quarta-feira, 6 de agosto de 2014

REFLEXÃO - A INCOMPREENSÃO SOBRE OS DIREITOS HUMANOS

                "As ideias tomam conta, reagem, queimam gente na praça pública" Oswald de Andrade (1928)

                   Olá, colegas! Depois de dois artigos sobre finanças, hoje gostaria de falar sobre um tema mais geral, e aqui no Brasil de certa forma polêmico, apesar do motivo ser um enigma para mim. Afinal o grande pensador Paulo Maluf estava correto ao dizer: “Nossa Política é boa, o que atrapalha é essa política de direitos humanos para bandidos” (http://noticias.uol.com.br/album/2013/09/02/qual-e-a-frase-mais-polemica-dos-82-anos-de-maluf.htm#fotoNav=11)? Essa frase encontra ressonância em muitas pessoas no Brasil, inclusive em alguns da classe política, sob o pretexto de que direitos humanos servem apenas para proteger criminosos de alguma punição exemplar.  Será que isso é verdade? Ou melhor reformulando a questão, será que essa forma de ver o mundo nos leva a uma sociedade melhor?

                Primeiramente, o que são direitos humanos? Direitos humanos nada mais são do que direitos atribuídos a uma pessoa pelo simples fato dela ser humana. Logo, são direitos que todos possuem independente se nasceram mulher num campo de refugiados no Congo, ou filho de alguém da família real do Camboja ou na progressista Sidney na Austrália. Portanto, pelo simples fato de ser humano  é atribuído uma série de direitos e garantias de que estes mesmos direitos não sejam violados ou abusados.

                Onde surgiu essa noção? Parece claro que ela nasceu do conceito de igualdade fundamental entre os homens, pois só é possível reconhecermos que há direitos atribuíveis a todos os membros de uma sociedade, quando deixamos de lado conceitos como direitos divinos, divisão de direitos fundamentais baseados em castas, etc.  Não vou me alongar na formulação histórica do conceito de direitos humanos, até porque seria uma digressão longa e acima dos meus conhecimentos, mas posso dizer que a configuração atual dos direitos humanos, pelo menos para nós ocidentais, nasceu com a revolução francesa e a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão em 1789 (A Declaração de Independência dos EUA foi um marco também, e a criação do conceito de Habeas Corpus na Inglaterra no longínquo ano de 1215 é tido como o primeiro marco histórico).

                Revolução francesa, um monte de esquerdistas revolucionários (muitas pessoas não sabem mais o termo direita e esquerda foi cunhado nessa época, os esquerdistas eram considerados aqueles que eram mais inovadores e sentavam-se à esquerda da “mesa diretora” da Assembléia Nacional. Dá  para perceber que é um termo anacrônico para um mundo cada vez mais complexo como o nosso), o que será que essas pessoas conceberam como direitos humanos? Faço questão de citar a Declaração elaborada em 1789:
Art.1.º Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem fundamentar-se na utilidade comum.
Art. 2.º A finalidade de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão.
Art. 3.º O princípio de toda a soberania reside, essencialmente, na nação. Nenhum corpo, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane expressamente.
Art. 4.º A liberdade consiste em poder fazer tudo que não prejudique o próximo: assim, o exercício dos direitos naturais de cada homem não tem por limites senão aqueles que asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites apenas podem ser determinados pela lei.
Art. 5.º A lei proíbe senão as ações nocivas à sociedade. Tudo que não é vedado pela lei não pode ser obstado e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordene.
Art. 6.º A lei é a expressão da vontade geral. Todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente ou através de mandatários, para a sua formação. Ela deve ser a mesma para todos, seja para proteger, seja para punir. Todos os cidadãos são iguais a seus olhos e igualmente admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos públicos, segundo a sua capacidade e sem outra distinção que não seja a das suas virtudes e dos seus talentos.
Art. 7.º Ninguém pode ser acusado, preso ou detido senão nos casos determinados pela lei e de acordo com as formas por esta prescritas. Os que solicitam, expedem, executam ou mandam executar ordens arbitrárias devem ser punidos; mas qualquer cidadão convocado ou detido em virtude da lei deve obedecer imediatamente, caso contrário torna-se culpado de resistência.
Art. 8.º A lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias e ninguém pode ser punido senão por força de uma lei estabelecida e promulgada antes do delito e legalmente aplicada.
Art. 9.º Todo acusado é considerado inocente até ser declarado culpado e, se julgar indispensável prendê-lo, todo o rigor desnecessário à guarda da sua pessoa deverá ser severamente reprimido pela lei.
Art. 10.º Ninguém pode ser molestado por suas opiniões , incluindo opiniões religiosas, desde que sua manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida pela lei.
Art. 11.º A livre comunicação das ideias e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do homem; todo cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na lei.
Art. 12.º A garantia dos direitos do homem e do cidadão necessita de uma força pública; esta força é, pois, instituída para fruição por todos, e não para utilidade particular daqueles a quem é confiada.
Art. 13.º Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração é indispensável uma contribuição comum que deve ser dividida entre os cidadãos de acordo com suas possibilidades.
Art. 14.º Todos os cidadãos têm direito de verificar, por si ou pelos seus representantes, da necessidade da contribuição pública, de consenti-la livremente, de observar o seu emprego e de lhe fixar a repartição, a colecta, a cobrança e a duração.
Art. 15.º A sociedade tem o direito de pedir contas a todo agente público pela sua administração.
Art. 16.º A sociedade em que não esteja assegurada a garantia dos direitos nem estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição.
Art. 17.º Como a propriedade é um direito inviolável e sagrado, ninguém dela pode ser privado, a não ser quando a necessidade pública legalmente comprovada o exigir e sob condição de justa e prévia indenização.

                Percebam, colegas, que o último artigo é o estabelecimento que a propriedade privada é um direito humano. Sim, os primeiros direitos humanos, conhecidos como direitos humanos de primeira geração, foram concebidos como uma maneira do indivíduo se proteger da ação arbitrária do Estado, que na época era Absolutista. Sendo assim, nenhum humano poderia ser mais torturado, preso sem que houvesse uma lei anterior que considerasse crime, impedido de exercer a sua liberdade de se expressar ou privado de maneira arbitrária de suas propriedades.

                A humanidade, e ainda muitos países infelizmente são assim, conviveu milênios sem que esses direitos que consideramos básicos fossem garantidos ou até mesmo existissem. Portanto, quando as pessoas hoje em dia no nosso país simpatizam com a tortura, a prisão sem um devido processo legal, a possibilidade de se cercear a liberdade de expressão, é preciso ter em mente que a humanidade já teve tudo isso e os resultados, se a pessoa não fosse do seleto grupo dominante, não eram agradáveis. Nós já vivenciamos a barbárie, e os direitos humanos são a evolução cultural humana, uma evolução moral da humanidade.

                Com o passar do tempo, o espectro de direitos humanos foi aumentado. Depois da revolução industrial e a condição precária de vida de muitas pessoas em quase todo século 19, surgiu o conceito de direitos humanos sociais nas Constituições Mexicana e Alemã do início do século passado. Logo, os humanos também viriam a ter direitos de acesso à educação, à saúde, a alguma espécie de proteção contra a invalidez (e daí que viria a surgir o conceito de previdência pública), etc. Diz-se que os países desenvolvidos da Europa conseguiram promover esses direitos para as suas populações principalmente na segunda metade do século passado. Atualmente, há uma grande discussão sobre a sustentabilidade desses sistemas europeus ou não, e não vou entrar nessa discussão que é interessantíssima, mas o fato é que o que se discute é a aplicação desses direitos humanos chamados de segunda geração.

                Por fim, nas últimas décadas se fala do surgimento de direitos humanos de terceira geração, que seriam o direito de ter acesso a um meio-ambiente saudável (inclusive os direitos humanos de gerações futuras de ter acesso a ecossistemas sustentáveis), o direito à informação, o direito à privacidade digital (e a polêmica do caso Snowden é sobre isso), etc. Portanto, a gama de direitos humanos hoje em dia é imensa, fruto da nossa evolução, bem como da complexidade das nossas relações e da nossa tecnologia.

                Portanto, limitar o alcance dos direitos humanos a uma discussão de política criminal é um erro histórico, conceitual e material. Negar direitos humanos é simplesmente negar o seu direito de ter acesso a um meio-ambiente saudável, ter direito à informação, direito à saúde, direito a não ser torturado, direito a um processo legal conduzido por uma autoridade imparcial, etc.

                Ok. Soulsurfer, até aqui nada a objetar, mas você considera certo que um "bandido" tenha direitos humanos, mesmo que ele tenha matado várias pessoas? Sim, eu considero certo.  Vejam, como dito no corpo desse artigo, os direitos humanos são “adquiridos” pela pessoa pelo simples fato de nascerem (e há direitos garantidos para aqueles que foram concebidos, mas ainda não nasceram) humanos.  A proibição da tortura e o direito de  qualquer um ter acesso a um devido processo legal são garantias que servem a toda coletividade, e não apenas a um indivíduo em especial. É porque ninguém pode ser torturado que posso ficar tranqüilo de nunca vir a ser torturado no futuro.

                Ok, então se um criminoso tortura uma família, está tudo certo, você vai defender o criminoso e deixar a família que sofreu a violência desassistida? Não, a toda evidência, e é esse tipo de argumento que costuma embasar a críticas a organizações de direitos humanos. É de se deixar claro se uma pessoa comete um crime definido em lei, a mesma deve ser punida conforme a legislação em vigência.  Se fôssemos combater todos os crimes cometidos no Brasil, quando alguém dolosamente sonega um imposto, quando alguém dirige embriagado, quando alguém agride o meio-ambiente, etc (a lista é bem longa, e aposto que a maioria da população já fez algum ato criminoso), o sistema simplesmente entraria em colapso. Assim, não vou me ater a todas as espécies de crimes, o que seria do ponto de vista racional e intelectual o mais correto, mas aos crimes que agridem diretamente a integridade física das pessoas. Porém, até aqui pode se falar que alguém que não paga o imposto devido, provavelmente está prejudicando a vida de outras pessoas ou alguém que polui um rio e leva pessoas a ficarem doentes anos depois, mas não vou me estender nesse tópico e irei me concentrar nos crimes onde há uma maior cobertura midiática.

