quarta-feira, 9 de novembro de 2016

DONALD TRUMP - O VIGOR DA DEMOCRACIA AMERICANA, O GOLPE NAS GERAÇÕES FUTURAS E UNCHARTED REEFS PELA FRENTE

Trump, o novo presidente da maior potência econômica e militar do planeta. Quem iria imaginar isso há 15 meses? Porém, o inusitado ocorreu. Quais seriam os motivos para uma vitória tão improvável ter ocorrido? Primeiramente, porque temos que reconhecer que a Democracia americana, para um país daquele tamanho e com níveis grandes de complexidade, é dinâmica e forte. Se não fosse assim, um negro com nome de Obama (que se parece muito com Osama) jamais seria eleito. Sempre disse para pessoas que criticavam os EUA na minha presença, de que a eleição do Obama era uma prova de como os EUA podem ser surpreendentes. Alguém imagina um negro sendo eleito num futuro próximo no Brasil, mesmo nossa população tendo uma quantidade de negros e mestiços muito maior do que a norte-americana? Eu não.

Eu não sabia que o Trump tem 70 anos. Ele será, segundo artigo que li, o presidente mais velho da história dos EUA. Seria ele o mais despreparado também?


  Assim, os EUA são vibrantes neste aspecto. Trump é um empresário de grande destaque e um homem sem qualquer experiência política, militar ou diplomática. É um completo outsider. Isso não deixa de ser algo incrível. Não temos ninguém, pelo menos até agora, que poderia ser idêntico ao Trump neste aspecto no Brasil. O Bolsonaro além de não ter qualquer relação com Trump nas origens, nem mesmo na capacidade argumentativa,  nada mais é do que um político profissional de longa data. Portanto, os EUA mais uma vez surpreendem a todos com a eleição de alguém tão diferente do status quo político.

 Em segundo lugar, parece que é uma mensagem dos americanos, ao menos metade da população que foi às urnas (o voto não é obrigatório lá, ao contrário do Brasil), de forte repulsa ao sistema político atual. Não se enganem amigos, a crise de representação política é profunda e abrangente, não é apenas no Brasil. O nosso país é apenas pior em sua representação, talvez fruto de uma sociedade não tão esclarecida e desenvolvida, mas tirando alguns países extremamente ricos e estáveis (como Austrália, Nova Zelândia, Noruega, etc), o mundo passa por um momento de profundo questionamento da representação política.

  Mas, por que essas pessoas estão insatisfeitas? Elas não estão insatisfeitas porque estamos piorando o ambiente que deixaremos para nossos filhos, ou porque hoje o número de deslocados e refugiados é maior do que no ápice da segunda guerra mundial. Não. Elas estão insatisfeitas porque a sua qualidade de vida, em que pese termos muito avanço na tecnologia, não vem necessariamente melhorando. Elas querem mais empregos com maior remuneração, vizinhanças mais seguras, aposentadorias melhores, sendo todos estes desejos compreensíveis e naturais.

  Um ponto que chama, e chamou, a minha atenção sobre Trump, é que via muitos colegas entusiasmados com a possibilidade de sua vitória, pois ele representaria alguma forma de resgate de valores individuais e de liberdade econômica. Isso é algo que não se encontra nas falas do agora novo presidente americano. Ao contrário, acaso ele realmente venha implementar o que disse, é possível que tenhamos uma nova onda de protecionismo nacional, não a expansão do comércio entre as nações. 

  É interessante ressaltar também, ao contrário do que muitos que se interessam por finanças (bato nessa tecla, pois a audiência maior desse blog é voltada para essas pessoas), não há qualquer indício de que ele venha a diminuir o papel do Estado, muito pelo contrário. Neste ótimo artigo feito pelo Instituo Mises Brasil, fica claro que o que Trump quer, acaso ele realmente implemente o que prometeu, é mais Estado. A diferença em relação a candidata democrata é que ele aumentaria o papel do Estado via endividamento, ou seja empurraria a conta para gerações futuras, que foi exatamente o que o Governo Dilma I e II fizeram com o Brasil.

  Nos debates, eu ficava me perguntando como ele vai baixar impostos e aumentar substancialmente gastos governamentais militares e em infra-estrutura sem subir a já altíssima dívida pública americana? A resposta do IMB é que ele simplesmente não vai fazer nem metade do que prometeu, porque simplesmente é inviável economicamente.

 Ele fará os EUA fortes de novo no ponto de vista da geopolítica? O Obama é visto por muitos como um presidente fraco nesse front, e eu gostaria de saber os motivos. “Ah, ele não interveio mais decisivamente na Síria, não impediu a anexação da Crimeia pela Rússia, ou não se impôs a expansão da China” alguém pode ser refletindo.

 A Crimeia tem uma maioria russa, não havia muito o que ser feito. A China é a nova superpotência do mundo, não há nada e nenhum país que irá impedir isso. Depois de passar 4 meses naquele país, eu apenas me sinto humilde em relação ao meu conhecimento sobre uma das civilizações mais antigas do mundo, e sempre acho engraçado ver a análise de pessoas sobre o país sem conhecer quase nada sobre a incrível história ou nunca nem ter colocado os pés lá. A Síria é um atoleiro, não há saída fácil, talvez no começo, agora não mais.

 O fato é que os EUA tem que reconhecer que eles tiveram um breve momento como a única superpotência do mundo logo depois da queda da União Soviética. Não é isso que se desenha para as próximas décadas. Os EUA vão querer ter influência no mar da China? E como eles podem fazer isso sem gastar quantidades enormes de dinheiro, prejudicando a sua própria economia? Assim como parece estranho a China querer influenciar alguma coisa perto dos EUA, cada vez, em minha opinião, ficará claro que não será possível os EUA influenciar áreas tão próximas a China.

 Sobre este aspecto, não vejo muito como os EUA podem vir a ganhar maior influência no mundo do ponto de vista geopolítico. Os EUA são o ator mais importante da arena internacional, não há qualquer sombra de dúvidas, mas há limites para a sua atuação e eles irão ficar cada vez maiores, e não há nada de errado nisso. Portanto, aumentar ainda mais a máquina de guerra americana, como o Trump pretende, um erro que apenas aumentará a dívida americana, assim como Bush fez com a guerra do Iraque que estimam ter custado, além de centenas de milhares de vidas humanas, algo na faixa dos trilhões de dólares.

