sábado, 19 de março de 2016

INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA - QUANTO VALE O SEU TEMPO? UMA DICA PRÁTICA PARA REPENSAR A SUA VIDA

Olá, colegas. Não estranhe tantos artigos em sequência. Como estive adoecido por uns dias, fiquei muito tempo dentro do quarto, e escrever não deixa de ser um passatempo para mim. Quando não se sente tão bem, a saudade da sua própria casa aparece. Felizmente, me sinto melhor. Além do mais, não sei se terei acesso ao blog por alguns meses. Ouvi dizer que o blogger é bloqueado na China, espero que não. No meu ultimo artigo, muitos comentários trouxeram muitos temas interessantes à tona. Reforma Política, Bolsonaro, Politicamente Correto foram alguns do que surgiram. Entretanto, resolvi seguir a sugestão de um leitor de nome Gabriel que perguntou se eu não iria trazer alguns temas relacionados ao bem-viver.

 Pois bem. Já ouviu aquela “estória” do cafezinho economizado? Se a pessoa economizasse no cafezinho durante x anos, ela teria um grande valor acumulado. Há até mesmo uma carta lida por Max Gehinger viver ou juntar dinheiro? um senhor que não economizou no cafezinho, em viagens ou restaurantes, não tinha um tostão no banco, mas se jactava de ter tido uma boa vida. Muitos blogs já comentaram sobre essa história  O que quero , baseado num dos artigos mais famosos do mundialmente famoso blog do Mister Money Mustache (MMM) é fazer esse mesmo exercício mental sobre outra perspectiva.

  Quanto você precisa para se considerar Independente Financeiramente? Talvez é a questão das questões para os blogueiros e leitores de blogs de finanças pessoais. Dez Milhões, cinco, oito, dois? Evidentemente, essa é uma questão difícil de ser respondida, pois ela depende dos gastos pretendidos, bem como do retorno a ser obtido pelo capital acumulado que gere segurança para o dispêndio pretendido. Sobre o retorno do capital acumulado, mais precisamente sobre uma taxa “segura" de retirada, já disse que irei escrever uma série a respeito, provavelmente para marcar o início do meu novo blog. Entretanto, infelizmente irá demorar “um cadinho” a mais do que eu imaginava. Contudo, vamos simplificar é colocar a famosa regra dos 4%. Sendo assim, uma pessoa é Independente Financeiramente assim que tiver acumulado 25 vezes os seus gastos anuais.

  Agora fica fácil responder o quanto uma pessoa precisa. Quer gastar R$100 mil reais por ano? Precisa de R$2.5 Milhões. Quer gastar R$1M por ano? Precisa de R$25Milhões. Veja que quanto maiores os gastos pretendidos, maior o capital a ser acumulado. Óbvio e intuitivo.

   Assim, se alguém acha essencial ter uma empregada doméstica ou diarista que custa R$1.666,6 por mês, ou R$ 20.000,00 por ano, tal gasto deverá ser bancado por um patrimônio acumulado de R$500.000,00. Sim, para ter a comodidade de você não limpar a sua casa ou fazer outros afazeres domésticos, você precisará de meio milhão de reais acumulado. 

   Quantos anos isso representa em sua vida?   “Como assim, Soul?”. Essa é a grande sacada de pensarmos sobre uma outra ótica a questão. Quantos anos de sua vida você tem que gastar trabalhando para poder bancar uma determinada despesa. Essa é uma questão fácil de responder. Vamos imaginar uma pessoa com um salário razoável, para padrões nacionais, de 10 mil reais líquidos. Talvez a esmagadora maioria dos leitores não ganhe nem 10 mil reais bruto, mas coloco um salário desses apenas para reforçar a praticidade do exemplo. Vamos supor também que a pessoa tenha uma alta taxa de poupança de 40% da renda, muito maior do que a média nacional, logo essa pessoa poupa 4mil por mês, ou 48 mil ano. Se nosso investidor conseguir investir com um retorno real, ou seja já descontada a inflação, de 6% aa, ele em aproximadamente oito anos conseguirá acumular R$500.000,00.

   O que isso significa? Para se “dar ao luxo” de não fazer nenhuma tarefa doméstica, o nosso incansável trabalhador-investidor deverá trabalhar nada menos do que 8 (oito) anos a mais. Serviços domésticos feitos para você valem 8 anos de sua vida?            

