segunda-feira, 19 de agosto de 2019

O RECADO (COMPLEXO) QUE VEM DA ARGENTINA


Olá, colegas.  Não, o texto não é uma provocação ao colega Rafael do site Investidor Internacional que publicou artigo com o mesmo título.  O blog dele já foi, e continua sendo, o mais indicado para investimentos internacionais, material de muito boa qualidade. O meu intuito é apenas refletir como um fato pode ser apreendido das mais diversas formas, e procurarei fazer um texto ainda mais abrangente do que o tópico da chamada do artigo.

HORMESE E IATROGENIA–  NICHOLAS NASSIM TALEB

                No começo desse blog, lá pelos idos de 2015, diversas vezes um comentador dizia que eu não entendia os livros que citava, especialmente quando fazia referência ao famoso escritor de “A Lógica do Cisne Negro”.  É bem possível que eu não tenha entendido tudo profundamente, afinal falhas de interpretação é algo normal e natural, ainda mais para alguém que não é superdotado como eu. 

                Desde então, eu reli o livro, e li alguns outros do mesmo autor. Não sei se a minha compreensão aumentou, eu acredito que sim. Apesar de ele ser bastante citado pela comunidade financeira, os conceitos que mais me chamam atenção na obra dele são a Iatrogenia e a Hormese.

                Iatrogenia é um termo bastante usado em medicina, e um dos motivos da minha busca pessoal por autoconhecimento em relação à saúde do meu corpo. Basicamente, esse termo se refere a um dano que pode ser causado quando se realiza um ato na perspectiva de melhorar uma situação.  Por exemplo. Alguém descobre que possui uma hérnia entre a L4-L5. A hérnia não é sintomática, ou seja, a pessoa não sente dor. Um médico resolve mesmo assim operar essa hérnia, e na operação alguma complicação surge. A complicação é a iatrogenia do ato médico de tentar melhorar a situação do achado de imagem (a hérnia entre L4-L5).

                A profissão médica sempre estará sujeita a iatrogenia, pois está lidando com situações limites dentro da complexidade fisiológica de um ser humano. Porém, ao se saber que fazer alguma coisa pode ocasionar efeitos iatrogênicos, pode-se refletir melhor sobre se um determinado ato realmente necessita ser feito. Taleb acredita,  e eu também, que um excesso de medicação e intervenções cirúrgicas pode ocasionar mais mal do que bem, justamente pelo efeito iatrogênico.

                O outro conceito, Hormese, é muito interessante.  Ele é central para a toda a linha de argumentação do Taleb. Na verdade, talvez seja o conceito mais importante tratado por ele no imenso livro de 700 páginas “Antifrágil”. Hormese é o fenômeno de que um organismo submetido a uma dose moderada de algum estressor pode na verdade ocasionar que esse organismo saia fortalecido e não enfraquecido.

                Exercício com cargas, por exemplo, é um caso típico de Hormese. Ao se levantar cargas pesadas, submetemos o nosso organismo a um estressor externo, nosso corpo sofre com o stress momentâneo, mas como uma forma de se preparar para futuros stress parecidos, nosso corpo se adapta criando, e aumentando, fibras musculares, nos tornando mais fortes, para que assim nosso organismo não seja estressado ao ser submetido novamente a uma sessão de levantamento de peso.

                A Hormese está presente em tudo. Expor o corpo ao frio fortalece o mesmo. Expor o corpo ao calor fortalece o mesmo. Talvez a exposição alguma desilusão profissional, ou amorosa, tem o efeito de nos tornar mais resilientes. Esse é um dos motivos, e claro compatível com a idade, pelos quais não irei tirar todos os estressores da vida da minha filha. Muito amor e Hormese controlada e compatível para uma criança, talvez seja a forma de se criar adultos fortes e resilientes.

                Infelizmente, quase nunca vejo pessoas que comentam a obra de Taleb abordando esses dois tópicos que em minha opinião são centrais para entender o pensamento desse escritor.

SISTEMAS COMPLEXOS


                A fisiologia de um corpo humano é de uma complexidade ímpar, isso ninguém pode negar. Quanto mais complexo um sistema, por uma questão de lógica, mais iatrogenia pode ser ocasionada por alguma interferência nesse mesmo sistema. Talvez uma medicação que suprima um determinado hormônio para aliviar algum sintoma no fígado, pode ocasionar uma interferência em como uma determinada parte do cérebro processa uma determinada proteína. Talvez, ao se testar a medicação, nunca se imaginasse que uma proteína poderia ter os seus efeitos modificados numa região do cérebro, e não se imaginou, pois como dito a fisiologia do corpo humano é complexa com milhares, dezenas de milhares, de interações entre hormônios, enzimas, genes, moléculas sinalizadoras, etc.

                Se o corpo humano é complexo, as sociedades modernas do século 21 são sistemas ainda mais complexos. A complexidade das interações humanas é tão grande,  que  um ser humano (ou um grupo de seres humanos) por mais inteligente que seja não é capaz de antever os efeitos de intervenções profundas na sociedade. Esse é o argumento principal contra regulamentos, a existência do Próprio Estado, de uma miríade de pessoas simpatizantes do liberalismo mais radical, escola austríaca, etc.  Como Taleb gosta bastante de pensadores como Mises, é natural que ele derive que interferência em sistemas complexos do ponto de vista econômico tem um potencial de ocasionar mais mal do que bem.

                Eu acredito que explicações da realidade que focam apenas no fenômeno econômico são no mínimo míopes. Desde o advento da economia comportamental, e talvez muito antes disso com os filósofos clássicos, sabe-se que o ser humano está longe de ser racional em todos os momentos. Pelo contrário, muitas das decisões são tomadas a nível inconsciente. Além disso, há questões culturais, geográficas, históricas, hormonais, e talvez uma miríade de muitos outros aspectos na existência humana.

                Sendo assim, se do ponto de vista econômico um agrupamento humano de centenas de milhões de pessoas é de uma complexidade absurda, se colocar os diversos outros aspectos na problemática, a complexidade salta algumas ordens de grandeza.

