segunda-feira, 26 de outubro de 2015

CONQUISTAS FINANCEIRAS NÃO SÃO NECESSARIAMENTE INDICATIVO DE SUCESSO HUMANO

Olá, Colegas! Seguindo a linha de um artigo feito há pouco tempo em homenagem ao Abujamra, escrevo sobre algo que parece ter dominado corações e mentes de muitas pessoas: a busca desenfreada por sucesso financeiro, tendo o dinheiro como o maior, ou talvez único, balizador do sucesso humano de um indivíduo. Isso faz sentido? O sucesso financeiro é necessariamente um bom parâmetro para se analisar a trajetória de vida de um ser humano? No decorrer do presente artigo, tento responder a estas perguntas dando a minha opinião sobre o tema.

   “Quem dirige um ford focus fez por merecer”, é o que diz a propaganda. Quando vi pela primeira vez essa propaganda na televisão, automaticamente pensei “E se o Fernandinho Beira-Mar estiver dirigindo um Focus ele também fez por merecer?”. Na época da propaganda, eu ainda estava na Universidade, e o famoso traficante era notícia em todos os meios. Além do mais, o pai de um amigo meu que era delegado da polícia federal estava encarregado da custódia do traficante durante um período de tempo. Logo, a figura do Fernandinho deveria estar bem viva em meu cérebro, por isso a minha associação. A propaganda queria associar o fato de alguém dirigir um carro caro, pelo menos o era na época (aliás, no Brasil todos os carros são caros, e é uma completa insanidade financeira gastar muito dinheiro com automóveis por aqui), a não só sucesso financeiro, mas como também a um sucesso enquanto ser humano. Aliás, é isso que a propaganda que todos são bombardeados de forma acachapante (não, você não é imune a isso, há inúmeros efeitos dessa quantidade absurda de marketing sobre a sua forma de pensar, principalmente e relação ao sistema 1 ,a forma mais instintiva e automática de se posicionar no mundo) tenta fazer com as pessoas: impingir a ideologia que confunde dinheiro com felicidade e por via de consequência sucesso humano.

   Isso é importante. Quase todos os seres humanos muito provavelmente irão concordar que  talvez o maior objetivo da vida é se sentir realizado, uma percepção subjetiva de extremo bem-estar, chame isso de felicidade se quiser. A constante busca desse bem-estar, da felicidade, é algo quase que natural para todos. Assim, associar bem-estar subjetivo humano a sucesso financeiro unicamente possui inúmeras consequências em várias esferas, porém esse texto irá focar em apenas algumas.

   Então, leitores, o Fernandinho beira-mar faria por merecer se estivesse num carrão? Sim ou não? É muito fácil fugir dessa questão e dos desdobramentos, mas creio ser importante enfrentá-la. E se ele não merecesse, por qual motivo ele não mereceria? Alguém pode argumentar que ele não faria por merecer, pois ele se beneficiou financeiramente em detrimento do sofrimento de muitas pessoas. Essa pode ser uma boa resposta. Assim, para fazer por merecer dirigir um carrão, ou seja para que o sucesso financeiro seja equivalente a sucesso enquanto ser humano, é necessário que este sucesso financeiro não seja fruto do sofrimento alheio. Porém, se alguém é franqueado de uma rede famosa de Fast Food  , por exemplo, pode-se falar que o sucesso financeiro dele foi livre de sofrimento de outras pessoas? Muito dificilmente. Não há qualquer dúvida científica que essa espécie de alimento- se é que podemos chamar de alimento - é uma das causas de inúmeras complicações de saúde em jovens como obesidade, problemas cardíacos precoces, pressão alta, entre tantos outros problemas.  A maior epidemia hoje em dia na humanidade é stress e obesidade, com custos, ouso dizer, de centenas de bilhões de dólares para a saúde pública, ou não, ao redor do mundo. Alguém que é dono de uma loja de armas, por exemplo, não pode afirmar, mesmo que esteja de boa-fé,  que eventualmente o produto vendido não seja utilizado para algum ato horripilante. Isso se estende por quase todas as atividades. É por isso que o meu pai sempre me disse que “dinheiro é sangue”, e sempre que eu o vejo ele me pergunta se eu li um livro indicado por ele (o único que ele me indicou em toda vida), mas eu infelizmente ainda não tive a oportunidade de ler.

   Não está convencido? Se você é dono de um bar, por acaso você pergunta de onde veio o dinheiro que irá pagar o cafezinho? E se o dinheiro veio de um latrocínio? Você que vai vender um imóvel se preocupa de onde veio o dinheiro (assumindo é claro que a transferência do dinheiro seja feita de forma legal)? E se o dinheiro vier da exploração do transporte de refugiados sírios para a Europa? Ninguém se importa com isso ou se preocupa. Se assim o fosse, as relações comerciais simplesmente travariam. Logo, é muito melhor, para fins de funcionamento da sociedade, ignorar essa questão. Portanto, a resposta sobre o Fernandinho Beira-Mar talvez não seja suficiente para retirar o mérito do seu sucesso financeiro, pois inúmeras atividades humanas podem estar se beneficiando direta, ou indiretamente, do sofrimento humano.

