terça-feira, 25 de abril de 2017

SUICÍDIO : MUITO MAIS DO QUE TREZE RAZÕES

      Por qual motivo não há notícias sobre suicídio? Aliás, qual é a razão desse assunto quase nunca aparecer nos meios de comunicação? Não me entendam mal, prezados leitores. Creio que a esmagadora maioria das notícias nos meios de comunicações é apenas deprimente. É olhar o mundo por uma visão distorcida, como um comentarista do meu último artigo disse que “o ódio é o que move os seres humanos”. O ódio é uma das emoções que pode guiar alguns seres humanos em alguns momentos de suas vidas, ele não é a parte principal da maioria dos seres humanos. Assim como notícias sobre violência não são a totalidade da vida em si.

      Se assim o é, qual é o ponto das minhas duas perguntas iniciais? A razão simples é que vivemos uma epidemia de suicídios. Repito: a humanidade vive uma epidemia de suicídios. Eu, sinceramente, não sabia a extensão do problema, porque o problema não aparece em nossas vidas. Sei que o Brasil possui um problema crônico de violência, afinal temos índices altíssimos de homicídios, mas nunca imaginei que o mundo como um todo tivesse um problema enorme com suicídio. 

 O assunto é vasto, complexo e difícil. O colega blogueiro Investidor Inglês escreveu recentemente sobre o programa “13 reasons why”, é um série de televisão baseada num livro onde uma adolescente aponta 13 motivos que a levaram cometer o suicídio. Eu vi a série e a achei muito bem produzida, principalmente os últimos cinco capítulos. 

 A adolescente que tira a sua própria vida é bonita, possui pais amorosos e um padrão confortável de vida. Os demônios que a atormentaram eram reais ou apenas estavam em sua cabeça? Ela foi estuprada, porém não são todas mulheres estupradas que se suicidam, aliás longe disso, o suicídio é muito mais comum em homens do que em mulheres. Os problemas eram tão graves assim para uma jovem adolescente se matar? Muitas pessoas, talvez quase todos, vão simplesmente dizer que não, que a pessoa foi fraca. Eu creio que o problema é muito mais complexo.

Uma série Interessante



  Primeiramente, por mais que a série supramencionada esteja fazendo muito sucesso, ao menos nos EUA, os  mais jovens são os que menos cometem suicídio.

Apesar de ficarmos tocados com o suicídio da Jovem da série, o grupo etário principal é de 45 a 64 anos.

E brancos. Os níveis de suicídio de hispânicos e negros é três vezes menor do que brancos e quatro vezes menor do que Índios.

    Por qual motivo Brancos de meia idade nos EUA se suicidam tanto e hispânicos não? Espero refletir um pouco sobre isso quando chegar ao final do artigo. Um fato que me chamou a atenção é como os Índios Americanos são mais suscetíveis a cometer suicídio com um nível altíssimo de 20 suicídios para cada 100 mil habitantes. Instantaneamente, tive a quase certeza que o mesmo padrão seria encontrável nos aborígenes australianos. Aliás, estou há muito tempo querendo escrever sobre Índios em geral, e os aborígenes em especial, pois alguns textos sobre o tema que  eventualmente leio são simplesmente nauseantes, falsos e distorcidos.

Estava correto. Os dados são de 2009. O número de 91 suicídios para 100 mil habitantes na faixa etária de 25-29 anos é simplesmente inacreditável. Há um imenso problema aborígene na Austrália. Os Brancos Australianos ou ignoram, ou colocam a culpa nos Aborígenes por sempre estarem bêbados e não serem agradecidos pela ajuda estatal do dinheiro de Brancos que alguns recebem ou se conscientizam que o problema é sério e profundo. Eu fiquei assustado ao ver essa estatística.

   
   Devo colocar as coisas em perspectiva aqui. Em 2012,  houve algo em torno de 437 mil assassinatos. Em 2015 (não consegui os dados sobre homicídios de 2015), foram algo em torno de 788 mil suicídios.   No mundo, para cada pessoa assassinada há quase duas pessoas que se suicidam.  Se esse quadro não é sombrio o bastante, acredita-se que há pelo menos 10 tentativas de suicídio para cada suicídio concretizado. Acredita-se também que como o suicídio ainda é um tabu em quase todas as sociedades, é muito provável que haja subnotificação de suicídios. Logo, o quadro real deve ser bem pior.

  Vou repetir a informação: quase o dobro de pessoas morrem tirando a sua própria vida, do que sendo assassinadas. Eu não fazia a menor noção disso. A média de assassinatos por 100 mil habitantes no mundo é de 6,2. Ou seja, no mundo se assassina por ano 6,2 pessoas para cada 100 mil indivíduos. A média de Suicídio Mundial é de 10,7 para cada 100 mil pessoas.

       Acontece, que segundo a ONU quando há mais de 10 assassinatos para cada 100 mil pessoas, considera-se que a violência é epidêmica. Na bem da verdade, os assassinatos vem caindo vertiginosamente, apenas África e América Latina ainda apresentam níveis altíssimos de assassinatos.  Não acredita? Veja esses gráficos:



É claro que dados do século XIV devem ser vistos com cautela, mas é fato que alguns países europeus há vários séculos compilam algumas estatísticas. O que chama atenção é que o Brasil com quase 30 assassinatos por 100 mil habitantes é mais violento  do que os países europeus eram no ano 1500. Isso mesmo leitor, possuímos níveis de violência de idade média. Hoje em dia, o número de assassinatos por 100 mil habitantes é muito baixo na Europa.


   Logo, os homicídios vem caindo em quase todo o mundo de forma drástica. O mesmo não é verdade para com o suicídio. Se a ONU acredita que a partir de 10 assassinatos para cada 100 mil habitantes estamos em níveis epidêmicos de violência, pode-se dizer que o suicídio atualmente é epidêmico, pois a média mundial é de 10,7 para cada 100 mil habitantes. Esse número é simplesmente inacreditável.

As altíssimas taxas de suicídio em países Europeus. Comparem com as taxas de homicídios. Onde se tem menos Suicídio: Grécia, Espanha, Itália. Será que o jeito mais latino, em comparação ao jeito mais sisudo de outros países europeus, seja uma forte barreira contra o cometimento de suicídio?


        Esse é o mapa de suicídios no mundo:


       O Brasil possui níveis baixos de suicídio se comparado com o resto do mundo, menos de seis para cada 100 mil. É interessante notar que não há nenhuma correlação óbvia entre suicídio e alguma "causa". Há países ricos e pobres entre os que há mais suicídios. Países Hindu (Índia), Cristãos (Rússia e algumas ex-repúblicas soviéticas) e Budistas (Coréia do Sul e Japão). Asiáticos, Europeus e Africanos. Portanto, numa primeira análise não há nada ou nenhuma única explicação. 

  Algo interessante que notei foi que os países que possuem menos suicídios quase todos são de maioria muçulmana. Por qual motivo isso ocorre? Será que as famílias são mais fortes e unidas? Será por causa da religião? Ou seria uma grande subnotificação generalizada (acho essa explicação mais difícil por ser muitos países)? Não sei.


Os países com grande maioria muçulmana são de longe os que possuem a menor taxa de suicídio.


     Por qual motivo há tantos suicídios? Talvez volte ao assunto em outros artigos, mas a verdade é que não se pode tratar um assunto desse com simplismo. Peguemos o caso dos EUA, onde (tirando a comunidade indígena) se você é Branco e de meia-idade possui uma chance não desprezível de se suicidar.

 Branco e de meia-idade nos EUA é sinônimo de uma vida material muito superior a esmagadora maioria da população humana. Ora, não é cantado aos quatro ventos como a riqueza material do mundo aumentou, como a nossa vida é tão melhor do que no passado. Se assim o é, por qual motivo tantas pessoas (o suicídio está entre as dez maiores causas de morte nos EUA) que muito provavelmente estão materialmente muito melhor do que há 100 anos, ou do que outras pessoas no mundo, estão simplesmente se matando? O que responder aqui? Será falta de amor, de alegria? Será que a prosperidade material para algumas pessoas está vindo com a destruição de outros aspectos fundamentais para se ter uma boa vida (meu último artigo sobre incentivos financeiros e amor trata indiretamente desse ponto)? Deixo o leitor refletir sobre si próprio.

No mundo desenvolvido, assassinatos são em número muito reduzido. Não nos EUA, que possui altos índices de homicídios para um país tão rico. Porém, as maiores causas de morte quase sempre são doenças cardíacas, câncer e derrame. Nos EUA, o suicídio aparece no décimo lugar. Mais de 40 mil mortes. 40 mil mortes. E as pessoas em pânico por causa de atos terroristas (irei escrever sobre isso) que é responsável em média pela morte de 10 a 15 americanos por ano.



    Na Coréia do Sul, suicídio é a segunda maior causa de mortes. SEGUNDA! Por qual motivo falo da Coréia ? Possuo alguns amigos coreanos. Passei quase um mês lá, e foi um país que gostei bastante, apesar de ser relativamente desconhecido para estrangeiros viajantes (quase todo mundo prefere ir ao Japão). O que me chamou muito atenção na Coréia, foi a pressão que jovens coreanos me contavam estar sentido em sua vida em geral. Muito estudo, muito trabalho, muita pressão para ser o melhor ou a menos muito bom. Muitos, apesar de viver num país que hoje é rico, não se sentiam felizes. Quase todos queriam estar fazendo uma viagem como a minha.

  
    Se paramos para pensar, a Coréia do Sul possui muitos dos traços que muitas pessoas pensam ser essenciais numa sociedade e para uma vida boa: muito trabalho, a pressão constante para ser o melhor, e o trabalho como algo que define o ser humano. Talvez isso tudo fez com que a Coréia desse esse salto de país pobre para um país de renda alta em apenas cinquenta anos. Isso é fantástico, e quase sempre comentado por economistas, comentadores de política e leigos em geral. 

  Entretanto, o lado mais sombrio da Coréia do Sul quase nunca, ou nunca, é retratado:


    O Suicídio mata mais gente do que doenças cardíacas na Coréia do Sul. Isso é incrível no péssimo sentido. O Suicídio é a décima sétima maior causa de mortes no mundo. O Suicídio aparecer como a segunda causa num país rico como a Coréia do Sul é sinal que talvez esse seja o maior problema desse país, talvez muito maior do que a divisão feita na década de 50 na península coreana em dois países.

   Colegas, a série retratada está fazendo muito sucesso, e o tema suicídio de alguma maneira vem sendo discutido. Porém, esse assunto ainda é um grande Tabu. Afinal, quando alguém resolve tirar a própria vida, parece que há algo de errado. Se a vida é o que nós temos de mais importante, por qual motivo alguém ia querer encurtá-la?