  Esse tipo de raciocínio pode ser aplicado a qualquer gasto. Adora ver o time de futebol no maravilhoso campeonato brasileiro por meio do Pay Per View junto de um belíssimo pacote de 253 canais de televisão? Gasta R$416,6 por mês? O nosso investidor-torcedor vai precisar de  R$125 mil acumulados, o que significa nada mais nada menos do que aproximadamente 2.5 anos trabalhando a mais. Um time de futebol vale esse esforço adicional? Para alguns talvez sim, para outros talvez não, o importante é ter consciência desse fato. Acrescente qualquer exemplo que queiram, prezados leitores, e terão um susto ao analisar os gastos com a contrapartida em anos trabalhados.

  Isso mostra não que devemos parar de gastar dinheiro com coisas que gostemos ou damos importância, apenas mostra a relação direta entre os seus gastos e o que há mais de importante na sua vida: O SEU TEMPO.

   Uma certa dose de capital acumulado é necessário para ser independente financeiramente. A esmagadora maioria das pessoas querem ter uma vida razoável do ponto de vista material, o que implica gastos de diversas ordens. Cada um pode ter gostos e hobbies únicos, e isso resultar em dispêndios monetários. Nada disso é errado, muito pelo contrário. Entretanto, tente se conhecer mais profundamente, para saber o que realmente te deixa satisfeito ou não. Será que determinados tipos de gastos são tão importantes assim para o seu bem-estar, ou no final são apenas impulsos oriundos de uma propagada intensa  a qual todos nós somos bombardeados diariamente? Pior ainda, será que são gastos que fazem você melhor, ou servem apenas para impressionar outras pessoas (gastos com carros, jóias, viagens luxuosas, etc, costumam cair nessa categoria)?  Tanto no primeiro caso, como no segundo, você está deixando que terceiros sejam senhores do seu tempo. Tomar as rédeas dos seus gastos, é na verdade tornar-se senhor de si mesmo e do seu próprio tempo.

  Gaste menos e com mais consciência, e você precisará trabalhar menos anos, e poderá ser independente financeiramente muito mais rápido do que imagina com menos idade do que a maioria das pessoas se aposentarão. Você terá mais tempo para si, e mais ainda, será muito forte, pois não deixará que terceiros digam de forma indireta ou não o que fazer com o seu tempo.

  Além do mais, o capital acumulado que você não precisará porque não terá um determinado gasto específico é apenas uma faceta da reflexão. A partir do momento que você não enxerga necessidade de gasto no futuro, provavelmente ele não se faz necessário no presente também, fazendo com que se possa acumular mais rapidamente capital, encurtando ainda mais o tempo necessário para a Independência Financeira.

  E sobre o cafezinho? Eu, particularmente, não gosto, então para mim é fácil a resposta. Agora se fosse sobre rodízio de comida japonesa, nossa  como gostaria de comer um depois de tanto tempo viajando, com certeza tenho que deixar uma parte do capital acumulado para pagar essa despesa:)


  Grande abraço a todos!

40 comentários:

  1. Eu sou adepto da semi-aposentadoria.
    O que eu não quero é depender da previdência pública e não poder pagar um bom plano de saúde quando estiver velho.
    Sou servidor público. Tenho 31 anos. Minha meta é poupar no mínimo 25 mil por ano. Ano passado consegui economizar quase o dobro do planejado. É para mim uma meta confortável. Eu não me permito poupar menos, mas não deixo de fazer o que gosto.
    Eu pensava antes em investir no mercado financeiro 100% da poupança, hoje já penso em outras formas de rentabilizar o dinheiro. Penso em comprar um lote e construir para vender ou comprar um casarão, reformar, transformar em kitnets para alugar. Isso demandaria muito estudo, pesquisa e tranquilidade para não fazer besteira.
    Eu acho, é minha visão, que a independência financeira é para quem ganha muito e tem estrutura. Eu concordo com seu raciocínio, que quanto mais simples uma pessoa vive menos ela precisará para ser independente. Mas nem todo mundo tem perfil para levar uma vida simples. Eu gosto de sair, vou ao cinema quase toda semana, saio toda sexta, me organizo para viajar nos feriados e fds prolongados. Gosto de ter um carro legal, me vestir bem, ter um bom plano de saúde.
    Pra que eu pudesse parar de trabalhar eu teria que ter, pelas suas contas, acima de 3,5 milhões.