                Quando alguém comete um homicídio, sequestra alguém, ou comete qualquer ato violento, essa pessoa deve ser punida, conforme a legislação.  A punição não deve ser aquém nem além do que prevê a lei, e esse é o fundamento básico do Estado de Direito.  Diz a legislação que pessoas que cometem crimes dessa gravidade devem ser segregadas do convívio social, ou seja irem para cadeia, e assim deve ser feito.  Porém, a pessoa deve ser punida dentro da lei e pelos procedimentos que a legislação permite. Uma pessoa que tortura não pode ser torturada pela polícia, pois há uma diferença abissal entre um ato ilícito cometido por um indivíduo dentro da coletividade de um ato ilícito cometido por um agente estatal no exercício do monopólio da força.

                Soul, o que é esse exercício estatal do monopólio da força? Colegas, eu teria que fazer uma digressão bem grande aqui e citar inúmeros filósofos políticos que pensaram sobre a formação e os pressupostos do Estado Moderno. Porém, simplificando, as pessoas para viver em coletividade aceitam abdicar do uso da força, a exceção de casos em legítima defesa, para o Estado, pois este deve ser imparcial nas resoluções dos conflitos e pode apenas usar a força nos limites estabelecidos pela lei, para que o uso da força não seja arbitrário. Portanto, o Estado possui o monopólio do uso da violência numa sociedade, mas essa violência deve ser feita de forma legal e organizada. A partir do momento que se permite que agentes estatais no uso do monopólio da violência, basicamente a força policial, transgrida os limites estabelecidos pela lei, estamos diante de um rompimento do pacto fundamental de qualquer sociedade moderna. Portanto, alguém que tortura uma família deve ser processo, julgado e ,se comprovada a sua culpa, preso. Porém, isso nunca pode ser uma desculpa para o órgão estatal torturar seja quem for.

                Certo, mas não parece utópico para você Soul? Do que adianta essas palavras “bonitas” num país que vive um estado de insegurança enorme? Amigos, o nosso estado de insegurança não vem do pretenso respeito aos direitos humanos dos “bandidos”, mas sim de erros gestados por muitos anos em nossa sociedade. É muito mais fácil falar “bandido bom é bandido morto” do que pensarmos numa forma das nossas polícias serem mais eficientes e mais transparentes. É fácil dizer que um suposto criminoso não  deve ter direito à defesa, do que melhorar nosso sistema jurídico, para fazer que o mesmo seja mais célere e eficiente, e assim sucessivamente.  É a mesma lógica que infelizmente ainda temos em nossa economia e em diversos outros assuntos sociais e políticos importantes. Por exemplo,  é mais fácil aumentar o IOF para viagens internacionais, já que muita gente viaja para fora do país para gastar, do que tornar a nossa economia mais produtiva e eficiente e os produtos mais baratos.  Nós, enquanto nação, precisamos começar a dar de ombros para essas soluções fáceis para problemas complexos, e começarmos a pensar que problemas difíceis envolvem soluções difíceis e quase todas de médio/longo prazo.


                O uso da violência e o desrespeito aos direitos humanos não produzem nada positivo, muito pelo contrário, eles acabam criando monstros. Vou falar sobre um monstro criado dentro do Brasil e outro extremamente assustador gestado no exterior em dois artigos específicos sobre isso. Portanto, quando um político ou alguém vier a dizer que o problema de segurança no Brasil é causado pelos direitos humanos, desconfie, pois essa pessoa talvez não saiba exatamente que são, como surgiram e evoluíram e para que servem os direitos humanos, e talvez esteja apenas tentando uma solução simples e falha para um problema que deve ser atacado em diversos fronts. Não é demais lembrar que inúmeras organizações de direitos humanos são aquelas que dizem que há violação de direitos humanos na Síria, na Venezuela, nas prisões clandestinas que eram mantidas pelos EUA no exterior, etc, etc. Geralmente são instituições sérias, quase sempre perseguidas pelos governos e muitas vezes a única voz de milhões de pessoas oprimidas em inúmeros lugares nesse planeta.

               Por fim, deixo dois vídeos curtos muito bem feitos de uma dureza e delicadeza ímpar produzido pela respeitada Anistia Internacional:




               Um grande e cordial abraço a todos!

100 comentários:

  1. Fala Soul!

    Como todo coxinha-de-direita-anti-estado-futuro-desertor, acredito que a partir da hora que um cidadão decide cometer um crime grave como um assassinato ou o pior de todos, estupro, perde totalmente o direito como ser humano. Pra mim isso é muito simples, toma lá dá cá. Portanto se o cara quiser continuar gozando de seus direitos de ser humano, não deve cometer crimes. Sim, bandido bom é bandido morto!

    Só uma pergunta: quantas vezes vc já foi assaltado? Quantas vezes já sentiu o geladinho do cano de uma arma na sua cabeça? Quantas vezes já foi humilhado e agredido por um moleque de 15 anos?

    Abraço!

    Corey

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    1. Olá, Corey!
      Bom, o fato é que a lei de talião é muito antiga, e a humanidade já passou por isso, aliás foram muitos séculos assim. Nós evoluímos para termos sistemas de garantias mínimas e isso nos últimos 200 anos tem provado ser a melhor solução para o problema da violência humana.

      Olha, entendo e fico muito triste por pessoas terem passado por atos de violência. Inclusive, acho que foi até mesmo no seu blog, vi quantos pessoas aqui da blosfera já tinha sido vítimas de algum ato de violência. É realmente triste e entendo perfeitamente o medo e a revolta. Porém, as nossas emoções não são os melhores juízos, e é por isso que existe lei e Estado de Direito.
      Sobre sua pergunta eu já fui algumas vezes, mas só com ameaça e nunca fui agredido nem ameaçado com uma arma e agradeço por não ter passado por essa experiência.

      Abraço!

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    2. Soul:

      Desculpe, mas pensamentos, filosofias e grandes conhecimentos não resolvem o problema da violência. O que resolve é punição. Espero que vc não passa por esse tipo de violência, mas vejo que grande parte das pessoas que ainda defendem bandidos é pq nunca passou por uma violência ou não teve alguém amado sobre a mira de um 38 na mão de uma criança drogada bem na sua frente sem vc poder fazer nada...

      Abraço!

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    3. Corey,
      Sugiro que releia o texto, colega, pois foi exatamente isso que eu disse. Aliás, não é apenas punição, há muitos outros fatores, mas com certeza punição nos limites da lei é uma das formas de se restabelecer a autoridade.
      Por fim, agradeço o seu desejo, também desejo o mesmo para você que não passe por mais nenhum ato de violência, nem você, nem ninguém da sua família.

      Abraço, Corey! Agradeço a sua visita, pois discordamos sobre algum ponto não é tão importante e desde 1789 é garantido, pelo menos no plano das ideias, a todos os humanos o livre expressar.

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    4. Entendi o que vc disse, mas não acho que é preciso toda essa análise para concluir que devemos punir o criminoso, isso é óbvio, mas infelizmente não é o que acontece por aqui e em outros lugares do mundo.

      Discordar é saudável! Abraço!

      Corey

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    5. Claro, Corey. Entretanto, muitas coisas óbvias às vezes são esquecidas. Punir quem comete algum ato criminoso, dentro das normas e sem agressão a direitos fundamentais, é dever do Estado. O problema é se disseminar ideias equivocadas sobre o que seja direitos humanos, o papel do Estado, ideias estas que são tão antigas como a humanidade (não há nada de novo) e em nada contribuem para solucionarmos o problema.
      Se não conseguimos punir os criminosos é porque o problema está em outras engrenagens, não nos direitos humanos. O problema é quando se foca a solução do problema na abordagem errada, apenas se distancia de uma solução eficaz e às vezes podemos criar um problema ainda maior.

      Valeu, Corey!

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    6. Um adendo sobre a esquerda. Não houve nenhuma nação comunista que não fosse ditatorial.

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    7. Exatamente Corey, é muito facil divagar filosofia na sacada de seu apartamento na zona sul com um copo de whisky ... Direitos humanos deve proteger HUMANOS. Bandido nao é ser humano. O mundo já tem mais de 6 BI de pessoas, nao precisa de bandidos o enchendo ainda mais atrapalhando a vida dos cidadao de bem.

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    8. Colega, na verdade são mais de 7Bi (o que daria mais força para a sua argumentação, com a qual não concordo).
      Espero que não tenha sido uma alusão à minha pessoa, pois nem estou na zona sul de qualquer lugar e não gosto de bebidas destiladas.
      Se você falasse, bebendo um suco de laranja no alto de sua casa simples, mas aconchegante, perto de uma praia com altas ondas, seria uma descrição, ainda não verdadeira, mas muito mais desejada por mim.

      Abraço!

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    9. O comentário de alguns colegas sempre me lembra como os seres humanos são animalizados.

      Acho incrível como certas pessoas tem a facilidade de confundir punição com crueldade.

      E acho incrível que algumas pessoas achem que crueldade resolve o problema da criminalidade. Se crueldade resolvesse, já teríamos resolvido a criminalidade há mais de 5 mil anos.

      É totalmente possível PUNIR sem ser cruel. E a punição SEM crueldade é muito mais efetiva, porque, além de exercer seu efeito coercitivo, não contribui para espalhar um clima de violência na sociedade.

      É triste ver que a sociedade está tomada por animais bestas-fera: tanto do lado dos criminosos, como do lado dos que "se dizem" "cidadão de bem" (de bem?????)

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    10. Olá, colega.
      Eu acho que o ponto é esse. É buscarmos formas eficientes de diminuir a criminalidade a pontos aceitáveis, pois dificilmente a mesma será extirpada.
      O que países mais desenvolvidos fazem é exatamente isso, aplica-se a lei, não se deixam crimes impunes (pelo menos a maioria) e se aplica a lei, nada mais nada menos.

      Abraço!

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  2. O texto é perfeito, e o que as pessoas confundem é a existência de direitos humanos (aplicados a todos, incluindo bandidos) e a existência do que vivenciamos hoje : leis ultrapassadas, lotadas de brechas usadas por advogados inescrupulosos, justiça que age de forma morosa e ineficaz, e a ausência de meios sociais de recuperação dos criminosos.

    Infelizmente, na prática, o que vemos é o uso distorcido dos direitos em prol do bandido, desamparando as famílias e toda sociedade que são vítimas não protegidas do nosso estado.

    E por esta razão nascem cada vez mais correntes fascistas, totalitárias, que pregam ações acima da lei vigente, quando na verdade deveriam pregar a mudança do sistema falido que descrevi acima.

