domingo, 29 de maio de 2016

BRASIL - A CRIAÇÃO DE UM AMBIENTE DE MALDADE (SOBRE CRIMES E ESTUPROS)

  Olá, colegas. Aproveitando que estou dois dias sem fazer muita coisa , pude colorar algumas coisas em dia e escrever um pouco também. Estou na ilha de Jeju, extremo sul da Coréia do Sul. Alguns dizem que é o Havaí da Ásia, não chegaria a tanto, apesar de não conhecer a ilha americana. Muita chuva e em modo de espera, porque o voo era bem mais barato dia de semana. É bom poder descansar um pouco do ritmo às vezes intenso da viagem.  Neste artigo,  escrevo sobre a cultura da maldade que se manifesta em nosso país. Resolvi abordar esse tema, principalmente por causa do alegado relato de estupro de uma adolescente por mais de 30 homens.

  Nós brasileiros, enquanto sociedade, cultivamos o mal que há em cada ser humano. Não há qualquer dúvida em relação a isso. Se não acredita, basta ver os relacionamentos doentios que se desenrolam na internet , no trânsito ou em situações banais do dia a dia. O ódio é uma doença e afeta sobremaneira a vida das pessoas. É o ódio por uma opinião diferente, é a raiva por um outro motorista no trânsito, é o ódio contra pretensos criminosos, o ódio contra alguma agremiação política. Talvez por estar fora um determinado tempo e ter a oportunidade de conviver com tantas pessoas de culturas diferentes, é assustador para mim quando eu vejo como os brasileiros em sua maioria estão cedendo à raiva e ao ódio.

 Antes de mais nada, isso é um sinal de fraqueza, não de força. Há uma cena muito bacana no filme “A Lista de Schinder”, quando Schindler já está no processo de salvar vidas e ele tenta convencer o Comandante do campo de concentração de Cracóvia (Amon Goth - interpretado por um dos melhores atores vivos atualmente -Ralph Finnes) de que poder era o ato de perdoar, não de matar. Ele faz a alusão com imperadores romanos, onde eles tinham o poder de decidir quem viveria ou não, e que a capacidade de  perdoar alguém que cometeu alguma ilegalidade, esse era o verdadeiro poder. Era uma tentativa de Schindler de atenuar o comportamento homicida de Amon, e as cenas sucessivas são muito interessantes no filme.

 Logo, se você sucumbe ao ódio, você é um fraco. Muitos anônimos, e alguns que se indentificam com certos nomes, acham que mensagens raivosas direcionadas a mim de alguma maneira me ofendem. É um erro. Essas mensagens só me mostram a fraqueza deles, e eu sinto vontade de ajudá-los. Um até mesmo me perguntou “como você pode desejar o bem de alguém que disse odiar você?”. Essa pergunta me fez refletir, o quão arraigada a cultura do mal pode estar numa pessoa e numa sociedade inteira. Como a falta de empatia pode ser uma constante na vida de tantos, e quando são confrontados com isso, simplesmente ficam confusos, não tem respostas, pois tudo o que é dito a eles  que existe são mensagens de raiva e ódio. Sentirmos raiva é normal. É por isso que há períodos de luto, quando alguma grande tragédia acontece. Isso é normal e humano. Quando a raiva se torna uma constante em nossa vida, isso não é normal, isso é sintoma de uma doença.

  Todos os comentadores de política, todos os blogueiros sejam de finanças ou não, todo mundo que se interessa minimamente pelo assunto diz em uníssono: “é preciso uma reforma política, se quisermos melhorar a qualidade dos nossos políticos”. Eu concordo. O que está por trás desse raciocínio? A ideia de que a maneira como as nossas estruturas políticas, partidárias e eleitorais estão configuradas são um grande incentivo para desvios de condutas. Isso é uma consequência lógica da afirmação sobre a necessidade de reforma política. Ora, se os políticos sempre se comportassem bem, não haveria necessidade de qualquer reforma. Qualquer sistema serve. Se os políticos sempre se comportarem mal, qualquer reforma sempre será ineficaz. Logo, acreditar que uma reforma política pode melhorar a qualidade de representação da nossa política, implica necessariamente, sob pena de contradição lógica, aceitar a ideia de que a forma como um determinado meio (instituições políticas) é estruturada causa uma determinada consequência (políticos melhores ou piores). 

  “Isso é evidente, Soul! E daí?”. Então, porque há tanta dificuldade de aceitar que nossos comportamentos nas mais variadas esferas são influenciados pelo meio que vivemos? Isso não é novo. O Buda Histórico disse isso há mais de 2500 anos, ao sugerir o caminho óctuplo para se atingir  nirvana. Ele sugeriu falar corretamente, agir corretamente, pensar corretamente, etc. Ele sabia que como nós estruturamos nosso entorno tem influencia direta em quem nos tornamos. Como atingir um estado maior enquanto ser humano, se minhas falas e pensamentos não são adequados? Como atingir um estado de felicidade, se minhas falas e pensamentos são infelizes? O que as pessoas chamam de pensamento positivo, nada mais é do que uma consequência do que Buda disse há muito tempo. Muitos precisam passar por muitas situações na vida, ver que se vitimizar, ter pensamentos destrutivos em relação a si e a outros não leva a absolutamente a nenhum lugar, para daí começar a perceber o quão poderosa é essa mensagem.

  O caso da menina aparentemente estuprada revela muitas nuances da nossa sociedade, muitas mesmos. Primeiramente, que as pessoas estão cada vez mais apressadas para fazer juízos de valor. Não importa se são acurados ou não. Se são reais ou não. Pessoas assim, e é realmente muito perigoso quando uma sociedade inteira se porta dessa maneira, são facilmente manipuláveis.  Elas podem bater panelas, “desbater" panelas, destruir vida de pessoas, simplesmente sendo induzidas para agir dessa forma, independentemente da força ou acurácia das informações. Logo,  no caso em comento, a polícia está correta em ter mínimas informações antes de tomar qualquer medida, principalmente se há notícia de informações conflitantes. O papel da polícia , e de qualquer órgão de controle como o MP ou o Judiciário, não é ser um vingador da emoção das pessoas, mas sim recolher evidências, fazer ilações lógicas e tomar as medidas preventivas que julgar necessárias para o esclarecimento de um alegado crime.

  O outro aspecto que fica evidente é a polarização sem sentido, acrítica e absurda de qualquer tema no Brasil. Um caso horroroso de estupro, ou de exposição indevida de uma adolescente (caso não tenha havido o estupro), vira um debate entre esquerda e direita, entre feministas “alopradas" e pessoas tidas como “conscientes”, entre libertários e estadistas, é um verdadeiro show de horror.

 Um terceiro aspecto é como as pessoas gostam de respostas simples. Isso é normal, isso é humano. Nada mais é do que o nosso sistema 1, o nosso sistema automático e mais preguiçoso de analisar o mundo, em plena ação. Uma resposta é porque vivemos numa sociedade machista. Isso é verdadeiro e muito real, mas isso pode explicar 50 mil estupros por ano? A outra é que não somos uma sociedade machista, e estes atos são praticados por pessoas más, “vagabundos”, mas pode isso explicar 50 mil estupros anuais?

  Primeiramente, se foram 50 mil estupros no ano de 2014, o número atual deve ser muitas vezes maior. 50 mil são os casos reportados, a quantidade de mulheres que não fala nada por medo de represálias sociais ou até mesmo físicas, deve ser enorme. Quantos casos de estupro? 150 mil, 200 mil por ano? Não sei, o número qualquer que seja é mais ou menos horripilante a depender das estimativas, mas vamos nos ater ao número oficial.

 O problema com a teoria dos “monstros" é que ela não se sustenta do ponto de vista lógico, nem estatístico. Não lembro quando foi, não sei se estava já namorando minha companheira, mas lembro-me de uma notícia tenebrosa. Um bando de pessoas armadas parou um ônibus de turismo vindo de Curitiba em direção ao Rio de Janeiro na entrada da cidade. Eles tocaram fogo no ônibus com as pessoas dentro, e várias tiveram queimaduras sérias, não recordo se alguma faleceu. Minha companheira uma vez pegou essa linha de ônibus, poderia ser ela, por um azar do destino, a pessoa a ter queimaduras sérias. Meu primeiro pensamento foi “isso foi obra de monstros, como alguém pode colocar fogo num ônibus com pessoas dentro ao esmo?”. 

