sábado, 24 de outubro de 2015

VOCÊ NÃO É UM GESTOR PROFISSIONAL - SOBRE TEMPO E FINANÇAS

Olá, colegas! Espero que esteja tudo bem com os prezados leitores desse blog. Sim! Sim, finalmente estou surfando na Indonésia. Faz uns 10 dias que surfo todos os dias sem parar, o meu corpo já está ficando dolorido. Ainda tenho mais 8 dias na afastada e nada turística ilha de Sumbawa. Estou aqui surfando Lakai Peak, uma onda forte e muito conhecida no mundo do surf. Hoje foi uma das melhores sessões de surf que já tive na vida. Uns dias atrás estava em Kuta na ilha de Lombok, que lugar lindo. Peguei várias ondas boas e conheci diversas pessoas bacanas lá, muitas mesmas, foi bem especial. Estou para escrever outro artigo para o blog desde um insight que tive descansando numa piscina na Gili Air (uma ilha lindíssima, fui para lá depois de ficar duas noites na ilha festeira Gili T). Isso já faz uns 12 dias. Porém, não reservei um tempo apenas para escrever. Resolvi fazer isso agora, enquanto espero a maré subir mais um pouco e o sol arrefecer para ir surfar pela segunda vez no dia. 


Olha o visual do Mergulho que tive na Gili Air (considerado um dos melhores lugares do mundo para se mergulhar). Foi simplesmente demais. No mesmo dia tive um insight enquanto descansava numa piscina  bem bacana de um hotel de apenas 13 dólares.

  Afinal, qual é o tema do artigo? Não sei ao certo, vamos ver o resultado quando eu parar de escrever. Entretanto, os “tijolos" de construção desse artigo serão três artigos de outros blogs. O primeiro é um artigo do Dividendos, blogueiro bem conhecido, onde ele faz a pergunta sincera e pertinente se nós investidores amadores não deveríamos buscar aconselhamento profissional em matéria de finanças  - Profissional Eu? O outro é um artigo do Blog Di Finance sobre como o longo prazo nada mais é do que a sucessão de diversos prazos mais curtos - A ilusão na dicotomia curto prazo e longo prazo. Por fim, o último artigo é um do Blog do Rover recomendando alguns livros para leitura (nenhum sobre finanças - Livros para crescer e enriquecer) . O que esses artigos aparentemente desconexos podem ter em comum? Veremos.

  O que é o tempo? Essa questão é muito profunda, muito mais do que o nosso cotidiano sem tanta reflexão por questões mais abstratas pode nos levar a crer. Essa é umas das questões mais polêmicas na Física Moderna, por exemplo. Eu guardo uma profunda admiração por Einstein, pois ele conseguiu mudar a nossa compreensão sobre o tempo (ele também mudou a nossa concepção sobre espaço). O brilhantismo disso, a inovação dessa forma de pensar, é tão profundo que eu só posso atribuir essa ânsia moderna de chamar muitos de gênio ao fato da maioria das pessoas desconhecerem o que muitos homens da ciência fizeram, é a única explicação possível.  Warren Buffett está a muitos anos-luz, mas muitos mesmo, de ser considerado um gênio da humanidade se levarmos em consideração os diversos trabalhos de Einstein e como eles mudaram profundamente nossas vidas.  Assim, a questão do que é o tempo é muito complexa, não é o foco desse artigo esmiuçar esse tema, nem mesmo teria competência para tratar de maneira adequada desse assunto. Porém, aqui vou definir tempo como o que achamos normal e intuitivo, uma sucessão de acontecimentos que sempre vai para frente e nunca para trás. Contudo, fique claro que não é esse o conceito atualmente aceito por físicos, ou melhor dizendo, não é apenas esse.