                É por isso, pelo conceito de iatrogenia e sistemas complexos, que intervenções militares podem ocasionar efeitos de segunda e terceira ordens inimagináveis. Eles não são previsíveis, pois os sistemas são complexos. É por esse motivo que Taleb sempre via com extrema reserva interferências militares dos EUA no oriente médio pós 09/11. É por isso que a Líbia possuía um dos maiores IDHs de todo o continente africano na era Kaddafi, e agora há feiras de vendas de escravos acontecendo em algumas cidades líbias.

                Pensem por um momento, leitores. Um país que talvez tivesse um IDH melhor do que o Brasil, e alguns anos  depois há feiras de escravos. Já imaginaram ir trabalhar e passar pela Praça da Sé e ver um leilão de escravos sendo feito em praça pública? Bizarro? Incompreensível? Pois é o que acontece na Líbia hoje em dia. Essa reflexão não significa que Kaddafi não era um ditador, ou que ele não cometia graves violações contra o seu próprio povo, apenas significa que quando se intervém em sistemas complexos (no caso o regime de um país que sempre foi dividido entre muitas tribos) mesmo com o intuito de melhorar a situação, pode ocorrer efeitos iatrogênicos graves, e a situação pós-intervenção ficar ainda pior.


BRASIL, TRUMP, SANDERS , ARGENTINA, ETC  

               
                E qual é a relação disso tudo com Argentina? Bom o texto do outro blog parte do pressuposto que a eleição da Argentina será ganha por um esquerdista, e isso é um recado para o Brasil que o mesmo pode acontecer aqui, e se isso ocorrer, o caos instalar-se-á.

                Eu concordo que é um recado para o Brasil, mas na verdade é um recado para todos, ainda mais em tempos de simplificações grosseiras, e visões de curtíssimo prazo. Primeiramente, um exercício de sinceridade. Nem eu, e muito provavelmente nenhum leitor, tem um conhecimento, talvez nem grosseiro, sobre a Argentina e sua história. 

           É possível que nem mesmo em relação ao Brasil boa parte das pessoas tenha um conhecimento firme. Se eu perguntar qual presidente veio primeiro, Prudente de Moraes ou Campos Sales, ou o que Rodrigo Alves fez ou deixou de fazer, é muito provável que quase ninguém saiba. Eu mesmo não sei (apesar de recomendar o fenomenal podcast presidentes da semana da Folha de São Paulo, um guia rápido para termos ao menos uma visão mais geral da história do nosso país. É provável que a maioria vai se surpreender como discursos anti-corrupcão, anti-sistema, corte de gastos, são velhos e já foram feitos algumas vezes na história de nosso país).

                Sendo assim, eu sei pouca coisa sobre a Argentina. Porém, sei que a Argentina é um sistema complexo. Eu sei que o Brasil talvez seja um sistema ainda mais complexo, assim como os EUA. Logo, é muito difícil realmente, se é que isso de alguma maneira é possível, entender a complexidade de um país inteiro.         
                E o que isso significa? Significa que como os sistemas são complexos, é muito difícil imaginar que o futuro será uma mera repetição do presente, ainda mais quando alguns atores importantes de certa forma tentam interferir de forma drástica nesses sistemas complexos. Sempre me causou certa graça ao ver com a eleição do Trump , e de outros populistas de "direita" como nas Filipinas, Hungria, Brasil, que o mundo estava se transformando por completo.

                Amigos, o mundo sempre está em eterna transformação. Essa é a lição de Heráclito de Efésios há mais de 2000 mil anos quando ele disse que “o mesmo homem não se banha no mesmo rio duas vezes”.  Há para mim certa ingenuidade em achar que a transformação é linear, e depois de ter ocorrido certa transformação, ela pára de ocorrer, e o presente se congela em direção ao futuro.

                Imagine se Bernie Sanders ganhar a próxima eleição. Para quem não conhece (eu ouvi uma entrevista dele no Joe Rogan, e ele é um senhor bastante inteligente), ele é um político com idéias como saúde universal, educação superior gratuita, etc, isso tudo nos EUA. Por muitos ele é visto como um autêntico comunista-socialista.  Eu acredito que o termo comunista não faz sentido em relação a ele, mas ele com certeza possui pautas muito mais inclinadas "à esquerda" do que outros democratas, como o próprio ex-presidente Obama.

                Não seria uma ironia? Se o mundo estava se transformando numa direção, como 4 anos depois pode haver a vitória de um candidato que representa outro espectro de idéias?   Trump pode ganhar, perder, não se pode saber. Porém, o fato é que alguém como Trump pode ocasionar a presidência de alguém como Sanders.

                Logo, o recado que vem da Argentina deveria ser para reconhecermos que o mundo é muito mais complexo e nuançado do que memes parecem sugerir. O presente não é o futuro, é bem provável que o futuro seja bem diferente do que os acontecimentos do presente sugerem. Quando há interferências em sistemas complexos, e Bolsonaro está fazendo várias dessas interferências (algumas até mesmo patéticas), iatrogenias inesperadas podem ocorrer, uma delas o fortalecimento de alguma ideia oposta até mesmo contra o que o Bolsonaro representa, e isso não significa um retorno ao bom-senso, mas talvez a idéias ainda mais extremadas.

                Por fim, encerro esse artigo com o conceito de Hormese. O stress saudável a um organismo ou a um sistema, não pode ser um stress maior do que as capacidades desse organismo ou sistema. Expor-se a temperatura de uma sauna por 15 minutos é uma coisa, expor-se a 300 graus Celsius por meia hora é outra.  E esse é o problema com grandes interferências em sistemas complexos como invasões militares estrangeiras ou mudanças no sistema político abruptas.  Se vamos ver esse tipo de coisa em nosso país (um estressor mais pesado do que nossas instituições possam aguentar?), não sei, apenas vivendo um dia após o outro para saber.

Um abraço!

43 comentários:

  1. Macri fundou o "socialismo liberal".
    A unica certeza é que o futuro é incerto.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Soldado.
      Eu creio não ser de muita utilidade a criação de ainda mais termos e rótulos como "socialismo liberal", ou "liberal conservador". Eu creio que até mesmo esquerda e direita em 2019 são termos anacrônicos que não servem para muita coisa.
      Ainda bem que o futuro é incerto, geralmente quando os poderosos (governos, elites, etc) acreditam que o futuro é certo, os que não tem muito poder começam a sofrer.
      A democracia e nossa liberdade dependem da incerteza do futuro.
      Um abraço!