  Mas daí, eu pensei “qual é a probabilidade estatística de várias pessoas realmente más existirem e habitarem o mesmo local?”. Vou partir do pressuposto de que existam pessoas muito más por natureza, seja o que essa expressão pode significar (e eu tenho vários “poréns” em relação a este assunto). Se isso é verdade, só pode ser um desvio genético , a pessoa nasceu com esta maldade inata. Se este fato também é verdadeiro, pessoas más devem nascer todos os anos em vários lugares do mundo. Assim, um maníaco do parque (lembram-se dele?) pode existir porque ele é inerentemente mau. Esta pode ser uma explicação. Agora, se 30 maníacos do parque existissem no mesmo bairro numa mesma cidade, alguma coisa estaria errada com a teoria dos “monstros”, pois não faz o menor sentido do ponto de vista estatístico, diversas pessoas más nascendo e vivendo no mesmo local. 

  Se assim também o é, por qual motivo se vê menos violência na Nova Zelândia ou na Austrália? Aliás, quase não se observa esse tipo de violência nos países citados. Não há pessoas más lá? Parece-me que a teoria “dos monstros” é no mínimo manca para dizer o mínimo. Parece que o ambiente onde as pessoas estão inseridas faz sim toda a diferença. A explicação apenas do caráter individual não é suficiente para explicar por qual motivo países se tornam extremamente violentos. A explicação dos “monstros" também é conveniente, pois é fácil, cria a ilusão de que é um problema em que nós não temos nenhuma responsabilidade. Já tratei sobre a noção de cidadão de bem (Cidadão de Bem?), e como ela não se sustenta em pé depois de uma análise mais criteriosa.  

  Por outro lado, e aqui muitas pessoas erram, as pessoas são responsáveis pelos seus atos. Se assim não o fosse, não seria possível estruturar uma sociedade. Logo, se alguém participa de um estupro coletivo, essa pessoa fez um ato abominável e precisa ser responsabilizada por sua conduta individual. Não se trata, como quase todos os textos sobre o tema, entre uma dicotomia entre responsabilidade individual e ausência de responsabilidade individual.  É reconhecer que somos responsáveis por nossos atos, enquanto seres humanos com personalidades individuais, mas reconhecer que o ambiente onde estamos inseridos pode exercer uma grande influência nos comportamentos individuais, seja para o mal ou para o bem.

  Num livro que li recentemente chamado “ The Tipping Point” (li outro semana passada do mesmo autor chamado “Outliers" que é simplesmente fabuloso), há uma abordagem muito interessante sobre a teoria criminal chamada “Broken Windows” e a resolução da violência na cidade de New York. O capítulo sobre esse tema é muito interessante mesmo, e recomendo a leitura, já que o livro foi traduzido para o português. Basicamente, a teoria diz que se há uma janela quebrada (daí o nome) e ela não é consertada imediatamente, isso dá uma sensação para as pessoas de que a ordem não é respeitada no local. Em pouco tempo, outras janelas estarão quebradas, num processo que se auto-alimentará até que haja paredes pichadas e o sentimento de desordem aumente cada vez mais, levando ao cometimento de crimes cada vez mais sérios.

  Na cidade de Nova York na década de 80, a quantidade de crimes cometidos no metrô era enorme. Ninguém conseguia solucionar o problema. Os vagões eram todos pichados, muitas pessoas pulavam as catracas, e crimes graves como estupros aconteciam. Até que um dia um novo secretário de segurança veio com uma ideia radical. Adepto da teoria do broken windows, ele determinou que todos os vagões fossem limpos imediatamente. Se o vagão fosse pichado novamente, no mesmo dia ele deveria ser limpo. Se acontecesse de novo no outro dia, ele deveria ser reparado na mesma noite.  O responsável pela segurança da cidade colocou vários policiais, sobre protesto dos mesmos, em estações do metrô para impedir que pessoas pulassem a catraca sem pagar. “Por qual motivo policiais vão ficar aqui impedindo esses crimes menores, quando há crimes maiores sendo praticados” protestavam os policiais. A mensagem era clara: não seriam admitidos crimes menores no metrô, o ambiente de ordem seria restaurado.

  Para surpresa e assombro de muitos, funcionou. A taxa de crimes diminuiu drasticamente no metrô de NY. Evidentemente, outros fatores influenciaram, como sempre é o caso em questões complexas, mas ficou claro de que o ambiente em que as pessoas estão inseridas pode ser um inibidor ou catalisador de ações violentas. Uma vagão de metrô sujo pode ser a porta de entrada para crimes maiores.

  Se assim é verdade, o Brasil está proporcionando diversas “portas de entrada” para crimes maiores. Nós nas mais diversas relações estamos cultivando a maldade, não a bondade. Como querer que os seres humanos se comportem bem num ambiente tão carregado assim? Pense nisso  na próxima vez que quiser compartilhar alguma coisa na internet com dizeres agressivos como “imbecil, idiota”, etc. Pense nisso quando dizer que quer a morte ou a destruição de pessoas. Pensemos nisso quando formos tolerantes com pequenos delitos. A corrupção de um servidor para uma licença de funcionamento aqui, uma furada de fila acolá, uma pequena andada pelo acostamento “pois estou atrasado para o trabalho” e tantos desvios que estamos nos acostumando.

  Precisamos parar com o comportamento de maldade e ofensas no Brasil. Cada um tem uma responsabilidade nisso. Isso quer dizer que se você não ofender as pessoas, os estupros vão parar? Evidentemente que não, colega. É apenas um passo na solução de um problema que é dos mais complexos. Se 30 indivíduos resolvem colocar fogo com ser humanos como eles dentro de um ônibus, alguma coisa de profundamente errada está acontecendo com o país e com o ambiente dessas pessoas. Essas 30 pessoas continuam sendo responsáveis por seus atos, elas devem ser responsabilizadas no limite que a lei estabelece. Não há solução para o arrefecimento dos crimes no país, se não houver responsabilização de agentes que cometem crimes brutais. Agora, não se iludam que a solução nunca poderá ser apenas policial. Vão colocar 50 mil estupradores na cadeia? 150 mil se todas as mulheres reportarem? O nosso sistema nem comporta esse número de pessoas, se o Judiciário não funciona com menos de 10% de julgamento desses casos, ele simplesmente iria implodir se resolvesse solucionar todos os casos. É impossível. A única maneira é a aplicação da lei e a criação de um ambiente onde os crimes não sejam encorajados.

 Particularmente, no caso de estupros, nós homens temos que reconhecer que nós celebramos uma cultura que muitas vezes diminui o papel da mulher. Dizer “feminismo destrambelhado”, etc, etc, é simplesmente fugir do problema. Quando viajei pela Índia com a minha companheira, ela sentiu na pele o que é ser um cidadão de segunda categoria. Ela, mesmo com a minha presença, foi assediada diversas vezes, algumas vezes de forma sutil, outras vezes de forma mais acintosa. Não é à toa que a Índia é um dos países com mais estupros no mundo. A posição da mulher é diferente no Brasil, ainda bem, mas em muitos casos não é tão superior assim.

  Até poucas décadas atrás, a mulher casada era considerara relativamente incapaz para fins jurídicos, tinha até mesmo o Estatuto da Mulher Casada. Uma mulher casada não era um sujeito completamente capaz de exercer os seus direitos. Minha mãe pegou um pouco essa época. Todos amam as suas mães e filhas, mas muitos veem outras mulheres como apenas um pedaço de carne. Muitas mulheres, infelizmente, assumem esse papel que as diminuem enquanto cidadãos e seres humanos. As mulheres infelizmente ainda não assumiram o verdadeiro papel que deveriam em nossa sociedade. Ganham menos, tem menos posições de destaque, quase nenhuma representação no congresso e governo, mas todos nós amamos as nossas Mães, e muitos não observam nada de errado nesse estado de coisas. Aliás, como não amar nossas mães, que nada mais são do que mulheres, se sem elas nem existiríamos. Se você não contrataria mulheres para a sua empresa, tem que se virar para sua amável mãe e dizer “Mãe, sem você eu não existiria, mas sem qualquer chance de ser contratada por mim ou pela empresa de qualquer conhecido”. 

