segunda-feira, 26 de maio de 2014

AÇÕES - OS TRÊS FATORES DE RISCO DE FAMA&FRENCH


            Olá colegas! Hoje, meu artigo irá focar num tema de razoável complexidade e de muita importância para o mercado acionário: os três fatores de risco de Fama e French. Antes de tratar do tema propriamente dito, gostaria de fazer algumas observações.

            Eu sou um profundo admirador do método científico. Creio que por meio deste método premissas podem ser postas a prova, e o conhecimento pode genuinamente evoluir, aliás, esse é um dos temas centrais do meu último post http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2014/05/reflexoes-os-tres-golpes-da-ciencia.html

                Sendo assim, eu não creio que o mercado acionário seja imune a estudos realizados pela academia, muito pelo contrário. Ah, Soulsurfer, o W.Buffett não é da academia, despreza esses estudos, e ganha um monte de dinheiro. Olha, não sou amigo pessoal do W.Buffet então não posso ter certeza, mas é muito difícil que um dos maiores investidores de todos os tempos ignore a lógica ou estudos rigorosos sobre o mercado. A toda evidência, e nisso concordo com o Buffett, complexidade nos mercados financeiros não necessariamente quer dizer verdade ou sabedoria, mas isso, amigos, é conhecido desde o século XIV, quando um frade franciscano chamado Guilherme de Ockham anunciou o célebre princípio lógico, que depois viria ser adotado pelo método científico moderno, de que "Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a mais simples é a melhor" (ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Navalha_de_Occam).  . Portanto, complexidade desnecessária a toda evidência não deve ser confundida com verdade ou sabedoria sobre qualquer tema. Entretanto, isso não quer dizer que a complexidade não possa existir, aliás matemática e física usada pelos cientistas hoje em dia são extremamente complexas.

            Ok, mas qual é o seu ponto Soul? A questão é que eu vejo em alguns lugares uma certa desconfiança ou “ojeriza” por pesquisas acadêmicas, sendo que em muitas vezes não há qualquer fundamento lógico para essa postura, mas apenas premissas que são aprendidas e apreendidas em algum livro ou site, e de certa forma se tornam “verdades” que não podem ser questionadas.  Obviamente, não concordo com essa forma de ver os mercados, e muito menos a vida. Uma pesquisa pode ser falha, um campo de estudo pode ser difícil de ser estudado objetivamente, mas isso não quer dizer que devemos simplesmente ignorar tentativas de trazer luz sobre qualquer tema, e não há motivos para o mercado acionário fugir dessa lógica.

            Um outro ponto importante é o fato de como uma pesquisa deve ser encarada. Pesquisas envolvendo o mercado acionário geralmente funcionam da seguinte maneira: pegam-se milhares de empresas, dividem-se essas empresas em grupos (geralmente por decile - 10 partes iguais) de acordo com o parâmetro a ser analisado (P/L, P/VP, ROE, tamanho, etc) e geralmente se rebalanceia a carteira anualmente e no final do período analisado se mede os resultados. Exemplo hipotético: alguma pesquisa quer mostrar que o tamanho da empresa possui uma correlação negativa com os retornos. O pesquisador escolhe os dados (vamos supor o mercado brasileiro com 300 ações), o período a ser abrangido (vamos dizer 10 anos), divide essas 300 ações em grupos de 30 ações de acordo com o tamanho da empresa, a cada ano se ajusta os grupos (uma empresa que era do grupo 9 por ter aumentado de preço, e via de consequência valor de mercado, passa para o grupo 8, por exemplo), e no final chega-se aos retornos de cada grupo.

            Pode-se perceber que essa estratégia de análise ignora custos de transação e  custos de impostos (há algumas pesquisas que fazem essas análises considerando tudo isso, mas são a minoria). Além do mais, um investidor amador não tem condições de seguir a risca qualquer pesquisa, pois evidentemente é difícil comprar tantas ações e ficar rebalanceando todo o ano. Apesar desses problemas evidentes, essas pesquisas são válidas, pois elas apontam alguns caminhos, algumas facetas do mercado acionário. Não se pode  cegamente apostar nos resultados de uma determinada pesquisa (até porque elas se utilizam de dados históricos, e nada garante que retornos passados irão se assemelhar a retornos futuros), mas ela pode sim apontar alguns fenômenos, e algumas idéias para como melhor gerir o patrimônio e uma alocação eficiente de portfólio para uma determinada pessoa. Colocados esses dois pontos, posso discorrer um pouco sobre o tema do artigo propriamente dito.

            A Moderna Teoria do Porfólio (MPT) é baseada na assunção de que os riscos explicam os retornos esperados, se alguém quer mais retornos tem que se submeter a mais riscos. Além do mais, risco é conceituado como variabilidade dos retornos, ou mais tecnicamente o desvio-padrão dos mesmos. Para se medir riscos e retornos de um ativo em relação ao mercado como um todo, criou-se um coeficiente chamado Beta (representado pela letra grega β). O Beta do mercado é por definição 1. Os Betas dos ativos específicos podem ser maiores ou menores do que 1. O que isso quer dizer? Se um ativo tem β  =2, isso quer dizer se o mercado subir 10%, o ativo tende a subir 20%, sendo o mesmo verdadeiro para retornos negativos. Se um ativo possui  β= 0,5, quer dizer se o mercado cair 10%, o ativo tende a cair apenas 5%. Logo, beta menores significam volatilidade de retornos menores, logo tendem a fornecer resultados menores. Por seu turno beta maiores tendem a ter uma volatilidade maior, e um retorno associado maior.

            Há diversas críticas que podem ser feitas a essa forma de pensar o mercado, bem como a forma de definir risco como volatilidade dos retornos. Aqui há um artigo interessante que faz isso http://www.travismorien.com/FAQ/portfolios/mptcriticism.htm.

            Até 1992 no campo acadêmico, e de finanças nas grandes firmas de investimento, essa era a sabedoria reinante: o  β de um ativo era o que explicava as relações de risco x retorno do mercado acionário. Porém nesse ano, os Professores Eugene Fama and Kenneth French publicaram um artigo que viria a modificar o entendimento dominante sobre risco e retorno dos mercados, o famoso artigo: “The Cross-Section Of Expected Stock Returns”. O artigo pode ser acessado aqui http://www.bengrahaminvesting.ca/Research/Papers/French/The_Cross-Section_of_Expected_Stock_Returns.pdf.  Não é uma leitura fácil, pelo menos eu não achei, para quem não domina razoavelmente a língua inglesa, nem para quem não tem alguns conceitos básicos sobre mercado razoavelmente dominados, bem como sobre estatística.  Não vou esmiuçar os detalhes do artigo, até porque não tenho competência técnica para tanto, mas apenas apontar os resultados encontrados por esse estudo.

