett no livro. O crescimento real de uma economia depende de dois fatores: o crescimento da produtividade e o crescimento demográfico. Quase metade do crescimento de uma economia é explicado pelo crescimento demográfico. É por isso, amigos, que economistas sérios brasileiros nos alertam sobre o período em que o Brasil deve crescer para enfrentar os desafios do futuro, nós estamos passando por um período de transição demográfica, nós estamos no melhor momento demográfico possível, e ele vai se encerrar em 2040/2050, assim como encerrou-se na Europa. O Japão atualmente possui crescimento demográfico negativo, sendo assim o Japão apenas com aumento de produtividade não vai crescer a 3% real ao ano no longo prazo, independente de qualquer política de afrouxamento monetário.
k) Isso quer dizer que o crescimento da economia, e do lucro das empresas, irá diminuir no longo prazo, o que é compatível com uma diminuição no retorno da capital. Portanto, as previsões deveriam ser mais cautelosas e não otimistas. Soul, você está falando sobre a média do mercado, eu vou fazer gestão ativa e escolher as melhores empresas. Sim, estou falando sobre a média do mercado, e realmente há empresas e setores que irão se sair pior e outras se saíram melhores, e a esmagadora maioria ficará na média. É uma estratégia de investimento, e eu também gosto de fazer. Porém, precisamos estar cientes de alguns detalhes;
l) A literatura é unânime que a gestão ativa é jogo de soma negativa. Não é matematicamente possível a média da gestão ativa ser melhor do que a média do mercado (gestão passiva), e o motivo é muito simples.
O retorno do mercado acionário = Média do retorno de investidores ativos x percentual de capitalização deles no mercado + média de retorno de investidores passivos x capitalização deles no mercado.
Isso pode ser escrito como RM = Rativo x Cativo + Rpassivo x Cpassivo.
Se nós temos um mercado divido 50% entre gestão ativa e passiva, e o retorno do mercado acionário é 10% (o que presume-se que o retorno dos passivos será de 10%) teremos:
10% = Rativos x 50% + 10% x 50%. Amigos, o retorno dos investidores ativos só pode ser 10%. Qualquer capitalização que você coloque para os investidores ativos, redundará que a média dos investidores ativos será igual a média do mercado.
Se colocarmos as taxas administrativas e os altos custos de se ter uma estratégia ativa, o retorno médio dos investidores ativos sempre será menor do que a média de retorno dos investidores passivos.
O que acontece na verdade, é que há uma competição entre investidores ativos para quem vai se posicionar acima da média, e na verdade o que acontece é uma transferência de renda de investidores para os gestores financeiros do mundo. Isso é tão evidente, e está ficando cada vez mais escancarado no mundo, e pode ser muito bem visto num documentário como o “Inside Job”. Gestores não perderam dinheiro, pelo contrário receberam milhões de dólares mesmo pós-crise. Gestores financeiros nos EUA podem ganhar centenas de milhões de dólares por ano. De onde vem esse dinheiro? Do alpha (retornos em excesso sobre um benchmarket ajustados pelo risco)? É claro que não, vem do jogo de soma zero, da transferência de dinheiro de uma camada numerosa da população para o bolso de uma minoria. A situação é tão extrema nos EUA que o J. Bogle tem um livro chamado “Dose Certa” onde ele passa metade do tempo metendo o pau nisso, mesmo ele sendo um dos gestores financeiros mais respeitados do mundo;
m) Se a pessoa entende que a gestão ativa é um jogo de soma negativa (e os investidores amadores perdem por uma margem absurda no longo prazo para uma gestão ativa segundo várias pesquisas. Os únicos que mais ou menos empatam são gestores de fundos hedge, mas estes são a nata da elite intelectual financeira), ele pode tentar achar empresas ou ativos que irão crescer a taxas reais de 8/10/15% em períodos longos de tempo. Se tiverem sorte ou competência, o fenômeno Equity Bond bem exposto por W.Buffett se aplica em toda sua completude, e a toda evidência os retornos serão fabulosos. Porém, é sempre ter em mente o número G (crescimento real dos divendos), bem como o retorno do capital historicamente nos últimos 300 anos em mente.
n) O fato do W.Buffett não conseguir vencer um índice nos últimos cinco anos a toda evidência não denigre as habilidades de um dos maiores investidores de todos os tempos. Isso apenas mostra que quando um mercado é consolidado como o americano (e como o mercado brasileiro não o é, uma estratégia ativa faz mais sentido), até mesmo um grande investidor, cercado por dezenas de analistas que devem ganhar milhões de dólares, não consegue bater um simples ETF. Isso deveria ser um alerta para baixarmos nossas expectativas, em minha opinião. Hoje os mercados são muito mais competitivos do que antigamente, e cada vez mais fica difícil explorar qualquer ineficiência que o mercado por ventura possa oferecer;
o) Se você ainda não faz parte da super-elite mundial com patrimônios superiores a 2 milhões de dólares para poder contar com o retorno sobre o capital, e se suas expectativas devem ser mais cautelosas, o que se deve fazer? Como bem dito pelo colega Paulo (e isso é matemático também), o foco deve ser na constituição do patrimônio, no aporte, no engrandecimento na profissão ou na assunção de riscos no empreendedorismo. Não há outra solução.
Obs: não revi eventuais erros ortográficos.
Abraço a todos!"

      É isso aí, colegas, o tema que se desenvolveu depois foi bem interessante, mas ficou muito grande para se colocar aqui como um post no blog. Abraço a todos!

83 comentários:

  1. Soulsurfer,

    Sobre os temas, acho que não tenho o que falar, pois o que foi falado foi tudo o que sei sobre o tema, e ainda muito mais coisa que não sabia.

    Gostaria de saber um e-mail para contato seu para que possa perguntar sobre alguns livros que foram citados.
    Abraços

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    1. Olá Estagiário!
      Qual é o seu e-mail? Eu te envio um e-mail, pois ainda não personalizei um e-mail para mim só do blog.
      Se puder ajudar, será um prazer.

      Abraço!

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    2. Se quer perguntar Estagiário, qual o problema de perguntar aqui ? Alguém até pode ajudar na resposta.
      Ou talvez não seja este realmente o assunto que quer falar com o Soul...

      Até o momento 4 blogueiros já divulgaram seus e-mails em um espaço de menos de 30 dias. Coincidência ? Não creio.

      Estamos de olho...

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    3. Soul,
      Entendi.
      Manda um e-mail para o oblogdoestagiario@gmail.com

      Obrigado

      Anônimo,
      Não gosto de fazer delongas sobre um tema que foge a postagem, assim como muitos anônimos fazem, se fosse realmente agregar valor a conversa, as perguntas seriam feitas por aqui mesmo.

      Uta!

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    4. Anônimo23 de junho de 2014 21:49
      "estamos de olho" kkkk. E o que vai fazer a respeito?

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  2. Muito interessante o post, Soul, mas há alguns pontos a considerar:


    - Possibilidades de crescimento em outros países além do Brasil pode ser benéfico para um investidor que queira colocar seu dinheiro em nações outras nações emergentes, a internet permite mover dinheiro com um clique de mouse;



    - Segundo, para a nossa geração de blogueiros investidores, que têm de 30 a 40 anos, vai ser interessante ganhar acumular muitos ativos até 2040. Após isso, acredito que a maioria de nós estará com capital acima de R$ 2M. Seriam 26 anos de acumulação, com direito a fruir um pouco dos dividendos a partir de 2020;

    - Terceiro, o Brasil já importa trabalhadores pobres de Bangladesh, Colômbia e outros, sempre vai haver gente aceitando trabalhar na construção civil, na limpeza urbana, nas casas populares de prostituição. Os pobres ainda vão continuar muito muito tempo no mundo.

    Por último, até 2040 teremos bastante dinheiro para viajar, pagar por lazer no estilo Troll, comer bem, viver melhor que hoje.

    - Guerras e revoluções também podem provocar quedas nas bolsas, que depois de um tempo se convertem num mercado altista. As próprias quedas aumentam os dividendos pagos. Empresa sem dívida sempre será boa empresa para comprar ações.

    Deixemos para as PRÓXIMAS gerações os problemas. Como não tenho filhos, nem quero ter , a questão da diminuição do crescimento do país não me tira o sono.


    Abraços,

    Carioca

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    1. Olá Carioca!
      a) Exatamente. Inclusive o próprio Siegel fala que são os países pobres que podem sustentar a previdência dos baby boomers americanos. O capital da geração da década de 50/70 pode ir para esses países e se aproveitar de crescimentos maiores, ajudando tanto os países, como os investidores. Bom ponto;

      b) Como disse aqui uma vez, as pessoas podem não acreditar, mas eu creio que as pessoas que escrevem ou participam de blogs de finanças já possuem um conhecimento sobre finanças muito acima da média brasileira e mundial. Portanto, creio que boa parte parte, ou a esmagadora maioria das pessoas atingirá seus objetivos financeiros;

      c) O ano de 2040, o Brasil vai ser muito diferente. Para mim a questão é tão séria, que acho incrível nenhuma liderança política estar pensando nisso. O Brasil nessa época terá completado a transição demográfica, ou seja crescimentos na economia apenas com aumento da produtividade, a demografia não será mais um bônus. Se a gente não crescer em níveis razoáveis até 2025/2030, só o aumento da produtividade ( e há previsões que a produtividade aumente algo em torno de 1% real por ano em países mais consolidados como EUA, EUROPA), eu temo que o Brasil vai envelhecer sem ter enriquecido (como na Europa, que eles envelheceram, mas enriqueceram), e nós vamos ter, para boa parte da população, uma vida sofrida;

      d) O seu tópico sobre guerras e revoluções é bem interessante. Eu acho que o assunto é mais complexo. Uma guerra é bom para quem não está investido (assumindo apenas finanças, não estou entrando na questão moral), para quem está investido pode significar o colapso da riqueza, se houver concentração geográfica. O livro do Pikkety aborda esse tema de maneira bem bacana.

      Aqui discordamos um pouco. Eu acho que é uma questão ética nos preocuparmos com as próximas gerações, como no caso da questão ambiental, por exemplo.
      A questão do crescimento econômico não é tão grave como a questão ambiental, mas se eu legar aos meus filhos e netos um país envelhecido e de renda média, com certeza a vida deles será pior (para os meus filhos talvez não, principalmente se o Brasil continuar não tributando a herança, mas para a futura geração do Brasil com certeza).

      Valeu amigo!

      Abraço!

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    2. anônimo carioca = investidor troll e suas conclusões rasas

      mais ingênuo óbvio, impossível

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    3. Olá, colega.
      Acho que o Carioca trouxe insights interessantes, principalmente o primeiro ponto que a previdência dos trabalhadores dos países ricos pode talvez ser sustentada pelo crescimento dos países pobres. É algo interessante, e de certa maneira central no livro "Ações para o longo prazo".

      No mais, vamos tentar discutir as ideias sem partirmos para algumas provocações subjetivas.

      Abraço!

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    4. Olha, Soul: vc gosta de contemporizar; mas acho que vc passa muito do ponto. E quando se contemporiza em excesso nunca se chega a nenhuma conclusão ou a lugar nenhum: o famoso em cima do muro.

      Aliás é por conta desse espírito excessivamente contemporizador de nossas elites políticas e empresariais que estamos até hoje remando no mesmo lugar. Ou vc fica bonito na foto ao lado de todo mundo sem arranhões, ou assume uma posição/opinião crítica realmente forte e não tão somente "esteticamente forte" por ter aparência de culta.

      O que tal carioca falou é basicamente primário e fantasioso, porque atribui conclusões sobre o futuro a partir de expectativas e anseios pessoais e deduções rasas sobre eventos complexos.

      E pra vc : acreditar investimentos em "crescimento de país pobre" é algo paralelo como apostar na compra de um mico apostando no seu turnaround; o retorno é alto ou compensador, mas existe risco alto e quando no final tudo dá certo essas apostas nunca caminham de forma linear. Portanto uma "previdencia" de país rico até pode apostar nisso, mas não pode acreditar nisso numa medida que afete seus pensionistas se der errado. E isto sem contar no envolvimento jurídico internacional. O que dirá então um zé blogueiro num clique de mouse - como ele escreveu - transferindo investimento pro exterior sem nem saber como é a legislação ou quanto custaria pra defender seus caraminguás no exterior se algo der errado. Mais ingênuo, repito, impossível.

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    5. Olá, amigo!
      Hum, não sei se eu gosto tanto assim de contemporizar, pois sempre fui de ter opiniões fortes. Aliás, autoridade, sem legitimidade, nunca se deu bem comigo, seja na escola (onde eu liderei uma greve aos 11 anos), na faculdade e mais recentemente, e principalmente, no trabalho.
      Também não tenho nenhuma, e não digo que você tenha dito isso direcionado a mim, necessidade de ficar "bem na foto", pois não há qualquer vantagem para mim nisso, e mesmo se houvesse não é do meu feitio, uma das coisas que sempre dei muito valor foi a minha liberdade intelectual.
      Porém, concordo com você, que há um risco de se contemporizar, e não se discutir os assuntos sérios seja de um país, seja de uma comunidade ou até mesmo de um relacionamento (pois há diversos níveis de problemas na vida de um ser humano).

      Sobre os pontos objetivos levantados. Veja, ninguém aqui é economista profissional ou investidor que maneja dezenas ou centenas de milhões de reais. Todos aqui estamos aprendendo, uns mais do que outros, mas todos estão se esforçando.
      Você aparenta ter um grande conhecimento, mas a até um pouco tempo atrás, se alguém falasse que a previdência dos baby boomers poderia seria sustentado, ao menos parcialmente, com uma melhora econômica na África, eu ia simplesmente falar "Ahn?".
      Portanto, eu realmente não achei despicienda a manifestação do colega carioca, por mais óbvia que possa parecer a uma pessoa com um entendimento superior na questão.