  Logo, o tempo de nossas vidas é a sucessão de anos que estamos vivos. O ano é a nossa única medida? Claro que não, podemos medir o tempo em meses, dias, horas, segundos e até mesmo em frações menores do que segundo, se for para medirmos em unidades menores do que um ano, ou em décadas, séculos, milênios, etc, se formos medir em unidades maiores do que um ano. Refletir sobre isso já nos traz alguns insights interessantes. Você pode se preocupar no que vai acontecer no próximo ano, mês, ou hora. Entretanto, apenas em situações muito especiais você irá se preocupar com que irá acontecer no próximo milisegundo ou no próximo milênio. Por qual motivo? Simples. A realidade dessas medidas de tempo parecem não nos dizer respeito enquanto indivíduos da espécie humana. Elas são desnecessárias? Evidentemente que não. A física de partículas (antes que você ache que não tem qualquer relação com a sua vida “prática”, sem esse campo do conhecimento humano não há empreendedorismo nos moldes atuais, ou até mesmo os confortos da vida moderna, pois simplesmente não haveria qualquer equipamento eletrônico. Foi e é a Ciência que nos faz avançar enquanto espécie, apesar de algumas ideologias quase não darem nenhum crédito a esse fato básico da vida) usa medida de tempo que são incompreensíveis para nossos cérebros. Ou por algum motivo a gente consegue conceber o que é um nanossegundo (10 elevado a -9 segundos)? Não, é impossível. Logo, não há importância aparente para a nossa vida prática do dia a dia, mas essa medida de tempo é crucial para o aumento do nosso entendimento sobre o universo e as diversas aplicações práticas que isso traz para a vida das pessoas comuns. 

  Porém, o que é um segundo se não a junção de centenas de milhões de nanossegundo.  O que é um milênio senão a soma de 1000 anos. Logo, o que acontece num nanossegundo não é importante para nossas vidas, apesar de milhões de nanossegundo juntos terem uma importância prática muito maior. “Soul por qual motivo essa divagação toda sobre segundo, milênio, vá ao ponto!” algum leitor pode estar dizendo ao chegar na leitura dessas palavras. Aqui, posso começar a tratar dos três artigos supracitados. No artigo do Di Finance, o foco é que como o longo prazo é uma sucessão de prazos mais curtos, não se preocupar com o que acontece no curto prazo em suas finanças e deixar tudo para o longo prazo pode ser um erro. Sim, ele está correto, mas vamos refletir um pouco  mais sobre esse tema.

  No artigo em questão não é definido o que é longo e curto prazo. Vamos, apenas por conveniência, dizer que o curto prazo é um mês e o longo prazo 25 anos. Assim, o retorno financeiro que um investidor terá com o seu portfólio será a sucessão de retorno de todos os meses nestes mesmos 25 anos. Correto. Logo, o investidor deve se preocupar com o retorno que teve mensalmente. Talvez. Porém, o mês é formado de dias. Se redefinirmos longo prazo como um mês e curto prazo como 1 dia, o mesmo raciocínio, pela lógica formal é o mesmo, se aplica aqui. O seu retorno financeiro num mês será a sucessão de retornos diários. Logo, o investidor deve se preocupar com o seu retorno diário. Aqui já começa a ficar um pouco esquisito, não? E se redefinirmos mais uma vez longo prazo como um dia e curto prazo como um minuto? O investidor terá que ficar preocupado com o seu retorno financeiro a cada minuto? Pode ser que sim, pode ser que não. 

   Não faz sentido, em minha opinião é claro, preocuparmos demais com retornos financeiros em prazos mais curtos, a não ser que tenhamos objetivos financeiros que dependam exclusivamente de resultados em períodos mais curtos de tempo. Assim, se alguém quer operar fazendo day-trades, talvez o retorno financeiro minuto a minuto possa fazer sentido, pois a pessoa tem algum objetivo financeiro que dependa de retornos em curtíssimos períodos de tempo. O longo prazo para um trader é diferente do longo prazo para alguém que quer simplesmente ter uma velhice ou um futuro mais tranquilo. Essa é uma grande omissão, em minha modesta opinião,  no artigo do Di Finance (apesar dele ter bastante valia no sentido de chamar atenção sobre escolhas erradas de ativos financeiros): não considerar que há objetivos financeiros distintos, o que envolve prazos de maturação completamente diferentes, entre diversos investidores.