    A direita extrema, assim como essa esquerda falsa socialista que está no poder, como toda posição radical, só traz danos à sociedade no longo prazo. Na Europa hoje se vê cada vez mais partidos de ultra-direita, que simplesmente ignoram as barbáries que vigoraram nos países totalitários da Europa nos anos 30 e 40, notadamente na Itália de Mussolini e na Alemanha nazista.

    Não podemos permitir pela ineficiência do Estado simplesmente achar que direitos humanos atrapalham. Leiamos e lembremos a história do mundo, pois invariavelmente cometemos nós, humanos, erros semelhantes décadas após décadas...

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    1. Guardião, concordo com o que você disse.
      Apenas acrescentaria que não acho que o problema no Brasil seja legal, ou seja de falta ou obscuridade de leis. O problema é de efetividade da Justiça Penal. Cesare Beccaria (quem estudou direito já ouvi falar muito desse pensador) há mais de 200 anos atrás já disse que não é a dureza da pena que resolve, mas sim a certeza da sua aplicação.
      O problema é que no Brasil a cada 100 homicídios, a polícia só consegue resolver 7. E desses 7, se duvidar apenas 1 deve acabar numa sentença condenatória. Quando eu comecei a estudar em 1999 as estatísticas já eram essas (a chamada estatística negra), 15 anos depois continua a mesma coisa. Imagina anos e anos passando assim o efeito devastador que isso não tem no tecido social?
      Portanto, um programa sério de segurança pública deveria focar em dotar as polícias de melhores condições, as tornas mais eficientes e tornar o Judiciário mais ágil e eficiente.

      Por fim, quando estive em Auschwitz na Polônia (o maior campo de concentração nazista) estava lá a famosa frase: "Never Again". Quando visitei os Kiling Fields no Camboja vi que infelizmente o "Never Again" irá se repetir muitas vezes ainda.
      Infelizmente, nós somos uma espécie com dificuldades para aprender com os nossos maiores erros, e basta qualquer faísca para os nossos piores instintos e ideias vieram à tona.

      Abraço!

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    2. Soul, deve ter sido uma visita incrível essa à Auschwitz. Um dia gostaria de ler sobre sua visita, impressão e sentimento que teve lá.

      Sabe que tenho me policiado muito sobre isso. Como sabe, porque não escondo, tenho horror do nosso atual governo demagogo e falso socialista, mas tenho um discernimento para não buscar a extrema direita, pois sei que é igualmente ruim. Fiz recentemente a encomenda do livro "Mein Kampf" para ler exatamente o que passou na cabeça de cidadãos de bem da Alemanha na época do nazismo, quando uma verdadeira lavagem cerebral foi feita. Ou seja, que idéias esse texto que foi praticamente obrigatório à todo cidadão alemão ter, passava... Certamente pensamentos semelhantes hoje talvez passem na cabeça das pessoas, e cabe a nós lembrarmos que estaríamos reeditando algo passado, cuja conclusão foi por demasiado execrável.

      Na semana passada li o livro "O Menino do Pijama Listrado", que é uma ficção bem interessante sob o olhar inocente de uma criança das coisas que ocorriam em sua volta, sendo seu pai comandante da SS e tendo ele, por falta de opção e sem que ninguém soubesse, se tornado "amigo" de um judeuzinho preso num campo de concentrações. A história é bem triste, mas não há como ser diferente, visto que o que ela visa retratar é algo de mais horripilante que a humanidade já pode presenciar.

      Para quem não curte ler, há um filme com o mesmo nome, e que é fácil de se encontrar e assistir.

      Sugiro que um dia faça uma postagem com esse tema e sua experiência em Auschwitz, bem como possamos traçar um paralelo dos governos direitistas radicais com, por exemplo, a União Soviética Stallinista ou a Iuguslávia de Tito.

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    3. Um adendo sobre a esquerda. Não houve nenhuma nação comunista que não fosse ditatorial.

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    4. Olá, Guardião. Foi sim, foi uma visita dura. Porém, quando visitei os Kiling Fields e a prisão S-21 em Pnhom Penh no Camboja foi algo que é até difícil comentar, ainda mais que é possível ver os resultados do que ocorreu no final da década de 70 nas ruas do país com um monte de gente mutilada, enfim foi intenso.
      Vou escrever sim, pode ser interessante para algumas pessoas.

      Quando, por minha ascendência alemã, fiz uma brincadeira sobre o nazismo quando tinha uns 12 ou 13 anos e disse para minha mãe que queria ler o "Mein Kampf" (quer dizer "minha luta"), ela foi extremamente sábia e me comprou o livro, mas condicionou que eu visse filmes sobre o holocausto. Isso me marcou muito, tanto que o filme que mais gosto é o "Lista de Schindler", devo ter visto mais de 10 vezes tranquilamente. O livro de Hitler, até porque era bem jovem e não é uma leitura agradável, eu deixei de lado depois de algumas dezenas de páginas.
      O mais impressionante nisso, Guardião, como comentei na resposta ao Márcio abaixo, é que Hitler sobre muitas circunstâncias era uma pessoa com hábitos normais, os alemães eram pessoas normais, mas deixaram se levar por uma loucura.
      É bastante conhecido que quando os americanos liberaram o campo de Dachau em Nuremberg, eles obrigaram todos os habitantes a irem ver os campos, não tiraram nem os cadáveres, como uma demonstração do que eles deixaram acontecer pela omissão conivente.
      Portanto, nós podemos fazer coisas muito feias e quebrar rapidinho o verniz da sociedade, é por isso que temos que ter barreiras contra esse "instinto" humano, pois se cedemos nessas barreiras não sabemos onde podemos parar na degradação que se segue.

      Sim, o filme é interessante, porém se gostou de ler a respeito, recomendo o livro "É isto um Homem?" do escritor Primo Levi, é um livro auto-biográfico sobre um sobrevivente de um campo de concentração. É considerado o livro clássico sobre o tema. O prefácio dele tem uma estrofe que parece um poema e foi uma das coisas mais duras que já li na vida, até hoje eu lembro dessas poucas linhas.

      Sobre governos direitistas radicais, esquerdistas ditatoriais, para mim são todos a mesma coisa. Eu acho essa divisão direita, esquerda, um erro, um erro que é muito bem descrito pelos ensinamentos budistas, a nossa necessidade de colocar as coisas em divisões categorizadas.
      Eu não acredito num problema americano, num problema socialista, num problema capitalista, eu acredito em problemas humanos e na escolha das melhores ferramentas e ideias para solucionar esses problemas.

      Por fim, Guardião, se você não gosta no governo atual use a sua energia para mudá-lo seja com o voto, seja postando coisas na net, apenas não deixe que a sua insatisfação se transforme em rancor e ódio pelos outros que por ventura possam gostar desse governo, pois esse é um caminho que não nos leva a nada. A insatisfação pode nos levar longe, o ódio só nos leva para baixo.

      Grande abraço!

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    5. Gosto muito dos seus textos Soul, pela imparcialidade e clareza que eles passam! Ao contrário de muitos escritores, que notadamente escrevem de forma tendenciosa, tirando assim o poder de reflexão do leitor.

      Sobre esse perigo iminente de voltarmos a um estado de barbarie, um regime fascista, tem um filme que trata bem desse assunto, e mostra o quanto pode ser fácil uma população se deixar seduzir pela aparente solução do uso da força extrema. O nome do filme é "Die Welle", "The Wave" ou "A onda" em português. A primeira vez que assisti, eu pude perceber o por que do nazismo ter se espalhado por toda a Alemãnha.

      O filme: http://www.imdb.com/title/tt1063669/

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    6. Olá, grato pelos elogios.
      Sim, eu acho quando há uma parcialidade extrema num texto o espaço de reflexão do leitor inexiste. Eu sempre procuro textos que invalidam o meu ponto de vista, pois é um teste para saber quão sólidas minhas ideias são. Depois eu fui aprender que isso na verdade é o método científico na sua melhor forma. Os cientistas, os bons, não vão procurar apenas fatos que validam uma eventual tese (a auto-validação que pode levar a inúmeros erros, inclusive em finanças), mas vão procurar fatos que podem invalidar a tese, o que foi brilhantemente desenvolvido no plano das ideias pelo brilhante Karl Popper. Ou seja, devemos sempre procurar falhas nas nossas argumentações.
      Porém, o mais comum é que as pessoas sejam levadas para fatos e textos que apenas validam as suas opiniões. Ler um livro que diz exatamente o que você pensa pode ser de nenhuma valia.
      Esse tipo de conduta vai criando uma estreiteza de pensamento, pois evidentemente vai rareando a oxigenação tão necessária. Isso é muito comum em pessoas de mais idade, o que é compreensível. Em pessoas mais jovens que realmente é um pouco menos compreensível.

      Sobre o filme, compartilho da sua opinião. Já assisti e realmente é isso o que você falou. As pessoas se enganam e acham que não podem cometer atos de loucura, mas elas podem sim, e basta ter uma história narrativa coerente, algum líder mais carismático e principalmente um inimigo em comum e uma explicação (falha se colocada em debate) simples para a existência do inimigo em comum, e está pronta a mistura explosiva.

      Abraço!

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  3. Concordo com tudo, soul.

    Porém, coloque agora sua filosofia dentro de um ambiente de grande impunidade.

    Pronto, foi tudo por água abaixo.

    É simples assim. Voltamos ao Velho Oeste, cada um por si e Deus por todos, etc, etc.

    A impunidade é uma covardia sem tamanho: em quanto os criminosos fazem o que bem entendem, a sociedade correta e pagadora de impostos tem que assistir suas famílias serem molestadas, violentadas e sem poder fazer NADA, afinal de contas, estaria cometendo um crime ao replicar na mesma moeda.

    Vc não acha que essa impunidade desabalanceia e muito toda esta história de direitos humanos? Caso idêntico ao da corrupção: se vc tem um cara que não paga impostos e simplesmente não é punido, pq diabos vc vai pagar também? A faixa q passa na cabeça da maioria das pessoas é "Pq vou ficar dando uma de idiota?"

    Se não há punição, é como se a lei não existisse. Simples assim. E quando o Estado é omisso demais, chega um ponto que a população se revolta e começa a tomar as rédeas. Esses bandidos que estão sendo amarrados e violentados são o exemplo do limite a q se chegou a revolta da população. A população não quer isso, muito pelo contrário, ela quer paz. Mas a partir do momento que ela sofre com isso, vai agir com o coração, que está com uma revolta e mistos de ódio e vingança. Estes são sentimentos do ser humano, muito mais fortes do qualquer parágrafo de um papel.

