domingo, 11 de outubro de 2015

A ERA DA INQUIETAÇÃO - "PERGUNTE AO CAVALO"

 Olá, colegas! Ia ficar um tempo sem escrever aqui no blog, muito devido à intensidade da viagem pela Indonésia. Parece repetitivo e chato, mas a verdade é que em 8-9 dias de viagem pela espetacular e diversa Indonésia, muitas histórias e experiências se acumulam. Estou nesse exato momento, seis e meia da manhã, esperando o transporte de um tour que irá nos levar para as famosas Gili Island. Irão nos pegar (assim espero hehe) em nosso hotel, aquele de 10 dólares, e nos levar para uma cidade a duas horas daqui. De lá, pegaremos um fast boat (uma hora e meia, o barco mais lento leva de 4 a 5 horas) até as paradisíacas ilhas. O custo? Algo em torno de U$ 35,00 para duas pessoas. Algo similar na Australia? Pagaríamos no mínimo uns AU$ 500,00, ou seja, umas 12-13 vezes mais. A Indonésia, e a Ásia em geral, é um catalisador de uma independência financeira viajando. 

    Entretanto, resolvi produzir um texto motivado pelo belíssimo comentário do amigo de ondas e de blog Surfista Calhorda feito no meu último artigo. A mensagem dele foi tão sincera e íntima que creio merecer uma reflexão a respeito.  Primeiramente, colega, só posso me sentir lisonjeado de você ter gasto 45 minutos do seu precioso, e aparentemente tumultuado tempo:), para escrever no meu espaço. Uma mensagem como a sua é um combustível muito poderoso para eu continuar com o meu blog, em que pese eventuais percalços e aborrecimentos com questões paralelas.  E por qual motivo uma mensagem assim me motiva?

    Antes de mais nada, essa é a mensagem: 

"Os últimos meses da sua vida são de causar inveja, leio seus posts com frequência, mas não é uma inveja da sua viagem, de você ter conseguido acumular patrimônio para ter esse momento ou pelas ondas experimentadas, o ponto que mais me chamou atenção foi a possibilidade de se colocar na condição de um ser reflexivo de maneira ainda mais intensiva, você passa com primorosa propriedade que escolheu o seu caminho e não permitiu que o fizessem por você, e que se responsabiliza pelos erros e pelos acertos e demonstra nos seus posts que de maneira recorrente se questiona e busca novos conhecimentos para reafirmar ou até mesmo ajustar suas escolhas e o texto da sua digníssima companheira demonstra que ela segue o mesmo processo reflexivo para fazer escolhas e que ela está também colhendo excelentes resultados. 
Neste feriado decidi fazer uma reflexão em relação as minhas escolhas e descobri que algumas delas não haviam sido feitas por mim, nossa civilização é tão barulhenta que as vezes acabamos abdicando dessa liberdade e seguimos o caminho mais fácil, por preguiça ou mesmo por medo de ser julgado, assim nós perdemos a capacidade reflexiva e temos um comportamento primitivo que pode ser facilmente observado nos outros animais, tentamos a qualquer custo potencializar o nosso prazer e diminuir a nossa dor de maneira extremamente individualista e sem ter um objetivos legítimos, objetivos estes que só podem ser fruto de um pensamento/reflexão mais profunda que nesse contexto não existe.
Quando comento da inveja do seu momento, por favor não interprete essa inveja de maneira pejorativa, posso tomar como base os minutos dedicados para escrever esse comentário, mesmo não tendo a formação adequada para ter pensamentos profundos, precisei pensar para interpretar o texto do post, depois refletir sobre as situações diversas da minha vida que tem alguma relação e fiz tudo isso sendo interrompido diversas vezes, filhos pedindo alguma coisa, chorando, esposa reclamando, minha mãe ligando para reclamar que meu irmão só chega de madrugada em casa e meu irmão mandando mensagens no What's app para se justificar, sei que essa descrição é um exemplo natural da vida de diversas pessoas e isso me faz acreditar que as pessoas acabam perdendo esse poder de reflexão, pois está cada vez mais difícil ter um momento para ter essa conversa interna, fortalecer a fé, fortalecer nossos objetivos, nossas crenças. 
Quase chegando ao final do comentário, investi 45 minutos para tentar produzir algo com qualidade, gastei uma energia descomunal para tentar me concentrar devido as constantes interrupções, e já tenho uma pré-avaliação que o resultado não pode ser uma maravilha. Fazendo essa análise será que vou estar disposto a gastar essa energia novamente no futuro? 
Enfim, espero ter conseguido estruturar meu pensamento de maneira minimamente interpretável, mas o que eu gostaria de saber é se você conseguia tempo, ‘silêncio’, paz e investia energia em quantidade relevante antes de fazer a viagem para pensar e refletir sobre os caminhos. Se já fez algum post sobre esse assunto, peço desculpas antecipadas e aguardo o link para eu fazer a leitura."