  Espero que esse artigo sirva para que os leitores percebam a gravidade, profundidade e extensão do problema. Não se trata apenas de adolescentes com dificuldades de interação. Não, muito pelo contrário, o problema é difundido por países, faixas etárias, de renda e etnias. Além do mais, ele abre uma gama de perguntas sobre o estilo de vida que nós humanos estamos levando. 

  Um abraço
  
Fontes: (a) http://www.worldlifeexpectancy.com/
(b)https://afsp.org/about-suicide/suicide-statistics/
(c)https://www.unodc.org/unodc/en/press/releases/2014/April/some-437000-people-murdered-worldwide-in-2012-according-to-new-unodc-study.html
(d) http://www.who.int/mental_health/prevention/suicide/suicideprevent/en/


     

83 comentários:

  1. Bom post Soul.

    Tenha certeza de uma coisa: os números de suicídio no Brasil são extremamente subnotificados. A maior causa da subnotificação é a vergonha que a família sente em relatar isso, pq dá uma sensação de impotência em todo mundo, inclusive nos amigos, é uma mistura de sensações muito estranha e muito perturbadora.

    Sobre matérias jornalísticas e mídia: eu não sei como ensinam isso nas faculdades de jornalismo, me parece que na ética deles não se pode noticiar suicídio e nem publicar com essa palavra pois "poderia" incentivar mais casos de suicídio, é totalmente tosco e não científica essa conduta da parte deles a meu ver, o cara deixa carta pra família, pula da varanda do ap e no jornal sai assim: "Fulano de tal sofre queda da varanda do apartamento e morre." Isso quando falam. Os números no Brasil poderiam ser multiplicados de 3-5x se fossem realmente colocados nas estatísticas. Afogamento, overdose, atropelamento (suicida), muita coisa entraria junto.

    Como causa natural de base temos algumas doenças psiquiátricas como esquizofrenia e transtorno bipolar como as duas maiores. Esquizofrenia dá 1% da população brasileira (número altíssimo) e bipolar não me recordo agora.

    A experiência pessoal de quem já conviveu com alguém que se suicidou é algo muito peculiar. Tive uma grande amiga que se suicidou, e como eu disse, é uma mistura de sensações, é um luto que não acaba, uma mistura de sentimentos, de dor, de perda, de impotência, e uma sensação de que "nunca vou me conformar", de "será que errei em algo"?, "será que se eu tivesse ido almoçar com ela naquele dia ela não faria isso"?, dentre tantas outras perguntas que a gente fica se fazendo. Quem se suicida deixa feridas abertas em todo mundo que gostava dela, pelo menos da minha parte sinto que nunca vai cicatrizar ou ter um fim, pq não conseguimos achar nenhuma explicação sob qualquer aspecto para isso.

    Grande abraço!

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    1. Olá, Frugal.
      Ótimo comentário, agradeço mesmo. O seu último parágrafo foi bem tocante.
      Não sei como os suicidios deveriam ser abordados, admito o meu não conhecimento nessa área. Quando tinha uns 25 anos, pensei em trabalhar na CVV e atender ligações de pessoas com algum tipo de problema, porém na época não havia mais vagas. Eu, realmente, fiquei espantado com o número de suicídios notificados.
      Sim, alguns estudiosos dizem que a vergonha é uma das causas deles acharem que os suicídios são subnotificados.
      Não creio que a subnotificação brasileira possa ser tão alta assim como de 3 a 5x, mas é bem provável que muitas mortes são classificadas de outras maneiras, como afogamento bem dito por você.

      No mais, agradeço mais uma vez.

      Um abraço!

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  2. Praticamente só ouço falar de suicídio ligado a homens-bombas, ataques terroristas e muçulmanos. Daí você me mostra que eles justamente têm as menores taxas! Mind blowing...

    Aparentemente a busca desenfreada por ser o nº1, num nicho de sociedade que valoriza e estimula demais esta autossuperação, por uma obviedade matemática cria concorrência mais preparada e também causa mais pressão e frustrações (infelicidade?) já que nem todos podem ser "o melhor".

    Excelente artigo, Soul!

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    1. Olá Luiz, pois é, para a gente parar para refletir como nossas opiniões são baseadas muitas vezes na opinião dos outros, que podem ter lá os seus motivos, e às vezes nem percebemos.

      Exatamente, foi isso que senti na Coréia. Seoul é uma cidade moderna, viva. Os jovens são extremamente bonitos, há um culto da beleza lá ainda maior do que no Brasil. Junte isso com a pressão nos estudos, no trabalho, etc, pronto. Jantei com uma brasileira lá que a prima dela era coreana. Tinha 30 anos, um ótimo emprego, falava não sei quantas línguas, estava complemente desesperada para casar, pois na Coréia não ter casado até os 30, sendo mulher, é algo que pode ser encarado como vergonhoso. É uma sociedade magnífica em muitos aspectos, mas muito difícil em outros.

      Um abraço e obrigado!

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  3. Excelente artigo.

    Na minha cidade o "Point" do suicídio é pular da ponte que une Vitoria a Vila Velha, onde ocorrem muitos suicidios...

    Assim, ficou proibido à imprensa (TV e jornais) de relatar qquer suicídio que lá ocorra. Isso para preservar os que pensam em cometer tal ato

    Tenho minhas dúvidas se a estratégia funciona, mas realmente o que vemos é um público predominantemente Branco, masculino e entre 35-50 anos.

    O porque disso predominar em homens?
    Creio que porque tem o dever de serem provedores.

    Porque em brancos? Creio que possa a ter a ver com questões culturais.

    Porque a faixa etária? Creio que é a idade de auge que o provedor deveria atingir.

    Latinos são mais apegados à vida e família que europeus não latinos e asiáticos. Ademais, são mais religiosos. Ambos os fatores parecem ser protetores.

    Há ainda a questão da luz solar : países tropicais parecem estar mais protegidos que os nórdicos por exemplo.

    Enfim, o suicídio é algo complexo, e me causa espanto que a pessoa busque a auto-aniquilação para fugir de um sofrimento.... quanto sofrimento essa pessoa não deve sentir, hein?!

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    1. Olá, Guardião. Não sabia sobre isso em Vitoria. Há um documentário sobre algo muito parecido, mas em San Francisco. Chama-se "A Ponte". É um documentário que causou muito mal-estar.

      É possível mesmo, caro Guardião. Um homem com os seus 45 anos possui a pressão de sustentar a família, e ser bem sucedido. Hoje, as mulheres estão mais presentes no mercado de trabalho e a sociedade vem mudando muito nesse aspecto, mas é fato que há a ideia propagada de que isso seria uma obrigação mais masculina do que feminina.

      Sim, é verdade. Porém, asiáticos também são muito apegados a família. Fiquei surpreendido ao ver que a taxa de suicídio na Tailândia é o dobro da do Brasil. Um povo sorridente, com nível de vida razoável, com religião budista, e com nível similar a França.

      Sim, e como talvez uma simples ajuda possa fazer com que a pessoa mude e não tire a própria vida, por isso a série da Netflix é interessante. Quais são os tormentos que fazem alguém chegar a esse extremo? Será que as pessoas em volta possuem alguma responsabilidade?
      São questões difíceis, mas creio que elas seriam importantes para melhorarmos nossas relações humanas.

      Um abraço

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  4. Muito interessante o post!

    A quase não notificação de suicídios na nossa mídia é um reflexo de como a OMS sugere tratar o assunto. Ela não sugere que a mídia não o cubra, mas sugere que, se isso for feito, que o seja de uma forma não romantizada para tentar não gerar mais adeptos. As faculdades de jornalismo não falam nada a respeito, mas existe uma espécie de acordo não verbal em jornais de não tratar disso justamente pq a linha do romantizado ou não é muito tênue. Então quando falam, falam muito rapidamente (fulano pulou, tentou pular) ou de forma indireta (fulano caiu, como se fosse acidente).

    Eu achei muito interessante seus dados. Onde você buscou essas informações? Para um enriquecimento do texto é para consultas futuras, seria bem legal ter a fonte delas. Eu mesmo queria abrir um pouco mais esses dados. Por exemplo em relação ao suicídio de brancos em idade boa nos EUA. Como só foi dada a porcentagem dos suicídios, será que se a gente abrisse os dados não encontraríamos um efeito Simpson?

    Quanto a série, li o livro e vi a série. Achei bem legal ambos, dá uma visão boa dá perspectiva dá Hanna e do Clay. Acho que valeu a pena. A série pode servir tanto como um alerta para os efeitos do bullying (se um adolescente rever seus conceitos, já temos um ganho nesse ponto), mas principalmente para pais e mães ficarem mais conscientes dos atos de seus filhos.

    Por fim, na minha opinião uma pessoa que comete suicídio não é porque ela está fraca. É simplesmente porque ela achou que aquela era a única saída. Muitos dizem que era cabeça fraca. Mas como dizer? Não entendemos o cérebro direito ainda, não podemos julgar isso. Foi um ato de desespero, e nesses momentos pessoas tomam medidas desesperadas.

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    1. Colega, grato pelo comentário.
      Primeiramente, ciente de que havia muitas informações, coloquei as fontes no final do artigo. Consultei ainda outros lugares, mas esses 4 sites foram onde retirei mais dados.

      Interessante, não tinha pensado sobre a linha editorial, o acordo não-explícito nas redações de não falar sobre suicídio. Porém, como você trouxe e o Frugal essa linha de raciocínio, creio que faz todo o sentido.

      Você se refere a efeito simpson devido ao meu último artigo (se não o for peço desculpas)? Eu creio que não. Acho que o amor é uma das formas de evitar que alguém, tirando alguns poucos casos passionais, tire a sua própria vida, pois o amor dá sentido à vida. Alguém com sentido de viver, dificilmente tiraria a sua própria vida.

      O seu último parágrafo está em linha com o que penso.

      Um abraço colega

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    2. Oi soul.

      Me referi ao efeito Simpson dá estatística. Por exemplo:


      http://stats-brazil.blogspot.com.br/2008/10/paradoxo-de-simpson.html?m=1

      Vlw pelas fontes. Li o artigo mas não reparei nas fontes abaixo. My bad!