  Portanto, se alguém que possui o objetivo de pagar uma faculdade no exterior para um filho de dois anos, ou se alguém quer ter um complemento de aposentadoria com o capital acumulado daqui 30 anos, a pessoa deve se preocupar com os retornos financeiros, diários, semanais ou mensais? Eu creio que não, se entendermos preocupação como estado de espírito que gera angústia e desconforto mental e até mesmo físico, o que é o caso para muitos investidores. Quando a pessoa passa por situações como essa uma verdadeira cascata bioquímica ocorre no organismo, com resultados terríveis para o corpo. O Stress é um dos maiores venenos para a nossa sanidade física e mental. Logo, devemos guardar o Stress apenas para situações que realmente possam nos deixar muito preocupados. Apenas ressalto que o Stress tem a sua importância biológica, principalmente na evolução de nossa espécie. Se um ser humano há 25 mil anos fosse ameaçado por algum animal feroz, faz todo o sentido do ponto de vista biológico  que o nosso organismo reaja de maneira rápida e intensa ao evento, mesmo que isso eventualmente gere um processo de reações químicas adversas ao nosso corpo no longo prazo (melhor estar vivo no curto prazo). O problema é que em nossas vidas modernas muitas pessoas estão deixando que o stress seja algo quase que permanente, o que ocasiona consequências desastrosas no médio-longo prazo de vida desses indivíduos. O Stress é uma doença moderna e está se espalhando com uma velocidade incrível e surpreendentemente isso é aceito como um fato da vida, o meu último artigo de maneira indireta toca nesse assunto.

  Isso quer dizer que compro OGX, ou FII, ou títulos do governo suíço pagando juros nominais negativos, e deixo isso tudo para o longo prazo, acaso os resultados financeiros de mais curto prazo sejam negativos,  já que o meu objetivo com finanças é apenas aposentar daqui dezenas de anos? Não, colegas, claro que não. A maioria das pessoas que leem esse espaço já possui alguma, ou muita, experiência com finanças. Todos nós sabemos que devemos escolher ativos que possuam a possibilidade de se valorizar em prazos mais longos, pois são bons geradores efetivos  ou potenciais de fluxo de dinheiro. Às vezes erramos em nossas assunções e escolhemos ativos ruins, e não há nada de errado em reconhecer o erro, quanto antes melhor. Ora, temos que ser práticos, quantos investidores não se arrependem de algumas escolhas feitas sem muito pensar? Isso é normal, e temos que ter humidade intelectual e admitir que erramos. Porém, isso em nada confunde com os ciclos mais do que naturais dos ativos financeiros.

  O mercado imobiliário, por exemplo. A não ser países com população estável, ricos,  e com crescimento econômico baixo (e mesmo assim tenho minhas dúvidas), é mais do que natural, e a história pulula de exemplos, que os imóveis tendem a ter ciclos muito longos. Eu já escrevi sobre isso algumas vezes aqui nesse espaço. Quão longo vai ser um ciclo depende de inúmeros fatores, mas o fato é que nenhum ativo financeiro atrelado ao mercado imobiliário vai ter retornos financeiros negativos por décadas a fio. Pode acontecer? Evidentemente que há essa probabilidade, mas ela é bem pequena em minha opinião. Por qual motivo? Colegas, se os preços dos imóveis tiverem rentabilidades reais negativas por muitos e muitos anos, o que vocês acham que num cenário como esse estaria acontecendo com a renda dos trabalhadores, o retorno dos capitalistas e a arrecadação do Estado? É possível que a renda dos trabalhadores cresça, os lucros empresariais cresçam e arrecadação do Estado aumente com os imóveis tendo retornos negativos por dezenas de anos? Não, não é possível. Se os ativos de uma economia colapsarem, ou tiverem retornos negativos por muitos e muitos anos, a única consequência possível é uma retração brutal e avassaladora no nível de vida das pessoas e da precificação em todos os ativos financeiros desse país. 