      Excluir
  2. Meu maior receio com o Governo atual é de ele estar fomentando (de forma iatrogênica) uma esquerda ultra-radical no Brasil. Visto ainda que não boto muita fé no fortalecimento econômico (mundial e brasileiro) isso pode se tornar a tempestade "perfeita" em um curto prazo.

    PS1: Como proteger os investimentos nesse cenário?
    PS2: Você deveria ler algum livro sobre Teoria do Caos (Física & Matemática), iria complementar o conhecimento obtido nos livro do Taleb.

    Bob Lucas

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, BOB.
      Sim, em termos políticos, geralmente intervenções mal sucedidas, ou extremadas, dão surgimento a entes piores ainda.
      Kaddafi era um crápula, ele foi retirado à força, e o caos completo se abateu sobre a Líbia.
      Uma operação desastrada no Carandiru deu surgimento ao PCC, talvez a maior organização criminosa brasileira.
      O ataque dos EUA ao Iraque levaram caos ao Iraque, Síria, o que fez com que surgisse um grupo como Isis, a guerra civil na Síria, a crise de refugiados (inclusive na europa). Uma intervenção do ano de 2003, pode ter ocasionado a leva de refugiados para a Europa nos anos 2015-2019.

      Ps1: No Brasil, quem tinha capital nunca sofreu tanto. Se você tem capital, sua situação sempre será bem melhor do que quem não tem. Mas, para proteção basta começar a investir em ETFs no exterior, simples e fácil.

      PS2 - Valeu, mas minha matemática é bem fraquinha, gostaria muito de melhorar, mas não sei se levo jeito.

      Um abraço!

      Excluir
  3. Não seria de todo ruim o Bernie Sanders ganhar e pegar um país entrando em recessão.
    Eu concordo totalmente com seu texto. Não é a toa que o que "prego" (na verdade não prego nada, apenas sigo o que penso) que a verdadeira liberdade/fortalecimento está a nível individual.

    Temos que cuidar da nossa saúde física e mental, cuidar das nossas finanças, da nossa formação profissional. Não esperar que este ou aquele país irá piorar ou melhorar, mas sim está pronto pra ir embora no momento em que a vida tornar-se insuportável.
    Pra quem pode, eu sempre aconselho a ter uma poupança externa. Eu não cheguei ainda nesse nível, tenho uma pequena reserva financeira em bitcoins. Dei sorte de comprar quando custava 1,7k. Vendi uma parte quando passou de 50k, mas mantive e manterei sempre uma pequena poupança em bitcoins.
    Espero em alguns anos ter uma poupança externa.
    Quanto aos argentinos, problema deles. Eles elegem populistas.
    Muitos do que colocaram o PT no poder estão hoje pagando a conta.
    Os americanos pagarão a conta de eleger um maluco como Trump. Conta essa que ficará maior se um figura tão nojenta e abjeta como Sanders ganhar a eleição.
    Eu sempre admirei a política americana pelo seu equilíbrio.
    Mas o grande culpado da radicalização americana é o Bush.
    Por causa do Bush um esquerdista radical como o Obama, que elevou a relação dívida de PIB de 55 para 100% e abriu as portas do partido democrata para as figuras mais abjetas e degenaradas da sociedade americana.
    A coisa só piora. Bush um "retardado" (deve ter embolsado bilhões com as guerras), Obama, um radical da esquerda "progressista" (não há nada de progresso no que essa gente defende), Trump, um narcisista, que só tem compromisso com o próprio ego. Será Sanders o próximo? Um psicopata maluco, hipócrita. Defende a socialização, mas da riqueza alheia. Ficou milionário escrevendo livros criticando quem é milionário. A própria riqueza ninguém quer socializar.
    Mas talvez seja só o início do fim dos EUA como conhecemos e admiramos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, colega.
      Eu creio que você está correto em focar os seus esforços na melhora individual, apesar de achar que somos mais satisfeitos na vida quando podemos impactar de forma positiva a vida de outras pessoas, e a política pode ser uma dessas formas, apesar de existir inúmeras outras.
      Parabéns pelo lucro em BTC.
      Sobre suas considerações sobre a política americana, não creio que concorde com muitas delas, até porque cheia de adjetivações e pouco conteúdo (com a devida vênia). O Bernie Sanders está longe de ser uma pessoa "abjeta e degenerada", aliás acho isso um desserviço ao debate político mais racional, mas principalmente acho um desserviço que você faz a si mesmo, pois isso piora a sua própria qualidade de vida (eu acredito no caminho óctuplo de Buda, "agir bem", "pensar bem", etc). Veja a entrevista dele com o Joe Rogan.
      "Ah, mas eu não concordo com nada que ele diz, acho que se ele for eleito tudo vai piorar, etc, etc", ótimo, isso faz parte da vida, mas esse fato não transforma ninguém em abjeto e degenerado. Geralmente, são ideias totalitárias que costumam classificar outras pessoas como abjetas ou como animais (nazistas chamavam judeus de ratos, Hutus pré massacre de 1994 chamavam os Tutsi de baratas, e há inúmeros outros exemplos). Não entenda como uma crítica pessoal, colega, pois não é o meu objetivo, é que acho realmente tóxico esse tipo de linguajar.

      Um abs!

      Excluir
    2. Ah, observação, e aqui um juízo de fato, ao contrário do juízo de valor que fiz no outro comentário.
      "Por causa do Bush um esquerdista radical como o Obama, que elevou a relação dívida de PIB de 55 para 100% e abriu as portas do partido democrata para as figuras mais abjetas e degenaradas da sociedade americana"

      Há erro de fato aí. Boa parte do aumento da carga tributária americana se deu a partir de 2007-2008, tendo o seu grande aumento em 2008-2009 por causa do plano , do governo Bush, de socorro financeiro às grandes empresas. Pelo contrário entre 2012-2015 a dívida em relação ao GDP quase não subiu.
      Fontes: https://tradingeconomics.com/united-states/government-debt-to-gdp

      Fontes mais informais: https://www.thebalance.com/national-debt-by-year-compared-to-gdp-and-major-events-3306287

      "There are other events that can increase the national debt. For example, the U.S. debt grew after the Sept. 11 attacks in 2001 as the country increased military spending to launch the "War on Terror." Between fiscal years 2001 and 2020, those efforts cost $2.4 trillion."

      https://www.stlouisfed.org/on-the-economy/2017/january/how-us-debt-gdp-ratio-changed

      "Following the recession, there was no (at least successful) effort to bring this ratio down. Instead, a number of factors, including the implementation of the $840 billion American Recovery and Reinvestment Act, caused the debt-to-GDP ratio to increase at a rapid pace. Between 2009:Q2 and 2012:Q2, the ratio increased by 6.2 percentage points on average per year."

