sexta-feira, 21 de abril de 2017

O GRANDE ENGODO: O INCENTIVO FINANCEIRO É O MAIS IMPORTANTE EM NOSSAS VIDAS




São cinco da manhã. João, como milhares de outros brasileiros , levanta da cama, pronto para comer um café-da-manhã sozinho, seus filhos e mulher ainda dormem, e se preparar para a longa jornada de trabalho que o aguarda.  Ele pensa consigo mesmo que gostaria de dormir mais, talvez gostasse de ir ao parque ao invés de ficar num escritório trancado enquanto o sol brilha numa temperatura agradável de uma tarde de outono, mas ele precisa trabalhar, ele precisa do dinheiro que o trabalho oferecesse. Logo, João vai trabalhar movido pelo interesse financeiro, esse é o interesse primordial, esse é o maior incentivo.  


Essa talvez seja um dos maiores equívocos de sociedades que já possuem certo nível de conforto material acima das necessidades mais básicas humanas. Está em todo lugar de maneira consciente ou não na mente da esmagadora maioria das pessoas. Não, o incentivo financeiro não é o mais importante na vida das pessoas, e essa forma distorcida de ver a realidade está ocasionando que muitas pessoas tenham vidas não satisfeitas, mesmo com graus de acumulação material cada vez maior, o que é uma contradição para muitas das retóricas e ideologias predominantes.


Já vejo críticos e cínicos, ambos com papel muito importante para o amadurecimento de idéias, pensando “pronto, mais um texto sem eira, nem beira, sem fundamento na realidade, querendo que todos voltem a viver como nossos antepassados há 1000 anos”.  Essa é a crítica padrão quando esse é o tema, seja ela colocada de forma mais direta, ou de maneira mais indireta. 


Primeiramente, como magistralmente retratado por Wood Allen numa das últimas cenas do primoroso “Meia Noite em Paris” quando o protagonista, que passa quase todo o filme achando que o passado era mais glorioso do que o presente em que ele vivia,  se dá conta que há 100 anos não havia anestesia “ e se eu tivesse que extrair um dente sem anestesia”? Logo, negar diversas evoluções humanas em diversos campos do conhecimento seria sandice. Achar que em alguma época passada as pessoas tinham uma vida melhor, em todos os aspectos, às nossas vidas atuais também é algo que não se sustenta.

Um belíssimo filme



Em segundo lugar, edifícios não se constroem sozinhos, pontes não se forma pela força do pensamento e carros não dão em árvores. Logo, é preciso trabalho, poupança e acúmulo de capital para que uma gama enorme de bens possa ser produzida.  Sendo assim, claro está que o trabalho humano é peça fundamental na construção da nossa realidade, e que o dinheiro como meio de troca é ingrediente essencial nisso tudo.


Bom, se a nossa época atual não é pior do que alguma época passada, se sem trabalho não conseguiríamos construir a realidade atual, e se o dinheiro é fundamental em tudo isso, qual é o erro de dizer que o maior incentivo de João ir trabalhar é o incentivo financeiro? A forma mais simples é dizer que esse não é o maior incentivo. A forma mais elaborada talvez seja expressar que isso ocasiona uma distorção da realidade perigosa.


Se João acorda às cinco da manhã para trabalhar, e o principal incentivo não é o financeiro, qual seria então? O AMOR. O principal incentivo da esmagadora maioria das pessoas levantar para trabalhar não é o dinheiro, mas sim o AMOR.


Amor? Como assim Amor? Endoidou Soul?”, não colegas, não fiquei maluco, aliás essa talvez seja uma das afirmações mais lúcidas desse blog. João levanta cedo para ir ao trabalho porque ele ama os seus filhos.  É o amor pelos filhos que faz com que João talvez abra mão de passear no parque, ou dormir um pouco mais, para ir ao seu trabalho.