  Eu mesmo reproduzo velhos hábitos que diminuem o papel das mulheres e muitas vezes tenho que ser chamado atenção pela minha companheira. Quase sempre ela está correta. Se realmente queremos diminuir a violência no Brasil em geral, e contra a mulher em particular, precisamos começar a repensar as nossas condutas como um todo. Podemos não ser estupradores, como muitos gostam de dizer e achar que o problema termina, mas será que não estamos deixando muitas janelas quebradas por aí com nossas condutas? Eu tenho certeza que sim, muito mais do que janelas quebradas, estamos fomentando uma sociedade que cultiva a maldade, o rancor e o ódio nas mais variadas relações.

  Portanto, antes de fazer um comentário de raiva, compartilhar alguma mensagem de ódio, reflita se isso vai adiantar alguma coisa. Muito provavelmente nada de bom aconteceu na sua vida depois de você fazer isso, certo? Na verdade, isso apenas mostra fraqueza, fraqueza de ceder a sentimentos fáceis e convenientes. Não mostra força. Se é algo que demonstra fraqueza, não melhora em nada a sua vida, não é melhor tentar outra coisa? Eu acho que sim. Cabe a cada um de nós.

  Abraço a todos!





58 comentários:

  1. Bom dia.

    Apenas complementando:

    Em 2014 58,5 mil assassinatos no Brasil (Lembrando dos crimes de assassinato que são computados como afogamentos e as pessoas desaparecidas que podem, sem "forçar à barra", ter os cadáveres sepultados clandestinamente ou destruídos de outra forma.
    Em 2013, 476 mil veículos foram furtados no Brasil.
    "Cultura da impunidade" é o que existe.

    Vejo que a maioria das pessoas não pula roletas ou picha murros.

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    1. Olá, colega. Sim, se você tentar reportar um furto de veículo, provavelmente a polícia nem vai ter nenhum interesse. No bairro onde moro, invasão de casas é frequente. Em muitos casos, a polícia não quer nem mesmo fazer B.O., quanto menos agir para investigar. Talvez, essas sejam portas de entrada poderosas e perigosas, pois se invadir a casa alheia não causa nenhuma consequência, o sentimento de desordem é enorme. Sobre assassinatos, você tem toda razão. Quando há um assassinato, essa deveria ser a prioridade número 1. Uma vida foi tirada. Quando estudava, se não me engano, algo em torno de 3% dos homicídios tinham alguma solução de quem era o responsável e menos de 1% eram julgados na Justiça.
      Então, realmente há uma impunidade enorme no Brasil. Sem qualquer sombra de dúvidas. Em concomitância a isso, há sim uma cultura de maldade sendo gestada nas mais variadas relações. Para se transformar numa epidemia de violência, como é o caso do Brasil, é preciso muita coisa junta.
      Abs

      obs: uns pulam roletas, outros xingam-se no trânsito, outros brigam na noite, alguns fazem comentários racistas, etc. Seria muito difícil um número tão elevado de crimes nas mais variadas esferas se a própria população não colaborasse com um sentimento de que cumprir as leis é coisa de tolo

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  2. Soul,

    É ... tudo muito complicado ... é um problema do sistema .. e não essa palhaçada de "cultura do estupro". MAs acho que o problema básico é a educação. Educação de qualidade, formaria pessoas com mais noção de respeito, cidadania, honestidade... mas.. nossos políticos também sabem que uma população que pensa, seria um sério problema pra eles ...

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    1. Rodolfo, muitos jovens com alta educação formal são acusados de cometerem estupros, lembro de um caso numa festa de calouros na USP se não me engano. Não há uma glorificação do estupro em nossa sociedade, pelo contrário, ainda bem. Porém, há sim uma cultura onde a mulher infelizmente em muitos aspectos é vista com desdém ou com menos valor. Isso sim pode ser uma porta de entrada para comportamentos mais agressivos em relação a mulheres como um todo.

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    2. Realmente vai mt além de educação...

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  3. Recomendo que se veja uma página no facebook chamada "faca na caveira" que traz o depoimento da suposta estuprada.

    Será que foi mesmo estuprada?

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    1. Olá, Guardião. Por isso, que o texto teve o cuidado de colocar na condicional e dizer expressamente que o dever da polícia é apurar os fatos e não seguir as emoções do momento. Mesmo se não houve estupro, houve crime de exposição indevida. Cada vez mais a vida das pessoas, principalmente caso de nudez ou relações sexuais, é exposta de maneira completamente leviana no Brasil. Parece que estamos a nos acostumar com isso.
      Além do mais, o que leva uma garota de 16 anos a ter um comportamento desses? Ah, ela é "vagabunda" e não sei mais o que. É assim que queremos ter uma sociedade melhor? Há quanto tempo não é essa a conduta média do brasileiro e o que de fato mudou e melhorou?
      Ver uma adolescente se comportar assim e agir daquela maneira só enche o meu coração de tristeza, pois talvez ela nem tenha consciência de como está destruindo a sua própria vida. Agora, se o estupro realmente ocorreu, a situação é ainda mais devastadora.

      Abraço

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    2. Mt tem se falado no comportamento questionável da menina antes do estupro. Porém temos que nos atentar ao fato de que qualquer ato sofrido sem consentimento é gravíssimo. Já vi filmes de mulheres transando com 300 homens. Mas tudo consensual. Quando a violência está por trás aí a coisa muda, pode ser a menina mais promíscua do mundo, mas nada justifica. Nem 300, nem 30, nem 1...

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    3. Exatamente, UB. Aliás, muitas vezes esse é o "argumento" principal de estupradores: a mulher era promíscua. Isso é indiferente. O que importa é se houve violência ou não, consentimento ou não. Temos que levar em conta ainda que a nossa noção de promiscuidade é bem diferente da noção de promiscuidade de alguém que mora no interior do Paquistão. Talvez para o paquistanês, quase todas as brasileiras são promíscuas.

      Abraço

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    4. O q impede uma mulher de praticar consensualmente e depois alegar que foi forçada?
      Como o homem pode se proteger em casos desses?
      É uma pergunta séria. Não estou nem citando o caso extremo da menina. Imagina que eu conheço uma mulher, nós transamos e depois ela resolva alegar que foi forçada a ter um relacionamento comigo (seja pq se arrependeu, ou porque ela tinha um outro relacionamento e o parceiro dela descobriu ou por maldade mesmo). Como se proteger em casos desses?

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    5. Colega, é por isso que as instituições devem ser racionais e aplicar a lei, e não seguir cegamente emoções populares.
      É por isso que deve existir direito a um devido processo legal. É por isso que quando aceitamos uma pequena ilegalidade para combater uma ilegalidade supostamente maior é um tiro no próprio pé enquanto sociedade.
      No caso em comento, você terá todo o direito de se defender num processo que respeito as suas garantias processuais. Além do mais, o MP terá que estar convencido de que houve realmente um ataque sexual. Para isso terá que ter alguma espécie de evidências. Por mais que em crimes dessa natureza a palavra da vítima seja algo forte, muito dificilmente isso será o bastante para uma condenação, se não houver outros elementos.
      Portanto, para não passar por uma situação dessas, defenda o Estado de Direito e o acesso ao devido processo legal para todos os casos, é uma defesa potencial de si próprio.

      Abraço!

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  4. Mais um post extremamente sóbrio, parabéns!

    Já havia lido sobre a teoria do broken windows em um outro livro. Acho que foi no "super freakconomics" ou no "economista clandestino". Não lembro qual deles foi, mas fica a dica de livros: ambos são ótimos.

    Sobre o final do seu posto, sinto o mesmo: eu também reproduzo algumas coisas que diminuem o papel das mulheres, mas tenho tentado parar com isso. Já há alguns anos não faço piadas do tipo "mulher no volante, perigo constante". E não faço isso por alguns fatores: primeiro, pois não é verdade (estatisticamente é exatamente o contrário, e o preço do seguro mostra isso); segundo e mais importante, mesmo que fosse verdade, qual o bem estaria eu fazendo ao ficar dizendo essas piadinhas?