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    1. Olá, colega.
      Grato pelo relato.
      Se você já sabe qual é a escritura de gastos que te deixa ou deixaria satisfeito, já é meio caminho andado. Se for superior e exigir uma grande quantia de gastos, necessitará que você trabalhe mais anos e vice-versa.
      A vida mais simples, se entendermos o adjetivo usado no contexto de uma vida com menos prazeres, é um mito que é muito bem desconstruído pelo MMM, e por experiência própria, algo que pretendo abordar em diversos artigos no decorrer desse ano.

      Abraço!

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  2. Fala Soul!! Não é exatamente o tópico do teu post, mas lembrei de um artigo do MMM (não sei se é o que vc citou) que fala sobre a questão do prazer ao comprar coisas ou, de uns tempos pra cá sobre como tem se tornado mais comum dizer "não gaste com coisas, gaste com experiências" e o MMM dá um ponto de vista interessante sobre que tal não gastar nem com um nem com outro e a felicidade trazida com isso (sem ser mão de vaca né hahah)

    Pergunta: Vc se lembra quando vc se deu conta q era IF? Ou quando vc percebeu que "it's enough" ??

    Mais uma pergunta (to abusando já hehehe): Como vc faz com o seguro saúde/viagem nesse caso q é uma viagem sem prazo de volta e por vários países?? vai contratando/renovando conforme decide o próximo país??

    Abraço
    Victor

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    1. Olá, colega.
      Sim, o próprio MMM. Ele tem muitos artigos que tratam sobre o mesmo tema de diversas formas. Agora, sim, é uma perspectiva boa também. As pessoas estão tão acostumadas com consumo = prazer e satisfação, que não percebem que em certos casos ausência de consumo=prazer e satisfação.

      Foi e ainda é um processo gradual. Comigo foi por vários motivos. Foi quando fiquei 3 meses na Califórnia vivendo numa casa muito pequena, sem televisão, dividindo como uma Médica de 53 anos. Televisão, plano canais, uma casa enorme, móveis caros, não fizeram qualquer falta, muito pelo contrário, percebi que são apenas ruídos que fazem que nos afastemos do que realmente aquece o nosso coração: os contatos humanos. Foi ao morar 5 meses e meio num carro entre Austrália e Nova Zelândia. Foi ao finalmente criar vontade e planilhar todos os meus gastos. Foi ter ganho dinheiro com uma operação imobiliária, e mostrar a mim mesmo que era capaz. Enfim, são vários momentos, não há um em definitivo.

      Cara, eu fiquei segurado por uns meses por causa de algumas passagens aéreas que comprei no cartão. Quando você compra uma passagem internacional no cartão visa, ganha um seguro-viagem bem razoável de seis meses. Fiquei sem seguro. Resolvi fazer seguro quando fui para Mentawai Surfar, tendo em vista a probabilidade grande de se machucar, como de fato me machuquei mas sem gravidade, e pelo fato de ser extremamente remoto. Uma evacuação de helicóperto de lá era acima de 100 mil dólares.
      Há seguros muito bons que cobrem um ano por algo como 1.200-1300 dólares. Minha companheira fez um razoável, sem cobrir esportes, por algo em torno de 700 dólares por um ano.

      Abraço!

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    2. obs- ganha um seguro-viagem de dois meses, não seis meses

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  3. Essa regra dos 4% para funcionar precisa de uma rentabilidade do dinheiro de quantos % acima da inflação? No seu caso qual os gastos anuais? Não se prevê nesta regra que quando idoso seu plano de saúde fica mais caro, bem como pode ter mais gastos com remédios?

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    1. Olá, colega. Suas questões são pertinentes e bem importantes. Porém, permita-me respondê-las quando escrever a série exclusivamente sobre este tópico.
      Eu não sou idoso, mas de tudo que li e já refleti a respeito, alguns custos sobem e outros diminuem drasticamente se comparados a idade adulta.

      Abraço!