O Amor é a força que leva as pessoas a realizar tarefas inacreditáveis, ou a aturar situações descontáveis.  Quando adolescente, minha Mãe disse que sacrificaria a vida dela para me manter vivo, se isso fosse necessário.  Ela, depois da separação do meu Pai, precisou batalhar muito para conquistar o seu espaço, e tenho absoluta certeza que ela foi movida pelo amor que sentia por mim e minhas irmãs e não pelo dinheiro.


Garanto, com uma dose alta de probabilidade, que Einstein foi movido pelo Amor que ele sentia pela sua profissão, pela tentativa de explicar o universo, e não por meros incentivos financeiros. 

“Certo, Soul, João levanta às cinco da manhã para ir trabalhar porque ele ama os seus filhos, mas ele precisa trabalhar para ter o dinheiro para que os seus filhos possam ter uma boa vida, isso não é a mesma coisa do que dizer que o incentivo de João ir trabalhar é financeiro?”, não, não é.


Há uma diferença fundamental numa sociedade onde o Amor é o incentivo primordial de uma onde o dinheiro é o incentivo fundamental.  Não é à toa que o Amor não está em nenhum lugar. Não se fala de Amor. Como Patch Adams disse na antológica entrevista concedida ao programa Roda Viva da TV Cultura em 2007 (para mim a melhor entrevista que já vi em toda a minha vida e já disse isso várias vezes nesse espaço): “ Estou cansado de não ver o Amor em nenhum lugar”.

 Não me canso de ver essa entrevista. Já vi diversas vezes. Um dos homens mais lúcidos que já ouvi falar. Porém, é tão diferente do que achamos natural, que muitas pessoas ou se sentem descontáveis ou simplesmente ridicularizam, ou simplesmente não assistem.


Sim, João precisa ir trabalhar. Sim, quase todos os leitores desse texto precisam trabalhar. Sim, carros e geladeiras não brotam do chão. Sim, muitas vezes trabalhar pode ser cansativo e exaustivo, mas necessário. Sim, a esmagadora maioria das pessoas espera ser remunerada em dinheiro em troca do seu trabalho. Não, o incentivo financeiro não é maior do que o Amor. 


A atrofia do Amor é tão grande em muitas relações, a noção de Amor, e a prima desse sentimento que é a empatia, tão negligenciada, que muitas pessoas às vezes se assustam quando se veem satisfeitas em ambientes onde não há considerações de ordem financeira.  É nisso que entra o brilhantismo de um sujeito como o Mister Money Mustache, a capacidade dele reconhecer o dinheiro como instrumental que é, nunca como a finalidade na vida das pessoas. Muitos acreditam, de forma errônea, que o blog do MMM é sobre frugalismo, sobre gastar menos dinheiro, na verdade o Blog dele trata de retirarmos o véu que nos foi (auto) imposto, e reconhecermos que o Amor é o que nos guia para frente.


                Quando se reconhece que é o amor o grande incentivador por trás das nossas condutas, e não o dinheiro, nossa relação com o que consumimos, como tratamos desconhecidos em ambientes virtuais ou não, como olhamos para outros seres humanos, muda radicalmente. Tudo fica mais fácil e prazeroso. 


                Cada vez mais pessoas reconhecem isso. Até mesmo empresas, principalmente as mais criativas, percebem que incentivos financeiros são apenas uma espécie de incentivo, e na maioria dos casos não é o mais importante.

          Os primeiros anos da série “Os Simpsons” são fenomenais. Nossa, como eu gosto de alguns episódios. Num deles, Homer decide criar coragem e se demite do seu emprego na empresa de energia nuclear. Resolve seguir o seu sonho que é trabalhar com Boliche. Tudo vai indo muito bem, até mesmo o cabelo começa a crescer, e ele parece uma criança de tão feliz. 