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    1. Olá, colega. Os dois livros são muito bons, principalmente os dois freaknomicks. Adoro o jeito do autor tentar responder as questões das formas mais diferentes possíveis. Mostra um grande conhecimento do mundo, e uma grande originalidade de fugir da mesmice de alguns argumentos.

      É verdade. Acho que a questão termina na estatística mesmo. As mulheres dirigem melhor do que os homens. Se é por uma habilidade maior, ou se é por causa do fato de que homens quando entram no carro precisam mostrar a sua virilidade dirigindo de forma não-segura, realmente não saberia dizer.

      Abraço

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    2. Essa estatística leva em consideração que a maioria esmagadora dos motoristas nas estradas Estaduais e Federais são Homens?
      Essa estatística também leva em consideração que a maioria esmagadora dos motoristas de caminhões e ônibus são Homens?
      Ou só mostra o número de acidentes de homens x mulheres sem levar em consideração esses pontos acima?

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    3. Essa estatística mostra os resultados em termos percentuais, então sim, leva em consideração os pontos que você falou.

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    4. Você tem a fonte desse estudo para que eu possa analisar como é que eles levaram essas questões em consideração?

      Acho que se formos fazer um estudo das capacidades de direção do homem x mulheres e para esse estudo fazermos um teste de baliza no centro da cidade com trânsito onde a agilidade se torna fundamenta, o resultado provavelmente será outro?

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  5. Bom texto novamente, Soul. Concordo com quase tudo.

    A minha discordância é num ponto bem específico do texto, quando você fala da desigualdade salarial por gênero e menos posições de destaque em empresas, por exemplo. São coisas que saem frequentemente na imprensa, são notícias puramente estatísticas, mas não se especula quais são as razões disso, nunca há uma análise minuciosa e, por vezes, foge do escopo da lógica. Em minha área de atuação, a estatística sempre foi uma ótima ferramenta, no entanto é só isso - uma ferramenta -, mais uma evidência, já que não posso usá-la para explicar fenômeno algum.

    Ora, se sou empresário, por que contratar homens ganhando mais, já que mulheres ganhariam menos e fariam o trabalho com a mesma produtividade? Se contratasse mais mulheres, eu teria maior lucro. Não me parece razoável supor que o machismo dos empresários é maior do que o apetite deles por lucro.

    Também há os riscos. Caso haja gravidez, surge a famosa licença maternidade. A empresa é obrigada a continuar pagando o salário por um tempo considerável, mas sem a funcionária. Isso para uma pequena/média empresa faz uma diferença brutal em termos de custo e produção. Vou evitar comentar de CLT, sindicatos etc.

    Novamente, no caso de gravidez e numa disputa por promoção, a mulher ficaria em desvantagem pela ausência justificada. Menos tempo de trabalho, menos chance de promoção. Esse ponto é razoável para explicar porque há mais homens em posição de destaque. Não à toa, muitas executivas bem sucedidas, abdicaram da vida familiar, de ter filhos, para galgar maiores posições. Isso tende a ocorrer mais.

    Enfim, são só alguns pontos para abrir e jogar mais luz na discussão, porque vejo que às vezes aceitamos algumas coisas como verdades sem nem questionar e, como você disse, tornamo-nos manipuláveis. Tentar evitar vieses para discutir esses temas é essencial se quisermos realmente entendermos as causas deles.

    Obs.: Malcolm Gladwell é um escritor muito bom.

    Abraço, Soul!

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    1. Colega, esse é um ponto interessante. Concordo com ele. Numa economia voltada para a maximização de lucros e resultados a todo custo, ele faz sentido.
      Agora, você estaria escrevendo esse texto se não houvesse uma mulher? Não. Se a nosso própria existência se deve a mulheres, não parece uma contradição de alguma maneira excluir a mulher de posições de mais destaque porque ela vai gerar uma vida? Para um pequeno empresário faz todo sentido, ele tem que sobrevier. Agora nós enquanto sociedade, faz sentido? Não sei, não me parece correto, nem mesmo funcional.

      No mais, agradeço a sua mensagem e o seu ponto.

      Abraço!

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    2. Há setores da indústria que só contratam mulheres, montagem de placas eletrônicas por exemplo. Não sei até que ponto a industria é machista. Sobre produtividade, tem a questão dos períodos de menstruação da mulher em que a produtividade cai bastante. Tem mulheres que precisam tirar licenças de um ou dois dias neste período devido a dores fortíssimas. E aquelas que não tiram ficam suportando a dor mas com baixíssima produtividade.

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    3. Bons pontos, UB. Não creio que haja machismo na indústria (não na esmagadora maioria dos casos pelo menos). Há interesse em ganhar dinheiro. O meu ponto é que pela biologia da mulher em alguns momentos talvez ela seja menos produtiva, como bem destacada por você e outros, mas será que isso, numa sociedade mais funcional do que a nossa, é motivo suficiente para um tratamento desigual nas diversas relações profissionais? Eu tenho minhas dúvidas.

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    4. Lembrei do seu post, ao ler: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2470

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  6. Nós brasileiros em geral somos truculentos, agressivos, mal educados e tirados a espertos. É no trânsito, supermercado ou no hospital.
    O que temos dificuldade em admitir é que o Brasil não é um país civilizado.
    E a sensação que eu tenho é que estamos piorando.
    Quando era criança lembro de como era importante ter respeito pelos mais velhos, tanto que ainda trago isso comigo. Hoje vejo a juventude nos lugares públicos agindo com total falta de respeito pelos outros.
    Infelizmente não há perspectiva de melhora.

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    1. Esse é um ponto crucial: respeito aos mais velhos.
      É tão bonito o respeito que os jovens tem em relação aos velhos em muitos países da Ásia. Em alguns casos, chega a ser reverencial.
      É triste como boa parte dos jovens se comporta hoje em dia.
      Mas por qual motivo eles se comportam assim? Não é porque em alguma medida nós como sociedade não valorizamos a velhice? Será que não damos importância apenas para a juventude? Um sintoma disso é o fato do país ser o país com mais cirurgias plásticas no mundo. Há um culto excessivo à juventude em minha opinião. E isso reflete no modo como tratamos nossos idosos.

      Abraço!

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    2. No Brasil e creio que em todo o ocidente há sim um culto a juventude e uma depreciação da velhice e dos idosos.
      Estar velho ou envelhecer é sinônimo de coisas ruins, ninguém quer ser considerado, chamado de velho.
      Ser chamado de velho é um insulto, chamar alguém de velho é um insulto.
      Na blogsfera de finanças já lí várias vezes comentários dizendo que passou dos 30 ou 40 anos já está velho.
      Que se passou dessas idade já se pode desistir de uma série de coisas.
      Lamentavelmente velhice pra muitos é sinônimo de incapacidade, de dependência, de fraqueza e de doenças.
      Tenho certeza que tem muitas pessoas com 40, 50, 70 anos mais dispostas e otimistas e até mais ativas do que mitos jovens de 20, 20 e poucos anos, que não fazem nada, reclamam de tudo e se acham espertos.
      O grande número de plásticas, a grande quantidade de pessoas frequentando academia ou praticando esportes tendo como objetivo principal a aparência (dizem que é pela saúde mas na maioria das vezes isso é papo furado)é um sintoma disso.



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    3. Olá, colega. Concordo com o seus pontos. O meu pequeno "porém" seria em relação a academia. Seja pela aparência ou saúde, frequentar uma academia e se exercitar de forma moderada é ótimo para a saúde.

      Abs

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  7. Quero ser igual vc quando eu crescer

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  8. Ola Soul.

    Muito bom o texto, achei muito interessante a teoria da janela quebrada, faz muito sentido.

    Admiro tambem o seu tratamento para os anonimos que lhe enviam mensagens com falta de educacao, desmerecendo seu trabalho, e louvavel esta atitude.

    Meu blog tem um numero bom de acessos e os 'rambos da internet' ja comecaram a enviar mensagens desencorajadoras, tentando desmerecer o que fazemos (escrever), eu simplesmente ignoro, mas tenho de admitir que da vontade de usar os termos citados (fraqueza), mas do que valeria ficar brigando virtualmente?