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    3. Olá, colega. Não conhecia esse termo.
      Grato pelo artigo, achei interessante.
      Abs

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  5. Soul, tenho muito interesse no seu post sobre os indígenas. Fui ao Peru e lá essa questão me fez refletir durante a viagem, pensando em como os povos nativos de vários países diferentes possuem recorrentemente os mesmos problemas (alcoolismo, suicídio, menor expectativa de vida, segregação, etc). Isso me fez pensar que o tratamento dado aos índios está fundamentalmente errado em toda parte do mundo, e que deveriam ter os mesmos direitos e deveres do "homem branco". Forte abs!

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    1. Olá, colega.
      Talvez o problema seja esse mesmo: "deveriam ter os mesmos direitos e deveres do "homem branco"".
      Em teoria eles possuem menos deveres e mais direitos do que os homens brancos. É por isso que há tanta raiva em relação aos Índios, pois muitas pessoas pensam "eles já possuem mais direitos, alguns deveres que se aplicam a nós não se aplicam a eles, do que eles tanto reclamam? Por que se embebedam? Por que não trabalham como a gente?". Eu fui num museu em Canberra (capital da Austrália) que inúmeras salas do museu tratavam apenas sobre esse tema.
      Eu era inclinado a ter esse tipo de raciocínio.
      Hoje penso um pouco diferente. Talvez, o estilo de vida tradicional de alguns grupos étnicos são fundamente incompatíveis com o estilo de vida moderno atual.
      A relação desses povos com a terra, por exemplo, parece-me muito mais profunda do que o nosso relacionamento com a terra. Nos aborígenes, isso é explícito. Logo, ganhar auxílios-estatais, ter um carro, talvez não seja suficiente para esses povos serem satisfeitos com a vida, talvez eles não querem isso.
      Por outro lado, o mundo se transformou, avançamos em muitas áreas, e provavelmente povos tradicionais indígenas querem acesso a uma saúde melhor, a eletricidade, a um transporte, etc.
      Como fazer para solucionar essa difícil questão?
      Eu acho que os Maoris e a forma como eles se encaixam na sociedade da Nova Zelândia talvez seja algo a se pensar. É o único lugar do mundo, onde a nação como um todo tem orgulho de suas raízes ancestrais "indígenas" (não é correto falar que aborígenes e maoris são índios, mas o faço apenas para uma melhor compreensão).

      Um abraço!

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  6. Olá SoulSurfer,
    Parabéns pelo post.
    Muitas informações relevantes. Nem tinha noção dessa quantidade. Sabia que a quantidade de suicídios na Coréia do Sul e na Europa era alta mais nem imaginava que desse jeito.

    Abraços.

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    1. Olá, Cowboy.
      Pois é, nem eu imaginava. Algo um pouco assustador.
      Um abs

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  7. Excelente Post Soul!

    Esse tema é muito maior do que imaginava! Não sabia que ele tinha esse tamanho todo.
    Eu tinha uma vaga noção sobre a Coreia, pois tenho uma amiga que veio de lá. E ela me contou sobre sua rotina de estudos (chegava até 11 horas por dia). Tudo isso para ser como você colocou no texto, ser o melhor...
    E ela me falou que alguns jovens não aguentavam a rotina (não é para menos, não?), e outros a decepção por não atingir o objetivo. E com isso, alguns cometiam o suicídio. Mas confesso que não imaginei que fosse tanto para ser a segunda causa de morte em um pais! Triste...
    Sobre a série você usou a palavra que melhor descreve a situação = complexa! Vendo a cena da morte dela, não dá para dizer que a pessoa é fraca...

    Abraço!

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    1. Olá, Investidor.
      O suicídio não é o que a maioria dos jovens coreanos, ou homens pai de família, vão fazer na Coréia. Mas o número expressivo mostra o outro lado da Coréia, o lado que precisa ser encarado para que se possa ter uma visão geral do país.

      Valeu, amigo, um grande abraço

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  8. Soulsufer, bom dia!

    Falar, escrever, debater em torno do tema suicídio é muito complexo, por isso, considero o seu post como de utilidade pública.

    Creio que a questão do suicídio esteja correlacionada com a baixa autoestima, bem como a depressão.
    A baixa autoestima, desencadeia a depressão e o suicídio é o ápice da conduta do depressivo.

    A sociedade atual nos trata como máquinas, querem que sejamos frios como elas, entretanto, somos seres humanos, na tentativa de dissociação dos sentimentos naturais, o ser humano se perde e ao se perder, pode ser que não se encontre, ao não se encontrar, passa a não entender que não está inserido neste mundo, portanto, não deve fazer parte dele.

    Eu penso que os seres humanos foram criados para ajuda mútua, mas a nossa atual sociedade potencializou a disputa, muitas vezes queremos fazer amizade com o outro, mas a regra social nos diz que o outro é o concorrente, não o amigo, assim, deixamos de lado o que nos parece ser o correto e seguimos o pensamento dominante apresentado, salvo os casos excepcionais.

    A necessidade do ser humano em compreender e ser compreendido, se inserir na sociedade e ser aceito por ela, são fatores que influem na autoestima do ser humano, e, este, ao não se enquadrar se torna depressivo e pode vir a ter tendências a querer deixar o mundo que não lhe agrada.

    No post anterior te indiquei o vídeo sobre a questão do sorriso, creio que a falta do sorriso influa na auto estima da pessoa, mas muitas vezes o sorriso está correlacionado com outra pessoa, vide o exemplo da fotógrafa que deixou de sorrir por conta da doença da mãe e voltou a sorrir, após a melhora desta, mas o que isso tem a ver com o tema?

    Explico, muitas vezes ao tratarmos o depressivo, os conselhos são voltados para o indivíduo, como se o problema seja exclusivamente da pessoa, mas por vezes a questão que o atormenta está com algum ente querido, filhos, esposa, pai, mãe, quando não se consegue contornar a situação, o ser humano atenta contra a própria vida, ou seja, muitas vezes o problema aflige outra pessoa, mas a pessoa acaba vivenciando as dores, por isso, o suicídio acomete tanto homens de meia idade, pelas preocupações com a família e com o emprego, mas que não sabem o que fazer, quem procurar, o que falar, sem receber olhares taxativos de reprovação.

    Não penso que o suicida seja uma pessoa fraca, ingrata, egoísta, que tenha problemas alimentares ou que não tenha nada pra fazer, apenas o vejo como um ser humano que precisava de ajuda, mas que não teve os meios adequados para conseguir o tratamento e sair da situação.

    Enfim, o tema demanda um grande debate e o comentário ficou longo, vou parar por aqui, deixo a explanação para o blogueiro e os demais leitores.

    Abraço.

    H.

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    1. Olá, H.
      Sua mensagem foi muito boa. Poderia ser um texto por si só. Não tenho muito o que acrescentar, mas apenas agradecer o comentário, bem como o vídeo enviado, o qual achei muito bacana.
      Um abs

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  9. Olá colega,

    Talvez isso seja a natureza falando pra nós q tem gente demais no mundo e q nosso estilo de vida hj não é compatível com saúde humana. E como tem gente demais no mundo não dá pra voltar pra um estilo de vida mais próximo ao "natural". Por isso a natureza nos faz nos matarmos a nós mesmos.

    Achei curioso seu texto não citar hora nenhuma a depressão, já que ela é sempre citada como uma das principais causas para suicídio.

    É um tema que, como vc mesmo mostrou no seu texto, é muito importante e muita gente se mata no mundo. Mas eu acho melhor q pessoas se auto-se-matem do que pessoas matarem outras.

    PS: "foram algo em torno de 788 mil suicídios." O link em "788 mil" leva pra uma página inexistente.

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    1. Olá, colega. Concordo que há muitas pessoas no planeta e que não podemos mais viver como caçadores-coletores. Discordo de que não podemos tentar reconectar de uma forma mais intensa com o nosso meio-ambiente.

      É verdade, colega. Como não sou especialista e fui vendo esse monte de informação, enquanto escrevia o texto, fui fazendo algumas digressões sobre os números impressionantes que ia encontrando. Não procurei focar tanto em quais seriam as causas, pois creio que elas são múltiplas, mas talvez a depressão deva ser um grande desencadeador.

      Não tenho a menor dúvida de que assassinatos são coisas horríveis. Nós ficamos mais "tranquilos" com assassinatos, pois é um ato violento contra a vontade uma outra pessoa. É fácil responsabilizarmos alguém. Agora o suicídio é uma questão mais profunda, a quem responsabilizar? Alguém deve ser responsabilizado?
      A ferida aberta por um homicídio ou suicídio imagino que sejam semelhantes para as pessoas mais próximas.
      Creio que ambos os fenômenos são problemas sérios.

      Vou consertar amigo o link.

      Abs

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    2. Olá colega,

      "Discordo de que não podemos tentar reconectar de uma forma mais intensa com o nosso meio-ambiente."

      Individualmente (ou em pequena escala) eu acho que dá pra tentar sim. Tá cheio de exemplo por aí. Agora, como fazer algo assim em um grande centro urbano como uma São Paulo da vida? Não sei e não sei se dá. Teria que "refazer" muita coisa. E não sei se dá pra "refazer" partindo do ponto em que estamos.

      Abs

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  10. Rapaz, o dinheiro é bom, mas nunca foi tudo. ele paga contas em restaurantes, paga passagens para viagens, isso é muito bom.

    Mas se o indivíduo só olhar para a grana, vai acabar muito mal....

    Existem paisagens, praias, pôres-do-sol lindos que não são valorizados e que custam bem pouco.

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  11. Soul: faz menos de seis meses que conheci o seu blog, parabéns pelo belo trabalho!

    Eu assisti 13 Reasons e do pouco conhecimento que tenho da cultura americana e que vi referendado na série é que lá o que se diz ou ações que desencadeamos ainda que sejam apenas no plano das ideias e palavras, que não se convertem em ações físicas (como espancar, depredar patrimônio entre outras) são passíveis de responsabilização.
    Vários momentos explicitam esse fato: as pichações nos banheiros da escola, a folha de caderno com a votação dos melhores/piores atributos físicos das meninas, não ligar para a prefeitura ou para o 911 dizendo que atropelou uma placa de sinalização de trânsito com o carro... Muito diferente do que ocorre aqui no Brasil. Que diretor ou diretora irá se preocupar em pintar as paredes com palavrões em banheiros de escolas e faculdades por receio de talvez contribuir para um crime ou acidente?

    Se há exageros nessa visão? Certamente, como o receio de muitos homens norte-americanos de se recusarem a dividir um elevador se lá dentro estiver uma mulher sozinha por medo de processo de assédio. Mas, há outro lado que é o da cultura do gerenciamento de risco. Nós aqui não temos essa prática pois resolvemos os problemas quando eles aparecem, não somos previdentes, precavidos. É a cultura da remediação e não da prevenção. A cultura do pensamento mágico entranhado no nosso DNA.