   Assim, há muita gente inteligente e preparada querendo descobrir a duração de ciclos de ativos, pois as recompensas são gigantescas. Não vou entrar no mérito se isso é possível ou não, mas adentrar nos artigos dos dois outros blogueiros citados. O artigo do Dividendos faz uma pergunta sincera e bastante pertinente se não faz sentido investidores amadores como nós buscar ajuda de profissionais do mercado financeiro. Colega Dividendos, faz todo o sentido do mundo, principalmente para pessoas com patrimônios mais substanciosos. No meu caso específico,  1 ou 1.5% ao ano a mais é quase equivalente ao quanto eu gasto por ano para ter uma  vida confortável no Brasil. Logo, gestores profissionais podem sim nos sugerir alocações patrimoniais que possam melhorar os nossos resultados sem resultar em aumentos substanciais de riscos. A toda evidência, precisamos ter cuidado com potenciais conflitos de interesses e gestores profissionais que talvez não sejam tão bons, mas é sempre importante ouvir opiniões de pessoas que dedicam a sua vida ao mercado e que possam ter um interesse genuíno nos interesses dos clientes. 

  Porém, o principal ponto de gestores profissionais é o tempo. Em minha opinião, e o excelente blog investidor internacional (pretendo falar mais sobre esse espaço da internet num próximo artigo sobre investimento no exterior) é um exemplo prático, um gestor profissional pode ser substituído por uma boa alocação em ETFs. Porém, infelizmente, o Brasil é ainda carente nessa espécie de instrumento financeiro. Lembram-se da discussão sobre o tempo alguns parágrafos acima? O fato é que o nosso tempo de vida na terra a cada momento se encurta, ele não aumenta. Se pensarmos em vida com saúde física e mental, o nosso tempo é ainda mais curto. Portanto, mesmo pensando de forma apenas econômica, o tempo é um ativo valiosíssimo e escasso em nossas vidas. Nem sempre podemos fazer o que a gente realmente quer na vida, alguns, ou vários, sacrifícios precisam ser feitos para alcançarmos alguns objetivos, porém se de alguma forma conseguirmos minimizar a quantidade de tempo gasta em atividades que não nos deixam muito satisfeitos, melhor para a nossa sensação de bem-estar e felicidade. 


  Assim, gestores profissionais podem nos economizar tempo, e isso, meus amigos, numa vida cada vez mais conturbada na qual muitas pessoas estão submetidas não é pouca coisa. Isso me leva ao artigo do colega Rover. Ele fez uma resenha pessoal de vários livros não-financeiros. Até aqui nada demais. Entretanto, eu estava numa piscina descansando, depois de fazer um mergulho na Gili Air, e aproveitando para fazer um artigo sobre dólar, investimento no exterior e recency bias. Como tinha internet, resolvi reler alguns estudos do credit suisse international (são excelentes), bem como ler o novo do ano de 2015. Quando estava lá pela décima página num artigo sobre taxa implícita de desconto e como a atual do mercado americano estava muito menor do que a média histórica (no decil 90 se não me engano), o que poderia indicar uma grande sobreavaliação dos ativos, eu me dei conta que apesar do tema ser interessante, não era exatamente sobre o que eu queria ler, e instantaneamente lembrei dos livros indicados pelo Rover, os quais confesso li apenas dois.  Pensei comigo mesmo, e eu já fiz isso diversas vezes, " eu não sou um gestor profissional, eu não quero ser um gestor profissional". Apesar disso eu já li muito material que só tem sentido para gestores profissionais. Aprendi bastante coisa, algumas apliquei em meus raciocínios imobiliários, mas o fato é que eu não sou responsável pela gestão de centenas de milhões de reais e nem quero ser num futuro próximo.

  O que eu quero é ter uma semana tão agradável na companhia de tantas pessoas bacanas (um espanhol, uma brasileira, um brasileiro que mora em Noronha e é apresentador do canal OFF, dois brasileiros Kiwi e um brasileiro doidão que mora simplesmente em Bondi Beach em Sydney - quem não conhece é um dos lugares mais caros para se viver do hemisfério sul) como a que tive em Lombok. Eu quero pegar altas ondas em Lakai Peak às 5 e 20 da manhã como fiz hoje (o artigo está sendo terminado apenas agora). Eu quero ir para  a disnelândia  do surf nas ilhas Mentawai no oeste da ilha de Sumatra, o que se tudo der certo acontecerá em duas semanas. Eu quero ler diversos livros sobre romance, drama, ciência. Para isso eu preciso de tempo, eu não preciso de retornos financeiros absurdamente altos, o que se for possível com certeza vai me demandar muito tempo, porque a minha satisfação não virá de uma Ferrari ou alguma mansão em Miami. Creio que muitas pessoas pensam de forma parecida, pois perceberam como o que mais temos de importante é a nossa saúde e o nosso tempo, não as coisas que eventualmente podemos possuir. Infelizmente em muitos casos são as coisas que possuem as pessoas, e não o contrário, o que é uma inversão total e completa de sentido. 