    Abraco

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    1. Olá, V.C! Grato, colega.
      Sim, ignorar é o mais sensato a fazer. Não vale a energia, aliás suga a sua energia. No caso aqui do espaço, é que realmente não me ofende em absolutamente nada. Para muitas pessoas a raiva, a inveja e o ódio é o normal. Porém, essas pessoas podem ser pessoas bacanas. Não é porque alguém sente raiva de mim que ela não pode ser um bom pai, um bom amigo. A pessoa só pode sentir raiva por alguém que não conhece por ignorância. Quem sabe quando a ignorância é diminuída a pessoa não acalma o seu coração? A melhor coisa não é viver isolado com sua família cercado por pessoas agressivas e raivosas. Não. A vida é maravilhosa quando podemos viver com nossas famílias cercado por pessoas que dizem olá para você, que sorriem, e interagem de maneira saudável.

      Por isso, faço um esforço aqui.

      Abraço!

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  9. Soul eu nao sei se vc sabe a historia toda. A menina era uma drogada, acostumada a ir lah na boca trocar sexo por drogas. No facebook dela ela se dizia soldada do comando vermelho, postando fotos de cartuchos no chão, uma foto segurando os mandamentos do CV num pedaço de papel, fotos segurando armas e fuzis (kd o porte de arma dela?), postagens dizendo que ia subir pro morro pra dar pra vagabundo, enfim, ela era uma mulher do tráfico. "Estupro"? A mídia que plantou isso. A vó dela disse em entrevista que ela saia de casa na sexta feira e voltava na segunda feira. O namorado dela mostrou whatsapp dela falando que queria que juntasse muitos amigos pra transar com ela e quanto mais melhor.

    A meu ver a história só vazou pq o vídeo vazou pra o público geral que foi quem realmente denunicou, pq ela subiu 2 dias depois no morro pra falar com o chefão e pegar o celular das filmagens pra ela. Enfim, a mídia socialista/comunista e os grupos feministas adoraram a história para destilar o seu ódio contra os homens e nos querer diminuir e nos chamar de estupradores. Fora isso parece que esqueceram de que os 33 são traficantes e soldados do tráfico armados até os dentes e só por isso já seria cadeira pra todo mundo. Mas cadê polícia e justiça pra prender e deixar preso? O RJ é um inferno na terra. Um caso de estupro (MESMO) do Piaui ano passado com um maior e 4 menores, saldo, um menor morto pelos outros três, o maior preso e os tres menores J"Á soltos. O estupro foi coletivo, as meninas foram jogadas de um penhasco e uma delas morreu. Mas como sao pobres nordestinas do sertão não tem força na mídia de uma carioca num morro, ambiente e cultura idolatrados pelos canalhas esquerdistas brasileiros. Falei.

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    1. Deixa a polícia apurar e o MP verificar se houve crime, temos que deixar de querer criar juízo de valor e julgar a tudo e a todos. Muitas vezes somos manipulados pela mídia e não sabemos.
      Óbvio que quando avaliamos algo, fazemos sob o nosso ponto de vista, nunca há isenção, mas necessitamos tentar manter a neutralidade e não fazer pré julgamentos, mesmo que essa menina habitualmente fizesse sexo com vários e em um dia específico ela resolvesse falar não e fosse obrigada, seria estrupo.

      Não é porque aos olhos decalques homens, ela é considerada uma vagabunda que não têm direito a se recusar a fazer sexo com alguém, isso é machosmo, tekos que nos corrigir.

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    2. Olá, Frugal. Sobre estupro ou não, vide minha resposta acima ao Guardião. Sobre a conduta da adolescente, também vide a minha resposta acima para o Guardião.

      Em relação às meninas do Piauí, você tem toda razão. Quando soube desse crime no ano passado, estava na Nova Zelândia. Não há qualquer crime violento por aqui. Lembro-me que o meu estômago embrulhou pela atrocidade da violência. Refleti se este crime fosse na NZ, iria causar um espanto tão grande que talvez o governo caísse se não achasse e punisse com eficácia os culpados.
      Sim, Frugal, um caso como esses nos faz sentir mal enquanto humanos. Como pode haver tanta violência assim?

      Agora, nós precisamos refletir e pensar em soluções. Aumentar a pena dos crimes? Isso não funciona. Já tentamos e não funciona. Castrar quimicamente? Mas os estupradores já possuem uma pena não oficial quando vão para a cadeia, muitos chegando a ser assassinados. Eu não queria ser um estuprador de menores e ser preso. E mesmo assim os números de estupros no Brasil são gigantescos. Por qual motivo? O que leva essa violência contra mulheres? Nem estou falando aqui dos maridos que surram as suas mulheres e há dezenas de milhares de casos destes. Talvez precisamos começar a refletir o que nós homens fazemos no nosso dia a dia para valorizar a posição da mulher na sociedade. Será que nossas condutas são compatíveis com o ideal de uma mulher fortalecida ou não? Cada um deve refletir sobre isso.

      O intuito do artigo não era fazer um raio-x sobre o crime. Mas já paramos para refletir por qual motivo existe o tráfico de drogas em primeiro lugar? Por qual motivo há 30 homens fortemente armados para vender drogas? O exército em 2010 não subiu os morros, e o que de fato melhorou no Rio de Janeiro? Posicionamos-nos contra o tráfico de drogas de um lado, mas de outro, como sociedade, em muita medida vangloriamos o consumo excessivo de álcool, que causa tanto estrago, talvez mais, do que drogas mais pesadas. São esses comportamentos contraditórios que causam o estado de coisas atual. Politicamente incorreto é apontar essas contradições tidas como naturais, algo que quase nunca acontece na mídia.

      Valeu Frugal, abraço!

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  10. Como sempre, primeiro eu concordo com você e só depois eu leio o texto. Quando li as postagens de amigas feministas e de esquerda sobre esse lamentável caso de estupro, fiquei inicialmente furioso. "Como assim todo homem é um estuprador em potencial?" Pensei em revidar, escrever "textão", mas graças a Deus me contive. Provavelmente entraria em discussões nada frutíferas. Continuo discordando de muitas posições feministas, mas já consigo enxergar um pouco pela óptica da mulher que diariamente sofre com essa "inferiorização". Nunca enxerguei muito esse machismo pregado pelas feministas pois tive uma mãe muito forte, que passou num concurso público concorrido há décadas atrás, num emprego que era praticamente exclusivo de homens na época. Ela sempre me falou que as mulheres se vitimizam muito e que nunca sofreu com esse tal machismo. Mas essa foi a realidade dela, que provavelmente é diferente da realidade de muitas mulheres ainda hoje. Quero que saiba que seus textos frequentemente me fazem enxergar o mundo de forma diferente. Uma mudança positiva, creio eu. Obrigado mesmo. Abraço!

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    1. Olá, Allan grato pela mensagem e pelo elogio. Obrigado!
      Então, somos dois. Minha mãe é extremamente forte. Foi forte quando divorciou-se do meu pai, e continuou sendo forte quando ascendeu profissionalmente na vida. Foi muito forte na criação dos filhos. Na verdade, quase todas as mães são fortes. Não deve ser fácil criar um filho, deve ser muito difícil.
      Porém, é inegável que infelizmente boa parte das mulheres sofre nas mais variadas relações pelo simples fato de ser mulher. Esse fato é inegável, tanto que em países mais desenvolvidos são os que menos tem desigualdade de gênero em relação a salários. Isso diz muita coisa.
      É evidente que há muitos exageros, muitas mulheres que simplesmente ofendem homens, como se homens fossem inimigos. Sim, isso existe. Mas não é por causa disso que não podemos reconhecer que algumas atitudes nossas enquanto homens não são das melhores.

      Abraço!

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  11. Muito bom!!! Belo texto. Ponderação, equilíbrio, argumentação construtiva e principalmente humildade em não ter soluções prontas. Infelizmente é tudo o que falta no Brasil!
    Abraços!
    Gaivotao

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  12. "É reconhecer que somos responsáveis pelos nossos próprios atos"
    Perfeito, sendo assim, concluo.