  Porém, isso é apenas a minha opinião, e posso estar redondamente enganado, e sinceramente não vejo grande influência para o Brasil. Agora, há um tema que vejo com profunda tristeza: crise ambiental


 Eu, ao contrário de grandes jornalistas, não viajei o mundo para observar o estrago que nós humanos com a nossa forma de vida estamos causando aos ecossistemas do planeta. Porém, como já estive em diversos lugares, pude observar algumas coisas que estão ocorrendo. As regiões que mais crescem no mundo são as localizadas na Ásia. Quando estive pela primeira vez há quase 10 anos havia poluição, mas sinceramente não era algo muito diferente de uma cidade grande brasileira. Quanta coisa mudou em menos de 10 anos. Quando estava na Indonésia, Malásia, e em algumas partes do Camboja e Laos há alguns meses, fiquei bastante impressionado. Em diversos dias, mesmo com sol e sem nuvens, não se conseguia ver o horizonte com clareza, mesmo montanhas. Demorou um certo tempo para perceber que era poluição advinda de grandes queimadas da ilha de Sumatra para plantação de Palm Oil. 

 Poucas pessoas sabem, mas grandes ecossistemas vem sendo destruídos apenas para a plantação dessa espécie que é utilizada em quase tudo hoje em dia pela indústria. Na ilha de Bornéu, quando peguei um avião para ir a um parque nacional mais remoto, vi plantações e plantações a perder de vista de Palm Oil, num deserto verde deprimente. 

 Bornéu, talvez junto com a nossa floresta Amazônica, talvez seja um dos lugares com maior biodiversidade do mundo. Essa preciosidade vem sendo destruída, colocando em risco a existência de populações selvagens de Orangotangos (um dos cinco grandes primata ao lado do Homem), além de muitas outras espécies. Tive a oportunidade de ver Orangotangos semi-selvagens e foi muito bacana. Será algo muito triste para toda a humanidade se de alguma maneira causarmos a extinção de um grande primata.

Deserto verde: Plantações de Palm Oil

  A poluição na China também é algo estarrecedor. Mesmo num dia claro, e sem muita poluição, não conseguimos ver o sol em Beijing. Foi uma sensação muito estranha. Fiz amigos na China que me disseram que há dias em que a poluição é tão extrema em grandes cidades chinesas que muitas pessoas chegam  a sentir efeitos físicos negativos severos como dores de cabeça, olhos irritados por causa da poluição do ar. Estamos tornando o nosso mundo um lugar pior para se viver às custas das novas gerações, o que para mim é um grande crime.

 Donald Trump disse que o aquecimento global, apesar de evidência científica em contrário, é uma farsa. Ameaçou tirar os EUA do acordo de Paris assinado em dezembro de 2015. Espero sinceramente que isso não aconteça, pois poderíamos repetir o que foi o acordo de Kyoto de 1997, e perdemos mais tempo, quando a janela de oportunidade para agir está cada vez se tornando mais estreita. Além do mais, estaria colocando os EUA na contramão do que a maioria dos países estão dispostos a fazer. Para mim a questão ambiental é uma das mais importantes para a espécie humana nesse começo de século.

  Se a sua vida será influenciada diretamente enquanto investidor? Difícil dizer. O melhor a fazer  é  se concentrar em sua vida e procurar fazer o melhor ao seu alcance. Isso é verdadeiro. Porém, não vivemos numa ilha, e é inegável que atos políticos afetam as nossas vidas, mesmo atos vindo de potências estrangeiras. Como brasileiro dificilmente minha vida será afetada diretamente, mas é estranho pensar que tantos lugares que estive podem sofrer grandes consequências. 

 Em poucos dias estarei no Irã, e uma das primeiras medidas a ser anunciada pelo Trump, pelo menos é o que ele disse nos debates,  é de alguma forma procurar anular o acordo nuclear. Há dois dias conheci um Iraniano que estuda economia em Londres. Ele disse que é isso exatamente o que o Supremo Líder Iraniano quer. O Irã possui um sistema político que mistura religião com política. Há eleições diretas, mas os nomes dos candidatos precisam ser aprovados por um conselho de 12 "sábios" que são diretamente influenciados pelo supremo líder o Alitolá Khamenei. O acordo foi meio que “empurrado" goela abaixo de partes mais conservadoras do país, pois há um grande movimento por mudanças, principalmente pela classe média bem informada de Tehran. O que os conservadores mais queriam, segundo esse Iraniano, era uma vitória do Trump e o fracasso da negociação desse plano, pois assim poderão  voltar com a velha retórica de demonizar os EUA, o que fazem com certa razão pois os EUA só fizeram bobagem no Irã nas últimas décadas,  e seguir com o programa nuclear.

  Ou o que vai acontecer na Coréia do Sul. Quando estive lá, tive a oportunidade de ir na DMZ (demilitarized zone), uma área de extrema tensão entre a Coréia do Sul e Coréia do Norte. De alguma forma, os EUA irão mudar a sua política no país? Existem dezenas de milhares de militares americanos lá, eu mesmo tive a oportunidade de conversar com um mercenário que já tinha lutado em Fallujah (uma das batalhas mais sangrentas da guerra do Iraque). 

 Difícil saber, pois o Trump ficou conhecido por mentir descaradamente sobre fatos nessa eleição e mudar de ideia constantemente sobre alguns temas. Uma vez conheci um americano que comprou um barco e navegava o mundo. Ele me disse que no pacífico sul, havia uma região com inúmeros uncharted reefs, ou seja bancadas de corais que não estavam catalogadas nos mapas de navegação, o que tornava a navegação difícil e perigosa.

  Creio que com Trump entramos num “oceano com uncharted reefs”, o que vai acontecer é difícil saber. Talvez ele não cumpra nem 10% do que prometeu, talvez ele vá mais além ainda, muito difícil saber. Independente do que acho ou penso a respeito dele, o resultado deve ser respeitado, pois esse é o cerne da Democracia.  Nós, e isso é uma lição para os brasileiros, devemos aceitar eventuais resultados desfavoráveis na política. Isso é do jogo.