            O estudo pegou empresas listadas na NYSE e NASDAQ e dividiu-as em 10 grupos pelo tamanho de mercado (size). Dentro de cada um dos 10 grupos divididos previamente, se dividiu em 10 subgrupos pelo β .  Foi feito isso, pois os autores queriam separar os efeitos do tamanho, dos efeitos do β de cada grupo. O mesmo procedimento foi feito, mas agora separando as empresas por grupos de BE/ME (Book Equity/Market Equity, é a mesma coisa do que o P/VP, mas invertido, ou seja, VP/P. Sendo assim, quanto maior o múltiplo, mais descontada estaria a ação) e depois em subgrupos pelo β  .  Mediram então os retornos entre 1962 a 1991 dos variados grupos formados (um período longo de tempo, como deve ser em pesquisas desse tipo. Períodos de dez anos costumam não ter tanta relevância estatística, comparar rentabilidades em períodos de 1 ano, meses, então, não possui nenhuma relevância estatística).

            Os autores, depois de aplicar algumas técnicas estatísticas de regressão, chegaram a surpreendente conclusão (pelo menos para o mundo financeiro) que o β não tinha poder explicativo sobre os retornos.  Os retornos eram explicados basicamente por duas variáveis: tamanho e BE/ME. Os retornos se mostraram negativamente correlacionados com o tamanho, ou seja,  quanto maior a capitalização da empresa menor o retorno, e uma correlação positiva do BE/ME com os retornos. Os dois gráficos mostra de forma esquemática as descobertas. No primeiro, uma simples representação dos fatores de retorno. No segundo, a diferença entre os quatro tipos de portfólios e os retornos em quase 70 anos .



O gráfico mostra esquematicamente os achados. Empresas menores tendem e de valor tendem a possuir maiores expectativas de retorno.
O gráfico mostra quatro grupos: Ações com tamanho de capitalização menor de valor e de crescimento e ações de grande capitalização de mercado de valor e de crescimento no período entre 1928 a 2007. É evidente o retorno muito maior das empresas small value, bem como das empresas large value, o que parece confirmar os estudos seminais de Fama&French sobre prêmios de valor e de tamanho. A diferença entre 1 dólar investido em small value e large growth é de simplesmente 46 vezes. Logo,  U$ 1  se transformou em U$ 46.000 num caso e "apenas" U$ 1.000 no outro.

            Ok. Soul, mas se os retornos das ações estão associados a dois fatores (tamanho e desconto no Valor Patrimonial), o que significa o título do seu Post os TRÊS fatores de risco de Fama&French?  Para entendermos melhor esse ponto, é preciso falar em Equity Premium e sobre os quatros fatores de retorno do investimentos em ações (não desanime, pois não é confuso como aparentemente possa parecer).

            O Equity Premium nada mais é do que o retorno a mais sobre o ativo “livre de risco” esperado por investir no mercado acionário.  Não adianta fugir, qualquer análise financeira passa pelo conceito de ativo “livre de risco”, que geralmente  é a taxa que os governos pagam para se endividar. No caso dos EUA, são os títulos T-BILL de maturação menor do que um ano, e no caso do Brasil a taxa SELIC.  Obviamente, nenhum ativo é livre de risco, NADA garante que os EUA, e principalmente o Brasil, não pode um dia eventualmente dar um calote na sua dívida. É possível, mas no contexto atual improvável, pois isso ocasionaria uma mudança radical de como os mercados financeiros são estruturados, no caso americano é claro. Além do mais, ao investir num título do governo você terá uma renda fixa (lembram-se do conceito de renda fixa e variável discutido nesse artigo http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2014/04/investimentos-vamos-falar-sobre-o-pl.html), ao contrário de uma renda que pode variar para menos num investimento feito em ações.  Sendo assim, o ativo “livre de risco” é aquele que o investidor sempre deve ter em mente ao realizar investimentos em renda variável.

            Apenas uma reflexão rápida. Se a taxa do ativo "livre de risco" for alta demais, os demais ativos deverão proporcionar um retorno muito bom para compensar o investimento. Como os ativos ficam atrativos? Diminuindo de preço, a mecânica é idêntica a precificação de títulos pré-fixados. Quando os juros são baixos demais, os ativos não precisam fornecer um retorno muito forte.  Se a rentabilidade não precisa ser tão alta, os ativos possuem espaço para crescer, e em muitos casos em níveis irrealistas de preços. Os títulos de curto prazo do governo americano estão rendendo atualmente próximo de 0% aa (isso mesmo, você não entendeu errado). Apenas com essa informação (e a média dos juros de curto prazo nos EUA historicamente sempre foi muito maior do que isso),  mesmo sem conhecer os dados, eu chutaria que o mercado acionário americano encontra-se em níveis altos de precificação.  Por coincidência, ou não, as bolsas internacionais quebram topos históricos, mesmo com um mundo com uma atividade econômica fraca nos últimos anos. Para mais esclarecimentos, leia qualquer artigo do excepcional site Finanças Inteligentes (se você ainda não conhece, está no meu blogroll).

            Portanto, para um investimento em um ativo mais arriscado do que o ativo “livre de risco” fazer sentido do ponto de vista financeiro, este mesmo ativo precisa ter uma expectativa de retorno superior ao ativo “livre de risco”. Vejam, coloquei expectativa. Isso não quer dizer que necessariamente irá ocorrer, mas apenas que um investidor pode ter a expectativa de que, principalmente em períodos longos de tempo, será recompensado por escolher um ativo mais arriscado. Sendo assim, o prêmio acionário (Equity Premium) é o retorno esperado a mais sobre o ativo livre de risco que alguém pode esperar ser remunerado por se expor ao mercado acionário.  A existência de Equity Premium é muito bem documentada nos EUA, e nos países desenvolvidos nos últimos 100 anos, para períodos longos de tempo.  No excelente estudo da Credit Suisse internacional de 2009, pode-se ver que todos os mercados acionários exibiram prêmio sobre o mercado de títulos, bem como apresentaram crescimento real. O estudo pode ser acessado aqui http://topforeignstocks.com/wp-content/uploads/2009/02/2009-global-investment-returns-yearbook.pdf. Aliás, se alguém possui interesse em entender o mercado acionário de uma maneira um pouco mais profunda, recomendo todos os yearbook do Credit Suisse, são uma verdadeira aula de finanças e economia.