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  4. Bem amplo esse tema. Já vi muitos textos na internet falando sobre a questão do tempo, de como aproveitar melhor o tempo, de como não passar muito tempo em empregos que não se gosta etc. Tem muita coisa também sobre IF.
    Cada um tem sua renda e seu padrão de vida, mas acumular um montante acima de 500 ou 600k por exemplo já é um objetivo distante e consideravelmente difícil de se alcançar começando do 0 e ganhado salários até uns 3k que é o que a maior parte dos brasileiros ganha, incluindo eu que ganho menos que isso, só com muita frugalidade, disciplina e bons investimentos para se alcançar um padrão elevado dessa forma.
    O que fazer então?
    Na medida do possível o melhor é ser agradecido pelo que se tem e procurar sim ser feliz e realizado da maneira que se vive.
    Viver na expectativa que após 15, 20, 30 anos ou mais alcançaremos um padrão X é uma meta e tem sua importância, mas não deve virar uma grande expectativa em nossa vida.
    O Brasil é um país caro se você realmente quiser comprar bons produtos, sejam eles carros, imóveis ou bens de consumo em geral.
    A alguns anos atrás 300k era um bom dinheiro, hoje em boa parte das cidades com 300k você compra um imóvel no máximo de qualidade razoável.
    Com relação ao tempo só a longo prazo atingiremos certas metas, portanto é importante uma atitude positiva com o que se tem ou mudar o que for necessário para chegar aos nossos objetivos com mais saúde (física e mental) e muito mais satisfação.

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    1. Olá, colega. Sua mensagem é muito bacana e compartilho com o teor da mesma.
      "Na medida do possível o melhor é ser agradecido pelo que se tem e procurar sim ser feliz e realizado da maneira que se vive." Essa é uma atitude búdica em relação à vida. Ela não quer dizer que você tem que se resignar a uma situação do presente que não gosta, você obviamente pode tentar melhorar, mas sim aceitar o próprio presente.

      Abraço!

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    2. Não é uma atitude apenas búdica é cristã também.
      Mas você entendeu perfeitamente o que eu quis passar, as vezes uma pessoa espera boa parte da vida por algo que quando finalmente alcançamos parece não ser tudo aquilo que esperávamos, qo que não quer dizer que não possamos mudar ou evoluir.
      Só temos que estar atentos as nossas expectativas e tentar viver o momento presente com sabedoria e leveza, e esse é um desafio pra mim também.
      Se não soubermos levar a vida com equilíbrio corremos o risco de ficarmos permanentemente ansiosos e insatisfeitos e isso é um convite a infelicidade e a uma série de doenças. Fica aí um convite a todos para sermos mais serenos e leves conosco mesmo, para o nosso próprio bem.

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    3. É isso aí, colega. Isso é iluminação:) O desafio é para todos nós. Alguns ainda não enxergaram o desafio, outros enxergam e tentam encará-lo da melhor maneira possível (como bem disse de forma leve), uma minoria muito pequena (se é que posso falar assim sem agredir em demasia o vernáculo) pessoas iluminadas, estão além do desafio e transmitem algo que não sabemos discernir objetivamente o que é, mas podemos sentir. Pode ser um Avô, um líder espiritual, um amigo, enfim.
      Abraço!

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  5. No momento tenho uma boa quantia na poupança (sim, eu vou tirar logo), títulos públicos e LCA. Ainda não tenho planos definidos sobre a utilidade desse dinheiro na minha vida, penso que poderia deixar pro futuro mas também tenho vontade de fazer um intercâmbio pra aprimorar o inglês e algumas viagens. Logo noivarei e preciso pensar num lugar para morar e no casamento, mas não pretendo fazer festa pois acho um gasto desnecessário.
    Estou trabalhando na empresa da minha família, sou formado, mas não sei ainda se pretendo seguir essa carreira, estou cogitando até em seguir uma carreira pública.
    Eu sei que parece estranho, estou com 23 anos e me sinto um pouco "velho"e indeciso.

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    1. Olá, colega. Com 23 anos, no mundo atual onde não há mais certezas como em outras épocas (ou um mundo líquido para ficar numa linguagem filosófica mais contemporânea), é normal alguém da sua idade ter algumas indecisões.
      Creio que um intercâmbio, caso possua essa possibilidade, uma ótima escolha, não só para aprimoramento do Inglês, mas para vivenciar uma outra forma de viver.
      Espero que reflita e possa seguir um bom caminho. Entretanto, se errar, sem problemas, errar é humano. Na verdade, errar é o caminho para a melhora enquanto indivíduo.
      Abraço

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  6. Excelente Soul! Acompanho o MMM e o ERE já faz algum tempo, e realmente, há muito pouco nos blogs em português nessa linha de pensamento.