   Evidentemente, eu fico feliz quando as pessoas acessam o meu site e deixam comentários construtivos. Não sou Buda, assim fico contente com reconhecimento, mesmo sabedor, nem que que seja do ponto de vista ideológico, que reconhecimento ou não é indiferente para alguém extremamente evoluído. Entretanto, não é a popularidade, ou não, que me deixa satisfeito ou insatisfeito. O alcance desse espaço é pequeno, em 18 meses recebi pouquíssimos e-mails, mas quando vejo alguém refletindo mais intensamente na vida, no trabalho, nos relacionamentos, e, de alguma maneira nem que seja pequena, eu seja o responsável, sinto uma grande sensação e bem-estar. Tudo o que eu escrevo aqui já foi dito de maneira muito melhor por algum grande pensador, seja ele um filósofo, cientista ou ativista pacifista. Entretanto, algumas vezes é difícil nós encontrarmos a fonte diretamente. Um texto mais simples num blog pode em muitas ocasiões ser a porta de entrada para toda uma nova gama de conhecimentos. Foi assim comigo em relação a finanças pessoais, e já deixei diversas vezes públicos elogios a diversos blogueiros por tal fato. Logo, ver pessoas muitas vezes com filhos, idade madura, refletindo na vida e atribuindo, nem que seja uma parcela pequena, tal ato a um questionamento feito em algum texto meu, algo extremamente gratificante. Honestamente, eu não tenho menor interesse em “Alpha”, “Low Profile”, “Beta”, ou seja lá  o que for, aliás eu nem conhecia a existência desses termos há até pouco tempo( a não ser é claro as letras gregas e o seu uso na ciência). '"Low Profile” é apenas uma expressão criada para de alguma maneira o sistema2 das pessoas entenderem, nem que de forma superficial, que dinheiro nunca poderá ser a fonte única de felicidade, bem-estar e sucesso humano, pois como explicar para o nosso cérebro, se dinheiro é o que move o mundo, corações e mentes, que uma bilionário mora numa casa de classe média e não numa mansão nababesca? Ora, isso é explicado por filósofos há muito tempo, e mais recentemente por pesquisas inovadoras no campo da neurociência, mas é mais fácil apenas criar uma expressão, “Low Profile”, do que se aprofundar nas diversas contradições nos quais baseamos nossas vidas, é mais simples e menos desafiador. Logo, não se questiona se os incentivos das nossas vidas são corretos, se a ideologia dominante faz sentido para uma boa vida, ou se os fatos da vida corroboram o que pensamos ser mais apropriado. Cria-se uma expressão “Low Profile” para explicar fatos aparentemente contraditórios (um bilionário tendo uma vida simples), e aí podemos continuar tocando as nossas vidas sem precisar fazer muitos questionamentos.  Sendo assim, receber mensagens, alguns e-mails, de pessoas realmente refletindo em suas vidas, é algo muito bacana mesmo. Portanto, obrigado colega Surfista Calhorda.

   Sim, colega, o mundo ocidental é muito barulhento. Por incrível que pareça, e isso assusta muitos novatos na Ásia, alguns países do outro lado do mundo (em relação a maioria de vocês leitores, não a mim evidentemente) são caóticos, barulhentos, numa cacofonia frenética de sons, cheiros, pessoas, templos, miséria e vida. Em algumas metrópoles latinas, nós temos caos, mas em nada se confunde com o que ocorre aqui. Países mais ricos possuem um silêncio externo muito maior. Entretanto, por mais contraditório que possa parecer, mesmo no meio do caos externo, talvez aqui se tenha mais paz interior e mais chance de se refletir sobre quem somos, o que queremos e por qual motivo queremos. Quando escrevi sobre o ato de rotular, ou a bobagem que é falar direita e esquerda para abordar problemas humanos cada vez mais complexos, é para tentar incutir a reflexão de que o mundo é muito maior do que isso. Nesse tópico específico sobre a Ásia, ou o Oriente,  também se rotula. Uns dirão que aqui é o paraíso espiritual, outros taxarão que “esse orientalismo não tem fundamento” e todos eles estarão errados e certos ao mesmo tempo, tudo por causa dessa busca frenética das nossas mentes por colocar algum rótulo em algo. Isso aqui é apenas vida, diferente em muitos aspectos da vida que temos no ocidente, e similiar em muitos outros. Há questões aqui que não são agradáveis para os olhos de um ocidental, nem tudo são flores, muito longe disso. Logo, não se trata de mistificar o que quer que seja. Porém, talvez devido à religião, talvez ao fato de serem países muito mais pobres do que uma Finlândia, o fato é que as famílias aqui são muito unidas assim como as comunidades. Pessoas mais velhas são respeitadas, muitas vezes são reverenciadas. Famílias e comunidades unidas e respeito aos mais idosos são algum dos motivos que consigo encontrar toda vez que reflito sobre o assunto. 