            Faço aqui mais uma breve reflexão. Como as taxas de juros no Brasil desde a implantação do plano real foram e continuam sendo muito altas, o mercado acionário brasileiro como um todo (é claro que empresas individuais podem ter retornos maiores e menores do que o mercado como um todo) apresentou um forte Equity Premium negativo desde a estabilização econômica. Portanto, entre 1994-2014 o mercado acionário rentabilizou muito menos do que a taxa do ativo “livre de risco”. Sendo assim, financeiramente olhando em retrospectiva, não fez nenhum sentido, sem a realização de timing no mercado, de ficar posicionado em ações nos últimos 20 anos. Para ser justo, nos últimos 10 anos houve prêmio acionário no mercado brasileiro. Isso se deve aos juros muito altos no primeiro mandato de FHC, e é um alerta que com juros altos tudo mais perde o interesse no mercado financeiro. Abaixo dois gráficos retirado do link http://www.minhaseconomias.com.br/blog/investimentos/vale-a-pena-investir-em-acoes-no-longo-prazo mostrando o prêmio negativo acionário brasileiro desde a estabilização monetária.

 Investindo pelo Lump sum (investimento tudo de uma vez) o resultado do bovespa foi bem inferior ao CDI nas últimas duas décadas.
Ah, eu compro aos poucos, uso o método X de investimento (colegas, usar o Dollar Cost Averaging ou qualquer técnica parecida é muito antiga e há décadas é tratada nos livros sobre finanças, não é nenhuma fórmula nova de investimento inventada há 5 anos na internet), o resultado iria ser negativo do mesmo jeito como mostrado no gráfico.

            Depois dessas breves explicações, estamos prontos para falar sobre os quatro fatores de retorno do mercado acionário, e os três fatores de risco de FAMA&FRENCH. O retorno acionário deve ter dois fatores de retorno, e pode ter quatro fatores de retorno a depender do risco que algum investidor que correr:

1   1)   Retorno do ativo livre de risco – Aqui no Brasil já se vê uma distorção, pois há pessoas que recebem menos do que o ativo livre de risco ao investir na poupança. Sendo assim, investimento na poupança, tirando questões de reserva de emergência, não faz qualquer sentido no longo prazo;
2    2)  Retorno por investir no mercado acionário (primeiro fator de risco) – É o já discutido Equity Premium;
3    3)     Retorno por investir em empresas com menor capitalização (segundo fator de risco);
4   4) Retorno por investir em empresas descontadas em seus múltiplos, principalmente o BE/ME, ou P/VP (terceiro fator de risco);

       Creio que agora deve ter ficado claro quais são os três fatores de risco, e quais são os quatro fatores de  retorno por investir no mercado acionário. O primeiro fator de risco já abordamos ao falar sobre o equity premium, porém e os outros dois?

O segundo fator de risco é o tamanho da empresa. Necessário relembrar que o estudo achou correspondência entre maiores retornos quanto menores eram o valor de mercado das empresas. Entretanto, os autores atribuíram esse maior retorno a um maior risco, e tal conclusão faz sentido. Por mais que uma empresa menor possa ser bem administrada, é muito mais fácil uma empresa de capitalização de 200 milhões de dólares vir a falir, do que uma empresa de 200 bilhões de dólares.  Portanto, ao investir em empresas com menor capitalização, parece haver claramente um fator de risco. Risco deve ser recompensando (premissa básica de finanças) e os dados históricos confirmam que investir em empresas menores foi recompensado. Além do mais, é intuitivo, pensar que uma empresa de 200 milhões pode crescer para um bilhão de dólares se for extremamente bem administrada e tiver algum diferencial competitivo. É muito mais difícil imaginar uma empresa de 200 bilhões crescer para um trilhão de  dólares, por mais bem administrada que seja, pois obviamente a empresa se tornaria muito grande, às vezes até maior do que todo o mercado que atua. Logo, empresas menores tendem a ter uma perspectiva de rentabilização maior do acionista do que uma empresa muito grande em termos de capitalização.

O terceiro fator de risco é o mais polêmico de todos no mundo das finanças e da academia. O estudo de Fama&French apontou, aliás esse fator segundo regressões estatísticas feitas pelo estudo apresentou mais relevância do que o fator tamanho, que empresas com baixo P/VP , ou alto BE/ME, apresentaram retornos muito maiores do que empresas com alto P/VP, ou baixo BE/ME. Como explicar os resultados? Neste ponto, o mundo das finanças e os acadêmicos se dividem em dois grupos bem claros: a) os que acreditam que isso apenas mostra que os mercados são irracionais, e tendem a overreaction tanto em  Bull como em Bear Markets e b) empresas com baixo P/VP são empresas problemáticas, muito possivelmente com expectativas de lucros tímidas, sendo assim são mais arriscadas, e, portanto o retorno a mais obtido ao investir nessas empresas nada mais é do que o trade off de risco x retorno.

            Há diversos estudos, e num próximo post irei abordá-los, mostrando que o investimento em valor produziu resultados muito mais satisfatórios do que o investimento em crescimento, e quase sempre com menos risco de downside. Logo, se assim o é, as ações tendem a ter um comportamento de regressão à média, o que indica que há sim overreaction e irracionalidade, mesmo que seja parcial, nos mercados. Graham pensava assim (mesmo sem talvez pensar nestes termos, pois em sua época não existiam discussões tão técnicas), investidores em valor pensam assim e alguns acadêmicos também pensam assim.  Entretanto, a maioria dos acadêmicos é da opinião de que não há ineficiência, mas apenas remuneração pelo risco assumido de investir em empresas mais problemáticas.

E você, Soul, o que acha? Bom, eu no meu amadorismo e conhecimento parco,  tendo a achar que há em certa medida uma tendência de regressão à média, e ( principalmente pelos vários ensinamentos vindo das finanças comportamentais) que o investidor tende a ter uma reação exagerada. Se na maioria do tempo as reações não são tão exageradas, e a precificação costuma não apresentar grandes desvios, em períodos de pessimismo ou otimismo extremo, as reações podem ser extremamente exageradas, o que pode proporcionar oportunidades e riscos a depender de como o investidor irá se comportar. Logo, eu tendo a achar que o grupo do item "a" possui mais razão.