   Portanto colegas, e aqui encaminho-me para o fim do artigo, não se preocupem e fiquem estressados de maneira desnecessária. Preocupar-se com coisas que não temos qualquer controle  como: se o dólar vai voltar para o seu patamar de paridade com o dólar, algo em torno de R$3,15, ou se vai a R$6,00, se o FED tentará aumentar a FFR e com qual intensidade, se o conflito da Síria irá se transformar num conflito muito maior, se o Brasil voltará a crescer em 2017 ou 2019 ou como estará o mercado financeiro brasileiro em 2022, etc, etc. Evidentemente, precisamos nos preocupar em administrar bem o nosso patrimônio, em momentos de turbulência tentar manter o poder aquisitivo do mesmo (e o Brasil é pródigo nisso com juros reais estratosféricos) e conseguir bons retornos financeiros em períodos mais curtos de tempo. Ora, quem não quer isso? Porém, o que mais um pequeno investidor, além de diversificar em vários ativos (e talvez para quem tenha um pouco mais de capital em ativos no exterior) de classes diferentes pode fazer? Talvez existam técnicas sofisticadas com derivativos para proteger ainda mais o investidor, porém se os objetivos financeiros de investidores amadores depender disso, creio que isso seria contrário a todas as evidências a minha volta (minha família, eu mesmo, diversas pessoas que conheço, que apenas acumularam e investiram o seu dinheiro com parcimônia) e não faria muito sentido, pois tornaria a finanças pessoais território de pessoas altamente treinadas, o que não é verdade. 

  Uma vida com mais tempo para fazermos coisas que nos dão sentido, bem como uma vida com pouco stress, é muito melhor de ser vivida. Reflita sobre isso quando se sentir muito preocupado com o seu retorno semanal ou mensal nos investimentos, ou quando estiver esmiuçando detalhes financeiros que podem ter uma complexidade que não é necessária para que você alcance os seus objetivos financeiros, que quase sempre serão únicos e diferentes de outros investidores.


                          Na esquerda divertida de Don Don na belíssima baía de Gerupuk (há cinco breaks um do lado do outro, coisa de doido) ao lado de Kuta Lombok, Soulsurfer prepara-se para soltar uma manobra...

   É isso colegas, sempre que escrevo, principalmente quando abordo temas que possam ter conexões tênues num primeiro pensar, quase nunca sei em qual direção o artigo irá me levar. Assim, espero que tenham gostado do resultado.


                   E ele conseguiu! Remando de camisa preta é o novo amigo Doug, mergulhador profissional, morador de Fernando de Noronha (beleza poder ter hospedagem gratuita na casa de um amigo num dos lugares mais fantásticos do Brasil) e apresentador de um programa no canal OFF (quem gosta de esportes radicais  e belas imagens conhece esse canal e talvez só assista isso na televisão).

  Grande abraço a todos!


   

13 comentários:

  1. Texto sensacional Soul, muitas vezes dedicamos tempo demais em algo que não nos trará nada em retorno em detrimento daquilo que realmente nos interessa. grande abraço

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  2. As corretoras até vendem uma imagem de atendimento diferenciado do seu respectivo "profissional de investimentos", atacando a forma como os profissionais dos bancos conduzem esse atendimento. Mas no fundo é praticamente a mesma coisa. O conflito de interesse é uma situação muito delicada, pois a sobrevivência do profissional, bem como de sua respectiva casa, dependem disso. Inevitavelmente o foco de ação volta e meia recairá sobre os produtos mais rentáveis para a casa e/ou giro de carteira. Além disso, as casas sempre defenderão seus produtos e suas plataformas. Um banco X não recomenda produto do banco Y ao seu cliente, mesmo sabendo que o produto do Y é melhor. Uma corretora A não recomenda o produto/plataforma da corretora B ao seu cliente, mesmo sabendo que o produto/plataforma da B é melhor. O mesmo vale para assets, e por aí vai.. Outra questão importante é que a medida que o mercado de crédito público/privado e ETFs avança no Brasil (o que facilita o acesso aos investidores PF e, consequentemente, viabiliza o processo de gestão individual do portfólio), os produtos das casas vão ficando cada vez menos competitivos, o que tende a agravar a questão do conflito de interesse. Para eliminar esses problemas, o ideal é que o profissional execute um bom trabalho de forma independente.