    O homem e uma mulher quando fazem relações sexuais, são responsáveis pelos seus atos. Logo, se tiverem filhos, cabem a eles oferecerem educação apropriada e não jogar nas costas do Estado, onde outros terão que pagar por isso.
    Da mesma maneira, são responsáveis pela saúde desse filho e não jogar nas costas do Estado, onde outros terão que pagar por isso.
    Ambos precisarão trabalhar e não viver as custas do Estado através do bolsa família, onde outros terão que pagar por isso.

    O brasileiro precisa ler mais Mises e Anny Rand e não Kafka. Isto é, procurar melhorar, se aperfeiçoar, ser mais produtivo ao invés de sentir ódio ao trabalho.

    As pessoas responsáveis assumem o que fazem, são mais comprometidas, logo buscam a razão e o que é certo.
    Em fim, seu comentário foi perfeito e por isso, volto a repeti-lo.
    "É reconhecer que somos responsáveis pelos nossos próprios atos"

    Abraço

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    1. Olá, colega. Grato pelo comentário.
      Apenas não entendi qual seria a sua opinião em relação ao tópico do texto, pois você traz inúmeros temas à baila.
      No mais, pode ficar tranquilo que quase ninguém no Brasil deve ler Kafka, não será por causa do gênio Tcheco que as pessoas vão sentir ódio ao trabalho. Aliás, que bom seria se a trilogia "O Castelo", "Metamorfose" e "O Processo" fossem lidas com atenção. Muitas das angústias humanas são tratadas de forma absolutamente magnífica e avassaladora por um dos escritores mais brilhantes que a humanidade já viu. E claro, a não leitura de Kafka não implica na leitura de Rand ou Mises. Eu pensei que você tinha comparado Rand a Kafka, tomei um susto devo confessar, mas li de novo e vi que não tinha realizado tão disparate. Seria como comparar Reinaldo Azevedo a Dostoiévski ou Ricardo Amorim a Machado de Assis ou o nível do meu surfe a ao surf do Slater, são coisas que não se faz.

      Abraço!

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    2. Desculpe se não me fiz entender, imaginei que a compreensão estivesse clara. Meu comentário se baseou em uma afirmação sua dentro do seu próprio texto, logo, a relação fica evidente.
      Vou tentar me esforçar um pouco mais agora.

      Se você afirma que somos responsáveis pelos nossos próprios atos, e eu concordo com essa afirmação, então você também concorda que se de uma relação sexual entre um homem e uma mulher vier a ocorrer uma gravidez e consequentemente um filho, então os pais em questão são responsáveis por esse filho, certo?
      Agora, se esses pais delegam suas responsabilidades para com terceiros, essa criança crescerá sem esses valores e vai pensar que os outros tem a obrigação de o proverem.
      Essa criança irá crescer sem saber que ela mesma é responsável por si e por atos que venha a fazer.
      Enfim, não vou me estender, penso que me fiz mais claro agora.

      Sobre os escritores, jamais cometeria a insanidade de comparar Rand com Kafka. Isso é algo que nunca passou pela minha cabeça.
      Seria mais ou menos como comparar Orwell com Mino Carta ou até mesmo, de uma maneira mais figurada, seria como comparar Bala de canhão com bolinha de gude. Algo realmente completamente sem cabimento e mais uma vez concordo com você que são coisas que não se faz.

      Abraço

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    3. Olá, colega.
      Veja, o seu português foi claro e coerente já na primeira mensagem. A ideia de responsabilidade individual pelo nascimento de um filho, por seus atos, ficou bem consignada.
      O que eu não entendi foi qual era o seu ponto objetivo em relação ao texto de forma mais geral. Ao citar bolsa-família, Mises, tudo num balaio só, fiquei na dúvida se concordava ou não com a teoria do Broken Windows , se concordava ou não que o meio em que nos situamos pode ter uma influência profunda sobre atitudes individuais, ou se não concordava, e dá amparo a ideia, ingênua para mim, de que os indivíduos são ilhas em si mesmos. Essa foi a minha dúvida e que não ficou claro com nenhuma das duas mensagens.

      Sobre os escritores, estamos de pleno acordo sobre as comparações (apenas não sei sobre a quem seria dado o papel de bolinha de gude na sua perspectiva). É que realmente achei bem inusitado citar logo Kafka, que em "O Processo" trata sobre a opressão quase impossível de ser freada das instituições estatais, bem como do aniquilamento do indivíduo . Para alguém que cita Mises e Rand, pareceu-me contraditório ou desconhecimento do escritor Tcheco.

      Abraço!

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    4. Olá, soulsurfer.

      Se você entendeu até esse ponto, então você compreendeu a parte mais difícil do meu comentário. Tenho certeza que desse ponto para frente, a compreensão será muito mais fácil.

      Vamos as respostas daquilo que você ficou em dúvida sobre o meu comentário.
      Se eu concordo ou não com a teoria do Broken Windows, se concordo ou não que o meio influência profundamente as atitudes individuais.
      Minha resposta é: Depende de que tipo sociedade estamos
      formando.
      Se você me colocar num ambiente de Broken Windows, pode ter certeza que a teoria será falha. Quem foi criado num ambiente de responsabilidades, de ética e de razão, jamais cometerá algo como um vandalismo por exemplo.
      Por outro lado, se cultivarmos uma sociedade onde as pessoas se eximem de suas responsabilidades, a probabilidade dessa teoria estar correta é bem considerável.
      Então, como você pode ver, existe um condicionante.

      Sobre os escritores, tenho certeza que se você tivesse lido Rand, saberia exatamente quem representa a bala de canhão e quem representa a bolinha de gude.
      Nesse caso, sugiro que você faça primeiro a leitura dessa maravilhosa autora.
      Como, pelo que vejo, você gosta de ler e também, pelo que vejo, recursos para isso não serão um problema, fica a sugestão.

      Abraço e que continue tendo uma bela viagem.

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    5. Olá, colega.
      Grato pelo esclarecimento.
      Não é bem isso que parece ser o pano de fundo da teoria, nem do que vemos na prática nas mais variadas sociedades do mundo. Sociedades mais estruturadas, produzem em sua imensa maioria comportamentos melhores. Sociedades não estruturadas, produzem em média comportamentos piores. Até por qual motivo se alguma pessoa vivesse um ambiente de "broken windows" ela teria uma educação de ética e responsabilidades? Talvez alguns indivíduos poderiam ter, mas não seria a maioria.
      É muito difícil saber o que um cidadão pode fazer ou deixar de fazer em determinado ambiente. "Ensaio sobre a cegueira" é um ótimo exemplo gráfico disso. Podemos ir para a prática, onde depois do Katrina houve saques coletivos, ataques do diversos tipos, quando a ordem desapareceu por completo (uma enorme broken windows). É verdade que no Japão depois do Tsunami, cumulado com desastre nuclear, houve um comportamento ordeiro. Isso foi considerado um exemplo para o resto do mundo. Porém, quais valores são muito fortes no Japão há séculos? Forte submissão do interesse individual ao interesse coletivo, respeito muito forte a ordem, respeito reverencial as pessoas com idade, cortesia nas relações (basta ver como eles se cumprimentam curvando o seu corpo, o que é uma forma linda de respeito ao outro ser humano), etc, etc.

      Sobre escritores, tenho vontade de ler a trilogia famosa dela sim. Li apenas algumas partes. Entretanto, como ela é tanto comentada no IMB, a fábula moral eu conheço bem. Não irei comentar sobre o aspecto moral, falei sobre os aspectos literários. Sobre esse aspecto, ao menos as partes em que li do Atlas, são de uma escritora mediana. Muito longe dos nomes do século passado. Agora, se a fábula que ela construiu e a sua lição moral é poderosa com algumas pessoas é um outro aspecto, que não se confunde com a sua categoria enquanto escritora.

      Abraço e obrigado!