       Porém, uma surpresa do destino, fará a sua vida mudar. A Margie diz que está grávida pela terceira vez (da Megan, o bebê da série). Homer entra em desespero, o salário do boliche não será suficiente para bancar mais um filho. Resignado, ele volta ao emprego na empresa nuclear. O Chefão, por seu turno, como uma forma de humilhá-lo, resolve colocar uma placa na sala de controles do Homer:


"Não se esqueça: Você está aqui para sempre" - Incentivo Financeiro



                Bart, então pergunta a Homer por qual motivo não há fotos de Megan, e Homer responde “Eu as tenho onde eu mais preciso” e o programa termina assim:

"Faça Isso por ela" - AMOR


             Eu me emociono toda vez que vejo esse episódio. É uma das coisas mais bonitas que já vi em programas de televisão. Captura com perfeição o que tentei passar com esse texto. Encontre o que te emociona, o que você ama, é bem possível que você seja guiado por isso, e que sua vida dê um salto de qualidade.

         Um grande abraço!

54 comentários:

  1. Boa Soul

    Nosso amor por nossos pais é gigantesco, mas o amor pelos filhos é ainda maior

    ResponderExcluir
  2. Excelente texto. Um dos motivos que sempre me incentivou a estudar e passar num bom concurso foi poder dá um bom plano de saúde a minha mãe.
    Assim como hoje eu me esforço para poupar, deixo de viajar, de comprar roupas melhores (E eu amo me vestir bem, com roupas legais), etc, pensando no futuro da minha família. Não é pelo dinheiro que trabalho, poupo e invisto, é pelo meu bem estar e daqueles que amo.
    Eu sou fã dos simpsons e já assisti esse episódio. Uma das coisa que admiro na sociedade americana é o quanto eles valorizam a família. Talvez isso seja por serem um país de tradições cristãs.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, colega.
      Acho que várias sociedades valorizam a família, talvez até mais do que fazemos hoje no ocidente.
      É um bom tema para um artigo.
      Grato pelo comentário.
      Abraço!

      Excluir
  3. Cara, li e assistir toda a entrevista.

    Você não imagina o quanto me fez bem o seu post e todo o contexto dele.

    Simplesmente me emocionei!


    Melhor texto qu li na minha vida! Essa imagem final é de deixar qualquer pai de família em prantos.


    Muito, mas muito obrigado, não sabe o bem que me fez ler isso hoje.


    Gratidão.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Matheus. Grato pela mensagem, fico feliz que de alguma maneira o texto possa ter tocado você de alguma forma.
      Um abraço!

      Excluir
  4. Soul, seu texto é muito interessante, muito bonito até. Vou pedir desculpas de antemão caso eu não tenha entendido algumas partes mais profundas (de verdade), provavelmente vou ter de relê-lo.

    Só pra fazer um contraponto e com a ressalva de que as pessoas são diferentes (ainda bem!). Para mim, a maioria vai trabalhar por simples subsistência e por realização. Mesmo não tendo filhos, se eu não trabalhar e imagino os leitores do blog que também são investidores (em situação financeira melhor do que 80% da população brasileira) não conseguimos sobreviver ou não por muito tempo. É necessário um bom capital acumulado pra garantir a simples subsistência. Deixo claro que não só isso me faz trabalhar, aliás, quando atingir a IF vou continuar trabalhando (com mais liberdade). Assim como eu, você deve conhecer pessoas que se aposentam (filhos ja saíram de casa), mantêm o padrão de vida, viajam um pouco e depois voltam a trabalhar. Por que multimilionários e bilionários continuam trabalhando? Amor ao dinheiro, à influência? A maioria penso que não. Amor ao trabalho? Talvez. Responsabilidade para com os outros? Cara, Deus me livre ser bilionário e ter tanta vida dependendo de a minha empresa ir bem. Eu venderia a empresa. O chinês do Alibaba (cara muito sábio) fala que quando se tem um bilhão de patrimônio, isso traduz, na verdade, a confiança que a sociedade tem em você. Alguns filósofos falam que o trabalho dignifica o homem, eu concordo com eles. É muito bom seu esforço fornecer algo útil pra vida das pessoas, é sua cooperação com o mundo. Para mim, viver sem trabalhar faltaria alguma coisa. Assim como se a vida fosse só trabalho. Aqui também entra um pouco da busca de sentido e tal que, só com o trabalho ou sem ele, fica muito difícil. Abçs