      Concordo plenamente que são variáveis complexas, e o nosso amigo externou anseios pessoais se concretizarem, e qual é o mal nisso? Se, e se não me engano ele é servidor público, ele continuar poupando, investindo, fazendo alguma alocação de ativos, e principalmente se ele não tiver filhos, eu creio que a probabilidade de ele poder viver do capital, viver de renda, ser rentista, ou qualquer outra denominação que possamos dar, é bem grande.

      Seus pontos são válidos e interessantes. Porém, a partir do momento que uma população se torna estável ou decresce ligeiramente, o seu crescimento virá única e exclusivamente do aumento da produtividade, e ela é limitada em países já altamente produtivos e de ponta do ponto de vista tecnológico, não há o fenômeno do "catch up" como está acontecendo em algumas economias emergentes, mas notadamente a China (que talvez nem mais emergente seja).
      Logo, parece-me claro que o retorno do capital, seja acionário, seja de títulos, irá diminuir, como já está diminuindo nesses locais, o que fará necessariamente que haja necessidade, se quiserem manter os seus planos de previdência sejam públicos ou privados, de alguma alocação em mercados emergentes ou até mesmo "frontier" markets.
      Veja eu não disse depender, mas sim diversificar. É claro que os pensionistas de país rico e estável não podem depender única e exclusivamente do fluxo de países mais pobres, e que são naturalmente mais instáveis. Porém, uma parcela das previdência desses países será sim bancado por esse tipo de fluxo.
      Um fato para isso é que a posição líquida de ativos estrangeiros de um país em estagnação demográfica como Japão é atualmente de mais de 50% do PIB. Para se ter uma ideia, as potências coloniais ,no auge do colonialismo, há 150 anos atrás possuíam posições líquidas de 100/150% (e estou falando das duas maiores dela França e Inglaterra, que praticamente dividiram a África e a Ásia). Logo, já é possível ver esse movimento em alguns países. A Alemanha é outro país com posições líquidas de 50% do PIB, logo se o retorno do capital for de 5%, teoricamente Alemanha e Japão podem sustentar 2,5% do PIB em previdência com o mundo trabalhando para eles.

      Sobre a regulação jurídica internacional, você tem razão. Porém, e você deve saber tanto como eu, isso redunda em spreds maiores pelo prêmio de default ou prêmio de downgrande, que na verdade são a mesma coisa. Quanto mais instáveis juridicamente, mais prêmio, mais yield (títulos baratos) os países terão que pagar.

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    6. Olha, o investimento no exterior teria que ser feito na forma de ETF para investidores pessoas físicas. Logo, o risco não-sistemático é diversificável, ficando apenas o risco sistêmico a depender do ETF escolhido.

      Valeu pela contribuição, amigo!

      obs: assine o nome, pois gostei da sua resposta, e nas próximas saberei com quem estou conversando.

      Abraço!

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    7. Em nenhum momento se falou de colocar TODO o capital num país emergente, nem se falou de não conhecer NADA da legislação deste possível país. Caso haja um ETF com bom retorno, vale a pena alocar UMA PARTE do patrimônio por dois ou 3 anos.

      Sou servidor público, já tenho casa própria, não pretendo construir patrimônio para herdeiro nenhum, então é óbvio que minhas estratégias são diferentes de quem tem filhos, quer deixá-los com muitos bens, trabalha na iniciativa privada e quer comprar uma casa. Mas cada um escolheu o que achou melhor.


      Soul, vc já assisitu ao documentário "Born Rich" , que fala da vida de alguns herdeiros bilionários americanos ? http://www.youtube.com/watch?v=7xhuSxyHWRw . A parte da qual mais gosto é a questão do aprendizado sobre casamento e separação de bens que ocorre aos 5 ANOS de idade. Nas famílias de posses, a Educação Financeira ocorre desde o jardim da infância, por outro lado, nas outras classes ele quase nunca ocorre....


      Ass.: Carioca

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    8. Carioca, não conhecia esse documentário não.
      Valeu pelo link, como tem 80 minutos, vou ver se assisto essa semana.
      Eu não tenho a menor dúvidas, que nas elites mundiais (falo de centenas de milhões), o dinheiro vai continuar na família por muitas gerações, e provavelmente aumentará.
      Sério? hehehe, guri com cinco anos ouvindo sobre separação total de bens?
      Meu pai quando eu tinha essa idade sempre falava que dívida era escravidão, que para possuir certos bens era necessário ter muitas vezes o valor desse bem (como um carro, por exemplo), mas nunca recebi uma educação focada no dinheiro como um bem em si mesmo (e também veio de uma família classe-média).

      Abraço!

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    9. Carioca, ETF com um bom retorno é algo que não existe. ETF pertencem a categoria de renda variável na qual retornos passados não garantia de retornos futuros. Pro seu bem, procure evitar imagens idealizadas.

      Quanto ao seu comentário sobre "aplicar todo ou parte" isso é relativizar demais. Rendas sobre "parte de muito" podem sustentar um enorme contingente de pensionistas de um grande fundo, mas "parte de pouco" ou "parte de marromeno" talvez não seja suficiente pra pagar nem um plano de saúde meia boca. Quando se "relativiza" é preciso pelo menos apresentar isso dentro de um contexto minimamente real. Porque falando assim, tudo não passa de frases de efeito.

      Estratégias de uma maneira geral é uma linha pré-definida de comportamento: o que fazer dando tudo certo e principalmente dando tudo errado. Ter estratégia não é sinônimo de "ter controle" ou "poder de construção" de resultados futuros desejados ou idealizados.

      Sobre o filme citado nada mais é uma catarse sobre herdeiros milio/bilionarios dirigida por um deles sobre o fardo emocional (que não é pequeno..) pela responsabilidade do nome e patrimonio imensos que são obrigados a carregar; nada a ver com educação financeira

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    10. Colega, ETF nada mais é do que a réplica, com um baixíssimo tracking record e baixo custo, de um determinado benchmarket.
      Pode ser de Renda Fixa, de ações, de commodities, etc.
      O retorno será o de "mercado", pode não ser estupendo como alguns gestores ativos conseguem, mas será razoável, se equity premium, credit premium, value premium, continuarem a existir no médio/longo prazo.

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    11. E mesmo replicando exclusivamente "renda fixa" (o que seria algo desnecessário através de um ETF...) a mesma tb não promete retornos...

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    12. Olha, depende.
      Você poder quer investir em mercados emergentes como Vietnã, Mongólia, e capturar o spread sobre títulos de mercados mais maduros, mas não quer se expor ao risco de um determinado país, pois afinal se a pessoa não for especialista, fica difícil saber o que pode acontecer na Mongólia, Nigéria, Vietnã, etc. Logo, a pessoa pode comprar um ETF que invista em títulos de desse mercado de uma maneira pulverizada, algo que seria muito difícil para um investidor que não fosse institucional. Portanto, os ETF de renda fixa, algo que ainda não existe no Brasil - acho que vão lançar um esse ano - é algo que pode ser muito interessante.
      Para quem entende de renda fixa, e confesso que estou tentando aprofundar, mas estou encontrando dificuldades, operar com índices de RF é um prato cheio, e na verdade é onde quase todas as analises quantitativas focam os seus canhões.

      O retorno ex-post, pode ser muito diferente do retorno esperado ex-ante, nisso você tem toda razão, mas isso ocorre com tudo na vida, a não ser que peguemos um mercado monopolista e compulsório como ser dono de cartório no Brasil....

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    13. Olha, Soul, não tem porque - por motivos práticos - um ETF exclusivo sobre titulos de emergentes. Nada impede que se crie um, mas o mais prático pra isso é através de um fundo de cotas gerido por algum banco. Até existem em outros modalidades de titulos, mas todos são direcionais, porque envolvem câmbio embutido (risco extra). Pulverizar apostas na mesma direção (titutos de paises emergentes) "ajuda", mas não é sinonimo de proteção (já que todos apostam no crescimento de promessas e sem pensar no default dos mesmos) e muito menos de resultados espetaculares ( a média nunca é maior que o melhor resultado individual)

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    14. Colega, há diversos ETF desse tipo no exterior, então não entendi porque deveria ser feito por um banco, com uma taxa administrativa provavelmente maior.

      Sim, o risco é direcional, pois não se está falando de arbitragem, assim você tem razão sobre o risco direcional.

      O risco extra é relativo. Os dados que eu vi não havia muita diferença, do ponto de vista de um investidor em dólares, de posições hedge com posições unhedge no médio prazo. Para posições de curto prazo, você também tem razão que há um risco para quem não faz hedge cambial, o que não é algo tão difícil ou custoso de se fazer.

      Olha, o spread é calculado, se fizessem uma modelagem estatística pelo expectativa de default ( e também pode ser feita para downgrade)

      Expected default Loss = Default Probability (1 - Recovery rate)

      Usados dados históricos, os estudiosos chegaram a conclusão que os prêmios de crédito (principalmente em títulos um grau dantes do investment grade - graduação BB) não justificavam as probabilidades de defaults encontradas pelos dados históricos.
      Sendo assim, os spreads já possuem um belo colchão de segurança contra defaults, se você estiver pulverizado e mitigado o risco não-sistêmico, evidentemente.

      Portanto, se há algo que faz sentido diversificar via ETF é dívida de mercados emergentes.

      Abraço!

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    15. Entendo... como eu disse nada impede que se crie um. Mas existe liquidez suficiente pra esse produto no nosso mercado pra montar esse ativo sugerido? Por isso o mais prático é atraves de um fundo fechado (condominio) de algum banco local. E um PF vai comprar um ETF desses no exterior? Todo o custo operacional gasto nessa aventura financiera compensa a taxa maior de um fundo de cotas gerido por um banco local?

      E hedge cambial não é dificil mas é custoso, sim. Vai exigir um retorno muito alto pra cobrir o seu custo se for um hedge 100%. Se não fosse assim, apostas em mercados externos, comodities, ações, etc... seriam mamão com açucar. Como disse relativizar demais não é bom caminho...

      Quando deixamos de relativizar em excesso algo, a realidade é sempre uma chatura....

      E se dados históricos analisados sob o ótica de estatisitica pura e simples, nem sempre são garantia de segurança: vide a crise da divida do mexico em 82, a asiatica e a "inesperada" crise russa do final dos 90 a moratoria do brasil com sarney nos 80 e a atual da argentina e por aí vai...

      Quando um spread de default chega ao mercado, acredite, quem calcula os mesmos quase sempre são os mesmos envolvidos com quem vendem ou repassam esses titulos. Se fossem bons e sem risco, não vendiam "fatiado" no varejo pra PFs. No frigir dos ovos não é vc diluindo risco, mas sim, "eles" diluindo em cima dos pequenos investidores seus riscos. Recomendo, olho vivo e faro fino.... rs

      Já que gosta tanto de ler, recomendo: "Satyajit Das: Traders, Guns and Money

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    16. Colega,
      a) Concordo contigo sobre relativas, e todas as minhas mensagens foram nesse sentido. Não estou dizendo que há nada que não ofereça risco ou "transtornos". Creio ser importante deixar isso claro;
      b) Nós estávamos falando em teoria. Agora passamos para aspectos práticos de um investidor local brasileiro. Não se esqueça que tudo começou com uma mensagem do carioca dizendo que no futuro poderia diversificar no exterior. Não podemos saber quais produtos financeiros teremos a nossa disposição daqui 15 anos, a tendência é que instrumentos internacionais de gestão passiva aumentem, como aumentaram lá fora nas últimas décadas. Como sempre há um "lag" entre lá e aqui, quando chegar lá em 2030, data citada pelo nosso amigo, é possível que haja inúmeros ETF para se investir acessíveis ao investidor nacional.
      Também, e não tenho certeza, aliás se você soubesse mais detalhes seria de grande valia, mas eu vi em algum lugar que não era tão caro enviar dinheiro para o exterior para uma conta em alguma corretora lá fora. Eu vi algo em torno como R$300,00 de custo para 300.000 mil reais. Mas, posso estar enganado, se for isso mesmo, o custo não é alto.
      c) Olha, posso também estar falando bobagem, e uma vez perguntei até sobre isso para alguém que entende muito mais do que eu que é o Finanças Inteligentes. Ele me disse que os custos não eram altos, como não mexo com futuros não posso dizer. É alto o custo para alguém que entra com dezenas de milhões de dólares vender contratos futuros? Isso tem um custo, esse custo eles colocam no spread entre os títulos aqui e os BONDs americanos, deve compensar, senão não teria tanto dinheiro entrando em investimento em carteira, que é aliás o que está ajudando a conter nosso déficit corrente;
      d) Acho que se estamos relativizando, ambos estamos fazendo:)
      e) Não, colega. Acho que não fui claro. Pegando dados históricos, se pode calcular uma taxa de default. Com essa taxa, jogando na equação que eu disse, se pode chegar a um spread ex ante. O que eles acharam é que os spreads são bem maiores, o que é motivo de debate para saber por que isso ocorre. Algumas respostas é porque deve ser um prêmio por iliquidez, remuneração pelo risco de assumir um ativo mais arriscado do que os títulos governamentais em momentos de crise (os spreads tendem a alargar muito em períodos de crise, o que causa perdas nominais para quem faz gestão ativa com esses títulos, ou índices). Os melhores momentos, como sempre, para se posicionar é quando os yields alargam demasiadamente, como deve ter sido o caso dos episódios citados por você. O fato é quem ficou long, sem fazer gestão ativa, e diversificou os riscos não-sistêmicos, obteve excesso de retorno sobre os títulos americanos;
      f) O problema para investidores institucionais é que eles gostam de se alavancar, principalmente na renda fixa e nessa espécie de títulos. Foi assim com o LTCM, ele faliu não por causa da moratória russa, quer dizer foi o motivo que engatilhou tudo, mas por causa da alavancagem absurda de 30:1. Esse é o problema, a alavancagem que pode causar estragos.
      Aliás, outro filtro interessante que li esse fds, e nunca tinha visto escrito em nenhum lugar aqui no Brasil, é a correlação negativa, principalmente no médio prazo entre alavancagem total do mercado e retorno. Eu conhecia a correlação negativa entre VIX e preço no mercado à vista, mas essa de alavancagem não.
      Portanto, para um investidor com horizonte longo, os riscos, numa carteira diversificada costuma ser minimizados, não excluídos, por mais que eu leia a equação: comprar em valorações baixas + horizonte médio/longo de tempo é difícil de ser superada.
      g) Com certeza, bela recomendação, precisamos sempre estar atento, e principalmente seguir o conselho do Buffett não entrar em nada que a gente não sabia bem o que está comprando. Se não entendeu direito, não compre.