 “Ah, a Democracia não é o melhor regime, quem disse que a maioria vai tomar a melhor decisão”, essa é uma ideia defendida por alguns. É verdade, não há qualquer garantia de que a maioria tome necessariamente a melhor decisão. Porém, depois de passar por alguns países onde a dissensão política é duramente reprimida, só me fez ainda mais ver o valor de um regime onde possamos expressar opiniões e eventualmente nos colocar contra o governo do momento.

  Apenas espero que não entremos numa era da "pós-verdade", como vi um artigo na folha de São Paulo de um colunista que gosto. Nesta nova era, a verdade não é algo mais tão necessário para a política. Ao invés da cansativa checagem de fatos, raciocínio sobre o que se diz faz sentido, nos contentaríamos com histórias que nos fazem felizes ou façam mais sentido para nossas visões de mundo, independente se é verdade ou não o que se diz. Espero sinceramente que não, pois para mim seria uma degradação total da vida política tão importante para convivermos em sociedade. 

  
obs: O colega blogueiro Rover em seu último artigo disse que conseguiu vender a sua empresa e que em breve estará mudando para o exterior, provavelmente para os EUA já que o Trump venceu. Lembro de um e-mail há mais de um ano ele ter me dito que esse era o seu objetivo, conseguir vender a empresa a qual construiu. Escrevi uma mensagem no blog dele, mas fica aqui a minha mensagem de satisfação de saber que ele atingiu o seu objetivo tão arduamente perseguido. Que sirva de lição e incentivo a todos os demais blogueiros e leitores que possuem objetivos que possam ser aparentemente difíceis de conquistar, mas que com determinação podem ser alcançados. Por que não?


É isso colegas, grande abraço a todos!

domingo, 6 de novembro de 2016

A PERGUNTA BRILHANTE QUE NOS TRANSFORMA EM SERES HUMANOS MELHORES

Olá, colegas. Estou no Uzbequistão, mas precisamente na belíssima cidade de Samarkand. As construções aqui talvez sejam as mais bonitas que já vi na vida. Se fossem na Europa, muito provavelmente seriam tão ou mais famosas do que uma Torre Eiffel, por exemplo. É uma cidade muito antiga, com quase 3000 mil anos de história. Capital do império de Tamerlane, um sujeito extremamente complexo, e aposto que absolutamente desconhecido no Brasil,  conhecido como o último grande conquistador nômade do mundo. Fiquei estarrecido ao saber que alguns historiadores, apesar de ser muito difícil precisar esse tipo de coisa, estimam que algo em torno de 17 milhões de pessoas morreram devido às diversas expedições militares de Timur que do atual território Uzbequistão chegaram até Moscou para o norte, Líbano para o oeste e Delhi para o leste. Esse numero de pessoas representava à época mais de 5% da população humana estimada. Enfim, é um sujeito pouco conhecido para nós, assim como Chinggis Khaan, mas que teve uma influência enorme no mundo. São dois personagens que gostaria de me dedicar mais em algum outro artigo.

 Os exemplos históricos citados vêm bem a calhar ao presente artigo. Tamerlane é considerado um monstro para muitos. A forma com que ele tratava muita das cidades conquistadas faria o Estado Islâmico parecer um grupo terrorista dos mais acanhados. Há relatos de que numa única  vez ele teria mandado executar 70 mil pessoas. Para outras pessoas ele é um dos melhores estrategistas militares de todos os tempos. Quem está certo? Será que é possível que essas duas visões sejam corretas? O fato de ele tratar populações conquistadas com extrema violência é antagônico ao fato dele ser considerado um dos grandes generais da história da humanidade?

Tamerlane, ou Tamerlão na forma  aportuguesada. Grande estrategista militar ou sádico assassino?


  Isso me leva à pergunta brilhante que foi feita no segundo debate presidencial para a eleição presidencial americana. Sério mesmo, foi talvez a melhor pergunta que eu já ouvi nesse tipo de debate. O segundo debate foi feito no formato onde cidadãos faziam perguntas diretas aos candidatos. O debate foi muito mais acirrado e combativo do que o primeiro. Era a última pergunta, quando um senhor se levantou e fez o questionamento. Qual foi a questão? Foi sobre os juros? Imigrantes? Se os candidatos iriam ajudar a região onde ele morava? Se a vida dele iria melhorar? Não. A pergunta foi mais ou menos a seguinte : “ Os senhores candidatos observam alguma grande qualidade no seu oponente. Se sim, qual seria esta?”.

 A plateia ao ouvir a pergunta apenas sorriu. Com eleições cada vez mais acirradas, onde o outro oponente é demonizado quase sempre e nenhuma qualidade é ressaltada, a pergunta vai ao ponto da miopia de muitas pessoas, talvez a maioria delas, e por causa disso ela é sim brilhante.

  No meu último artigo sobre o Bolsonaro, como seria de  se esperar, trouxe muitos comentários com ressalvas ao meu escrito. O meu colega blogueiro Frugal, por exemplo, levantou argumentos sobre a probidade do deputado, dando a entender que eu teria focado apenas em aspectos negativos, não reconhecendo eventuais qualidades do congressista.

  O problema com as análises políticas de hoje, pelo menos de boa parte das pessoas, é de que se trata de uma questão de vida ou morte. O fato de achar que Bolsonaro seria inapto para ser presidente de um país complexo como o nosso, não representa a toda evidência que eu o ache destituído de qualidades. Mesmo que eu diga ser desprezível uma declaração que de certa forma “desumaniza" refugiados não representa que o supracitado deputado não possa ter boas opiniões sobre outros assuntos. Não há qualquer contradição entre Tamerlane ser um brutal conquistador e um brilhante general.

  Como não conheço a fundo a vida do Sr.Bolsonaro, não posso falar muito. Porém, parece que ele é um sujeito com boa relação familiar com seus filhos. Isso não é pouca coisa num mundo cada vez mais desestruturado no que concerne à relação pais e filhos, ao menos no ocidente. Além do mais, ele aparentemente nunca esteve envolvido em casos de corrupção, o que não deixa de ser algo digno de nota para alguém que está há décadas na política brasileira (infelizmente, pois esta deveria ser a norma dos congressistas).