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, colega. O trabalho está relacionado a produção. E quem não quer se sentir produtivo? Quem não quer encontrar um sentido naquilo que faz? Não é à toa que em diversas pesquisas, a busca de sentido está sempre a frente da questão financeira, quando se pergunta o que é importante num trabalho.

      Assim como carros não se materializam no ar (como o dinheiro eletrônico criado pelos Bancos Centrais), precisamos trabalhar para conseguir as coisas. Boa parte das pessoas para mera subsistência. Logo, você tem razão, precisamos de um certo capital acumulado, é verdade. Porém, pense por você mesmo, é o incentivo financeiro que te guia unicamente? E se você atingisse um determinado montante, os incentivos financeiros teriam força ainda, pouca força junto a você? Creio que não.
      O que impulsiona o W.Buffett pode ter certeza que não é o amor ao dinheiro. É outra coisa. Talvez seja o amor a construir empresas lucrativas, ajudar os outros por meio da criação de bons negócios. Não sei. Porém, com certeza não é o amor ao dinheiro. Quando compreendermos isso, fica muito mais fácil de entender por qual motivo ele vive na mesma casa, e possui certos hábitos tidos como simples. Não precisamos dizer que ele é low profile, ou criar termos para isso. Basta reconhecer que o que o move já com uns 80 anos obviamente não é o dinheiro.

      Coloquemos isso em nossas vidas, internalizemos isso, e tenho certeza que a vida pode ser bem melhor.

      Um abraço!

      Excluir
  5. Acordar cedo e ir trabalhar para dar o necessário para os filhos é amor !! um trabalhador normal, talvez seja um pouco calejado em demonstrar amor por todo sofrimento que passou. Pessoas "Bem de vida" podem pensar como seu texto!! Mas que tal pensar como quem acorda cedo para trabalhar e realmente pega pesado?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Stiffer!
      Será que um trabalhar que pega bem pesado e ganha pouco, mas todo dia vai trabalhar para que os seus filhos possam comer e talvez ir estudar não é uma prova que o amor é que faz esses trabalhadores irem aos seus empregos? Acho que sim.
      Porém, o seu ponto é importante. Foi por isso que no texto coloquei: "Essa talvez seja um dos maiores equívocos de sociedades que já possuem certo nível de conforto material acima das necessidades mais básicas humanas". Quando nem as necessidades básicas mais fundamentais estão atendidas, parece-me claro que os incentivos maiores são pela própria sobrevivência, e os incentivos financeiros são de grande impacto nessas situações.

      Abs

      Excluir
  6. Ótimo texto, soul! Nunca vi esse episódio dos Simpsons! Os Simpsons parece bobo, mas eles têm umas sacadas geniais que passam despercebidas para muita gente.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É verdade, colega.
      São incríveis, muito melhores do que south park, por exemplo. No Simpsons, ao menos nos primeiros anos, era uma ironia fina e sacadas geniais que realmente se não prestar atenção não percebe.
      Abs!

      Excluir
  7. Excelente texto Soul! Como o Micro Investidor, nunca vi esse episódio, irei procurá-lo!

    Abraço!

    ResponderExcluir
  8. Soul assistiu 13 reasons why? Vou fazer um post usando ela como tema. Se puder, passe em meu blog!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, I.I.
      Estou na metade da série. Tb quero escrever sobre o tema, mas já o queria antes de assistir a série, pois acho um assunto tabu em nossa sociedade e não sabia a extensão do problema. Quando soube, fiquei assustado.
      Abraço!
      obs: vou ver sim o seu blog

      Excluir
    2. Vou esperar o post sobre essa série. Li o livro e vi a série e curti. Mas quero ver sua análise tb rs

      Soul, qual série/episódio é esse dos Simpsons? Vou ter que ver ele!