Estamos chegando ao fim desse artigo, e espero que os três fatores de risco tenham ficado claros para os meus valorosos leitores.  É necessário destacar que resultados semelhantes foram encontrados no mercado acionário internacional em variados estudos, cito aqui apenas um deles (mas há diversos outros): Value versus Growth: The  Internacional Evidence – Fama&French - 1998( http://www4.gsb.columbia.edu/filemgr?file_id=645730).

O leitor com um conhecimento mais técnico do tema irá perceber que deixei de fora a discussão sobre Momentum.  Nos estudos acadêmicos mais recentes há bastante discussão sobre a existência ou não de Momentum, ou seja, se os retornos podem ser correlacionados a movimentos anteriores no mercado acionário, ou se o mercado acionário possui um movimento Random Walk, completamente aleatório. Em termos mais simples, se o mercado acionário subiu ontem, qual é a chance de subir hoje? Isso é possível ser medido estatisticamente com testes de auto-correlação.  Os estudos apontam para a existência de Momentum em períodos curtos de tempo com dias, e meses. Esses achados podem dar mais suporte teórico para os investidores que gostam de fazer operações baseado em análise técnica de curto prazo.  Entretanto, o tema é muito específico, e creio não ser de tão grande interesse para investidores amadores.

 É isso colegas. Talvez não tenha sido um artigo tão fácil, procurei de alguma maneira, com todas as deficiências técnicas que possuo, passar os conhecimentos de estudos acadêmicos de alta complexidade, principalmente para mim sem formação em exatas. Creio que estes estudos podem trazer luz para nossa forma de investir, isso não quer dizer que temos que seguir cegamente ou que podemos replicar os estudos ou até mesmo que os resultados irão se repetir no mercado acionário brasileiro pelo período em que estivermos investidos. O mercado brasileiro é estranho, tanto que nem equity premium apresentou nos últimos 20 anos, mesmo a nossa economia e nosso PIB per capta crescendo enormemente (fruto da distorção que uma taxa de juros acarreta na economia e nos investimentos).  Porém, acredito que quanto mais informações e estudo um investidor possui, mais preparado o mesmo está para alcançar os seus objetivos financeiros e evitar erros muito grandes ao investir.

Grande abraço a todos!

35 comentários:

  1. Muito interessante o estudo e valorizo publicações acadêmicas, tanto que costumo postar em meu site e a complexidade é grande mas vale ler com calma o estudo.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Olá Fábio, também concordo.
      Foram estudos assim que me puxaram a ler mais sobre macro-economia, estatística, e a gente vai aprendendo cada vez mais um pouco sobre a vastidão do conhecimento humano.

      Abraço!

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  2. tindi porra ninhuma

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    1. Olá, colega, se tiver alguma coisa em especial que não entendeu, só perguntar. Se for o texto todo, aí não sei:)

      Abraço!

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  3. Fala, soulsurfer,

    alguém falando meu idioma!! Endlich!!!

    Tudo que você escreveu são considerados os conceitos básicos da atual estrutura moderna de portfolio. A maior falha dela está no cálculo do risco (desvio padrão) utilizando modelos da Curva Normal ou adaptados a ela. Como Mandelbrot coloca no livro Mercados Financeiros Fora de Controle, isto é um erro. Bastante grave, por está LONGE de descrever o mercado. Já passou da hora de jogar esta ferramenta fora e trabalharmos com uma nova ferramenta.

    Ele, inclusive, mostrou algo importante: a volatilidade se acumula. Em momentos de tensão (pessimista ou otimista) ela tende a aumentar e em momentos de calmaria a diminuir. E isso vai totalmente contra o estabelecido modelo browniano. Inclusive, a quebra do LTCM foi exatamente por isso.... (apostaram no retorno a média, mas o que ocorreu foi justamente o contrário...)

    Mas acho que a maior lição ficou nos 2 gráficos colocados sobre o CDI e no último parágrafo. Na verdade, neste caso dos gráficos, nem precisava do 2º, pois como o IBOV ficou abaixo do CDI em quase toda a maior parte do tempo, qq estratégia de DCA tb por ali ficaria.... mas como vc mesmo disse estar escrevendo para quem não tem tanto domínio de matemática, faz bastante sentido colocar.

    E a grande lição, ao meu ver: não adiantou o mercado crescer. Ele perdeu pra renda fixa. Em ambientes com uma alta taxa de juros é complicado mesmo. Alguns querem correlacionar SELIC alta com inflação alta e empresas que vendem serviços repassarão ao consumidor. Mas este mesmo pessoal esquece que com juros altos, possivelmente juros reais altos, isto pode atrair mais capital estrangeiro, o qual irá baratear o dólar e fazer com que os serviços e produtos internacionais fiquem mais baratos aumentando a competição interna. Nada é tão simples quanto parece. Quando o Collor abriu o mercado, dezenas e dezenas de empresa quebraram por isso: elas não sabiam trabalhar, cortar custos, otimizar. Sabiam apenas repassar inflação. Numa crise, elas podem ir, e rápido, pro buraco.... hehehe...

    []s!

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    1. Dae Di Marcinho! Bons pontos colocados por você.

      a) Eu concordo que uma simples distribuição gaussiana não dá conta de modelar algo tão complexo como o mercado financeiro. Nunca li Mandelbroot, mas gosto muito dos livros do seu pupilo Taleb. Entretanto, apesar de saber o mal ou bem que os "cisnes negros" podem ocasionar, não há tantos cisnes negros assim. Logo, uma modelagem mais simples pode servir de bússola para investidores pequenos como a gente. O LTCM afundou pois ele operava com 30/1 de alavancagem (e você vendo risco de alavancagem no seu exemplo de imóveis). Isso é um nível, em homenagem ao colega ai embaixo, insano de alavancagem. Qualquer 5% "fora do script" da modelagem, e o fundo estaria em apuros. Se eu não me engano o forte do fundo era mexer com títulos de dívida soberana, e ele foi pego em cheio com o default da Rússia de 98. Para nós que não operamos alavancados, muito menos num nível obsceno como esse, um cisne negro não chega assim a ser tão desesperador, ainda mais se há uma alocação de ativos, pois é difícil pensar em cisnes negros simultâneos em todos os tipos de ativos. Concordo que a volatilidade se acumula, bem como as correlações aumentam com o pânico, e foi o que ocorreu em 2008. Na hora do pânico tudo afunda, e não correlação baixa ou negativa que se mantenha.

