segunda-feira, 14 de agosto de 2017

MITOS DE INVESTIMENTOS – VOLATILIDADE NÃO É RISCO


 Olá, colegas. Hoje o artigo será curto.  Se há um tema que gera muita confusão é sobre risco no sentido financeiro do termo. É claro que a palavra risco pode assumir diversas conotações a depender dos mais variados contextos. Sim, isso é verdade. Porém, também é verdade que um conceito que nada explica por ser muito abrangente ou com inúmeras definições às vezes não é de grande valia. Talvez por causa disso, para se dar uma maior sistematicidade, geralmente se atribui a palavra risco no contexto de ativos financeiros à volatilidade, e isso deixa inúmeros investidores amadores desconfortáveis.

 “Volatilidade não é risco, risco é perder o dinheiro num mau investimento” pode pensar alguém com certa dose de razão. Outro pode refletir “ As ações são mais voláteis, mas e daí? Elas possuem uma expectativa de retorno maior, conforme demonstrado pelo professor Siegel em seu famoso livro, arriscado é não se submeter à volatilidade” e também não estaria totalmente errado.

Talvez pela existência dessa noção que o  risco da volatilidade apenas se materializaria  quando da liquidação de uma posição com perdas efetivas, criou-se a ideia em muitos investidores de que volatilidade não é risco, ou que é uma medida defeituosa de risco.  Entretanto, prezados leitores, isso está equivocado. A volatilidade apresenta dois riscos claros.


I – O BREAK EVEN DE UMA QUEDA ACENTUA-SE TREMENDAMENTE TANTO MAIOR FOR A VOLATILIDADE NEGATIVA


     O meu pai adorava, quando eu era adolescente, me dizer que para se voltar ao mesmo lugar de uma perda de 50% seria necessário não um ganho de 50%, mas sim um aumento de 100%. Lembro-me de ter ficado impressionado com essa constatação tão simples, mas que aparentemente fugia do entendimento de quase todo mundo. 

   Hoje em dia, eu aplico essa mesma lógica em negociações imobiliárias, pois se  compro um imóvel por 50% do valor, eu tenho uma perspectiva de retorno de 100% e não apenas de 50%. Se eu compro com um deságio de 40%, o meu potencial é de 66%. Na verdade, eu uso o break even (expressão inglesa que seria algo como “empatar”, “estar quite”) em meu favor nessas operações.

     Notou alguma coisa no meu exemplo prezado leitor? Quanto maior o deságio que eu compro um imóvel, muito maior é o meu potencial retorno. Inverta a lógica e aplique para retornos negativos no mercado acionário. Quanto maior o retorno negativo, maior a rentabilidade positiva necessária para apenas voltar ao mesmo lugar.

Percebam como as perdas vão tendo um impacto cada vez maior


Logo, se vê claramente que num cenário de rentabilidade negativa, a pessoa deveria querer estar investida em ativos com baixa volatilidade, quanto maior a volatilidade, maior a perda potencial, às vezes permanente, que um portfólio pode sofrer.


II – A VOLATILIDADE POSITIVA TAMBÉM É RUIM PARA OS RETORNOS


   A volatilidade, mesmo quando a média dos retornos é positiva, também é um fator de risco, pois diminui necessariamente o retorno anualizado. Há uma diferença entre a média aritmética e a média geométrica de algo. Os educadores financeiros falam que o retorno anualizado, ou geométrico, é o único que o investidor pode gastar no mundo real, é o único que faz sentido ser analisado pelo investidor.

  Quanto maior for a dispersão dos retornos, ou seja maior a volatilidade, menor será o retorno anualizado de um investimento. Logo, quando se aumenta a volatilidade de um portfólio necessariamente o seu retorno anualizado diminuiu e vice-versa.



     Percebam, prezados leitores, quanto maior for a volatilidade dos retornos, mesmo que a média aritmética seja a mesma, o retorno anualizado fica cada vez menor, independente se há retornos negativos ou não.  Portanto, mesmo que um ativo só suba num determinado período, se houver dispersão nos retornos, o retorno anualizado necessariamente diminui.

Quanto maior a volatilidade, menor é o retorno anualizado


  Isso possui consequências sérias. Não lembro qual foi o blog, mas o autor escreveu um belo texto falando sobre finanças, mas ao final passava a ideia de que volatilidade não seria necessariamente um risco. Eu chamei atenção então que volatilidade talvez seja o maior risco que alguém que quer viver de renda possa enfrentar. Há até um nome técnico para isso: risco da sequência de retornos

O blogueiro americano Early Retirement Now (link ao lado) possui a melhor série sobre retirada de um patrimônio previdenciário. E ele diz claramente, repetido num podcast bacana que ouvi do mesmo nesse final de semana, que o maior risco para quem quer viver de renda não é nem tanto retornos um pouco menores, mas sim ser azarado e sofrer com a volatilidade no começo do período de retiradas.

 Tal fato pode ser facilmente entendido no gráfico abaixo:


  O quadro acima mostra a situação hipotética de alguém que possui um patrimônio de $1M e quer retirar desse patrimônio fluxos de caixa durante 25 anos com 85% de confiança, assumindo que o portfólio irá ter um retorno real de 7% aa.


   Fica claro que a volatilidade maior do patrimônio faz com que a taxa de retirada segura seja cada vez menor. Com uma volatilidade de 7%, o aposentado poderia retirar mais de  U$ 71 mil por 25 anos com 85% de confiança de que não acabaria com o patrimônio, representando uma taxa de retirada de mais de 7% aa. Com uma volatilidade de 20%, por seu turno, a retirada cai para aproximadamente U$ 40 mil, ou seja 4%aa, uma diferença de U$ 30 mil, que com certeza faria uma diferença enorme no padrão de vida do fictício aposentado. 