 Sim, o Bolsonaro tem qualidades. O caro Frugal também disse que o deputado era conhecido por não aceitar doações e basear suas campanhas na força da rua. Isso também pode ser verdade. Sabe quem mais fez isso de maneira absolutamente surpreendente? Bernie Sanders o candidato democrata à nomeação do partido.  Imagine a quantidade de interesses numa eleição para presidente da maior potência militar e econômica do mundo. Faz parecer uma eleição para deputado federal num país de renda média como o Brasil ser coisa de criança. Uma das plataformas mais forte do supracitado candidato foi a influência indevida, principalmente de Wall Street, sobre a democracia americana. Um dos maiores feitos, segundo Sanders, era que o grosso de sua campanha era bancada por doações de pessoas físicas de pequena monta, algo que Hilary e Trump não podem dizer sobre os deus doadores. 

  Por que cito esse exemplo? Como boa parte das pessoas que frequenta esse espaço gosta de finanças, alguns que se interessam pela eleição americana chamavam Sanders de socialista e que tinham verdadeiro embrulho no estômago ao ouvir ele falar. Talvez até mesmo o nosso caro blogueiro pense assim. Agora, raciocinemos. Se o fato de um deputado brasileiro concorrer sem grandes doações é algo positivo, imagine concorrer para presidente dos EUA sem o apoio de grandes e poderosos Lobbies?

  Assim, pode-se discordar de tudo que o Sanders eventualmente tenha dito, mas, repetindo se formos analisar a ausência de grandes doações como algo positivo, o político americano deveria ser extremamente elogiado por este aspecto. No fundo, colegas, nada mais é do que a questão sobre Tamerlane. Na verdade é a mesma questão.

  Podemos raciocinar assim sobre quase tudo na vida. Onde conseguimos ver esse tipo de análise na internet? Honestamente? Em quase nenhum lugar, e essa é uma das qualidades que procuro sempre ter quando escrevo um texto sobre um assunto mais “polêmico”: a tentativa de ver as nuances nos diversos aspectos da vida. 

  Quando fui ofendido diversas vezes sem qualquer motivo na net por um outro blogueiro, escrevi um texto em resposta. Uma mensagem muito boa de um outro blogueiro chamado “O Idiota”, trazendo à tona uma história de Buda, me fez refletir bastante sobre o assunto. Creio que saí fortalecido enquanto pessoa do processo, pois fui obrigado a (re)pensar sobre minhas atitudes. Por que cito esse caso? No calor dos acontecimentos, alguém me perguntou se eu “odiaria" o blogueiro aloprado ou se eu desejaria algum mal a ele. Pensei comigo mesmo na hora “nossa, como posso odiar e desejar mal a alguém que nem conheço?”. 

  O fato do blogueiro citado ter me ofendido, não o torna um mau marido ou pai de família necessariamente. Com certeza não é um bom exemplo, mas ele pode ser uma pessoa dedicada ou atenta aos seus familiares. Pode ser também um profissional muito competente no que se propõe a fazer. De novo, é a mesma questão sobre Tamerlane, não há qualquer diferença. Não é porque alguém me ofende e eventualmente não goste de mim, que esse alguém não possa ter boas qualidades.

  Infelizmente, não é assim que boa parte das pessoas agem. Há um erro de julgamento estudado pela ciência que se chama Efeito Halo que é baseado nessa forma de ver a vida. Não irei tratar sobre o Efeito Halo neste artigo, mas garanto que o assunto é interessante.

  Boa parte dos seres humanos continuará agindo assim, não há nada que se possa fazer a respeito. Entretanto, você, prezado leitor, pode agir de forma diferente. Se assim o fizer, verá o quão libertador essa forma de encarar a vida pode ser. 

  Pense em pessoas que eventualmente você não goste por qualquer motivo. Pode ser um chefe, um artista, um político, um blogueiro.

 Pensou? Os motivos pelos quais você não se simpatiza devem ser claros para o seu cérebro, aliás talvez seja apenas a parte mais preguiçosa do seu cérebro em ação. Agora, subverta a lógica com a qual boa parte das pessoas raciocina, e pergunte-se: “Essas pessoas possuem alguma(s) grande(s) qualidade(s)? Se sim, qual(is) seria(m)?” Voilà! Chegamos na pergunta brilhante feita no segundo debate presidencial americano.

  “Mas o que isso pode ajudar na minha vida, Soul? O que isso muda?”. Muda tudo, absolutamente tudo. Quando percebemos que as pessoas possuem defeitos, mas também qualidades, nos aproximamos delas enquanto humanos. Elas se tornam mais próximas de nós aos nossos olhos. Quando criamos essa relação de proximidade, fica muito mais difícil odiar ou desejar mal a alguém. A vida fica extremamente mais leve, e ouso dizer que muito mais feliz.

 Além do mais, ao subvertemos o que somos “ensinados" dia após dia, ficamos livres intelectualmente. Não há qualquer mais amarra que possa nos prender. Apenas assim, penso eu, somos capazes de realmente discutir diversas questões humanas com mais profundidade e sem pré-conceitos tolos. 

 É por isso, e alguns outros motivos, que acho uma verdadeira tolice a categorização de pessoas em de esquerda, direita, “socialista de direita”, libertário, não-libertário, ou qualquer rótulo que possamos colocar em seres humanos. E, meus amigos, como somos pródigos em criar rótulos para dividir nossa espécie. O único que acho que faz sentido aplicado a mim é que eu sou um ser humano. Se alguém pergunta a mim o que eu sou, a melhor resposta que consigo dar é que sou um ser humano.

  Deve ser por isso que esse espaço, apesar de não ter tantos acessos, incomoda alguma pessoas. “Ser humano? Como assim? Você não se define como de direita, ou esquerda, Heterossexual, católico ou ateu ou qualquer outra coisa? Ah, você só pode ser um sofista, que aliás rima com o seu nickname!”. Sim, até mesmo de Sofista descobri que sou chamado.