      b) Quis apenas mostrar, mesmo existindo um equity premium nos últimos 10 anos, mesmo com compras parciais (aliás não fui eu, o gráfico foi feito por outra pessoa, o dia que conseguir fazer um gráfico em alguma coisa vou ficar bem feliz heheh), usando alguma técnica como DCA (eu li um livro sobre uma outra técnica de value averaging que pareceu fazer mais sentido do que DCA), o retorno seria ainda assim menor do que o CDI acumulado. Entretanto, não levei em conta, como um colega disse no blog do EIncorreto, que era difícil ter alguma aplicação indexada ao CDI. Realmente não sei.

      c) Exatamente. Uma taxa de juros como a nossa de 11%, se colocarmos o equity premium do mercado americano que ronda na casa dos 5%, estamos falando de retornos de 16% que convenhamos são bem altos. Eu gosto de trabalhar com retornos na casa dos 12/13%.
      Agora imagina se a SELIC vai a 13/14%, o que pode tranquilamente acontecer em 2015, isso coloca muita pressão nos ativos.

      Valeu Di Marcinho pelo ótimo comentário!

      Abraço!

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  4. Grande Soul,
    É foda a profundidade que uma pesquisa acadêmica chega não é? Até pouco tempo antes de eu participar de uma pesquisa acadêmica séria, não fazia a menor idéia do nível de imersão e do demasiado nível de complexidade que uma pesquisa formal pode chegar.

    Os quatro fatores de retorno, já são bem difundidos no mercado, apesar dos 4 não serem adotados unanimamente por todos os investidores, como por ex. o P/VP e a Capitalização. Entretanto, o Ativo livre de risco + o Equity Premium ao meu ver deve ser levado em conta por qualquer investidor, pois ele ditará a grosso modo se é válido deixar de investir no ativo livre de risco e assumir o risco acionário (O colega Di Marcinho tem batido muito nesse ponto, ao falar do custo de oportunidade).

    O Graham já defendia a estratégia de investir em empresas com P/VP e P/L baixo, sendo assim essa expectativa de retorno também é bem conhecida pelo mercado, entretanto até então eu não enxergava como um fator de risco o investimento em empresas com baixo P/VP (ou seja via apenas o múltiplo como um fator de retorno). Mas depois desse artigo, vi que faz sentido ser mais arriscado investir em empresas mais descontadas, pois pode ser que o desconto seja por conta de um maior risco setorial (ex: A EZTEC é uma empresa que tem dado bons retornos ao longo dos anos, porém ela possui múltiplos baixos, acredito que isso possa ser justificado pelo risco do setorial da empresa), mas como você bem pontua no texto, esse desconto pode ser causado por uma overreaction por parte do mercado, e aqui onde janelas de ótima oportunidade podem se abrir no mercado. Massss aí já teriamos que acertar o timing e a coisa fica demasiadamente complexa.

    Eu estou lendo atualmente "Stocks for the long run"(que a propósito aborda de uma maneira bem didática o histórico do equity premium no mercado americano) do Siegel e percebi algumas vezes pela blogosfera, que alguns não simpatizam muito com o livro, saberia me explicar o por quê?

    Seria interessante ver um artigo seu mais detalhado sobre Random Walk Theory e o Momentum que citou ao final do texto.

    No mais abração, e parabéns por mais uma excelente postagem.

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    1. Olá! Gostei do seu nick, eu curto muito a palavra insano:)

      a) É os estudos ali são bem complexos, e envolvem técnicas de estatística que eu não compreendo bem. A boa coisa é que fui atrás de alguns conceitos de estatística e vou reiniciar a leitura de um livro introdutório, mas interessante para os meus conhecimentos limitados na área;

      b) Essa é a grande discussão, é mais arriscado ou existe uma ineficiência crônica no mercado? Pessoas bem preparadas e inteligentes tem respostas contrárias, e com bons fundamentos para os dois lados. Porém, sendo qual for a resposta, estes estudos apontam um caminho de que no longo prazo o investimento em valor tende a ser recompensado (se houver aplicação de outros filtros fundamentalistas, creio que a margem de segurança aumenta);

      c) Eu gosto do livro do Siegel. Como tudo deve ser interpretado dentro de um conjunto de análise. Não é para pegar o patrimônio e jogar tudo em ações, pois no longo prazo o mercado acionário apresenta equity premium. Entretanto, o livro possui vários insights muito interessantes;

      Eu estou engatilhando em Momentum, quando tiver uma base teórica mais firme, com certeza escreverei a respeito.

      Abraço!

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  5. Soulsurfer,

    Muito técnico e detalhista seu post. Você realmente tem um conhecimento acima da média. Posso te dar um toque, na boa? Já que você domina tanto essa área de investimentos, porque fazer Buy and Hold? Se a taxa livre de risco (historicamente) rendeu mais que as ações, porque insistir nisso?

    Não é incoerente? Eu AFIRMO categoricamente que as taxas de juro no Brasil vão cair cada vez mais. É óbvio. País desenvolvido não tem juros altos. Logo, essa mamata dos últimos vinte anos da renda fixa obviamente vai acabar. SELIC alta é ruim para o país e ponto.

    Sobre a comparação com o Ibovespa, me desculpe, mas não faz sentido algum. Veja meu caso, eu não invisto em Petrobrás e Vale, logo, se essas ações dispararem o Ibovespa vai disparar, justamente porque elas tem um grande peso no índice. Entretanto, existem N ações que tiveram um desempenho muito superior às duas blue chips (e do CDI também) que não contavam com a mesma representatividade no índice.

    Apesar do Dimarcinho me falar que eu não domino o básico, do básico, do básico do assunto (estou falando numa boa, sem ironias) eu acredito que não sou tão burro assim. Logo, continuo na RV, inclusive 100% do meu patrimônio está nela. Sou jovem, tenho bastante tempo para aprender, e se eu quebrar a cara eu tento de novo.

    E vou aprendendo um pouco a cada dia, com pessoas tão inteligentes como você e o Dimarcinho. Porém, acredito na simplificação dos investimentos. Gosto de estudar economia, mas como diz o Bastter, é melhor focar no trabalho e investir em valor.

    Abraços!