 Portanto, colegas, volatilidade é risco sim. Essa constatação é pura matemática, não foi retirado da cabeça de algum acadêmico sem que houvesse base para tanto.

 Um abraço a todos!

Notas: (1) gráficos retirados www.gestaltu.com
(2) A ideia para o artigo veio dos textos de Ed Easterling fundados da Cresmont Research (www.crestmontresearch.com/). Recomendo muito a leitura dos textos, e os vídeos do Easterling. Talvez seja uma das pessoas que consegue passar a sabedoria do que são os mercados financeiros, com insights poderosos,  da forma mais acessível que já observei nas minhas variadas leituras sobre o tema


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

CHEGUEI A CEM MILHÕES DE REAIS, MAS FOI ME DADO APENAS TRÊS ANOS DE VIDA. E AGORA?

 Estava frio. Muito frio. A temperatura de um dia para o outro tinha caído mais de 30 graus.  Num pequeno restaurante na cidade de Samarkand no Uzbequistão, estava eu, Sra. Soulsurfer, o Holandês Peter e o italiano Claudio.

 Nós tínhamos conhecido Peter em Dushanbe, capital do Tajiquistão. Ficamos num Hostel durante dez dias, esperando o momento em que poderíamos entrar no Uzbequistão (o visto para esse país possui data específica de entrada e de saída) e descansando depois de duas semanas viajando por regiões remotas de um dos países mais montanhosos do mundo. 

 Eu estava tomando café da manhã, e Peter perguntou para onde iríamos naquele dia, respondi que finalmente iríamos para o Uzbequistão. Ele então perguntou “como vocês vão?”. Falei que iríamos pegar um táxi-coletivo até a fronteira, e de lá veríamos como chegar  até a Samarkand (que fica a uns 400km da fronteira que cruzaríamos). O Holandês indagou “Posso ir junto?”, “claro que pode”. Quando se viaja em lugares como esses, as pessoas se tornam muito mais propensas a compartilhar momentos, recursos, etc.

  Peter era um sujeito interessante. Extremamente inteligente. Metódico. Tínhamos discussões bem bacanas que variavam de deflação na zona do Euro (e se isso era ruim ou não) a se a consciência humana poderia ser replicada por máquinas, e se haveria alma. Ele tinha uns 55 anos, todos os seus bens estavam na sua mochila. Ele tinha vendido tudo na Holanda, e tudo que ele possuía era os seus investimentos e suas posses materiais que cabiam numa pequena mochila. A expertise dele era programação de computadores.

  Claudio, o italiano, conheci na manhã seguinte da nossa chegada no interessantíssimo Uzbequistão. Na bem da verdade, tínhamos conversado semanas antes quando compartilhamos um café da manhã numa cidade do sul do Quirguistão. Ficamos bem amigos. Viajamos juntos por mais de um mês pelo Uzbequistão, Cazaquistão e uma parte do Irã. Claudio tinha cidadania Australiana, pois morou lá por vários anos. Estava voltando para Itália, não sabia o que queria fazer da vida. Ele tem a minha idade. Quase todo o dia eu pegava no pé dele que a pizza brasileira era muito melhor do que a Italiana, para a indignação dele. Aprendi durante essa viagem que falar sobre a pizza italiana para um italiano é algo diríamos sensível.

 O dia tinha sido gélido, mas fenomenal. Samarkand mostrou toda a sua glória em suas construções belíssimas num dia ensolarado. Depois de tanto andarmos, a trupe internacional parou num restaurante. Foi quando Peter me perguntou, o que eu faria de diferente se tivesse um milhão de dólares na conta. Eu respondi “Peter, um é pouco, vamos deixar mais interessante o questionamento, o que você varia se tivesse 100 milhões de dólares?” “Algo fundamental mudaria em sua vida?”.

  Mudaria na sua, prezado Leitor?  Uma quantidade de dinheiro enorme. Não há quase limites no que você pudesse fazer. Quão diferente iria ser a sua vida? Muito diferente da vida atual? 

 Esse tipo de reflexão não é uma grande novidade. Entretanto, eu achava, até umas semanas atrás, que eu possuía uma abordagem original a esse questionamento. E se, prezado leitor, você tivesse 100 milhões, mas um diagnóstico médico de apenas mais três anos de vida. Quais seriam as suas prioridades? A sua vida seria muito diferente?

  Por que três anos? Bom, se o exercício mental fosse uma semana de vida,  por exemplo, parece natural que a pessoa mudaria completamente a sua rotina muito provavelmente. Agora, um prazo de três anos é um período de tempo que não é tão curto, mas está longe de ser longo, ainda mais se é da duração da nossa vida que está a se falar.

  Qual é o ponto do exercício? Se você não tivesse limitações financeiras e três anos de vida, e se a sua vida imaginada fosse muito diferente da sua vida “real”, isso poderia ser o sintoma de que há alguma coisa (ou muitas) profundamente em desequilíbrio em sua existência.

 Foram reflexões como estas que moldaram e continuam moldando minhas visões de mundo,  como tento planejar minha vida e relacionar de uma forma melhor com outros indivíduos.  


 Ao navegar por alguns sites sobre investimento, descobri que há um “planejador de vida” chamado George Kinder.  Um economista que virou filósofo que virou planejador financeiro. Escreve poemas, fotógrafo e aparentemente é professor de meditação também. Um sujeito muito interessante. 

