segunda-feira, 30 de abril de 2018

A LIGAÇÃO QUE ME "CUSTOU" 200 MIL REAIS


                Movido pelo fato de que, felizmente, o mercado imobiliário vem se aquecendo, ao menos em comparação com os inacreditáveis anos negativos de 2016 e o primeiro semestre de 2017, e pude encerrar diversas operações, iniciei novamente compra de novos imóveis. Pois bem.

                No mesmo leilão que arrematei um imóvel, observei que não foi dado lance num apartamento de uma capital de um estado da região norte-nordeste do país.  Não costumo me aventurar mais em lugares tão longes de onde moro. Quando não há lance, os lotes ficam de 24 a 48 horas como imóveis remanescentes, onde basta o oferecimento do lance mínimo para a compra dos mesmos.

                Resolvi, movido pela curiosidade, fazer uma análise mais criteriosa.  O preço do leilão estava incrivelmente convidativo. O apartamento era localizado num condomínio muito bom. Pensei então nos inúmeros imóveis que nem mesmo cheguei a entrar uma única vez em outros estados. Olhei preço de passagens e horários, observei que chegaria nessa capital quase no mesmo tempo em que preciso para chegar à cidade onde meus pais vivem, e pensei comigo mesmo que essa distância de milhares de km não era um impeditivo para um imóvel com tanta margem.

                Aprofundei-me mais na análise. Fazia tempo que não fazia uma averiguação tão detida. Por sorte o sistema eletrônico do Tribunal local era o da mesma empresa do Tribunal do Estado onde vivo, sendo assim em poucos segundos consegui me cadastrar como advogado para ter acesso a processos, que por seu turno estavam todos virtualizados.  Em uma hora e meia consigo, por meio da experiência da análise de centenas e centenas de casos similares, fazer toda uma reconstrução do que está acontecendo, da situação do devedor, do perfil psicológico, das fragilidades jurídicas do processo ajuizado contra o banco, entre outras coisas, o que me deixa satisfeito, pois gosto da sensação de montar um quebra cabeça em pouco tempo com informações fragmentadas de algo que está ocorrendo a milhares de quilômetros de onde moro.

                A parte jurídica está tranquila. Há variadas formas que posso usar para a obtenção de um acordo de desocupação voluntária. A informação que consta na matrícula do Registro de Imóveis está incrivelmente precisa, ao contrário de muitos outros cartórios pelo sul do Brasil. Convenço-me da compra. Anoto nas informações do que preciso fazer no outro dia (terminar declaração de IR, revisar a minuta de uma venda que fiz na semana passada, pagar algumas guias de ganho de capital e surfar), e crio um cronograma estratégico de ligações para fazer logo pela manhã antes de dar o lance.

                Consigo o whatsapp do advogado da parte que financiou o imóvel, tudo com informações tiradas na internet. Entro em contato, explico a situação, cito alguns dispositivos legais, algumas decisões do próprio tribunal local sobre alguns temas relacionados, e demonstro em algumas mensagens de whatsapp que a solução que faz mais sentido é um acordo de desocupação amigável. Vinte minutos, ele retorna a ligação, dizendo que a cliente deu ok. Pede apenas dois mil reais a mais, para um acordo de apenas 12 mil reais (eu estaria disposto a ir até uns 35-40 mil). Ótimo, já vou sair com um acordo em poucos dias depois da compra, talvez isso me resulte em uns 200-250 mil por poucas horas de trabalho. Vou precisar ir apenas uma vez para essa capital ver o imóvel, e já aproveito para conhecer mais o Estado. Excelente, fico feliz com a minha pesquisa, abordagem e forma de atuar em leilões.

                Ligo para um corretor da cidade apenas para confirmar a qualidade do empreendimento. Ele então me diz que o preço pelo qual eu venderia (apenas para testar os limites de uma venda mais rápida) seria uma verdadeira pechincha, e isso já me garantiria quase 200 mil. Talvez pudesse aumentar em uns 100 mil ainda mais o lucro da operação. Ótimo. Ligo para outra corretora. Ela não só conhece o empreendimento, como já morou no mesmo. Fala maravilhas. Excelente, achei uma corretora para vender. Antes de desligar, ela fala que vendeu três unidades nos últimos seis meses, e vai me dizendo os andares. Ela cita o andar do apartamento que está sendo leiloado.  Pergunto então qual é o tipo, pois há duas plantas de apartamento. Ela fala o tipo de planta que está indo a leilão.  Pergunto o final, e ela diz o número do apartamento que está sendo leiloado. Não acreditando, pergunto qual bloco, e ela diz o bloco do apartamento que está sendo leiloado. Pergunto quando foi essa venda, e ela me diz no mês passado. Inacreditável.

                Qual é a possibilidade e a coincidência de eu ligar para a corretora que intermediou a venda da devedora do banco para outra pessoa sem autorização da instituição financeira? Eu não vou entrar em detalhes técnicos, que serão esmiuçados a exaustão no livro, mas se tem algo tosco, usando o eufemismo num grau elevado, é fazer um contrato particular de compra e venda de um imóvel alienado fiduciariamente para um banco sem a anuência do credor fiduciário. Já passei por diversas situações assim, e não há possibilidade legal do “comprador” se opor ao eventual arrematante do imóvel. Em muitos casos, é uma má-fé enorme do devedor fiduciante que vende, e uma ingenuidade incrível de quem compra.