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    1. Olá IL!
      Obrigado pelas palavras! Sim, eu sei que não fez ironias no comentário:)

      a) Olha, eu possui uma situação financeira diferenciada provavelmente de toda blogsfera. Eu não tenho nenhuma pretensão de ter grandes rentabilidades. Aliás, rentabilidades muito grandes eu tive a sorte (e alguma técnica) de conseguir, mas num mercado que domino muito mais as variáveis do que o mercado acionário. Todo esse meu estudo é para quando chegar minha IF, ou quando eu tiver que tocar o patrimônio familiar, eu não fazer nenhuma cagada, entende? Eu possuo também uma história muito particular com o meu trabalho, que é o sonho de muitas pessoas, mas eu não sinto feliz no que faço, logo eu pretendo ter a IF em muito pouco tempo. Por isso, eu há dois anos e meio me lancei um desafio que eu iria entender finanças para poder fazer uma transição tranquila, para poder ter segurança naquilo que estava fazendo e para mostrar para mim mesmo que eu poderia ser capaz de fazer isso. Aos poucos, com o conhecimento crescendo, vou melhorando a minha confiança, e a segurança psicológica vai aumentando, e isso me dá uma enorme sensação de liberdade. Talvez eu fale sobre isso em outros posts;

      b) Claro, concordo. Essa é a tendência. É um belo ponto. Se a SELIC continuar alta, eu realmente não vejo necessidade de grandes alocações, principalmente em patrimônios mais maduros, no mercado acionário brasileiro. Entretanto, isso não quer dizer que eu não possa tentar entendê-lo um pouco objetivamente. Veja, uma das minhas qualidades como investidor, pelo menos eu acho assim, é que não tenho qualquer relacionamento com nenhum tipo de investimento ou ativo em especial. Apesar de escrever muito sobre FII, se eu achasse objetivamente que o investimento não vale a pena, eu não estou nem aí, e não investiria. Assim, como não tenho nenhuma ligação com ação que eu compro, ou com imóvel que eu compro. Investimentos para mim servem para me possibilitar alcançar objetivos mais nobres na minha vida ou me dar tempo para poder prestar mais atenção ao que realmente gosto na vida;

      c) A discussão sobre IBOVESPA, e empresas boas é ampla, nós dois sabemos disso. Sobre gestão ativa ou passiva. Vou escrever sobre isso. Por mais que possamos não gostar, o IBOVESPA representa o que é o mercado acionário brasileiro, no que tem de melhor, e no que tem de pior, por isso ele sempre vai ser um padrão de comparação, quer a gente queira ou não.

      d) IL, sem qualquer ironia e falo de verdade, eu creio que você é acima da média, como todos nós aqui somos. Olha o grau de sofisticação que você chegou em relação a um brasileiro médio: 1) você não gasta mais do que ganha; 2) você investe; 3) você investe em renda variável; 4) você sabe o que é P/L; 5) você não só sabe o que é P/L, mas tem o conhecimento de que em determinadas empresas de ótima governança e fundamentos ele não é tão essencial, pois empresas dessas vale a pena pagar um pouco mais "caro".
      Perceba que posso não concordar contigo em algumas coisas, mas isso demonstra que você, e todos os outros aqui, são acima da média, e tenho certeza que os objetivos serão alcançados se você continuar assim por muitos anos;

      e) Com certeza, amigo. Se você é jovem, quer aprender com eventuais erros, e não tem medo de recomeçar de novo, o futuro tende a ser bacana para você. No mais, concordo plenamente que a maioria das pessoas deveria gastar mais tempo pensando em como aportar R$1000/2000/3000,00 a mais por mês, do que pensar em ganhar 1/2/3% a mais.

      Abraço!

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    2. IL,

      a questão é que vc ser "tão burro assim". Como o soulsurfer pontuou você em termos financeiros já está muito acima da média da população.

      Mas o que está lhe faltando e ir estudar de verdade o assunto. Eu não entendo nada de medicina e não adianta eu ficar discutindo isso o que eu acho com um médico, pq um outro médico me disse q tal coisa funciona da maneira X. Se eu não entendo do assunto, eu não tenho capacidade para julgar. Por isso é importante se aprofundar, como nosso amigo soulsurfer fez. Ele, inclusive e pelo visto, leu bem mais artigos do que eu.

      Ninguém nasce sabendo. Mas você só terá habilidade para julgar e raciocinar sobre algo se entender o mínimo do assunto. Caso contrário fica muito difícil.

      Citando como exemplo nossas últimas discussões sobre precificação e valor.... vc mostrou lá em meu blog q, até então, não dominava o básico do assunto, a teoria e o movimento e alguns conceitos q o soulsurfer até comentou aqui. Mas cismava em bater na tecla de q "preço não importa" sem qualquer tipo de justificativa plausível para tal.... ou seja, vc está defendendo uma posição teórica sem NEM saber do assunto...

      Então, como já falei e sugiro: estude as áreas. Não caia nessa de do Bastter de "vou gastar meu tempo trabalhando e buscando melhorar minha carreira" pois isso é básico e obrigatório para todos. Os únicos que, provavelmente, conseguirão alguma diferença serão aqueles q tentarem se destacar da "manada da ignorância" (no bom sentido)....

      []s!

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    3. Este comentário foi removido pelo autor.

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    4. IL,

      mais uma coisa, são poucas às vezes que podemos usar no mercado financeiro palavras como vc utilizou: CERTEZA, SEMPRE, NUNCA, GARANTIDO.

      Estas palavras, em geral, trarão problemas para o investidor. Vc dizer que tem CERTEZA q a taxa de juros no futuro será mais baixa q hoje.... desculpe, mas isso é inocência.... não dá pra ter a mínima ideia de como será o cenário geopolítico daqui a décadas. O Brasil saiu de uma situação de Milagre Econômico para uma década perdida, com hiperinflação.

      Como vc acha que as pessoas previam o futuro na época do Milagre? Não confie sua futura aposentadoria em desejos... eu tb desejo que a taxa seja baixa.... e também penso que PROVAVELMENTE a taxa será mais baixa, isso condicionado uma ótima política econômica conduzida pelo governo (o q não ocorre hoje, por sinal).

      Agora ter CERTEZA???? Sem chances.

      Dica: cuidado com essas palavras, elas já levaram muita, mas muita gente pro buraco.

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    5. Di Marcinho,
      A tendência é que as nossas taxas de juros vão se estabilizando em patamares menores, se nós seguirmos o que aconteceu nos mercados mais maduros. Claro, vai saber o que pode acontecer com esses mercados também, vai que algum grande player dá um calote, mas a tendência é de queda de juros, entretanto certeza não o é. Porém, nos próximos 2/3 anos a tendência não é de diminuição, muito menos a patamares de 7/8%.