 Percebi então que minha ideia estava longe de ser original, pois George Kinder bolou três perguntas fundamentais para , baseado nas respostas das pessoas,  montar planos financeiros e de vida que fossem compatíveis com os valores mais caros aos seus clientes. Se tiver interesse no tema, há um artigo a respeito 3 Questions That Will Get Your Finances — and Life — on Track. As perguntas são quase idênticas às indagações formuladas nos parágrafos anteriores.


  São perguntas aparentemente simples, mas extremamente profundas. Elas vão ao âmago de quem nós somos,  sobre o que fazemos, e sobre o que é importante para as nossas vidas.  Cada um é diferente, cada pessoa chegará a uma resposta diversa. Porém, os suspeitos usuais como: família, relações humanas mais fortes, uma vida mais criativa e significativa são quase sempre os valores e ações pelas quais as  as repostas das pessoas aos questionamentos de George Kinder  orbitam.

 Tem apenas três anos de vida e dinheiro quase ilimitado, mudaria de cidade? Andaria de carro conversível?  Viajaria para ficar em hotéis cinco estrelas? Ficaria mais com a sua filha? Pegaria a guitarra encostada no armário mais vezes? Doaria metade do dinheiro para o médico sem fronteiras? Faria festas sem fim com diversas mulheres? Ligaria mais para os amigos? Não trabalharia mais?


  As respostas sinceras a estas perguntas podem nos dar informações valiosas sobre nossos valores mais profundos. Sobre o que queremos com o trabalho, e com a acumulação de dinheiro.  Sobre se estamos num caminho aliado com o que queremos ser, ou não. Em suma, são perguntas tão fundamentais e importantes que não as podemos deixar de fora de nossas vidas.

Quem diria que nas minhas respostas eu talvez responderia que lavaria mais roupa na mão?:) Esse foi um dos lugares mais incríveis que já estive na minha vida. TSAMBARAV UUL NATIONAL PARK (Uul é montanha em Mongol), no extremo oeste da Mongólia, uma região extremamente remota, onde alguns nômades vão passar o verão.  Foram dias memoráveis . No inverno, o local torna-se inóspito a qualquer vida humana, com ventos muito fortes e com  temperaturas  que podem chegar a -40 graus. 


Um abraço a todos!

domingo, 30 de julho de 2017

O INVESTIMENTO MAIS RENTÁVEL DE TODOS

Olá, colegas. Qual é o melhor investimento que você pode fazer? Qual é o investimento que vai gerar o maior ROI (Return On Investment – Retorno Sobre o Investimento) possível? Bitcoin? Empresas que pagam dividendos crescentes? Títulos do Governo Brasileiro? E se houver uma espécie de investimento que gera retornos astronômicos, sem risco de você ficar numa posição pior, e ainda por cima fazer você melhorar como ser humano?

 Difícil a questão? Creio que não. O melhor investimento é aquele que você faz em si próprio.  Há uns meses, assisti a uma palestra que dois autores deram no Google. Não consigo achar mais o vídeo, mas o tema foi sobre como o investimento em si mesmo é aquele que pode alcançar o maior ROI possível, e eles falavam do estrito ponto financeiro.

 Sim, o assunto não é novo nem mesmo entre os blogs de finanças. Apenas resolvi escrever a respeito, pois recebi nos últimos dias dois e-mails muito interessantes. Um era de um médico com a minha idade já consolidado, professor de universidade federal, renda altíssima, patrimônio alto, grande escolaridade e formação.  O outro era de um jovem de 25 anos no quinto ano de medicina, com muita vontade, e com um patrimônio acumulado quase inexistente.  Este jovem então fez perguntas sobre investimento, se deveria ir para fundos multimercados, ficar na renda fixa, etc. Perguntas todas elas legítimas e boas, mas que podem fazer as pessoas se distraírem do maior investimento de todos.

 É claro que o médico mais consolidado investiu muitas horas e anos de estudos nele mesmo. Talvez num determinado momento da vida dele ele possa ter pensando em desistir, diminuir o esforço, investir o seu tempo e atenção em alguma outra coisa. Porém, ele persistiu. Ele investiu nele mesmo. Qual será o ROI do investimento que ele fez nele mesmo? Altíssimo.  

 Para a esmagadora maioria das pessoas os maiores retornos virão de investimentos diretos nelas mesmas, não da análise de ativos financeiros.  Isso não quer dizer que não possamos conhecer de finanças, pelo contrário, até porque para virar um investidor mediano-razoável não são necessários conhecimentos sofisticados. Porém, não se enganem queridos leitores, não é analisando o último balanço da AMBEV, ou refletindo se a alocação em renda fixa deve ser de 30% ao invés de 25%, que irá trazer retornos substanciais do ponto de vista financeiro.

Os frutos de investimentos em nós mesmos, contudo, vão muito além de dividendos financeiros. Muito além.  Aliás, para mim hoje em dia tenho muito mais preocupações com outros desdobramentos de meus “investimentos em mim mesmo” do que com os aspectos financeiros. 

 Mas o que é investir em nós mesmos? Comecemos pelo mais óbvio: educação. Evidentemente, o investimento seja em dinheiro, seja em horas, na nossa própria educação tem um potencial gigantesco de oferecer retornos altíssimos. Educação aqui não é apenas em sentido formal, até porque títulos formais para mim querem dizer pouca coisa, mas também não se pode cair em discursos tolos de que a escola, ou o ensino universitário, não serve para muita coisa nos dias atuais.