    Também queria comentar sobre a cada vez mais alta taxa de mortalidade de homens brancos norte-americanos sem estudos universitários. Li algumas reportagens do jornal espanhol El País (sucursal São Paulo) tentando jogar uma luz sobre essa questão e porque esse grupo - homens brancos de classe média - tem morrido/se suicidado mais do que outros grupos (homens negros ou homens latinos nos EUA). Um dos fatores (além das drogas, desemprego) está sendo atribuído a desesperança.

    A explicação é mais ou menos essa: a classe média norte-americana sempre esteve bem de vida, sempre viveu olhando para o futuro de cabeça erguida, certa que sua fatia do "american way of life" estaria sempre a seu dispor. O mundo deu muitas voltas desde os anos 80 e hoje, essa população está envelhecida e em crise; já não há tantos recursos em circulação para manter esse padrão de vida; recessão, crises, desemprego. Então, essa população começou a olhar para o futuro com receio, vendo que sua vida está e irá piorar. O contrário ocorre com negros e latinos. Como sempre tiveram uma vida ruim, de menos acesso à bens de consumo e com o caminho mais difícil para "chegar lá" a única maneira que eles encaram o futuro é pelo viés de que vai melhorar. O que está ruim não pode piorar, esse é o pensamento de quem está no fundo do poço. Exatamente o contrário de quem estava bem e agora se vê em dificuldades.

    Segue alguns links de reportagens do El País onde essas questões são levantadas:
    Os americanos brancos estão morrendo - http://brasil.elpais.com/brasil/2017/03/25/opinion/1490464530_033332.html
    Eleições na era do descontentamento - http://brasil.elpais.com/brasil/2016/01/22/internacional/1453462664_308498.html
    Os norte-americanos brancos que acreditam que todo o tempo passado foi melhor - http://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/14/internacional/1471189097_450153.html

    O impacto dessa desesperança, além de contribuir para o aumento do número de suicídios/mortes também seria uma das explicações para a eleição de Trump.

    Um abraço,
    Anna Kellner

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    1. Olá, Anna.
      Grato pelo comentário, muito bom. Uma das coisas que gosto do blog é que às vezes há muitos comentários de excelente nível, fazendo um complemento incrível para o texto.
      Sua explicação sobre uma cultura de maior gerenciamento de risco interessante. Há os seus prós e contras. Evidentemente, morar numa sociedade onde se tem medo de entrar com uma mulher sozinho no elevador é pior de outra sociedade onde esse tipo de temor não exista porque há uma maior confiança dos seus membros de que nada de ruim pode acontecer de um encontro desses. Por outro lado, nós realmente pecamos em sempre procurar remediar os problemas, e não nos adiantarmos. Basta olharmos que ainda estamos discutindo se temos que fazer uma reforma da previdência, quando gastamos 12% do PIB com aposentadorias e pensões, mesma quantidade que o Japão que não só é uma população muito mais velha, mas declinante.

      É bem possível. Quando não se tem esperança, realmente a vida perde a cor. Eu mesmo disse que esses americanos que elegeram TRUMP iriam se arrepender, pois o passado glorioso da década de 50-60 não vai mais voltar. Outros tempos, outros atores globais. Porém, é possível que a mesma desesperança que tenha mobilizado esse eleitorado a votar em peso em alguém que prometeu a volta dos velhos e bons temos (American Great Again) talvez seja a mesma força que empurre muitos homens ao ato de tirar a própria vida, por acreditarem que a sua vida será pior no futuro do que é no presente.
      Isso pode explicar por qual motivo negros e latinos, mesmo tendo uma vida material pior, não cometerem tantos suicídios, talvez a esperança seja um fator positivo nesse aspecto. Talvez seja por isso que há poucos suicídios no Brasil, nós sempre fomos conhecidos como o povo do futuro, ou seja da esperança.

      Mais uma vez grato pelo comentário.

      Abs!

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  12. "É interessante notar que não há nenhuma correlação óbvia entre suicídio e alguma "causa". Há países ricos e pobres entre os que há mais suicídios. Países Hindu (Índia), Cristãos (Rússia e algumas ex-repúblicas soviéticas) e Budistas (Coréia do Sul e Japão). Asiáticos, Europeus e Africanos. Portanto, numa primeira análise não há nada ou nenhuma única explicação."

    Agora o viés:
    "Branco e de meia-idade nos EUA é sinônimo de uma vida material muito superior a esmagadora maioria da população humana. Ora, não é cantado aos quatro ventos como a riqueza material do mundo aumentou, como a nossa vida é tão melhor do que no passado. Se assim o é, por qual motivo tantas pessoas (o suicídio está entre as dez maiores causas de morte nos EUA) que muito provavelmente estão materialmente muito melhor do que há 100 anos, ou do que outras pessoas no mundo, estão simplesmente se matando? O que responder aqui? Será falta de amor, de alegria? Será que a prosperidade material para algumas pessoas está vindo com a destruição de outros aspectos fundamentais para se ter uma boa vida (meu último artigo sobre incentivos financeiros e amor trata indiretamente desse ponto)? Deixo o leitor refletir sobre si próprio"

    "Se paramos para pensar, a Coréia do Sul possui muitos dos traços que muitas pessoas pensam ser essenciais numa sociedade e para uma vida boa: muito trabalho, a pressão constante para ser o melhor, e o trabalho como algo que define o ser humano. Talvez isso tudo fez com que a Coréia desse esse salto de país pobre para um país de renda alta em apenas cinquenta anos. Isso é fantástico, e quase sempre comentado por economistas, comentadores de política e leigos em geral. Entretanto, o lado mais sombrio da Coréia do Sul quase nunca, ou nunca, é retratado."

    Pergunto honestamente, sem intenção de deboche, suas crenças não afetaram os últimos dois parágrafos citados? Tendo em vista o juízo de fato no primeiro parágrafo - outros países com essas características não possuem o problema, países com características distintas possuem o problema.

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    1. Olá, colega.
      Veja, o primeiro parágrafo foi escrito para dizer que não se pode dizer que suicídio é algo relacionado a países muito ricos, como quase sempre se diz equivocadamente sobre os países nórdicos. A Dinamarca, por exemplo, possui uma taxa baixa de suicídio se comparada com seus pares europeus.
      Foi para dizer também que diversos países com diversas matrizes culturais também possuem esse grave problema.

      O parágrafo sobre os EUA foi apenas para falar desse país específico. Não encontrei, e nem sei se encontraria, uma estatística tão bem definida como a dos EUA ( e também foi um gancho para falar da série comentada que se passa nos EUA). A Coréia é um país homogêneo, ao contrário dos EUA, logo achei interessante a diferenciação em taxas de suicídio por "etnias" diversas. Chamei atenção para o fato do suicídio ser muito maior em homens brancos e de média idade. Essas pessoas, por serem americanas e brancas, pressupõe-se que tenham uma vida material muito melhor do que negros de meia idade americanos ou outros seres humanos em outros países, por exemplo. Logo, por qual motivo essas pessoas estariam se matando, já que aparentemente elas, conforme ideologias difundidas, estão se "dando bem" na vida. Daí procurei refletir sobre se no processo de acúmulo de riqueza material não estamos destruindo algo no caminho. Deixei para os leitores fazerem suas reflexões, talvez as pessoas cheguem a diferentes conclusões. Não vejo como contradição, ou como viés de confirmação.

      Sobre a Coréia, daí não vejo qualquer contradição ou qualquer viés mesmo. Estive na Coréia e presencie a pressão que os jovens passam. Fiquei abismado por ser a segunda maior causa de suicídio do país. Então, refleti, se a pressão social demasiada para ser sempre o melhor (algo que sempre é visto como positivo, e a Coréia é sempre citada como um exemplo), não pode estar criando um problema sério e imenso: um grande número de suicídios ou de forma mais generalizada uma população triste. Talvez esteja completamente enganado, pois isso renderia um estudo bem completo de centenas de páginas sem qualquer garantia que se poderia chegar a alguma conclusão absoluta.
      Não vejo onde o seu raciocínio se aplicaria nesse caso.

      O próprio título do texto diz que o suicídio possui muitas razões, e talvez seja por isso que não se pode atribuir apenas a uma causa. No Sri Lanka, atualmente há um aumento absurdo no número de suicídios, e obviamente os fatores que podem explicar o problema nos EUA ou Coréia podem ser muito diversos do Sri Lanka. Se é que podemos explicar.

      As nossas crenças sempre afetam nossos julgamentos. Não existe neutralidade, pode existir imparcialidade, mas neutralidade absoluta não . Apenas máquinas são neutras.
      Quanto às demais perguntas desse último parágrafo, creio que abordei no restante da resposta.

      Abs

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    2. Claro. Não perderia meu tempo se achasse que você não é intelectualmente honesto. Talvez o viés esteja em mim, na minha interpretação, ou não. Abraço.

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  13. Olá,
    não estudei a fundo o assunto, mas uma das justificativas para a imprensa não noticiar suicídios ou o fazer de forma indireta é o Efeito de Werther. Estudos relacionam que o suicídio possa ser "contagioso" como a histeria, pois é observado aumento nas taxas quando casos são divulgados.
    Abs

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    1. Olá, colega. Depois de alguns comentários falarem a respeito, essa parece ser uma hipótese bem plausível.
      Aliás, lembrei de um capítulo do livro Tipping Point onde o autor trata do aumento vertiginoso do número de suicídios numa pequena ilha da micronésia pelo efeito do "contágio" da ideia.

      Um abs

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    2. Anon das 13:22 e Soul.

      Três anos atrás, eu participei de uma aula aberta em São Paulo com um intelectual ligado à PUCRS. Nessa aula, ele relatou que um aluno dele, brilhante, havia se suicidado.
      Esse fato fez com que ele buscasse saber mais sobre suicídio. Toda a pesquisa dele trouxe elementos já apresentados aqui no texto e nos comentários. Apenas um detalhe que me chamou a atenção foi que, acho que em conversa dele com alguém que desenvolvia atividades na Secretaria de Segurança Pública, foi o seguinte comentário: domingo, 18h. É conhecida como a hora dos suicidas/suicídios.

      Talvez, se alguém já tenha trabalhado no CVV poderia nos dizer se há horários de pico no atendimento no final de semana.

      Um abraço,
      Anna Kellner

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  14. Minha colega de serviço se matou semana passada porque seria demitida.
    Detalhe: era servidora pública muito bem remunerada.
    Difícil!