  Eu não acho que haja ninguém escrevendo na internet, pelo menos em 99.99% dos casos, que possa ser chamado de Sofista.  Sofistas eram filósofos, dos bons diga-se de passagem, que por meio de argumentação sofisticada exporiam ideias que não seriam necessariamente verdadeiras. E como sabemos que não eram verdadeiras? Pelo simples fato de que eles, os sofistas, tinham que travar duelos argumentativos simplesmente com talvez o maior filósofo que já existiu: Sócrates. 

  Quisera eu poder discutir com alguém como Sócrates por diversas horas em quase pé de igualdade, até que finalmente fosse convencido que estava errado. Aliás, em tempos de discursos políticos tão rasos,  estaríamos muito melhor se tivéssemos mais sofistas com argumentos sofisticados, e não apenas falastrões que não resistem a dois parágrafos de argumentação ou a cinco minutos de um debate sério. Não, infelizmente eu não creio que tenha a habilidade e o conhecimento de um Sofista.

Quisera eu ter a capacidade intelectual para poder discutir com esse Senhor por horas a fio antes de ser subjugado pelas ideias superiores.


  Não, não é um sofisma. Eu sinceramente acho que podemos aprender com as mais inesperadas pessoas. Acho que a demonização, e a santificação, de seres humanos, principalmente políticos, extremamente perniciosa para à nossa inteligência, e em última análise para a vida sadia em comunidade. 

  Sim, Trump e Hilary tiveram que falar sobre alguma qualidade do outro. A resposta dos dois, até porque a pergunta foi para lá de inesperada, pareceu-me sincera. Foi um sopro de esperança num ambiente tão carregado. Espero sinceramente, querido leitor, que você possa tentar colocar em prática o estado mental que a pergunta brilhante desperta em cada um de nós.

Belíssimo Registan na cidade Uzbek de Samarkand. É muito bonito mesmo. A Madrassa (lugar de estudo de assuntos religiosos do Islamismo) à esquerda foi construída pelo neto de Tamerlane no século 15. O nome dele era Ulugh Beg. Ele foi um grande entusiasta das ciências, principalmente a Astronomia. Chegou a ser considerado um dos grandes cientistas da época. Sou sempre fascinado por homens muito poderosos que devotaram a sua vida para o conhecimento humano, e não necessariamente para conquistas terrenas.


  Grande abraço em todos!

  

domingo, 30 de outubro de 2016

BOLSONARO, O "MITO" BRASILEIRO

Olá, colegas. Resolvi, e confesso que não foi algo dos mais estimulantes, olhar um pouco mais de perto o “mito" brasileiro. Antes de mais nada, em algumas semanas, estarei no Irã, onde provavelmente a jornada chegará ao fim. Não consigo pensar em lugar mais especial do que esse para acabar essa aventura de uma vida. Ao ler um pouco mais sobre a história desse país extraordinário, fiquei impressionado com uma figura histórica: Ciro, o grande. 

  Muitos historiadores dizem que ele é um dos poucos homens que realmente faz jus ao adjetivo. Há muitos aspectos interessantes, mas o que mais chamou a minha atenção, e eu não tinha a menor ideia disso, é que   Ciro ao conquistar Babilônia e libertar os judeus do seu cativeiro, fez uma declaração que é tida como a primeira declaração de direitos humanos da história da nossa espécie. É conhecido como o Cilindro de Ciro, e é tão importante que há uma réplica na sede da ONU em Nova Iorque. 

Primeira Declaração de Direitos Humanos da história? Muitos historiadores acreditam que sim. Esse artefato é tão importante que uma réplica dele se encontra na sede da ONU. Não vamos esquecer que Ciro governou há mais de 2500 anos. 

  É muito curioso notar também, que ao contrário do que muitos “especialistas" possam falar, a relação entre persas e judeus é antiga e amistosa. A maior comunidade de Judeus fora de Israel no oriente médio se encontra no Irã. Há centenas de sinagogas no Irã e há inclusive um deputado no parlamento iraniano para representar a comunidade judaica iraniana. "Como é que é Soul?” Sim, há um judeu no parlamento iraniano, e nisso há conexão com Ciro, o Grande, e a sua atitude de respeito e tolerância com a prática religiosa de outros povos, algo que era inexistente há 2500 anos, uma característica que aparentemente os iranianos possuem desde há muito tempo. Ciro é tão bem visto pelos judeus, que na Bíblia ele é o único “não judeu” no velho testamento a ser chamado de Messias, ou seja líder.

  Contei essa história de Ciro e os judeus para fazer o link com o nome Messias do personagem do presente artigo. Jair Messias Bolsonaro para muitas pessoas é o homem certo para comandar um país tão diverso de 200 milhões de habitantes. “Ele é o cara! É o mito, é o bolssomito!” 

  Uma vez na parte do comentários, uma pessoa escrevendo anonimamente, de forma muito educada diga-se, falou-me que há muito mal entendido em relação ao Bolsonaro. Eu perguntei então qual seria as opiniões de Bolsonaro para além de temas polêmicos que garantem holofote e o suporte de certos setores de nossa sociedade . O que ele pensa sobre o papel do Estado? Sobre reforma da previdência? O colega não foi capaz de me fornecer fontes sobre esses assuntos importantes para alguém que pode ter uma chance real de vencer as eleições.

  Deixei o assunto para lá, até que alguns dias atrás vi um vídeo curto do citado deputado sobre a PEC 241 do teto dos gastos, e de quebra ele falava sobre juros. Foi interessante, porque a opinião dele em nada se diferencia de uma Dilma, por exemplo, e eu iria escrever sobre isso. Já chego lá, mas antes resolvi me inteirar mais e ouvir algumas entrevistas e ler alguns artigos a respeito para formar uma opinião com mais embasamento.


NÃO, ELE NÃO É O TRUMP BRASILEIRO


  Algumas pessoas o comparam como sendo o "Trump Brasileiro". Nada mais longe da verdade. Eles podem ser parecidos em algumas declarações estúpidas, sendo condescende, mas a semelhança termina aí. Ao ver um documentário sobre as origens de Trump não se pode negar que ele já era rico e o seu pai tinha construindo uma grande empresa de Real Estate. Entretanto, é inegável que Trump expandiu de forma exponencial o negócio familiar.