    O tema é amplo e daqui o texto poderia seguir em várias vertentes, mas irei tratar sobre especialização x generalidades. Um colega nosso da blogosfera foi estudar no Canadá há alguns anos e me pediu alguns conselhos sobre livros de investimento. O conselho que dei foi: experimente idéias novas, áreas novas, nunca se sabe as conexões que podem se formar quando você se aventura em “mares nunca antes navegados”.  Pode haver certa parcialidade minha nisso, pois é assim que enxergo a vida, vejo-a muito mais colorida quando podemos ter diversas perspectivas sobre o mesmo tema.

  Porém, em que pese essa pretensa parcialidade, o fato é que pessoas bem sucedidas em suas áreas parecem adotar um modelo mental parecido. Charlie Munger é um sujeito que me vem a cabeça. Sócio do W.Buffett ele é conhecido pela sua ideia de “modelos mentais”, que nada mais são do que diversas formas de ver a vida sob perspectivas e áreas do conhecimento diversas.

  Steve Jobs disse em certa palestra que sua obsessão com a estética dos produtos da Apple veio muito por causa de um curso de caligrafia que ele fez logo depois de abandonar a faculdade.  Pensem um pouco sobre isso, prezados leitores. Talvez o sucesso de uma das maiores empresas de todos os tempos é fruto de um curso de caligrafia que um jovem resolveu fazer. Uma conexão como essa é impossível de prever antecipadamente, mas elas ocorrem, em maior ou menor grau, quando estamos dispostos a investir em nós mesmos e alargar nossa visão de mundo ou nossas habilidades.

 “Mas Soul, não é uma perda de tempo fazer um curso de caligrafia, esse exemplo do Jobs é um em 100 milhões”, claro que é a exceção da exceção argumentativo leitor.  Apenas nesse tópico poderia escrever outro texto, mas deixarei para outra oportunidade. 

 O ponto não é o que o Steve Jobs fez ou deixou de fazer, mas sim que quando desafiamos a nossa perspectiva de ver o mundo, coisas incríveis podem ocorrer. Para nós a caligrafia é algo completamente distante da nossa vida (apesar do senso estético dela estar permeando a nossa vida com o design dos produtos eletrônicos que consumimos). Porém, para a cultura chinesa, por exemplo, a caligrafia é algo muito mais presente. Era muito normal em praças chinesas (aliás, a vitalidade de uma praça chinesa perto do entardecer daria para escrever pelo menos dois artigos) eu observar senhores praticando a caligrafia construindo os ideogramas chineses.

  Porém, como dito alguns parágrafos acima, o investimento em nós mesmos gera frutos tão ou mais importantes do que os retornos financeiros.  No famoso Oráculo de Delfos na  Antiga Grécia, dizem que havia uma frase “Homem, conhece-te a ti mesmo”.  Essa deveria ser uma das perguntas mais fundamentais na vida de uma pessoa. Não é sobre carros, onde investimos nosso dinheiro, ou sobre quem nos relacionamos.

  Sinceramente, conheço pouquíssimas pessoas que realmente conhecem a si mesmo de maneira profunda. Conhecer quem realmente somos exige esforço e dedicação, em outras palavras exige um “investimento”.  Nunca fiz o caminho de Santiago de Compostela, mas creio saber o motivo de tantas pessoas terem experiências “espirituais” profundas ao término da caminhada.

 Imagine um sujeito de 40-45 anos tendo que caminhar durante semanas, na maior parte do tempo de forma solitária. Com qual pessoa ele terá que dialogar? Ora, com ele mesmo. Imagine uma pessoa durante semanas dialogando com ela mesma. Será que perguntas difíceis não serão feitas? Será que ela vai ficar feliz quando for descobrindo o que ela se tornou?  Isso nada mais é do que meditação e autoconhecimento sobre si próprio. Eu imagino o impacto que isso pode ter na vida de um homem, ou mulher, de meia idade que simplesmente navegou pela vida, sem perguntar muito para a pessoa mais importante, ou seja ela mesma, se ela realmente queria ter tomado certos caminhos.

 Portanto, o investimento em nós mesmos faz com que tenhamos uma melhor ideia de quem somos. Se eu sei quem sou, eu posso saber com mais facilidade o que quero. Um carro mais caro e um trabalho não prazeroso (mas com boa remuneração), por exemplo, são compatíveis com os meus sinceros objetivos de vida? Talvez sejam e não há nada de errado nisso, desde que a pessoa saiba conscientemente as trocas que por ventura está fazendo.

 O único “porém” do contínuo desenvolvimento em nós mesmos, é que não há volta. O conhecimento não pode ser “desfeito”. Antes um “cidadão de bem”, depois de uma profunda reflexão, a descoberta de que não é um cidadão tão do bem assim (para ficarmos apenas num exemplo). Algumas pessoas podem achar isso extremamente desconfortável, e o é mesmo, e por isso simplesmente se travam. É o que mais vejo em certas situações, e esse blog possui muitos comentários assim.

 Após me informar durante alguns anos como nós humanos nos relacionamos com os mais variados tipos de animais (seja para comida, entretenimento, pesquisas científicas e militares, etc), eu não posso “apagar” esse conhecimento de mim.  E obviamente como pertenço a espécie dominante e me beneficio da exploração, em muitos casos extremamente cruel, a minha visão ética sobre mim mesmo ficou mais turva. Não é à toa que esse é um verdadeiro assunto politicamente incorreto , e combatido com extrema virulência quando raramente é trazido à tona. Não, prezados leitores, politicamente incorreto não é falar sobre conspirações globalistas, ou sobre homossexuais, ou defender um político de 30 anos de carreira política dizendo que ele é um outsider da política.