   Veja o caso do nosso país, o Brasil. Minha mãe já foi “ofendida" algumas vezes no trânsito. Sabe o que falaram para ela (e foram diversas vezes? Sua “velha!”. Sim, aqui a velhice é uma ofensa e a juventude a glória. Não há chance de se construir uma sociedade feliz assim. Reflitamos. Eu nunca serei negro, mulher e talvez nunca passe por alguma deficiência física, mental ou stress financeiro. Logo, nunca poderei saber realmente o sofrimento e discriminação que mulheres, negros, deficientes e miseráveis passam. Entretanto, se absolutamente tudo der certo, eu serei um idoso. Aliás, esse é o caminho para todos que não deixarem a vida muito cedo. Ora, como uma sociedade pode ser feliz e bem estruturada, se de maneira inconsciente, ou não, coletivamente negamos esse fato biológico? Assim, pessoas de 50 querem aparentar 20, botox, cirurgias, e um profundo desrespeito com nós mesmos no futuro. Isso para mim é um problema grave, não só pelo desrespeito com a geração que mais viveu, mas também porque é uma tremenda fonte de ansiedade, tristeza e aborrecimentos para um número cada vez maior de pessoas que se assusta com a possibilidade simplesmente de envelhecer.

   Além do mais, sem comunidades sadias, também não há qualquer chance de uma vida realmente plena. É por esse motivo que tento trazer à tona artigos mais críticos sobre temas que muitas pessoas, e aqui utilizo uma expressão inglesa que captura melhor o sentimento, “take it for granted”. Isso já me valeu, por algumas pessoas (umas cordiais, outras nem tanto), o rótulo de “esquerdista”, “comunista”, ou qualquer coisa que possa acalmar o cérebro sedento dessas pessoas por uma resposta simples. O interessante, como gosto de finanças e realizo operações imobiliárias, é que muitos amigos, talvez para pegar no meu pé, chamam-me de “financista”, “capitalista”, “de direita” (um primo meu inclusive deletou-me do facebook, pois para ele eu era “coxinha”). Depois de vários textos por aqui sobre o tema, não preciso repetir quão simplória e essa forma de ver o mundo.  Destarte, sem profundos laços comunitários fortes não é possível ter uma vida completamente plena. Sabe aquela sensação gostosa que você tem ao tomar cerveja com os amigos? Ou a dar bom dia para o seu vizinho e o mesmo retribuir com um sorriso? Ou aquele jantar de final de ano com toda a família reunida? Sim, colegas, isso nada mais é do que vida em comunidade. 

  Já pararam para refletir por qual motivo há tanta ansiedade e tristeza em algumas  sociedades materialmente ricas? Talvez, porque no meio do caminho do enriquecimento alguma coisa se perdeu. O padrão é idêntico em relação a indivíduos. Portanto, qualquer forma de  abordar o que nos traz bem-estar enquanto humanos partindo da única premissa de liberdade e individualismo é incompleta e invariavelmente está fadada ao fracasso. Nós humanos, enquanto espécie, evoluímos em comunidades. Percebemos, há dezenas de milhares de anos, quiçá centenas de milhares de anos, que éramos muito mais fortes compartilhando do que simplesmente vivendo por conta própria. Logo, tentar entender o ser humano sem levar em conta a nossa biologia é uma postura capenga, irá apenas criar simulacros de entendimento sobre o que é o ser humano. Cria-se uma figura idealizada do que é o homem.

  Por outro lado, nós seres humanos somos seres únicos e individuais. Assim sendo, é importantíssimo que possamos vivenciar a nossa individualidade na plenitude. Liberdade para se movimentar  para onde quiser (o que era negado aos escravos), para se manifestar (o que é negado em muitos países atualmente) ou para empreender os meios que achar mais conveniente para se sustentar na vida (a famosa liberdade econômica) é essencial para se ter uma boa vida enquanto ser humano. Contudo, a toda evidência e muitas pessoas caem nesse erro, isso nunca será suficiente para explicar a complexidade humana, nossa evolução e biologia.

