sexta-feira, 2 de maio de 2014

DOCUMENTÁRIOS - SOMOS TODOS TERRÁQUEOS

         Olá, amigos. Nesse post vou escrever sobre um dos meus hobbies preferidos que é cinema, mais especificamente documentários. Eu simplesmente adoro documentários. Muitos deles já me fizeram refletir bastante. O nome do artigo, por exemplo, advém de um documentário que já vi algumas vezes. Eu sempre reflito muito mesmo sobre o mundo e a minha posição nele quando o assisto. Não tenho a pretensão de que todas pessoas achem interessante o que eu acho, até porque essa é a beleza da humanidade, porém creio que os documentários abaixo citados valem a pena de serem assistidos.

     I -   EARTHLINGS - TERRÁQUEOS

         Este documentário aborda de uma forma bem abrangente o relacionamento do homem com os animais. É um relacionamento ético? O interessante é que o grande escritor Tcheco Milan Kundera no famoso livro "A Insustentável Leveza do Ser" - livro fantástico por sinal - na parte final faz uma verdadeira defesa por um relacionamento mais ético em relação aos animais. Será que não é um dos erros fundamentais da humanidade a forma como nos relacionamos com a maioria dos outros seres vivos? Nós, humanos, somos a forma de vida mais poderosa que habita a terra. Como usamos esse poder? Basicamente, impondo a nossa vontade a todas as formas de vidas mais fracas. Será que podemos ser éticos em relação a nós mesmos, se exploramos seres menos poderosos? Como é possível haver uma sociedade baseada em tratamentos mais justos e igualitários, como seres humanos mais poderosos serão mais justos com seres humanos menos poderosos, se massacramos os interesses mais vitais de outras formas de vida para satisfazer os interesses mais triviais de nossa espécie, baseado único e exclusivamente em nossa força? Eu sempre achei essa provocação muito interessante, e nunca, já fiz essa pergunta para religiosos, filósofos, recebi uma resposta coerente. Os dez primeiros minutos do filme, que correspondem à introdução da ideia central do documentário, são muito interessantes. São frases ditas que sempre me fazem repensar.



II - ZEITGEIST

        Zeitgeist é uma expressão alemã que significa "espírito de uma época". A expressão tenta capturar o sentimento de toda uma época sobre a vida, sociedade, comportamentos morais, etc. Há uma série de documentários Zeitgeist (vi até o terceiro). O primeiro, e mais conhecido, possui claros exageros e informações não muito corretas do ponto de vista histórico principalmente na parte I (a parte II é quase uma teoria conspiratória). Por essa razão, é visto por algumas pessoas como uma grande bobagem. Entretanto, eu acho um documentário bem interessante, pois nos faz refletir sobre muitas coisas. As religiões, por exemplo, é claro que elas foram tomando de empréstimo de outras religiões mais antigas vários elementos estruturantes. Sendo assim, não há nada original, o que parece indicar que os mitos religiosos devem ser tomados em seu caráter de fábula moral, não como verdade histórica.O Segundo filme, Zeitgeist Addendum,  principalmente a primeira parte sobre o processo de criação de dinheiro, é bem interessante, pelo menos eu acho. 

Zeitgeist I - Não tome como verdadeiro tudo que está no documentário, aliás essa é a mensagem do próprio vídeo, mas há coisas interessantes para se refletir.

Zeitgeist II - A primeira parte é bem interessante. A segunda parte também o é, mas muitos acham que não passa de uma utopia à la star treak

III - DOCUMENTÁRIOS DO MICHAEL MOORE

          O Moore talvez seja o documentarista mais famoso hoje em dia, pois seus documentários chegam a passar até mesmo no cinema. Eu adoro o documentário SICKO, que trata sobre o sistema de saúde americano, acho um filme muito bem feito mesmo. Ele tem outros famosos como Tiros em Columbine e Fareheint 9/11. Recomendo todos os três.

Tiros em Columbine. Para os que pensam que a solução é sairmos atirando em todo mundo, esse documentário é uma pista de que talvez a solução não seja essa. Não consegui colocar nenhum filme do Moore aqui no BLOG, mas no you tube tem todos legendado. Coloquei apenas os Trailers.

Fahrenheit 9/11. Eu gosto desse filme. A parte em que ele tenta gravar na frente da embaixada da Arábia Saudita e a reação imediata da polícia é bem interessante. Aliás, a relação entre os EUA e o Reino da Arábia Saudita (um país pródigo em violações de direitos humanos, bem como de tratamento indigno das mulheres) é no mínimo opaca.
Sicko. Esse documentário para mim é espetacular. É engraçado, crítico, humano, e há cenas comoventes. Não gosto da indústria de saúde. Acho que saúde é algo que deveria ser voltado para o bem estar da população prioritariamente, não necessariamente para lucros. Não creio que haja uma necessidade premente do lucro para que seja possível obter resultados em saúde pública. Talvez em indústrias mais "mundanas" como celulares, cadeiras, etc o elemento lucro seja imprescindível. Creio que o tema saúde e bem estar da população é muito maior do que apenas interesses particulares. Afinal, um povo com saúde e bem educado é difícil de facilmente ser controlado.