 Ele foi agressivo, esperto e habilidoso em muitas negociações. Bolsonaro não é nada disso. Ele foi um militar, ou seja um agente do Estado, e depois virou politico profissional. É deputado há mais de 25 anos. Caramba isso é uma carreira como político. Eu sou contrário a políticos que se eternizam no poder e viram profissionais. Aliás, acho isso um dos aspectos extremamente negativos do nosso sistema político.

  Acho tão pernicioso, que se eu fosse Senador ou Deputado Federal proporia algum projeto de nova legislação para impedir que isso pudesse ocorrer. Fiquei feliz ao saber que essa é uma das plataformas do Partido Novo, ter como bandeira que Deputados possam concorrer apenas uma vez a reeleição. Uma das críticas que Trump mais faz a Hillary, pelo menos nos debates e eu vi os três, é dizer que ela é uma política profissional pelos últimos 30 anos. É isso o que Bolsonaro é realmente: um político profissional, a antítese do que Trump acredita ser o adequado. Portanto, não, O “mito” brasileiro não é o "Trump tupiniquim", longe disso.

  Além do mais, por mais que tenha inúmeras reservas em relação ao Trump, o nível de preparo dele, por incrível que possa parecer, em minha opinião é claro, é alguns graus superior ao do Bolsonaro. Se este fosse a versão brasileira do Trump, seria uma versão para lá de piorada.

  
Arquivo da Folha de São Paulo, 24-06-1994. Não vou me focar na ideia de fechamento do Congresso Nacional, o que é uma calamidade, mas no fato de que há mais de 20 anos, Bolsonaro, segundo o jornal já que está entre aspas, teria dito que procuraria uma reeleição por falta de coisa melhor. Sim, ser político no Brasil, de forma profissional, tem valido a pena infelizmente.



UMA DINASTIA DE POLÍTICOS E TROCA DE PARTIDOS


  Ao pesquisar, fiquei surpreendido que o Bolsonaro possui três filhos que são políticos. Copiado diretamente da wikipedia:

Além dele, três filhos seus também são políticos: Carlos Bolsonaro (vereador do Rio de Janeiro pelo PP), Flávio Bolsonaro (deputado estadual do RJ pelo PP)[8] e Eduardo Bolsonaro (deputado federal de São Paulo pelo PSC). 


Caramba, três filhos políticos? Parece que nós brasileiros reclamos de nossos políticos, mas gostamos de eternizá-los no poder. Sarneys, Neves, a lista de famílias formadas por políticos é enorme. Não sei, para mim é estranho uma família formada por políticos, parece algo que leva a abusos. 


  
É interessante notar como o deputado trocou de partidos ao longo da carreira. Foram vários e vários partidos. Pode ser fruto da desfuncionalidade do nosso sistema político de possibilitar tantos partidos políticos, mas não deixa de ser no mínimo estranho um político fazer parte de tantos partidos políticos ao longo da sua carreira (texto também extraído do Wikipedia)


"Em 1988 entrou na vida publica elegendo-se vereador da cidade do Rio de Janeiro pelo Partido Democrata Cristão. Nas eleições de 1990 elegeu-se deputado federal pelo mesmo partido. Seguiriam-se outros quatro mandatos seguidos. Foi filiado ao PPR (1993-95), PPB (1995-2003), PTB (2003-2005), PFL (2005), PP (2005-2016), e desde março de 2016 integra o PSC.[5] "


DESPREZO POR DIREITOS HUMANOS MÍNIMOS

  O "Mito" possui muitas declarações polêmicas, que para mim não tem nada de controverso ou de politicamente incorreto, em muitos casos é apenas agressão e preconceito, misturado com desconhecimento do mundo.

  Não irei falar sobre homossexualismo, negros ou índios. Apenas comentarei a infeliz declaração sobre imigrantes.

“Não sei qual é a adesão dos comandantes, mas, caso venham reduzir o efetivo (das Forças Armadas) é menos gente nas ruas para fazer frente aos marginais do MST, dos haitianos, senegaleses, bolivianos e tudo que é escória do mundo que, agora, está chegando os sírios também. A escória do mundo está chegando ao Brasil como nós não tivéssemos problema demais para resolver.” O link da entrevista pode ser acessado aqui

 É isso que as pessoas querem de um líder? Alguém que chama de escória imigrantes? Muitos deles fugindo de situações onde suas vidas são ameaçadas ou a procura de uma vida melhor? Alguém querendo emigrar para o Canadá porque quer uma vida melhor para si ou filhos, é alguém de valor, um brasileiro de respeito. Um Haitiano fugindo do caos é uma escória? Que tipo de mentalidade doentia é essa? Sendo que é bem conhecido que imigrantes sempre foram uma força econômica no desenvolvimento de países.

  Aliás, essa é uma das grandes forças dos EUA, a quantidade de imigrantes e de diversas culturas que se fundem na sociedade americana criando um gigantesco "Melting Pot".  A Síria vive um verdadeiro desastre humanitário. Se há uma coisa de sentir orgulho do nosso país, é o fato de que recebemos refugiados de países tão distantes como a Síria.

  Se eu tivesse um negócio, eu não pensaria duas vezes em contratar Imigrantes de países em situações caóticas como Haiti e Síria. Tenho certeza absoluta que trabalhariam muito duro, muitos economizarão para ajudar eventuais familiares que se encontram em seus países natal, e provavelmente fariam o serviço por menos do que um brasileiro.

  Quem quer emigrar para outros países e possui pensamentos como o defendido pelo mito, incorre numa grande contradição, para não dizer hipocrisia. 

  Porém, não irei me aprofundar mais ainda, apenas discorri mais sobre o tema, pois é algo que realmente me incomoda, ver pessoas atacando seres humanos que já sofrem uma barbaridade em diversos países. Para mim além de ser desonesto, é um ato que revela certa covardia.

"Se a ditadura militar tivesse matado uns 30 mil, inclusive o FHC, O Brasil estaria melhor". Uma frase edificante


ENFIM, ECONOMIA. DIZ AÍ "MITO" O QUE VOCÊ ACHA SOBRE GASTOS CORRENTES DE SERVIDORES PÚBLICOS E JUROS?