   Cada vez mais isoladas, em vidas tumultuadas (mesmo que sem trânsito caótico, cantorias religiosas, etc), com relações comunitárias deterioradas, as pessoas no ocidente se sentem insatisfeitas, mas simplesmente continuam com suas vidas sem questionar os motivos que as fizeram estar onde elas estão hoje.  A reflexão sobre para onde desejamos ir é central em nossas vidas. Porém, quem faz isso regularmente? Vou citar dois filmes e uma história belíssima de linhas algumas sobre o tema.


   Há uma expressão chamada “Bucket List”. Basicamente, significa uma lista de coisas para se fazer antes de morrer. Há um filme, traduzido para o português como “Antes de Partir”, delicioso sobre esse tema. Sempre adoro rever esse filme, pois ele é leve, gostoso de se assistir (lembrei dele, por causa do Luwak - o café mais saboroso e caro do mundo -  que é produzido na Indonésia, já que passei por diversas fazendas desse café na minha aventura de moto pela ilha de Bali ). Os atores talvez sejam os mais talentosos ainda vivos. O filme trata a história de dois idosos que estão à beira da morte e se conhecem num quarto de hospital. Tornam-se amigos e resolvem fazer tudo o que eles querem antes de morrer. Um deles é muito rico e pode bancar as diversas aventuras. Não vou contar mais sobre o filme, mas há uma parte onde o Morgan Freeman (aliás belíssimo nome) relata para o Jack Nicholson como depois de cessado o “barulho" de sua vida (cuidar e educar os filhos, trabalho, casamento, etc), ele se questionou sobre se a vida dele tinha sido aquela que ele realmente queria ou se a vida apenas, sem nenhuma reflexão por parte dele, o  conduziu para aquele caminho. 

 O filme é sensacional. Quem não viu, veja. Quem já viu, veja de novo! 


   Há outro filme, que poucas pessoas viram, que trata sobre o tema de uma maneira muito mais densa. O protagonista é mais uma vez o excepcional Jack Nicholson. A primeira cena do filme é simplesmente ele sentado esperando o relógio passar. É o último dia dele de trabalho, e ele irá se aposentar como vice-presidente de uma companhia de seguros. No começo do filme, logo depois de se aposentar e o “barulho" ter se dissipado, ele simplesmente não reconhece a esposa de décadas. Atos pequenos dela começam a irritá-lo profundamente, Numa cena ele diz expressamente que não faz a menor ideia de quem seja aquela mulher com quem está dividindo a cama. Esse filme é uma pancada para quem se dedica de corpo e alma ao mundo corporativo e pensa extrair disso uma vida feliz. Algumas pessoas de mais idade que viram o filme, muito por minha indicação, não gostam do mesmo. Será porque, nem que de forma inconsciente, viram um retrato delas mesmas e de suas vidas que é muito doloroso de se admitir? Não sei, o filme é sensacional e recomendo a todos.

As Confissões de Schmidt. Engraçado, provocador, reflexivo e sensível. Ótimo filme. A cena final é espetacular. 


  Os dois filmes aqui tratados foram sobre como o “barulho" pode nos cegar sobre aquilo que realmente importa para as nossas vidas. Encaminho-me para o final desse artigo contando uma brevíssima história narrada pelo monge budista vietnamita, eu prefiro chamá-lo simplesmente de ser iluminado (ou Buda), de nome Thich Nhat Hanh . Num documentário chamado “ONE”, entrevistaram Thich Nhat Hanh e perguntaram para ele “Descreva a situação humana atual”. Ele parou por alguns segundos e contou a belíssima história abaixo (estou fazendo de cabeça, pois faz anos que vi o filme, mas a ideia central foi mantida):

  
   Havia um homem parado à beira da estrada. Este mesmo homem avistou um conhecido cavalgando muito rápido. Intrigado, resolveu perguntar "Onde está indo tão rápido?”, o amigo replicou “Não sei, pergunte ao cavalo”. 

  
     Foi essa a resposta a pergunta. Ela é brilhante, curta e de uma sabedoria impressionante. A síntese, quando bem-feita, é algo que pode ser muito poderoso. Portanto, quem está no controle da sua vida, caro amigo leitor, você ou o cavalo? Você está indo onde você quer ou está simplesmente seguindo o cavalo? 

   Essa é a resposta, não tão curta nem tão sábia como a do monge,  caro colega Surfista Calhorda,  para o seu comentário. Os destinos irão variar para cada ser humano. Você é pai, eu não. Você tem uma história completamente diferente da minha. Logo, nada mais natural que possamos querer coisas distintas na vida. Não há nada de errado nisso, desde que você saiba qual é o seu destino e por qual motivo gostaria de ir para lá. Sempre estamos evoluindo e mudando, logo não há problemas em alterar o curso de nossas vidas, aliás isso é extremamente saudável. Pessoas que são muitos rígidas tem que ter a sorte de que o cavalo as leve para algum lugar saudável e próspero e não para algum lugar que as mesmas irão se arrepender profundamente quando estiverem na parte final de suas breves vidas no nosso planeta.