    Abs,

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    1. é bem complicado... por outro lado acho difícil que esse mercado mude mas realmente temos que ficar espertos. Há um tempo atrás fui tentar achar um serviço de consultoria imobiliária. Não queria alguém louco pra me empurrar qualquer coisa, mas alguém realmente que pudesse traduzir minha demanda e algo concreto. Só encontrei vendedores, e em muitos casos que entendiam muito menos do mercado na qual estava interessado do que eu.

      Mas voltando aos investimentos, em 2009, depois da crise imobiliária dos eua, vários executivos ganhando gordos bonus em frente há várias instituições arrebentadas... é bem complicado..

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    2. Olá, Finanças Inteligentes!
      Primeiramente, fico honrado com sua a presença e o pertinente comentário.
      Claro, suas observações fazem todo o sentido. Tenho reservas em relação a terceiros administrando o meu dinheiro. Entretanto, em determinada etapa da vida pode ser interessante o aconselhamento de bons gestores profissionais . Tenho certeza que a esmagadora maioria dos leitores desse blog sabem que girar carteira em demasia, ou ir atrás de dicas "quentes" ou produtos financeiros de qualidade duvidosa não é o caminho mais apropriado para alcançar os objetivos financeiros.

      Rodolfo, a assessoria imobiliária no Brasil para pessoas físicas é uma piada. Você tem toda razão no seu comentário a respeito de imóveis.

      Abraço!

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    3. Exato. Se o mercado de assessoria imobiliária no Brasil é uma piada, imagine o mercado de assessoria em investimentos financeiros rs... É um filme de terror sem fim. Aliás, esse foi um dos motivos que me levaram a desvincular de bancos e corretoras para desenvolver um trabalho independente. Mas achei interessante o seu comentário, pois você acabou abordando, talvez sem perceber, outro problema que é o poder de atração muito forte criado pelo mercado. Mesmo ciente das consequências, o investidor é facilmente induzido à tomar ações financeiramente não tão vantajosas. O que mais encontrei nesse ambiente (tanto em bancos quanto em corretoras) foram pessoas comprometendo o crescimento de seus respectivos portfólios. Não por falta de conhecimento, ou falta de estratégia operacional, mas por um único deslize, apego à determinado ativo ou descuido psicológico. Nem mesmo os profissionais escapam, aliás, é impressionante o fato de não ser difícil encontrar profissionais nesse ambiente fazendo as mesmas lambanças que um investidor iniciante e inexperiente faz no mercado financeiro. Pelo que já vi nesses anos/década, seria muito melhor, financeiramente, para a grande maioria dos investidores esquecer o mercado e deixar o dinheiro parado até num CDB miserável (rs..) de 80% do CDI. Isso não é uma particularidade encontrada só no Brasil, o mercado é cruel para a maioria dos investidores em outras praças também, mas creio que aqui esse número é um pouco mais acentuado que as demais, justamente pelo fato de baixa educação financeira e qualidade dos serviços prestados pelos "profissionais".

      Abs, bons negócios

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    4. Finanças Inteligentes,
      Você tem toda razão. Não me lembro em qual livro eu li, mas se a maioria dos gestores profissionais perdia para uma simples estratégia de indexação ao índice, os investidores individuais se saem muito pior, algo como -3-4%, em média, a menos do que uma estratégia de indexação. Ora, o ERP (equity risk premium) nos EUA gira em torno disso, quer dizer que a média do investidor fisico nos EUA está simplesmente perdendo o seu tempo, jogando fora o prêmio acionário e correndo risco desnecessariamente.

      Talvez pela fraqueza da nossa bolsa, e pela inexistência de ETFs voltados para estratégias (como small value, por exemplo), o investidor seja ainda mais atraído para fazer uma gestão bem ativa do seu portfólio.