    Sobre essa regra dos 4%, acredito que pode ser um bom valor para os americanos, mas acho que para nós brasileiros, pode ser um pouco maior, eu diria, algo como 5,4%a.a. Penso no retorno líquido recebido através dos cupons de um NTNB comprado a uma taxa de ~7%, por exemplo. Tendo em vista que o principal não só não é consumido como ainda é corrigido pela inflação, entendo esta taxa líquida dos cupons como uma taxa de retirada bastante segura para fins de aposentadoria precoce ou semi-aposentadoria.

    Qual tua opinião neste ponto?

    Forte abraço!

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    1. Olá, colega. Você está correto. É o que o amigo do blog Viver de Renda fez. Se o governo honrar o compromisso, ele poderá ter uma retirada bem maior do que 4%. Para a aposentadoria é muito mais do que seguro, para a semi-aposentadoria super-seguro. O Brasil é uma distorção absurda de retornos financeiros, e eu irei tratar especificamente sobre isso trazendo dados não de EUA, Canadá, mas de países como Rússia, China, Índia, etc, e suas taxas "seguras" de retirada.
      Entretanto, coloquei os 4% apenas para ter algum parâmetro para se poder chegar nos números do artigo.

      Abraço

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    2. Opa! Então vem outro post maneiro ai =) tenho curiosidade em saber quanto seria uma taxa de retirada em outros países, caso quisermos planejar uma aposentadoria no exterior.

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  7. Opa Sou, blz? belo artigo, penso igual. acho que o ideal pra quem quer viver de renda é baixar o padrão de vida desde sempre e economizar e tentar viver sem aumentar muito o padrão, dá pra ser feliz. Sinceramente, eu era feliz quando ganhava menos e tinha menos responsabilidades. O principal hobby da minha vida era surfar mas agora não posso tanto pq onde moro não tem praia. E surfar era barato, soh pegava dois onibus pra surfar e passava o dia feliz na praia, voltava pra casa, comia, via um filme num dvd pirata que comprava 3 por 10 reais e pronto, meu sabado e domingo eram maravilhosos assim. Só tive uma prancha que jah comprei usada e ela custou 70 reais e me serviu 5 anos. É praticamente impossível viver de renda num padrão alto de vida, tem que ter patrimonio muito alto e talvez ateh uma herança pra ajudar. Pra quem eh self made isso é praticamente impossível. abraço

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    1. Olá, Frugal.
      Eu creio que não necessariamente o padrão de vida deve ser baixado, ele pode ser tornado mais eficiente e muito mais condizente com gastos que realmente proporcionem bem-estar. A questão é importante e ampla, pretendo abordar aos poucos aqui no blog.
      O meu sábado maravilhoso é mais ou menos assim (parecido com o seu): Acordar às seis da manhã. Amigos de faculdade vieram pegar onda no meu quintal. Fazer alongamento no jardim do prédio, caminhar se alongando por meio de dunas e matas até avistar o mar. O Swell está de sudeste, não tem vento. Não está grande, nem pequeno, 3-4 pés. Linhas quebrando sem ninguém. Sair correndo como criança em direção ao mar, surfar 3 horas, voltar feliz. Minha companheira foi na feira de orgânicos e na peixaria. Em duas horas, ostras gratinadas e filé de linguado ao molho branco com catupiry e batatas ao forno serão servidas. Ela fez também o doce de brigadeiro com bolacha de aveia que gosto. Como olhando as dunas e o mato da minha sala. Fecho as cortinas e vejo algum filme alugado. Durmo. De noite me encontro com algum casal de amigos, conversamos sobre política, viagens, vida, piadas, regados a algum bom vinho de R$25-30. Volto para casa, intimidades, durmo feliz.
      Pouquíssimo dinheiro envolvido, muita natureza, amigos e gostos simples.
      Abraço!


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    2. Seu sábado maravilhoso não teve nem um minutinho para sexo?
      :)

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    3. Opa, colega, antepenúltima linha. Sim, um bom sexo deixa o dia ainda muito melhor.
      Abraço!

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  8. Excelente post soulsurfer.Eu adoro café e comida japonesa e como sou profissional liberal, trabalho uma hora a mais por dia
    para usufruir do que gosto sem alongar meu tempo para a obtenção da IF.
    Saúde, sucesso!

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    1. Olá, RK, grato pelo comentário colega.
      Olha, se você tem a consciência de que para usufruir de certos gastos do seu agrado você necessita de uma hora a mais produzindo para que os seus esforços de IF não sejam minados, isso apenas mostra que você tem uma grande maturidade em relação a dinheiro x gasto x tempo.
      Abraço!