   Alguém então pode argumentar “Bom, ao menos a atividade de um dono de padaria é legalizada, e de um traficante de drogas não o é”. Esse argumento é muito interessante, principalmente quando proferido por pessoas que acreditam na ideologia de micro-Estado ou de nenhum Estado. Ora, se o Estado deve ser micro, evidentemente uma atividade ser legal ou não, aos olhos do Estado, não pode ser um fator de diferenciação ética entre atividades. Para ficar mais claro, o Estado dizer que uma atividade é legal e outra não, segundo essa forma de ver o mundo, não é um fator suficiente para dizer se uma atividade é correta ou não. Pelo contrário. As atividades deveriam ser livres, sem regulação estatal.  Logo, a chancela estatal não significaria nada sobre a ética ou não da atividade. “Eu não acredito em anarcocapitaslimo ou mirco-Estado, logo isso não se aplica a mim”. Correto. Porém, a questão ainda permanecesse de uma simples regulação estatal não necessariamente ser suficiente para discernir o que é ético ou não. Afinal, e isso é bem claro para quem já teve a oportunidade de estudar direito, legalidade não se confunde necessariamente com legitimidade. Vender cocaína faz mal as pessoas que consomem. Vender salgadinho frito para crianças com menos de 10 anos também. Vender refrigerante também. Vender bebida alcoólica também (ao menos,  a depender da bebida alcoólica, em doses bem moderadas os efeitos podem ser neutros ou até mesmo positivos ao organismo). “Soul, estou achando forçado, um traficante vende drogas ilícitas, isso só pode ser errado”. Pode ser errado, mas qual é a diferença, do ponto de vista ético, de alguém que vende drogas lícitas?  Cerveja é uma droga, mas ela é legalizada pelo Estado. Cigarro é uma droga, mas ele é legalizado pelo Estado. Não há, do ponto de vista ético, muita diferença entre a atividade de vender cigarros e cerveja  e drogas mais pesadas. Pelo contrário. Qualquer especialista no assunto diz que o álcool é uma das piores drogas que existe em relação à saúde pública. Quantas mulheres não foram ou são surradas por maridos bêbados que chegam em casa? Quantos jovens não perdem a vida por estarem alcoolizados na direção do veículo?  O custo social, além é claro das tragédias individuais, é imenso, muitas vezes maiores do que drogas consideradas mais pesadas. 

    Destarte, se alguém é sócio de uma empresa que vende cigarros ou cerveja, faz parte de um empreendimento que vende drogas que invariavelmente ocasionam morte e sofrimento. Portanto, acionistas da Souza Cruz, Ambev (apenas para citar empresas listadas em bolsa que estão diretamente ligadas com a venda de drogas), estão sim se beneficiando do sofrimento humano, quanto mais os lucros sobem baseado em volume de vendas (não em alguma eficiência organizacional), mais sofrimento humano é causado.  Um último argumento poderia ser no sentido de que o Fernandinho Beira-Mar usaria de meios coercitivos violentos em relação a clientes devedores ou a concorrentes. Ora, isso porque o ramo de atuação dele está na ilegalidade. Uma das vantagens de se tornar legal uma atividade é o fato que todo o arcabouço jurídico do Estado de Direito, com suas vantagens e desvantagens, pode ser aplicado em relação à atividade em questão. Assim, um profissional liberal talvez gostaria de empregar métodos “não-tradicionais” de cobrança dos seus clientes em atraso, mas a toda evidência como a sua atividade é legal (pelo menos de princípio), isso seria muito difícil. Além do mais, mesmo empresas em atividades legalizadas usam inúmeros métodos coercitivos contra outros concorrentes, a grande diferença é que talvez seja uma “coerção legalizada”, porém em muitas casos nem isso o é.

   Portanto, do ponto de vista lógico, se alguém confunde sucesso financeiro necessariamente como sucesso enquanto ser humano, e o número de pessoas assim é gigantesco, a aceitação do fato que de que o Fernandinho Beira-Mar fez por merecer um Ford Focus é quase que forçosa. Grifei o “necessariamente”, pois a toda evidência o sucesso financeiro pode significar inúmeras qualidades humanas positivas como perseverança, comprometimento, inovação, etc. O foco desse artigo é apenas em relação a associar sucesso financeiro automaticamente a sucesso enquanto ser humano.

   
   A vida finita de um ser humano neste planeta vai muito além da sua trajetória financeira. Pensem em vocês mesmos leitores. Muitos dizem que seus pais são fontes de orgulho e inspiração. A maioria dos que assim falam diz que os seus genitores não tiveram muito sucesso financeiro (no sentido de grande acumulação de patrimônio), mas são exemplos de vida. Ora, se uma pessoa considera sucesso financeiro equivalente a sucesso humano, então achar o pai um exemplo de vida, sem ele ter tido grande sucesso com dinheiro, é uma contradição lógica. Não, colegas, isso é apenas um indicativo de como nós enquanto seres humanos damos valor para muitas outras coisas além do dinheiro. O amor de um pai ou mãe pelo filho e a capacidade de doação dos país para que os filhos possam ter uma vida melhor podem ser citadas como características tão ou mais importantes do que o sucesso financeiro. Ou alguém prefere um pai rico, ausente e sem amor, ou um pai não tão rico, mas presente e amoroso ( a toda evidência um pai com grande sucesso financeiro pode também ser presente e amoroso, não há uma relação de contrariedade obrigatória)?

   Portanto, prezado leitor,  ao invés de medir o seu sucesso na vida pela quantidade de bens ou de dígitos na sua conta bancária, ou do seu portfólio como um todo, reflita se você foi e está sendo um bom companheiro(a) para a sua parceira(o).  Um bom filho. Um bom amigo. Se a dor e o sofrimento de outras pessoas incomodam você, ou se é indiferente (um outro bom indicativo, em minha opinião, para se avaliar sucesso humano). Se você traz alegria e motivação para pessoas a sua volta, ou se ao contrário traz apenas sofrimentos e angústia. Aliás, para responder se uma pessoa teve sucesso na vida, gosto muito das duas perguntas que a religião egípcia da época dos  Faraós dizia que eram feitas quando do julgamento depois da morte: “ Você encontrou  alegria na sua vida? Você trouxe alegria para vida de outros?” 

  O que vocês diriam, colegas, se tivessem que responder hoje a essas duas questões? Se a resposta sincera não os agradar, nunca é tarde para encontrar alegria e trazer alegria para a vida dos outros. Pensem nos seus pais, aqueles que nutrem admiração, e percebam como eles trouxeram alegria para as suas vidas, e talvez por isso se pode dizer que eles foram seres humanos com grande sucesso. “Mas, Soul, se meu pai me trouxe alegria, era amoroso, mas foi desonesto em diversas atividades em relação a outras pessoas?” Bom, colega, aí entramos no tópico de um outro artigo que pretendo escrever em relação à expressão acrítica, auto-bajuladora, e em essência não verdadeira, sobre pessoas que se auto-intitulam "cidadãos de bem”, num maniqueísmo tão infantil que lembra a política internacional desastrosa do Bush filho quando presidente da maior potência econômica e militar do mundo.