      Obrigado pela dica, já anotei aqui na lista (várias recomendações nas últimas semanas dos amigos do blog, obrigado a todos!)

      abraço!

      obs: não gostaria de se identificar?

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    17. Soul, só pra concluir e não deixá-lo sem resposta:
      a) Ok
      b) Conjecturas para 2030, desculpe, fogem da realidade... E pra vc enviar 300K pro exterior com “conforto” é porque no mínimo vc tem capital livre de 3M. Parece pouco levando em conta que um apto mediano em ipanema leblon no RJ custe esse valor (3M). Mas vc se entrar pela porta do Bradesco com esse valor liquido para investimentos financeiros vc vira “cliente corporate/private”com atendimento gerencial a domicilio entre outros mimos e produtos financeiros exclusivos, rs. Então deduzo que isso significa que numero de brasilenhos com essa liquidez ou acima desse valor não é tão grande. Vc não falou nada fora da realidade, mas em certa medida fora da realidade do brasilenho médio, rs. Aliás alguns anos atrás a própria RF apresentou essa porcentagem numa reportagem. Era realmente baixa, mas infelizmente não guardei o link e nunca mais achei essa informação; fico devendo a comprovação...
      c) Aconselho evitar esse tipo de “conselho” com blogueiros; esse tipo de dúvida prática vc pode perfeitamente obter na mesa de operações de sua corretora. O custo não é só operacional, envolve o custo a ser pago (caro...) pelo “prêmio” do hedge (seguro). Esse hedge tb pode ser feito no exterior. Antigamente quando vc financiava uma importação era obrigatório (exigência contratual...) comprar um hedge para dólar pagando o seu prêmio no banco estrangeiro indicado pelo país do exportador. Não nenhum bicho de 7 cabeças mas é caro, portanto exigirá altos retornos pra cobrir seu custo.
      d) Talvez, rs, mas vc relativiza bem mais...
      e) Lindo, muito lindo, rs. Agora releia o seu texto e se pergunte quem foi que “perdeu” nessa sua estratégia ativa relatada. Em mercados de títulos, assim como no de ações ou futuros pra se ter vencedores, tem que existir os perdedores. E já que pra vc a estratégia vencedora é simples e razoável ao alcance de qualquer um com “bom senso” em analisar o “óbvio”... Vc tb saberia antever qual será a estratégia dos “futuros” perdedores para saber se existirão aqueles que irão bancar o retorno esperado dos vencedores óbivos? Quando não sabemos quem vai pagar as apostas perdidas (ou seja, porque provavelmente todos estão apostando do mesmo lado...) é porque estamos embarcados numa bolha (ou numa pirâmide, rs).
      f) Até hoje é complexa qualquer análise sobre o que abateu o LTCM; mas matematicamente, qualquer alavancagem sobrevive se vc possui equilíbrio entre contrapartes; culpar diretamente alavancagem simplifica demais. Faltou fiscalização responsável da SEC no evento? Ganância em excesso por falta de bom senso em fechar o fundo pra novas captações? Pura e simples falta de liquidez porque todo mundo junto apostou na mesma direção? Golpe baixo dos russos? Vai longe a combinação de fatores. O problema é que todo mundo conhece os ingredientes, mas ninguém sabe exatamente como foi a “receita” desse bolo, digo, dessa bomba...
      g) De nada, boa parte desse livro foca nessa nossa discussão, sob a ótica de alguém que estava do lado da banca e os reais reflexos sobre a consciência anestesiada dos pequenos investidores que - meio assim como muitos por aqui – se deixam embevecer por marketing, informações, produtos e “conhecimento” criado e distribuído por aqueles que se locupletam com a verdadeira mina de ouro que é intermediar e manter “acesso” os mercados financeiros e não exatamente fazendo pra si apostas certas no mercado, rs

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    18. Colega,
      b) Foi você que disse que a estratégia do Carioca seria ingênua, não eu. Ele disse que, se tudo der certo, pretende chegar a 2M, logo ele que vai ter que saber se o custo/benefício compensa. Conjecturas são vitais para nos posicionarmos, seja em finanças, seja na vida. Isso não quer dizer acreditar cegamente em algo vai acontecer, e acho que você consegue perceber claramente a diferença. E creio que aqui estamos debatendo minúcias, pois tudo começou ao você dizer que ETF era só de renda variável, o que não é verdade, bem como não teria motivos teóricos para se ter um ETF de renda fixa, o que também não é verdade;

      c) Colega, não vamos confundir "alhos com bugalhos". Fazer uma pergunta a alguma pessoa não quer dizer que você vai confiar cegamente no que aquela pessoa diz, até porque uma das vantagens da internet é a troca de ideias. Eu mesmo sempre faço perguntas para o Mansueto Almeida no blog dele (ele que é um dos grandes economistas do país)e ele sempre gentilmente responde. Obviamente, ninguém deve tomar nenhuma posição, principalmente com dinheiro, baseado na opinião de alguém, sem checar por si só a informação. Portanto, não vamos "forçar a barra" com o argumento. Sobre as suas informações, agradeço, como nunca operei, nunca fui atrás e nunca li a respeito (aliás, o que eu li era que o custo não seria tão alto), mas como disse, e eu assumi, ao contrário de dizer alguma coisa que não é verdadeira como se fosse uma certeza, que poderia estar falando bobagem, e pelos seus dados provavelmente estou;

      d) Sei não hein:)

      e) Bom, agora peço que você releia o texto principal item "l", onde eu falo exatamente isso. Por tanto não entendi esse ponto de sua mensagem, sinceramente. Dizer que uma gestão ativa vai precisar que haja ganhadores e perdedores, o que eu expressamente disse no texto original inclusive com o motivo matemático, é apenas repetir o que eu já tinha dito. Entretanto, isso não quer dizer que não se pode tentar compreender certos fenômenos, e não tentar conseguir retornos em excesso, sabedor do risco. Até porque o problema com institucionais, boa parte deles, é que não podem ter horizontes de longo prazo, há um princípio muito forte de regressão a média no longo prazo, e quase todo estudo mostra isso. Portanto, não entendi o seu ponto;

      f) Colega, tudo desmoronou pela alavancagem. Se uma alavancagem de 30 para 1 não é problema, quer dizer que teoricamente podemos chegar a alavancagem de 100 para 1 e está tudo certo, desde "possua equilíbrio entre as contra-partes". O equilíbrio é essencial para quem se alavanca não quebrar, o problema é quando a alavancagem é demasiada, qualquer desequilíbrio mínimo, e não precisa ser nem um "cisne negro", e a coisa pode desandar. É claro que falou fiscalização, e sobrou confiança em excesso nos modelos matemáticos de dois nobel de economia. Por qual motivo o sistema financeiro quase colapsou em 2008, por apostas alavancadas novamente. Por fim, não estou dizendo que a alavancagem não deve ser aceita o que é ruim per si, claro que não, mas ela é claramente um fator de instabilidade sistêmica, principalmente se as posições alavancadas são muito grandes em relação à economia real;

      g) Eu concordo, mas eu acho que você confundiu alguns temas. Deixar de convencer por "marketing", "produtos criados", concordo plenamente, agora colocar "conhecimento criado" na mesma categoria parece-me um erro conceitual. Ora, toda ciência é baseada em "conhecimento criado" (e antes que possa haver alguma distorção, não estou dizendo que análise financeira é a mesma coisa que ciência, mas sim genericamente sobre o termo). Logo, em finanças não seria diferente. Cabe a pessoa que tem contato com esse "conhecimento criado" saber por si distinguir se faz sentido ou não.
      Aqui a generalização sobre investidores e pessoas foi imensa, e não fui eu que fiz:)

      Abraço!

      obs: assim que possível irei atrás do livro.
      obs1: pergunto novamente não irá se identificar?

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    19. Tá lido, Soul.

      Como eu disse no início somente concluí. Caberia mais esclarecimentos sobre como funciona alavancagem e como isso sofre de visão distorcida tanto pelos que a enxergam através do medo como pelos que a enxergam atraves de ganância. E quais seriam os "conhecimentos criados" e "marketeados" pela banca pra vender mais produtos financeiros? É só vc pegar qualquer folder do investimento da moda em suas épocas de ouro que tudo ali estará cientificamente explicado e comprovado de forma conveniente aos interessas da banca naquele momento. E se algo deu errado, com certeza, a culpa é do Dr. Sistêmico...

      Mas a discussão não teria fim, rs Agora cabe a quem tiver saco de ler, tirar suas conclusões. Mas não por deduções intuitivas, mas sim por pesquisa e estudo mais aprofundado.

      Já que insiste: não, nunca me identifico. Por razões óbvias, já que rodo por essas fóruns e similares sobre investimentos desde que surgiram os primeiros há uns 10 ou 12 anos. Há 18 anos que me dedico exclusivamente ao mercado. Hoje em dia - graças a boa sorte - tenho muito tempo disponível e infelizmente uma mente altamente dispersa. Vindo aqui lendo vcs (e anteriores a vcs..) mantendo minha mente ativa e minhas leituras,releituras e estudos em dia ao me confrontar com tantas irracionalidades, sem ofensas, por favor. Caso contrário tendo a me dispersar, esquecer e buscar outros interesses. Ao mesmo tempo sei que sou igual a maioria de vcs: irracional... kkk. Portanto observando e conversando com vcs estou sempre me policiando pra não cair nas mesmas armadilhas. Bem, só sei que funciona comigo. No mundo real muito ouço e mais ainda me finjo de alienado. Saber ficar calado é uma vantagem no mundo real e tb é uma forma de anonimato (intelectual) necessário pra se ter alguma vantagem, principalmente em negócios e no mundo financeiro.

      E vaidade - mesmo anônima - é uma armadilha perigosa...

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    20. Olá, colega!
      a) Bom, você não respondeu sobre uma pergunta objetiva bem clara, se a alavancagem pode ser relativizada entre os que "temem" (e disse mais de uma vez que ele não é má per si) e os que são "gananciosos", então quer dizer que ela pode chegar a qualquer nível. Se são interesses particulares apenas, no big deal. Se é o dinheiro do contribuinte que vai bancar essa aposta, aí vejo um problema e uma distorção, principalmente quando uma fração do dinheiro usado pelos governos mundiais poderia aliviar a situação de bilhões de seres humanos;
      b) Desculpe, mas você continua a insistir em colocar "marketing" e "conhecimento" tudo no mesmo saco, sem objetivamente dizer o motivo. De novo generalizou todos os investidores como se todos pudessem ser enganados, ou ludibriados. Se você quis dizer que se criam modelos que podem justificar qualquer produto ou precificação, isso é claro, e as diversas manias especulativas ao longo da história são prova disso, e a própria existência da "banca" obviamente é para bancar os seus próprios interesses, cada vez maiores, basta olhar o aumento de renda dos 1% nos EUA nos últimos 30 anos, o que coincide com o agigantamento do setor financeiro. Portanto, estamos desviando o assunto aqui de possibilidade de conhecimento mais aprofundado sobre as finanças, com os intermediários querendo ganhar dinheiro em cima do investidor médio, dois assuntos distintos;
      c) Não entendi por qual motivo seria a razão óbvia. A toda evidência você possui um grande conhecimento, e poderia contribuir para combater as "irracionalidades", e num debate objetivo seria mais fácil identificar com quem estamos falando, até mesmo para formar círculos que podem ir além da simples frieza digital.
      d) Não me ofendo, amigo, até porque você também cometeu as suas "irracionalidades" ao falar sobre ETFs, faz parte, não podemos saber tudo. Se você está a 18 anos vivendo de mercado, com certeza tem muito a compartilhar e a ensinar a diversas pessoas, principalmente se passar os conhecimentos de forma objetiva, e não de uma maneira aparentemente "neutra", mas carregada de várias valorações subjetivas.
      O ser humano é racional e irracional, como bem explica as finanças comportamentais, e muito antes disso os grandes pensadores da humanidade.
      Pode ser, entretanto, eu creio que o conhecimento deve ser compartilhado, e isso de maneira alguma impede que alguém possa ter "alguma vantagem" nos negócios ou no mercado financeiro.
      O que vai fazer a pessoa ter vantagem no mercado financeiro é um grande capital X para poder usufruir do retorno do capital R. Como tantos falam por aí.
      Sobre a vaidade, concordo, já diz a Bíblia que o mundo é "tudo vaidade".

      Abraço!