IV - SUPERSIZE-ME

      Gosta de se empanturrar com Mc Nuggets (e você acha que aquilo é frango), ou pior deixa seus filhos comerem constantemente no MC Dondalds e assemelhados? Acho que este o documentário certo para você. Imagine comer 30 dias seguidos no MC Donalds. Pois é, esse cara fez isso, e os resultados na saúde dele num período tão curto de tempo são impressionantes. O documentário é muito bem feito.

Pois é amigo. Há uma crise de saúde no mundo, e não é AIDS ou a gripe aviária, mas sim a obesidade.

         Amigos, tem muitos outros documentários, mas o post ia se tornar muito grande. Aliás, se alguém tiver outros documentários interessantes, recomendem, terei o maior prazer de assisti-los.

Abraço a todos!

16 comentários:

  1. Conheço todos de nome, mas só vi mesmo o Zeitgeist.

    Tb gosto de documentários, mas só costumo ver quando estou sem saco pra fazer nada, kkkkkkkkk

    []s!

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    1. Olá Di Marcinho!
      Eu gosto bastante de documentários, muito mesmo. Aprendo sempre muitas coisas.

      Abraço!

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  2. Olá Soulsurfer,
    Eu tb gosto muito de documentários. Mas nos últimos meses tenho assistido poucos. Tenho aprendido muito com podscasts recentemente. Gosto do fato de serem sobre a vida real e sobre as experiências pessoais dos mais variados "tipos" de indivíduos. Um dos que mais aprecio são os do Joe Rogan, podcasts bem informais onde praticamente ele senta para conversar com amigos, por aproximadamente 3 horas, sobre os mais variados assuntos. Mas sempre acabam trazendo muito de suas experiências e visões de mundo. Eu acho bem enriquecedor.
    Como o meu trabalho às vezes envolve trabalhar com grandes matrizes de dados por horas. Eu consigo conciliar a organização dessas matrizes com os podcasts. Segue o link com todos os podcasts:
    http://podcasts.joerogan.net
    O primeiro que eu ouvi e fiquei impressionado com a vida louca desse cara pode ser acessado por aqui:
    http://m.youtube.com/watch?v=sqyUUHsahuQ
    Só um aviso para quem se interessar, são todos em inglês. Infelizmente não conhecer esta língua é uma grande barreira a uma infinidade de conteúdos, muito facilmente acessíveis pela internet. Para quem ainda não sabe, vale muito a pena investir no aprendizado por uma gama de motivos.
    Grande abraço Soul!!
    Green Future

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    1. Olá Green!
      Sim, você tinha falado sobre esses podcasts. Estou ouvindo esse que você indicou.
      Como é esse trabalho de matrizes de dados? É da sua pesquisa acadêmica?

      Abraço!

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  3. Sim, é do doutorado. Para teres idéia, trabalho com planilhas de dados de tamanho que excedem a capacidade de suporte do Excel, sendo necessário às vezes subdividi-las. Trabalho com ecologia e nessa área tem muita estatística envolvida.
    O que achou do podcast? Esse foi o primeiro que ouvi, desde então foram muitos. Gosto muito dos podcasts que são com o Joe Rogan, o Chris Ryan e o Duncan Trussel (chamados de tripodcasts no site do Chis Ryan - http://chrisryanphd.com/the-tripodcast/)
    Abraço
    Green Future

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    1. Olá Green!
      Eu ouvi até a primeira hora, depois fui fazer uns exercícios na Praia.
      Gostei do que ouvi, apesar da conversar ser um pouco solta e você tem que pegar um pouco o "o fio da meada".
      É mesmo? Nunca pensei em ecologia com muita estatística. Poderia dar um exemplo, tenho bastante curiosidade sobre o método científico.

      Abraço!