Não sei se estou trazendo alegria para outros, espero que sim, mas estou achando alegria na vida. Soulsurfer em momento de puro êxtase numa das melhores sessões de surf que já fiz. Lakai Peak (East Sumbawa): 6 pés plus, bancada de coral rasa, pesado, qualquer descuido é prancha quebrada no meio e corte de coral (vi várias situações dessas), simplesmente perfeito!

  Grande abraço a todos!
   




36 comentários:

  1. Que legal esta foto que fecha o post, é vc nela? Engraçado que ontem a noite estava assistindo um documentário sobre fotógrafos de surfistas no canal Off e me lembrei de você.
    Abraço!

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    1. Olá, UB! Fico contente que tenha lembrado de mim:)
      Sim, sou eu. É muito bacana esse tema, e algumas imagens de surfistas profissionais são de cair o queixo...
      Abraço!

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  2. Soul,

    Gosto muito dos seus artigos, mas não gostei da argumentação deste em específico. Dizer que sócios da Ambev ou Souza Cruz financiam o sofrimento dos outros é um erro essencial, pois partindo deste princípio coloca-se a responsabilidade do sofrimento causado no produto, e não no consumidor.

    A culpa pelas mortes causadas pelo cigarro é do próprio cigarro? Claro que não. O indivíduo compra o produto e o consome por conta própria. A culpa das mortes por bêbados no trânsito é da bebida? Também óbvio que não. O motorista irresponsável que consome além da conta.

    Culpar objetos inanimados por condutas irresponsáveis de indivíduos vai contra tudo que o liberalismo prega. É a mesma questão do desarmamento, onde a mídia culpa as armas legais, compradas por cidadãos de bem, pelo absurdo número de homicídios do país. Não faz o menor sentido.

    O tráfico de drogas no Brasil, como todos sabemos, não se trata apenas de vender drogas. Os traficantes brasileiros usam crianças e adolescentes como sua "linha de frente", se aproveitando da nossa legislação estúpida, corrompendo a vida de muitos jovens e destruindo famílias, já que estes são sacrificados com frequência e podem ser substituídos com facilidade; os traficantes matam milhares de outros homens por disputa de território, espalham o terror nas cidades, não pagam um centavo de impostos e obrigam o governo a gastar cifras enormes em segurança pública para contê-los. Dizer que os donos da Souza Cruz ou Ambev são moralmente comparáveis a estes monstros é um absurdo.

    De resto, concordo quando você diz que sucesso financeiro não é indicativo de sucesso pessoal. O sucesso financeiro é apenas um detalhe em nossa vida, e como eu sempre digo, deve ser considerado como um meio, e não como um fim em si próprio. O que forma um ser humano são suas virtudes, e não é necessário que se tenha nem um centavo no bolso para possuí-las.

    Não quero que pense que estas críticas tem o objetivo de diminuir o seu texto. Gosto muito do seu blog, e esta foi a primeira vez que encontrei algo que não me agradou.

    Abraços

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    1. Complementando o colega anônimo: quem em ação de empresa relacionada a veículos é culpado por mortes no trânsito? Inclusive GGBR, CSNA, já que seu produto é utilizado na produção de veículos...

      Quem tem CIELO, BB, Itau também é culpado pelas pessoas que se endividam demais e destroem a familia? Acho que tudo pode resultar em algo negativo, mas afirmar que o culpado é o objeto... Acho mto exagerado

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    2. Olá, LCN! Primeiramente, obrigado pelo comentário. Você de vez em quando deixa alguns comentários, e é bacana. Permita-me responder em tópicos.
      Primeiramente, começando pelo final, para mim é muito salutar comentários como esse. Eu aprecio e falo sinceramente. São mensagens como essas que me fazem refletir se cometi algum equívoco ou não. Mensagens de concordância também são boas, mas as que discordam com elegância como a sua fazem nos refletir mais profundamente. Portanto, sem qualquer problemas amigo. Espero que o meu texto, e essa resposta, o tenham feito refletir seja para pensar sobre alguma outra perspectiva, seja para consolidar com mais força eventuais posicionamentos anteriores seus.
      Caro LCN, creio que talvez não tenha interpretado corretamente, ou talvez eu não tenha sido tão claro. Em nenhum momento eu tratei sobre responsabilidades. O texto foi todo construído para tentar responder a questão se o Fernandinho beira-mar faria ou não por merecer, no sentido atribuído da propaganda e de muitas outras, o sucesso como ser humano. Elaborei vários argumentos que talvez pudessem “anular" o sucesso financeiro do traficante, um deles foi o sofrimento humano causado pela sua atividade. Nesse contexto que comparei com diversas outras atividades e repeti algo que meu pai diz, e que é bastante profundo, que "dinheiro é sangue”. Assim como a bebida, o cigarro, uma arma, são objetos inanimados e que não podem ser responsabilizados por condutas humanas, assim também o é o Crack, a cocaína, etc, etc. Logo, o seu argumento se aplica a esses casos. Se assim o é, Fernandinho Beira-Mar mereceria ou não? A premissa implícita do texto é que ele não é exemplo de sucesso humano, pois sucesso financeiro não significa necessariamente sucesso enquanto ser humano.
      Assim como não podemos culpar o álcool, segundo a perspectiva adotada por você, por mortes de jovens alcoolizados no volante, também não se pode custar a cocaína por nada. Porém, o fato objetivo é que o alcool e a cocaína , assim como alimentos pródigos em gorduras e açúcar, causam mal e sofrimento humano. Podemos discutir de quem é a responsabilidade, mas o fato é que esses produtos estão diretamente relacionados a sofrimento humano, creio que negar isso, é negar a realidade.