      Então, o governo BUSH filho parece ser o grande responsável pelo aumento da dívida americana em relação ao PIB, seja pelas guerras no oriente médio, seja pelo pacote de apoio.
      Se você ver na citação, foram gastos algo como 2.5 trilhões de dólares nos esforços de guerra. E o que eles geraram aos EUA e ao mundo? Iatrogenia e sofrimento. Com 2.5 trilhões de dólares o que os EUA não poderiam ter feito pela saúde deles (há 3 anos a expectativa de vida lá cai, algo inédito no mundo ocidental nos últimos 100 anos), e pela educação deles (que de ponta é muito boa, mas a média da população é de país de renda média alta).

      Abs!

      Excluir
    3. Em relação ao Bernie Sanders, ele ficou milionário escrevendo livros criticando milionários.
      É um ser "humano" que em pleno século XXI defende o socialismo, mas da riqueza alheia. É um hipócrita, lunático. Defende um sistema desumano, que só causou miséria e sofrimento onde foi implantado.

      Em relação ao endividamento americano, tomei como base os dados divulgados FED:
      https://fred.stlouisfed.org/series/GFDEGDQ188S

      Sinceramente eu desconheço o funcionamento da saúde pública americana. O que já li é que há uma grande interferência do estado que favorece associações médicas, laboratórios e corporações do setor.

      Como mostra a crise nos sistemas de saúde do Canadá e Reino Unido, e a medicina socializada não funciona bem em lugar algum do mundo, teria sido bem melhor que os 2,5 trilhões gastos em guerras, estivessem no bolso dos pagadores de impostos.

      Excluir
    4. Olá, colega. Não vou me alongar muito.
      - não existe aspas em relação a humano. Bolsonaro é humano, Trump é humano, Lula é Humano, Hitler foi um ser humano, todos os humanos são seres humanos. Colocar aspas, como dito na mensagem acima, colega, faz mal principalmente para você próprio, faz mal para a coletividade, faz mal para o debate político. Nada de bom saí daí, pelo contrário coisas horríveis costumam sair desse tipo de comportamento, conforme explanado em alguns exemplos históricos da minha mensagem anterior. A leitura de uma página da introdução do livro "É isto um Homem?" do Primo Levi deveria ser algo estimulado, pois é um dos avisos, de um sobrevivente de um campo de concentração, mais duros que já li em minha vida, e sempre martela minha cabela.
      - Sobre o Sanders, eu não sei muito sobre ele. Porém, a sua descrição parece-me no mínimo pequena. Pelo que sei ele é político pelo Nebraska e com altos graus de popularidade e aceitação. Além do mais, alguém com 60-70 anos é muito mais do que apenas sua descrição aponta. E isso vale para Trump, Bolsonaro, Lula, Marina Silva, etc. Os seres humanos são muito mais multifacetados e complexos. Ah, vale para você e eu também.
      - O gráfico do FED é o mesmo do linkado por mim, e nem poderia ser diferente. O aumento brusco veio com a recessão e com o plano de resgate da administração BUSH. Obama poderia ter descontinuado, talvez, não tenho conhecimentos para isso, mas sem maioria no congresso seria difícil, imagino.

      - Colega, vamos ser sinceros, "o que você já leu" sobre a saúde pública vem de apenas uma fonte de pensamento. Está longe de ser uma visão multifacetada, isso é fácil de perceber apenas pelas palavras que você usou. Não nego que é uma visão que pode ser utilizada para compreender melhor a realidade, mas está longe de ser a única. O problema com essa explicação é porque o EUA gasta o dobro do PIB com saúde do que países desenvolvidos europeus e da Oceania (o dobro, não 15-20% a mais), e com resultados de saúde populacional horríveis se comparados a outros países. Como os EUA não tem um seguro universal, como as seguradoras privadas dominam, essa forma de ideologia, a qual você fez referência, precisa achar alguma justificativa.

      - Ah, sim, a crise da medicina no Canadá, assim como a crise da medicina na Suécia. Certo, amigo. Olhe as métricas de gasto da educação com PIB. Veja as métricas de obesidade, diabetes tipo 2, doenças degenerativas. Olhe a expectativa de vida, qualidade de vida desses países com o EUA, e não é difícil imaginar qual medicina está "em crise". Se o problema da saúde não fosse sério, não haveria uma demanda popular por candidatos que fazem a sua plataforma em acesso mais popular à saúde.
      - A saúde é complexa, envolve nutrição, envolve genética, envolve custos altos, envolve interesses corporativos, envolve uma mudança de paradigma para prevenção, envolve os hábitos não saudáveis estimulados por excesso de trabalho, excesso de conexão a eletrônicos, etc. Logo, qualquer país terá problemas em relação à saúde e como financiá-la, mas no mundo desenvolvido os EUA parecem ser disparados o pior.

      - Não tenho a menor dúvida de que essa dinheirama seria melhor que ficasse no bolso dos pagadores de impostos. Porém, entre fazer uma guerra estúpida, que jogou uma região inteira no caos, destabilizou países e regimes, ceifou a vida de centenas de milhares de civis e trouxe um sofrimento atroz, faria muito mais sentido ter colocado esse dinheiro na saúde e educação dos próprios americanos. Não falo nem o que esse dinheiro não poderia fazer se alocado em ciência médica preventiva, em ajuda a países para tratar doenças neglicenciadas, saneamento, combate a extrema pobreza, etc, pois estaríamos num mundo tão melhor que não vale a pena nem pensar.