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    6. Estou achando que você gosta de discordar só pelo prazer de discordar e nem se dá conta que na verdade está é concordando com o outro.
      O que seria uma sociedade mais estruturada?
      Certamente uma sociedade estruturada precisa de planejamento. Inclusive, no dicionário, essas palavras são sinônimos.
      E quem faz planejamento?
      Pessoas responsáveis ou irresponsáveis?
      Releia o que vc mesmo escreveu e verá que no fim você está concordando comigo.
      Por fim, um ambiente de "broken windows" é uma consequência e não a causa. Se fosse uma causa, os japoneses teriam saqueado lojas após o Tsunami.

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    7. Não, colega. Adoro concordar com argumentos que sejam pertinentes, mesmo que contrários às minhas ideias prévias.
      Você disse expressamente que mesmo numa sociedade desestruturada, pessoas (você se auto-citou) com formação ética, terão um comportamento exemplar. O que você está a falar que se o seu "eu" (e colega, essa noção cada vez mais é colocada a prova pela Ciência - Ver um livro como "A Ilusão da Alma" do Gianetti) atual de alguma maneira fosse transportado para a Alemanha no ano de 1939, você se comportaria bem. Não seria de nenhuma maneira influenciado pelo meio, e provavelmente viraria um Schindler, não um membro da SS. Isso não faz sentido para mim, mas se faz sentido para você, ótimo.

      Parece-me que é o inverso aqui, você que está querendo discordar a todo custo. É evidente que a sociedade é formada por ações de pessoas. É evidente também que pessoas responsáveis tendem a ter um planejamento que leve a uma sociedade mais estruturada. Alguém discordou disso? O ponto é como surgem pessoas responsáveis? Para você isso é apenas uma questão individual. Eu não creio que seja apenas assim. Os ambientes em que nascemos, evoluímos, moldam em maior ou medida a forma como nos colocamos no mundo e em relação a outras pessoas. É apenas isso. Deixe vagões sujos, e as pessoas tem mais propensões ao crime. Limpe os vagões, e as pessoas tem menos propensão a praticar crimes.

      Creio que não entendeu o exemplo. Em dois lugares do mundo, talvez com ordens de magnitude um pouco diferentes, a ordem desapareceu por alguns momentos. No Japão, mesmo assim, as pessoas bem se comportaram e em boa medida pela tradição cultural de séculos (que vem desde os shoguns) de submissão do interesse individual ao interesse maior da coletividade de estabilidade. Como já conversei e convivi com diversos japoneses, isso tem aspectos positivos e negativos. Você falar isso para quem gosta de Rand e Mises, costuma ser um sacrilégio, mas é exatamente como a sociedade japonesa se estrutura. Aliás, até pouco tempo atrás pessoas com uma propensão a colocar o interesse individual acima do interesse familiar, social, etc, eram vistas com desprezo. Em outro lugar, a ordem desapareceu e o caos surgiu (Katrina-EUA). Você tem certeza absoluta que não seria influenciado pelo ambiente em seu comportamento se estivesse naquela situação? Eu não posso dizer o mesmo sobre mim , se o fizesse apenas me auto-enganaria (outro livro ótimo do Gianetti "Auto-Engano"). Ou seja, bastou uma mudança no ambiente para que comportamentos de maldade surgissem, mesmo em indivíduos "criados num ambiente de razão, ética e responsabilidade".

      Abraço!

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    8. Só para finalizar, Soul

      Embora, na maioria das vezes, eu pense de maneira diferente de você, é sempre interessante conversar contigo.
      Infelizmente eu não tenho paciência e nem o tempo necessário para travar longas conversas via blog.
      Mesmo assim, gostaria de deixar registrado o meu respeito a você pela sua educação, inteligência e pelo seu gosto pela leitura.
      Tenho certeza que você é uma boa pessoa, mesmo pensando de maneira equivocada. rs (brincadeirinha)

      Mais uma vez, desejo que você continue fazendo uma ótima viagem e que se fosse possível, fizesse um post sobre a Coreia do Sul, país que tenho muita curiosidade em conhecer, assim como o Japão.

      Abraço

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    9. Valeu, amigo!
      Sobre a terra do sol nascente http://pensamentosfinanceiros.blogspot.kr/2014/04/japao-flor-estupida-e-graciosa.html

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  13. Fantástico!Acionista25

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  14. Prezado Soul,

    Ótimo tema levantando por ti.

    O pensamento de esquerda que vem dominando há anos a nossa cultura vem criando um ambiente de maldade ativo. Enquanto as pessoas acharem que a solução é o Estado estaremos perdidos, pois este nunca será capaz de fornecer a segurança e paz que desejamos; apenas a sociedade civil e as instituições civis tem este poder localmente e atuando de modo concentrado nos problemas. Porém as pessoas devem se mobilizar e trabalhar por sua comunidade e não esperar que o estado faça algo. O problema já começa em nossa constituição, forjando o Estado com o maior benfeitor universal, sendo responsável por tudo e todos... Enquanto este pensamento de Estado Salvador estiver impregnado na nossa sociedade apenas continuaremos medíocres.

    Infelizmente a maioria das pessoas não entende que qualidade de vida de uma sociedade se dá ao seu poder econômico e financeiro, tendo como objetivo maximizar a produtividade nacional a níveis nunca vistos antes, resumindo: trabalho e inciativa privada. O Estado tem que diminuir a qualquer custo, a iniciativa privada tem que se desenvolver. O Brasileiro não é um povo ruim ou maldoso, a pobreza é; o problema é retirar todas as amarras para que possamos nos desenvolver economicamente e assim criar riqueza para todos, não esperar para mamar em benefícios. Todos os países desenvolvidos começaram assim, através da inciativa privada e do direito de propriedade.

    Referente ao caso da menina, pelo que pesquisei e materiais que recebi, era envolvida com o tráfico de armas, inclusive fotos empunhando fuzis do CV. Será que quantos policiais aquele fuzil matou? Quantos disparos aquele mesmo fuzil que ela segura para um self realizou contra pais de família e homens honestos? Não estou dizendo que o se passou com ela foi merecido ou legítimo, sinceramente acho que não e não desejo a nenhum ser humano este tipo de degradação, porém se relacionando com marginais o que esperar? Rosas e chocolates? Este que provavelmente não é um caso de estupro deve ser lembrado pelos pais e mostrados aos filhos o porque não entrar para a marginalidade, pois estas coisas podem acontecer com você.

    Para finalizar, o direito individual é e deve ser igual para todos, mas temos que parar e freiar movimentos que desejam criar benefícios para chamadas minorias, para assim termos uma sociedade justa baseada no trabalho e mérito pessoal.

    Boas viagens meu amigo.

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    1. Olá, colega.
      Não tenho a menor dúvida de que no Brasil o Estado deve diminuir, e a iniciativa privada deve florescer. Também não duvido de que devemos ter mais liberdade, e por via de consequência mais responsabilidade.
      Também não creio que haja um gene da maldade numa população inteira. Porém, há atos, com atos há rotinas, com rotinas há a criação de comportamentos que deságuam na criação de alguma cultura. No Brasil, nós infelizmente estamos criando rotinas de agressões, maldades, falta de empatia, que nem estamos nos dando conta de como isso é perverso.

      Sobre a menina, eu acho essa visão equivocada amigo. Uma garota de 16 anos? Imagine sua filha, acaso tenha uma, amor da sua vida. Ela vai se interessar por garotos. Talvez ela venha a se embriagar, tomar um grande porre. Na maioria dos casos, absolutamente nada de grave acontece. São as amigas que se cuidam uma da outra. Mas talvez, numa hora errada, ela poderá estar completamente fora de si pelo efeito do álccol. Ela terá se colocado nessa posição de vulnerabilidade. Ela é responsável por seus atos, não é mesmo? E se por um azar, ela estiver sozinha com quatro homens, e eles abusarem dela? Ela de alguma maneira foi responsável por isso? Mas por qual motivo ela se colocou nessa posição, o que ela esperava de ficar bêbada sendo mulher? Colocar, nem que seja o mínimo possível, a responsabilidade na mulher por ela ser estuprada, um erro, e em alguns casos uma covardia.

      Agradeço o comentário.

      Abraço!

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    2. Querido Soul, o prazer é meu de participar do seu blog, bem como acompanhar as suas aventuras ao redor do mundo.