      Eu também sinceramente creio que todos terão bons resultados financeiros. Para mim a grande diferença vai ser quem vai conseguir se manter por dezenas de anos num plano de investimento. Basta pensar que há 30 anos atrás eu estava engatinhando, tem que ter um grande controle emocional para se manter nos trilhos.

      Abraço a todos!

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    6. E confirma lá né!
      Todos confirmaram já, falta você apenas.

      Abraço!

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    7. Fala, soulsurfer,

      meu comentário foi mais na seguinte frase dele:

      "Eu AFIRMO categoricamente que as taxas de juro no Brasil vão cair cada vez mais. É óbvio."

      Quer dizer então que vamos estar melhor daqui a 30 anos? De 1950 para 1980 pioramos. De 1980 para 2010 melhoramos. Será que iremos continuar melhorando? Vejo até sombras de comunismo por aqui atualmente.... rs

      Se o país melhorar economicamente é óbvio que pode haver uma diminuição na taxa. Mas a questão é justamente essa: ele já está contando, com 100% de certeza, de q isso irá ocorrer. And that's the problem...

      []s!

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    8. Sim, certeza não para ter. Saiu um dado essa semana bem triste, aumentou e muito o número de homicídios, mais de 10% entre 2011 e 2012.
      Agra a nossa taxa é de 29 por 100 mil habitantes, era de 26.
      É a pior taxa desde 1980.
      É um dado bem preocupante. Abraço!

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  6. eita Sô!
    vc é um cara que faz o dever de casa bem diretinho hein?! rs
    nem vou conseguir fazer nenhum comentário que agregue algo ao post, precisaria ler novamente e com calma. Mas uma coisa eu concordo, os mercados são eficientes em um prazo mais longo, mas dentro deste prazo temos várias janelas de irracionalidade. grande comentário este meu, rs.

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    1. Olá UB!
      Só a sua presença aqui já engradece o meu espaço:)
      Com tando dinheiro assim, seria estranho se os mercados fossem ineficientes para qualquer um sair ganhando dinheiro sem risco algum. Entretanto, pode haver alguns fatores que podem aumentar os retornos no longo prazo, sem dúvidas!

      Abraço!

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  7. Fala Soul!

    Depois as pessoas me perguntam porque não invisto em ações, não entendi 5% do que vc falou, rsrs! Brincadeira a parte, acho vc um cara muito inteligente e focado, de longe um dos melhores da blogosfera, só me pergunto se todo esse conhecimento é realmente necessário pra entrar na bolsa.

    Abração!

    Corey

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    1. Olá Corey!
      Talvez seja necessário para ficar fora dela:) hehe
      Brincadeiras a parte, creio que não é necessário se aprofundar tanto, mas eu gosto de ler a respeito, e sinto-me mais confiante a medida que o meu conhecimento vai crescendo. Eu sei que esses conhecimentos me serão úteis durante muito tempo, então procuro "enjoy the process". Na verdade, as finanças já me ajudaram muito em outros ramos da vida recentemente, inclusive monetariamente, então não tenho nada a reclamar. Se você soubesse o tijolão complicado que comecei a ler ontem... mas, não é que estou gostando? ehehe

      Abraço!

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  8. Post extremamente técnico que creio não agregar muito para o pequeno investidor. Com absoluta certeza, não é necessário 10% desse conhecimento para investir na bolsa.

    Como já repeti dezenas de vezes, comprar ações não é muito diferente de investir numa padaria pequena.

    Eu percebi sua crítica velada a "certos" sites. Da mesma forma que o tal site não aceita discussões muito técnicas por entender que esse não é o foco do amador, é necessário admitir que quem domina um assunto como esse do post já não é amador há muito tempo, concorda?

    Surfista, você já pesquisou como as pessoas físicas investem nos países com bolsas de valores mais difundidas que a nossa? Você acha que todo mundo que trabalha 10h por dia e tem filhos vai ter tempo pra mergulhar em teses de doutorado? Então essas pessoas não podem investir na bolsa por não nunca terem ouvido falar em regressões e siglas que mudam a toda hora?

    Resumo tudo o que penso do assunto da seguinte forma: alguém tem que vender livro.

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    1. Olá Troll!
      Obrigado pela sua visita por aqui!
      Vou responder por tópicos.

      a) Olha, o post tem alguns conceitos mais técnicos, mas possui questões interessantes. Veja, eu me considero amador, aliás extremamente amador, pois ainda me falta muita experiência. Entretanto, isso não impede de tentar analisar o mercado de uma forma mais objetiva, não concorda?

      b) Alguns conceitos de importância: o conceito de que o investimento em valor e tamanho produziu retornos positivos. Isso pode evitar que pessoas se tornem "excitadas" demais em mercados ou ativos de acelerado crescimento. O conceito fundamental de "prêmio acionário", sem ele, ainda mais num país com taxa de juros tão altas como o nosso, o investidor em ações dá alguns tiros no escuro, em minha opinião. Logo, a explicação técnica inicial, foi apenas para ilustrar como os pesquisadores chegaram nessa opinião. Poderia simplesmente dizer qual foi o resultado, mas fiz questão de ler os artigos e tentar entender a metologia e como se chegou nos resultados. Como digo no texto, não é necessário entender toda complexidade estatística, nem ter estes estudos como uma fórmula mágica, mas entender que eles podem vir a ensinar alguns caminhos, fornecer filtros para o investidor.

      c) Troll, eu não tenho críticas "veladas" a qualquer site. Agora, se você me dizer que não gosto de ambientes onde o livre pensamento é cerceado ou limitado, aí serei obrigado a dizer que não me sinto confortável. Esse é o meu jeito, sempre fui assim no trabalho (o que me valeu problemas), na faculdade (o que valeu o apelido de "vermelhinho" por um desembargador que dava aula) , etc. É o meu jeito. O que eu procuro evoluir quanto pessoa, é não ficar mais chateado com isso, e tratar a todos, independente da postura, de forma cordial e respeitosa.