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    1. Olá, colega.
      Sinto em saber esse caso.
      Ela possuía um cargo em comissão ou seria demitida por causa de um processo disciplinar?

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  15. Soul, mudando de assunto (mas tb pegando um pequeno gancho em um comentário anterior sobre a cultura de gerenciamento de risco, confiança), vc viu o último post do MMM http://www.mrmoneymustache.com/2017/04/25/there-are-no-guarantees/ ?!? te pergunto por que uma das maneiras de interpretar o artigo do MMM me fez lembrar de um dos seus artigos que mais gostei (sobre o dinheiro nos aprisionar) e se vc quiser escrever um pouco sobre isso.

    Por exemplo, qndo entra em alguns projetos de leilões com outras pessoas (cada pessoa entraria com parte da arrematação) vc faz/faria contrato entre os investidores?! e se fossem todos amigos de longa data?!?

    abraço
    Victor

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    1. Olá, Victor. Li si o novo artigo do MMM. Muito bom como sempre. Aliás, recomendo o Podcast onde ele foi entrevistado pelo Tim Ferris (autor do trabalhe 4 horas por semana - um ótimo livro).
      O artigo do MMM me fez refletir ainda mais sobre algumas decisões da minha vida, estou um pouco com a síndrome ``só mais um ano mais para ter mais segurança financeira``.
      O resto do artigo que fala como não temos garantia e como é melhor quando apenas podemos confiar, sem a necessidade de ter dois pés atrás, muito pertinente.

      Não, nunca fiz, e não pretendo fazer. Até hoje só me envolvi com bons amigos, onde tenho grande confiança, e olha que estou falando de coisa de 7 dígitos. É certo que limito qualquer possibilidade de ser lesado, mas creio que a confiança é fundamental. Aliás, tenho um artigo sobre confiança também. Esse sobre o dinheiro pode aprisionar foi escrito em 2015 quando eu ainda estava na Nova Zelândia, legal que você ainda lembre.

      Agora, não podemos negar a realidade de que precisamos nos precaver com contratos, mesmo que eles possam não ser de grande valia, como bem salientou o MMM. Entretanto, em algumas situações, eles são fundamentais.

      Abraço!

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  16. Grande soul, fazendo mais um post de utilidade publica.
    Assunto q deve ser discutido amplamente e q é subnotificado como ja mencionaram, mas eu mesmo, confesso (e desabafo) possuo um trauma pessoal quanto ao assunto e prefiro me refugiar ao debater. É algo q tenho q evoluir, eu sei..
    Parabens
    Abraco

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    1. Olá, Investidor Mineiro.
      Não precisamos sair debatendo como loucos esse assunto. A ideia do artigo nem é essa. Foi mais abrir os dados que talvez possam ter sido uma surpresa para os leitores, assim como foi para mim.
      Espero que esse trauma pessoal seu esteja aos poucos cicatrizando, amigo. Se precisar conversar, e quiser, pode me enviar e-mail.
      Um abraço

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  17. Lendo os blogs daqui do segmento de finanças, percebo que há alguns blogueiros com sintomas típicos de depressão. Alguns até com tendência de pensamentos suicidas. As vezes por motivos fúteis. Isso é muito ruim.

    Eu já fui vítima de bullying na escola. Terrível. Ninguém nunca fez nada, inclusive eu tinha um professor que era filho da diretora, criou um apelido horrível para mim e eu não podia falar nada porquê não ia adiantar. Me deram umas três surras na saída. Abaixaram minhas calças e cueca no meio do intervalo e me empurraram no chão. Passaram cola no meu cabelo. Rasgaram minha mochila, quase me asfixiaram com uma camisinha no meu pescoço e ainda fizeram uma votação e me elegeram "o virgem mais feio do Brasil". Tudo isso na escola pública.

    Meu pai já havia se suicidado. Eu não queria criar uma maldição na minha família fazendo o mesmo. Fiquei 10 longos anos recluso no quarto, sem ter amigos, sem namorar, sem nada. Fiquei catatônico.

    Hoje eu estou reconstruindo minha vida, passei em um concurso, e vivo o tempo que eu perdi dos 16 aos 26 anos. Nem ligo muito para namoro, essas coisas, quero viver para mim, viajar, rir, prazeres que eu não pude viver porquê um grupo de pessoas destruiram minha adolescência.

    Mas eu queria dizer que é para todos viverem. As vezes nossos sofrimentos são muito artificiais, principalmente esses relacionados a namoro. Eu nem abria a boca quando tinha 18, 19 anos, só vivia chorando o dia inteiro.
    Mas hoje eu superei isso e estou feliz, não explodindo de felicidade, mas fazendo o que eu quero.

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    1. Uau, colega. Se tudo isso realmente passou contigo, só posso parabenizá-lo pelo rumo que conseguiu dar para a sua vida. Sinto que o seu pai tenha partido desse mundo desta forma.
      Grato pelo seu comentário, principalmente o último parágrafo.
      Um grande abraço!

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  18. A pressão colocadas sobre nós é muito forte, as pessoas tem que entender que nao necessariamente você tem que corresponder a isso ou aceitar. Ser o melhor, ser o modelo da mídia ou resistir a pressão não é pra todo mundo e não tem problema algum nisso. Acredito que se as pessoas se conhecessem mais as frustrações e sofrimentos seriam menores, mas na contra mão disso temos países budistas, quais julgo terem um maior conhecimento de si, na liderança do suicidio.

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    1. Olá, colega.
      É verdade, este é um excelente ponto e estou de acordo.
      Sobre os países budistas, é verdade que o Budismo no Japão e Coréia não são tão fortes como numa Tailândia ou Myanmar, por exemplo. Porém, é verdade que há altos índices de suicídio nesses dois países, o Japão está no vigésimo lugar do ranking se não me engano.

      Abs

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  19. Quero ver essa série. Muita gente comentando.

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  20. Soul,

    É interessante vir ao teu blog ... enqt todos estão comentado suas compras ... trump ... reforma da previdencia (eu inclusive) vc está refletindo sobre outros assuntos ..

    Teu blog é como um ativo não correlacionado rs ...

    Mas vamos ao post... não sabia dessa taxa absurda .. .se vc pensar que consideram mais de 20 homicidios pra cada 100mil hab um absurdo .. esses indices ai estão muito piores ... Ainda bem que sou amarelo .. rs

    Eu não sei viu Soul... é muito complicado .. ao mesmo tempo que hoje cada vez mais é estimulado o politicamente correto.. não pode fazer brincadeira com negro.. com indio .. com mulher .. com idoso.. com obeso ... obviamente sempre houve excessos ... não é bacana uma situação onde se junta uma turma de 40 pra zuar 1... isso é covardia ...

    Mas a vida tem perdido um pouco a graça... esse tipo de coisa aparentemente ao inves de fortalecer.. faz com que as pessoas fiquem cada vez mais frágeis.. uma geração que não pode sofrer crítica... nao se pode falar mal de ninguem... pq senão destroi a alto estima ...

    Qd vc nao se aceita ... fica mais complicado os outros te aceitarem .. acho que na maioria dos casos .. o suicidio .. é um problema de vc com vc mesmo ... pq na minha época de adolescente ..sempre tinham as pessoas que eram zuadas... alguns ficavam bravos querendo bater em todo mundo .. alguns saiam chorando .. e alguns simplesmente entravam na brincadeira ..

    o mundo infelizmente é assim .. tem uma banda q gosto muito que escreve coisas maravilhosas .. não como essas merdas de hj em dia ..

    "'Cause the weak will
    Seek the weaker until they've broken down,
    Could you get it back again?
    Would it be the same?
    Fulfillment to their lack of strength
    At your expense,
    Left you with no defense,
    They tore it down."

    Absm

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    1. Olá, Rodolfo. Achei genial o seu comentário na parte em dizer que o meu blog é não correlacionado! haha, muito bom mesmo.
      Quer dizer que todos deveriam estar lendo o meu blog então, já que não é correlacionado, gerando ganhos para o portfólio mental:)

      Sobre ``politicamente correto``, brincadeiras, minorias que já foram perseguidas, maiorias que ainda sofrem (como mulheres, eu creio que sua mensagem tem certa dose de verdade, mas creio que ela perde um pouco o ponto.
      Peguemos os negros. Por qual motivo hoje em dia não é bem visto uma brincadeira de cunho ofensivo por causa da cor da pele de um negro e não necessariamente é visto com a mesma repulsa quando se fala de brancos? Simplesmente, porque os escravos foram negros, e ainda há um estigma muito forte e pesado sobre pessoas negras.
      Logo, eu acho sim que é um tema sensível e as pessoas precisam ter cuidado. Creio que isso é uma evolução, não involução.

      No mais, gostei da letra da banda. Qual é?

      Abs!

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    2. Olá, colega.

      Eu gosto do exemplo das piadas de português. Na década de 90 todo mundo fazia piada de português, chamando os caras de burro e outras coisas. Hj ninguém mais faz pq não tem graça. E não tem graça pq os portugueses cagam pra isso. Qual a graça de fazer piada com quem não se incomoda por isso?

      "Por qual motivo hoje em dia não é bem visto uma brincadeira de cunho ofensivo por causa da cor da pele de um negro e não necessariamente é visto com a mesma repulsa quando se fala de brancos?"
      Talvez pq os "brancos" cagam pra isso. Vc me parece bem branco pelas fotos. Deve ser por isso q vc se preocupa com isso. Vc inclusive coloca todos os negros no mesmo balaio: "Peguemos os negros". Eu sou BR meio avermelhado "cor de taco velho", então cago pra tudo isso.

      Abs!

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    3. Olá, colega.
      Primeiramente, não coloco todos os "negros" no mesmo balaio, pois cada ser humano é diferente um do outro e não creio que a pigmentação da pele seja um fator lógico para que eu possa abarcar diferentes pessoas, de diferentes culturas e nacionalidades tudo "no mesmo balaio".
      Falei dos negros, pois infelizmente foram eles, juntos com os índios aqui em nosso continente, que foram escravizados. É em relação a eles que ainda há muito racismo.
      Isso não é vitimizar, mas apenas um juízo de fato.
      Não creio que nos dias de hoje seja sensato fazer brincadeiras que de alguma maneira possam induzir que haja alguma inferioridade de um outro ser humano apenas pela cor da sua pele, ainda mais depois de tudo o que aconteceu ao longo dos séculos.
      Como um negro deve se sentir frente a um comentário maldoso é algo que apenas um negro pode dizer. Evidentemente, posso dizer que talvez "cagar para tudo isso" seja a melhor opção, desde que entendamos que isso significa simplesmente batalhar para melhorar a sua vida, e quem sabe ajudar a melhorar a vida dos outros.
      Eu nunca sofri nada. Branco, loiro, olhos azuis, classe média alta, bem educado, magro, sem qualquer problema físico ou mental, sendo assim não posso saber como uma pessoa pode se sentir quando é humilhada verbalmente. Minha Mãe, e Pai, sempre me ensinaram a apenas agradecer, e é o que faço todos os dias antes de dormir, agradeço pela minha vida.