 Há uma história anedótica sobre um aluno perguntando a um professor de filosofia se ele não se sentia envergonhado de muitas vezes estar agoniado, enquanto uma simples camponesa, ignorante de muitos fatos da vida, sempre estava sorrindo e alegre. O professor teria respondido que preferia a infelicidade do conhecimento à felicidade da ignorância.

 Não há dúvidas de que o conhecimento pode trazer sofrimento, e não é à toa que os mais variados mitos religiosos tratam dessa temática. Entretanto, também é verdade que um autoconhecimento profundo sobre nós mesmos pode nos fazer nos religar com a realidade e com outros seres humanos de forma muito mais profunda e genuína. E isso não deixa de ser  uma experiência religiosa, já que a raiz da palavra religião vem de religar.

 Encerrando esse artigo, digo ao meu jovem colega quase médico formado: invista em você mesmo. O ROI do seu investimento será gigantesco, como o outro colega médico de alta renda e patrimônio consolidado pode atestar.  Não perca tanta energia com detalhes sobre uma alocação fina do seu patrimônio ainda incipiente.  Com um grande bônus: um maior investimento em si fará com que você tome decisões muito mais conscientes na vida e muito mais atreladas com os seus anseios enquanto indivíduo.


 Um grande abraço a todos!

domingo, 16 de julho de 2017

GUEST POST - O INFINITO E O ZERO

Olá, colegas. É com extrema satisfação que reproduzo o texto abaixo. O meu último artigo abriu a possibilidade da minha conversa direta com leitores, e fiquei muito feliz com o retorno. Recebi vários e-mails de pessoas muito inteligentes e interessantes: publicitários, engenheiros, advogados, e até mesmo de um jovem batalhador. Fiquei muito satisfeito de saber que posso não possuir um público grande, mas são pessoas extremamente qualificadas. É uma grande satisfação e agradeço todos os leitores que enviaram mensagens.

Um deles é engenheiro e está fazendo mestrado em Inteligência Artificial. Nossa, que tema interessante. Ele me passou alguns vídeos, e achei o tema fantástico e com implicações profundas (já tinha lido a respeito, mas nunca tinha parado para refletir com mais calma). Pelos vídeos e leituras adicionais, já adicionei três livros sobre o tema para ler. Perguntei então para o colega leitor se ele não queria escrever um artigo sobre o tema, e ser a primeira pessoa a fazer um guest post no meu espaço. Ele topou e escreveu o texto abaixo. Eu achei um artigo muito bom mesmo, espero que gostem.

obs: muitos querem conversar sobre leilão, tentarei bolar alguma coisa para que mais pessoas possam participar e fazer perguntas diretas para mim, talvez alguma espécie de Hangout onde várias pessoas podem entrar numa sala? Entendidos do assunto podem dar sugestões.


O infinito e o zero
 Por JAIRO LUCIANO ALVES 


E se a gente não precisasse mais trabalhar? E se não precisássemos avaliar o melhor negócio, o melhor investimento? E se não precisássemos mais nos preocupar com o CDI?
Os seres humanos produziram muitas coisas impressionantes. Algumas delas até serviram de base para outras ainda mais impressionantes. Vejamos o exemplo do computador. Em pouco tempo deixou de ser uma máquina monumental, cara e difícil para ser ubíqua, acessível e amigável.
O ser humano, que havia experimentado o efeito revolucionário que as máquinas podem ter na sociedade, durante a Revolução Industrial, agora iniciava uma nova era, a Era da Informação. Se, antes, nossas máquinas fiavam e teciam, agora elas não processariam apenas coisas palpáveis, mas também dados e informações.
Peter Diamandis, um engenheiro americano, defende (vide TED Talk, abaixo) que nosso futuro será abundante. Não somente melhor, mas exponencialmente melhor que nosso presente.

É difícil apreciarmos a priori a magnitude dessas mudanças porque nossa percepção biológica tende a ser mais linear, enquanto os avanços na tecnologia e nas ciências são exponenciais. Pense no acesso a informações. Se você tem uma certa idade, talvez se lembre que em muitas cidades simplesmente não havia bibliotecas para as crianças. Se você tivesse uma curiosidade não usual, típica das crianças, a imaginação poderia ser sua única resposta. Isso não faz muito tempo, uns 20 anos talvez? E hoje? Hoje temos o Google no bolso.
Você sabe o que é Inteligência Artificial (A.I.)? Certamente já ouviu falar. Já pensou em como esta tecnologia poderá alterar dramaticamente o nosso futuro?
Muitos cientistas e pesquisadores defendem que o que está em curso agora é o início de uma verdadeira revolução, com potencial semelhante ao da própria Revolução Industrial. Os especialistas no assunto, como Andrew Ng, já consideram a AI como a “nova Eletricidade”. Como assim? Bem, você sabe, quantos e quantos setores da economia foram radicalmente impactados pela facilidade da utilização em massa da eletricidade, não é? Então, será que você conseguiria imaginar a sua vida sem a eletricidade hoje? Será que consegue imaginar um único setor industrial ou econômico que não tenha sido transformado e influenciado pela eletricidade? Pois este é o panorama que se apresenta para a Inteligência Artificial nos próximos anos e décadas.

Mas então, o que é AI?

Costumava ser assim. Um programador de computadores escrevia instruções precisas sobre como resolver algum problema. Ele utilizava uma linguagem especial e os computadores simplesmente executavam, mecanicamente, essas instruções.
Mas algo mudou. Hoje, muitas vezes, os computadores estão resolvendo problemas sem que seja necessário que um humano indique o caminho ou a melhor solução. Quer ver um exemplo? Em um dos laboratórios do Google, um robô virtual foi instruído a tentar se locomover do ponto A para o ponto B. Ele contava com sensores e outras informações, mas nada foi dito sobre como ele poderia se locomover para atingir este objetivo. Através de um processo de tentativa e erro, o robô ensinou a si mesmo a andar. Isso mesmo, um processo que pode ter levado milhões de anos para acontecer evolutivamente foi aprendido por um robô de forma autônoma em pouco tempo.