      d) Claro, Troll, concordo. Boa parte de investidores amadores americanos investem por contas de previdência como 401K, que são tax-efficient. Boa parte destes mesmos investidores investem em ETF, sendo assim eles, mesmo que inconscientemente aplicam os resultados de muitas teses de finanças. Muito da popularização dos ETFs, fundos de índice, veio de inúmeros livros de pessoas muito competentes como Berstein, Bogle, Ferri, etc. Por não ter tempo de se dedicar tanto, como bem explicitado por você, não creia que faz sentido as pessoas lerem as ideias condensadas em algum livro bem escrito? Para mim faz, com certeza a pessoa evitará cometer diversos erros primários;

      e) De novo, usei algumas siglas e regressões para fazer com que as pessoas pudessem compreender como era o "estado da arte", e como isso tudo mudou com essa nova percepção do mercado. Comecei a ler um outro livro muito mais extenso, e estou vendo que a coisa é ainda mais embaixo. Obviamente, ninguém precisa fazer isso. Estou fazendo eu mesmo, pois acho que é algo que me ajudará nos meus planos, e será um conhecimento que usarei por muitos anos, e poderei aplicar não só em finanças, mas em vários outras áreas. Além do mais, eu gosto de ler sobre o assunto.
      As pessoas deveriam investir em bolsa, mas elas precisam ter um cabedal mínimo, isso não quer dizer dominar técnicas complexas de precificação ou de análise estatística, a toda evidência.
      Veja, eu concordo contigo que a linha de se escolher empresas com bons filtros fundamentalistas, não olhar cotação ou precificação, é uma boa forma da pessoa poupar e gerar crescimento patrimonial. Você mesmo disse uma vez no site do DI FINANCE que isso é uma valuation, mesmo que não tão complicada, mas é. Eu concordo contigo. Entretanto, isso não quer dizer que não podemos tentar ir desvendando alguns "mistérios" no mundo dos investimentos, não concorda? Ainda mais nos nossos blogs onde podemos debater com pessoas tão preparadas como você, por exemplo.

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    2. Por fim, eu não vejo mal algum em uma pessoa vender um livro, mesmo que seja um simples e-book feito por um amador. Se este livro não conter informações falsas, eu prefiro uma pessoa gastando o seu dinheiro com um livro que talvez possa ensinar a ser financeiramente mais responsável, do que essa pessoa gastando uma fortuna para comprar serviços às vezes desnecessários e caríssimos no nosso país inflacionado.

      Valeu, Troll! São conversas assim que nos levam para frente, que nos fazem refletir, e se for o caso mudar algumas coisas.

      Até sexta!

      Abraço!

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    3. Falo da minha experiencia.... se não tivesse seguido o atalho, escolhido empresas sem um minimo de criterio, apenas acreditando que é sempre pra cima, não teria sido chutado do mercado em 2008.... e zerado $$$

      Portanto sou categorico em falar que com ações o camarada em que se dedicar e aprender muito antes de arriscar seu dinheiro, porque depois de perdido já era, não dá pra chorar.....

      Me preocupa muito todos aqueles que incentivam o investimento em bolsa plantando ideias de lucro certo....... o buraco é bem mais embaixo



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    4. Olá, colega.
      Acho que nenhum dos comentaristas aqui apregoaram a ideia de lucro certo no mercado acionário. Certo mesmo é que vamos pagar impostos e um dia falecer. O que se questionou é se seria necessário ter um conhecimento mais técnico ou não. Eu creio que conhecimento não faz mal, e ajuda ainda a aguçar o senso crítico.

      Como você disse em sua experiência não muito boa na bolsa. Para avaliar, precisaríamos saber exatamente o que você fez em 2008, e por qual motivo ficou zerado em dinheiro.
      Creio que há ideias mais complexas, mas não entendo que seja necessário ir tão a fundo para ter uma parcela do seu capital alocado em ações.

      Abraço!

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    5. "Alguém tem q vender livro"

      É bem verdade. As teses, normalmente, são gratuitas e abertas ao público..... rs

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    6. Este conhecimento técnico é para aprendermos o que NÃO FAZER.

      O que é certo ninguém ainda sabe. Mas o que é errado, bom, já descobriram muita coisa....

      []s!

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    7. Eu passei por 2008 e não fui chutado do mercado. Se alguém foi chutado e zerou o patrimônio foi porque vendeu no fundo. Seria interessante que o anônimo dissesse de que empresas era sócio em 2008.

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    8. É seria uma boa mesmo, até para entendermos melhor.

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  9. Soul, concordo que conhecimento pode dar mais segurança e senso crítico, o que um dia pode levar a um nível de conhecimento financeiro mais independente. Achei muito bacana a explicação sobre equity premium e a influência de uma SELIC alta sobre o mercado acionário. Tinha uma noção disso, até porque o Financas Inteligentes já tinha abordado esse assunto num post sobre o provável aumento da taxa de juros os EUA. Mas a sua abordagem foi mais incisiva, no caso do IBOVESPA. E é interessante como pessoas que têm um grau de conhecimento mais avançado parecem não entender um conceito básico como esse. Me lembro de um post do Pequeno Investidor, que é um caro super adepto do buy and hold e tem uma grande alocação em ações, mostrando a sua insatisfação com a queda da SELIC. Não é contraditório?

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    1. Olá Paris! Como o citado Finanças Inteligentes sempre fala não devemos ficar torcendo para que o mercado vá para uma direção ou outra, devemos tentar analisar nós mesmos e traçarmos nossas estratégias para que possamos alcançar nossos objetivos financeiros de médio/longo prazo.
      Por exemplo, no blog do Tetzner às vezes vejo pessoas querendo que a SELIC caia para a quota apanhar, e comprar mais barato o fluxo de caixa. Outros de que a SELIC suba para as quotas valorizar. Eu creio que não devemos torcer por nada, devemos tentar analisar quais os cenários fazem mais sentidos e são mais prováveis e a partir daí nos posicionarmos. Veja, eu falo em probabilidades, ninguém pode saber o que vai acontecer com o país e o mundo daqui 1 ano, quem dirá daqui 10 anos, entretanto creio que há cenários mais prováveis e outros mais improváveis. As pessoas citam muito cisnes negros, eventos improváveis, e eles realmente tem o seu papel, e a teoria começa a tentar entendê-los melhor. Porém, esses são eventos infrequentes, boa parte do tempo os cenários mais prováveis acabam se confirmando.

      É talvez porque ele tenha uma alocação em Renda Fixa, mas se isso é verdade, com queda na taxa de juros, se ele está precificado na verdade vai haver aumento da rentabilidade. A RF e o seu papel num porffólio é um pouco mal compreendido. A RF pode apresentar rentabilidades muito altas tanto com juros caindo, como com juros subindo, se a pessoa possui e procura entender conceitos como duration, maturação, risco de iliquidez, etc.

      Valeu Paris!

      Abraço!

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    2. Opa, sobre a SELIC e os FII troquei as bolas. É o inverso do que eu falei!
      Abraço!

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