                Depois de conferirmos nome, matrícula, etc, a corretora me garante que o cliente dela fez um pagamento de uma parcela grande, e que a devedora iria se acertar com o banco, e que tinha feito acordo com a instituição financeira. O detalhe é que a venda tinha ocorrido quando já constava na matrícula a consolidação da propriedade no nome da instituição financeira. Isso não acontece. Grandes bancos usam procedimentos uniformes, mesmo que eles percam dinheiro, eles não fazem acordos depois da propriedade ser consolidada, só aceitam fazer acordos quando há determinações judiciais impedindo a venda do bem em leilão.  Como já comprei dezenas de imóveis com a instituição financeira em particular, eu conheço o telefone de inúmeros setores da sede central que tratam do assunto imóvel. Falo no setor de “alienação fiduciária vendas”, explico a situação, o funcionário me diz  o que eu já sei, pergunto se há algum acordo pendente sobre o imóvel e se há um erro nesse imóvel ser leiloado, o funcionário me diz que não existe nenhum acordo, tampouco erro.

                Ligo novamente para o advogado da devedora, ele, e parece ser sincero, não sabia de nada. Isso é normal, muitas vezes os clientes omitem informações de seus advogados. Reflito por 15 minutos. Vai ter uma complicação extra, mas nada demais. Mesmo que a devedora tenha “vendido” um imóvel para um terceiro, e este esteja ocupando o mesmo, por doze mil reais está saindo muito barato ter uma assinatura dela renunciando qualquer pretensão de questionamento do leilão, e como ela é a única, e não o  terceiro, de impor alguma resistência jurídica fundamentada, resolvo seguir em frente e entro no site do leiloeiro para apenas dar um clique, já que o lote vai ficar apenas até meio-dia e já são 9 e 45.

                Entro na tela, e cadê o apartamento? “Não acredito que alguém deu lance nesses 40 minutos que tirei para me certificar desse suposto acordo do banco, que já sabia ser furada, ainda mais num lote remanescente, isso nunca acontece”. Ligo no leiloeiro, e eles me confirmam que teve um lance há poucos minutos, e o imóvel foi vendido e retirado da lista dos imóveis oferecidos.

                Não acredito. Recebo um whatsapp de uma  outra negociação que eu tinha fechado por palavra no sábado no valor de 600 mil, inclusive com uma reunião  pessoal com um corretor e os compradores,  não estava mais certa, pois os compradores queriam mais dois dias para pensar. “Caraca”. Fazer o quê, não posso fazer muita coisa. Vou surfar. Pensei que não ia ter onda, mas aparentemente tem. Fico uma hora, está sol, tem altas valinhas, surfo bem, mandando várias manobras. Volto contente e quase já  esquecendo do ocorrido.

                Volto para casa e ainda de roupa de borracha molhando toda a sala recebo uma mensagem da corretora dizendo “que tristeza, você tinha razão". Sério? Não me diga. Imagino que o cliente dela deva ter dado uns 200-250 mil na bucha na negociação, como alguém faz isso sem tirar uma matrícula atualizada do imóvel e levar a documentação para um advogado conferir, ainda mais com a intermediação de uma imobiliária, é algo que foge da minha compreensão. Perdeu esse dinheiro, sinto muito. Ela então me pergunta alguma coisa, digo que uma consulta jurídica comigo nesse tema é no mínimo R$ 5.000,00 e não estou disposto a fazê-la. Afinal, se não fosse um bendito de um telefonema para essa corretora, eu não teria perdido a oportunidade de ganhar 200-250 mil talvez em questões de meses, e com pouquíssimas horas de trabalho associadas.

                É a vida. Numa semana um enxame de abelhas, numa outra  uma ligação que me “custa” 200 mil, ao menos tenho surfado com um tempo maravilhoso nos últimos cinco dias.

                Um abraço a todos.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

UM CISNE NEGRO NA FORMA DE ABELHAS


  Eram mais ou menos sete e quinze de uma manhã bonita e ensolarada na ilha da magia. Estou desperto e acabando o meu alongamento nas areias douradas da praia. Há meio metro de onda com séries maiores. O vento vem do quadrante oeste e está fraco, fazendo com que a consistência do mar seja muito boa. A ondulação é de leste, logo, depois de vários meses, sou obrigado a vestir um Long John, pois a temperatura da água está gelada. Quase ninguém na praia, a exceção de um ou outro surfista a centenas de metros de distância. É uma manhã típica, mas perfeita.

  Sinto então uma espécie de alfinetada no braço. Viro a minha face para o lado esquerdo e observo vários pontos negros. “Uma nuvem de mosquitos” penso instintivamente. Um ou dois segundos depois sinto várias picadas ardidas em minha pele, e me vejo cercado por um enxame de insetos de todos os lados. Tomo um susto grande, e vou sentido mais ferroadas, caio no chão e começo a me debater, consigo perceber que até onde a minha vista alcança eu vejo pontos negros voando, levanto-me e sinto inúmeras picadas nas costas. Corro então a direção do mar e me jogo na água. Não sinto mais nada.