      Excluir
    3. Olá, colega.
      Não sei. Coloque "Do it for Her" no google que você acha.
      Abs!

      Excluir
    4. Ae Soul o link do meu post!

      http://investidoringles.blogspot.com/2017/04/os-13-porques.html

      Excluir
    5. Valeu, colega. Já li o artigo e adicionei você.
      Abs

      Excluir
  9. Excelente texto Soul!

    E para quem quiser assistir...

    http://animesf8br.blogspot.com.br/2013/06/os-simpsons-6-temporada-episodio-13-e.html

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Mestre. Grato pela visita e comentário:)
      Valeu por disponibilizar o episódio.
      Abs

      Excluir
  10. Soul, você não tem email de contato?

    Vi o vídeo e lembrei de você: https://www.youtube.com/watch?v=84cHQ0Nm7MI&t=0s
    A Escola Austríaca e a Legislação Antitruste - por André Luiz Santa Cruz Ramos

    Fui quem mandei aquele do Pondé também. Esse tem 'apenas' 50 minutos. Se tiver com tempo e interessado... tá aí, valeu

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, colega.
      Tem sim, em algum lugar desse site:)
      Ah, se você olhar o meu perfil acho que tem um e-mail. Eu fiquei sem checar uns meses, mas tenho alguns e-mails para responder. Peço até desculpas para quem por ventura ler essa mensagem e tenha enviado um e-mail.

      Grato. Eu vi o vídeo do Ponde. É interessante. Eu acho que ele tem ideias interessantes, mas ele faz um contraponto interessante, mas quase nunca avança em questões mais complexas.
      Por exemplo, ele diz naquele vídeo que um Europeu querer que o problema da síria se resolva para que os refugiados parem de vir não torna esse Europeu um mau sujeito. É óbvio que não torna, e ninguém num debate sério falaria isso. Porém, apenas dar esse contraponto e não dizer o que se faz com os refugiados enquanto a Síria ainda é um cemitério, simplesmente fugir do problema, em minha opinião é claro.

      Sobre esse vídeo, vi os primeiros minutos. Interessante, um colega bem gabaritado.

      Abs

      Excluir
  11. Soul,
    Primeira vez que comento em toda blogosfera em anos.
    Seu artigo, um dos melhores, mudou um pouco meu dia e me tornou melhor.
    Obrigado

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, TG.
      Nossa, fico feliz.
      Um ótimo dia para você.
      Abs

      Excluir
  12. Vc surtou Soul. Essa trip na Ásia não te fez bem rsrsrs. O amor?! Ahhh vá! Agora as pessoas acumulam capital por amor. Sei ...
    Se a palavra fosse segurança, seria mais plausível.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, colega. Não, esse foi um dos textos mais sóbrios que já escrevi:)
      Pode ter certeza que o que moveu minha mãe foi o amor. O que move João a acordar cedo muito provavelmente é o amor pelos seus filhos.
      Você falou em segurança. Atingida a segurança que você tanto almeja, incentivos financeiros iriam ter o mesmo impacto sobre você? Creio que não. Incentivos financeiros não foram o que levaram para frente Einstein, Jobs, Sócrates, Copérnico, são outras espécies de incentivo.
      E o texto dizia sobre o que moveria João, nosso trabalhador brasileiro do artigo. Talvez você seja movido por outras coisas, mas se você achar o que ama, todos os demais incentivos financeiros empalidecem.
      O incentivo financeiro possui a sua importância e o seu espaço, o problema e que ele foi transformado na única forma de incentivo, pelo menos para muitas pessoas, e isso tem um impacto extremamente deletério na vida de muita gente.
      Abs!