      Veja eu não estou dizendo que a culpa é dela por ter sido violentada, apenas dizendo que o meio exerce grande influencia no nosso destino. E me perdoe porem a sua visão parece um pouco romântica sobre o caso, ela estava imersa no mundo do tráfico de drogas, e segundo relatos participava de sexo grupal com traficantes; uma linha tênue foi rompida ali...

      Não sei exatamente sobre a maldade e falta de empatia que comenta, o que eu sei é que a violência e os casos de violência estão todos os dias presentes em nossa vida, e este fenômeno recai (IMO) diretamente sobre o fato de depositarmos total responsabilidade de nossa segurança sobre o Estado. Garanto a você que se a população brasileira tivesse o direito, que é legitimo, de autodefesa essa onda de violência não estaria nesses patamares. Você como um homem estudado e com cultura sabe que a violência é inversamente proporcional ao numero de armas de uma população. Ceifar o direito de autodefesa é no mínimo repugnante, mas é isso que o Estado deseja, uma população inofensiva e carente.

      Soul você me lembra meu irmão, ele pensa como você, ele acredita no ser humano e que nós um dia seremos elevados de tal maneira que não exista mais violência e pobreza; infelizmente sou mais pragmático, acredito na justiça e no direito individual bem como a liberdade dada a mim por Deus. Acredito que a maldade sempre existirá e que devemos estar prontos a resistir a ela. Uma sociedade justa Soul, não igual para todos, apenas justa.

      Forte abraço e keep going.

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    3. Olá, colega.
      Veja, não romantizo a situação. Também não acompanho em detalhes o desdobramento desse caso. Apenas li que a adolescente supostamente participava de sexo grupal.
      O que romantizar numa situação de uma jovem fazendo sexo com vários homens? Sem entender o que isso faria para o seu futuro e se degradando enquanto mulher? A minha questão é o que está fazendo jovens terem esse tipo de comportamento? Essa é a grande questão sobre qual todos devem refletir. Qual tipo de sociedade é essa que estamos estruturados que faz jovens terem esse tipo de atitude?

      Porém, se ela fazia sexo com 150 homens, ou não, isso é indiferente. Se ela se colocou nessa situação de vulnerabilidade, assim como a outra jovem que se embebeda, é indiferente também. Há sim um comportamento de deslocamento da culpa para a mulher. Ou ela não deveria andar sozinha de noite, ou ela bebeu, ou ela tinha um comportamento promíscuo. Eu creio que a mulher deve saber se defender (inclusive com técnicas de defesa pessoal e minha companheira sabe algumas) e evitar comportamentos de risco. Agora, isso nunca poderá resultar numa criminalização, em nenhum grau, de quem é a vítima.

      O direito de auto-defesa é assegurado em nossas leis. Desde que proporcional ao ato de agressão. A auto-defesa talvez seja um dos únicos casos onde a violência possa ser justificada do ponto de vista ético, inclusive pelas religiões. Se perguntar para qualquer líder espiritual de qualquer credo religioso, ele provavelmente falará que a violência e agressão é apenas justificável em casos de auto-defesa.
      Não vejo a situação brasileira como um reflexo da suposta ausência de auto-defesa da sociedade brasileira. O que falta é uma polícia mais estruturada, mais eficiente e inteligente. Um sistema judiciário mais ágil. Leis que façam mais sentido. Uma mudança na sociedade de como encara os seus próprios pequenos desvios, etc, etc.

      Fico feliz que eu possa trazer lembrança de uma pessoa tão próxima e importante na sua vida, presumo. Em nenhum momento disse que a maldade, crimes, inveja, não existirão mais, ou que isso é possível do ponto de vista biológico. Veja, para mim argumentos biológicos são muito mais fortes do que argumentos ideológicos ou abstratos, como é o que 99.99% das pessoas gostam de usar nesse tipo de discussão.
      O que defendo nesse site, é que sim é possível criamos entornos para nós, e para as comunidades que habitamos, um ambiente muito mais saudável, onde comportamentos de maldade sejam mais difíceis de ocorrer. Isso existe em vários países pelo mundo. A violência e maldade não foram extirpadas lá, o que talvez seja impossível. Mas foram minoradas. Se comparadas com o Brasil, muito atenuadas.

      Valeu e grande abraço!

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  15. É tão dificil você reconhecer que a questão genética é provavelmente preponderante no caso do Bostil? Por que você se ilude achando que transformações culturais e filosóficas irão mudar alguma coisa se 90% da população não possui a mínima capacidade cognitiva para se beneficiar de medidas dessa natureza? Eu tenho pena de pessoas como vc delusional soul.

    PS: O sofrimento faz as pessoas amadurecerem e crescerem como seres humanos. Veja o caso geral de países que passaram por guerras e desastres e se reergueram se tornando melhores que antes.

    Já imaginou que o Bostil esteja apenas passando por um processo de purificação espiritual? Hahahaha!

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    1. Colega, além de você conseguir se contradizer em apenas algumas poucas linhas, ainda apenas reflete o mecanismo que fará a sua própria vida pior.
      No começo disse que transformações culturais não tem qualquer impacto, pois " 90% da população não possui a mínima capacidade cognitiva para se beneficiar de medidas dessa natureza". Ora, isso é reconhecer que se 90% da população tivesse condições cognitivas, que muito provavelmente podem ser adquiridas com uma educação de melhor qualidade, "transformações culturais" poderiam ter efeito no combate à violência. Como se faz uma sociedade mais educada, se não por meio de uma "transformação cultural" de uma educação de mais qualidade?
      Veja, não preciso nem dizer se o que você falou está certo ou não, o seu argumento colapsa em apenas algumas linhas.
      Abs

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  16. "
    Portanto, antes de fazer um comentário de raiva, compartilhar alguma mensagem de ódio, reflita se isso vai adiantar alguma coisa. Muito provavelmente nada de bom aconteceu na sua vida depois de você fazer isso, certo? Na verdade, isso apenas mostra fraqueza, fraqueza de ceder a sentimentos fáceis e convenientes. Não mostra força. Se é algo que demonstra fraqueza, não melhora em nada a sua vida, não é melhor tentar outra coisa? Eu acho que sim. Cabe a cada um de nós.
    "

    Cara, que vergonha de ler uma coisa dessas.
    Pense no significado objetivo de termos como "mensagem de ódio" e "sentimentos fáceis". Não relativize a realidade pra que ela
    caiba no seu mundo pequeno e estreito. O ser humano não é tão

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    1. Colega, grato pelas ponderações de forte significado.
      Abs

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  17. Soul, que tal censurar alguns garotos bobos que saíram do blog do Pobretão? Seria ótimo. Eles vêm aqui apenas para destilar ódio e rancor. Lemos besteira e mais besteira falando do da tal "Bostil".

    Mas se pensarmos bem, foram as elites que sempre roubaram e deixaram o povo sem estudo. Mas não se vê crítica às elites, como se o povo fosse culpado único.

    Se vc cortar, em poucos dias eles procuram outro ambiente para falar as besteiras.

    O Bastter tem defeitos, mas ele não permite que malucos baguncem o site dele.

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  18. Os defensores do armamento falam que armas são ótimas.

    Mas não falam de Inglaterra e Japão que proíbem armas para cidadãos e exibem pouca criminalidade.

    Infelizmente a revista Veja segue destruindo o bom senso no Brasil.

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  19. Pro anon das 10:55

    Vc sabe quando os cidadaos japoneses foram desarmados? Sabe?
    E sabe qual foi o motivo?

    Quem desarmou os cidadaos japoneses foram os próprios senhores feudais para impedir as revoltas dos colonos. E isso nao tem nada a ver com a criminalidade, nao existia criminalidade e nem depois ela baixou após o desarmamento. A história do desarmamento no Japão só prova o de sempre: que o cidadão armado pode enfrentar o governo. E países que desarmam seus cidadãos os deixam a mercê de qualquer louco que se apoderar do governo. E que tal falar na Suiça que não foi invadida pelos nazistas justamente pq todo suiço tem um rifle em casa e sabe atirar muito bem? Vc acha que hitler iria colocar a SS pra levar o "tiro ao pato" subindo as montanhas suiças? Procure a criminalidade e os homicídios na Suiça que vc vai se surpreender.

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