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  9. Ótimo artigo, apesar de curto foi bastante direto e me fez refletir bastante. Apesar do pouco tempo que tenho, faço questão de acompanhar seu blog, que é, ao meu ver, de altíssima qualidade. Espero que possa escrever na China. Grato, Corey!

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    1. Olá, colega.
      Valeu, grato pelo comentário!
      Abraço

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Soul,

    O livro que originou todo esse pensamento lá fora foi "Your money or your life" do Joe Dominguez. Me lembro quando li o livro em 2009 e minha cabeça explodiu com o conceito não de que tempo é dinheiro, mas que dinheiro é tempo. Parece idiota já que ambos dizem a mesma coisa, mas a inversão da ordem mudou tudo pra mim. O alto padrão de vida que muitas vezes não se reflete em qualidade de vida acaba por escravizar muita gente décadas a fio.

    Abs.,

    VR.

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    1. Olá, VR. Tudo é bloqueado na China. Consegui um acesso temporário de VPN que de alguma maneira permite acesso a sites, simulando que está acessando do Japão. Incrível. Aliás, como tudo na China é Incrível. Vou aproveitar para responder aos comentários.

      Já ouvi falar desse livro, inclusive há uma bela resenha no MMM a respeito. Qualquer dia pretendo ler. Bacana essa inversão, ela diz muita coisa mesmo. Pode parecer óbvio, mas não é, basta ver o número reduzido de textos e de pessoas refletindo a respeito.

      Abração!

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  12. Soul, vai de cada um o uso do tempo e da quantia necessária para usá-lo bem.

    Quem não curte carro importado, nem pretende ter filhos vai gastar muito menos que outra pessoa que gosta desses dois ítens.

    Dependendo da localidade é possível viver muito bem com 6k, sem problema algum. Outros querem no mínimo 15k mensais para começo de conversa.

    Vai muito de acordo com as expectativas individuais a demora para o atingimento da IF. Pois quem quer viver com menos levará menos tempo para juntar sua quantia mágica.

    Abs, Carioca.

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    1. Olá, Carioca. Exatamente.O importante nisso tudo é estar consciente de todo o processo. Cada um deve julgar o que busca na vida, desde que tenha consciência que está trocando tempo de vida por coisas.

      Abraço!

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  13. soul, artigo bem interessante.

    Existe um conflito interno em mim com respeito ao tema da frugalidade. Tenho prazer por algumas experiências não tão baratas, como bons vinhos, um bom carro, viagens internacionais não muito econômicas, como por exemplo para estações de ski, etc.

    Por outro lado, como vim "do nada", tenho muita consciência do valor do dinheiro e sei exatamente onde estou aplicando cada R$ que eu e minha esposa ganhamos de forma suada e honesta.

    Para complementar o conflito, posso dizer que consegui conquistar uma remuneração que me permite desfrutar a vida com estas extravagâncias e ao mesmo tempo manter um alto padrão de poupança. Muitas vezes fico em dúvida se eu levasse uma vida mais frugal do que levo, se teria os mesmos prazeres ou ainda, se eu conseguiria manter a renda nos mesmos patamares, afinal, não é novidade para ninguém, mas muitas vezes o padrão de vida determina o meio pelo qual você circula e as pessoas as quais vocês se relaciona (o que contribui para o padrão de renda).

    Acho que o mais importante de tudo, sinceramente, é que a pessoa tenha plena consciência sobre suas possibilidades de ganhos atuais e futuros, assim como os padrões de gastos atuais e futuro, visando assim estabelecer um plano adequado e realista dentro das possibilidades de cada um, seja tomando alguns cafés Nespresso por dia e andando de carrão por lugares sofisticados ou seja andando descalço na praia para pegar onda.

    Muito boa reflexão.

    Abraços

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    1. Olá, EI.
      Você parece ter uma boa postura em relação ao tema. Não se trata de nos privarmos de gastar dinheiro. Um colega ali em cima falou até de ir ao cinema. Ora, eu adoro cinema, e se tiver bons filmes passando, gosto de ir 3 a 4 vezes por semana.
      O ponto é termos consciência disso tudo. É saber que coisas podem tomar o nosso tempo. Apenas creio que as melhores experiências, de viagem inclusive, são aquelas que envolvem pouco dinheiro. Entretanto, há essa ideia espalhada por corações e mentes, que com quanto mais dinheiro, mais experiências gratificantes poderemos ter, o que não é necessariamente verdadeiro.