    Fico então uns 10 segundos deitado com as costas na água gelada do mar, e um breve alívio na dor perpassa o meu corpo. Um surfista que viu a cena de longe vem em minha direção e pergunta se foram abelhas, pois ele tinha visto algumas voando na praia.  Eu não sei o que foi, sei que o meu corpo está doendo em várias partes. Se foi realmente abelha, e eu devo ter tomado dezenas de picadas, então  preciso ir imediatamente para um hospital.


    Dez minutos depois chego ao meu apartamento, peço ajuda para a minha mulher. Ela prontamente levanta da cama e me ajuda a tirar a roupa de borracha. Observo-me no espelho, e reparo que levei uma ferroada no beiço, está tão inchando que os meus lábios estão maiores do que os da Angelina Jolie. Vejo que tomei uma picada na mão, e o dedo está virando uma bola. Minha companheira então vê picadas na barriga, bíceps, braço, várias nas costas, nuca. Vamos direto para um pronto atendimento. No caminho de 25 minutos de carro, tudo começa a ficar ainda mais inchado, e apesar de não ser uma dor lancinante, sinto dor por todo o meu corpo.


    Sou atendido muito rápido. A minha pressão arterial está ok, assim como o meu oxigênio. Espero 10 minutos para ser atendido por uma médica, e algo incrível começa a acontecer, o meu corpo em aproximadamente uma hora depois do ataque começa a vencer a batalha contra os diversos agentes invasores, eu começo a desinchar de uma maneira incrível. Quais processos maravilhosos o meu sistema imunológico não estaria fazendo para que o meu corpo melhorasse o mais rápido possível?


    A médica me examina. Diz que eu dei muita sorte, se eu tivesse qualquer alergia a abelhas, poderia ter entrado em coma.  Ela diz que às vezes basta apenas uma picada, quando se leva inúmeras de uma vez só, para aqueles que possuem reações alérgicas, é problema sério na certa.  Sorte, pura sorte.  Afinal, eu não tive nenhum mérito por não ter alergia a abelhas, ou seja, lá o que me atacou. Não precisei estudar, e nem me esforçar.  Muito provavelmente é apenas um traço aleatório da genética dos meus pais, combinado com fatores ambientais quando eu estava no ventre da minha mãe e na pequena infância.  Se eu não tivesse sorte, minha vida poderia ter mudado na manhã de terça-feira.

    

    Sabemos que a vida pode ser imprevisível, ao menos do ponto de vista abstrato. Porém, quem são as pessoas, prezado leitor, que você conhece pessoalmente que realmente vivem a vida tendo essa ideia na mente? Uma relação familiar quebrada pode esperar ser fixada. Uma desavença com um amigo pode se acertar lá na frente. Um trabalho não satisfatório será remediado daqui uns anos com mais dinheiro no banco. A vida é imprevisível, certo, mas é tão fácil vivê-la como se ela fosse previsível, como se ela se ajustasse aos nossos desejos e preferências temporais.


    Se um enxame de abelhas às 7 e 15 da manhã numa praia cercada de dunas e com árvores a centenas de metros de distância não é um evento imprevisível, um verdadeiro cisne negro, eu realmente teria que reaprender o que um invento imprevisível realmente significa.


    Ainda bem que além de não ser alérgico, talvez o meu sistema imunológico esteja muito forte por ter reagido de maneira tão rápida a essa quantidade enorme de toxina de uma vez só.  Talvez seja a minha alimentação, meus exercícios, minha qualidade do sono, minhas relações com as pessoas mais próximas, talvez seja tudo isso, quem sabe a resposta correta para algo tão sutil e complexo. Dei sorte, e estou aqui bem, lúcido, e por que não dizer feliz, de poder escrever mais um texto nesse blog.  Sim, os eventos imprevisíveis negativos às vezes ocorrem em nossas vidas, e não há quase nada que possamos fazer para evitá-los.  Ainda bem que tive sorte, mas é um aviso, mais um, forte para que eu reflita sobre os rumos da minha vida e dos meus relacionamentos. Ainda bem também que estou num bom momento da vida.



    Um abraço a todos.


segunda-feira, 23 de abril de 2018

PERGUNTAS DOS LEITORES (MAIS UMA VEZ) A RESPEITO DO LIVRO DO SOUL SOBRE LEILÃO DE IMÓVEIS


          Olá, amigos.  Em outubro do ano passado, pedi aos leitores que me enviassem perguntas para ajudar na construção do livro sobre leilões de imóveis, e o resultado foi muito satisfatório. De lá para cá já escrevi algo em torno de 430 páginas, e devo precisar de mais umas 120 para terminar o livro. Vem sendo um projeto bem bacana, onde venho cada vez mais aprendendo a como produzir numa espécie de “deep work”. Tem me ajudado a ficar muito mais focado em inúmeras outras atividades para além da escrita do livro.

    No último mês, não escrevi nada devido a acontecimentos familiares e emocionais que fizeram me perder o foco da escrita. Porém, nos últimos dias reiniciei o processo.  Fico impressionado como é possível escrever bastante com um esforço pequeno, mas contínuo durante os dias.  Se alguém escreve apenas duas páginas por dia, em três meses são 180 folhas, o que é um material suficiente para um livro. A depender do tema, com um esforço moderado, posso escrever tranquilamente de 12-15 páginas por dia, principalmente se a pesquisa prévia já tiver sido feita e faltar apenas a redação do texto.  