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    2. Olá Soul,
      Certamente a ecologia é uma área que usa muito estatística. Para ser um bom ecólogo hoje se tem que estudar muito essa área do conhecimento e sempre continuar estudando para se manter atualizado pois todo mês tem coisa nova, novos métodos e abordagens mais completas que as anteriores. Continuamente se descobrem fragilidades em métodos previamente empregados e são sugeridos novos métodos alternativos. A ecologia trabalha muito com inferências a partir do próprio ambiente e em cada local diversas variável estão interagindo. Cada síto (local) possui sua característica como precipitação anual, temperatura média anual, número de dias de geada por ano, características fisico-químicas do solo, evapotranspiração, além das variáveis a nível da paisagem (todas essas variáveis importantes para a vegetação). O papel do ecólogo é tentar elucidar qual a importância relativa das variáveis e elucidar qual os principais mecanismos que estruturam a diversidade biológica nos ambientes.
      Acho que essa é uma explicação razoável, mas ainda muito siperficial e simplória do processo. E concentrei meu exemplo (e variáveis) com o que eu trabalho. A ecologia é muito ampla e pode trabalhar em diversas escalas temporais e espaciais.
      É um grande desafio e com o enorme volume de informações e técnicas disponíveis se exige muitos anos de muito esforço e aprendizado para se tornar um pesquisador respeitável. Minha maior queixa é que é um trabalho altamente complexo mas bem pouco valorizado do ponto de vista financeiro. Mas como só está nessa carreira quem escolhe, não dá para reclamar muito.
      Grande abraço
      Green Future

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    3. Ao ler sua explicação, realmente ficou muito claro o uso da estatística. Realmente são inúmeras variáveis, e apenas com uma modelagem estatística para dar conta.
      Eu acho muito bacana mesmo. Uma área que eu acho interessantíssimo é o cálculo das externalidades nos processos produtivos. Tipo, qual é o custo em perda de biodiversidade, aumento do efeito estufa, gasto com saúde pública, perda de produtividade por mais tempo parado no trânsito, que um caro ocasiona?
      Aliás, eu acho que para mim essa é a solução racional para os nossos problemas de consumo e de sustentabilidade.

      Abraço!

      obs: o que é valorizado no Brasil? Pessoal que mexe com direito como eu. Isso é quase deprimente na minha opinião. Um filho vai fazer direito, o pai fica orgulhoso. Vai fazer matemática, que é absolutamente essencial para quase tudo, os pais ficam preocupados, e o modelo "social" quase tacha de loucura uma decisão como essa. Para mim é uma inversão completa.

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    4. Olá Soul, concordo totalmente com o que disse. Eu percebo que essas distorção é muito menor nos países desenvolvidos. Aqui no Brasil "doutor" é o cidadão que cursou medicina ou direito (apenas 4-5 anos de ensino superior neste último caso) e não somente a pessoa que passou no mínimo 11 anos, dentro da universidade, acumulando conhecimentos e passandp por diversas etapas até receber o seu título do doutorado. Ainda temos um enorme caminho pela frente até termos uma população realmente esclarecida.
      Eu sempre fui um aluno muito aplicado e poderia ter escolhido diversas carreiras, quando decidi por biologia (por ser a área do conhecimento que mais me interessava dentre todas), meu irmão falou que eu estava assinando um atestado de pobreza. E certamente teria sido muito mais viável acumular capital se tivesse escolhido outras possibilidades de carreira.
      Às vezes é frustante, mas como tudo nessa vida, existe o outro lado da moeda e existem diversos aspectos muito positivos por ter escolhido essa carreira (e filosofia de vida).
      Grande abraço meu amigo
      Green

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    5. Concordo plenamente, Green.
      Sua profissão é muito bacana, tenho certeza que você faz as suas pesquisas e o seu trabalho com satisfação, e isso, amigo, é muito mais do que dinheiro (se você tiver o mínimo garantido).

      Abraço!

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  4. Soulsurfer seu modo de pensar e as suas referências são incríveis. Ainda bem que está compartilhando essas experiências conosco. Leio quase todos os Blogs de Finanças e sempre aprendo alguma coisa nova, contudo em termos de reflexão nunca vi nada parecido com o seu. Descobri ontem e não consigo parar de ler. Obrigado!

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    1. Obrigado, Sr dinheiro!
      Fico muito feliz em ler essas palavras. Apenas me anima a me escrever mais sobre variados temas.

      Grande abraço!

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  5. Soulsurfer,

    Belo post colega. Parabéns!

    Abraços.

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    1. Obrigado, IL!
      Valeu pela visita!

      Abraço!

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  6. Soul,

    Vou assistir o Zeitgeist II e III. E também o Sicko que também não assisti. Um comentário sobre "Tiros em Columbine". Achei muito bacana a confissão do Michael Moore ao final. Ele tinha projetado o documentário para querer provar a correlação do número de armas disponível na mão dos cidadãos, com o número de homicídios. E viu que não havia esta correlação! Achei bacana este posicionamento dele.

    Abraço,

    Carlos

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    1. Olá, Carlos.
      Pelo que me lembro ele fez essa correlação para demonstrar que mesmo países com alto número de armas não necessariamente se traduz em alto número de assassinatos (Canadá, por exemplo).
      Vê-se que há outros elementos mais profundos para explicar um nível alto de violência numa sociedade como a americana.

      Abraço!

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