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    3. Suas palavras: "O tráfico de drogas no Brasil, como todos sabemos, não se trata apenas de vender drogas. Os traficantes brasileiros usam crianças e adolescentes como sua "linha de frente", se aproveitando da nossa legislação estúpida, corrompendo a vida de muitos jovens e destruindo famílias, já que estes são sacrificados com frequência e podem ser substituídos com facilidade; os traficantes matam milhares de outros homens por disputa de território, espalham o terror nas cidades, não pagam um centavo de impostos e obrigam o governo a gastar cifras enormes em segurança pública para contê-los.”
      d.1) Aqui você usa um argumento que não utilizei no texto, o uso pelo tráfico de drogas de crianças e adolescentes, vou colocar que você está se referindo a exploração de pessoas vulneráveis no seu discernimento. É um bom ponto. Porém, você tem que estar disposto a ter o mesmo grau de julgamento com empresas que se utilizam de mão de obra infantil em condições precárias em países pobres. Ou, empresas que se utilizam de mão de obra em regime análogo à escravidão, como muitas empresas o fazem (inclusive houve o célebre caso da famosa marca de roupa e os bolivianos). Aqui mesmo onde estou surfando é um lugar bem pobre. No caminho de vinda, o motorista me disse que tinha uma empresa brasileira minerando ouro e me mostrou o lugar. É a Vale. Podemos garantir que não há exploração de mão-de-obra infantil? Veja, os exemplos são os mesmos em relação à exploração de crianças e adolescentes pelo ramo econômico do tráfico de drogas ilícitas. Se você for no Mises, os coordenadores dirão o seguinte: "pode não ser o emprego dos sonhos, pode ser para padrões de países riscos um regime de quase escravidão, mas seria muito pior para as pessoas se não tivesse esses empregos. As condições são ruins, pois a região-país possui pouco capital acumulado ao longo da história”. Ora, se você aceitar essa premissa defendida com unhas e dentes por libertários daquele espaço, então fica difícil do ponto de vista lógico apartar o tráfico de outras atividades que também exploram pessoas em estado de vulnerabilidade:
      d.2) Os traficantes matarem milhares de outros homens, não pagarem impostos (nem poderiam pagar, mesmo que quisessem. Aliás, alguns países já estão colocando atividades ilegais na conta do PIB), etc, acontece, pois é uma atividade à margem do Estado de Direito. Quando a venda da droga álcool foi proibida nos EUA, os traficantes de bebida também aterrorizavam as pessoas e uns aos outros. Tal problema foi abordado expressamente no texto ao dizer que "Um último argumento poderia ser no sentido de que o Fernandinho Beira-Mar usaria de meios coercitivos violentos em relação a clientes devedores ou a concorrentes. Ora, isso porque o ramo de atuação dele está na ilegalidade. Uma das vantagens de se tornar legal uma atividade é o fato que todo o arcabouço jurídico do Estado de Direito, com suas vantagens e desvantagens, pode ser aplicado em relação à atividade em questão. Assim, um profissional liberal talvez gostaria de empregar métodos “não-tradicionais” de cobrança dos seus clientes em atraso, mas a toda evidência como a sua atividade é legal (pelo menos de princípio), isso seria muito difícil. Além do mais, mesmo empresas em atividades legalizadas usam inúmeros métodos coercitivos contra outros concorrentes, a grande diferença é que talvez seja uma “coerção legalizada”, porém em muitas casos nem isso o é.”
      d.3) Se a venda de drogas ilícitas fosse colocada dentro do arcabouço legal, tenho certeza que daqui dezenas de anos algum grande empresário desse ramo (e não se engane, sempre há demanda para esse tipo de produto), poderia estar escrevendo um livro chamando “Sonho Imenso”, onde ele contaria como com eficiência, trabalho duro e competência ele criou um império que se estende por vários ramos empresariais.


      Agradeço enormemente a sua mensagem LCN. Quase iria fazer um outro artigo a respeito, mas resolvi escrever essa longa resposta mesmo.

      Grande abraço!

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    4. Colega Anônimo,
      Creio que a resposta ao LCN possa trazer alguma luz ao ponto levantado por você.

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  3. Já vi gente escrever bobagem...mas nesse post vc bateu recorde!!!!
    Alfredo

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    1. Hum, e quais seriam as tremendas bobagens?

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  4. Concordo plenamente que sucesso financeiro não tem nada a ver com sucesso pessoal.
    No entanto, a maioria esmagadora dos brasileiros só consideram alguém vitorioso, se tiver carrão e mansão.
    Exemplo: seguidores bonobos do pobreta.

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    1. Colega, o que nos primos genéticos Bonobos tem a ver com tudo isso?:)

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  5. 1) Quantas pessoas que vc conhece estão empenhadas ou interessadas em ganhar dinheiro?

    2) Quantas pessoas que vc conhece estão empenhadas ou interessadas em serem boas ou praticarem o "bem"?

    Não entrando no mérito se conseguimos as coisas ou não, se formos parar para analisar a MERA INTENÇÃO, isto já será o suficiente para termos nossas respostas.

    Abraços, Renato C

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    1. Olá, Renato.
      Creio que conheço pessoas empenhadas em ganhar dinheiro e fazer o bem, assim como pessoas em apenas um das categorias.
      Para mim não há necessariamente uma contradição entre querer prosperidade financeira e se preocupar com os diversos problemas humanos.

      Abraço!

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    2. Exato, também concordo que um não contradiz o outro.

      O que quis tentar provocar é que, ao meu ver, a quantidade de pessoas interessadas em ganhar dinheiro é bem maior do que as interessadas em praticar o bem. Pessoas interessadas em ganhar dinheiro parece algo "óbvio" nos dias de hoje, agora em praticar o bem nem tanto...

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    3. Nesse ponto, concordo contigo.
      Já viu o filme "Advogado do Diabo"? Se não viu, veja, se já viu e faz tempo, veja de novo.
      Na última cena, uma das mais memoráveis do cinema, um Al Pacino numa performance absolutamente fabulosa (ele fazia o papel do Diabo) fala que o século 21 era dele, pois existiam 1 bilhão de Ed Barzons por aí. Ed Barzom era um advogado que pensava apenas nele mesmo, em dinheiro e não se importava com os custos de suas ações nas vidas de outras pessoas.