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    21. Soul,

      a) Bem, irei me repetir: “...como funciona alavancagem e como isso sofre de visão distorcida tanto pelos que a enxergam através do medo como pelos que a enxergam atraves de ganância.” Essa minha reposta pressupôs que vc teria noções básicas sobre a mecânica de alavancagem e money management. Uma alavancagem como vc nomeou de “absurda” de 30:1 pode ser perfeitamente administrável a partir do pior resultado e nem assim por em risco todo o capital, enquanto outra alavancagem supostamente “modesta” de 3:1 que envolva o comprometimento de uma parcela mal calculada (ou irresponsável) da totalidade do mesmo capital e talvez quem sabe apostando tudo numa única direção pode quebrar com tudo na primeira chamada de margem. Pra entender melhor o que resumi como “distorções”, recomendo a leitura do Lauro de Araujo, Derivativos, cap 10: Derivativos? Eu não! É bem esclarecedor.... E sobre o LTCM a questão não envolvia somente volumes alavancados; além de alavancados os mesmos tb eram financiados e tudo isso associado a uma sucessão enorme de negligências de todos os envolvidos. Até o momento vc é único autor que li que tem uma resposta simples pro evento: alavancagem e ponto final.

      b) Generalizar não é afirmar “como se todos os investidores pudessem ser enganados”. Não, não precisam ser todos. Vc, por exemplo, pode ficar de fora assistindo e mesmo assim haverá contingentes razoáveis de investidores que podem e sempre o são manipulados a “comprar” idéias de investimentos de risco com suposta “segurança científica” pela banca. E óbvio, esse tal “contingente razoável” traz consigo volume considerável de capital pra ser absorvido/explorado pela indústria de serviços e intermediação da banca. O LTCM é um clássico entre vários exemplos. A banca se fartou em exibir a dupla Nobel Scholes e Merton pra vender o produto. Existe uma citação anterior a quebra, claro, no Economist que celebrava: “os professores transformaram a administração de risco de um jogo de adivinhação em uma ciência” (citação extraída do Salve-se quem puder, Chancelor). Depois do dito acima e aonde foi dito, porque um número considerável de investidores leigos ainda teriam dúvidas em comprar cotas do LTCM acima de valores recomendados pelo bom senso?

      c) A razão óbvia é que pra falar o que eu falo diretamente e sem rodeios e há tanto tempo por aí, causo certo constrangimento principalmente a interesses não muito nobres de charlatães pela web. Vc sabia que depois de tantos anos, possuo um pequeno fã clube de magoados que vivem me procurando pela web? É engraçado, porque muitos me reconhecem só pela minha “caligrafia” já pelas minhas primeiras linhas, rs. Acredite, vcs me trazem algum retorno porque me provocam as mais diversas reflexões sobre as armadilhas da irracionalidade em finanças natural a todos inclusive a mim, óbvio. E em troca eu retribuo apontando caminhos. Alguns enxergam, outros não. Faz parte do jogo...

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    22. d) Acho melhor repetir o que eu disse lá em cima: “... não tem porque - por motivos práticos - um ETF exclusivo sobre titulos de emergentes. Nada impede que se crie um, mas o mais prático pra isso é através de um fundo de cotas gerido por algum banco.” Como dito, nada impede, mas o mais prático seria de outra forma: um fundo. A razão é que imaginei que estavamos transportando a idéia para o mercado nacional fornecendo acesso a investidores locais. E não sair conjecturando que num “clique de mouse” vamos sair investindo diretamente no mercado americano que tem oferta e demanda até pra contrato futuro do kilo da orelha de porco.... Um ETF não se cria do nada é necessário lastro. Existe no mercado local, volume com liquidez e demanda suficientes pra um ETF lastreado em títulos de emergentes? Se tiver, acredito que por enquanto ainda será pequeno. Então na minha opinião – na prática – o mais conveniente será o primeiro caminho através de um fundo (ou condomínio fechado) local e isso terá um custo de gestão proporcional ao volume. Talvez vc me conte que no “futuro breve” nosso mercado local irá crescer muito e tals. Em 82 eu e meus amiguinhos gostávamos de visitar o aquário da Boverj talvez porque acreditássemos que “dicas quentes” são mais quentinhas quando perto do forno, rs. Mas o futuro além de imprevisível é caprichoso: tanto pro bem, quanto pro mal. Poucos anos depois aconteceu o inimaginável: o nosso mercado que já era pequeno encolheu mais ainda com a quebra e fechamento da Boverj.

      E o que vai fazer a pessoa ter “vantagem” no mercado financeiro é um grande capital X para poder usufruir do retorno do capital R? Gostei... Peço permissão pra relativizar por aí com mais esse “pensamento financeiro”, rs

      Fico por aqui, desejo sorte a seus investimentos.

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    23. a) Olá colega! Poxa, já está me considerando um autor? Obrigado! Realmente, o meu conhecimento nessa área é mínimo ou nenhum. Concordo contigo que uma de 3:1 pode ser “pior feita” do que uma de 30:1. O problema é a de 30:1 é muito mais arriscada, e o pior é que quem foi chamado para pagar a conta em 2008 foi o cidadão americano. Sendo assim, os EUA que às vezes causa constrangimento na ONU por atrasar as suas contribuições para projetos vitais para dezenas de milhões de pessoas, arrumou rapidinho 1 trilhão de dólares.
      Obrigado pela segunda indicação de leitura, já anotei aqui!
      b) Concordo, colega, mas ainda continuo achando que há uma diferença entre marketing e “conhecimento criado”. Você, que provavelmente possui muito mais leitura, e muito mais experiência, possui com certeza muito mais leitura, mas muito menos experiência do que o meu pai. Entretanto, apesar da pouca leitura do meu pai sobre finanças, o mesmo disse que Argentina iria quebrar na década de 90, que o Lula ia ser recebido de braços abertos pelo mercado em pouco tempo (quando os spreads e as apostas contra o Brasil estavam em alta), etc. Logo, ele possui, muito baseado em sua vivência, um conhecimento adquirido, um “conhecimento criado”. Ele nunca iria deixar se enganar por alguém que descobriu a fórmula de gerar alpha sem qualquer espécie de risco. Eu, como ainda sou garoto novo na vida, talvez possa ficar deslumbrado, apesar de estar trabalhando isso, com alguma coisa, mas eu acredito que haja “conhecimento criado” sim, e que isso diverge muito de marketing. E no final, acho que você está concordando comigo;
      c) Olha, sou bem sincero, eu adoro pessoas que me provocam de maneira inteligente e com argumentos. É algo raro hoje em dia. Por isso, sinta-se à vontade de sempre fazer comentários, apontar bibliográficas e suas visões pessoais. Apenas achei um pouco a sua postura “transcendental” ao falar de pessoas que escreviam, e não escrevem mais, e referindo-se aos jovens investidores como “nós”, pareceu que eu estava conversando com algum ser mítico saindo de algum livro do Kafka. Entretanto, sei que não foi o seu objetivo;
      d) Claro, concordo plenamente. Porém, a “conjectura” foi para o futuro, e sim já existem vários no mercado externo. Se o custo para enviar dinheiro for de 0,1%, não há qualquer empecilho de se investir no exterior a partir de certos tamanhos de patrimônio. Entretanto, aguardemos o que pode acontecer com o nosso mercado.

      Por fim, não sei se você concordou, ou usou de uma ironia fina que me passou despercebida (e já digo que gosto muito de ironia, principalmente quando bem-feita), mas uma pessoa com 10M, pode viver tranquilamente com o retorno R do capital, uma viva para lá de confortável, e essa sim é a “vantagem”. Não é você que disse sobre os riscos, a dificuldade de gerar alpha com gestão ativa, etc, logo eu creio que pela lógica você concordaria, que os maiores ganhos vão vir, para um investidor pequeno, da sua possibilidade de crescer o patrimônio pelo tempo, e pelo crescimento dos seus aportes, caso o mesmo não herde.

      Ah, você disse que investe a 18 anos, mas agora falou da BOVERJ em 82, ou seja há 32 anos atrás, logo presumo que você deve ter entre 50/60 anos. Realmente uma pessoa com essa idade e essa experiência só vai acrescentar coisas boas para pessoas mais jovens em relação a investimentos, por isso continue opinando! Se não quer colocar um nome, coloque anônimo alguma coisa (você define a qualidade ao ir ao lado do anônimo).

      Um grande abraço amigo!

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    24. Soul, só pra constar só porque alguém comprou 250 gramas de "ações da moda" no início dos anos 80 isso não a torna nem de longe experiente por simples decurso de tempo, rs. Somente a partir do final dos anos 90 é que passei me dedicar quase integralmente. E não "vivo" de bolsa como vc mencionou. Quem pode viver exclusivamente de Bolsa, porque NÂO depende de acertar apostas e sabe disso (e claro que não ficam por aí alardeando isso) é a banca, gestores, etc... Pra investidores PFs o buraco é mais embaixo e beeeem diferente, rs

      a) depois do estouro de 1929 a lição aprendida é que deixar o mercado se ajustar sozinho (como acreditaram ser o certo na época) pode gerar uma onda de quebras estilo efeito dominó, na qua o preço que será pago por toda uma sociedade será bem mais alto, do aquele que irá recair sobre apenas os contribuintes ou o erário.

      b) vamos de novo a citação do Economist na época: " “os professores transformaram a administração de risco de um jogo de adivinhação em uma ciência”" Se me expressei mal, não sei. Mas "conhecimento criado" é algo como essa frase distorcida de forma conveniente "criando" ou "transformando" em conhecimento / ciência aonde só existe uma boa ferramenta matemática. Boa, mas com limitações as quais nunca eliminaram a adivinhação. Vc não caiu nessa armadilha? Parabéns! Mas 10 vizinhos seus provavelmente cairiam. A alvo não é vc, mas sim ses 10 vizinhos leigos. Sua opinião não afeta os planos da banca, rs.

      Sobre seu pai ter acertado previsões que a Argentina iria quebrar e o Lula seria eleito e se transformar no querido do mercado, com todo o respeito.... Mas o que vou dizer vale pra ele e vale pra mim: tendemos a somente "lembrar" de nossas previsões passadas as quais acertaramos na mosca. As erradas sempre caem no nosso esquecimento, rs. Repito: sem desrespeito, vale o mesmo pra mim e minhas profecias. Sobre isso que falei consta em Khaneman: Rápido e Devagar.

      c) entendo. E a coisa bem kafkaniana mesmo, rs. O que torna tudo em certa medida além de útil, divertido pra mim. Como diria Pirandello: "a realidade costuma ser mais fantástica que a ficção"... kkkkk

      d) custos: não é só 0,1%. Bom ressaltar: não estou falando dessas bucket shops de internet que ficam pescando brasileiros sardinhas através de investimentos usando seus cartões de credito internacioonal como meio de pagamento (ilegal e sem respaldo juridico pra quem faz). Mas estou indo pelo caminho oficial com taxas de cambio, taxas de envio de documentos, spread desfavoravel ao cliente em qualquer transação, impostos talvez aumentados por conta do cambio (vide ganhos de capital no exterior), taxas de manutenção de contas no exterior. Nem todo brasileiro está ciente, mas no exterior taxas bancarias não costumam ser baixas. Um amigo que tem conta na Suiça paga 400 francos ano e diz que é barato (?). Nos Estates ando por fora.... fico devendo.

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    25. Sobre os 10M que irão gerar uma provável vida tranquila com algum retorno... Bem, rs. Vou te contar uma história. Nos anos 80 (mesmo guardando as devidas proporções da inflação em dolar) quem detinha um milhão de dolares no Brasil era rei. E com mil dolares por mes vc mantinha uma boa vida de quase luxo, sem preocupações. tudo por aqui na epoca era dolarizado. E esse amigo tinha essa grana lá fora. Na epoca ainda rendia lá seus 5 ou 7 por cento ano. Só com os juros viveria toda a vida, rs. Mas o tempo passa. A economia é um elastico que uma hora estica bastante e outra retrai bastante. E quando retrai sempre volta faltando um pedaço, sabia? kkkk A matematica dos juros compostos é linda. Mas aplicada no mundo real da grana e da economia, sofre distorções, enxugamentos, trocas de valor inimagináveis, rs. E hoje 30 anos depois um milhão de dolares ainda é grana mas não com a mesma força que no passado. Hoje vc mesmo já sugere 10M reais igual a 4M de dolares. E la nave va... O meu amigo 30 depois continua aí. Mas a grana? Bem... plano cruzado, plano isso, governo aquilo, imovel aquilo outro, inflação, dolar desvalorizou... Só sei que derreteu em torno de 25 anos. E te garanto uma coisa: esse meu amigo nãi é nenhum tosco, mas parece que "matematicamente" está vivendo mais do que deveria. Não estou dizendo pra não fazer projeções; mas cuidado com aquelas muito longas. Matemática em finanças é fundamental, sim. Mas com parcimônia, rs

      Em algum lugar alguém (um autores que recontam isso é Gerald Loeb) já falou sobre isso: se um dos primeiros Medicis (um dos primeiros capitalistas banqueiros) tivesse pego somente um kilo de ouro de sua imensa fortuna a epoca e aplicado a juros compostos durante os ultimos 400 anos sem mexer... Qual seria o tamanho dessa fortuna? Talvez quase todo o dinheiro do mundo? Impraticável, não é?