E isto é só o começo, lembra do crescimento exponencial? Pois é, ele também se aplica aqui e vai fazer com que essas tecnologias deixem de ser curiosidades de laboratório e passem a ser parte indissociável de nossas vidas. Diante do que já se sabe hoje, impactos da Inteligência Artificial são esperados nas mais variadas esferas, desde financeiros e econômicos a políticos, sociais e até mesmo psicológicos.


Vamos falar de negócios?

A Blockbuster foi uma gigante do mercado de locação de filmes. Estava presente no cotidiano de milhões de pessoas. Um ícone americano, receita bilionária, com presença até aqui no Brasil.  Empregava cerca de 40 mil pessoas, pois suas lojas físicas necessitavam de muitos empregados para operar.


A concorrência com uma nova tecnologia levou a Blockbuster à falência em 2011.  O gráfico acima mostra como pode ser rápida a mudança que uma nova tecnologia impõe, mesmo a empresas que eram sólidas e estabelecidas.
Pois é, hoje a Netflix é uma gigante do mercado de locação de filmes. Está presente no cotidiano de milhões de pessoas. Um ícone americano, receita bilionária, com presença até aqui no Brasil. A Netflix não tem lojas físicas e emprega pouco mais de 3 mil funcionários.
Percebeu alguma coisa? Negócios que antes necessitavam de muitos empregados, hoje podem ser feitos mais eficientemente e com muito menos gente.
Isto não é um caso isolado, agências de viagem, lojas de CD e livrarias físicas são alguns exemplos de setores (e empregos) que tem sido engolidos pelo surgimento de empresas como a Netflix.
Este vídeo, altamente recomendado, mostra um futuro em que literalmente “Humanos não serão mais necessários” no mercado de trabalho.

O fato é que as empresas que estão tendo sucesso hoje já são bem menos dependentes de pessoas do que no passado, ao mesmo tempo em que são bem mais dependentes de grandes massas de dados, algoritmos e servidores. Seus custos de difusão são baixos (veja o exemplo dos youtubers) e o alcance de suas operações é global.


Impactos nos Empregos

As novas tecnologias proporcionam enormes ganhos de produtividade. Graças a eles, os lucros das corporações subiram enormemente nas últimas décadas. A despeito disso, o gráfico abaixo mostra que esses ganhos com a produtividade não vêm se traduzindo em ganhos nos salários. Há quem conjecture que isto se deve, ainda que em parte, a uma menor dependência dos negócios em relação aos trabalhadores. Especialmente os menos qualificados, que se tornam mais descartáveis e por isso mesmo, menos valorizados.

http://www.outsidethebeltway.com/wp-content/uploads/2012/07/wages-productivity-Figure-A.png


Por outro lado, se a automação é cruel com alguns setores e empregos, ela certamente é pródiga em criar outros tantos. Algumas pessoas defendem que novos empregos sempre surgirão para substituir os antigos e que esses novos empregos são intrinsecamente mais agradáveis e interessantes.
Historicamente, sempre que uma inovação deixava um setor obsoleto, um novo setor surgia. Assim, se os empregados antigos fossem adequadamente qualificados para ocupar os novos postos de trabalho, todos sairiam ganhando.
Porém, com a Inteligência Artificial tem sido menos evidente que este comportamento é válido. Talvez o desenvolvimento de uma AI suficientemente avançada traga para o mercado de trabalho urbano algo semelhante ao que a mecanização do campo trouxe para o mercado de trabalho agrícola.

O gráfico acima mostra a queda no percentual necessário de pessoas para trabalhar na produção de alimentos nos Estados Unidos. Mesmo se quiséssemos voltar a trabalhar no campo, nossa mão de obra seria impotente diante das modernas formas de produção mecanizada de alimentos empregadas hoje.
Vale observar que o trabalho em si necessário para produzir os alimentos não mudou de 1800 para cá. Ainda é preciso plantar, colher. As nossas ferramentas é que evoluíram e, agora, nós praticamente não somos mais necessários para manter esse processo funcionando.
Se imaginarmos que o mesmo pode ocorrer para os trabalhos intelectuais, é possível que, no futuro, não precisemos de tantos contadores, advogados, médicos ou engenheiros.