  Colegas, quando já estava terminando este texto, fui fazer uma última checagem, e me surpreendi com o que li. Antes de mais nada, é importante que o seguinte vídeo seja assistido:



  Assistiu o vídeo? Não? Se você não viu, saiba que nesse breve vídeo o deputado Bolsonaro fala que é contrário a PEC dos tetos, pois isso irá achatar gastos correntes, quem irá pagar a conta são os servidores públicos, principalmente os militares. Como solução, ele diz que deveria se abaixar juros, e com isso conseguiríamos equilíbrio fiscal.

  Não é a primeira vez que o deputado fala sobre Banco Central e juros. Ao pesquisar depois de assistir ao vídeo, há uma notícia de uma entrevista ao Valor Econômico (Aqui). Como não sou assinante do valor, não consegui ver o inteiro teor. Entretanto, aparentemente um resumo da entrevista está  aqui. A entrevista apresenta grandes contribuições à nossa democracia juvenil, ao sugerir que analfabetos e pessoas sem renda comprovada no ano anterior não deveriam ter direito de voto. Quanto a estas propostas podemos ficar tranquilos, pois elas são inconstitucionais e nem por meio de Emenda Constitucional poderiam ser modificadas, no meu entendimento. 

  Na entrevista, o "mito" fala que o Banco Central agiria para beneficiar os amigos banqueiros. Sinceramente, nada muito diferente do que a Luciana Genro repetiu ad nauseaum nos debates para presidente em 2014.

  No vídeo linkado, há a mesma história que ouço de juízes federais, colegas de trabalho e de qualquer outra categoria de que os vencimentos não são suficientes. Talvez, se presidente fosse, ele tentaria baixar os juros "na marra", da mesma maneira que Dilma fez à força em 2012-2013. Sério, não há qualquer diferença.

  O que aparenta, até mesmo na forma que ele se expressa no vídeo, é que ele entende pouco ou nada de economia. Algo que eu já suspeitava. Além do mais, parece que se confrontado com decisões impopulares como mexer em aposentadorias, pensão, congelar salários de servidores públicos, ele iria para o populismo, algo não muito diferente do PT.

  A história fica muito interessante, porque Bolsonaro voltou a favor da PEC241. A opinião mudou de um dia para outro. Num brevíssimo vídeo (aqui) o "Mito" disse que mudou de ideia, pois o presidente Temer o convenceu de que a proposta era necessária para recuperar e economia, e porque a ele foi garantido que as forças armadas não seriam esquecidas (tradução dessa expressão no serviço público = aumento de salário). 

  Não sei, depois disso, fica até difícil comentar. Porém, em matéria de economia, apesar de ter poucas declarações, não  há muitas diferenças de linhas de pensamento que colocam a culpa dos nossos problemas nos rentistas, não nos diversos problemas que nos levam a ter uma baixa poupança, e que os gastos governamentais continuarão os mesmos, se duvidar serão aumentados.


A CONCLUSÃO QUE VAI DE ENCONTRO À MINHA IDEIA INICIAL OU NÃO


 Eu iria concluir esse artigo fazendo a segunda ligação com os parágrafos iniciais. O elo seria dizer que assim como o Irã possui um parlamentar judeu, é importante para a nossa democracia que a câmera dos deputados possa ser um lugar onde a diversidade da nossa sociedade seja realmente representada.

 Não há nada de mais deletério para uma sociedade do que eleger pessoas que pensam da mesma maneira e representem apenas um extrato da sociedade. Logo, concluiria que apesar de ser completamente inapto para ser presidente de um país como o Brasil, é importante que haja um deputado como Bolsonaro.

  Porém, sinceramente, depois de perder algumas horas pesquisando sobre sua biografia e declarações, algumas são demais, elas vão contra tudo que acredito ser razoável. Algumas acho que só podem ser ditas, sem consequências jurídicas, pois o mesmo goza de imunidade parlamentar.

  Porém, mesmo assim, irei continuar com a conclusão que tinha em mente: talvez mesmo alguém como ele seja importante para a vitalidade da nossa democracia, afinal há pessoas que realmente pensam que imigrantes são escória, ou que a polícia do Brasil (que é talvez a que mais mate no mundo, e diga-se de passagem uma das que mais morre) tem que matar mais e isso de alguma maneira diminuiria a violência. Essas pessoas precisam ser representadas, e confrontadas com ideias na casa do povo.

  Há pessoas, pelo que li pela internet no curso dessas minhas horas navegando, que dizem "bem, ele não é nenhuma maravilha, mas é o que há de melhor para 2018". É um direito legítimo das pessoas pensarem assim. Agora, por gentileza, isso não tem nada a ver com mito. O Brasil já teve alguns "mitos" com certeza Bolsonaro não é um deles.

  Para fazer justiça, numa entrevista concedida para o programa pânico, Bolsonaro disse que o termo mito vem da infância dele onde ele plantava "parmito".

Triste de um país onde o deputado vira "mito" para milhões de pessoas. Apenas faria sentido se mito for derivado de "parmito". 


Grande abraço a todos!


  

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

DOING BUSINESS - A HORRIPILANTE SITUAÇÃO DO BRASIL

Olá, colegas. Para onde nosso país está indo? Aliás, será que está indo para algum lugar?  Neste breve artigo, gostaria de mudar um pouco o foco sobre os grandes temas de reforma estrutural como a PEC do novo regime fiscal, reforma previdenciária, entre outros, e falar sobre o que acho ser um dos grandes entraves para o desenvolvimento do nosso país: o inferno burocrático que é empreender neste país.

  “Peraí, Soul, como você pode falar disso se nem empreendedor você é?”. É verdade, apesar de ter tido alguns empreendimentos como quando  criei uma “empresa" para dar aulas de xadrez em colégios particulares quando era adolescente, ou quando organizei algumas festas raves no ano de 2003, o fato é que nunca eu mesmo abri um negócio. Porém, apesar disso, os números são cristalinos, e mesmo alguém sem experiência pode apreender que o Brasil escolheu um caminho dos mais insensatos.