      Creio que essa cena cai como uma luva no seu comentário.

      Abraço!

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  6. Soul é a primeira vez que escrevo em seu espaço, apesar de ler a maioria do seus textos a um bom tempo.
    Como bem citado pelo LCN seus argumentos neste textos demonstraram um embasamento muito fraco transferindo toda culpa das tragédias alheias para um objeto inanimado, amortizando a culpa do usuário em si que alimenta a indústria criminosa.
    Estude este assunto mais a fundo chegando a suas próprias conclusões, para um sociedade desenvolvida convém acreditar que todos seres humanos estabeleceriam um nível de evolução intelectual & social muito a quem do que existi atualmente.
    Partindo deste principio qualquer ideologia que tente centralizar poder decidir por si o que dever ser aceito ou não tende ao totalitarismo.
    Vamos aos fatos:
    Bem estar social: Promete que o estado será mantenedor de um estado social único onde todos teriam acesso aos beneficiados pela mais bela pureza de seus governantes.
    Capitalismo corporativo: Estabelece alianças com governos financiando guerras ou interesses particulares,financia partidos de qualquer ideologia desde que alinhada aos seus interesses,promove cartelização dos preços, Monopólio de tecnologia etc.
    Logo esta linha tênue entre estado de bem esta social X capitalismo corporativo tende a se desfazer rapidamente.
    Um não anula o outro, para chegar tal embasamento precisaríamos ver além rótulos e nos aprofundar na raiz, partindo desta premissa.
    O discurso de imputar a um objetivo a causa da desgraça tende a ser um meio de maquiar a culpa do indivíduo sobre suas ações.

    Segunda parte diz respeito ao makrting corporativo explorando todas fraquezas na mente humana, esta ferramenta tende a criar emoções por meio da propagando, inserindo na massa desejo de consumo que não se satisfazem com o tempo, portanto cabe outra observação!

    A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa.George orwell.
    Partindo desta premissa a teoria que mais se aproxima da natureza humana é o capitalismo primata.
    Portanto a que de você acreditar em corrente x ou y ideologia nada inverte a ordem dos fatores que o ser humano é raiz das desgraças.
    Tentar anular aliviar a culpa do ser humano imputando a causa de suas ações ao um objetivos não deixa de ser uma tática evasiva.
    No que tange ao noção de felicidade como você sabe a satisfação esta ligada ao psicológico portanto um indivíduo precisa chegar a um estado de auto compreensão, reflexão profunda para atingir um nível desapego ao material.
    Neste aspecto temos diversas correntes chame como quiser: Minimalismo , low profile etc.
    Recentemente foi comprovado que o ser humano precisa de uma quantia relativa em dinheiro e posses para equilibrar sua vida.
    Além de uma certa quantia dinheiro , tal quantia influi na qualidade de vida de um indivíduo , alias acredito que este indivíduo tende a ter uma piora na qualidade de vida.
    Partindo desta premissa observe que boa parte de blogosfera tirando algumas figuras... Boa parte não quer carros e mansões em beverly hills, mas sim um lugar ao som um base para se ver livre da obrigações corriqueiras, passando a se dedicar ao que realmente interessa " qualidade de vida', estudos ou mesmo trabalho eficiente.
















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    1. Olá Mestre dos Dividendos!
      Primeiramente, grato pela mensagem, já vi diversos comentários seus em outros espaços e fico contente que acompanhe o meu blog. A sua mensagem parece-me que foi dividida em três blocos.

      Primeiro Bloco (responsabilização e objetos inanimados) - O texto não trata de responsabilização do que quer que seja. Porém, como você citou o LCN, e como a minha resposta foi razoavelmente longa, remeto às observações feitas lá;

      Segundo Bloco (Estado de Bem-Estar, Capitalismo “corporativo e Autoritarismo) - Há passagens interessantes nessa parte do seu comentário, mas eu não compreendi se tinha alguma relação com o texto escrito. Eu não encontrei. Como foram muitas ideias descritas por você, fica difícil dizer algo mais específico. Entretanto, alguns temas já foram abordados nesse espaço, e sim creio que a responsabilidade do indivíduo é central para construirmos sociedades mais estáveis e evoluídas.

      Terceiro Bloco (Sobre Natureza Humana e Bem-estar) - Se a sua mensagem foi no sentido que temos que entender o que é o ser humano, suas fraquezas, limitações, forças, etc, num contexto científico, principalmente por meio da biologia e neurociência, concordo plenamente. Aliás, creio que isso é uma falha fundamental em quase todos os escritos sobre economia e comportamento humano escritos por não-cientistas como os economistas.
      Sobre o bem-estar, concordo também. Há um patamar mínimo de consumo, e portanto de renda, para um bem-estar subjetivo. Isso é mostrado inclusive em diversas pesquisas sobre o tema.


      Valeu pelo comentário, colega! Abraço!

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    2. Fala soul.
      Algumas ponderações sobre manuais de economia, muita das teoria econômica que temos acesso na grade curricular na maioria das faculdade não evoluiu com o tempo.
      Outra fator que pesa nestas ponderações é que dificilmente tais argumentações podem passar pelo crivo científico.
      Embora o diagnostico do paciente passe por uma área de exatas a solução passar pela área de humanas.
      Portanto aqui é onde a maioria das teorias econômicas peca, nos economistas podemos apenas prever com números para onde a massa se movimenta e quais consequências de suas ações, porem só conseguimos mudar o direcionamento da massa por meio de ações.
      A questão sempre foi que todo este embasamento técnico científico esta muito longe da cultura de massa.
      Outro fator que vou expor tranquilamente sobre até onde as empresas são responsáveis por seus consumidores: As empresas devem ser responsáveis nos sentido de alertar sobre os malefícios efeito coletarias daquele produto, assim como uma medicação vem prescrita com uma bula o produto deve vir acompanhado de conhecimento sobre os malefícios.
      Como funciona no marketing corporativo, as marcas inserem por meio do marketing agressivo uma áurea de bem estar pelo uso de tal de tal produto, se aproveitando do conhecimento adquirido pela neurolinguística para embutir uma visão criada em laboratório.
      O cliente passa a ignorar os malefícios só enxergando qualidade no produto adquirido.
      O markting se baseia em maquiar um produto passando uma imagem de saúde bem estar omitindo o lado podre.
      Lembra da propagando antiga do marlboro aquela do cowboy então....