  Sempre que possível reflitam sobre a sua vida, amigos. Não deixem passar décadas para se derem conta de que viveram vidas que não gostariam de ter vivido. 

Thich Nhat Hanh, um ser humano iluminado, também pode ser chamado de Buda.

     Como o transporte chegou, ufa!, em tempo, acabei esse texto já nas Gili Islands. Lembra bastante as praias lindíssimas do sul da Tailândia, talvez até de um azul ainda mais profundo. Amanhã fazer scuba dive, pois parece que aqui é um santuário de tubarões e tartarugas e quem sabe ainda pegar umas ondinhas de manhã de cedo (eu nem sabia que tinha onda aqui, é surreal, vi umas fotos e pode quebrar perfeito, vixe maria). 

   

Não encontramos por 10 dólares americanos um quarto razoável, mas sim por 12 dólares. Tá bom. É do lado de uma mesquita e eu adoro ouvir os cantos em Árabe (Indonésia fala Bahasa, o que não tem nada a ver com árabe, mas o Corão é recitado sempre em Árabe) chamando para os diversos períodos de oração durante o dia. A sonoridade, apesar de não entender nada do que falam e ter algumas reservas contra religiões institucionalizadas como o Islamismo, é lindíssima. 


   
Grande abraço a todos!

33 comentários:

  1. Excelente texto, obrigado! Seu blog, elenaosurfanada, investidorinternacional, foram os blogs que me inspiraram a criar o meu espaço, que por enquanto é apenas para registro e acompanhamento de patrimonio, mas futuramente postarei mais voltados sobre financas e textos inspiradores que nem esse. Obrigado mais uma vez pela leitura que eu tive nesse manha de domingo.
    MF

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    1. Olá, colega. Fico feliz em ler que meu blog tenha te inspirado de alguma maneira a escrever. Ter um blog amador como o nosso é um bom exercício para amadurecermos em várias questões.
      Abraço!

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  2. Meu deusu, dá até agonia quando vejo um post deste tamanho.
    Realmente seu poder de síntese é 0 (zero).
    Não consegues mesmo fazer artigos leves, de fácil leitura ?
    Precisa mesmo bater record entre os blogueiros, com textos longos ?
    Aff...dá canseira e parei no 3o parágrafo. Vc é o próprio fator de desmotivação na leitura.

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    1. Olá, colega. Creio que não devemos gastar energia desnecessariamente. Há centenas de milhares de coisas para se ler na internet, sendo assim deve escolher algo que lhe dê prazer.
      Sobre o tamanho do texto, ele teve 3 páginas e meia numa fonte relativamente grande.
      Porém, tem razão que não sou muito bom com sínteses, até sou mas para outros propósitos.

      Abs

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    2. Que bom que o texto foi longo, estes longos são os melhores!

      Abraços!

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    3. Além do surf vc curte trilhas tmb soul? Eu estou gostando sus agora, talvez tenha algumas boas onde vc está. Vou conferir esses filmes que deixou, sempre olho o material que vc recomenda aqui. Até logo, abraços.

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    4. Sim, gosto bastante.
      Nos últimos seis meses devo ter feito uns 500km de trilhas.
      Tem várias por aqui, principalmente para escalar vulcões. Entretanto, o visto aqui é curto e meu foco é pegar onda. Além do mais, nada melhor do que fazer trilha no frio, andar horas e horas no calor eu não gosto muito.

      Abs!

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  3. Sua visão de mundo contemplada em seus posts é sensacional Soul!
    Já aguardo ansioso o próximo post.

    Por sinal, aproveito a oportunidade para dizer que fiz um blog www.financasmaisinvestimentos.com.br. Gostaria de sua permissão para indicar o seu blog no meu.

    Abraços

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    1. Olá, Eric.
      Fico feliz que tenha iniciado o seu blog. Você sempre comenta por aqui. Espero que consiga evoluir em finanças por meio do seu blog. Ler é uma coisa, importante obviamente, mas quando tentamos escrever sobre alguma coisa outras regiões do cérebro são acionadas, o que nos faz evoluir.

      Claro, amigo, com certeza pode vincular o meu blog no seu.

      Abraço!

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  4. Soul , a indonésia é tão perigosa como parece ser e alguns dizem?
    Sobre suas questões no texto , infelizmente boa parte da nossa bucket list precisa de $$ para se realizar, ou seja , teremos que aguentar a inquietação para conseguirmos o que queremos.