   O Banco Mundial todos anos elabora um ranking, levando em conta diversos aspectos, dos países em relação à facilidade ou dificuldade de se realizar negócios. É o chamando ranking “Doing Business”.  É inegável que quanto mais fácil é de se produzir e criar negócios, mais próspera é uma nação. A relação entre liberdade econômica, por exemplo, e prosperidade material é evidente. Tanto é assim que mesmo nações com tributação extremamente elevada como os países nórdicos, maior até mesmo que a nossa brasileira, possuem uma grande liberdade econômica, numa sinalização de que tributos podem cercear a atividade econômica, mas mesmo assim é possível ter ambientes com grande liberdade e alta tributação. Não estou aqui a justificar uma tributação alta ou baixa, mas apenas apontando esse fato.

  E por que é assim? Ora, imagina que o Soulsurfer teve uma ideia de escrever um livro e abrir uma empresa, não seria bom se eu pudesse abrir uma companhia em alguns dias? Ou imagine que a sua esposa, acaso tenha uma prezado leitor, tenha a ideia de produzir doces com alguma receita infalível da vó dela, não seria fantástico se em poucos dias ela pudesse formalizar uma empresa? A liberdade, e a ausência de extensa regulação, para abertura de empresas é um dos caminhos mais racionais para a criação de riqueza. Num ambiente assim, as pessoas podem transformar as suas ideias em ações práticas com muito mais facilidade. Acaso um empreendimento falhe, também é muito mais fácil não temer empreender outra vez.

  Portanto, é evidente que grandes temas de macroeconomia como taxa de juros, câmbio, etc, etc, são importantíssimos, mas me parece que o desenvolvimento de uma nação irá vir principalmente da habilidade deste país proporcionar ou não um ambiente favorável a criação de riqueza. Entretanto, esse tema parece quase ausente do debate político brasileiro e mesmo do dia a dia da maioria das pessoas

  Há um fundo de investimento chamado Dynamo. Não tem tanta popularidade como o Fundo Verde, por exemplo, mas possui um histórico de rentabilidade muito grande desde 1993. Entretanto, o que me chama atenção nele, é as cartas que este fundo faz a cada três meses. É muito interessante, bem do estilo do blog pensamentos financeiros que preza pela diversidade de reflexão. Uma das últimas cartas que li falava sobre as explorações da antártica, não você não leu errado. Um fundo de investimento que tem sobre administração bilhões e bilhões de reais, se não me engano, redigiu uma carta aos seus investidores falando sobre  os famosos exploradores do final do século 19, início do século 20. É claro que há links com algumas características de investimento, mas há algumas cartas que são puro exercício de reflexão abordando temas diversos e interessantíssimos.

  Na carta de número 85, o tópico é o raking doing business e a posição brasileira nele. É dessa carta que anexo o gráfico abaixo. Não irei comentar todos os itens, mas quero chamar atenção para os últimos três. Antes de mais nada, é necessário salientar que há a compilação de dados de 189 países. Sendo assim, estar na posição 177  no item facilidade de pagamento de impostos num total de 189 é algo aterrador, principalmente levando em conta que há dezenas de países no mundo em situação de quase calamidade ou calamidade pura.

 Refere-se ao ranking de 2015. Eu consultei o ranking mais atual (2017), e a situação do país, por incrível que possa parecer, piorou. O que era desastroso, conseguiu ficar ainda pior.

  Nós sabemos que o Brasil não é um país estruturado como uma Nova Zelândia (que figura em primeiro lugar no ranking de 2017). Isso é fato. Porém, o que poderia justificar que no Afeganistão seja mais fácil abrir uma empresa do que no Brasil? Sério, reflitamos sobre isso. O Afeganistão, um país que tive o privilégio de ver por muitas centenas de quilômetros enquanto percorria o Wakhan Vale, que está em estado de guerra há quase quatro décadas, possui uma legislação e burocracia mais favorável quando o assunto é abertura de empresas.


 Isso não faz o menor sentido. Essa situação é simplesmente um destruidor de riquezas. Eu creio que se consenso em grandes questões é difícil, ainda mais num país com pouca afinidade a debates mais qualificados e de grande extensão territorial, por que não tentar criar um grande consenso nacional em temas menos polêmicos, mas que podem ter um impacto positivo poderoso para as futuras gerações?

 Ao invés de discutirmos se o Estado é o grande mal, ou se a educação deveria ser toda privatizada ou ainda mais estatizada, por qual motivo não se discute meios de se tornar a abertura de uma empresa algo simples, rápido e descomplicado? Ora, talvez haja pessoas que se coloquem contra (há doidos para tudo), mas quem seria contra propostas para se tornar mais simples abrir uma empresa ou mais rápido para se conseguir alvarás de construção?

  Não é tão glamoroso para campanhas políticas? Não é tão incisivo para a mídia? Talvez, mas são reformas que poderiam mudar e muito a cara da economia no nosso país, e com o passar do tempo talvez poderia solidificar entendimentos mais consensuais para uma reforma mais ampla do nosso país.

 Nossa nação possui tecnologia, possui capital humano, tenho certeza que não seria difícil achar soluções para facilitar e muito estes três tópicos: pagamento de impostos, facilidade em abertura de empresas e obtenção de alvarás de construção. 

 Apesar de ter certo ceticismo que essas reformas na microeconomia ganhem espaço em nosso país num futuro próximo, é sempre bom manter uma dose de otimismo.  Quantas vidas não poderiam ser melhoradas com simples soluções de interligar sistemas diversos, facilitando a vida de atuais e futuros empreendedores. O Nosso país é muito grande e apresenta diversos problemas. Os grandes problemas são como um ímã para a nossa atenção, o que é algo muito natural. Porém, às vezes grandes reformas acontecem quando modificamos os aspectos mais triviais do dia a dia. Comece a dar bom dia para os seus vizinhos, e talvez a relação de toda uma comunidade possa melhorar sem as pessoas perceberem que um simples ato de ser cordial com o vizinho possa acarretar uma mudança profunda nos relacionamentos. A mesma coisa com a nossa economia, e bem como o próprio ambiente político. Façamos  pequenas reformas para incentivar e descomplicar o surgimento de empresas, e consequentemente de inovação e riqueza. Quem sabe o impacto que isso pode ter no médio-longo prazo nas grandes questões do Brasil.


  Um grande abraço a todos!

obs: quem quiser acessar as cartas do Fundo Dynamo (o que recomendo bastante), clique aqui