      Excluir
  13. Por que não volta a escrever sobre leilões? Gostaria de ouvir quem já tem experiência no assunto, tenho estudado por conta própria mas vc não encontra um amigo para conversar sobre isso em qualquer lugar.
    Grato.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, colega. Grato pelo comentário e pela sugestão sobre artigos.
      Um abs

      Excluir
    2. Minha sugestão é séria, que tal mudar a vida de algumas pessoas? Tenho estudado o assunto mas é um caminho solitário, com quem posso conversar? Com leiloeiros? Com advogados? Cada uma dessas pessoas tem seu interesse próprio e é altamente possível tentarem induzir outras pessoas a negócios que não são interessantes para obterem o que desejam. Não sei pq vc não fala mais de leilões, creio que ajudando as pessoas a prosperarem financeiramente é tão importante quanto falar de coisas da alama, não estou dizendo que quero ser rico por amor ao dinheiro, mas pelas possibilidades que o dinheiro abre... segurança, saúde, esperiências... ademais, se é possível melhorar de vida, por que não fazê-lo?
      Faço uma pergunta concreta: alguma vez vc já comprou apenas parte de um imóvel? Estou estudando um leilão em que está à venda 50% de um terreno que foi penhorado pois sua proprietária era fiadora de um parente em contrato de locação. A outra proprietária é suas irmã? O que vc acha disso? Vc tb poderia discorrer um pouco sobre ação de extinção de condomínio?

      Grato,
      Paulo

      Excluir
    3. Olá, Paulo. Estava trabalhando num livro bem completo sobre leilão. Um decisão do STJ fez-me desanimar em escrever o livro, pelo alcance da mesma. Porém, já estou digerindo melhor, e fazendo coisas para superar essa decisão, o que me deu um ânimo maior para escrever.
      Claro, amigo, creio que todos nós devemos procurar melhorar nossas vidas.

      Não, e não compraria. Se você comprar, e não se der bem com a outra proprietária, vai se meter num enrosco. Sabe como se resolve quando dois proprietários de uma coisa em comum não se acertam sobre a venda de um bem? Leiloa-se na Justiça, isso mesmo.
      Apenas compre a fração de algo, se você tem absoluta certeza que pode se entender com a pessoa que é dona da outra fração. Sem isso, não recomendo.

      obs: vi que você falou no final da ação de extinção de condomínio. É isso mesmo. O juiz vai dar um prazo para os donos se entenderem e tentarem vender o bem particularmente. Se não conseguirem, o bem é leiloado.

      Excluir
    4. Agradeço a resposta, pretendo conversar previamente com a outra proprietária para saber o que ela pretende, provavelmente não serei bem recebido, mas não custa tentar. A remanescente e seu marido são réus em outros processos cíveis (movidos por bancos e um relativo a contrato de locação) e pode ser que estejam precisando vender o bem para fazer dinheiro, mas preciso ver antes qual a implicação dessas ações na parte deles do terreno (que fatalmente afetaria a venda do imóvel).
      A qual decisão do STJ vc se refere?

      Mais uma vez obrigado,
      Paulo

      PS: não que eu queira fazer de vc um consultor particular, mas vc se importaria se eu fizesse mais algumas perguntas objetivas sobre casos concretos no futuro?

      Excluir
    5. Você ainda tem esse outro risco, da outra proprietária se enrolar e ter a sua metade penhorada, aí você estará no meio dessa confusão toda. Não recomendo.
      Uma decisão sobre leilões de bancos, não irei comentar muito aqui a respeito, até porque estou com operações em andamento discutindo acordos.

      Pode fazer, colega.

      Abs

      Excluir
    6. Tem razão, os processos contra a outra parte podem enrolar a venda do imóvel.
      Essa decisão afeta novos leilões? Não que eu queira me imiscuir nos seus assuntos, mas se interfere em todos os leilões extrajudiciais afetaria qq um que tem interesse neles.