      No que tange ao argumento 2: Li boa parte de seus textos e partilho em parte de suas visões sei que você busca embasamento na ciência assim como tenho buscado frequentemente.
      O grande dilema da ciência já foi explicada anteriormente: Para que indivíduos cheguem a sociedade de equilíbrio seria necessário abstrair da mente humana boa parte de suas emoções e paixões.
      Consequentemente teríamos uma sociedade puramente racional, aqui começa um grande paradoxo o ser humano é movido pelas paixões.
      Como conseguir dissociar ciência baseada na razão de uma questão baseada da paixão?
      Neste quesito poderíamos até excluir ideologias , pois para ciência sempre será preciso basear uma teoria com experimentos.
      Acontece que não podemos isolar uma sociedade fazendo experimentos sociais buscando modelos mais sofisticados embora isso já tenha sido feito anteriormente por totalitaristas.
      Espero que deste modo tenha tirado sua duvida: O assunto parece no primeiro ponto desconexo ele se complementa quando juntamos as peças do quebra cabeças.
      Economia não é uma área na qual podemos isolar a parte matemática do comportamento humano:Caso foste já teríamos resolvidos muitos dos dilemas que infringem a sociedade a muito tempo.
      Se quer um opinião sincera nem sei se algum dia iremos resolver!
      A não ser que cada ser humano vire uma espécie de gandhi reencarnado.














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    3. Olá Mestre dos Dividendos,
      Bacana saber que você é economista.
      Sobre os seus primeiros pontos acerca de marketing, concordo. Não sei se sabe. mas a Organização Mundial de Saúde colocou as carnes embutidas (bacon, presunto, salsicha, etc) no mesmo grau de nocividade que amianto, devido à possibilidade grande desses "alimentos" ocasionarem câncer. Esses produtos devem estar presente no dia a dia de 99% dos brasileiros que tem algum poder aquisitivo para comprar esses produtos. Onde isso é discutido? E todas as externalidades negativas que um consumo exagerado desses produtos ocasionam? É muito simples e fácil colocar a responsabilidade apenas nas escolhas de indivíduos que cada vez mais são incapazes de fazer escolhas complemente conscientes tendo em vista à complexidade cada vez maior de produtos e informações.


      Colega, não devemos suprimir as nossas paixões e emoções, ser humano é isso. O meu ponto, assim como o sócio do Buffett fala no seu discurso sobre modelos mentais, é que nós devemos procurar saber que às vezes emoções e processos inconscientes é que estão no controle das nossas decisões, apesar disso não ser muito claro muitas vezes.

      No mais, de acordo que a economia possui a sua parte mais "exata" e com certeza é muito influenciada pela nossa biologia.

      Abraço!

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  7. Do ponto de vista ético, Soul está corretíssimo. Vejam por exemplo como as propagandas de cigarros foram banidas da F1. Total contradição, esportes com indústria tabagista.

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    1. Olá, colega. Realmente, associar cigarro com práticas de esporte onde se precisa estar muito bem fisicamente não possui qualquer sentido.
      Abraço!

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  8. Ótimo texto soul, e apesar de alguns colegas aqui terem refutado acho que na verdade é mais um texto de reflexão, da mesma maneira que não existe resposta exata sobre a culpa ou não das empresas ou consumidores , não existe resposta exata para o que representa o sucesso de uma pessoa. Além disso, fiquei curioso sobre o livro que ainda não leu, fale sobre ele depois mesmo sem fazer referência a esse texto, smp vejo suas recomendações. Abraços, boas ondas.

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    1. Olá, colega. Sim, exatamente é um texto para refletir-se. Não é para apontar responsabilidades pelos sofrimentos do mundo, até porque como bem apontado por você isso é uma tarefa quase impossível, se não for impossível.
      O livro é um calhamaço chamado "Os Judeus, o Dinheiro e o Mundo".
      Nunca vi o meu pai falar tão bem de um livro, e olha que ele já leu bastante.

      Abraço e obrigado!

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  9. Ótimo texto. Discussão parecida que tive uns dias atrás com um colega. Conversando sobre o Pablo Escobar, o colega faz um reflexão - será que o cara não tinha nenhum remorso de causar tanta morte e dor com o tráfico de cocaína? Ao que respondi, será que a Souza Cruz e a AMBEV tem algum remorso de causar tanta dor e sofrimento? Em termos objetivos sofrimento muito maior ao da cocaína. Discordando dos colegas acima, álcool e cigarro não são objetos inanimados. São causadores diretos de milhares de malefícios, independente de eu usá-los ou não provavelmente serei afetados por eles apenas por estar próximo, como uma vitima fumante passivo ou uma vítima de acidente de carro ou de violência doméstica.

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    1. Olá, colega. Sim, estamos a falar de externalidades, tópico "esquecido" por 11 entre 10 economistas ao falar sobre crescimento econômico.
      A responsabilidade por beber pode ser da pessoa, o custo em saúde pública, perdas de vida (e de horas trabalhadas) é arcado por todos, inclusive aqueles que não bebem. Empresas como Ambev, Souza Cruz, e quase todas as empresas atuais no nosso sistema, simplesmente não são responsabilizadas pelas inúmeras externalidades. Logo, o custo de produção dessas empresas é claramente errôneo, se fôssemos realmente analisar a questão com mais rigor.

      Abraço!

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    2. Olá Soul.

      Estamos falando aqui apenas das causas negativas de um produto como a cerveja a qual consumo regularmente. Vou falar apenas dela para ilustrar algo que pensei.