      Abs

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  21. chama lifehouse, essa música especificamente simon.

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  22. Boa noite! Passando para divulgar um novo blog: http://finansferas.blogspot.com/. Criei o blog para compilar as postagens da blogosfera financeira e oferecer acesso rápido aos respectivos sites. A ideia é auxiliar e dar visibilidade aos blogs de finanças, matéria ainda pouco debatida entre nossos círculos sociais. Obrigado.

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  23. Taleb falando direto sobre o globalismo nessa semana.

    NassimNicholasTaleb‏Conta verificada @nntaleb 26 de abr
    Mais
    Globalism has the effect of separating some people a step too far from the fruits of their actions.

    Será que ele foi doutrinado pelo aquele velho maluco Olavo ou é só um direitista brasileiro raivoso e paranoico? O que acha? Uma ameaça à nossa inteligência?

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    1. Colega, não confunda alhos com bugalhos.
      O Sr. Roger Scruton no livro "como ser um conservador" faz a mesma crítica em relação a União Européia. Ele acredita que se desvincula o centro decisório das pessoas que são afetadas, e isso é um problema.
      É uma crítica válida e se pode refletir a respeito. Parece-me que é na mesma linha do Taleb, ao julgar pela única frase que você colocou.

      Agora, isso não tem absolutamente nada a ver com o que foi dito no meu artigo a respeito, sobre o que dizem ser o globalismo.
      Basta ver o nível dos comentários, bem como das fontes. Teve um comentário que me disse para ver um vídeo para eu me "familiarizar" com o globalismo. Lá dizia que as instituições globalistas eram a favor do livre mercado irrestrito e que com isso estava destruindo empregos em países mais ricos. O objetivo do globalismo era acabar com os países e atacar a civilização ocidental. O livre mercado, em blogs de finanças ao menos, é considerado uma boa coisa. Perguntei então para o rapaz que tinha indicado o vídeo, que inclusive possui um blog de finanças, qual seria o motivo da ONU ou União Européia ser a favor do livre mercado e querer acabar com os países. Ele me respondeu então que essas instituições nunca quiseram livre-mercado. Isso sim é um ataque à inteligência. Alguém cita um vídeo para explicar o que é o globalismo e o que eles querem. O vídeo diz uma coisa. Daí você vem, por que talvez seja contrário ao o que você pensa, diz que na verdade é outra coisa.

      Esse é o problema nessas "grandes teorias alternativas" misturam realidade, com ficção, imaginação, e falta de entendimento.

      No mais, colega, fique tranquilo, aqui nesse espaço você poderá sempre argumentar sobre o que quiser, não há necessidades de adjetivações para ser ouvido.

      E pergunto-me, o que esse tema tem relação com o artigo escrito?

      Abs

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  24. Sorte que a vida não é um botão, senão eu já tinha desligado faz tempo...

    Penso que os fatores são múltiplos, mas considerando o público que mais é vítima (sim, vítima... pois é um mal social) de suicídio acredito que devem ser pessoas de classe média, que precisam trabalhar feito camelos pra sustentar a família e o padrão que muitas vezes nem é deles, mas da sociedade (dos filhos e da esposa), além disso sofrem pressão e humilhações em excesso em casa, já que não é amado como a mãe, que é presente, e no próprio trabalho.

    Os mais pobres que estão acomodados na situação tendem a não ter essa pressão extra, aqueles que não querem "evoluir" também não, porém muitos descambam para drogas/álcool como escape, o que é um suicídio lento, aquele de quem nem coragem de se matar de uma vez tem.

    Penso também que a pressão para o homem (hétero) é infinitamente maior que para as mulheres, se o cara ficar parado nem sexo ele faz, já uma mulher pode simplesmente sentar na calçada que certamente virá pelo menos um interessado por dia e ela poderá até ganhar uma grana com isso (vide cracudas). Penso que é aí que aperta pros índios, já que o governo insiste em manter a cultura deles, assim quando pequenos eles são criados nessa cultura mais tranquila (de caçador/coletor), porém na selva de pedra o negócio aperta, as índias arrumam alguém pra "apoiá-las" (homem branco), os índios... sem grana e sem perspectivas se matam...

    A verdade é que a vida do homem é bastante difícil, porém a sociedade vem negando isso e dizendo que a vida do outro gênero é mais complexa, essa hipocrisia é outra humilhação que bate forte na mente do indivíduo que vê as coisas diferentes no dia a dia, aí comete loucuras ou se mata. Até no esteriótipo do suicídio, pra quem não conhece as estatísticas, logo vem na cabeça a ideia da menininha oprimida cortando os pulsos... a hipocrisia bate pesado!

    No meu caso vejo uma possibilidade, com 12/13 anos a vontade de morrer era grande (pressão, escola, pega-ninguém, pobre), porém fiz um pacto comigo mesmo que jamais me mataria, assim se um dia eu chegar nesse ponto (as vezes chega bem perto) vou direcionar tudo, sem dó nem piedade para combater a causa do que me leva ao desespero, portanto: 1) se for falta de grana vou traficar, assaltar bancos etc; 2) humilhação no trabalho, escola, etc - exterminar quem foi injusto (descarregar a raiva com intensidade); 3) se for raiva da sociedade, buscar alguma organização criminosa ou grupo terrorista, visando colocar minha inteligência a serviço da destruição da sociedade como a conhecemos etc.... e por aí vai.

    Nos piores dias chego a atravessar a rua sem olhar, quando o medo de morrer é nulo você ganha superpoderes! As pessoas ficam abismadas quando alguém entra atirando no trabalho ou escolas, se explode com bombas ou sai atirando a esmo, porém isso é obra da própria sociedade... isso não é nada.

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    1. Colega, sua mensagem é forte.
      Não concordo com algumas partes, sobre como a vida dos homens é mais difícil do que a das mulheres. Depende da classe, do país, da cultura, etc.

      Espero que você continue forte, e esse sentimento de vazio não se apodere de você. Espero sinceramente que o seu penúltimo parágrafo seja apenas uma brincadeira ou uma forma talvez de expressar o sentimento em relação a algo que não o agradada, e de alguma maneira possa machucá-lo. Evidentemente, isso não é solução para nada, causar sofrimentos para os outros nunca será uma reposta para o próprio sofrimento.

      Espero que continue forte e que aos poucos possa ir construindo boas coisas para a sua vida.

      Um abraço!

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    2. Valeu, abraço!

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    3. Concordo que talvez não seja a solução para nada, mas as pessoas precisam começar a ver esses atos como eles são e não com a perspectiva de quem não vive em situação de desespero e "terror".

      Fiz uma conexão com o terrorismo e atos de atiradores porque tenho isso muito claro na minha cabeça e sei que a sociedade como um todo é a culpada por esses suicídios, sendo que essa coletividade tem muita sorte das pessoas atingidas por este mal social escolherem, na maioria das vezes, a morte solitária, pois a verdade é que terroristas, muitos criminosos, atiradores e pessoas que cometem atos desesperados são suicidas que resolveram agir de modo diferente, colocando todas as fichas na roleta da vida por meio de atos "insanos" ao invés de simplesmente se matarem.

      Abraço!

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  25. Quero deixar aqui o meu relato pessoal de quase suicídio.
    Até hoje, contei isso apenas para uma grande amiga, pois isso dá vergonha, sensação de fraqueza e impotência.

    Em 2013 fiquei sem emprego, e a dificuldade em conseguir uma nova posição me colocou em desespero.
    Hoje, posso dizer que estou bem. Lidando com meus montros internos, enfrentando-os sempre que possível e me autoanalisando constantemente, diariamente.

    Tive uma criação um tanto conservadora e demasiadamente protetora. Aos 22 anos perdi minha mãe e me vi sem chão. De forma resumida, vivíamosemos sempre eu e ela. Meus pais se separaram quando tu tinha 11 anos e foi um alívio, pois todos os dias ocorriam agressões, xingamentos, e até brigas onde sangue foi arrancado. Meu pai era um alcóolatra.
    Minha mãe batalhou duramente para me criar, e devo a ela meu caráter e conduta de vida.

    Sempre fui uma adolescente introvertida, não necessariamente tímida. Introspectiva, observadora, sensível. Após as morte de minha mãe, passei uns 3 anos "vegetando": trabalho-casa;casa-trabalho. Até que um dia a ficha começou a cair aos poucos e bem devagar. Mas ainda não era hora dela cair completamente

    No fatídico ano de 2013, após a demissão e a dificuldade em conseguir um novo emprego, um turbilhão de emoções e pensamentos vieram com força para cima de mim. Sempre tive muita dificuldade em demonstrar sentimentos e, fechada em minha concha, eu praticamente me afoguei. Certa vez tentei desabafar com meu único irmão. Tempos depois, em um dia de discussão boba, ele lançou em minha face todas as minhas fraquezas que eu havia confidenciado. Desde então, papel e caneta me ajudam a aliviar os turbilhões de pensamentos que me invadem certas vezes.

    Fazendo pesquisas pela internet, estava em busca de uma morte sem sangue, indolor. Queria partir deste mundo sem traumatizar ninguém com meu sangue derramado e nem sentir dor. E então, descobri um veneno veterinário que poderia realizar meu desejo. A burrice e o desespero (nao sei qual deles em maior quantidade) estavam em um grau muito elevado, e então descobri um fornecedor africano, com o qual gastei R$600,00. Porém, tratou-se de um golpe e então perdi a coragem de tentar gastar mais dinheiro e me envolver em mais uma enganação. Ainda cheguei a pesquisar outros meios.

    Não vou me alongar, porque seriam muitas coisas a serem ditas. Mas, ter força mental e ter "peito" para encarar essa vida, o "tanto faz" que as pessoas jogam em cima de você, e muitas outras dificuldades, não é nada fácil.