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    1. Olá, colega. Talvez o maior perigo seja se arrebentar nas bancadas de corais, ou querer ficar na Indonésia por um período muito maior do que o visto permite (eles são extremamente rigorosos com questões de visto, você pode ser inclusive preso se ficar umas semanas a mais do prazo do seu visto).

      A violência como estamos acostumados no Brasil (assassinatos, latrocínios, roubos a mão armada) é quase inexistente em países da Ásia.


      É verdade que precisamos de dinheiro. Entretanto, refletir sobre a própria vida é ainda uma atividade que demanda apenas tempo e não dinheiro (apesar de tempo ser dinheiro).

      Abraço

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  5. Seu texto foi longo, isso dificulta um pouco até para que se possa fazer um comentário.
    Mas penso o seguinte: A aparente paz de espírito ou até felicidade em meio ao caos em especial em países ou regiões pobres se deve em parte a espiritualidade e em parte a simples falta de acesso ao dinheiro e a bens de consumo e talvez também a menor exposição ao marketing e a modismos consumistas.
    São pessoas geralmente sem ambição, sem ou com poucas expectativas e exigências, e de certa forma a falta de desejos faz lidar melhor com as limitações do presente.
    Quanto a educação com pessoas mais velhas o Brasil e acredito que o ocidente de maneira geral já foram assim.
    Muitas características de educação e cordialidade já foram mais presentes no ocidente só conversar com idosos para ter uma ideia de como alguns valores e questões morais faziam parte do cotidiano com mais vigor.
    Vale lembra também que mais especificamente no Brasil a religiosidade já foi mais presente o que conferia ao menos em tese e provavelmente na prática uma maior espiritualidade.
    As vezes penso que alguns ocidentais se "encantam" por essa características quando vão ao oriente, mas esquece que o ocidente também já foi mais próximo desse modelo mas que por uma série de razões se afastou dele.

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    1. Olá, colega.
      Sim, é verdade, e o seu comentário é bem pertinente.
      Como, para a maioria dos países ocidentais ao menos (excetuando a África e alguns países latinos), temos mais liberdade de escolha, isso obviamente traz mais inquietação.
      Com certeza esse não é o ideal para mim. O ideal é que a pessoa possa ter escolhas, e por vontade própria escolher um determinado tipo de vida, não que essa vida seja imposta por condições materiais deficientes.

      Sim, também é verdade. O respeito que meu pai tem pelos meus avós, ambos falecidos, é quase reverencial, assim como a minha mãe pelos meus avós maternos (também já falecidos).

      Por isso pergunto se não estamos perdendo alguma coisa nesse processo de enriquecimento, e se de alguma maneira não podemos resgatá-lo.
      Imagine uma vida com liberdade, condições materiais boas , respeito aos idosos, cordialidade entre todos e comunidade forte? Foi algo que eu encontrei resquícios na Austrália e Nova Zelândia (não muito nos EUA) e por isso me senti tão bem nesses locais.

      Abs!

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    2. Sou o anon das 20:08.
      Não sei se foi o enriquecimento que causou todas as modificações na sociedade ocidental.
      O Japão se tornou um país rico e aparentemente manteve características de educação, espiritualidade e vida em comunidade, por outro lado apresenta sociedade altamente competitiva e focada em resultados o que como tudo tem seu lado negativo como: sociedade individualista e alto índice de suicídios que creio que em grande arte se deve ao perfeccionismo exagerado que pode se tornar um peso.
      Tudo isso é muito complexo, são várias questões envolvidas.
      São questões individuais e também coletivas.
      Acho que há duas raízes importantes das nossas inquietações:
      Vivemos na sociedade do tem que. Tem que ser bem sucedido, tem que ganhar bem e se sentir realizado na sua profissão, tem que casar, ter filhos, ter uma família unida e feliz, tem que ser saudável, tem que ser jovem, tem que ser bonito, não podemos demonstrar fraqueza, tristeza, desânimo ou qualquer outra emoção que demonstre que somos humanos e que como humanos nem sempre acertamos ou conseguimos realizar aquilo que gostaríamos.
      De outro lado existem as expectativas que também fazem parte da vida, mas que quando equivocas nos trazem desilusões e justamente com essas a sensação de vazio e falta de sentido que vez ou outra nos trás inquietação.
      Mesmo sabendo disso em certos momentos é difícil evitar, fugir ou lidar com tais situações.
      Esses locais podem ser o ocidente a amanhã e o ocidente do passado já foi mais parecido com esses locais.
      O ocidente tem condições sim e o para que se viva incorporando as qualidades citadas,mas para isso são necessárias mundanas individuais e entender que talvez algumas evoluções sociais que tivemos talvez não tenham sido tão benéficas assim.
      Equilíbrio é o nosso maior desafio.