    Agora, sobre os direitos humanos em si.... bom, sou meio da linha do Corey: matou, perdeu direito a vida. Matar uma pessoa destrói não "só" uma vida, como também todas aquelas vidas que estão ligadas àquela pessoa. Não há nada pior do que isso. E um ser que comete tal crime sem ser de uma maneira acidental ou "de momento" não sei nem pode ser considerado um ser humano para ter algum direito humano.

    De outra maneira: todos nós temos direitos e DEVERES. A partir do momento que não cumprimos os deveres, somos punidos. E, minha opinião, nada mais justo do que perder alguns direitos.

    Minha opinião.

    []s!

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    1. Olá, Márcio!
      Creio que trouxe temas importantes, mas um pouco distintos sobre o que eu escrevi.
      Primeiramente, concordo plenamente que um ambiente onde o Estado se omite de suas funções básicas, alguma coisa vai acontecer. O poder sempre é preenchido, existem vácuos de poder em momentos de transição, mas ele sempre é preenchido. Por isso, que em quedas de regimes não se pode simplesmente eliminar toda a estrutura burocrática, pois isso cria um vácuo enorme de poder e sabe-se lá o que pode vir no lugar.
      Portanto, sim, quando a autoridade se omite no caso específico levantado por você, a população tende a preencher esse espaço de poder deixado.
      Porém, creio que aqui a coisa é muito mais grave do que violações a direitos humanos, é o própria estrutura da sociedade que fica em risco, pois o elemento formador das sociedades é que o monopólio da violência seja exercido por um ente regido por regras e limites.
      Sem isso, corremos o risco de entrarmos numa "guerra de todos contra todos" como dizia Hobbes há 400 anos atrás.
      As cenas de pessoas sendo amarradas e brutalizadas são de selvageria, são provas de que estamos descendo ladeira abaixo. Atitudes como essa são voltadas muitas vezes a pessoas completamente inocentes, como o caso de uma mulher no Guarujá que foi linchada até a morte por causa de um boato na internet. Eu não vi as cenas, pois não gosto de assistir essas coisas, mas ouvi falar que até de moto passaram por cima. Foram centenas de pessoas levadas por uma loucura coletiva de barbárie. Isso não é novo, isso foi analizado com maestria pela filosofa judia Hanna Arendt, já que o tema predileto dela foi sobre as origens do mal e como ele pode ser banalizado, como um indivíduo perde a sua individualidade no ardor da massa. Isso talvez explique o genocídio de Ruanda de 1994, onde mais de 800 mil pessoas foram mortas em três meses, a esmagadora maioria morta com golpes de facão. O incrível foi, e eu já li um livro só sobre isso que é de uma crueza impressionante, que vizinho começou a matar vizinho levado por uma loucura coletiva.
      Portanto, ver cenas como essa no Brasil se espalhando para mim é motivo de profunda tristeza. Ver pessoas apoiando isso é mais triste ainda.
      Eu posso, como você, compreender que as pessoas possam ser levadas a isso, mas aceitar jamais.
      É exatamente pelo motivo dos sentimentos de ódio e vingança (coisas que nunca construíram nada de positivo na humanidade, e nada melhor do que ler as obras de shakespeare para ver isso retratado de maneira esplêndida) serem naturais no ser humano é que a sociedade humana evoluiu gradualmente para o Estado de direito, depois para os direitos humanos e por fim para o Estado Democrático de Direito. Veja, essas são as nossas barreiras contra comportamentos selvagens que podem existir dentro de cada um de nós.
      Por isso, nós não podemos abrir mão disso sob nenhuma hipótese, em minha sincera opinião.

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    2. Sobre a impunidade, como dito anteriormente, isso não é um problema de direitos humanos, longe disso. Aliás, como dito no texto, o escopo dos direitos humanos são enormes e aqui estamos concentrando apenas naqueles relacionados à Justiça Criminal.
      Porém, se fizermos uma concessão de que direitos humanos podem ser perdidos, qual é a linha para dizer quando é perdido ou não?
      Seria mais ou menos assim: quem matou pode ser torturado e morto. Porém, seriam quem é acusado de ter matado ou quem foi condenado por um juiz independente e imparcial?
      Alguém não pagou imposto devido, todos os direitos humanos correspondentes a direitos patrimoniais como herança, propriedade, etc, são suspensos e o Estado pode confiscar tudo?
      Bom, eu não quero viver num país ou numa nação dessas. E creio que a maioria também não, senão as pessoas iriam imigrar para o Irã (onde o índice de criminalidade é ridiculamente baixo e o índice de violação de direitos humanos é alto), não para países onde os direitos humanos de quem quer que seja são respeitados (e aqui Canadá, Alemanha, os grandes países do mundo em matéria de qualidade de vida).

      O tema é polêmico mesmo e valeu pela boa contribuição, Márcio.

      Abraço!

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    3. Errado no velho oeste VC tinha espingarda pra revidar. Hoje se muito, 190

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    4. Concordo com o Dimarcinho, concordo com o Corey e concordo com o Investidor Livre. Soul, acredito que vc tem uma escolaridade exemplar, que deve ter tido pais presentes, inteligentes e "letrados", acredito tb que vc deve ter uma visão limitada do que realmente acontece nas ruas, provavelmente vc sempre morou num bairro bom, estudou em escolas boas, com colegas de alto nível intelectual como o seu. Acho difícil que você já tenha passado por situações violentas durante o trabalho ou na ida e volta do trabalho em transporte público, acho que você nunca teve que trabalhar em regiões perigosas. Por isso acredito que sua visão sobre a bandidagem é deturpada e um tanto esquerdopata. Acredito que a morte de um cidadão de bem, um pobre morto por um bandido é completamente diferente da morte do próprio bandido. Não vejo um assassino como um ser humano, logo não vejo problema nenhum em executa-lo e assim eliminar rapidamente um problema.

      Com respeito, acho que você precisa deixar um pouco toda essa enorme carga de conhecimento que obviamente vc acumulou durante a vida e passar a ser mais racional, infelizmente vivemos no mundo real, não num mundo de livros.

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    5. Ola, colega!
      Sim, tive uma vida boa se comparada a maioria da população brasileira e mundial. E devo realmente muito aos meus pais.
      Porém, convivi muito com pessoas muito pobres quando eu era mais fanático pelo Santos, e pude ver muitas situações de miséria humana no meu trabalho atual.
      Realmente, nunca trabalhei em regiões perigosas e posso só conjecturar o medo que as pessoas possam por ventura sentir.
      Acho que vou começar a repetir o que disse em outras respostas, estamos a confundir problemas distintos.
      Se eliminar as pessoas resolvem facilmente o problema, por qual motivo a violência no Brasil não declina já que temos uma das polícias que mais matam no mundo?
      Olha nós que gostamos de finanças sabemos que devemos tentar analisar dados e ver quais soluções são mais eficazes ou não. Portanto, são soluções ineficazes, fora toda a problemática de julgamento sumários.
      Sabe, e isso seria um tópico de um outro artigo, um lugar no Brasil onde quase não há criminalidade e onde os julgamentos são sumários e quase todos de execução? Nos presídios paulistas. Sim, nos presídios. O PCC pacificou os presídios, ninguém desrespeita uma norma lá e desrespeitos levam a execuções sumárias. Há uns meses atrás encontrei um conhecido que trabalha numa fundação casa (antiga Febem), e ele me disse que o PCC não só manda nos presídios, mas manda em bairros na cidade de SP. Segundo o relato do insuspeito Drauzio Varela, o PCC foi formado como uma reação ao massacre do Carandiru. Onde muitos viram um ato de justiça a eliminação de vários presos sob custódia do Estado Brasileiro, mal sabiam que iam dar origem a um monstro.
      Segundo reportagem da revista Veja, o PCC já está faturando mais de 100 milhões de reais ano com tráfico de droga, ele está se agigantando, e imagina a influência que vai começar a ter na polícia, judiciário, política. Criaram um monstro.

      Claro, os livros são importantes, assim como a realidade. Não vejo necessariamente uma necessidade de deixarmos um ou outro de lado.

      Grato pela contribuição.

      Abraço!

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    6. Soul, novamente: sobre sua primeira resposta para mim, concordo em tudo contigo.

      O que quis colocar é o seguinte: as pessoas não estão fazendo isso pq querem. Elas chegaram numa situação limite onde está havendo descontrole dos próprios valores humanos. Sim, trouxe outros assuntos que são os práticos: as consequências. São catastróficas, como bem presenciamos atualmente, com seus bem citados exemplos. E em situações extremas, reina o instinto de sobrevivência e não filosofia. Cabe ao Estado não permitir chegar a esta barbárie.

      Sobre a questão dos direitos, ao ser preso, o criminoso perde seu direito à liberdade, uma das coisas mais valorizadas por nós.... alguns perdem sim seus bens, a depender da punição... não vejo problemas...

      Sim, o tema é polêmico, mas nós NASCEMOS com os direitos.
      Sua bem citada questão sobre apropriação de poder... reflita isso aliado ao problema das falhas do sistema: sempre haverá alguém para se aproveitar de forma maldosa do mesmo. E isso é caráter. Do qual a sociedade não precisa, me desculpe. Novamente, minha opinião.
      Bom filme que mostra isso é O Atirador. É um filme de ação, mas a trama política por trás mostra que, mesmo fazendo tudo certo e bonitinho, o vilão sai por cima dentro do ambiente legal....

      Só para deixar claro: sou defensor dos direitos humanos (e sei o que são direitos humanos, acho que foi mais o foco do seu post). Mas não essa proteção toda que gostam de propagar. Sim, há uma proteção. Mas há também muita inocência nisso, que é sempre muito bem aproveitada pelos bandidos graúdos e espertos...

      Grande abraço!

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    7. Olá, Márcio.
      Claro, também não vejo problemas em perder os bens, a legislação prevê isso para alguns casos. O problema é nós sairmos do Estado de Direito, pois não é apenas o direito a não ser torturado ou a um processo legal que pode ser "cortado", mas sim direitos patrimoniais, como vem ocorrendo na Venezuela onde estão forçando donos de imóveis a "vender" os bens para o Estado.