    Foi me rastejando que consegui melhorar e sair do lamaçal no qual me encontrei um dia.
    Não que isso justifique, mas te tido um lar desestruturado, o medo presente em todo momento, falta de apoio daqueles com quem vc pensa que poderia contar (família), fizeram com que eu me tornasse uma pessoa que está sempre esperando o pior das pessoas e qualquer outro evento da vida. Constantemente procuro matar minhas expectativas, porque quando algo bom acontece eu fico surpresa, e não estar esperando nada de ninguém é muito bom. Digo isso, pois eu sempre esperava muito das pessoas, porque era muito carente e projetava a minha deficiência nos demais, que não tinham obrigação nenhuma comigo.

    As raízes de uma tentativa de suicídio são profundas.
    Nem é o caso da pessoa ser fraca, mas, talvez ter sido extremamente forte, lutando bravamente contra seus demônios internos até sua completa exaustão, e muitas vezes tendo um "grito silencioso" entalado na garganta.





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    1. Grato pelo pungente relato, colega.
      Espero que hoje em dia você esteja mais forte. Fico feliz que tenha recebido um "golpe" da internet.
      Quem sou eu para falar, mas a vida vale a pena sim ser vivida.
      Não há nenhum problema em ser mais introspectiva, eu mesmo sou um sujeito mais introspectivo.
      Ache alguma coisa que você realmente goste, mesmo que seja um pequeno hobbie, e coloque intensidade nisso. Acho uma ótima forma de nos apaixonarmos por algo.
      Espero também que já tenha arrumado um trabalho.

      Um abraço e desejo tudo de bom para você.

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    2. Oi Soul. Muito obrigada por responder meu comentário.
      Sim, estou mais forte. E às vezes até me espanto com o fato de ignorar muitas coisas, que antes me deixariam, por dias, com "caraminholas" na cabeça. Acho que aprendi a ter uma espécie de filtro.
      Pois é, acho que foi uma espécie de segunda chance que ganhei, ao ser "golpeada" na internet. Levei um aprendizado.
      Com a correria de faculdade e trabalho, quase não tem me sobrado tempo, mas no semestre que vem estará mais tranquilo. Vou aprender a programar e melhorar na arte do origami.
      Isso tudo ocorreu em entre 2013 e 2014. E sim, consegui um trabalho, no qual estou até a presente data.

      Outro abraço, e tudo de bom, maravilhoso e excelente pra vc.
      Sua presença aqui na blogosfera é de grande valia!
      Sua energia é muito boa.
      Thanks!

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    3. Obrigado pelo comentário e pelas palavras, agradeço!
      Abraço

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  26. O tema de “13 Reasons Why” é sério e delicado: uma adolescente não encontra saída depois de (spoiler alert!) lidar com o bullying nos corredores do colégio e de sofrer um estupro. Antes de se matar, grava treze fitas cassete listando os culpados e os motivos do suicídio. Impactante e estarrecedor. Poderia trazer raiva, reflexão, solução. Traz sono.
    Nossa, mas quanta falta de sensibilidade, hein? Nada disso. O problema não está no tema, pungente e relevante, mas na protagonista. Hannah Baker se considera uma vítima incompreendida da sociedade que a cerca, mas é só uma adolescente que, como é comum hoje em dia, atribui aos outros a culpa pelas suas escolhas.
    Das treze razões de Hannah Baker, umas dez são pura futilidade. A garota aponta o dedo para colegas que cometem deslizes até menores que os dela própria. Ao testemunhar o estupro da amiga desacordada, não faz nada para impedir o crime ou incentivar a amiga a denunciar o agressor.
    Pior, muito pior, dias depois de testemunhar esse crime, Hannah resolve ir a uma festinha na casa de quem? Do rapaz que estuprou sua amiga. Lá pelas tantas, está na jacuzzi de lingerie com a galera. No final, sobrou para ela.
    Não me venham com o papo besta de “ah, então você acha que ela mereceu?” Não, fofucha. Ninguém merece. Mas que diabos essa menina foi fazer lá? Ao que me parece, quis correr o risco para ser tão ou mais vítima que a amiga e trazer o foco para si. Hannah sofre de um egocentrismo dramático de fazer inveja a qualquer Big Brother.
    Outro episódio deixa mais claro como Hannah busca motivos para se vitimizar. Decide conversar sobre o estupro com o conselheiro da escola. O homem a trata com atenção e insiste para ela contar o que houve e quem causou o mal. Mas Hannah se cala e sai da sala como se o conselheiro fosse conivente com os infortúnios dela.
    O pobre do conselheiro escolar também acaba levando a culpa por sugerir a Hannah que se dedique mais aos estudos ou tenha aspirações menores do que entrar na Universidade Columbia. Uau, o insensível destruiu os sonhos de uma adolescente por jogar a real sobre sua dedicação? Me poupem, né?
    No que diz respeito às cenas de slut shaming (humilhação baseada num suposto comportamento sexual) não há o que refutar. Hannah ganha fama de a piranha da escola e passa a sofrer assédios e humilhações onde quer que esteja. O sofrimento da garota é um alerta para adolescentes sobre o mal que o bullying pode causar na cabeça das vítimas.
    Mas Hannah coloca no mesmo patamar episódios bem menos ultrajantes. Um deles: ela entra na lista de gostosas do Ensino Médio. Ok, nem todas enxergariam como um elogio, mas é motivo para levar alguém a tirar a própria vida? Ora, tenha paciência.
    Há 70 anos, garotos americanos invadiam a Europa para matar Hitler. Rosa Parks e suas amigas iam ao trabalho a pé em protesto contra a lei que as obrigava a dar lugar para os brancos no ônibus. Hoje os jovens se emocionam com uma série que trata o suicídio como a única saída.
    “13 Reasons Why” serve muito bem a jovens narcisistas que se consideram guardiões da virtude e da integridade, quando não passam de adolescentes ordinários. É uma série para a geração Toddynho. Sem lactose, é claro.

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    1. Olá, colega. Achei uma bela resenha sobre a série. Muito bem construída. A Frase Final sobre ser para a geração Toddynho sem lactose achei ótima, poderia fazer resenhas de filmes:)
      Suas considerações são pertinentes e muitos personagens, secundários ou não, as fazem durante a série. Será que não há um exagero por parte da Hanna, vários jovens não passam por isso? Supere.
      Por qual motivo ela não falou nada ao ver sua colega sendo estuprada? Por que estava bêbada? E por qual motivo ela vai para aquela festa? Apenas não fica claro se ela conhecia de quem era a casa ou não.
      Eu acho que você tem toda razão. Porém, o fato é que por mais que ela tenha errado, por mais que o sofrimento dela tenha sido fútil, o fato que ela tira a sua própria vida. Uma jovem que poderia ter toda a vida pela frente, simplesmente colocou um fim nisso. Acho isso um imenso desperdício, talvez o maior deles, em algum graus de grandeza maior do que um desperdício econômico.
      Sobre o conselheiro, jovens são problemáticos, e acho que ele deveria sim ter uma sensibilidade maior ao tratar um tema como esse, minha opinião apenas.

      Agora, apenas como contraponto, há mães que são estupradas por 40 homens, observam filhos serem mortos, alguns outros ser pegos como crianças-soldados, e ainda assim sobrevivem e fazem alguma coisa pelo mundo. Poderia dizer que em algumas partes do mundo as pessoas se abalam porque ganham pouco, ou porque estão acima do peso, etc.

      Nosso sofrimento sempre irá empalidecer frente ao sofrimento de algumas outras pessoas. Há alguns anos eu achava motivo para de alguma forma "desmecerecer" o sofrimento alheio. Se alguém não tem nem o que comer no Sudão, por qual motivo você está triste porque a sua namorada te deixou? Sério?

      Com o amadurecimento, eu percebi que evidentemente há graus de sofrimento, e se formos inteligentes podemos aprender com isso, e não deixar que eventuais pequenos problemas nos afetem. Porém, cada pessoa é cada pessoa, e cada sofrimento atinge pessoa de maneira diversa. Hoje sinto-me muito mais integrado as pessoas, e a "necessidade" de julgar quase que desapareceu.

      Um abraço amigo e grato pelo comentário!

      obs: também não concordo sobre a parte do sono, os primeiros 3-4 episódios não são tão bons, ia parar de ver a série, mas ela, na minha opinião, foi engrenando, chegando quase que num clímax.

      Abs!



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  27. Eu não cometo suícidio por quê não há uma forma de fazer isso sem dor e sem sangue com pouco dinheiro.

    Eu sou muito pobre, meu pai nos abandonou e nos deixou beirando a miséria. Meu irmão mais velho tem autismo, e da forma grave. Infelizmente aqui não há nenhum tipo de tratamento adequado (público nem privado), e com a idade que ele está (22), eu tenho 15 , é praticamente nula todas as chances dele ficar melhor. Ele tem várias crises, controla toda a rotina de casa, até os canais de televisão. Nós (sobre)vivemos com um auxílio que recebemos do governo. É pouco que só dá para comprar comida, água, gás e pagar energia. Minha relação com minha mãe não é a das melhores, pois ela descontra suas frustações brigando comigo. E não adianta conversar com ela, pois quando eu falo alguma verdade ela me agride com um cabo de vassoura. Resta ficar calado, aguentando tudo. Eu sou muito feio, pardo, suado, dente quebrado, peludo, cheio de caspa e espinha. Para começar, eu fui pedir para fazer um tratamento no SUS, mas minha mãe diz que é frescura. Não temos dinheiro para nada praticamente, estou colocando as (poucas) roupas que usava para ir a igreja para vestir em casa porquê estão todas surradas, rasgadas, recosturadas. Ela não me deixa trabalhar, e se deixasse, seria para comprar arroz e feijão para casa. Eu tiro nota boa na escola, mas ela não me elogia, e ainda fala que eu vou virar um marginal. Não me deixou entrar na escola profissionalizante (eu entraria por mérito), porquê era coisa de gente rica e eu não iria ter dinheiro para comprar o uniforme e ninguém poderia ir para minha formatura (não pode deixar meu irmão só em casa). Na escola sou um fracasso social. Os alunos só se aproximam de mim para cola de prova, e se eu não cedo as respostas logo vem as piadas e apelidos. Para piorar sou homossexual, mas já decidi que vou me assexualizar, já que não posso gostar de mulheres não posso aceitar esse desvio. Seria muita humilhação para mim. Eu acho que nem posso fazer concurso, enem, porque não existe silêncio na minha casa e a minha mãe (como sempre) e não entende e não deixaria estudar na casa de ninguém, nem na biblioteca (que aqui não pode).
    A minha vida é um inferno. Não há nada que eu possa fazer para melhorar. Meus sonhos quase todos já foram destruídos.
    Queria ter nascido normal, numa família normal. Já enviei e-mail para todo tipo de pessoa que eu achava que poderiam me ajudar, mas é em vão. Ninguém aqui em casa é feliz. Eu desabafo sempre na internet porquê em casa não posso, e na escola iria gerar problemas demais. Até na Igreja desisti de fazer um sacramento porquê era a noite e não haviam nem conhecidos para me acompanhar.