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    26. A conversa está boa:)
      Estamos falando de bolsa ou de investimentos? Um é muito mais amplo do que o outro. Se comprou um "tico" de ações na década de 80 é porque está no mínimo com 50 anos, o que é uma bela idade para se ter experiência. Sim, colega, eu entendo a "banca", mas se não houvesse expectativa positiva para investidores, não existiria mercados, é algo meio lógico, em minha opinião, e completamente compatível com todos os dados históricos;

      a) Compreendo, e foi temendo 29 que eles agiram. Porém, os riscos ficam assimétricos,e você tem que reconhecer, aqui estamos falando apenas de lógica, então que há limites para alavancagem, sob pena de se jogar o fardo de uma aposta alavancada em quem de nenhuma maneira iria se beneficiar com o eventual acerto da aposta.

      b) Não falava pessoalizando em mim, até porque em 1998 nem na faculdade estava. Com o pouco estudo que tenho, eu tendo a ser um investidor em valor, com horizonte de longo prazo, praticando alocação de ativos, e alguma posição contrarian para o médio/longo prazo quando ativos se deslocam dos seus retornos históricos.
      Hum, não acho tão trivial. Pois todos os economistas, e eu me lembro com meus 14/15 anos, todos falavam que Argentina era um modelo a ser seguido. Não acho uma pessoa que nem economista de profissão é estar correto e a esmagadora maioria estar errada. Sobre o LULA, como você já era investidor, presumo então que deve ter feito apostas pesadas em IBOV a 8 mil pontos, bem como comprado BONDs brasileiros a 40/45% do valor de face, pois só assim a história da facilidade de ter esses insights e participação ativa no mercado financeiro pode ficar lógica, em minha opinião.
      Sim, colega, o Taleb fala disso, as finanças comportamentais falam disso, é a "multidão silenciosa" dos fracassos que as pessoas tentam esquecer ou não prestam atenção.
      Porém, aqui acho que você mudou um pouco o foco.

      c) Sim, "Stranger Than Fiction" do Bad Religion, tem vídeo meu cantandoo em Tóquio essa música, quer ver? hehe

      d) Colega, quando falei sobre os custos, obviamente estava falando em enviar o dinheiro com autorização do BC pelos canais apropriados, por favor né. Sobre taxas de manutenção, vou ficar te devendo, mas posso perguntar para meu pai, última vez que eu falei com ele sobre isso, ele não disse ser altas as taxas em vários países;

      A sua última mensagem, eu não entendi bem o ponto, colega, sinceramente. Se uma pessoa bem diversificada com 10M e uma vida boa com 100/200k, ou seja 1/2% (lembrando que o estudo trinity sobre taxa segura de retirada é de 4% feito num ambiente com taxas de juros muito menores do que o Brasil) quebrar, não faz muito sentido.
      Agora você está cometendo um erro bem claro apontado pelas finanças comportamentais, extrapolar o resultado de um caso específico, mesmo que em detrimento de milhões de dados históricos, como se fosse estatisticamente relevante para todo um universo de investidores. Além do mais, a sua própria história não se aplicaria, pois o patrimônio seria 4 vezes maiores, se seu amigo estava se virando desde 1980, ou seja 30 anos, quer dizer que se tudo de errado acontecesse, como aconteceu com seu amigo, no exemplo hipotético seria de 120 anos (30 x 4). Logo, achei que ficou um pouco sem sustentação lógica esse seu exemplo.

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    27. Essas histórias sobre juros compostos e períodos de tempo longas são divertidas, poderia ter citada aquela clássica dos índios terem vendido a ilha de NY por algum punhado de dólares a 400 anos e hoje esse dinheiro com juros compostos equivaler a trilhões de dólares.
      Porém, e creio que você sabe, essas histórias são ingênuas, pois o crescimento de qualquer coisa, principalmente quando ela assume proporções muito grandes em relação a economia, só pode crescer em ritmos inferiores ao crescimento real da economia. Logo, capitalizações de centenas de anos a 6/8%, principalmente em períodos onde a produtividade humana cresceu em torno de 0,1% (o verdadeiro motor do crescimento), podem ser divertidas, mas não possuem sustentação num raciocínio lógico e econômico mais acurado.

      Abraço!

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    28. Vc falou em “expectativa positiva” para investidores e que isso justifica a existência dos mercados. Se é pra interpretarmos (EPositiva) no sentido matemático há controvérsias, rs. É preciso sempre refletir com limitações esses conceitos matemáticos quando aplicados a vida humana; Porque uma expectativa matemática “pode” até se provar positiva, mas talvez somente após uma looonga e sofriiiida janela do tempo em relação a idade e sobrevivência do indivíduo em particular. Pra mim o que justifica os mercados é uma mescla de natural otimismo inerente ao humano, com doses de incontrolável atração pelo jogo, mais o tal “espírito animal” dito por Keynes puxando o comboio... kkkk

      a) Não vou cometer o erro simplório de achar que tenho a “explicação” pro crash de 29 até porque isso é alvo de diversas análises acadêmicas com diversas conclusões. Mas independente se houve correlação ou não da crise de 29 com a espiral de crise que se abateu por todo planeta depois desse evento (há autores que até relacionam a crise de 29 com a ascensão do nazismo...), faz-nos ponderar que o “risco” de se pagar pra ver novamente um evento desses seria assustador. É como a gangrena: a difícil escolha entre amputar parte ou arriscar perder o todo.

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    29. b) Isso que vc fala sobre a Argentina quando vc tinha 15 anos, presumo então há 20 anos. Confesso: há 20 anos eu estava tão envolvimento em sobreviver e salvar os negócios da minha família dando início ao plano de fazer a transição para o mercado financeiro e imobiliário que sinceramente não me lembro dos problemas ou expectativas futuras dos hermanos, rs. Como dito, pessoalmente,estava extremamente ocupado e concentrado com meus negócios que foram atingidos pelas “consequencias” e efeito dominó do plano Collor (91) e não diretamente pelo plano Collor. E ainda por cima, logo em seguida, tendo que lidar com a total falta de credibilidade inicial do plano real em 94 por um novo governo (Itamar) sem grandes referencias. Mas tentarei fazer um paralelo sobre “expectativas futuras positivas dos argentinos” usando outro plano: o cruzado! Kkk Quando esse plano foi lançado a credibilidade era enorme e a maioria esmagadora de economistas e tals aprovaram. Todo mundo errado? Acho que não. Como eu vivi a época, te conto: tinha tudo pra dar certo, rs, porque tinha o principal pra qualquer plano dar certo: apoio popular e político amplo! Mas o drama é que são “humanos” e não “anjos” aqueles que conduzem os planos aqui embaixo na Terra, rs. E aí voltamos pro exemplo da alavancagem se ela é malvada ou não: quem está conduzindo está habilitado? Tem ética? É ingênuo? Irresponsável? Os problemas sempre estão mais na disciplina do “caminho” e no caráter dos condutores do que exatamente no destino final. Talvez o modelo argentino fosse realmente bom... Mas e a condução? Caberia aprofundar.

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    30. Bolsa em 8 mil em 2002 e vc falou em oportunidade de “apostas pesadas”, rs. O que é exatamente “apostar pesado” pra vc? No meu conceito qualquer aposta pesada em RV que não seja muito bem lastreada em inside information é recibo de insanidade, rs. Aposta pesada pra mim é qualquer exposição a RV acima de 25% - enquanto pessoa física e não um fundo de investimento direcionado, bom frisar - sobre todo o seu patrimônio em investimentos liquidos. Qual é o seu conceito?
      Falar de bolsa em 8K pontos como oportunidade é uma análise retroativa de algo deu certo: uma armadilha, rs. As txs de juros estavam altíssimas, o dólar estava a 4 contos e o Lula tinha todo o aspecto que poderia ser um novo “Chávez”. Por exemplo, teve um dia que ele em campanha já na liderança e já especulava publicamente em lotear a Petrobras. Naquela semana ela derreteu 25%, rs. Depois foram sucessões de desmentidos e tals. Mas o que vem a mente do apostador pro futuro? A imagem de Chavez e a PDVSA (sem nem considerar o estado da sociedade e a economia venezuelana como um todo). E olha que já se vão bem mais de 10 anos que a PDVSA está sucateada e o chavismo ainda impera mesmo morto. E a Venezuela é país fundador da OPEP, uma das maiores jazidas. Se o Lula fosse por esse mesmo caminho, qualquer investidor dos tempos dos 8K pontos já teria entregado os pontos.... kkkk. De fato a época apostei na compra em baixa, mas com critério, limites rígidos, óbvio. Porque a incerteza era a máxima da época. Estava muito fácil errar, por isso o “prêmio” pra apostar num governo Lula era beeem alto. As boas oportunidades sempre envolvem grandes riscos. E pra se expor a isso é muito mais importante que ter uma bola de cristal é conhecer e dominar estratégias de mercado, Money management, etc... O fundamental é aceitar as fraquezas do seu plano e traçar objetivos partindo do pior resultado; evitar ao máximo vislumbrar somente “oportunidades” e o foco tem sempre que ser no suporte do pior resultado e nunca no melhor resultado. Resultado bom tem que ser conseqüência e o ruim o esperado. Vale citar Ralph Vince: “operar mercado é esperar pelo melhor, mas ESTAR PREPARADO para o pior”. O pior sempre está de prontidão mesmo tudo dando certo. Sempre há uma boa razão porque algo está barato. Detalhe: desde o trauma do Collor, tornei-me cético em política (tenho esse direito...kk). O que falei sobre Lula é só uma visão focada em retornos financeiros de mercado, sem politicagens. Alías se considerarmos que FHC é professor de carreira, um homem culto e ainda por cima sociólogo, comparado as possibilidades embutidas com o Lula que é um analfabeto tosco até o ultimo fio do cabelo... Tenho que admitir que FHC é uma decepção 10x maior que a decepção Lula...Seria natural se esperar mais do primeiro e menos do segundo, rs.

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    31. C) Ei, quer mostrar um vídeo com vc cantando em Toquio? E aquilo que conversamos sobre as armadilhas da vaidade? Já esqueceu? Kkkkkkk

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    32. d) Sobre custos financeiros no exterior, o que eu disse é o contrário do que entendeu. Até fiz um alerta contra as buckets shops da web: “custos: não é só 0,1%. Bom ressaltar: não estou falando dessas bucket shops de internet que ficam pescando brasileiros sardinhas através de investimentos usando seus cartões de credito internacional como meio de pagamento (ilegal e sem respaldo juridico pra quem faz).

      Então legalmente falando: só se as coisas mudaram muito nos últimos anos. Mas se não forem valores relativamente altos, o envio e manutenção de valores no exterior pra pequenos valores “era” caro. Sobre custo bancário comercial, minha referencia atual na Europa foi a que citei: suíça. Em Portugal eu tinha, custava algo, mas não lembro porque encerrei tudo ainda no tempo dos escudos (agradeço ao gov. Collor...). E Estates, não sei.

      Sobre os tais 10M. Talvez não fui claro. Tentarei: o grande drama em finanças e economia são as trocas e mudanças imprevisíveis entre o que é valor e o que tem valor de tempos em tempos. Economias, países, títulos, moedas, bens, etc... sofrem transformações, distorções, descontos, destruição. A minha experiência e convívio no mundo real é que as pessoas do meu conhecimento e convívio no passado (não estou falando em médias ou estatísticas) que fizeram essas mesmas contas no passado usando como referencia o que tinha valor e o que era valor na época ficaram na sua maioria a pé. Só se salvaram poucos, que por algum motivo suas empresas foram continuadas por terceiros ou familiares mesmo nas fases de vacas magras. Ou claro, os muito, muito ricos. O exemplo do meu amigo (entre outros amigos mas com um patrimônio a época menor...) foi só um exemplo real de como tudo que parecia tão óbvio na época, 25 anos depois não se concretizou. O interessante tb é que quando o “futuro chega” a partir dessa constatação uma ladainha de erros são analisados de forma retroativa. Igual a roteiro daqueles filmes velhos que sempre começam pelo fim em flashbacks, rs. O tempo das coisas no mundo real, visto como uma porcentagem ou divisor de um tempo maior ou mais longo de coisas imutáveis pode ser uma armadilha. As historias sobre juros compostas não considero ingênua. Ao contrário, bom material de reflexão. O florim ainda é moeda vigente? E as trocas cambiais do florim aos dias de hoje teriam sido justas no seu tempo? Titulos e obrigações dos últimos séculos que honrariam “retornos sem risco” do tal kilo de ouro investido realmente NÃO tinham riscos? Já existia algum tipo de fundo garantidor de credito por volta de 1700? Algum rei ficou constrangido na hora de confiscar rendas e valores de poupadores do passado pra bancar sua honrada guerrinha? Será que em algum momento o “interesse maior da nação” prevaleceu sobre o “interesse particular” dos gananciosos e egoístas poupadores? Será que hoje, 400 depois... “Daqui pra frente tudo vai ser diferente”, como diria o poeta e filosofo Roberto Carlos? A coisa do financeiro é mais complexa e revolucionária do que simplesmente acompanhar crescimento econômico sustentado.

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    33. A historia da ilha de Manhatan conhecia e é boa, mas prefiro a do ouro dos Medicis: afinal de contas ele era um banqueiro e um kilo de ouro, ainda hoje é um kilo de ouro... Em tempo: não sou defensor da tese do ouro como reserva de valor, muito pelo contrário.

      Agora aquele abraço, lerei sua resposta com atenção e aproveite a oportunidade pra me “descascar” com gosto, rs, porque tentarei dar por encerrada o debate. Fique a vontade, o contraditório não me incomoda; mas sim me incomoda exposição pública e não exposição de idéias. Tudo ficou muito interessante, mas muito extenso. Agradeço a atenção dispensada já que no mundo real, como dito antes, sou obrigado a me manter mais calado... Em geral em assuntos de financeiros e de negócios só abro a boca pra expor minhas decisões, mas nunca pra explicar como cheguei as mesmas decisões. Não posso me dar ao luxo de expor o que sei, como sei, o que penso e como penso pra não municiar meus inimigos, assim como também municiar meus amigos de hoje que possivelmente podem ser meus futuros inimigos amanhã... kkkkkk

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    34. Olá colega!
      A expectativa foi num conceito mais amplo de retornos reais no longo prazo, como é mostrado pela evolução humana. A produtividade aumentou, e isso fez que nosso padrão de vida aumentasse. Não é por outro motivo que houve equity premium em todo mundo desenvolvido no último século. Não é nada relacionado ao “jogo” do mercado acionário, mas uma própria conseqüência lógica da evolução humana. Talvez possamos colocar isso em perigo, e chegarmos a um colapso ambiental, mas a colocação do amigo não foi nesse sentido.