      Assim, se eu precisasse escrever sobre minhas viagens ou temas do cotidiano,  creio ser possível escrever um livro em um mês. Isso é fantástico, como podemos ser produtivos se estivermos bem mental, física e espiritualmente e tivermos tempo.  Alguns temas são mais áridos e me tomaram várias semanas para que eu pudesse começar a escrever. O tópico de leilões judiciais, por exemplo. Pensei que iria escrever algo em torno de 50 folhas,  mas acabei escrevendo 150 folhas, e creio ter feito algo não só útil para interessados em leilão, mas bem como para profissionais do direito.  O inusitado é que depois das 150 folhas, a minha conclusão para o leitor é evitar leilões judiciais e dar preferência aos leilões extrajudiciais.  Foram precisos 150 páginas para dizer algo que poderia ser resumido em uma linha, mas para fazer com que um leigo em direito realmente compreenda essa linha, tive que dispor de uma quantidade imensa de material.

        Enfim, o processo vem sendo até agora prazeroso. Não sei se o livro vai atingir até mesmo vendas modestas, mas a sensação de estar produzindo intelectualmente algo próprio, mesmo tomando tempo e provavelmente sem qualquer retorno financeiro, é muito boa.

       Chegando ao ponto, o motivo desse breve texto é indagar mais uma vez aos leitores, eventuais dúvidas sobre leilão de imóveis. Como o livro também discorre sobre conceitos de finanças, conceitos de finanças comportamentais, conceitos de direito imobiliário, se leitores tiverem perguntas nessa área, talvez possa ajudar a dar os retoques finais nessas partes. Estou escrevendo agora um capítulo que se chama “Perguntas e Respostas”. A maioria das respostas já terá sido preenchida de modo mais técnico no decorrer do livro, mas achei interessante fazer esse capítulo nesse formato para ter algo mais direto e reto das principais dúvidas. Alguns leitores me enviaram diversas perguntas, sobre leilão, que eu transcrevo abaixo:

1 - Você compra os imóveis como pessoa física mesmo ou você constituiu uma empresa para fazer esse tipo de operação? A vantagem aqui seria ter um CNPJ para poder se valer de certos "benefícios fiscais" e não entrar na alíquota de 27,5% da pessoa física.

2 - Em imóveis ocupados, você geralmente entra em contato com o ocupante somente após ter sido declarado o vencedor do leilão? Pergunto isso, pois os casos de Venda Direta te abrem a possibilidade de sondar previamente a propensão do ocupante a aceitar um acordo de desocupação antes de dar andamento e efetivar a compra.

3 - Nesse contexto, sei que depende dos valores envolvidos, mas de um modo geral, você vê com bons olhos a Venda Direta ou via de regra a atratividade estaria apenas nos "leilões tradicionais"? –

4 - Não sou advogado e nunca precisei de um. Como encontrar e escolher um bom profissional que possa me assessorar e dar todo o suporte necessário nessa área?

5 - Aqui é mais uma curiosidade sobre a sua estratégia: caso não tenha lances até bem próximo do horário de término do prazo estabelecido, mesmo assim você vai lá e dá um lance no 1º leilão mesmo ou geralmente espera o 2º leilão para tentar um valor mais baixo (mesmo sabendo que a concorrência pode ser mais acirrada)?

6 - Qual a periodicidade que você monitora os leilões?

7 - Você já tomou prejuízo comprando algum imóvel em leilão?

8 – Quais os custos extras de se comprar um imóvel em leilão?

9 – O que pode dar errado? Pode-se perder o dinheiro?

10 -  Vale a pena comprar imóveis em leilão para morar?

11 – É difícil desocupar um imóvel ocupado? É mais difícil se houver uma família com filhos pequenos ocupando o imóvel?

12 – Qual é o menor preço que se pode pagar num imóvel indo a leilão, o que é preço vil?

13 -  Quem é responsável pelas dívidas de condomínio e IPTU de um imóvel indo a leilão?

           
      Essas são as perguntas que tenho por enquanto no capítulo. Se alguém tiver alguma dúvida que não esteja abrangida por essas questões acima em relação a leilões, ou se possui alguma dúvida sobre os outros temas aludidos no parágrafo anterior, pode deixar as perguntas na seção de comentários ou enviar e-mail para pensamentosfinanceiros@gmail.com. Tenha certeza que se for uma pergunta original, você ajudará na construção de um livro ainda mais completo.

   Finalmente,  mudando de assunto, comprei um domínio e pretendo fazer o novo blog. O que me atrai principalmente, tendo em vista os inúmeros podcasts estrangeiros que ouço diariamente, é tentar fazer algo parecido no Brasil. Imaginem,  prezados leitores, um podcast em português entrevistando pessoas sobre empreendedorismo, saúde, esportes, espiritualidade, e tantos outros temas? Um podcast a la “Tim Ferris”, ou “Joe Rogan Experience” ou “The Art of Manliness”, informação relevante, de qualidade, com perguntas bem-feitas, e sem cair para o vulgarismo ideológico extremado tão comum hoje em dia no Brasil.