      Abs.
      Paulo

      Excluir
    7. Sim, afeta. É por isso que entrei em contato com o jurídico de um grande banco. Passei as minhas considerações, e me dispus a ajudar, dei até mesmo a solução para eles. Agora, não sei se eles vão me ouvir, até porque é um Banco Gigante de deve ter um monte de procedimento.
      Porém, há a possibilidade de afetar todos os novos leilões, estou falando de centenas de milhões de reais.
      Agora não vou entrar mais em detalhes, colega.
      Abs

      Excluir
  14. Bom texto, Soul.
    Você já ouviu falar de um livro chamado " História Natural dos Ricos"? É um livro bem interessante que combina Psicologia, Biologia e História para explicar o comportamento das classes abastadas.

    Um dos pontos interessantes, é o fato de ele demonstrar que os ricos lutam por poder, e na nossas sociedade dinheiro significa poder, com vários benefícios, melhor saúde, mais tempo de vida, mais sexo, mais parceiras sexuais.

    Alguns seres humanos querem estar bem com suas famílias, outros querem mais bens, outros desejam mais títulos e mais fama. A grande maioria pode ser feliz com sentimentos básicos, uma minoria desejará mais.

    Acho que vale atentar para as diferentes ambições.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, colega.
      Não conhecia, anotei aqui para dar uma olhada.
      É um ponto, teria algumas colocações, mas elas ficariam muito grandes.
      Um abraço e grato pelo comentário.

      Excluir
  15. O ódio é o incentivo mais importante na vida do ser humano.
    O senhor João não vai trabalhar movido pelo amor, ele trabalha movido pelo ódio, pois é constantemente humilhado pelos demais componentes da sociedade, por isso, trabalha, para tentar angariar uns trocados com o intuito de deixar a sua vida miserável.
    Ele não trabalha por amor, pois com certeza ele dirá para o filho se esforçar mais, para que não tenha o mesmo "destino".
    O desejo de vingança do senhor João, conjuntamente com o seu ódio é que são os combustíveis para a sua caminhada, não é o amor pelos seus entes.
    O senhor João adoraria abandonar o barco, entretanto, as leis estatais ou morais o impedem de abandonar, portanto, ele continua, nutrindo ódio em seu coração, guardando rancor da sociedade.
    O senhor João odeia a sua vida medíocre, repleta de humilhações.
    O exemplo do Homer não é acertado, ele somente abdicou do boliche devido ao medo das leis, sejam elas morais ou estatais, que reprovam a conduta de abandonar um filho, caso não existissem leis, ele não teria abandonado o boliche, no mais, a interpretação do amor é sua, o Matt Groening utilizou-se do anagrama para abrandar a situação, no fundo o Homer sempre será o homem mediano, frustrado com o rumo da sua vida.
    O Dr. Adams é um cara que viveu fora da realidade, a sociedade feliz dele mata o individualismo, uma vez que todos deveriam saber como todos se sentem, não há espaço para o indivíduo.
    Você só tem esses devaneios de amor pelo fato de estar num nível acima dos demais seres que compõe a sociedade brasileira, é muito fácil falar de amor com uma vida relativamente estável.
    Você deveria sair da sua bolha de paz, amor e hipocrisia.
    O amor é um devaneio, uma utopia, criado por um piadista de péssimo gosto.
    Por fim, o amor é uma flor roxa que nasce no ...
    Bom, creio que você nem irá aprovar o meu comentário, afinal, não gosta daqueles que discordam do que é proposto no seu mundo dos ursinhos carinhosos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Nossa.
      Se o ódio é o principal motor da sua vida colega, só posso sentir pena de você, e falo isso com angústia, não para lhe atacar.
      Não sou pai, mas a sua frase ao dizer que o Homer, se não houvesse sanções legais ou sociais, simplesmente abandonaria um filho, não sei, não há muito nem o que comentar.
      A Frase que se importar com o próximo mata o individualismo é destituída de qualquer sentido lógico. Não, pelo contrário, ele foi e é um cara que vive completamente mergulhado na realidade, por isso ele é tão fantástico.
      Há muitos outros, provavelmente com situação material pior do que a minha, falando sobre devaneios de amor colega, basta abrir os olhos e prestar um pouco mais de atenção ao mundo.
      Engana-se, alguém concordar ou discordar com o que que penso não é motivo para que eu goste ou deixe de gostar de alguém. Não seria um espelho que você está projetando, amigo? Sua mensagem parece ser exatamente isso: "Bom, creio que você nem irá aprovar o meu comentário, afinal, não gosta daqueles que discordam do que é proposto no seu mundo dos ursinhos carinhosos." Troque comentário por artigo, e ursinhos carinhosos, por, sei lá, monstros odiosos, e a sua frase se torna um espelho de você mesmo.
      Um abraço!