      a) Sim, colega. Nem eu tenho conhecimento para tanto. Porém, a questão foi objetivo, se o risco é imenso, então não é justo que as recompensas e custos sejam assimétricos. Se concordamos com isso, então se leva necessariamente a um limite de alavancagem, não é algo tão relativo. Creio que concorda comigo aqui também;
      b) Lembro especificamente da Argentina, pois apesar de ter 14/15 anos sempre gostei de ler jornal, e quase todos teciam juras de amor ao modo Argentino de ser. Perguntei algumas vezes para o meu Pai, e a resposta sempre foi a mesma a Argentina vai quebrar. Lembro também já na faculdade, depois de ler uma reportagem de alguma revista de negócios, falei ingenuamente para o meu pai sobre ações de tecnologia e falei a temível frase “mas agora é diferente”, não preciso nem dizer o que eu meu pai disse. Até hoje ele tira sarro de mim e fala essa frase. Sobre o LULA, eu concordo plenamente, mas agora você foi contraditório, pois não era nada trivial, como na sua penúltima mensagem você deu a entender, ter a expectativa de que o LULA iria ser bem recebido pelo mercado. Correto, inflação alta, juros subindo. Juros altos significa taxa de desconto maior e valor presente líquido menor. Isso apenas ocorre quando há incertezas, concordo plenamente. Porém, o meu pai sempre me disse que o LULA iria decepcionar a base mais “radical” e não iria fazer nenhuma loucura. Foi a leitura dele, e se mostrou correta. Colega, qualquer acerto pode ser visto sobre a retrospectiva passada. Isso é verdade, isso vem das finanças comportamentais, aliás vem da lógica já esposada por vários pensadores. O problema de colocar tudo no “Hindsight bias” é que tira o espaço para qualquer análise boa de quem quer que seja. Portanto, precisamos ter um pouco mais de tato fino, pois nem tudo é preto no branco. O meu pai nunca disse que era um oráculo, pelo contrário ele é um sujeito bem simples de tudo, mas em algumas coisas ele possui uma boa capacidade analítica, o que não quer dizer que não possa ter cometido inúmeros erros, e ele fez um ao investir em construção de prédios na segunda metade da década de 90. Ele quis gerar emprego numa época difícil para o Brasil (sob esse prisma nem dá para dizer que foi um erro), mas se ficasse simplesmente numa RF qualquer o resultado seria muito maior financeiro. Você tem razão, apostas pesadas podem variar de pessoa a pessoa, é um conceito subjetivo. Com certeza mesmo hoje para mim foram valores altos, mas para ele talvez não. 25% parece uma boa exposição, é o que eu mais ou menos pretendo ter (não considero FII renda variável como ações).
      c) Não é vaidade não amigo, foi apenas um momento bacana na minha vida
      d) Eu entendi o seu ponto, colega. Mas falei em envio legal de dinheiro. Realmente não sei sobre os custos, mas não é algo que já vi meu pai reclamando. Você tem razão que não é para qualquer patrimônio, mas a partir de um certo limite é possível ter exposição internacional com custos razoavelmente baixos e bons benefícios para diversificação;

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    35. e) Eu concordo, colega. Por isso há diversificação. Se todos os setores da economia (obrigações, empresas e imóveis) colapsarem é porque algo muito pesado ocorreu como uma revolução bolchevique de 1917 ou se você era um Judeu na Polônia ou Alemanha. Nessas ocasiões, nada se salvaria. Nem ser juiz, nem ter empresa, nada. Porém, parece-me que esses períodos são exceção na história, não a norma. Logo, não podemos apenas pintar um futuro sombrio, pois assim deixamos de viver o presente, ou nos tornamos cautelosos demais. O problema da sua fala, apesar dela ser muito inteligente e realista para alguns casos, é que um patrimônio de 10M se torna igual a um de 3M que se torna igual a um de 30M. Se não se pode extrair um retorno do capital com nenhuma quantia de maneira razoavelmente segura, então a única solução é encontrar uma profissão que nos faça felizes e esquecer qualquer acúmulo. Eu concordo com a dica da profissão feliz, mas acho que há diferenças substanciais em possibilidade de esgotamento de um patrimônio de 3M de um de 10M.


      Gostei bastante também amigo. Gosto muito do contraditório e da troca de idéias, e obrigado por este instrutivo debate, bem como pelas indicações bibliográficas. Aqui nesse espaço, da minha parte, pode considerar amigo, já que mesmo as pessoas que já me fizeram algum mal, nem assim eu considero inimigo.

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    36. Soul, parece que alguém no OGlobo andou se inspirando em nosso batepapo, rs

      Sobre exceções da história, parece que não são tão raros ou tão espaçados eventos que podem desequilibrar ante-visões imutáveis da impossibilidade de esgotamento de investimentos seguros em títulos ou obrigações buscando uma renda R sobre um capital X no longo prazo:

      http://infograficos.oglobo.globo.com/economia/os-7-maiores-calotes-das-ultimas-decadas-2.html

      "Desde a década de 50, ao menos 95 países decretaram moratória e fizeram reestruturações de suas dívidas em mais de 600 ocasiões. Também verificou-se que as renegociações aumentaram em número em 1983 e continuaram em patamares elevados até 1990, quando começaram a declinar, até que voltaram a subir entre 1998 e 2004 devido a uma nova onda de crises de mercados emergentes. "

      ****

      Sobre o Lula e o mercado em 2002:

      http://oglobo.globo.com/brasil/lula-fh-cooperaram-para-mudar-visao-americana-sobre-pt-13066604

      "Quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a primeira eleição para a Presidência da República, em 2002, deputados americanos do Partido Republicano alertaram o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Temiam a formação de um "eixo do mal" na América Latina, com a combinação de Lula com o venezuelano Hugo Chávez e o cubano Fidel Castro. Os argumentos alimentavam especulações de calote no mercado financeiro...."

      O livro e o autor (18 dias, Matias Spektor)

      http://www.objetiva.com.br/livro_ficha.php?id=1432

      Como pode ver, no contexto presente de 2002, pra ser tanta convicção e acertar que o Lula não seria uma ameaça ao mercado, só mesmo tendo uma certa proximidade dos bastidores políticos de BSB e Washington na época.


      Aquele abraço




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    37. Olá, Amigo!
      "Eu concordo, colega. Por isso há diversificação. Se todos os setores da economia (obrigações, empresas e imóveis) colapsarem é porque algo muito pesado ocorreu como uma revolução bolchevique de 1917 ou se você era um Judeu na Polônia ou Alemanha. Nessas ocasiões, nada se salvaria. Nem ser juiz, nem ter empresa, nada. Porém, parece-me que esses períodos são exceção na história, não a norma."
      Comparar default em títulos, onde boa parte depois há negociação, com crise sistêmica em todos os ativos, me parece diferente. Estes não são a norma na história.

      Ou tendo a capacidade analítica do meu pai:)

      Abraço!

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  3. Muito bom, soul! Ótimos insights.

    Uma questão colocada por você sobre os retornos, pegando a média dos últimos trezeeeeeeeeeentos anos é bom como dado histórico, mas creio não ser muito útil ter este número em mãos para o pequeno investidor individual. É necessário ter muito cuidado ao trabalhar com médias. De fato, acho que mais importante que a média, é o desvio padrão. Uma média de 4% pode ser o resultado de um valor médio entre -32% e 40% ou entre +3% e +5%. E dado o longuíssimo período do estudo, isto torna-se mais importante ainda.

    Obviamente, nenhuma empresa pode crescer a taxas de 10% ou 15% por décadas a fio. Motivo simples: juros compostos. Como a economia de um país só cresce normalmente na casa de um dígito, uma empresa crescer a taxas de 2 dígitos significa que, em algum momento, ela se tornaria maior que o próprio país, o q do ponto de vista econômico é absurdo. É mais ou menos o mesmo que dizer que Ambev um dia poderá ter a receita maior que o PIB do Brasil. (Damodaran comenta isso no Avaliação de Empresas).
    Inclusive, o PIB atual do Brasil tá em torno de 2435bi USD e a receita da Ambev de 19bi USD. Se a Ambev crescer 25% sem parar e o Brasil crescer numa média de apenas 5%, em 28 anos a Ambev seria maior que o próprio Brasil........

    Assim sendo, toda empresa irá passar por um forte período de crescimento, para aos poucos se acomodar à própria média de crescimento do país (ou próximo disso).

    Mas nesse fuzuê todo, o investidor individual estará vivo apenas um pequeno período (30 anos perto de 300 é apenas 10%). Ou seja, a depender da janela de tempo na qual ele está inserido, pode ser a diferença entre ele ter um retorno de -32% ou +40%... o investidor individual deve se preocupar com ele e os retornos dele. Esses estudos julgo serem muito mais importantes na questão do risco que ele pode enfrentar. Mas a média, isoladamente, meio que não serve para praticamente nada. Já qdo ela vem com o desvio padrão, já abre-se uma nova visão...

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    1. Olá Márcio!
      Claro, suas observações são corretas.
      Entretanto, eu gosto de tentar compreender as coisas de uma forma bem geral, de como funciona. Assim, eu posso indo descer em camadas, até chegar, no caso específico de investimentos, de uma valuation de um ativo específico, por exemplo.

      No caso do livro do Piketty, a pretensão do autor é muito mais ampla, ele quer botar lenha na fogueira e discutir a questão da desigualdade, mas ele está fazendo isso de uma maneira inédita, colhendo dezenas de milhões de dados estatísticos.
      E ele faz uma grande abordagem histórica, e foi muito interessante. A questão de 1 milhão de francos, há 150 anos atrás, se uma noção intercambiável com uma renda de 50.000 por ano, é muito interessante, pois releva uma sociedade onde havia uma imensa estratificação, e onde o capital herdado fazia uma grande diferença, muito mais do que os dias de hoje.

      Já tentei falar isso sobre a AMBEV algumas vezes, mas é difícil algumas pessoas perceberem isso. É muito diferente a situação da empresa em 2001 da situação em 2014 em relação ao crescimento. E veja nem falo se é uma empresa boa para investir, ou se preço importa não, falo exatamente na questão matemática apontada por você, que chega um determinado momento que o crescimento individual de uma empresa tem que necessariamente diminuir, e às vezes diminuir sensivelmente.

      Ah, e a média do retorno do capital, é utilizada não como um "benchmarket", no caso do livro, mas para saber da renda nacional qual é o valor que vai para a renda de capital, e qual valor vai para a renda de trabalho (renda nacional = retorno do capital + retorno do trabalho).

      Valeu Márcio!

      Abraço!

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    2. Dimarcinho, gosto muito do seu blog e dos seus comentários. Não concordo com tudo, mas sempre aprendo alguma coisa.
      Discordo do seu raciocínio pois sempre vai haver empresas crescendo mais que a média. A AMBEV, por exemplo, andou sondando a compra da Coca Cola. Quem diria alguém IMAGINAR que um trio de brasileiros pudesse SONHAR em comprar o símbolo do capitalismo mundial???


      Algumas empresas brasileiras estão buscando comprar ativos no exterior, empresas como Gerdau, JBS, AMBEV , a própria PETR. Logo vai haver empresa que pode crescer, mesmo tendo sua sede num país com pouco crescimento, pois muitos ativos estarão no exterior.

      A própria China está comprando ativos em outros países. Onde houver algum retorno interessante, vai haver gente comprando fábricas , terrenos, minas etc e sendo muito bem remunerado por isso.

      Estava falando de empresas e investidores, mas se falarmos do POVÃO que não sabe nada e só gasta, aí a coisa muda de figura. Para a maioria, a situação pode piorar e muito. A medicina tende a se tornar mais cara e as aposentadorias mais minguadas.


      Na história do mundo, quem tinha mais grana sempre viver melhor e os pobres sempre sofreram mais. Há 5 mil anos é assim, desde Antigo Egito. A novidade é que alguns pobres podem se levantar comprando fiis e ações boas. Mas só aqueles que fizerem a lição de casa. Para a maioria do povo, o destino é sofrer até morrer.

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    3. Olá colega, não sou o márcio, mas o que ele disse não é que empresas não vão crescer acima da média, pois o próprio conceito de média presume isso.
      O fato é que quando uma empresa é muito grande (e no caso da ABEV a capitalização de mercado dela é enorme, pois ela é negociada a muitas vezes o seu valor contábil) é que há um limite lógico para o crescimento. É muito difícil que ela continue crescendo a 20% por ano na próxima década, muito mais improvável do que em 2001, e se ela crescer, em 2024 vai ser extremamente improvável que ela cresça 20% por mais 10 anos.
      Não é uma constatação se é um bom investimento ou não, é apenas juros compostos.

      Você tem razão, provavelmente o maior peso será o sistema de saúde, com expectativas de vidas cada vez maiores, e tratamentos de saúde melhores, mas cada vez mais caros. É um desafio para a humanidade.

      Abraço!

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    4. Fala, anônimo, acho que o Soulsurfer já colocou parte do que falei.

      O outro ponto, o qual vc menciona, de investir em outros locais onde possa haver crescimento é apenas uma ilusão.

      Uma empresa grande com receita de 200bi e só consegue crescer a 5%, digamos que compre uma empresa "pequena", com faturamento de 500mi e cresça a taxas altíssimas (digamos uns 30%)
      Ela vai sair de 200,5bi para 210,65bi. Ou seja, saiu de 5% para 5,325%, carregando todo o risco da empresa nova.

      Não há mágica, a matemática neste ponto é bem simples e certeira.

      No fim das contas, buscar outros locais é admitir que já se tornou um elefante grande e gordo, sem capacidade de crescimento.

      E, sem sombra alguma de dúvidas, este é o grande problema que será enfrentado pela humanidade algum dia: crescimento. Simplesmente não podemos crescer infinitamente, nos estágios atuais, pois os recursos são limitados. E modelo capitalistas prevê crescimento, crescimento, crescimento. Claramente está fadado a um colapso em um futuro beeeeeeem distante....

      []s!

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    5. Márcio,
      Teoricamente podemos crescer se conseguimos mudar a nossa matriz energética para 100% renovável, e se todos os elementos que a gente utiliza fossem retirados numa taxa no mínimo igual ao tempo de recuperação.
      Porém, hoje em dia a exploração em muito excede a capacidade de recuperação dos recursos, é uma insanidade o que está se fazendo. Eu não creio que seja um futuro bem distante, o problema de esgotamento e colapso é real, e nós podemos vivenciar algo parecido em nosso tempo de vida.

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    6. Na verdade, não.... rs

      Os recursos naturais são algo muito debatido, mas no fim das contas o realmente decisivo será um só: espaço.

      Por isso eu disse: longuíííííííííííssimo prazo. Acho até que nos auto-destruiremos antes de chegar neste ponto.