      Concordo com quase tudo que você disse. Não disse que é fácil, não disse que é bonito, e não disse que não pode haver recuos, mas nós temos que, em minha opinião, estabelecer limites mínimos. E se o Estado e a sociedade estão perdendo esses espaços, cabe a nós pressionarmos o Estado para que ele volte a ocupar esses espaços da melhor maneira possível.

      Precisamos ser mais objetivos, qual é a proteção que se pode abrir mão? Eu acho que não podemos abrir mão de condenação à tortura e que todos devem ter acesso ao procedimento legal. Eu conheci um delegado federal que teve que lidar com o fernandinho beira mar, a primeira coisa que o delegado falou para ele foi algo assim "se algo acontecer com a minha família, você morre na mesma hora". Por qual motivo não apenas matar um dos maiores traficantes? Por que gastar dinheiro com ele mantendo em presídios de segurança máxima? Porque se o assassinarmos pura e simplesmente, nós, sociedade, perdemos do ponto de vista moral e ético, e quando isso ocorre o que vai nos sustentar enquanto sociedade? E do ponto de vista prático seria indiferente, como o combate ao terrorismo já percebeu, você mata uma célula terrorista aparecem cinco novas. A melhor forma de se lidar com a violência humana, e o crime em especial, sempre foi a inteligência na ação.

      Agora uma pergunta, será que gostaríamos de penas de morte para o pessoal que recebeu um caminhão de dinheiro em W. Street? Muitos, inclusive a Goldman Sachs, estavam aconselhando os seus clientes a comprarem as CDOs, enquanto eles estavam comprando CDSs dessas mesmas CDOs. E aí? Quantas milhares de vidas essas pessoas não prejudicaram. Manda matar todo mundo?
      O problema é que nós humanos não somos equipados para grandes desastres e grandes crimes como Stalin muito astutamente resumiu ao dizer: "A morte de um é uma tragédia, a morte de milhões apenas uma estatística". Logo, nós tendemos a colocar pesos diferentes.

      Enfim, é conversa para mais de metro essa aqui hehe

      Abraço!

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  4. Soulsurfer,

    Minha reflexão é bem simples. Bandido bom é bandido morto. Sou 100% a favor da pena de morte. Direitos humanos para humanos direitos. Você já viu algum bandido que foi morto fazer algo errado de novo?

    Pois é... Essa é a solução! Simples, rápida, barata e eficaz. E deveriam mandar a conta da execução para a família. Ninguém é bandido por falta de oportunidades, até porque a maioria dos pobres são trabalhadores.

    É bandido porque é um vagabundo, pilantra, safado, sem vergonha, que quer conquistar as coisas da forma mais fácil possível.

    Abraços.

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    1. Olá, IL!
      Bom, fica claro que pensamos diametralmente diferente nesse tópico, como no caso do colega Corey.
      A pena de morte vem sendo abolida desde a década de 60 e hoje são poucos países que a utilizam. Não vamos fazer que as taxas de homicídio caiam por causa disso, e isso já foi provado por dezenas de estudos. Eu sou contrário a pena de morte por uma questão moral, mas mesmo se pensarmos apenas no lado prático da coisa ela não ajuda em nada.
      Aliás, já temos pena de morte no Brasil, e diariamente a gente vê casos de execuções sumárias. E isso melhorou alguma coisa a violência ou apenas está agravando-a? Nossos índices melhoraram com o uso indiscriminado e ilegal da violência? Eu acho que não. Não seria a hora de repensarmos outras soluções?
      Combater o crime envolve decisões de curto, médio e longo prazo. Se não atacarmos todos os fronts não resolveremos o problema e podemos até agravá-lo.

      Grato pela visita.

      Abraço!

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    2. de tanto trouxa que nem voce Soul, que o mundo ta esta merda... desculpa o insulto. Eu era teu fã até hoje...

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    3. "Aliás, já temos pena de morte no Brasil, e diariamente a gente vê casos de execuções sumárias. E isso melhorou alguma coisa a violência ou apenas está agravando-a?"

      voce ta falando da vitima inocente e do devedor de traficante seu inocente.

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    4. Colega anônimo, se é para pedir desculpa não precisa insultar não é mesmo?
      O espaço aqui é para reflexões que podem agradar ou não, isso vai do gosto de cada um.

      Anônimo 2, entendido. Olha, há inúmeros lugares para todos os matizes ideológicos, espirituais, etc, pela internet. Se o meu não agrada, basta não ler mais, sem ressentimentos:)
      Porém, sempre vou escrever aquilo que penso e acho mais apropriado e correto.

      Abraço!

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    5. Soul,

      Sua visão é muito romântica. A bandidagem barbariza no Brasil justamente porque eles tem certeza que não vai acontecer nada. E realmente não acontece nada!

      A impunidade é o maior atrativo para o mundo do crime. A solução é simples. Punir os bandidos (pena de morte incluso) e investimento maciço em educação. Precisamos de um Lee Kuan Yew aqui no Brasil.

      Abraços.

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    6. Olá, IL.
      Sim, é uma questão de impunidade (em todas as esferas de crimes), e isso se resolve com uma polícia melhor, com uma sociedade melhor e um Judiciário.

      Sobre Lee Kuan Yew não me lembrava dele, grato por lembrar:) Já tive o prazer de visitar Cingapura é um país admirável sobre muitos aspectos. Porém, devemos lembrar que Cingapura sempre foi um entreposto comercial, pela sua localização estratégica, desde o século 15, tanto que há cidades de colonização portuguesa pela região da península malaia. Também é como se fosse uma cidade, mais fácil de governar, mas é incrível o que eles construíram. Eu penso em morar um tempo lá.

      Sobre o Lee que você citou, realmente ele transformou Cingapura. Sobre as políticas dele em relação ao crime, não saberia opinar, mas achei isso na Wiki:
      "Those routinely ordered by the courts to be caned now include drug addicts and illegal immigrants. From 602 canings in 1987, the figure rose to 3,244 in 1993[39] and to 6,404 in 2007.[40]"
      Parece-me um exagero, principalmente usar esse tipo de punição para imigrantes ilegais (na verdade eu acho horrível).

      Valeu!

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    7. É romântico mesmo. Isso pq ele mesmo disse que nunca trabalhou nem morou em lugar violento, se um dia trabalhasse atrás do balcão de uma lanchonete na periferia duvido que teria essa visão.

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    8. O problema é que sao pessoas que pensam exatamente como o soul é que sao responsaveis pelas diretrizes de segurança publica do brasil (juristas, defensores de direitos dos manos, advogados públicos, serviços sociais de ONG´S...etc). E é por isso que chegamos a esse nível de violencia e total falta e controle da bandidadem. Esses "ólogos" e "especialistas" romantizam de mais o criminoso e o crime enquanto se esquecem da vítima e da sociedade ordeira e cumpridora dos seus deveres. O pensador Soul caiu no meu conceito, só demonstrou ser mais um esquedeopata típico brasileiro.

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    9. Este comentário foi removido pelo autor.

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    10. Eu vim de uma família pobre, morei em lugares perigosos! Já presenciei a polícia assassinar bandido na rua da minha casa durante a minha infância. E mesmo assim partilho da opinião do Soul, a violência inevitavelmente só gerará mais violência. Não venham dizer que ele tem essa visão apenas por que nasceu em um posição social melhor. Generalizar sempre é um erro!

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    11. Olá, colega!
      Interessante o seu comentário. Apenas gostaria que apontasse por gentileza no texto onde houve uma "romantização" do criminoso e do crime. Creio apenas que é uma distorção do que eu disse, uma distorção que talvez apenas leve a auto-validar conceitos que você já possui. Não creio que houve qualquer tipo de elogio ou atenuação do crime e dos criminosos, muito pelo contrário.
      Fico triste que tenho caído no seu conceito, pois pessoas não caem no meu conceito por ideias que por ventura expressam (e que podem não coincidir com as minhas), mas sim por atos na vida real que talvez sejam negativos.
      Eu acho, com a devida vênia, é por ter pessoas que vendem uma ideia fácil de combate ao problema milenar de violência humana em cargos importantes na segurança pública uma das razões de não evoluirmos nesse tópico.Interessante também que geralmente não há a propostas de medidas realmente eficientes para o combate à criminalidade, bem como aos motivos que levam a isso, há sempre apenas alusões genéricas a ideias como "defender direito de bandidos", "esquerdiopata", etc, etc. São argumentos falaciosos, pois nem argumentos o são.
      Entretanto, Grato pela participação, colega.

      Abraço!

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    12. Olá, Investidor.
      Grato, colega. Procuro sempre me manter nos limites objetivos, porém percebi com esse post que esse assunto traz à tona muitas emoções nas pessoas. Algumas pessoas discordam do que eu penso e o fazem de maneira muito sensata e cordial, trazendo elementos para a reflexão. Sou obrigado a refletir (como na mensagem do Pobre Catarrento), e isso cria-se uma espiral de melhora na compreensão de qualquer problemática.
      Outras, talvez pela emoção aflorar, preferem respostas mais prontas. Nada contra, desde que não haja ofensas, como algumas aqui (pelo menos foi de anônimos, o anonimato realmente é um véu para algumas posturas). Porém, quando os argumentos começam a ir para características subjetivas, e algumas delas supostas já que ninguém tem um livro aberto da história de ninguém aqui, é que a verdade já está sendo deixada de lado. Como diz o ditado: "Na guerra, a primeira coisa a morrer é a verdade". Num debate onde as pessoas vão debater qualidades subjetivas e entrar num conflito não de ideias, mas de egos, com certeza a verdade é a menor das preocupações.

      Abraço!

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  5. Olá Soul! Ótimos elementos para trazer ao debate.

    Nos dois últimos artigos do meu blog, eu escrevi muito sobre o tema também.

    Uma das digressões que fiz foi condensar os direitos naturais (ou humanos) simplesmente no direito à propriedade, que defini como algo mais complexo. A propriedade pode ser um objeto, o seu corpo, seu pensamento e suas palavras. A liberdade é a possibilidade de praticar livremente seus direitos sem que interfira no direito dos demais.

    O muito da confusão que cerca o tema é a dificuldade das pessoas em diferenciar "direito" de "privilégio". Essa digressão eu fiz na segunda parte do artigo. Quando conseguirmos levar essas ideias de forma clara para todos, ficará mais fácil a compreensão.

    Grande abraço!