      Um abs!

      obs: acabei me alongando

      Excluir
    5. Só pra encerrar, o que você acha da hipocrisia do Sandes em ter ficado milionário escrevendo livros criticando quem é milionário?
      E o fato de defender a socialização da riqueza alheia ao invés de socializar sua própria riqueza?

      https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=3013

      https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/bernie-sanders-e-capitalista-quer-ele-goste-ou-nao/amp/

      Excluir
    6. Olá, colega. Você leu todos os links disponibilizados pelo primeiro artigo? Eu li, rapidamente. Pude constatar que em algum deles o que é dito no texto (no artigo do mises) não é exatamente o que é retratado nos links.
      Dou dois exemplos: Do texto : "e um contumaz defensor do regime venezuelano" -
      Texto do link fornecido: "Sanders did not embrace Maduro in his Tuesday interview with Univision’s Jorge Ramos, who quickly touched on Guaidó being declared the interim president of Venezuela by the nation’s National Assembly following Maduro’s questionable election.
      But when he was asked whether he recognized Guaidó as the legitimate leader of the country, Sanders answered, “No.”
      "There are serious questions about the recent election. There are many people who feel it was a fraudulent election," Sanders added.
      In a follow-up question, Ramos asked Sanders if he thought Maduro is a dictator who should step down. Sanders refused to say yes or no.
      "I think clearly he has been very, very abusive,” Sanders replied. “That is a decision of the Venezuelan people, so I think, Jorge, there's got to be a free and fair election. But what must not happen is that the United States must not use military force and intervene again as it has done in the past in Latin America, as you recall, whether it was Chile or Brazil or the Dominican Republic or Guatemala.”
      Sanders also said that he believes “the United States has got to work with the international community to make sure that there is a free and fair election in Venezuela.”

      "sendo que ele próprio possui três mansões" - do texto
      Do link para a afirmação do texto: https://www.vanityfair.com/news/2016/08/bernie-sanders-summer-house?verso=true
      "Vermont magazine Seven Days reported Tuesday that the 74-year-old senator and his wife, Jane Sanders, have purchased a four-bedroom house on the shore of Lake Champlain for roughly $600,000. Jane told Seven Days that they had recently sold a house in Maine that had belonged to her family since the 1900s, and used the proceeds to purchase the new property, which is located in North Hero (population 803, as of the 2010 census). With this purchase, Sanders now owns at least three houses, the othersbeing in Burlington, VT, and Capitol Hill in D.C.
      Sanders, an outspoken advocate for the working class who spent his 2016 presidential primary campaign railing against income inequality, remains one of the poorer members of Congress, and his net worth is among the lowest in the Senate. His 2014 tax returnsrevealed that he and Jane made $205,617 that year, the bulk of which came from Sanders’s $174,000 Senate salary. (Jane, who previously made about $160,000 a year as the president of Burlington College, retired in 2011.) Technically, Bernie’s salary places him in the top 4 percent of income earners, enough to purchase a nice lakefront retirement property with "

      Excluir
    7. Isso, o que eles fizeram no texto, com todo o respeito não é uma busca sincera pela verdade, ou por um melhor entendimento da realidade. O uso de distorções e de palavras (colocando links que em nada suportam o que foi dito) é sendo benevolente desinformação, ou num extremo maior, simples má-fé, para que uma determinada ideia triunfe, independente se a realidade e os fatos serão atropelados.

      Não é isso que procuro fazer aqui, e não é isso que me interessa. Políticos, ideias, não são nada importantes para mim. Minha saúde, minha filha, minha mulher, isso sim são o que realmente importa. Quando se trata de políticos, ideias sobre economia, geopolítica, eu apenas quero melhorar o meu entendimento da realidade. Porém, quanto mais se analisa vieses cognitivos, a intricada história humana, a complexidade de cada indivíduo, mais fica claro para mim quão complicado tudo isso é.

      Como dito, eu não conheço Sanders, não dediquei tempo para pesquisar sobre ele, mas bastou clicar nos links do artigo referendado por você para descobrir que ele é um dos senadores mais "pobres" do senado federal americano, por exemplo.
      Se ele é ou foi hipócrita, se ele é ou foi infiel, se ele é ou foi um bom senador, se ele é ou foi um bom pai de família, são coisas que não tenho a menor condição de comentar. Porém, como comentado, é evidente que ele , a história de vida dele, é muito maior do que a sua definição estreita.

      Um abs!

      Excluir
  4. Gostei do texto.

    E olha a coincidência: hoje comecei o podcast da folha o parei justamente no do Rodrigues Alves rs

    Eu tendo a achar que um extremo atrai o outro. E suspeito que é isso que o Bolsonaro vai fazer: atrair a extrema esquerda. Da mesma forma que o PT (centro esquerda) atraiu o Bolsonaro, acho que o Bolsonaro agora vai eleger uma extrema esquerda mais cedo ou mais tarde.

    No mais, recomendo a série diagnóstico. O episódio 6 tem um caso muito interessante do sistema complexo do corpo humano.

    Abç

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, colega. É interessante o podcast né? Eu achei muito bem-feito mesmo, e cheio de curiosidades.
      Essa série encontro onde?
      Um abs!

      Excluir
    2. Tem na Netflix. Diagnosis.

      Excluir
  5. Seria muito simplificado dizer que se FERNANDEZ e CRISTINA ganharem será um caos na Argentina ?
    Será o mercado muito estupido quando o Merval despencou no dia seguinte às prévias da eleição Argentina?
    Por fim: vc é cliente da Folha de SP?! Ah vá!!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, colega. Sim, seria simplificado. Porém, o ponto não é nem esse, o ponto é que o presente não é necessariamente uma prévia do que será o futuro. Além do mais, dizer isso não vai de longe nas causas, ou tenta entender a complexidade do que é o "sistema" Argentina. Pior tende a trazer simplificação de meme para entender outro "sistema" complexo chamado Brasil. Pior ainda, se mesmo acharmos que a Argentina se tornará um caos, é acreditar que interferindo ainda mais num sistema complexo como é o Brasil, de alguma maneira isso seja um "antídoto" para o que está para acontecer na Argentina. É simplificação e pensamento de meme juntos. Aliás, você sabe de onde vem a palavra meme? Vem de Richard Dawkins do seu livro o "Gene Egoísta" da década de 70, capítulo 11, onde ele traz a ideia de uma nova entidade auto-replicadora (sem ser o Gene) e seria o Meme.