      SE a humanidade parar de crescer, aí sim, podemos seguir o seu plano.

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    7. Ah, esqueci de citar o real problema:

      "Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço."

      Newton não se deu bem em investimentos... será um presságio? kkkk

      []s!

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    8. Olha que pela física quântica pode:) hehe
      Se você entender por espaço, a quantidade necessária de terra per capta para gerar recursos, isso já ocorre, não há mais espaço para o atual nível de consumo.
      Se for espaço físico para morarmos, aí acho que esse nunca vai ser um problema, pois a densidade demográfica do mundo, mesmo excluindo lugares inóspitos, é baixa.
      Mas aqui já estamos conjecturando bastante fora do tema:)

      Abraço!

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    9. Bom... espaço físico suficiente? Não contaria tanto com isso... jamais subestime a força dos juros compostos... se a taxa de crescimento for a mesma dos anos 2000, em torno de 1,2% atingiríamos a incrível marca de 1 habitante/m² em apenas 835 anos, com uma incrível população de 149 TRILHÕES de habitantes....

      Muito tempo? Com certeza. Mas os Egípcios estavam por aí há uns 5mil anos... assim sendo......................

      Como eu disse, acho que outros problemas estão mais próximos de nos "destruir", mas este é um problema que deverá ser controlado mais cedo ou mais tarde.

      Inclusive, o crescimento desenfreado de qq coisa é um dos motivos, ao meu ver, de aumento de pobreza, pois simplesmente a administração dos recursos não consegue seguir no mesmo ritmo....

      Já os recursos naturais essenciais, existe suficiente para muito tempo. As taxas de consumo sempre mudam, então não dá pra comparar hoje com amanhã dizendo que, por exemplo, não haveria água para x bilhões de pessoas.

      É o famosíssimo caso da previsão de que Thomas Malthus fez acerca sobre a comida no mundo...

      Enfim, já tá saindo muito do tema mesmo, rsrsrs

      []s!

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    10. Sim, Márcio.
      Só que há um conceito demográfico chamado transição demográfica, o qual o Brasil está passando, e a Europa já passou, bem como o Japão.
      Existe uma taxa de reposição que varia de acordo com a taxa de mortalidade infantil, mas em países desenvolvidos é algo em torno de 2,05 crianças por casal.
      A população humana tende a se estabilizar em 2050 por volta de 9,5/10 bilhões de pessoas, e depois disso decrescer levemente.
      Medidas como urbanização, educação da mulher e diminuição da mortalidade infantil levem o crescimento demográfico a parar e retrair, isso é observado em todo mundo, a exceção principalmente do norte da áfrica, e alguns países da Ásia. Portanto, o grande problema humano é que o crescimento populacional se dará não em países ricos, mas em países pobres, como a Nigéria, por exemplo.
      Isso é um enorme desafio para o mundo, pois nós estamos vendo o surgimento de grupos extremamente violentos como o Boko Haram (Nigéria) ou ISIL (Síria-Iraque), pobreza extrema e juventude acabam muito mal, geralmente em extrema violência, e com a conexão cada vez maior do mundo, é uma grave ameaça a segurança de todos.

      O problema não é a área da terra, mas sim a área necessária para produzir tudo que um humano médio consome hoje em dia (e o consumo tende a crescer em 2050), agravado pela existência de mais de 2,5 bilhões de pessoas.

      Previsões de que a população possa chegar a 40 bilhões, 100 bilhões nem são considerada por demógrafos ou biólogos.

      Sim, ele estava errado, pois não contou com o aumento da produtividade (o Malthus). Entretanto, tudo tem um limite.
      obs: ele estava errado, mas foi um baita filósofo, e a previsão dele fazia toda lógica do mundo quando ele pensou

      Abraço!

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    11. Show, soul!

      Não parei para me informar a fundo sobre a densidade demográfica, apenas quis mostrar que seria possível crescer muito em "pouco tempo". Mas esta questão pobreza/riqueza pode ser a vir um problema e, ao meu ver, longe de qq tipo de solução. Os problemas hj estão passando das fronteiras dos países... e isso começa a envolver problemas jurídicos e, principalmente, éticos e culturais.... vencer estas barreiras? A história já mostrou que muitas vezes só caminham para guerras... precisamos evoluir mais como seres humanos para uma "transferência de renda global".

      E da mesma maneira que os demógrafos de hj não pensam nesta possibilidade HOJE, o Malthus tb nem imagina haver tanta comida assim em sua época ;-)

      Mas acho que não fui muito claro: você está se baseando em dados de HOJE que necessitaríamos de um espaço xpto qq para manter o CONSUMO de HOJE e está, como Malthus, não olhando que isto tudo pode mudar completamente da água para o vinho, entende? Se evoluirmos para uma sociedade que se alimenta apenas por pílulas, por exemplo, as gigantes áreas de pecuária já se abririam (apenas um exemplo, não que isso possa acontecer).

      E consumo, o humano se adapta. O filme "O Show de Trumman" mostra bem isso ao finalzinho. O show acaba, as pessoas procuram outro. Se falarmos de recursos essenciais (água+alimentos), seu raciocínio é válido. Já energia, acho que não podemos comparar. São estilos de vida e formas de uso totalmente diferente. E qdo chega na época de escassez, as pessoas dão muito mais valor ao que realmente importa. Muitos produtos de consumo, em sua gigante maioria, são apenas 'moda' e desnecessários. Mas os essenciais, o ser humano sempre dá valor.

      Quer exemplo? Apagão aqui no Brasil. Maioria das casas tinham "fiscais" para economizar energia. As contas de luz despencaram e etc. Se a conta de luz fosse um bem muito caro, o consumo seria muito menor. Hj deixar a luz do quarto acesa só durante a janta não faz tanta diferença. Na época do apagão era uma blasfêmia....

      Enfim, por aí vai...

      []s!

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    12. Olá, Márcio!
      Claro, eu acho que pode mudar e vai mudar se não mudarmos radicalmente a nossa forma de consumir.
      O mundo não tem condições de aguentar um aumento no consumo nem dos 7bilhões de habitantes, o que dirá mais 3 bilhões de bocas que vão querer água, carne, carro, roupa, etc.
      Por isso, há um ponto de inflexão para baixo no consumo, se passarmos certas barreiras, já aconteceu com os maias, com o reino Khmer no Camboja, com os Rapa Nui na Ilha de Páscoa, e pode acontecer em escala global.
      Há um livro chamado "Colapso" que pretendo ler, é do mesmo autor do clássico dos clássicos "Armas, germes e aço".
      Épocas de escassez não são transições tranquilas, e sim as pessoas voltarão se para os bens essenciais, se isso por ventura acontece, mas isso seria feito de forma caótica e provavelmente violenta.

      Sobre pílulas, etc, eu como bom defensor dos direitos animais, acho uma das áreas de pesquisa mais interessante aquela que trabalha com a feitura de carne em laboratório. Já é possível fazer, parece um hámburger, mas o kg custa 40 mil dólares. Espero que possa ser barateado um dia. Eu também acredito no avanço da ciência, apenas não acho sábio, como o excepcional escritor de Freaknomics (um dos economistas mais originais que já li) acredita cegamente, que podemos simplesmente confiar em soluções geniais e não termos atenção com o nosso meio-ambiente.

      Eu concordo contigo, porém num mundo onde falta água, energia, e terras cultiváveis, será um mundo pior, com mais miséria e com certeza com muito mais conflito. Uma coisa é voltarmos ao padrão de consumo do século XIX com 1 bilhão de habitantes, outra é com 10 bilhões, os conflitos seriam inevitáveis. Aliás, uma das grandes causas de conflitos na África, e poucas pessoas sabem mais há dezenas deles em andamento atualmente, é por causa de água.

      Enfim, valeu pelas digressões Márcio! Sempre bom "filosofar" com sua ajuda.

      Abraço!

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  4. Soulsurfer,

    Tentei analisar as questões levantadas de acordo com a minha perspectiva de lucro. Estou interessado em aumentar a MINHA GRANA. Eu me preocupo com o meu bolso. Não me preocupo tanto assim com o país ou com a humanidade.

    Se houver uma guerra no Oriente Médio e a PETR4 disparar, ninguém vai dar uma de anjinho e não investir por causa disso. Pode falar mal das guerras e catástrofes, mas no final o bolso SEMPRE FALOU MAIS ALTO na história da humanidade. Os blogueiros não são diferentes, todos querem ganhar mais e mais dinheiro.

    Como o Soul, disse, a maioria aqui tem mais conhecimento financeiro que a média da população. Logo é quase certo que ganhemos muito dinheiro enquanto o povão vai continuar sofrendo com as dívidas até o fim dos tempos. Infelizmente é a realidade, no máximo podemos dar conselhos a familiares ou amigos.

    Se os proventos dos fiis e ações diminuírem muito no futuro. haverá duas opções : o investidor aceita isso ou vai ter ter de buscar outros ativos em países com mais risco e mais retorno. É por isso que os americanos adoram comprar VALE e PETR4. O dinheiro busca sempre as melhores remunerações.

    Se houver um país emergente que tenha empresas pagando 12% a.a. de proventos, eu colocarei uma pequena parte de dinheiro nele. Assim como gosto de smallcaps e turnarounds. A partir do momento que as dívidas acabam, os foguetes tendem ao infinito, vide KEPL3, HGTX e outras.

    Na década de 2040, espero estar recebendo muitos proventos, pois o dinheiro vai me permitir morar em qualquer lugar do mundo. Não vou me preocupar demais com o futuro do Brasil, pois pior José Sarney e Collor é meio difícil. A juventude fala mal do PT, mas não viu o país no ralo com esses dois. Estamos falando de um país sem internet, sem celular, sem conforto, sem bolsa de valores popular, um país totalmente sem futuro era o Brasil dos anos 1980.

    A preocupação é encher o meu bolso.Quero saber da minha grana. Farei o que é melhor para ela.

    Ass.
    Carioca

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    1. Olá, Carioca.
      Claro, colega, eu entendi o seu ponto. Penso um pouco diferente na questão geral, mas isso é um caso realmente de cada um sentir-se melhor com determinada postura.

      Você tem razão, o país pode piorar com mais um governo petista, mas ainda estaremos muito melhores do que os tempos mais sombrios, do ponto de vista econômico, da nossa história recente.

      Abraço!

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    2. Carioca, pergunta: qual a sua idade?

      Pergunto porque se vc fala com certa autoridade sobre os anos 80 (nada é pior que sarney ou collor; país sem futuro nos 80; etc...) é porque vc viveu aqueles tempos. E se viveu naqueles tempos, lamento informar, mas vc só vai curtir o mundo em 2040 se até lá descobrirem o elixir da juventude...

      Olha, eu já era gente nos 80's. Nessa época, se não me falha a memória de fato não existia internet, celular, etc... no Brasil, ok. Mas também não existia em nenhum outro país com acesso popular a esses "confortos", mesmo nos desenvolvidos....

      Ah outra coisa: vc falou em bolsa de valores popular no brasil hoje em dia, legal. Vc sabe qual o percentual de pessoas fisicas do brasil que investem em bolsa? Procure se informar e não se choque se descobrir que é beeem baixo.

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    3. O número de CPF é baixíssimo. Se eu não me engano não chega a 0,5% da população, contra médias de 50% na Europa e EUA. Isso apenas mostra como o nosso mercado é diminuto, e como ainda há espaço para crescer.

      Eu era criança na época,mas ouço minha mãe e pai falando.
      Mercado negro, ágio no açougue, preços internos caríssimos, linha telefônica que era declarada no IR, etc.
      Era um país inóspito para os pobres. Os de classe média alta podiam ainda se proteger parcialmente com os overnights, mas os pobres eram simplesmente roubados em suas rendas.

      Creio que de lá para cá, mesmo com muitas falhas e desacertos, o Brasil evoluiu muito. Ainda bem.

      Abraço!

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    4. Soul, desculpe, mas muito pouco evoluiu. A diferença básica é somente inflação baixa, pleno emprego e credito mais farto. Algo que que "lembra" os 70's se quer saber...

      Evolução existiria se quadro geral dos meios de produção, equilibrio fiscal, educação, saúde fossem outros. E algo muito pouco discutido: a desigualdade tributária gerada pelo peso tributario maior sobre o consumo que recai sobre os mais pobres é cruel e massacrante com larga vantagem para os mais ricos no saldo final.

      O que evoluiu foi o pão e o circo; já os collor e sarney da vida (os tais piores dos piores..) continuam vivos e ativos. E até o Delfim Neto hoje em dia é idolatrado!

      É assim que funciona: quando o vizinho de porta tá mal, calma que o futuro do país será bom.. Quando somos nós que estamos mal, putz este é um país sem futuro!

      Nesse ponto dou razão ao Carioca pela sinceridade: se não nos vigiarmos, SEMPRE estaremos falando e conjecturando o mundo ao nosso redor pela perspectiva de nossos próprios bolsos....

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    5. Colega,
      Concordo plenamente contigo. A carga tributária no Brasil é injusta e regressiva, o que para mim é uma grande inconstitucionalidade ambulante, já que nossa CF diz expressamente que um princípio constitucional tributário é a progressividade.

      Olha, para termos equilíbrio fiscal, precisamos de baixa inflação. Concordo plenamente que o país está muito aquém do que pode ser e das nossas expectativas. O índice de homicídios por 100 mil habitantes aumentou novamente em 2012 e fechou em 29, o número parecido com 1980, ou seja regredimos.
      Porém, parece-me inegável que houve avanços tanto do ponto de vista econômico, como institucional.
      Cabe a nós enquanto nação preservá-los de ataques oportunistas, seja de qualquer matriz ideológica, e avançarmos em temas sensíveis como educação, saúde, educação e qualidade da representação política.

      Sobre o seu último parágrafo, é verdade. Entretanto, cada um deve seguir aquilo que acha correto. Não se pode impor as pessoas que pensem em objetivos maiores. Tudo tem o seu tempo e espaço, e a pessoa sendo alguém que pratica o bem já está de ótimo tamanho.