        O “The Art of Manliness” é incrível. Numa semana entrevista-se um padre sobre a ética jesuítica, e como ela pode ajudar em sua vida. Na outra, um autor que escreveu um livro sobre ofensas, e como devemos lidar com as ofensas morais do dia a dia. Num outro dia, entrevista-se um treinador de força que fala que o permanecer sentado é o novo fumar. Numa outra semana, um autor de um livro que escreveu  sobre um hermitão que viveu isolado do mundo por mais de 20 anos numa floresta de um estado americano, e foi preso recentemente por invadir casas de veranistas (a entrevista é incrível, e a personalidade do hermitão também é algo muito diferente). É fantástico.  Não é aquela coisa cansativa de escrever ou falar sobre o mesmo tema com o mesmo viés ideológico "over and over and over again".  Eu, posso estar enganado, pelo meu conhecimento creio que inexiste algo parecido no Brasil. Acho que seria algo muito bacana, e eu ficaria extremamente feliz se pudesse participar de algo assim de forma mais ativa.

                Um grande abraço a todos!

segunda-feira, 9 de abril de 2018

O MUNDO REAL


O mundo real. Existe alguma outra realidade que não seja aquela que experimentamos? O que seria o mundo real? São perguntas de difícil resposta, se é que existe alguma que possa ser considerada definitiva. Nada impede que a nossa suposta realidade nada mais seja do que uma simples simulação, por exemplo. Porém, deixem-se divagações mais abstratas para outro momento, e concentremo-nos, prezados leitores, em divagações mais palpáveis com a nossa vida.

Você entra num bar, é verão e está quente, você está um “pouco acima do peso”, mas não acha estranho o fato de que de uma mesa duas garotas estonteantes olhem em sua direção de um jeito sensual. Feliz com a vida, você pede uma cerveja  a um garçom animadíssimo, a cerveja é barata, mas de alta qualidade. Você resolve então olhar ao redor do bar, e vê que o mesmo está lotado de pessoas jovens, bonitas, com corpos esbeltos e felizes. Você se sente bem, até que a realidade congela, assim como na clássica cena do filme “Vanila Sky” e um sujeito sinistro, mas afável, diz que aquilo não passa de uma peça de propaganda que irá tentar mexer com partes específicas do seu cérebro para que você continue tomando a cerveja de uma determinada marca.

Ao andar pelas ruas da cidade onde nasci na última semana (Santos), algo que gosto muito de fazer até porque a cidade é compacta e plana,  eu notei que nos bares a esmagadora maioria das pessoas está acima do peso, ou está obesa mesmo, os garçons não estão com cara de muitos amigos, e boa parte das pessoas está com o pescoço numa posição anatomicamente não ótima (o que com certeza pode ocasionar problemas ortopédicos no futuro) olhando a tela de um pequeno dispositivo. Uau, isso é quase o oposto do bar do parágrafo anterior.  Será porque a visão de um bar normal de uma cidade normal do Brasil, o que poderíamos chamar de mundo real, pode ser em alguns casos tão deprimente, é preciso criar-se uma realidade alternativa em produtos de marketing que de alguma maneira tentam vender um produto naturalmente associado com esse tipo de ambiente? 

Apesar de qualquer pessoa conseguir distinguir a ficção da realidade no caso dos bares, esse tipo de dissonância da realidade se apresenta de diversas formas.  Minha companheira, à espera de ser atendida numa consulta médica, me relatou de uma forma o tanto quanto indignada que teve que esperar bastante tempo, pois o consultório do médico tinha se transformando num vai e vem de homens bem vestidos e apessoados.  Sim, a famosa relação médicos-indústria farmacêutica em sua realidade mais básica. O que me chamou atenção não foi tanto a relação, que é evidente bastando ver o aumento do número de farmácias e o uso de remédios pelas pessoas, mas o fato dela ter destacado homens bem vestidos e apessoados.  Não eram pessoas mal vestidas, não eram pessoas com algum problema físico no rosto, eram homens jovens apessoados.

No que essa história de consultório se encaixa com o presente artigo e realidades alternativas?  Uma vez, num esforço talvez de melhorar como escritor, escrevi três artigos como se fossem  um roteiro de teatro.  Um deles foi sobre uma passagem do livro “A Revolta de Atlas” da escritora nascida na Rússia Any Rand.  O artigo em questão é este A Vergonha de Atlas, e relendo-o para escrever este texto achei, modéstia à parte, que  o resultado ficou razoável.  Porém, por qual motivo escrevi um texto sátira sobre esse livro tão caro a tantas pessoas, principalmente de matiz mais "libertária"? É porque sou um agente secreto do foro de São Paulo treinado por ex-agentes da KGB? A realidade é menos fantástica do que essa explicação.

Quem não conhece o livro, a história de mais de 1000 páginas é sobre uma sociedade onde as pessoas produtivas decidem dizer “chega, cansei do governo, dos tributos e da regulação” e param de produzir. Elas não só param, como desaparecem, deixando para trás os seus bens.  Como, antes de ler o livro, tinha lido diversos artigos num site chamado Mises Brasil, já estava familiarizado com a história ética-moral do livro, o que mais me interessou na leitura de tão extensa obra foi o aspecto literário e a construção dos personagens.