      Um grande abraço EI!

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  14. Olá, fugindo um pouco do assunto, você ficou sabendo da decisão do STJ sobre o dever do FGC em indenizar o fundo de pensão como se fosse apenas um investidor e não de ter que indenizar cada cotista do fundo? Eu não tenho investimentos desse tipo, mas fiquei assustado, pois não sabia que havia um limite maior para cada "investidor", que parece ser de R$ 20 milhões. Ainda não analisei com mais profundidade o assunto, mas deixo aqui registrado por achar o tema bastante relevante.

    Abraços.

    Links sobre o assunto:

    http://jota.uol.com.br/protecao-do-fgc-aos-participantes-de-fundos-de-pensao-tem-limite-decide-stj

    http://www.conjur.com.br/2015-jul-03/protecao-fgc-vale-entidade-investidora-nao-associado

    http://www.conjur.com.br/2016-jan-05/fundo-nao-indenizar-individualmente-falencia-banco

    http://oglobo.globo.com/economia/negocios/stj-vai-definir-disputa-de-500-milhoes-entre-fundos-de-pensao-fgc-15060750

    http://www.tostoadv.com/fundo-garantidor-vence-disputa-bilionaria-no-stj/

    http://bugelli.com.br/fgc-obtem-vitoria-no-stj-contra-fundacao/

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  15. Ola Soul.

    Eu ainda as vezes me pego pensando o que eu fiz para conseguir juntar o montante que eu tenho, que, se transformado em dinheiro e aplicado em renda fixa seria a minha renda liquida atual.

    Se com a minha renda atual eu ja vivo bem, com passeios simples e vida simples, por que eu continuo trabalhando?

    O bom de ler os seus textos sobre IF e que eu fico fazendo estas "viagens internas" e perguntando o que foi que eu fiz com a minha vida, e por que, mesmo tendo nascido em familia classe media e comecado com zero reais, eu consegui evoluir tanto, apesar que, como estou batendo na casa dos 30, parece que demorei muito tempo juntando (10 anos), por outro lado considerando o salario inicial que eu tinha e quase um milagre eu ter feito esta multiplicacao de capital.

    Em valores absolutos, to quase batendo na porta dos 900K, a 1% este valor seriam 9.000 mes, e veja bem, como eu gasto muito menos que isto e nao tenho dividas, eu ainda conseguiria reinvestir parte do valor ...

    Claro, se eu vendesse tudo teria q pagar aluguel, quando tiver filhos os gastos aumentarao, mas, onde vou chegar no meu plano de IF.

    Acredito que eu estaria confortavel se fizesse a mesma coisa que fez o VR, usando o TD 2050 com juros semestrais, mas, para ter esta mesma renda de 9K mes, o montante a ser aplicado teria que ser bem maior.

    Talvez eu nao tenha postado nada com nada em relacao ao seu texto, mas ler sobre seus pensamentos e seu sabado perfeito abriu os poderes da mente e fiquei muito pensativo.

    Meu sabado perfeito: Acordar cedo, tomar cafe, pegar o carro e 2 horas de estrada, para ir ao interior. Chegar, preparar, almocar e ficar a tarde pescando com amigos e familia.

    A noite estar com amigos, brincando de jogos, e ir deitar com a esposa, "intimidades", e dormir feliz.

    Olha o nivel de simplicidade, minha IF da simplicidade esta proxima.

    Abraco

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    1. Olá, VC! Primeiramente, o acesso a internet na China é muito censurado. Apenas agora, não sei como, consegui acesso ao blog.

      a) Você chegou nessa posição, da última forma que a maioria pode chegar: poupando e aplicando dinheiro. As outras formas são herdar , empreender ou ter uma profissão muito bem paga (artista famoso, jogador profissional de futebol de elite, etc).

      b) Como você saiu do zero, a sua renda não era tão grande, é preciso tempo e esforço. Aparentemente, você se esforça há 10 anos, uma década, isso é bastante tempo. Os resultados aparecerão. Imagina em 30 anos? Talvez daqui uns 8-10 anos os resultados sejam muito bons, a ponto de você poder ter inúmeras escolhas do que fazer com a sua vida.

      c) Trabalhar com empreendedorismo, e o que você faz construindo imóveis é uma forma de empreender, ajuda bastante na rentabilidade e no encurtamento para a IF

      d) Não esqueça a inflação. Com 900k a sua renda potencial para um período longo de tempo é muito menor do que 9k.

      e) A simplicidade nos torna fortes. O apego ao luxo fracos. Seja capaz de gastar num hotel cinco estrelas quando tiver vontade, de vez em quando é interessante. Não seja dependente disso, como a esmagadora maioria das pessoas que começam a ganhar dinheiro são. Isso é um sinal de fraqueza.

      e) Ótimo sábado, um peixinho na brasa é bom demais não?