Impactos Sociais

Toda essa evolução não vem para tirar empregos. Pelo contrário, ela só ocorre porque representa uma melhoria sensível e global nas condições de vida das pessoas. Mesmo os pobres de hoje têm acesso a mais recursos do que no passado.
A substituição de pessoas por máquinas tem significado um aumento generalizado na nossa eficiência. Tomemos por exemplo o mercado de transportes. Muitas empresas têm se dedicado a desenvolver um Carro Autônomo.
Olha Mãe, sem as mãos!
A Tesla já comercializa carros que estacionam e se movem sem o comando direto do motorista. Os veículos deles se comunicam com a sede para receber atualizações de software e replicam as melhores formas de fazer os caminhos de uns para os outros. Elon Musk, CEO da Tesla, espera que carros autônomos sejam a única forma de transporte em um intervalo de 10 a 20 anos.
Já pensou em não precisar dirigir? Você poderia ver um filme ao invés de se desgastar tentando evitar um acidente. Você poderia trabalhar enquanto o algoritmo escolhe os caminhos e o leva ao seu destino. Eles não precisam ser perfeitos, eles só precisam ser melhores do que nós.
Os robôs sempre seguirão as regras de trânsito e poderão se comunicar, minimizando congestionamentos. Aliás, em um trânsito totalmente autônomo, não seria sequer preciso haver semáforos. Impossível, certo? À primeira vista parece mesmo, mas sabia que a nossa internet já funciona assim? Todos os nossos acessos são transportados de um lugar para o outro em “pacotes” de dados, roteados automática e exclusivamente por milhões de roteadores e switches que funcionam de modo distribuído e harmonioso.
Virou cena comum ver taxistas ao redor do mundo protestando contra os motoristas do Uber, não é? Mas se o carro autônomo passar a ser o melhor meio de transporte, seja economicamente, seja em termos de segurança, como defender a manutenção dos empregos desses motoristas? Como você imagina que serão entregues nossos fretes? Será que com motoristas humanos ou com algoritmos automáticos? Quem continuará empregando os motoristas de caminhão?


Mais educação resolve, certo?

Talvez não seja tão simples assim. Muitas vezes, essa é uma disputa que não podemos vencer. Sabemos que a capacidade computacional dobra a cada dois ou três anos (a famosa Lei de Moore). Em quase todas as áreas, é questão de tempo até que um computador ou robô seja capaz de fazer muito bem aquilo que antes só um humano seria capaz.
Garry Kasparov é um dos maiores enxadristas de todos os tempos. Uma mente brilhante do xadrez. Em 1996, ele demonstrou sua capacidade ao vencer o duelo com supercomputador da IBM, Deep Blue. Um ano depois, em 1997, após melhorias no algoritmo, uma nova disputa ocorreu e dessa vez a supermáquina levou a melhor. Em um intervalo de algumas décadas, os computadores haviam evoluído de adversários ingênuos no xadrez para um páreo duro contra o campeão mundial. De lá para cá, no entanto, o que foi uma disputa apertada se transformou em um massacre absoluto. Atualmente, é simplesmente impensável que um jogador humano e um computador possam competir em pé de igualdade um contra o outro, independentemente de quem seja este humano.
Se mentes brilhantes como Kasparov e Carlsen foram impotentes contra o avanço implacável das máquinas, será que é realista acharmos que conosco será diferente quando chegar a nossa vez? De novo, do Deep Blue para cá são só 20 anos. O que nos espera nos próximos 20, ou 50?

Divagações descompromissadas e distopias.

Se a disputa com as máquinas nos será quase certamente inglória, isso significa que nossas tecnologias provavelmente não dependerão mais de nós para evoluir. Para continuarmos melhorando de vida não mais seria necessário nosso esforço direto, posto que as máquinas sobrepujariam com grande margem os nossos melhores desempenhos.
Se isso acontecer um dia, será que a disputa entre os humanos continuaria a fazer sentido? Será que ainda seria algo necessário? Ou, neste momento, ao invés disso, seria mais produtivo para nós, como espécie, apostar na cooperação?
E como seria um mundo em que ninguém precisasse trabalhar nunca mais? Que impacto a abundância desmedida teria em nossa condição emocional. Que faríamos dia após dia? Seria essa a liberdade última? Seria isso algo parecido com a sonhada terra prometida, aquela onde corre leite e mel, onde não precisaríamos despender nenhum tipo de esforço para ser? Me pergunto se, neste mundo hipotético, sentiríamos, por absurdo que pareça, alguma saudade da escassez.
E a morte no futuro? Bom, já que estamos divagando sem compromisso, não seria absurdo imaginar que algum dia, daqui a 1000 anos quem sabe, se descubra uma tecnologia capaz de manter de modo indefinido a vida. Seja por avanços da medicina, da biotecnologia, da bioengenharia, vai saber. Se isso ocorrer, nada impediria o homem de alcançar uma virtual “vida eterna”. Quem viu alguns episódios da série Black Mirror vai se lembrar de temática semelhante. Se a morte fosse apenas uma escolha, se a perpetuação da saúde e da vida fosse uma possibilidade, o que isso mudaria nossa visão do mundo?
Por fim, será que algum dia não seremos mais necessários uns para os outros? Quando a oferta de bens e de serviços à disposição de todos for infinita, será que nossa contribuição individual estaria próxima do zero? Existimos para sermos necessários aos demais? Ou existe outro propósito mais fundamental?


Conclusão

Imaginar o futuro é um exercício fascinante, porém incerto. Muitos consideram um exercício inútil. Outros, que é no hoje que se deve começar a pensar o que faremos e o que seremos como sociedade no amanhã.
É possível que descubramos assim nosso maior tesouro futuro em coisas ancestrais, como a subjetividade, a contemplação, as artes, a capacidade de sentir, a gratidão, o amor.
Enquanto o futuro não vem, é a apreciação do elemento puramente humano o que ainda nos leva a transcender.

Jairo Luciano Alves é engenheiro eletricista pela UFCG.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

MINHAS OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. FIQUE CARA A CARA COM O SOUL



Olá, amigos. Algumas pessoas me perguntam qual é a minha alocação, ou seja,  onde o meu dinheiro está investido. Sempre digo que a minha alocação não é “tradicional”, se considerarmos como a esmagadora maioria dos investidores investe.

No começo de 2015, um pouco antes de começar a minha viagem, eu acreditava que havia uma grande probabilidade da crise imobiliária (confesso que não fazia noção que a crise econômica e política poderiam ser tão agudas em tão curto espaço de tempo) redundar na existência de ótimas oportunidades imobiliárias, ainda mais no nicho específico de atuação que tenho conhecimento.