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    3. Olá, colega.
      Belo comentário. Concordo contigo. Admiro bastante o povo japonês, mas realmente, pelo menos da superficialidade do meu conhecimento a respeito bem como da minha breve estada lá, há uma pressão social bastante forte o que pode gerar fontes de descontentamento.
      Porém, parece-me que as novas gerações estão conseguindo lidar de uma maneira mais saudável, sem perder muito das raízes do que é ser japonês, com tudo isso.

      Abraço!

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  6. É interessante como a gente acredita que nossa vida está caminhando sempre para um lado bom, mas quando paramos para analisar, percebemos que só estamos indo para um abismo imenso, quase que sem fim.

    Uma coisa que percebi nessa vida é que ela é feita de momentos, grupos de dias, meses, horas ou minutos em que nos empenhamos em algo, e sempre que um momento deste passa, ficamos meio que perdidos em um limbo de coisas que temos que fazer, momentos que nos foram dados como obrigações e momentos que queremos viver, conhecer, ou simplesmente viver.

    Acho que quando deixamos as pessoas dizerem em que momentos iremos entrar, é onde deixamos o cavalo nos guiar. Quando escolhemos o nosso caminho, seja ele por onde for, com o que for, mas que seja nós que escolhemos, ao menos nossa vida está sendo gasta da nossa maneira. Podemos nos arrepender no final da vida? Com certeza, mas ao menos sabemos que descemos do cavalo e andamos com as nossas pernas.

    Os últimos dias do meu intercâmbio estão sendo gastos ao bom e velho modo "bon vivant". Muitos acreditam que estou errado e que deveria não pensar deste modo, mas convenhamos... A vida é muito mais do que fazer coisas certas, afinal, o certo é algo muito complicado de ser explicado.

    Uta!

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    1. Grande Estagiário,
      Vejo que está refletindo bastante, basta ver os seus últimos artigos.
      Bacana mesmo. Com certeza meu amigo, você já teve uma grande experiência no Canadá, isso provavelmente irá resultar em coisas muito positivas para você no futuro, está mais do que certo de se dar um tempo para si e fazer atividades que realmente lhe agradem.

      Abraço!

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  7. Meu camarada, blz? Vc escala em rocha Tbm ou apenas surfa?
    Serei breve assim como fui com o Corey e pedirei um favor, assim que for possível para vc: leia um livro chamado "Noites mágicas em Machu Picchu".
    Grande abraço e sucesso sempre!

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    1. Olá, Investidor Mineiro.
      Não, mas tenho um grande amigo que é fascinado. Não sei se gostaria de fazer escaladas técnicas (há uma pequena aventura minha sobre isso no artigo "A conquista do Mount Amos - Tasmânia").

      O título do texto já me interessou, obrigado pela dica. Creio que tenho que comprar um Kindle ou algo do gênero, pois ando lendo poucos livros ultimamente.

      Abraço!

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  8. Belo post como de costume. Leituras sempre agradáveis!

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  9. A indonésia é um país seguro? Recebem bem os turistas? E o atendimento, educados ou rústicos?

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    1. Olá, Rodolfo.
      A Indonésia é um país enorme e absurdamente diverso. São 17 mil ilhas e mais de 700 línguas (apesar do Bahasa ser o denominador comum).
      Há sim lugares remotos e problemáticos. Banda Acheh no norte de Sumatra é uma região onde até polícia da moralidade há e existe um movimento separatista. Em Papua (na mesma ilha há o outro país chamado Papua Nova Guiné), você não pode viajar para muitos lugares mais remotos sem uma autorização específica do governo.
      Eu, por exemplo, gostaria de ir para, segundo dizem, o Jardim do Eden de vida marinha chamado Raja Ampat e localiza-se em Papua na parte Indonésia.

      Agora, em lugares turísticos como Bali, Gili Island, etc, você será muito bem tratado, e ficará impressionado como as coisas são muito baratas e como um povo pode ser tão educado.

      Não sei como gosta de viajar, mas se você gastar uns 120 dólares por pessoa aqui, você pode ter uma viagem de luxo, algo que iria custar uns 500-600 dólares em países como Austrália, por exemplo.

      Abraço!

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    1. O filme é ótimo mesmo. Uma das coisas que sinto bastante falta na viagem é de ver filmes mais frequentemente.
      Abraço!

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  11. Fala soul

    Cada vez mais interessado na Ásia, você é o culpado. ahahaha

    Eu ainda preciso achar tempo pra ler o seu artigo anterior (vou fazer isso no fds). É realmente surpreendente como muda a maneira de pensar das pessoas na Ásia. Eu nunca visitei a Ásia mas conheci muitos asiáticos e eles realmente tem uma "velocidade" e uma maneira de encarar as coisas diferente. Nas cidades americanas/canadenses e na Europa vc percebe que nos bairros asiáticos tudo muda. É claro que não tem o caos de um país asiático.