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    1. Olá, André.
      Eu vi que você tinha escrito sobre Locke, estou para dar uma olhada nos artigos, já que você escreve muito bem e não se alonga tanto como às vezes eu faço:)

      Vou ler para poder opinar com maior propriedade, mas eu acho que nós temos uma esfera coletiva que não pode ser condensada apenas em direitos humanos individuais. Você que esteve muito tempo na Ásia deve ter percebido, até por uma forte matriz confuciana, como os povos daquela região possuem uma noção muito forte de família, coletividade, etc.

      Grande abraço, André!

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    2. Sim Soul. Mas essas ideias não são excludentes. Tudo depende de como você pensa os benefícios para a coletividade: como um causa ou como uma consequência da ação.

      Eu acredito que ações morais, inseridos dentro de um sistema ético positivo, resultam como consequência benefícios à coletividade. Quando pensamos nesses benefícios como necessários para estimular uma ação (causa), acabamos nos perdendo.

      É claro que isso não tem um caráter exclusivo, sempre existirão exceções. Vejo isso como um direcionamento geral.

      Abraço!

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    3. É verdade, bom vou ler lá e comento:)

      Abraço!

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  6. Caro soulsurfer...

    Penso que antes de falarmos de direitos humanos, temos que analisar os "deveres humanos""
    E o principal dever do ser humano é resguardar a vida e a integridade de outrem.
    Concordo da necessidade de haver uma política de direitos humanos, mas aqui no Brasil isso é completamente distorcido principalmente pela ineficiência jurídica...

    Concordo com muita coisa que vc falou no seu post, e vc está certo...é algo muito lógico e na verdade ninguém discorda de vc...

    Ninguém é a favor de execuções sumárias, e que todos comecem a agir com arbitrariedade...
    Não, definitivamente não é isso...

    Mas a sensação de injustiça é tanto.... porque com a nossa legislação e o nosso judiciário e com o apoio dos Direitos Humanos, a bandidagem não fica presa... é impressionante...

    E esquecemos dos direitos do cidadão do bem...

    Vou contextualizar com uma história que aconteceu com a minha irmã:

    Era de manhã e ela estava parada no semáforo, quando um menor de 17 anos, quebrou o vidro do carro e colocou uma faca no pescoço dela, pedindo a bolsa...
    Ela passou a bolsa e ele saiu correndo... deu tudo certo...graças a Deus ela não se assustou, pois senão ele não pensaria duas vezes nos direitos humanos dela...
    Ela ficou desesperada, começou a chorar muito , e dirigindo um pouco mais, achou uma viatura policial... o policial fez uma ronda e logo achou um menino sangrando no braço, que logicamente negou tudo...

    O policial deu uma dura no moleque, provavelmente não usando métodos muito ortodoxos, e o moleque logo confessou o roubo e devolveu a bolsa...
    Se ele tivesse dado o direito há um julgamento "justo", provavelmente minha irmã estaria sem os seus pertences até hoje...

    O policial trouxe o marginal na viatura, minha irmã o reconheceu na hora..
    ele devolveu a bolsa para a minha irmã, tudo resolvido...

    Daí a minha irmã perguntou para o policial:
    - o que eu faço agora?

    O policial falou:

    - Nada, agora a gente solta esse vagabundo, porque ele é de menor.

    Minha irmã ficou indignada com a situação e conivência do policial:

    - como nada? eu não acredito nisso? ele vai ser solto?... Eu não aceito isso quero ir para uma delegacia fazer um boletim de ocorrência e prestar queixa contra esse ladrãozinho de merda!!

    O policial sabidamente orienta:

    - Não faça isso Dona, a senhora vai se arrepender, ele vai ser liberado antes que a senhora.

    Resumo da história: Ela foi na delegacia, em menos de cinco minutos uma assistente social chegou e liberou o marginal...
    A minha irmã ficou mais de 7 horas, aguardando para fazer o B.O e a queixa...
    No final foi falar com o policial que tinha ajudado... e ele falou que por isso que ele tinha falado para ela não dar queixa, era completamente infrutífero, e que isso era comum de acontecer...

    Veja que aula de Direitos Humanos nós tivemos com esse meu exemplo... em inúmeras vezes...

    Sou a favor de um preso, ter que trabalhar para pagar indenização a família de que ele roubou...Mas os Direitos Humanos, acha que isso seria um regime de semi-escravidão...

    Sou a favor dos presos terem que usar uniformes e serem responsáveis pelos objetos que estão sob a sua posse durante o confinamento, Mas os Direitos Humanos são contra, pois isso fere a liberdade e individualidade do detento.

    Sou a favor da privação de benefícios e mordomias durante o confinamento, Mas os Direitos Humanos lutam para mante-los....

    Enfim a Lista é longa...

    Além de que Os Direitos Humanos se tornaram uma Organização fundamentalmente de cunho político

    Bom é isso aí, me estendi um pouco...

    Grande Abraço e excelente discussões em seus posts...

    Sabia que vc tinha muito que acrescentar e nos ensinar, valeu a pena eu te encher o saco para vc fazer um blog...


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    1. Olá, P.C.!
      Primeiramente, grato pelos elogios e pela mensagem muito bem construída.
      Veja, eu acho que estamos confundindo o que sejam os direitos humanos. O escopo de organizações de direitos humanos é muito amplo, às vezes elas são as únicas linhas, junto com organizações como Médicos Sem Fronteiras, de defesa contra violações atrozes de direitos humanos. E quando falo violações atrozes são: estupros coletivos, execuções coletivas sumárias e outras selvagerias.
      O meu objetivo ao escrever o post é que se coloca um rótulo em organizações de direitos humanos, sem fazermos uma distinção clara a este respeito.

      Porém, percebi que o tópico, até pela violência do nosso país, é direitos humanos única exclusivamente da esfera penal na perspectiva de um acusado ou sentenciado.
      Veja, aqui na minha cidade não é diferente. Entram em casas, e se você vai dar queixa a polícia diz que não adianta. Aí você lê uma reportagem que há mais de 100 policiais fazendo a segurança do Tribunal de Justiça enquanto há apenas duas ou três viaturas para uma região de 20/30 mil pessoas. Entende? Olha a precariedade da nossa gestão? Qual policial vai querer sair do TJ cumprimentando todos os dias as Excelências, os desembargadores, para ir para rua? Logo, há uma pressão forte para que este estado de coisas não mude. Agora o que o respeito aos direitos fundamentais tem a ver com isso? Absolutamente nada. Uma simples melhora de gestão talvez pudesse liberar mais policiais para rondas e diminuir sensivelmente o número de assaltos/invasões a casas. É esse tipo de coisa que precisamos discutir enquanto sociedade. É isso que temos que cobrar de nossos governos.

      Sobre o lamentável caso da sua irmã, primeiramente eu lamento de um membro da sua família ter passado por isso. Sobre a questão de ser menor, realmente é um problema que criamos no Brasil. Esse rapaz de 17 anos deveria ser no mínimo internado, mas em muitos internatos são apenas preparatórios para a vida do crime, como as nossas cadeias. Um percentual muito grande (creio que mais de 70%) dos presos no Brasil, foram presos por crimes não-violentos. Como nossas condições carcerárias são precárias, lá eles vão sair mais violentos do que entraram. Portanto, essa lógica não está funcionando, alguma outra coisa precisa ser feita e repensada.

      Todas as suas propostas sobre indenização e uso de uniformes, eu sou favorável. O preso trabalha e uma parte é revertido para um fundo de amparo a vítimas, pode ser um passo.
      Eu sou muito mais favorável a penas alternativas para crimes não-violentos, vai pintar uma escola, lavar uma privada, etc.
      Realmente, não sei quais organizações em específico seriam contra essas medidas, mas realmente podem ter grupos oportunistas que são seletivos na defesa dos direitos humanos.
      Agora, o que precisa ficar claro, é que os direitos humanos foram pensados contra o Estado, ou seja uma forma de proteção de estados tiranos, como foi a marca da humanidade por milênios.
      A violência nunca irá acabar na humanidade, então eu acho um pouco impróprio dizer que não se pensa nos direitos humanos da vítima. Quando um indivíduo viola o direito de uma outra pessoa, em caso de crime, a consequência, em muitos casos, é o encarceramento. Portanto, um crime já é e deveria ser apenado. Todos nós estamos sujeitos a sofrer um crime, infelizmente isso é humano.

      Grato pela visita e pela mensagem!

      Abraço!

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  7. Certamente o Sr acha justo quem tenha 1000 cotas de um FII ter mais votos numa assembléia que aquele que tenha 1 cota apenas, certo? Isso é tão óbvio.
    Mas, então por que microempresários que geram empregos, pagam impostos pesados como algo ao redor de 200k ao ano não têm esse poder maior de voto na hora da escolha do presidente do país, igualando seu voto ao mesmo patamar daquele indivíduo que nada gera para o país, não trabalha e ainda onera ganhando bolsa-sei-lá-que.
    Pergunto, é justo?
    Claro que não. O "bolsista" não deveria ter direito a voto. É simples : só escolhe quem contribui. Quem onera apenas concorda com o que for decidido pelos demais.
    Filosofia é boa somente para aqueles que têm dinheiro suficiente para uma vida boa, passeios pelo mundo, trabalhos flexíveis e horas de internet. A vida de quem dá duro ensina outras matérias, mais reais.

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    1. Olá, colega!
      Percebo um certo "ar" mais agressivo no seu comentário, mas tudo bem:)
      Primeiro, acho que está a confundir assembleias de empresas/fundos imobiliários com o regime democrático. Foi Churchill que disse algo mais ou menos assim: "A Democracia é a pior forma de governo imaginada, à exceção de todas as outras que foram experimentadas). Portanto, em que pese o sistema democrático possa ter suas falhas, como talvez você queira ter apontado (apesar de achar que o que você disse não é uma falha), ela é ainda melhor coisa que temos como sistema de governo.
      Apenas para ver se entendi: um dono de empresa que paga 100M de impostos ao ano teria um voto 500 vezes mais importante do que o empresário do seu exemplo? Se sim, não creio que eu gostaria de viver num país assim. Além do mais, isso já existiu no Brasil antes da proclamação da república e chamava-se voto censitário, algo que dificilmente voltará em qualquer país minimamente desenvolvido.