      Concordo com o que você disse acima sobre o custo de produção errôneo e o sofrimento alheio que venha a causar com acidentes, mortes e liberação de comportamentos agressivos em algumas pessoas.

      Mas temos que considerar as situações boas que a cerveja (ou outro psicoativo) proporciona também e não apenas o lado negativo.

      - A alegria, a intimidade e facilidade na socialização tão importante para os seres humanos
      - O nascimento de uma criança não programada proporcionado pelo uso em excesso quando um casal desinibido ao esquecer do uso da camisinha. (o uso irresponsável não só pode tirar vidas, como também gerar)
      - A tranquilidade que um cigarro, ao ser usado por uma pessoa que está em extrema raiva a ponto de matar um desafeto, pode proporcionar e com isso esta pode pensar duas vezes antes de executar o crime

      Como tantas outras não imaginadas por mim que não se encontram nas estatísticas. O negativo das coisas salta os olhos e chama mais a atenção. Isso não se refere ao seu texto que foi claro e eu concordo com ele e sim ao comentário acima.

      Coloquei você na lista de blogs do meu site. Pode dar uma olhada lá.
      Só gostaria de saber como fazer para abrir outro link ao clicar no seu site na lista de blogs, assim como acontece no seu...

      Abraços

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    3. Olá, Erik!
      Claro amigo, o mundo é isso mesmo, quase sempre uma zona cinzenta e não preto e branco, como algumas pessoas acham que o mundo e as pessoas são. Há coisas boas e ruins em vários aspectos das nossas vidas, de nossas condutas e em por extensão em alguns produtos que consumimos.
      Não entendi a sua pergunta sobre o blog, colega. Sou uma negação nisso hehe :)

      Abraço!

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    4. Devemos respeitar pontos diferentes de vista. Mas discordo do comentário do Erick Monte.
      O cigarro não traz benefícios a ninguém, a não ser a quem o vende.
      O relaxamento proporcionado pelo cigarro tem mais haver como o suprimento da abstinência causada pelo seu uso do que com qualquer outra coisa. Cigarro não é remédio nem tratamento pra nada.
      Com relação a cerveja ou outros psicoativos facilitarem a interação social, deve-se ter em mente que quando estamos sob efeito de alguma substância nós não estamos plenos alí.
      A pessoa sob efeito de algo do tipo não é mais 100% ela, portanto essa interação ou desinibição é falsa e isso não traz verdadeira satisfação a ninguém.
      Com relação a geração de uma vida filho, acredito que isso deva ser de preferência programado, gerar filhos sem desejá-los ou sem estar certo de que quer isso muitas vezes traz sofrimentos a família e a criança.
      Portanto mesmo que o que você citou fosse considerado benefício, esses benefício são irrelevantes comparados aos malefícios.

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    5. O cigarro traz benefícios a quem fuma de alguma maneira, pois se não trouxesse benefícios a ninguém, quem usaria?
      Acho que o que não podemos é tolher as liberdades individuais de cada um. Se a pessoa não fumar em um avião ou em um ambiente fechado e não incomodar alguém, pouco me importa se fuma ou não.
      Fica muito perigoso quando as pessoas, a sociedade definem o que cada um pode fazer num aspecto muito íntimo ou particular da vida de um indivíduo (considerando, claro, que não invada a liberdade alheia).
      Eu bebo moderamente e quando o faço sou 100% eu e me responsabilizo por qualquer desvio de comportamento. Para mim traz satisfação verdadeira, para os meus amigos e esposa também. Não considero falsa esta interação.
      É como comer um excelente prato de comida, sente-se prazer ao fazê-lo.
      Em relação aos filhos, conheço alguns casais que tiveram filhos sem planejá-los e são muito felizes! A regra geral pode não ser assim, mas o filho que é fruto de uma situação como esta e é amado isso não importa para ele, concorda?
      Fazendo uma analogia, há também casais que tiveram filhos planejados e são infelizes ou passaram por divórcio e o filho, também sem saber disso, pode ser revoltado com os pais, viver problemas familiares graves.
      Não existe preto ou branco nestes casos. A área cinza (do meio) é maior do que os extremos e não se pode tirar conclusões assim na minha opinião.
      Os malefícios estão aí nas estatísticas, os benefícios não. O viés negativista sempre chama mais atenção.
      Há vários países com leis pesadas para quem comete excessos em qualquer tipo de droga e estes malefícios são reduzidos há números bastante razoáveis. Daí, sempre acharão outro problema, sempre terá outra coisa que faz ainda mais mal e atinge mais pessoas como o fast food (ou qualquer comida que aumente muito o colesterol) ou qualquer outra coisa.
      Bem, é o que penso!

      PS: Soul, coloquei seu blog na minha lista de blogs parceiros.

      Obrigado!

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  10. Fala Soul

    Gostaria de ter mais tempo pra tecer um comentário mais longo, mas infelizmente não tenho. Então vou por partes.

    Concordo e discordo de algumas partes.

    Discordo da parte onde vc diz que empresas e acionistas de empresas que vendem bebidas alcolicas e cigarros lucram com sofrimento alheio. Pois as pessoas é que escolhem consumir esses produtos e não são responsáveis o bastante com eles. Não dá pra comparar com um traficante que além de comercializar drogas pesadas, operava de forma violenta, operando em forma de guerrilha urbana. Se for considerar isso, os fabricantes de bolachas recheadas, embutidos e processados de carnes, refrigerantes, etc, também lucram com o sofrimento das pessoas, pois estes tipos de produtos são nocivos à saúde a longo prazo. Então sinto muito, mas discordo dessa sua opinião.

    Agora sobre o sucesso financeiro em si, concordo. As pessoas só consideram o montante de bens ou dinheiro em si, para medir o sucesso financeiro. No nosso país, que é muito pobre, isso fica ainda mais exacerbado. Vc citou o carro. Carro é a maior ferramenta de status do brasileiro, deixou de ser apenas meio de transporte. E é esta uma das razões por termos os carros mais caros do mundo. Essa necessidade de ferramentas de status na nossa sociedade é tão grande, que homens no Brasil, por exemplo, dificilmente fazem sexo se não possuirem um carro. Vai vendo o nível em que chegamos.