      Obrigado pelas palavras e um grande abraço!

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  16. Legal Soul, obrigado pela resposta. Seu sábado é maravilhoso, conforme voce explicou. Depois do seu post fui olhar o MMM com mais cuidado e menos preconceito e gostei de muita coisa de lá, já li uns 30 posts dele que são bem curtos, e também coloquei o livro do Early Retirement Extreme pra ler. Fugindo um pouco do assunto Soul, comecei a pensar algo que nunca vi na blogosfera, imagine uma pessoa que estivesse iniciando sua vida de investimentos que trabalha e vive no Brasil mas que abriu conta numa corretora no exterior e que investe 100% dos seus aportes em ativos financeiros lastreados em fundos de índices no exterior, em outras moedas, em REITS e por aí vai. Como seria? Acho que é um exercício de imaginação e tanto e tem muito pano pra manga pra escrever. Eu acho que posso fazer algo assim no meu blog nas próximas semanas para ver como ficava mas não sou muito pró em fazer simulações e nem em excel.

    A pergunta que eu gostaria de deixar em aberto aqui para você e os demais é: É possível, viável, factível e com boa relação custoxbenefício investir apenas no exterior? Eu não falo assim devido crise no Brasil, PT ou real. É um exercício de imaginação.

    Abraço

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    1. Olá Frugal!
      Sobre o tema investimentos no exterior, leia Investidor Internacional. A qualidade do blog do mesmo é incrível, coisa de profissional mesmo.

      Eu pretendo escrever artigos sobre esse tema. Tenho uma visão diferente do excelente blog citado, por exemplo. Eu creio que a expectativa de retorno de ativos financeiros de um país como o Brasil é muito maior do que países já extremamente consolidados. Acho que, quando o patrimônio permite, uma exposição a ativos estrangeiros via ETF algo muito bom. Colocar todo o seu dinheiro dessa forma, algo não tão viável, a não ser que você tenha milhões e milhões e qualquer 2% aa permite uma ótima vida.

      Abraço!

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  17. Olá Soul, estava procurando em seu blog porém não encontrei; hoje em dia os rendimentos de seus ativos mantém os seus custos ou ainda trabalha para aumentar a renda? Se última opção como concilia com as viagens?

    Forte abraço

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    1. Olá, colega. Como tenho muitos ativos ilíquidos que não geram renda, é difícil responder. Entretanto, se eu fizesse como alguns fundos de investimento fazem que é estimar os seus valores patrimoniais de ativos ilíquidos, eu diria que o meu fluxo nominal é algo em torno de 10 vezes as minhas despesas, e algo em torno de 2,5 vezes a minha renda de salário. Se eu estimasse por um fluxo real, creio que é algo em torno de 3 a 4 vezes as minhas despesas e um pouco maior que a minha renda de trabalho.
      Estou afastado do meu cargo sem receber vencimentos e perdendo algumas vantagens da minha carreira por isso. Quando voltar ao Brasil decidirei o que fazer da vida.

      Abraço!

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  18. Excelente post, eu também penso assim, tenho 21 anos e quero até os 30 atingir a independencia financeira, pois apesar de estar começando agora no mercado de trabalho não suporto ser mandado por terceiros e ver minha juventude indo embora em prol de um mísero salário que apenas complementa meu aporte, já que tenho outra fonte de renda pessoal. É triste ver nossa energia vital sendo sugada diariamente e indo embora. Mas é pra isso que lutamos e aportamos dia-a-dia né? pra tentar mudar essa realidade. Abraço!

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    1. Olá, colega. Se tem 21 anos e já essa maturidade está no caminho certo. Apenas , mesmo que eventualmente não goste do seu trabalho, tente levar com mais leveza a situação. Quando conseguimos ter essa atitude mental, tudo fica mais fácil e o que é melhor:libera energia para coisas importantes na sua vida.

      Abraço!

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