      Você quer uma discussão sobre mercados eficientes? Se procurar nesse espaço vai ver que tentei fazer uma discussão mais técnica sobre a teoria dos mercados eficientes. Técnica no sentido de um leigo. Procure um artigo onde eu comento o prêmio nobel que foi dado para dois economistas com visões distintas a respeito do tema.

      Se eu sou cliente da folha de sp? Não, não sou, eu basicamente passo o dia fazendo atividades cotidianas e ouvindo podcasts , quase todos eles em Inglês.

      Um abs!

      Excluir
  6. Imagine se a esquerda se unisse à direita contra essa extrema direita eleita. Interessante seria, nao?
    Talvez a saída menos traumática, com pessoas se unindo em um bem maior.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, colega.
      Eu não creio no curto-médio prazo saída para a solução que o Brasil está fazendo com suas próprias instituições.
      Um abs!

      Excluir
  7. Bom dia Soul.

    Complicado mesmo é termos extremos. Nem de um lado e nem de outro os extremos são interessantes, mas o interessante é que o mundo "vira" a chave de forma abrupta e não raramente.

    Aqui no Brasil após 4 mandatos do PT era até saudável que um governo liberal e de tendencia direitista assumisse : faz-se um contraponto. O que vejo aqui é algo mais comlpicado : uma esquerda ultra-radical que torce contra pois baseia-se no quanto pior melhor; e ao mesmo tempo um governo com alguns integrantes tecnicamente muito bons (Paulo Guedes, por exemplo) sob comando de uma pessoa que se elegeu discursando diretamente com seu ID e sem o superego para freiar. Tal qual Lula, está no poder mas parece estar em campanha. Mete os pés pelas mãos e atrapalha o proprio governo.

    Se pudesse voltar no tempo? Votaria nele de novo, pois não havia outra opção para derrotar o PT. Amoedo? Não estava convencido, mas não derrotaria o PT. Alvaro Dias? Tampouco. Meireles? Gosto dele, mas de novo, não derrotaria o PT.

    De volta ao seu texto, concordo que os sistemas são muito complexos e distintos, mas creio que haja um paralelo que se possa traçar entre a realidade argentina e a brasileira, não acha?

    Na década de 80 e de 90, durante muito tempo Brasil e Argentina foram "efeito Orloff" um do outro.

    A Argentina conseguiu ser pior na eleição de seus políticos, conseguiu destruir a boa educação de seu povo, conseguiu jogar fora sua auto-suficiencia e fez a burrada de no inicio de 80´s guerrear com a Inglaterra.

    E por mais críticas e reservas que tenho, um divisor de agua entre os dois países foi a criação aqui do plano Real. Foi quando realmente os países se distanciaram de suas respectivas realidades, e o efeito Orloff deixou de existir.

    Um abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Guardião.
      - Claro, amigo, você tem todo o direito de ter votado em quem quer que seja, e ainda bem que seja assim. Todos os citados por você (até mesmo o Álvaro Dias) são muito melhores do que o Bolsonaro. Aliás, todos os candidatos, em qualquer espectro ideológico, eram melhores do que ele. Eu, e não estou sendo irônico, creio que até mesmo o Cabo Daciolo era mais ponderado do que ele. Mas essa é minha opinião apenas.
      - Eu não entendo essa obsessão com o Lula, sério mesmo, é algo que acho "curioso". O cara não é presidente há quase 10 anos, está preso, foi submetido a exacração pública, mas mesmo assim ele sempre vem à tona. É no mínimo curioso.

      - Se há um paralelo? Guardião, eu poderia escrever um texto de umas 10 páginas só sobre essa sua afirmação. De como há acertos e erros implícitos nela. Sempre há algum paralelo entre duas coisas que tenham alguma semelhança. Se eu procurar, vou achar algum paralelo entre o Brasil e o Vietnã. Tudo depende de contextualização, e isso está bem fresco na minha mente, pois estou lendo o excelente novo livro do Michael Lewis (famoso escritor sobre wall sreet) e a história de vida dos grandes Daniel Kahneman e Amos Tversky, e estou bem na parte onde Amos tem o grande insight de que os seres humanos não comparam necessariamente a qualidade intrínseca de duas coisas, mas sim como o julgamento de comparação entre duas coisas é alterado substancialmente pelo contexto e classificação que arbitrariamente são impostos aos objetos.
      Sendo assim, é evidente que dois países que são vizinhos da mesma região, que gostam de futebol, que partilham de ideias comuns, com línguas aparentadas, vão ter muito paralelos.
      Entretanto, como são duas sociedades distintas, terão também muitas dessemelhanças. Se uma pessoa quer confirmar o que acredita ser verdade (vide viés de confirmação) é muito provável que ela veja as semelhanças ou dessemelhanças que apenas confirmem suas ideias prévias.
      Sem entender isso, sem entender que nossos juízos são condicionados por esses processos inconscientes, é apenas falar mais do mesmo, é se pautar por ideias de memes, em minha opinião.

      - O caso de declínio da Argentina vem de muito tempo, vem desde 1900. É provável que haja muitas explicações, e eu de longe não tenho conhecimento para dizer quais foram, me falta um conhecimento até mesmo grosseiro sobre a cultura, história, geografia da Argentina. Se eu te perguntar quantas províncias tem na Argentina, se há diferenças entre o norte e o sul, você saberia explanar? Eu creio que não. Se assim o é, fica difícil falarmos sobre toda a complexidade um país, para onde vai, para onde poderia ter ido, etc. Podemos apenas opinar da maneira mais superficial possível.

      - Sim, o plano real foi um marco importante na história de nosso país. Porém a ideologia dominante, ao menos no governo, é tão esquisita que o FHC virou comunista e nada do que foi feito no país nos últimos 30 anos prestou, sendo que o caos econômico, social, etc, foi entregue ao povo pelo regime militar que o governo atual parece gostar tanto.

      Um abs guardião!