    Isso é algo que quero ver. Eu sou um cara que gosta de silêncio, mas nada como a experiência de visitar uma Hong Kong ou uma Bangkok da vida. Um dia irei.

    Faltaram mais fotos da Indonesia soul. Fotos. Vicio em fotos aqui.


    Abs

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    1. Olá Rover!
      Sobre as fotos. Eu vi que você gosta bastante, inclusive sei da sua série sobre fotografia (esse hobby é mais da minha mulher, não meu:P)
      Se eu for anexar todas as fotos com a internet que geralmente eu tenho, não saio daqui hehe
      Estou com vários artigos em andamento, mas sobre a Indonésia vou colocar várias fotos, até porque estou em Lomboc, e tenho certeza que daqui 50 anos, uma terra de 1 milhão de dólares aqui irá valer uns 150 milhões de dólares, pois nunca vi uma beleza tão incrível, num lugar tão inexplorado por turismo de resorts.


      Eu adoro silêncio, nem balada gosto muito. Porém, de vez em quando é bom se imiscuir no casos. Bangkok é destino obrigatório para qualquer viajante. A Tailândia é conhecida como "Amazing Thai", aliás esse é o slogan de turismo lá. Aqui no Brasil, nem slogan fomos capaz de criar.
      Mas, a Ásia tem muito mais jóias e segredos para se explorar. Filipinas é belíssima. Myanmar é um lugar espetacular. Vivenciar as glórias e horrores do povo cambojano uma experiência única (tenho um artigo a respeito, procure "os campos da morte"). Enfim, um sujeito como você irá se amarrar nessa parte gigantesca do mundo.

      Abraço!

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  12. fala, soul,

    mais um excelente artigo. Como vc notou, no mundo ocidental as pessoas estão literalmente se matando por conta de carros caros, apartamentos luxuosos, sem se dar conta de que ao nosso redor há relações sociais deterioradas, volência, descaso.


    A é mais do que status e ilusões.

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    1. Olá, colega. Creio que temos muitas facetas positivas em como nos relacionamos no ocidente. Porém, creio que possamos estar perdendo algo importante. No mais, grato pelo comentário.

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  13. Mais um ótimo post, valeu Soul, cada dia melhor.
    Grande Abraço !

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  14. Soul excelente a inspiração para a reflexão. Confesso que já havia lido o post antes, mas como o fiz utilizando as facilidades da mobilidade não consegui produzir um comentário.
    Antes de continuar gostaria também de agradecer pelo tempo investido em analisar minha resposta e produzir mais conteúdo livre e relevante sobre o tema da reflexão.
    Após ler seu post eu me empenhei para escrever o objetivo principal da minha vida, vou compartilhar com você que é uma tarefa muito árdua e que ainda não consegui concluir. Minha autocrítica está fuzilando este que vos escreve, afinal como pode um homem com mais de 30 anos, responsável pela educação de 2 crianças, por suportar os pais e os irmãos, um legitimo pai de família, estar neste momento ainda sem um rumo principal definido. Mas já fiz o meu pedido ao Papai Noel, tomando como base o bom comportamento apresentado durante o ano, tenho inabalável confiança que irei conseguir mais tempo para me aprofundar nas reflexões e o meu objetivo de vida o quanto antes vai estar mais claro que o mar dos ‘point breaks’ da Indonésia.
    Em tempo percebi que preciso me dedicar a um objetivo acessório o mais rápido possível, que é o de equilibrar o tempo investido nas minhas atividades profissionais e o tempo investido na resolução dos problemas dos meus pais e dos meus irmãos, vou experimentar deixar eles passarem algum aperto para ver se a dificuldade empurra eles ao encontro da capacidade de solucionar os próprios problemas.
    Inspirado pela resposta objetiva e clara do monge, mas fazendo uso da minha herança social, esse objetivo acessório está ligado ao último grande ensinamento da periferia... ‘Quem tem tempo caga longe’ e no momento estou precisando muito desse tempo.
    Novamente parabéns pelo post e por fim, apesar da resposta não ser explicita, ficou claro para mim que mesmo antes da viagem você já dedicava unidades de tempo relevantes a prática da reflexão.

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  15. Olá Colega!
    Fico feliz mais uma vez com o seu comentário, e agradeço as gentis palavras.
    Achei ótimo o dito da periferia:)
    Um grande abraço e torço para que consiga não só ver as coisas com mais clareza, mas que também consiga criar um espaço no seu tumultuado cotidiano para que tenha mais tempo para você.

    Um grande abraço!

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