      Hum, a raiz da palavra filosofia chama-se "amigo do conhecimento". Sendo assim, se você está em blogs de finanças procurando conhecimento sobre FII, ações, etc, você está filosofando. Aliás, todas as formas de pensar e buscar conhecimento são formas de filosofia.
      A única forma de melhorar de vida de populações mais sofridas é por meio da educação, que não deixa de ser uma forma de filosofia, foi o que os países da Escandinávia, Coréia do Sul, Japão e tantos outros descobriram, e por isso são o que são.
      Já tivemos um presidente que de certa forma não reconhecia tanto o papel do conhecimento e da educação, não creio que seja uma boa escolha trilharmos esse caminho.

      Tente não trazer tanta amargura nos comentários, como disse o amigo Idiota citando uma frase de Buda: "Se apegar à raiva é como beber veneno e esperar que o outra morra".

      Abraço!

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    2. Acho que os que em nada contribuem (bolsistas do PT) não deveriam ter direito a voto.
      Presidiário tem direito a voto? não. O mesmo deveria ocorrer aos bolsistas. Ganhou a bolsa, perde o direito de voto.
      Isso evita o voto de cabresto que vem ocorrendo

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    3. Colega, basta, porém duvido da sua constitucionalidade, se engajar num movimento que tente mudar a constituição para prever que alguém que receba alguma transferência de renda da União/Estado/municípios, tenha os direitos suspensos enquanto durar o auxílio, assim como os presidiários do seu exemplo.
      Apenas seria necessário se isso seria voltado a outras formas de benefícios, como o LOAS, por exemplo.

      Abraço!

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    4. Não sou o anônimo acima, mas Soul, veja bem, vc obviamente não sabe como é a vida real, não é possível. Desculpe, mas pra mim quem fala demais é pq não tem nada a dizer.

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    5. Olá, colega.
      Bom, é o seu ponto de vista:)
      Abraço!

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  8. Compreendo perfeitamente a critica dos colegas e como é dificil contar com justiça na nossa realidade brasileira. Mas é certo que não sabem o que é estar nas mãos de grupos onde a lei do mais forte que define seu destino, sem direito a recorrer a qualquer tribunal. E é isso que acontece nas facções que tem dominado nossas metrópoles. Agora imagina um grupo desses, ou outras pessoas simpáticas a tais radicalismos, definindo as regras no nosso país.

    Se nos enveredarmos por ações com nossas próprias mãos e isso tomar proporções incontroláveis, voltaremos a barbárie. Basta estudar um pouco a história. Soul já disse que essa declaração foi feita pra proteger o povo do próprio estado (e de quem controla o estado).

    E ao colega lá em cima que sugere abandonar a teoria e ver a prática, infelizmente muitos conhecem a prática antes e o que resta é buscar algum conforto e conhecimento teórico antes de pegar em armas ou resolver tudo por conta própria. Esse texto certamente me fez entender algo que ainda me angustiava muito. Ainda prefiro lutar por um sistema melhor, com punição real e sem erros. Num sistema assim, talvez até fosse simpatico ao "bandido bom é bandido morto". Mas aqui no Lisarb, com tanto erro, isso é impossível.

    Esse quadro do CQC é bem interessante e tem tudo a ver com o assunto:
    https://www.youtube.com/watch?v=1SvUZCImmzg

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    1. Olá, colega.
      Creio que é por aí.
      Num sistema onde os erros são punidos dentro da lei são exatamente os países que não precisam abdicar de garantias mínimas.
      O que acho engraçado é que muitas pessoas admiram Canadá, Países Europeus, etc, mas estes países são a completa antítese do desejo de "olho por olho, dente por dente".

      Abraço!

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  9. Soul, obrigado pela sugestão de leitura.

    Já tenho o livro em mãos "É isto um homem?" e pretendo iniciar a leitura ainda hoje a noite!

    Cordialmente

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    1. Olá, Guardião!
      Mas já? heheh
      Espero que te faça refletir, a mim fez bastante.
      Depois me manda um e-mail sobre as suas reflexões.
      Abraço!

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  10. Excepcional o debate travado entre os inclitos confrades, aos quais renovo os votos de estima e elevada consideração. Trago-lhes uma mensagem para reflexão, de autoria do Dr. Martin Luther King Jr., nascido em uma das mais racistas sociedades do Ocidente e líder da luta contra a discriminação racial.

    "A definitiva fraqueza da violência é que ela é uma espiral descendente,
    produzindo exatamente aquilo que quer destruir.
    Em vez de diminuir o mal, ela o multiplica.
    Por meio da violência, você pode matar um mentiroso,
    mas você não pode matar a mentira, nem estabelecer a verdade.
    Pela violência você pode matar o inimigo,
    mas você não pode matar o ódio.
    De fato, a violência só aumenta o ódio.
    E assim vai...
    Rechaçando a violência com violência, multiplica-se a violência,
    acrescentando escuridão mais profunda a uma noite já sem estrelas.
    A escuridão não pode expulsar a escuridão:
    apenas a luz pode fazer isso.
    O ódio não pode expulsar o ódio: só o amor pode fazer isso."

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    1. Colega, Idiota. É uma honra receber a sua visita e comentário tão bem-feito. Grato. Citação belíssima. Depois daquela imagem de Buda no momento da iluminação, onde ele finalmente derrota Maya (a ilusão em que todos estamos envoltos), agora com mais essa citação esplêndida, ganha aqui um admirador dos seus escritos.

      Abraço!

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  11. Soul muito válida a reflexão. Me lembrou de como as vezes a gente esquece de coisas importantes. Acho que pelos comentários podemos perceber que, em um ambiente de impunidade como o nosso, o individualismo se sobrepõe ao coletivo mesmo entre pessoas de nível de renda e intelectual elevados. Nesse caso ficam algumas perguntas:

    - Se alguém mata uma pessoa da minha família e eu supostamente tenho o direito de revidar, porque uma pessoa que nunca teve nada não pode se sentir no direito de conseguir as coisas a qualquer preço?

    - Será que esse individualismo do olho por olho não tem relação com o individualismo do político (ou da população em geral) que tenta levar vantagem e prejudica a sociedade como um todo?

    - Do que as sociedades desenvolvidas abdicaram para chegar aonde estão? Sera que a partir do momento que não aceitamos abdicar nem de uma possível vingança, abdicaríamos de algo mais? (Ex. abaixo da Coréia do Sul)

    http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/06/140610_vovo_sexo_coreia_mv.shtml


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    1. Olá, Sr.$$$, fico feliz da sua visita, fazia tempo que não comentava, e como sempre traz bons comentários.
      Primeiramente. agradeço pela notícia da BBC. Caramba, muita coisa para refletir. Eu fico imaginando o Brasil em 2050, recentemente tive uma conversa em outro site sobre previdência pública e havia um rapaz que achava que tudo estava certo e não haveria motivos para se preparar para 2050, pois os analistas sempre erram as previsões (como previsões demográficas fossem iguais a previsões econômicas).
      Se a Coréia do Sul está passando esse problema numa sociedade onde o idoso é muito mais valorizado, imagina a gente se não crescermos o suficiente economicamente e nos tornarmos uma sociedade envelhecida e de renda média. Eu vejo tempos difíceis a frente para os idosos. O negócio é investir na solidez familiar, tanto quanto num plano de investimento.

      Feita essa pequena digressão, eu creio que:
      a) É um pensamento. Porém, a violência geralmente está associada com o meio urbano. Os estudiosos dizem que não é o fato da pessoa ter pouco, mas sim a sensação de desigualdade extrema. Por isso, as populações pobres em países com baixa desigualdade não necessariamente se tornam violentas;

      b) Não saberia dizer. No caso do Brasil, acho que é uma reação compreensível à grande violência, à ausência do Estado e a impunidade.

      c) Com certeza abdicaram da vingança, ou a "vingança" é feita nos termos da lei, isso é claro e cristalino, um avanço da sociedade.

      Abraço!

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  12. O filme argentino " O segredo dos seus olhos" mostra muito bem o que acontece quando é feita justiça pelas próprias mãos.

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    1. Olá, Antonio!
      Filme espetacular! Aquela cena que eles filmam dentro de um estádio na hora do gol, é uma das cenas mais espetaculares que já vi na vida e foi num filme argentino.
      Abraço!

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  13. Quero ver se depois de um vagabundo estupre ou mate alguém da sua família vc irá pensar que sonegar imposto é crime do mesmo jeito.

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    1. Olá, colega.
      Em nenhum momento eu disse que são crimes que ofendem na mesma intensidade. Porém, a definição de crime é feita pela lei, não por aquilo que achamos que é crime.
      Se isso ocorresse com alguém da minha família, talvez a minha reação humana seria de querer vingança a todo custo, e é por isso que existem leis para que nossos impulsos mais emotivos sejam guiados e colocados sob controle, de preferência pela lei.

      Abraço!

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  14. Soul, mais um post interessante. O tema merece reflexão e conhecimento de todos nós. Pois o cidadão deve ser protegido do Estado e de outros atores que possam lhe infligir danos.

    Dentre os direitos elencados no Art. 5º da CF, está o do sigilo das comunicações. Temos direito a nossa privacidade.

    Juridicamente é interessante que exista alguma proteção contra autoridades abusadas e pouco honestas. Mas na prática com o poder de espionagem dos Estados Unidos, parece que a privacidade real é apenas teórica. Podemos ser grampeados a qualquer momento.

    http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?file=/chronicle/archive/2001/09/29/MN186128.DTL

    http://mbsjnr.tumblr.com/post/52484998507/the-big-black-brother-is-watching-you

    O link acima fala dos investimentos do governo americano no facebook e no google. eles foram feitos para poder monitor qualquer pessoa no mundo.


    Acho que a maioria de nós sabe pouco de detalhes pouco explorados na política internacional que afetam o país e as finanças.

    http://mbsjnr.tumblr.com/post/10980342007/wall-street-o-seu-dinheiro-nunca-dorme

    http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?file=/chronicle/archive/2001/09/29/MN186128.DTL


    Jà ouviu falar que Wall Street lava dinheiro do tráfico e do terrorismo? Não dá para armar milhares de rebeldes secretamente usando os canais convencionais. É preciso uma fachada.


    Acredito que os investidores deveriam saber mais a respeito de " forças ocultas " que desencadeiam crises e destroem patrimônios.

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    1. Olá, colega.
      Você passou muitos links e vou dar uma olhada com mais calma mais à tarde.
      Você tem toda razão, é claro que há canais de financiamento e esses canais passam por instituições financeiras. Isso é um crime de proporções gigantescas. Entretanto, quem perpetra esse crime anda de ferrari, viaja de helicóptero e tem acesso quando bem entende a congressistas, políticos, etc.
      Você nunca vai ver pedidos ensandecidos de pena de morte para pessoas assim, mesmo que os crimes cometidos por elas sejam mais graves e causem muito mais danos a muitas mais pessoas.