    Posses materiais vão proporcionar felicidade de maneiras diferentes para pessoas diferentes. Pois as pessoas estão em níveis de consciência diferentes. Eu por exemplo, quando sair do Brasil quero ter sim um carro caro na garagem, mas é pelo prazer de ter e pelo prazer de dirigir. Para outros que pensam diferente de mim, é para dizer para o circulo social dele que ele pode.

    É realmente muito dificil afirmar de maneira engessada que o sucesso financeiro não é um indicativo de sucesso humano. Eu acredito que pessoas com recursos sempre podem ser seres humanos melhores do que os que não tem recursos, pois eles tem a oportunidade de proporcionar experiências felizes para si mesmo e para os outros.

    Veja vc mesmo. Se vc não tivesse dinheiro, não estaria viajando nesse momento e contemplando as questões filosóficas da nossa existência como sociedade. Estaria em um emprego maçante preocupado em completar as tarefas atribuidas.


    Dinheiro não é tudo na vida, mas seria hipocrita da sua parte, da minha parte e da parte de qualquer um dizer que ele não importa. Importa sim e muito.


    Abs


    P.s. Curti a referência ao filme do Jack Nicholson e do Morgan Freeman.

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    1. Olá, Rover!

      Pelo final. Concordo contigo. Por isso, coloquei o advérbio "necessariamente", e ainda indiquei no texto que "Grifei o “necessariamente”, pois a toda evidência o sucesso financeiro pode significar inúmeras qualidades humanas positivas como perseverança, comprometimento, inovação, etc. O foco desse artigo é apenas em relação a associar sucesso financeiro automaticamente a sucesso enquanto ser humano."

      Consumo é necessário para o bem-estar, como já dito diversas vezes nesse espaço, sempre citando pesquisas nessas áreas. Não vejo nada de errado em alguém querer ter um carro caro, como bem dito por você, as pessoas buscam aquilo que possam trazer bem-estar. Apenas creio que na esmagadora maioria dos casos, um carro caro não irá trazer grandes ganhos de bem-estar. Mas sempre irá ter aquelas pessoas que realmente gostam de carros, como um amigo meu que quer ter uma Ferrari, pois é apaixonado por carros (pelo menos ele queria na faculdade, não sei se mudou de opinião).

      A questão da violência de traficantes de drogas foi abordada no texto e na resposta ao amigo LCN. Quando uma atividade está à margem do Estado de Direito, as pessoas dessa atividade à toda evidência terão métodos à margem da legislação. Isso independente de se concordar com a legalização ou não de drogas mais pesadas (eu não tenho opinião formada), qualquer setor à margem do ordenamento jurídico muito provavelmente utilizará métodos violentos. Aliás, essas atividades são a forma de como atividades humanas e econômicas acontecem quando não há Estado: violência e opressão.

      Agora há traficantes que são elegantes, bem vestidos e dificilmente usam de violência: vendedores de drogas sintéticas para pessoas ricas usar em suas diversões. Nesse caso, é menos deplorável a atividade? Deixo a pergunta para você.

      Claro que se beneficia com o sofrimento humano, Rover. Não admitir isso, em minha opinião, é negar a realidade. O que você talvez quis dizer é a questão de responsabilidades. Tal linha de argumento também foi referida na minha resposta ao LCN. Mesmo se partirmos do argumento que a responsabilidade é de quem consome (então o mesmo argumento se utiliza para drogas pesadas, bem como se alguém vender uma torta deliciosa e avisar que mata em 1 mês, num exemplo mais radical), não me parece possível não dizer que uma pessoa que vende alimentos reconhecidamente maléficos para o nosso organismo não se beneficiam do sofrimento. Ora, a responsabilidade é de quem consome, ok vou partir do pressuposto que isso é correto, mas o fato é que houve sofrimento humano e alguém se beneficiou disso.

      Isso nunca é discutido, e nunca será num nível mais profundo, pois senão talvez as pessoas verão que não são tão inocentes quanto acham que são. É como trabalho escravo. Todos nós nos aproveitamos de trabalho escravo, há inclusive uma ferramenta na internet que tenta medir quantos escravos estariam trabalhando indiretamente para a gente. Mas sinceramente alguém se preocupa com isso? Se um mineral importante para a fabricação de um smart phone é minerado em algum país miserável da África num regime análogo a escravidão, alguém se importa (alguns se importam, mas evidentemente não a maioria)?.

      Valeu pelo comentário, Rover! Sempre me instigando

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  11. Infelizmente vivemos no mundo do delírio, ostentação e propaganda. A sociedade de consumo tornou-nos viciados em compras e em comportamentos prejudiciais.

    Poucos refletem sobre isso, a grande maioria apenas quer comprar o novo celular, o novo carro, num consumo insano.

    mas alguém melhora como ser humano por usar um relógio caro? Um carro de luxo torna um pai melhor ou uma mãe mais amorosa?


    Prefiro usar o dinheiro para melhorar a vida, sem ser mais uma vítima do consumismo.

    Para variar, mais um excelente post.

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  12. Soul,

    Brilhante sem post e resumido, para mim nesta frase sublime:

    "Você encontrou alegria na sua vida? Você trouxe alegria para vida de outros?”

    Talvez por eu ter estar aderente (ou acreditar nisto) principalmente à segunda pergunta. No entanto quero deixar uma frase de estímulo a todos que acreditam nessa frase e acham-se "não plenos" quanto ao sentido dela...

    "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim"
    (atribuído a Chico Xavier).

    Grande abraço a você e minhas recomendações a Sra Soulsurfer! :-)

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    1. Olá, Carlos!
      Como está meu amigo? Malas prontas para Portugal?:)

      Obrigado pelo comentário.

      Grande abraço!

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  13. Jesus Cristo:

    Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam;
    Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
    Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
    Mateus 6:19-21

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