Pois bem. Coloquei para mim mesmo então que deveria estar muito líquido, e  foi assim como uma parcela razoável do meu patrimônio ficou durante quase dois anos. No final da viagem, eu fiz sérios questionamentos se a minha estratégia tinha sido correta, pois eu poderia ter ficado ilíquido em instrumentos de dívida nesse período, ganhando 1.5-2% a mais.  No período de quase dois anos, isso significou um retorno menor já na casa dos seis dígitos.

Ao voltar ao Brasil, porém, fui surpreendido com a avalanche de leilões. Grandes leilões que aconteciam uma ou duas vezes por ano, estavam ocorrendo todo mês. Eu estava correto.

Nos últimos seis meses, iniciei dez novas operações. Todas elas estão juridicamente sem problemas, em quase todos já estou inclusive na posse do imóvel (colocado a venda) e uma já inclusive vendi. Realizei praticamente  20 operações imobiliárias desde o início, ou seja, em seis meses atuei mais do que em quatro anos.

Levei a um novo nível de entendimento, bem como de negociação para resolução de conflitos. Não precisei entrar na Justiça em nenhum dos casos. Zero atuação judicial. O que é algo impressionante, se levar em conta que um em cada dois negócios que tinha feito anteriormente eu precisava discutir judicialmente alguma questão, nem que fosse até o deferimento de uma liminar.

Ontem, entre uma audiência e outra, estimei possíveis retornos com venda abaixo do valor de mercado, imposto de renda sobre o lucro, e comissões de corretor já inclusas (possuo outros, esses são apenas aquisições desse ano, excetuando o que já vendi). Estas são as expectativas:

1)      28%
2)      60%
3)      27%
4)      20%
5)      17%
6)      35%
7)      75%
8)      12%
9)      29%

Se eu encerrar todas as operações em até um ano (e há casos que podem levar apenas alguns meses), todas serão de excelentes a razoáveis (o caso 8 seria um limite). Se eu demorar dois anos, os casos 8 e 5 não apresentarão bons resultados. E, se eu demorar três anos (assumindo um ambiente de juros nominais baixos), quase todas as operações terão retornos razoáveis (executando-se os casos 8 e 5). Logo, a margem de segurança é bem grande.

 Favoravelmente, estes casos são apartamentos de valor médio em boas cidades do Brasil, o que deve facilitar a venda. O caso “8” foi um erro, imaginei que poderia vender o imóvel por um preço maior, e minha margem comprimiu, pois a negociação foi mais difícil do que imaginava.

Eu como pretendo “pendurar a chuteira de vez” num horizonte bem próximo, monitoro quase que semanalmente como estou com as metas. Coloquei um plano bem conservador de como estarei em abril de 2019, com algumas premissas. Nesse meio tempo, deixei espaço para que eventos positivos pudessem me dar mais força para tomar certas decisões.  

Um desses eventos aconteceu há duas semanas. Vendi um imóvel com incríveis 130% de retorno líquido. Eu planejava vender esse imóvel apenas em dezembro de 2018 (sendo bem conservador) e por um valor razoavelmente menor. Essa venda deu certo ânimo, que o meu planejamento, e a minha forma de atuação estão no caminho certo.

Hoje de manhã, recebi uma proposta de outro imóvel que tinha colocado como venda apenas em abril de 2019. É fruto de uma negociação que não foi boa, a única que não me sentia muito confortável, mas acabei entrando. O pior é que se localiza no  Centro-Oeste (hoje em dia atuo apenas regionalmente). Mas, não posso dizer que não aprendi com essa experiência,  e além do mais conheci lugares lindos na região quando fui assinar a escritura de venda de outro imóvel que possuía por lá e aproveitei para fazer turismo com a minha companheira  há uns dois meses.

Hoje, os imóveis representam algo em torno de 45-50% do meu patrimônio. Há ainda muitas e muitas oportunidades, e creio que essa situação perdurará por mais pelo menos 1 ano e meio, isso se a coisa não piorar mais no Brasil. Assim, é possível que eu inicie mais operações, e possa ir aumentando mais à medida que eu for liquidando outras operações.

Sinto-me confiante para dar um passo que veio protelando há alguns anos. Porém, creio que estou mais maduro, muito forte financeiramente, e mais tranquilo sobre a minha escolha.


FALE COM O SOUL – DE FINANÇAS A VIAGENS PARA MONGÓLIA

Mudando completamente de assunto. Resolvi tentar uma experiência nova. Não sei se vai ser do agrado dos leitores desse espaço, e nem como pode ser feito. Mas, eu gosto muito do conceito de troca de conhecimento. Há  espaços na internet, e estou me escrevendo em alguns, onde você oferece uma hora e ensina algo, por exemplo,  e em troca a pessoa te ensina alguma outra coisa. Pode ser falar sobre direito, e a outra pessoa fala sobre pequenos reparos elétricos, por exemplo. A ideia é muito massa mesmo em vários sentidos e aspectos.

Sendo assim, resolvi dispor de 40-45 minutos do meu tempo para falar com alguém. Pode ser sobre finanças, leilões, vida, viagens a lugares remotos, política, alocação de ativos, o que essa pessoa quiser. Creio que a conversa pode ser por skype ou algum outro dispositivo.

Se houver algum interessado, envie e-mail para pensamentosfinanceiros@gmail.com e diga quem você é, sobre o que quer conversar e por qual motivo. Vou analisar os eventuais pedidos, e experimentalmente vou escolher um e aviso essa pessoa.


Um abraço a todos!