      Excluir
    2. Soul ao comparar o Bolsonaro com políticos adversos creio que você cai nos mesmos conceitos de nomes complicados apresentados por Taleb. Você avalia apenas as características exteriores e negativas fortes do Bolsonaro na sua posição, porém você desconsidera efeitos importantes que talvez sem eles poderiamos ter problemas(qualquer presidente fosse). Primeiro ponto: Equipe. Bolsonaro montou uma boa equipe(a melhor que ja tivemos provavelmente em áreas chaves e tem colhido resultados graças a isso, será que os outros políticos seriam capazes e qual o efeito disso se nao fosse feito?). Segundo ponto:Disposição a fazer reformas e inabilidade política. O primeiro nao se discute a importância e sabemos bem que nao eram todos os candidatos dispostos a isso, porém o segundo é importante pois graças a isso o legislativo começou a tocar as reformas por conta própria e isso pode ser positivo.
      Relações humanas e ainda mais quando estatais são complexas, temos o governo que merecemos porém entre governos e governos estaremos sempre lutando do nosso próprio lado pela nossa visão de mundo.

      Excluir
    3. Olá, colega.
      - então no texto creio que trato de assuntos muito mais interessantes (iatrogenia, hormese, etc), mas Trump, Bolsonaro, Lula, são como magnéticos, basta citar em uma linha que tudo vai para essas discussões menores.
      - "Você avalia apenas as características exteriores e negativas fortes do Bolsonaro na sua posição, porém você desconsidera efeitos importantes que talvez sem eles poderiamos ter problemas" - não é verdade. No último artigo que escrevi sobre Brasil, expressamente consignei esse fato (as medidas interessantes na economia).
      - "a melhor equipe que já tivemos" - isso eu não saberia analisar se essa é a melhor equipe econômica desde a década de 50, por exemplo. E se esse melhor é fácil de quantificar. Se quer dizer que há pessoas com qualificação técnica, sim, é verdade.
      - "será que os outros políticos seriam capazes", vários assessores econômicos de vários candidatos foram entrevistados, e vários falavam em diversas reformas. Isso falando dos canditados, se for de políticos em geral, Lula chamou um político da oposição para ser um dos homens fortes da economia (Meireles). Isso eu tenho certeza que alguém como Bolsonaro não faria, como já demonstra as várias demissões que vem ocorrendo por "ausência de compatibilidade ideológica".
      - Reformas. A da previdência meio que se impôs, querendo o governo ou não. Aliás, Bolsonaro mais atrapalhou do que ajudou. Reformas da previdência ocorreram no Lula, na Dilma, no FHC, é mais do que natural que haja reformas, não há nada de novo nesse fenômeno.

      Um abs!

      Excluir
    4. Soul Surfer,

      Você como um homem culto de classe média-alta não sabe como o lulismo é nocivo para o próprio desenvolvimento financeiro e até mesmo intelectual.

      More em uma cidade como a minha onde +90% votou em Fernando Haddad e se você discordar de um ponto da doutrina você é tido como um "pobre traidor/bolsomininon/nazifascista/opressor".

      Embora a direita também tenha seus podres, ela não é como a esquerda que não quer que um pobre ascenda verdadeiramente. A esquerda quer igualdade, que todos fiquem pobres e a mercê do estado.

      Sei que você virá com uma resposta perguntando que minha percepção acerca é vaga, generalista, pobre e exagerada mas não é não, é que não quero ficar digitando textos gigantes pois estou sem tempo.

      Excluir
    5. Em geral é isso.

      Excluir
    6. Opa, amigo, se você diz que votou no bolsonaro e por isso é chamado de "nazifascista" isso é obviamente muito ruim. Para mim é apenas sinal da deterioração das relações públicas entre os cidadãos.
      A sua percepção é a sua percepção e para você ela é única e imprescindível.
      Um abs!

      Excluir
    7. Eu não votei no Bolsonaro por n razões. Mas o fato de não ter votado em Haddad fez com que a maioria das pessoas me classificasse automaticamente como eleitor do outro.

      Eu não votei no Haddad pois não queria a volta da esquerda brasileira ao poder. Mas também não votei no Bolsonaro porque a "direita" que ele defende e deu fôlego no país também é extremamente nociva e inconsequente.

      Essa polarização é muito chata, e quando é cidade pequena então. Na universidade também, eu não sou a favor dos cortes - até porque dependo de uma educação pública -, mas concordo que há uma doutrinação, mesmo que de forma indireta. Eu faço curso em uma.

      Liberdade de expressão dentro de uma instituição de ensino superior pública só e válida para ideias do rol da esquerda. Na escola nunca vi essas coisas, mas aqui eu vejo demais.

      Simultaneamente, alguns bolsonaristas fanáticos também me atacam por causa da minha opinião contrária ao governo. Mas, fora da internet, esses são minoria. Aqueles, maioria.

      Excluir
  8. Da argentina sei que cada vez mais caminham para o buraco, repetir erros do passado não é um bom sinal. Deveriam ter partido para um novo caminho, porém nao acompanho a política local e de certo nao tenho certeza dessas possibilidades, provavelmente ficariam em mais do mesmo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, colega.
      O que mais fazemos, enquanto humanos, é repetir erros. É da nossa natureza. A IA talvez corrija isso, e talvez nós mesmos, humanos, nos tornemos dispensáveis.
      Um abs!

      Excluir
    2. A IA ainda tem muito o que evoluir.

      Ela aprende bem, mas aprende também com humanos. E daí surgem padrões humanos não éticos.

      Felizmente os cientistas de hoje, em sua maioria, se preocupam com isso. E é um tópico sendo estudado. Vale a pena ver artigos sobre NLP (processamento de linguagem natural) e bias (principalmente com questões de gênero).

      Excluir
    3. Olá, colega.
      Sim, IA tem muito o que evoluir. A preocupação é se ela realmente evoluir de maneira espetacular, o que pode acontecer com o mundo e os humanos.
      Sim, a questão dos Biases nos algoritmos de IA é tratado por alguns cientistas, já vi algumas palestras a respeito.
      Um abs!

      Excluir
  9. Grande Soul, obrigado por nos brindar com um post tão rico.

    Falei de forma superficial na semana passada sobre os sinais vindos da Argentina, não como uma análise profunda sobre nossos irmãos, mas para chamar a atenção que de uma hora para a outra tudo pode mudar, de forma que temos que avaliar os riscos e diversificar investimentos em outros locais e moedas. Sigo investindo com força nos ETFs no exterior que já discutimos anteriormente.