    Agora me diga, que esperança eu posso ter? Eu só vivo porquê estou vivo, eu não planejo me matar, não porquê penso na família, mas porquê não quero virar vegetal numa cama e numa pobreza desgraçada como essa.

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    1. Colega, você disse que tem 15 anos?
      Um pouco difícil de acreditar tendo em vista o texto que construiu e o vocabulário utilizado.
      Se você realmente possui 15 anos, e já consegue estruturar um texto assim, tenho certeza que você tem um ótimo futuro pela frente.
      Abs

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  28. Sim Soulsurfer, eu realmente tenho 15 anos.
    Eu citei que eu tinha mandado e-mail para algumas pessoas para ver se elas me ajudavam. Por tanto escrever, acho que me acostumei.
    Eu também tenho cuidado em escrever para ninguém achar que minha história é "fake" ou eu sou um "hater".
    Eu sou pobre mas eu sei como escrever um texto, também sei o significado das palavras. Não sou um gênio, mas infelizmente escrever bem não é um passaporte de uma vida melhor.

    Eu não falo tão corretamente, e aqui no Nordeste todos usam gírias, eu também. Acho que você achou que é mentira por que já viu meus comentários nos outros blogs. Estou desesperado, um comentário em blog é pouco para dizer o que eu sinto.
    Eu escrevo em um bloco de notas de um celular usado que custou 80 reais que foi comprado para eu não ficar sem dar notícias do meu irmão quando minha mãe sai.

    Você é tão culto, mas fiquei entristecido que pensou isso da minha história. Mas minha vida é assim mesmo, ninguém acredita em mim, ninguém gosta de mim.

    Eu sou imprestável.

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    1. Olá, colega. Veja, se com 15 anos você consegue se expressar dessa maneira, pode ter certeza que se você se esforçar terá um belo futuro pela frente.
      Escrever bem e ter clareza na transmissão de ideias não é passaporte para uma vida de riquezas, mas para uma vida melhor não tenho a menor dúvida que é.
      Fique bem.
      Abs

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  29. Prezado Soul, parabéns pelo texto e pelo blog. Sempre inspirador. Um tema delicado e complexo. Já pensou em fazer mestrado ou doutorado? Tem um dom especialmente desenvolvido para sistematizar conhecimento.
    Voltando ao texto, existe uma variável química, pouco abordado ao problema, ligado a alimentação. Achei absurdo a ideia inicialmente, mas estudos científicos recentes indicam que nossa flora intestinal está intimamente ligado ao nosso sistema nervoso. Doenças como epilepsia, esquizofrenia, depressão e até diabetes, estão sendo correlacionados a dieta e a nossa diversidade da microbiota intestinal. Interessante seria correlacionar isso todos os fatores econômicos, sociais e culturais supracitafos. Grande abraço.

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    1. Olá, Akira.
      Sério? Não sabia dessa linha de pesquisa, mas também é tanto conhecimento que temos que aceitar que somos extremamente limitados, aliás deu uma ideia de um artigo, acho que vou escrever hoje ou amanhã.
      Não penso não colega, quem sabe no exterior, no Brasil me decepcionei um pouco com a academia.

      Um abraço!

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    2. Uma vez vi em uma revista o título de uma matéria: algo como "intestino, nosso novo cérebro".

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    3. Há alguns livros que abordam o tema: O discreto charme do Intestino: Tudo sobre um órgão maravilhoso / Amigos da mente: Nutrientes e bactérias que vão curar e proteger seu cérebro. Também há artigos científicos: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4997396/
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3601973/

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  30. Bom dia, Soul, quem vos escreve é o Paulo. Se possível, gostaria de tirar mais algumas dúvidas e confirmar alguns entendimentos sobre leilões.

    1ª) dívidas tributárias, como IPTU, sub rogam-se no preço da arrematação, conforme CTN 130º, par. Único, correto? Mas e se, por exemplo, o valor da arrematação for inferior ao valor da dívida de IPTU? A diferença considera-se quitada?

    2ª) dívidas condominiais são propter rem, ou seja, acompanham a coisa, assim, quem comprar um apto com dívida condominial responde integralmente por ela ou alguma parte do valor da arrematação serve para seu pagamento?

    3ª) não sou advogado e é muito difícil consultar processos eletrônicos no TJSP, como vc faz para consultar? Creio que não deva ter muita dificuldade, pois, se não me engano, vc é formado em direito.

    Grato pela ajuda,
    Paulo

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    1. Bom dia, Paulo.
      1) Sinceramente, não saberia dizer. É raro o valor da arrematação ser inferior ao valor do IPTU. Porém, sem pesquisar nada, eu diria que se o valor for inferior, paciência, deve o município cobrar do executado, não do arrematante.
      obs: olhei rapidamente um artigo, e é na mesma linha da minha resposta https://jus.com.br/artigos/26199/responsabilidade-por-sucessao-tributaria-cobranca-de-tributos-decorrentes-da-arrematacao-de-imovel-em-hasta-publica

      2) Esse é um grande risco se não for feita uma pesquisa prévia. Se a execução é do condomínio não teria problemas, pois são as parcelas do próprio condomínio em atraso que estão sendo cobradas. Agora se é outras dívidas, sugiro pesquisa prévia. Já vi muitas pessoas fazendo bobagem e assumindo dívidas monstruosas de condomínio sem nem mesmo saber.
      A discussão judicial sobre se as dívidas anteriores de condomínio são de responsabilidade do arrematante ou não são um pouco confusas na Jurisprudência. O STJ ora entende que sim, ora entende que não. Se o edital for omisso em relação às despesas de condomínio, você tem que assumir que o condomínio irá cobrar.
      Pequeno trecho sobre a confusão na jurisprudência:
      ``Em seu voto, a ministra Nancy Andrighi explicou que há três situações diversas: na primeira, o adquirente de imóvel, em compra e venda comum, responde pelos débitos condominiais anteriores ao negócio, por conta do caráter propter rem dessa dívida — imposta à pessoa em decorrência da sua condição de titular do direito sobre um bem. É a jurisprudência reiterada do STJ.

      Na segunda, tratando-se de arrematação, o entendimento do STJ não está consolidado nas hipóteses de o edital omitir esse ponto. E o terceiro caso, que é o dos autos, no qual o edital traz declaração expressa de que o arrematante estaria “isento do pagamento das despesas condominiais até a data da efetiva imissão na posse”. http://www.conjur.com.br/2012-out-15/arrematante-nao-arca-dividas-condominio-excluidas-edital

      3)Se você quiser consultar os processos eletrônicos na íntegra tem que ser advogado e cadastrado no TJ-SP.

      Abraço

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    2. Soul, agradeço o tempo gasto em responder minhas dúvidas, mas vou abusar mais um pouco. Qual sua experiência em ações de imissão na posse? Qual o custo médio? Quanto tempo em média para vc ser imitido na posse? Algum caso curioso que merece ser descrito? Como sou principiante, pretendo iniciar com imóveis pequenos, por exemplo, aptos de 50m2 ou terrenos de 250m2 (se encontrar).

      Abraço,
      Paulo

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  31. Fala Soul,
    se puder, leia o artigo do Raiam sobre o seu tema de hoje:
    http://mundoraiam.com/por-tras-de-um-sorriso/

    Muito interessante que esse tema venha a tona.

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    1. Olá, Felipe. Grato, vou ler sim. Gosto de alguns textos que o Raiam escreve.
      Abraço!

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  32. Se o ódio fosse o alimento dessas pessoas, elas jamais teriam se suicidado.

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  33. Talvez na idade média as pessoas fracas morriam de outro jeito. Como atualmente há pouca violência de modo geral (e bem menos chance de morrer vítima de uma guerra ou de uma briga com o vizinho ou senhor feudal), os fracos não têm mais à disposição a roleta russa da morte infligida e precisam resolver isso por si mesmas.

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  34. Grande Soul,

    Esperei terminar a série pra depois vir comentar aqui. Não consegui ler todos os comentários pois são muitos.

    Este assunto é interessante no ponto de vista da complexidade que envolve os motivos. Tenho algumas histórias sobre suicídios. Particularmente eu não acreditava muito, achava que era frescura até ter 3 pessoas que se suicidaram, perto de mim. Os 3 casos foi avisado antes mas ninguém dá importância.

    Hoje quando falo sobre o assunto eu faço a seguinte analogia e pergunto: Ei, imagine você que estamos aqui conversando e de repente eu viro e falo que vou me matar as 15h. O que você pensaria? Geralmente a resposta que eu ouço é que ninguém acreditaria. E é isso que acontece muito. As razoes são inúmeras e o suicida sempre avisa que vai fazer.

    O fato é que é muito difícil acreditarmos e darmos mais importância do que já damos pois nossa vida está normal e aquilo que é besteira pra mim pode ser o motivo para alguém cometer um suicídio.

    Quanto ao seriado, achei muito bom mesmo até porque tenho uma filha adolescente mas confesso que me irritei em algumas partes quando alguns personagens não conversam com os pais, saem sem dar explicação e fica por isso mesmo. Talvez por não concordar com isso e sempre buscar entender o que está acontecendo, eu tenha me irritado mas analisando melhor, isso acontece sim.

    Suas estatísticas são show de bola mas quase ninguém conhece elas. Sabe por que a série fez sucesso? Porque trata de adolescentes em período escolar, bullying, pais dóceis sem problemas com alcoolismos ou drogas e mesmo assim aconteceu o suicídio. Talvez se fizerem a história de um homem de idade média, branco, desempregado, com dividas crescendo dia após dia, não seria tão interessante (apesar que hoje em dia eles transformam até programa culinário em uma mega operação que te prende na tela).

    Ainda penso em fazer alguma especialização na área de comportamento humano para fazer uma pesquisa e estatística de vários padrões que acho existirem. Quem sabe ainda faço?!

    Abraço!

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    1. Olá, colega. Primeiramente, você tem uma filha adolescente? Quanto anos você tem colega?
      Em segundo lugar, grato pelo comentário, muito bom.
      Três? Nossa, bastante hein.
      É provável que ninguém se importasse muito. O se fosse uma mulher muçulmana que sofreu algum abuso no interior de algum lugar onde as mulheres não tem muita vez.
      Enfim, é um tema vasto, complexo e difícil.
      Um abraço!

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