Eu no começo da leitura fiquei intrigado, pois achei que não podia ser verdade que um livro tão famoso e referenciado como obra-prima por tantas pessoas inteligentes, poderia ter uma construção literária tão infantilizada. Porém, na metade do segundo volume tinha ficado claro que era assim mesmo que a obra tinha sido estruturada.  

Na obra de Rand, todas as pessoas que de alguma maneira se encaixavam no arquétipo “improdutivos” eram ou tinham algum problema físico, ou sua vestimenta não era apropriada, ou exalavam um cheiro não agradável, ou não eram fisicamente esbeltos, ou eram extremamente inseguros, ou eram extremamente tolos e não conseguiam articular duas ideias de forma clara e racional. Em alguns personagens, todas essas características apareciam concomitantemente. Por outro lado, os personagens tidos no arquétipo “produtivos” eram ou bonitos (alguns tão bonitos que são descritos como Deuses Gregos, e é por isso que a capa do livro é um homem musculoso saído de um livro de anatomia segurando o mundo), ou inteligentes, ou bem vestidos, ou cheirosos, ou dignos, ou extremamente confiantes e seguros de si e do mundo.  Em alguns personagens, todas essas características apareciam reunidas.

Para além disso, há passagens simplesmente ridículas do ponto de vista literário. Dagny é a heroína da história.  O que é algo muito positivo ter uma mulher como heroína, o que não é de se estranhar já que a escritora é mulher.  Dagny até o começo do terceiro volume tem um romance com um empresário que é o estereótipo do que é bom na humanidade chamado Hank.  Algumas cenas de sexo são descritas, e a personagem central da obra parece um furor sexual, além de possuir um comportamento sexual completamente passivo em relação a Hank, em algumas partes assemelhando-se mais a “Cinquenta Tons de Cinza”.  Porém, o que chama atenção é que Dagny tem na faixa de uns 35 anos, e as suas únicas e esparsas relações sexuais se deram em sua juventude entre 18-20 anos com um único parceiro. Sim, há um hiato sexual na vida de Dagny de apenas 15 anos.  É difícil imaginar uma mulher que ficou 15 anos sem ter relações sexuais, e tendo apenas poucas experiências na juventude, de uma hora para outra tenha se tornando um furor sexual.  Está claro que se constrói uma personagem que seja um outro arquétipo na mente de alguns homens: “quase virgem”, mas de alguma maneira uma potência sexual.  Converse com qualquer mulher na vida real, e boa parte delas apenas riria de uma descrição sexual feminina como essa, pois ela seria apenas uma construção mental irreal, assim como o bar de cerveja da propaganda, não é real.

E essa digressão enorme me leva aos homens bem apessoados do consultório médico. Ou a Eduardo Cunha.  Ou à realidade.  Os homens que vão seduzir médicos não são mal vestidos e feios. Eduardo cunha não é mal vestido e é capaz de articular de forma clara e racional os mais variados argumentos.  A realidade não são homens feios fisicamente, intelectualmente limitados e inseguros de um lado versus homens bonitos, intelectualmente avantajados e completamente seguros de si de outro.  Se você vive no mesmo mundo que eu, se caminha pelas ruas das cidades como eu gosto de fazer, muito provavelmente a sua impressão, prezado leitor, como a minha é de que a realidade é muito mais complexa, confusa e difícil do que o mito quase religioso de bem x mal.

O mundo real é feito de pessoas, ficando em linguagem mítico-religiosa como a escritora Any Rand adota no livro citado, que se comportam em certas ocasiões como anjos e em outras como demônios.  O assaltante num momento é o pai de família preocupado com a saúde do seu filho num outro momento. Um empresário de sucesso num momento é o pai que abusou sexualmente de sua filha num outro.  Nem o assalto se torna justificável e menos condenável pelo fato da preocupação do assaltante com o seu filho, nem a possível produtividade do empresário deixa de existir pelo ato horrendo cometido contra a filha.  Multiplique esses exemplos por milhões, por outras variáveis, e percebemos quão complexa pode ser a realidade, e como idealizações de mundo são descrições limitadas da realidade quando muito, pois na maior parte das vezes são apenas visões completamente destituídas de qualquer  ligação com a realidade.

E por qual motivo isso possui alguma relevância? A razão é muito simples.  Uma mulher negra na década de 50, cansada depois de voltar ao trabalho, não quis ir para o lugar reservado a negros num ônibus de uma cidade do interior dos EUA, e resolveu ficar sentada em bancos reservados para brancos. Rosa Parks provavelmente não queria mudar o mundo naquele momento, ela apenas estava cansada de um dia de trabalho, e não achava correto que ela deveria ceder o seu espaço a um branco pelo simples fato dela ser negra.  Um ato de revolta simples se transformou no catalisador de um dos maiores movimentos contra o racismo nos EUA, e talvez no mundo inteiro.  Rosa Parks talvez não fosse a heroína que habita a fantasia de tantos homens, talvez ela não fosse brilhante intelectualmente, e nem mesmo um furor sexual depois de toda uma vida de acatamento sexual, mas com certeza o que ela fez foi extraordinário.