      Abraço!

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  15. Se linchamento virar moda estaremos próximos do Talibã.

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    1. Um dos meus próximos artigos gostaria de falar exatamente do Talibã.
      Abraço!

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  16. Você poderia falar um pouco sobre o conflito Palestina x Israel também!!!

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    1. Olá, colega.
      É um tema para lá de complexo.

      Abraço!

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  17. Fica aqui uma reportagem que tem tudo a ver com o assunto:

    http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/07/noruega-reabilita-maioria-criminosos-presidiarios-mundo.html

    []s!

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    1. Ótimo texto, grato pela contribuição Márcio.
      Realmente, eu não entendo como economistas não conseguem olhar para os países escandinavos como inspiração. Uma vez tive uma conversa com o Dr. Money (um dos blogistas que mais admiro) e parece que ficamos atolados nessa discussão sem sentido entre socialismo x capitalismo, direita x esquerda, e não olhamos para o que está dando certo no mundo em termos de qualidade de vida, IDH, satisfação subjetiva, etc.

      Cito algumas passagens da reportagem:

      "A taxa de reincidência de prisioneiros libertados nos Estados Unidos é de 60%. Na Inglaterra, é de 50% (a média europeia é de 55%). A taxa de reincidência na Noruega é de 20% (16% em uma prisão apelidada de “ilha paradisíaca” pelos jornais americanos, que abriga assassinos, estupradores, traficantes e outros criminosos de peso). Os EUA têm 730 prisioneiros por 100 mil habitantes. Essa taxa é bem menor nos países escandinavos: Suécia (70 presos/100 mil habitantes), Noruega (73/100 mil) e Dinamarca (74/100 mil). "

      Ou seja a reincidência é muito maior nos EUA, com uma taxa de presos 10 vezes maior per capta.

      "A diferença entre os países está nas teorias que sustentam seus sistemas de execução penal. Segundo o projeto de reforma do sistema penal e prisional americano, descritos na Wikipédia, eles se baseiam em três teorias: 1) Teoria da “retribuição, vingança e retaliação”, baseada na filosofia do “olho por olho, dente por dente”; assim, a justiça para um crime de morte é a pena de morte, em sua expressão mais forte; 2) Teoria da dissuasão (deterrence) que é uma retaliação contra o criminoso e uma ameaça a outros, tentados a cometer o mesmo crime; em outras palavras, é uma punição exemplar; por exemplo, uma pessoa pode ser condenada à prisão perpétua por passar segredos a outros países ou a pagar indenização de US$ 675 mil dólares a indústria fonográfica, como aconteceu com um estudante de Boston, por fazer o download e compartilhar 30 músicas – US$ 22.500 por música; 3) Teoria da reabilitação, reforma e correição, em que a ideia é reformar deficiências do indivíduo (não o sistema) para que ele retorne à sociedade como um membro produtivo.
      As duas primeiras explicam o sistema penal e o sistema prisional dos Estados Unidos. Existem esforços para implantar e manter programas de reabilitação, mas eles constituem exceção à regra. Na Noruega, a terceira teoria é a regra. Isto é, a reabilitação é obrigatória, não uma opção. Assim, o “monstro da Noruega”, como qualquer outro criminoso violento, poderá pegar a pena máxima de 21 anos, prevista pela legislação penal norueguesa. Se nesse prazo, não se reabilitar inteiramente para o convívio social, serão aplicadas prorrogações sucessivas da pena, de cinco anos, até que sua reintegração à sociedade seja inteiramente comprovada."

      O sistema de execução penal da Noruega exclui a ideia de vingança, que não funciona, e se foca na reabilitação do criminoso, que é estimulado a fazer sua parte através de um sistema progressivo de benefícios — ou privilégios — dentro das instituições penais."

      Recomendo o artigo indicado pelo márcio.

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  18. Soul, quem perpetra esses crimes de lavagem de dinheiro são os EUA, o ESTADO age criminosamente ao financiar terroristas e espionar pessoas e governos.
    Quando vc ler os posts vai ver que altos espiões da CIA se aposentam e vão trabalhar em Wall Street.

    Há vários indícios mostrando que o Pres. Roosevelt sabia do ataque a Pearl Harbor e deixou acontecer para manipular a opinião pública. A americana. A mesma coisa foi dita sobre Bush e o 11 de setembro.



    Putin é acusado de ser o maior dos mafiosos da Rússia....



    Os governos costumam fazer besteiras ao redor do mundo. Não é uma exclusividade brasileira....

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    1. Olá, colega.
      Sim, às vezes a fronteira entre o governo e os grandes interesses privados de grandes grupos econômicos é meio cinzenta.
      Putin é um novo Czar, mas aparentemente o povo está gostando, pois tem quase 90% de aprovação popular (se é que podemos confiar nesse dado).

      Abraço!

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  19. Além do estado, a mídia comum e a financeira parecem querer derrubar algumas ações temporariamente..... Será influência do insider trading?

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  20. Soul, grande parte do poder dos EUA vieram de homens como Rockfeller , CArnegie, JP Morgan. Foi o lucro que motivou o país.


    No Norte da Europa parece haver uma preocupação maior com a harmonia social do que com o lucro de algumas empresas.

    Somado a isso, temos a cultura dos pioneiros americanos, influenciados pela religião, noção de pecado e de punição.

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    1. Olá, colega.
      Você trouxe muitos temas distintos.
      Um livro que trata sobre todos estes temas é o do Pikkety, recomendo é uma bela leitura.

      Abraço!

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  21. Soul, a cadeia da Ilha de Bastoy estpá melhor que minha repartição. Parece que lá há mais harmonia e sentido no trabalho....rsss


    Mudando de assunto, gostou dos videos do TED?Ali há muita coisa boa .

    Abraços, Carioca


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    1. Olá, Carioca!
      HEHEHEH é vero!

      Vi e gostei muito dos dois vídeos, obrigado pelas indicações, vou ver mais coisas no TED.

      O primeiro é muito bacana, e o conceito de neuroplasticidade com meditação é um tema que acho interessantíssimo.

      O segundo vídeo é bem interessante, uma comprovação de uma das finalidades do dinheiro de quando eu escrevi aquele artigo sobre dinheiro.

      Abraço!

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  22. Problemas no Iraque, França bombardeando no Norte da África, Putin colocando tropas na fronteira com a Ucrânia, Israel e Hamas se pegando. Parece que o mundo está menos estável e isso pode se refletir nas taxas de juros... Quem gosta do Tesouro Direto pode achar alguma oportunidade.

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    1. Olá, colega.
      O mundo sempre teve fervilhando. O ruim mesmo é que parece que talvez uma nova cortina de ferro se abata sobre a Europa. Essa guerra comercial que começou entre Rússia x ocidente realmente não é bom para o mundo como um todo.

      Abraço!

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  23. Alguns teóricos muito inteligentes já disseram que os ESTADOS são os piores bandidos...Sejam de esquerda ou de direita, ateus ou laicos.

    Aqui no Brasil,o Comando Vermelho surgiu nos anos 1970 pq o governo militar teve a ideia de misturar presos comuns a guerrilheiros. O ex presidente general Figueiredo já tirou foto apertando a mão de bicheiro...


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  24. A mídia mostra desgraças todo dia, alguns apresentadores como Datena, Wagner Montes e outros querem colocar o inferno na casa das pessoas. Isso ajuda a criar um clima de intranquilidadee espírito de vingança.


    Alguns pequenos empresários que vem aqui podem se sentir ameaçados por terem um carro melhor, por acharem que o terror está solto. Mas há influência da mídia nisso.

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    1. Olá, colega.
      Há um impacto sim da mídia sobre a percepção das coisas.
      Abraço!

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  25. Sabiam que a maioria dos policiais mais velhos do BOPE têm depressão? Durante de inicio de carreira eles mataram vários bandidos, mas com a idade só viram o crime aumentar. Apesar de centenas de bandidos serem eliminados, oc rime aumentou. Foi feito um trabalho inútil.


    Prevenir é melhor...

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    1. Olá, colega.
      Tem algum link para essa informação? Gostaria de ler a respeito.

      Abraço!

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  26. Soul, você poderia escrever também sobre os Iluminatis?

    Obrigado, Ancelmo.

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    1. Bom tema esse:)
      Indico os livros do Dan Brown para uma boa história ficcional sobre o tema.
      Abraço!

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  27. procê
    http://www.blogblux.com.br/2014/05/17-incriveis-e-divertidos-mapas-que-nao.html

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    1. Bem interessante os mapas, colega.
      Valeu!

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  28. http://revistatrip.uol.com.br/revista/187/paginas-negras/wagner-moura.html

    Sobre a depressão dos policias do Bope.

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    1. Grato pelo link, colega.
      Não vi sobre a depressão (apenas um breve comentário do entrevistado), já que era uma entrevista com W.Moura, mas grato mesmo assim.
      Abraço!

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  29. http://pt.wikipedia.org/wiki/Tr%C3%A1fico_de_drogas_pela_CIA

    Sobre os crimes praticado pelos EUA.

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    1. Interessante o link, sobre o ópio e o Afeganistão eu já tinha lido a respeito.
      Abraço!

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  30. E sobre uma possível III Guerra Mundial, o que o colega soulsurfer poderia pontificar sobre esse tema tão atual?

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    1. Eu diria que não gostaria de ver uma acontecendo:)
      Abraço!

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  31. Soul, excelente texto.

    Não tenho uma opinião muito consistente sobre o assunto e o texto me ajudou a refletir.

    Abraços!

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    1. Olá, EI!
      Fico feliz, a concordância não é necessária, mas a reflexão sim.
      Grato pela visita!

      Abraço!

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  32. Concordo com tudo, Surfista. E lendo alguns comentários, inclusive de pessoas "estudadas", chego a conclusão que a coisa só vai melhorar dando um reset nessa porra de Brasil mesmo...

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    1. Olá, Troll!
      Grato pela visita. Temos que saber conviver com as diferenças de opiniões, talvez possamos construir pontes entre as diversas ideias, basta apenas baixarmos nossas guardas e estarmos prontos para realmente ouvir o outro.

      Abraço!

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    2. Você é um gentleman, Surfisfa. Um dia chego lá.

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