    Li o livro "A Lógica do Cisne Negro" e estou utilizando muitos dos conceitos, sobretudo a aleatoriedade, para muitos aspectos da minha vida pessoal e profissional, em um trabalho profundo de auto-conhecimento que estou fazendo.

    Não me lembro se estes conceitos de Hormese e Iatrogenia são tratados de forma muito profunda no referido livro, mas de qualquer forma achei excelente a abordagem e explica, de maneira lógica, vários dos fatos que vem ocorrendo na política.

    Infelizmente os extremos são muito danosos e trazem consequencias graves para o futuro. O pior é que não vejo muito luz no fim do tunel a não ser uma intensificação do discurso extremista (direita ou esquerda) e temo até onde isso vai chegar antes de voltarmos para um tom mais moderado. Muitas vezes isso só acaba com guerras ou situações de choque (como golpes e ditaduras).

    Nos resta, como investidores e pais de família, diversificarmos nossos riscos e criarmos planos alternativos de acordo com o andamento e as possibilidades que nos são apresentadas.

    Forte abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, E.I.
      Sim, colega, claro que é possível temos deterioração por aqui, e os Argentinos podem até ter deteriorações piores. Há diversos tipos de deteriorações num agrupamento humano, e com certeza nosso país é mais frágil do que uma Alemanha, mas mais robusto do que uma República Democrática do Congo.
      Siga aportando em ETFs no exterior que é um caminho lógico, racional e inteligente para diversificar o risco doméstico.

      Sobre extremos, não necessariamente um caminho do meio (apesar do sagrado caminho do meio de Buda) ser a melhor resposta para tudo. Não há meio termo para escravidão humana, por exemplo, ela deve ser condenada como abjeta, e isso pode não parecer, mas é uma posição extremada em relação a hipotética pergunta "é possível e moral ter escravos humanos?".
      Agora, em boa parte das questões, especialmente as políticas, extremismos não costumam ser a melhor saída e tendem a não produzir resultados bons.
      Sim, E.I., situações extremadas na política às vezes acabam em golpes, guerras civis, ou talvez apenas numa bagunça generalizada institucional (espero não ser esse o destino do Brasil em curto-médio prazo).

      Um abs!

      Excluir
  10. https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5638:10-principais-causas-de-morte-no-mundo&Itemid=0

    Olha esses dados , queria que você divagasse sobre isso.

    ResponderExcluir
  11. Olá Soul. Eu sempre acreditei, e continuo acreditando, que o mundo funciona em ciclos e o que está acontecendo hoje aqui, na Argentina, nos USA, Europa etc, já aconteceu e acontecerá novamente em algum momento no futuro. Interessante como alguns investidores renomados têm feito vários paralelos entre a situação política e econômica atual e os anos 30: Paul Tudor Jones, Jim Rogers, Ray Dalio.
    Concordo totalmente com você especialmente na questão da iatrogenia e como algumas ações que temos visto por aqui podem nos levar para um outro extremo ainda pior. Porém, sempre vi nos seus artigos sobre política e economia uma idéia meio ingênua de que existe escolha, de que os brasileiros (ou argentinos, ou norte americanos etc) podem de alguma maneira mudar algo antes que a catástrofe ocorra. E me pergunto se alguma vez na história a humanidade se autocorrigiu antes de ser forçada a tal por algum evento verdadeiramente traumático e/ou catastrófico. Acredito que não, e isso seja uma característica da espécie humana que continuará a existir enquanto existirmos.

    ResponderExcluir
  12. Os livros do Taleb são muito bons, mostram como criar carteira de investimentos antifrageis que se beneficiam da crise.

    Abraço e bons investimentos.

    ResponderExcluir
  13. Bom post amigo.
    Não concordo muito com você mas sempre valem a pena as suas reflexões pq vc é assertivo e mt distante da esquerda raivosa do Brasil. Seu blog é um dos poucos lugares onde existe pelo menos a sombra de um diálogo. E a gente aprende muitas outras fontes aqui apenas num post.

    Abração.

    ResponderExcluir
  14. Concordo com quase todos os pontos!

    Forte abraço e um beijo grande!

    ResponderExcluir
  15. Texto muito bom refletindo busca de conhecimentos. Mas veja só; não esquento a cabeça com mudanças políticas e nem econômicas. Faço o simples:

    Continuo investindo em casinhas de aluguel. Comprei, seguindo uma postagem que fiz anteriormente, uma casa velha, derrubei e já estou bem encaminhado na construção.

    Nem acompanho direito noticias políticas/econômicas. Coto preço de bloco/cimento e areia além da mão de obra.

    ResponderExcluir
  16. Concordo plenamente com os conceitos apresentados!
    No caso do Brasil, quando Bolsonaro foi eleito comentei com todos meus parentes que era uma faca de 2 gumes que poderia tanto acabar com a esquerda de vez, quanto dar mais força ainda para a esquerda nas próximas eleições....

    Aproveitando, Eu sou o Riquinho, voltei à postar (e agora com a força toda), mas mudei o nome do blog para Tubarão Investidor. Como sempre, você está no meu blogroll.
    Se puder atualizar meu site no seu blogroll eu agradeço!

    #TubarãoInvestidor #NãoSouSardinha #Rumoaomilhão

    Blog - www.tubaraoinvestidor.wordpress.com
    Instagram - @tubaraoinvestidor
    Twitter- @tubaraoinvest

    ResponderExcluir
  17. Bom dia!

    Grato pelas reflexões! Excelentes textos! Todavia, faço uma ressalva quanto ao processo de adaptação muscular suscitado no exemplo de homerse. A hipertrofia constitui o principal mecanismo adaptativo na fibra muscular. A hiperplasia de células musculares em humanos, contudo, tem poucas evidências e os mecanismos envolvidos são pouco elucidados.
    Em adendo, o mundo necessita de mais pessoas que possuam um "modus operandi" na forma de pensar que objetive esta sua visão sistêmica.

    ResponderExcluir
  18. "Siga aportando em ETFs no exterior que é um caminho lógico, racional e inteligente para diversificar o risco doméstico."
    Soul, quais ETFs você tem no exterior? Valeu

    ResponderExcluir