      Excluir
    2. Soul, concordo com o anon 16:27, o ódio é uma ótima força motriz para a concretização dos objetivos.
      Amor somente ao dinheiro, nada mais.

      Excluir
    3. Ninguém disse que o ódio não é uma força motriz poderosa. Sem o ódio, dificilmente veríamos a ascenção do nazismo e do holocausto que se seguiu. O que ele disse é que o ódio é a maior força e que os humanos são guiados principalmente pelo ódio. Há uma grande diferença no que você falou e no que ele disse.
      Abs

      Excluir
    4. Aos anons do ódio, ao querido amigo soulsurfer e aos demais leitores, deixo a indicação do vídeo abaixo:

      https://www.youtube.com/watch?v=cmv8P1IASmQ&feature=youtu.be

      São apenas quinze minutos.

      Abraço.

      Excluir
    5. Incrível, colega. Gostei bastante do vídeo.
      Um abs!

      Excluir
  16. Existe a questão do poder tb, Soul. Alguns homens querem exibir o carro mais caro, o mais potente. Por essa razão Ferraris e Porsches fazem sucesso.

    Infelizmente os marqueteiros manipulam a sociedade. Eles destroem a vida das pessoas ao espalhar que todo mundo, sem exceção precisa de troféus bobos em forma de carro.
    Alguns são felizes andando de bicicleta, meu caso, outros precisam se exibir com carros caríssimos. O problema está na mídia que vende mentiras. Tv, revistas e internet espalham muita besteira.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, colega. Você trouxe muitos assuntos interessantes: a necessidade por poder, a "necessidade" de mostrar alguma coisa para outros, desejo sexual compulsivo, papel dos meios de comunicação nisso tudo, etc.
      Creio que todos eles são interessantes e quem sabe não escreva sobre eles qualquer dia desses.
      No mais, grato pelo comentário.
      Abs

      Excluir
    2. Será mesmo que você é feliz criticando as pessoas que vivem diferente de você? Querendo que a sociedade viva de acordo com o que você acha correto? Hum

      Excluir
  17. Viver em função do ódio é uma besteira sem tamanho. Isso encurta a vida, traz stress, impede o raciocínio.

    É lamentável que jovens vivam no mundo do videogame, no mundo da Real e repitam besteiras todo dia.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É verdade. As consequências de estar com raiva o tempo inteiro não são salutares para quase nada. Há efeitos biológicos visíveis como bem dito por você - o stress.
      Abs

      Excluir
  18. O ódio não causa stress, ele é libertador.

    ResponderExcluir
  19. Soul, achei fantástico esse seu texto. Um dos mais significativos que vi em seu Blog. Por que acho isso? Porque bate exatamente com parte do meu pensamento. O Amor e também a Estima, no que tange o reconhecimento das pessoas em relação a nós. Enfim, dar amor, receber amor e reconhecimento. Estas coisas movem os seres humanos quando eles tem as necessidades básicas supridas.

    ResponderExcluir