Precisamos sonhar muitas vezes, e às vezes o sonho não se coaduna com a realidade atual. Tentarmos conhecer a realidade, sem escapismos infantis e grosseiros, é a única forma para podermos tentar ter alguma influência sobre essa mesma realidade.  Seja alguém que irá construir uma das empresas atuais mais poderosas do mundo, como Steve Jobs, seja uma trabalhadora de loja de departamento que iria ajudar a construir um movimento que iria sacudir o país mais poderoso do mundo, seja um pai de família que se esforça para que o seu filho não se perca no caminho perigoso das drogas.

Eu, Soulsurfer (mas podem me chamar de Thiago também), há algum tempo consigo ver uma grandeza enorme em alguém como Rosa Parks, mas também numa mãe que com dificuldades se equilibra numa rotina desafiadora e mesmo assim consegue dar amor tão essencial para o desenvolvimento de uma criança.  Vejo o valor enorme num sujeito genial como Steve Jobs, mas um valor incrível também num médico que durante décadas tenta da melhor maneira possível cuidar de seus pacientes não apenas com remédios e tratamentos clínicos, mas com carinho e preocupação.

Sim, quando saímos da “mitologia” do marketing e de algumas descrições infantis do mundo, a realidade se torna mais complexa e muitas vezes difícil.  Mas quem disse que viver é fácil? Quem disse que o mundo não é um lugar cheio de conflitos sejam interpessoais, sejam os próprios demônios internos que alguém precisa lidar diariamente? A solução para uma vida melhor não é a fuga da realidade, mas sim a sua aceitação.

Um abraço a todos

quarta-feira, 4 de abril de 2018

A OTIMIZAÇÃO DA SUA VIDA


Olá, prezados leitores. Semana que passou foi uma cascata de acontecimentos de alto impacto emocional.  Se apenas um dos eventos tivesse ocorrido nesse ano, já seria uma carga emocional alta, agora todos eles ocorrem em poucos dias, realmente foi algo forte.  Misteriosa e insondável vida.

O tópico desse artigo não é, entretanto, fatos emotivos da minha vida, mas sim sobre a otimização da mesma. Há alguns meses, venho empreendendo uma jornada de auto-conhecimento sobre o meu corpo, os alimentos que consumo, a forma como durmo, e muitos outros aspectos que passam despercebidos na vida das pessoas.  Depois de ler alguns livros, ouvir dezenas de podcasts, e ler artigos científicos, tenho a sensação de tempo perdido por não ter ido atrás desse tipo de conhecimento há muito tempo atrás.  Talvez não tivesse a maturidade suficiente. Seja como for, nunca é tarde para esse tipo de coisa. Outro aspecto que se destaca é a complexidade de muitos temas relacionados à nossa saúde física e mental. O que venho aprendendo e apreendendo até aqui é o básico do básico, mas mesmo assim cada vez fico mais interessado sobre o tópico.

Por qual  motivo todo esse interesse? Pela simples razão que a otimização da saúde é uma das únicas formas de termos vidas intensas, ricas e prazeirosas.  Em 2003, com 23 anos de idade, viajei com minha mãe e irmã para o Pantanal e a Região de Bonito no Mato Grosso do Sul. Quem já foi nesse local especial do Brasil, sabe que a região é espetacular. Nos últimos dias da viagem todavia, fui acometido por uma dor intensa na região do estômago. Tudo ficou mais cinza, triste e sem graça, mesmo no meio de tanta beleza natural. Quanto estamos com dor, quase tudo mais perde a importância.  Mesmo uma mãe com extrema dor, talvez não pense tanto nos seus amados filhos. Dinheiro, fama, poder, mulheres, com certeza perderão todo o brilho e encanto na presença de uma dor aguda intensa. Se essa dor for crônica, então mesmo um bilionário se transforma num miserável.

Num grau não tão elevado como uma dor aguda, o nosso corpo pode estar num estado mais otimizado ou não. Você, prezado leitor, pode acordar descansado e com energia renovada, ou pode se arrastar de forma letárgica para os seus compromissos matinais. Eu prefiro estar na posição de acordar bem e com vigor, do que estar num estado mais letárgico. Ambos são estados que talvez não indiquem a presença de doença, dor ou qualquer outra enfermidade, mas parece-me evidente que um estado é muito melhor do que o outro. 

Se alguém puder acordar na maioria dos dias se sentindo bem, creio que esta pessoa estará otimizando esse aspecto da vida. E se for possível, por meio de conhecimento científico, aumentar e muito a probabilidade de uma pessoa ter uma boa noite de sono? Não seria esse tipo de conhecimento algo de extrema valia? Aumentando o espectro da pergunta, um investidor que possui R$ 1.000.000,00 estará otimizando mais a sua vida adicionando mais R$ 100.000,00 ao seu patrimônio ou se preocupando mais com suas noites de sono?

Um leitor mais atento talvez possa responder que as duas ações não são excludentes, pelo contrário, elas podem ser complementares, pois quem dorme bem, e se sente melhor e descansado de manhã, tem uma probabilidade maior de ser mais produtivo e por via de consequência aumentar o seu patrimônio em R$100.000,00.  Sim, isso é a mais pura verdade, e para mim parecia claro que esse conceito de otimização da saúde irradiando efeitos positivos para inúmeras esferas da vida ser algo auto-evidente.