      Tenho certeza que a sua experiência é muito maior do que a minha, e você é um dos blogueiros que tento ler todos os artigos. Suas análises são muito boas, assim como a forma que escreve.

      Um grande abraço!

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  3. Bacana o texto, sobre os prazos de investimento, eu pensei nisso há uns anos atrás. Cansado de ouvir "isso é pra longo prazo". Fui a uma palestra onde o analista chamava a atenção sobre o "longo prazo" tão evidenciado por vários outros analistas de investimento, dizendo que muito a longo prazo, todo mundo estará morto.
    Depois disso desisti do longo prazo, e comecei a investir em prazos mais curtos, compro hoje o que penso ser as melhores empresas para os próximos 2 ou 3 anos, é mais fácil prever o cenário daqui 2 anos, do que daqui 10 anos. Pra mim funciona tanto psicologicamente quanto obtendo retorno maiores efetivamente.

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    1. Olá, Rodolfo!
      Realmente, é mais "fácil" tentar prever fluxos de caixa e taxas de desconto em prazos de 2-3 anos do que em 15-20 anos.
      Entretanto, na minha perspectiva pessoal enquanto investidor, eu não me sinto confortável com uma estratégia que dependa da minha habilidade de acertar cenários de curto prazo.
      A frase do Keynes e sua citação nessa mensagem me deram inspiração para fazer um novo artigo.

      Abraço!

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  4. Soul
    Dessa vez não gostei de sua postagem. Apesar de haver partes excelentes.
    Que perseguição é essa com o Di Finance? Parece coisa de criança.
    Achei bom o artigo do Márcio e vi que recebeu mtos comentários negativos. Será que é porque mexeu com a convicção dessas pessoas? De que no longo prazo tudo vai dar certo.
    No momento estou lendo o livro Investidor Inteligente e, a meu ver, as ideias apresentadas pelo Márcio vão ao encontro de que li até agora no livro.
    O livro fala muito de preservação de patrimônio e controle de perdas. Também fala dos ciclos do mercado. Também lembrei agora da regra número um do Buffet: nunca perca dinheiro (http://blog.guiainvest.com.br/investimentos/sera-que-voce-consegue-seguir-a-regra-no1-de-warren-buffett/).

    Realmente no texto do Márcio não ficou definido o que ele quis dizer com curto prazo em oposição ao longo prazo (quase ninguém define). No entanto, sua desconstrução dos argumentos do Márcio ao estilo Reductio ad absurdum é falha, em minha opinião. Achei que você foi de oito para oitenta (para o outro extremo).

    Abraço
    Eduardo

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    1. Olá, colega.
      Não há perseguição alguma, muito pelo contrário. O texto do Márcio serviu de inspiração para eu mesmo escrever e refletir sobre o tema. Fui respeitoso e disse que o texto dele era importante para justamente questionar escolhas financeiras erradas e deixar tudo para o longo prazo. Apenas apontei o que creio ser uma omissão, e para mim é importante, pois as pessoas se estressam muito com finanças, mercados, retornos, e isso é uma fonte de angústia. Logo, acho bom as pessoas refletirem sobre o tema de variadas perspectivas.
      Toda vez que algum texto meu é citado, ou eu mesmo pela minha alcunha Soulsurfer, de maneira respeitosa, mesmo que seja para "descer a lenha" em termos argumentativos, eu fico bem feliz, pois esse é o genuíno debate de ideias tão importante para o fortalecimento de um indivíduo e de uma sociedade.

      Sim, todos querem preservar patrimônio, todos não querem perder dinheiro, porém os ativos financeiros (incluindo aqui os imóveis próprios que quase ninguém se preocupa com variação de preços, devido à liquidez dos mesmos) variam de preço por n motivos. Se um investidor amador for ficar preocupado com variações de prazo ais curto em seus ativos numa carteira bem balanceada, estará muito mais propenso a cometer erros, girar carteira, etc.

      Não creio. É o mesmo argumento utilizado, inclusive matemático, de que o retorno do longo prazo será o resultado de inúmeros retornos de curto-prazo.

      Abraço!

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