      Abraço!

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    6. Senhores, na última Infomoney que li, era falado em 0,3% da população brasileira está na bolsa. Isso é ruim para o país, óbvio.Mas meus proventos de HGLG, AEFI, XPGA caem todo mês. Meus colegas de repartição estão cheios de dívidas, mas eu estou feliz pois CIEL4 está valendo R$ 45 hoje. Estou olhando o mundo pelo meu bolso novamente....

      Eu era adolescente quando o Collor foi eleito, tinha 15 anos. Hoje tenho 40. O Executivo não pode mais confiscar o dinheiro de ninguém via Medida Provisória. Pelo menos esse é um aspecto melhor do país.

      Sempre vai haver discordância subjetiva. Uns acham algo importante, outros acham o contrário.

      Minha visão pode parecer excessivamente egoísta ou antipatriótica. Mas tenho de me preocupar em ler os balanços das empresas em que tenho interesse. Infelizmente não há muito o que fazer em relação ao que ocorre no mundo, como afirmei antes, podemos auxiliar amigos e familiares a melhorarem suas finanças. A obrigação de divulgar o mercado acionário é da Bovespa.

      Falei muito em 2040 por causa do exemplo do soul, mas daqui a 15 anos, em 2029, espero estar aposentado correndo na praia todo dia. Tenho gente na família com 56 anos , que malha e está muito bem de saúde. Nesse ponto, não vou me preocupara em ter o plano de saúde mais top do mundo.


      Quando falo da impressão geral do país nos 80´s, falo das perspectivas e sentimentos das pessoas em geral, óbvio que havia um grupo pequeno protegido da inflação que não sofria com isso. Sempre houve gente protegida na humanidade, até antiga URSS.


      Abraços,
      Carioca




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    7. Então, quando os proventos de HGLG e AEFI caem ambos ficamos contentes!

      Abraço!

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  5. Soul, se virmos a coisa de uma forma simplista, podemos notar que as classes mais altas sempre deixam boas heranças aos seus herdeiros. Seja em ativos físicos, como terras, imóveis, ou bons contatos e boa educação. Até na China comunista é assim, muitos herdeiros dos líderes da Revolução estão com o bolso muito cheio.


    Recentemente, o próprio Papa exortou os católicos europeus a terem filhos e não se preocupar apenas com casas no campo, viagens, lazer .... Pois dinheiro gasto com criança é dinheiro que deixa de pagar lazer, é dinheiro que deixa de comprar ativos.

    Pobres costumam só deixar pobreza para seus herdeiros.

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    1. Sim, é verdade.
      Agora um insight que estou achando interessante do livro do Piketty, e nunca tinha parado para pensar a respeito, é que em sociedades dinâmicas as heranças tem o seu papel, mas o crescimento por mérito é muito mais fácil.
      Pensemos. Um país onde o crescimento real da renda é de 3% (como foram os EUA nos últimos 60 anos), em 50 anos aproximadamente (a época de uma geração completa) a economia real será 4 vezes maior.
      Ora, uma economia real 4 vezes maior é uma realidade muito diferente, onde vários nichos novos foram criados, vários empregos, e onde com certeza houve muita criação de riqueza por mérito.

      Porém, uma sociedade que cresce pouco (pois já é estável demograficamente, e já é muito produtiva), digamos a 1%, para a economia real dobrar de tamanho serão necessários 140/150 anos. Uma sociedade assim é muito mais estática. Se uma sociedade dessas for extremamente desigual na distribuição de riqueza, a riqueza herdada fará uma diferença absurda nos pontos de partida, e muito provavelmente nos pontos de chegada.
      É algo a se pensar, pelo menos os líderes mundiais deveriam.

      Abraço!

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  6. Poucos entenderão, deixo apenas esses 3 "shots":

    a) Existem 3 tipos de mentiras: as "mentirinhas", as "mentiras deslavadas" e as "mentiras estatísticas".

    b) Olhar tudo de muito perto é miopia mental. Mas ser viciado em olhar tudo de muito longe é hipermetropia mental - que, às vezes, é tão ruim quanto a miopia.

    c) Para alguns, se você está com as pernas no gelo e a cabeça no forno, tudo bem: você está em temperatura amena.

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    1. Olá, colega!
      É verdade, inclusive o Eduardo Giannetti tem um livro chamado "O Valor do Amanhã" que ele utiliza as mesmas expressões ditas por você, sobre olhar longe, e olhar perto.
      A toda evidência, o seu exemplo é de extremos, e nos leva a desequilíbrios, como gosto da forma budista de ver as coisas, em equilíbrio, concordo contigo que é um erro.

      Porém, na ciência, essas duas formas são o método dedutivo (do geral para o particular) e o indutivo (do particular para o geral), os dois são importantes, apesar do método indutivo parecer ser o mais usado pelo método científico.
      Não é de se estranhar que há duas formas de análise que repetem os métodos utilizados na ciência: top-down / bottom up.
      Por isso, se agora falando especificamente de investimento, se pudermos ou compreendermos tanto a análise dedutiva como a indutiva, estaremos mais preparados para tomar decisões mais sensatas.

      O item "c" é analogia feita pelo Gore no documentário "Uma Verdade Inconveniente" sobre a rã e a panela que vai esquentando aos poucos, com o que eu concordo em alguns casos.

      Abraço!

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    2. Opa, método dedutivo é o mais utilizado pela ciência:)

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    3. Já vi este documentário, mas não lembro do exemplo da rã.

      Este item c) comenta sobre a média, na verdade (q eu comentei acima tb).

      Ou seja, utilizar a média como referência pode ser um erro muito grosseiro para o investidor achar q conseguirá ficar na média tb...

      Acho que o item a) está relacionado com a mesma ideia... desvio padrão e tals... rs

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    4. De fato, é que eu gosto bastante da frase, que na verdade eu conhecia como " Existem as mentiras, as mentiras deslavadas e a estatística". Eu adoro utilizar essa frase no dia a dia, principalmente quando alguém vem com uns números sem pé nem cabeça ehehe

      Abraço!

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    5. O "problema" da estatística é a sua má utilização. Dá pra provar qq coisa com "estatística distorcida".

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    6. Exatamente, por isso a inteligência cínica da frase.

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  7. Debates do Soulsurfer pegando fogo.

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    1. Essa é a ideia mesmo, desde que feito com educação e cordialidade, os debates de ideias devem acontecer, até para que possamos fortalecer e melhorar as nossas próprias:)

      Abraço!

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  8. Senhores, somos a minoria da minoria no mundo todo. Até nos EEUU o povo desconhece o básico de finanças, http://www.viagemlenta.com/2014/05/o-analfabetismo-financeiro.html#more


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    1. Já tinha lido este post do colega André.
      Alias, recomendo a todos o blog Viagem Lenta, está no meu blogroll.

      Abraço!

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  9. Soul,

    Estava vendo a discussão de vocês sobre os países colocarem dinheiro em países com crescimento maior para assim "garantir" a previdência do país (bem por cima o que disse aqui), mas não se esqueça que existem países como o Canadá que está importando mão de obra para suprir a economia também.

    Mas não sei se o Brasil realmente terá problemas com isso... Digo o motivo...
    Primeiramente, a minha geração é, sinceramente a pior geração que eu conheço, sinceramente. A geração dos 1990 pra frente é uma geração que sinceramente dá agonia, porque é a geração que tem o acesso fácil ao conhecimento e não o utilizam. Olha só as pessoas que estão se formando agora para o mercado de trabalho, muitas delas tem um diploma na mão e não possuem conhecimento. E quando digo isso não é que não sabem aplicá-lo, ou que faltam-lhes a prática, é que não possuem conhecimento nenhum mesmo. Conto nos dedos de uma mão a quantidade de pessoas que começaram o curso comigo e que hoje eu posso ter uma conversa sobre um tema mais técnico e que desenrola com facilidade.

    A minha geração é aquela que tem um diploma de engenheiro, mas vai trabalhar como um subtrabalho por conta de que o trabalho que realmente era para ele fazer não tem competência suficiente para fazer.

    Só uma ressalva, não estou dizendo aqui que o problema é a educação, afinal cursei faculdade pública que possui uma excelente grade curricular e ótimos professores. Estou dizendo que o problema é a população como um todo. Acho que nos próximos 20 anos teremos problemas com uma população letrada e que não terá conhecimento. Isso por sinal nos ajudará a piorar a cara dos estudantes brasileiros lá fora, que sinceramente também não é a das melhores.

    Por mais que tenhamos problemas com a previdência, acho que o problema maior nos próximos anos será a população como um todo.

    Uta!

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    1. Olá, Estagiário.
      Sim, países estáveis demograficamente precisam de mão-de-obra jovem, é por isso que é um contra-senso o aumento do xenofobismo da Europa. Não sei se acompanhou, mas os partidos de extrema-direita (um inclusive neo-nazista) tiveram uma ascensão nunca vista em tal magnitude desde a segunda guerra.
      O exemplo que dei, foi apenas para mostrar que o capital de países mais ricos vai possuir uma tendência natural de financiar os países mais pobres, e isso pode ser uma boa coisa para todo mundo.

      O Brasil está sentado numa boma relógio chamado Previdência. Nós gastamos 12% do PIB com isso a mesma coisa que França e Japão que são países maduros do ponto de vista geográfico, e nós somos ainda uma nação jovem. Porém, isso tudo vai mudar em 2040/2050, e isso é um problema de seríssimas consequências, e que quanto mais tempo nós negligenciarmos em discutir, pior vai ficar.

      Sobre a educação, eu não tenho uma visão tão pessimista. Acho o acesso mais massivo a educação, principalmente superior, algo bom para o país. Se nós vamos conseguir fazer bom uso dessa mão de obra, ou se vamos conseguir preparar melhor essa mão de obra, realmente é um desafio que só coloca para nós.

      Porém, o cenário atual é realmente um pouco fraco de ideias. As opiniões estão muito polarizadas, e em ambientes assim é difícil uma troca de ideia.
      Enfim, acho que melhoramos desde a minha geração (nascido na década de 80) em certos pontos, mas estagnamos em outros. Vamos ver o que acontece.

      Abraço!

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    2. Soul, para variar, os mais pobres vão sofrer mais com a previdência pública. A tendência é aumentar a contribuição dos trabalhadores e diminuir o valor dos benefícios.

      Vai haver mais luxos e confortos para as classes A e B. A classe C vai poder se iludir um pouco, mas não acho que o Brasil vai se tornar um país de padrão europeu.

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    3. Olá, amigo, também acho que essa seja a tendência.
      Ou simplesmente o governo vai dar default nas suas obrigações seja diretamente, seja por inflação.
      Eu não vejo o mundo tão róseo para a classe B se o Brasil não crescer a sua produtividade e não fizer reformas necessárias nos próximos 20 anos.
      A Classe A, e muitos aqui devem ser dessa classe, os 10% do topo realmente quase nunca são afetados como os outros 90%.
      Talvez um país europeu com padrão Grécia/Portugal, Alemanha/Noruega para mim a chance no meu tempo de vida é quase nula.

      Abraço!

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    4. Eu sou formado em Administração. Meu trabalho de conclusão de curso foi uma monografia sobre educação financeira. Minha pesquisa visava comparar se alunos dos últimos semestres, que já tinham cursado matérias de matemática financeira e administração financeira I e II possuíam mais conhecimento básico de finanças e teriam capacidade de tomar melhores decisões que os alunos que estavam no 1° semestre e não tinham cursado essas disciplinas ainda.
      Fiz um questionário com 16 perguntas, baseado em outros similares que achei na web, sobre conhecimento básico sobre custo do dinheiro, juros e sobre decisões de compra, poupança e investimento.
      Apliquei o questionário na turma do 1° semestre e em alunos que estavam já tinham cursado as 03 disciplina, ou seja a partir do 5° semestre.
      1° A diferença foi grande entre os dois grupos. Os alunos que já tinham cursado as disciplinas tiveram um nível de acerto enorme e tomariam as melhores decisões nas situações abordadas no questionário. Apesar da maioria admitir possuir pequenas dívidas, mesmo entre os que acertaram mais.
      2° Fiquei abismado, apesar de ser um resultado esperado, de como a galera mais jovem é ignorante em termos financeiros. Desde conceitos básicos a reconhecer qual a melhor decisão a ser tomada. Um dos resultados que me chamou mais atenção foi que apesar dos alunos que já tinham cursado as 03 disciplinas terem mais conhecimento de finanças, eles não relacionavam isso ao fato de terem cursado as disciplinas, já que uma das questões era dizer de onde adquiriram maior parte de seus conhecimentos sobre finanças e uma minoria marcou que foi em aulas na faculdade.
      Ainda que de forma indireta, o estudo de conceito de finanças voltado para o mundo corporativo, impactou forma positiva o conhecimento dos alunos sobre finanças pessoais.
      Acho que uma matéria sobre finanças pessoais nos cursos superiores e já abriria e muito a mente da juventude que está entrando no mercado de trabalho.
      Durante minha pesquisa vi há muitas iniciativas positivas no sentido de aumentar a educação da população sobre finanças pessoais, mas são ações muito incipientes, inclusive em 2010 foi aprovada a ENEF - Estratégia Nacional de Educação Financeira e lançado pelo governo o portal: www.vidaedinheiro.com.br.
      Confesso que quando fiz minha monografia em 2011, ainda naquele momento de otimismo que a economia estava vivendo, pensei que poderiam haver progressos. Mas infelizmente é mais um excelente projeto deixado para trás já que a prioridade dos governantes do Brasil, seja no atual ou em qualquer governo, é manter se no poder. Então o foco é sempre projetos que rendem votos nas próximas eleições e não que podem ter impactos positivos no médio/longo prazo.

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    5. Olá, colega!
      Grato pela visita e pelo relato.
      Parabéns pelo trabalho de conclusão de curso, parece ser bem interessante.

      Abraço!

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