Entretanto, ao conversar com pessoas com grande conhecimento em finanças, fiquei de certa maneira intrigado, como esse conceito não era tão evidente como eu pressupunha.  Como quase todo mundo que lê o que escrevo é da comunidade de finanças pessoais, a otimização de práticas financeiras é o mantra entoado aos quatros cantos da blogosfera. Isso é ótimo. Logo, o conceito de otimização, que nada mais é do que cada vez mais tentar melhorar algum processo com vistas a um melhor resultado, é bastante intuitivo e encorajado nos blogs de finanças.  Se alguém dissesse para um leitor desse blog, ou a algum outro blogueiro, “você deve economizar mais do que gasta”, provavelmente a pessoa iria responder “claro, claro, porém é apenas isso que você tem a dizer sobre um tópico tão denso como finanças pessoais?”. Sim, alguém que lê sobre FII, ETFs, e até mesmo investimentos no exterior por meio de alocação de ativos, está passos a frente de alguém que ainda está no estágio de “é preciso viver dentro dos limites do que se ganha”. O leitor, ou o blogueiro, que vai além desse conceito fundamental, mas de certa forma primário, está otimizando os seus conhecimentos e sua vida financeira.

Qual, então, não foi a minha surpresa ao ouvir informações tipo “você precisa gastar menos do que ganha” em relação à otimização da saúde de inúmeras pessoas. Sim, eu sei, mas é só isso que se tem a dizer? Pois se é assim, está se muito longe de potencializar a saúde, a produtividade e o bem-estar geral. Diria que muito longe.

É por isso que gosto do Mister Money Mustache, ele é um otimizador nato da vida. A parte financeira nos dias de hoje é muito importante para uma boa vida, por isso ele (MMM), como seria natural, otimizou esse aspecto da própria vida. Porém, o dinheiro é apenas um dos diversos aspectos da existência de uma pessoa. Além das preocupações financeiras, alguém precisa saber como criar um filho, ou como se divertir, ou como enfrentar situações de estresse da melhor maneira possível, ou como conviver com pessoas de convivência mais difícil, entre dezenas de outras facetas da vida humana. Há inúmeras áreas de otimização, de melhora na nossa vida, a financeira é apenas uma, e talvez nem seja uma das mais essenciais, apesar de sua importância. Esse é um dos motivos também de per si, ou seja apenas por este fato, não me impressionar tanto com feitos financeiros de W.Buffetts da vida, aliás eu não me impressiono quase nada, e se a otimização financeira veio por meio de uma atrofia de outras áreas tão ou mais importantes, então para mim fica claro que esse não é um bom modelo para uma vida plena e completa.

Como pano de fundo para quase tudo na vida está a nossa saúde, logo essa área é de vital importância para alcançarmos os mais variados objetivos aos quais nos propomos.  Se você não faz a mínima ideia sobre o que está comendo, como está dormindo, se tem dores pelo corpo, e sua preocupação maior é com a rentabilidade dos seus investimentos, ou sobre o que um determinado político faz ou deixa de fazer, eu creio que há uma grande probabilidade de você estar completamente perdido em suas prioridades de vida.  Talvez o seu corpo possa estar adoecendo, ou já esteja doente, e você não esteja dado a atenção devida. E se uma doença se instala, assim como eu com dor aos 23 anos, tudo mais fica mais triste e sem graça.

Sim, há pessoas que ganham na “loteria genética” e chegam aos 95 anos correndo meia-maratonas. Há pessoas “sortudas” que fumam por décadas e não desenvolvem câncer de pulmão. Por outro lado, há pessoas com azar na “loteria genética” e ficam doentes mesmo com os melhores hábitos possíveis. A saúde e a doença são condicionadas por fatores genéticos e ambientais. Fatores ambientais até mesmo condicionam a expressão genética da pessoa, o que se chama de epigenética.  Se não fosse  o bastante, adicionando uma camada ainda maior de complexidade, nos últimos 10-15 anos uma enxurrada de estudos científicos estão mostrando que a saúde e a diversidade das bactérias e vírus que habitam os mais variados órgãos do nosso corpo (o que se dá o nome de microbiota) são essenciais para a saúde humana.  Casos de depressão, autismo, as mais variadas doenças auto-imunes estão associadas com a disbiose (ou seja o adoecimento e perda da diversidade das bactérias do nosso corpo) de nossa microbiota. Já parou para pensar quão revolucionário é para nossos sistemas filosóficos e éticos refletir que aspectos comportamentais negativos, com impactos na vida em sociedade, podem ser influenciados pela saúde das bactérias que habitam o seu corpo? Isso é incrível. Ou pensar que na verdade nós somos uma entidade composta de milhares de espécies diferentes? É incrível como um novo conhecimento pode trazer formas radicalmente novas de se entender a si mesmo e ao mundo.

Logo, o assunto sobre saúde e doença é complexo e multifatorial. Porém, isso não significa que mesmo assim não se possa otimizar a sua vida, prezado leitor. Muito pelo contrário. Se você realmente quer ter uma probabilidade maior de uma vida mais longa e com saúde , o que poderá proporcionar que você realize diversas atividades com significância por muitos e muitos anos, não se contente com “você precisa gastar menos do que ganha” tipo de conselhos quando se trata sobre a sua saúde, alimentação e bem-estar. 

Um abraço a todos!