quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

FINANÇAS - DÓLAR, OURO E CONSIDERAÇÕES SOBRE ALOCAÇÃO DE ATIVOS

              
              Olá, colegas. Em época de certa instabilidade cambial, sempre há um frenesi sobre investir ou não em dólar.  Porém, se pararmos para pensar, qual época não é assim na moeda de um país em desenvolvimento? Por causa disso, entusiastas da Escola Austríaca de Economia (há textos muito interessantes a respeito) advogam a existência de um currency board para economias em desenvolvimento. Porém, não é o foco desse artigo falar sobre isso, até porque não teria competência técnica para tanto.

                Qual seria uma quantia razoável em relação ao portfólio para se alocar em dólar? Aqui, há duas respostas possíveis. O colega Economicamente Incorreto em seu último artigo abordou um estudo feito sobre retornos de várias classes de ativo desde 1999. A abordagem, apesar de pouco existente na blogosfera financeira já que o foco é quase sempre gestão ativa, nada mais é do que a já conhecida estratégia de alocação de ativos com balanceamento regulares e investimento em ETF/índices representativos da classe de ativo, ou seja, uma gestão passiva. Porém, o meu ponto aqui não é a discussão gestão ativa x gestão passiva. Quero chamar atenção para um ponto muito claro quando se fala em alocação de ativos e que tem correspondência com o tema desse artigo: a perspectiva de retornos reais ou não de certas classes de ativo.

                O cerne da teoria de alocação de ativos, que vem desde a década de 50, é que se um investidor escolher ativos com correlação negativa, ou ao menos com baixa correlação, os retornos anualizados (compostos) são maiores e o risco (medido em volatilidade dos retornos) menor. Logo, o investidor consegue aumentar o retorno potencial com risco menor. Como tudo em finanças gira em torno do binômio risco x retorno, parece até um “almoço grátis”, e há muitos autores que usam essa expressão.

                “Ah, Soul, volatilidade não é risco, isso é papo furado”, alguém pode pensar. Não é bem assim. Imagine dois ativos com retornos de média simples idênticos, mas com volatilidades de retornos diferentes.  Capital inicial de R$ 10.000,00:

ATIVO A – Retorno ano 1 = 5%/ Retorno ano 2 = 5%/ Média simples = 5%/ Retorno anualizado = 5%
R$ 10.000 – 10.500 – 11.025
ATIVO B -  Retorno ano 1 = 20%/ Retorno ano 2 = -10%/ Média simples = 5%/ Retorno anualizado = 3.9%
R$ 10.000 –12.000– 10.800

                Isso é matemática básica. O que importa para um investidor é o retorno geométrico do investimento, não a média aritmética.  Uma maior volatilidade de retorno necessariamente faz que o retorno anualizado seja  menor do que a média simples. Logo, a volatilidade sim é um risco, pois faz com que os retornos anualizados de um portfólio diminuam.  Nos exemplos, a volatilidade do ativo A no período foi de 0%, e do ativo B foi de 15%. O ativo A se assemelha a um título soberano, e o ativo B a um título de renda variável.  Portanto, fica claro que (eu já abordei esse tema sobre diversos enfoques como custo de oportunidade, incerteza de fluxos, Prêmio Acionário, etc) um ativo com volatilidade maior de retorno deve obrigatoriamente ter uma perspectiva de retorno muito maior. O problema é quando o ativo de baixa volatilidade (no caso das finanças pode ser como exemplo o ativo “livre” de risco) possui retornos potenciais enormes, como foi o caso brasileiro nos últimos 20 anos.  Não é problema para o investidor, mas sim para outras classes de ativo. Contudo, esse também não é o foco do artigo.

                Logo, volatilidade é sim um risco.  Portanto, a alocação de ativo tem o condão de diminuir a volatilidade, desde que os ativos sejam negativa ou não correlacionados, e com isso aumentar o potencial de retorno anualizado. Isso é do conhecimento de muita gente. Pois bem. Acontece que há outro requisito para que isso funcione e não está relacionado com correlação: a classe de ativo precisa ter retornos potenciais reais no médio/longo prazo.  Esse detalhe às vezes passa despercebido em alguns textos.

                Ora, de nada adiantaria ter um ativo negativamente correlacionado, se esse ativo não gerasse retornos maiores do que a inflação no longo prazo. Esse é exatamente o caso do Ouro para os investidores internacionais e o dólar (moeda forte) para nós investidores brasileiros.  O ouro é um ativo considerado o hedge dos hedges. Se o mundo financeiro estiver entrando em colapso, há a fé de que o ouro é um porto seguro contra hecatombes financeiras. Tal fé ocorre pelo menos até, como o velho e lindo ditado de uma nação indígena americana, ocorrer “Quando a última árvore cair, o último rio secar, quando o último peixe for pescado, o Homem Branco vai entender que não se pode comer dinheiro”. Feita essa poética digressão, o ouro sempre foi encarado como o maior de todos os seguros. Ora, se o ouro é um seguro, haveria sentido ele ter uma expectativa de retorno real de 5/6% aa? Não faria o menor sentido. Por qual motivo? Como um ativo que age como um seguro contra a catástrofe pode ter retornos potenciais reais altos? Isso seria uma ineficiência do mercado e seria prontamente corrigida, pois não faria sentido qualquer investidor racional não ter 100%, ou perto disso, de suas aplicações em ouro.  Logo, o ouro serve como seguro, mas o retorno real dele enquanto ativo é apenas marginalmente superior a zero no longuíssimo prazo. Não acredita? O primeiro gráfico mostra que o retorno real do ouro em períodos longos de tempo é próximo de zero:
O ouro tende a ser extremamente resiliente em épocas de inflação alta. Por isso, a escalada na década de 70 (época que a inflação chegou em dois dígitos nos EUA). Na crise de 1929, apesar dela ser deflacionária, o ouro teve retornos reais muito fortes  no período de 1929/1934. Assim, o ouro parece servir como hedge para situações inflacionárias e deflacionárias.


          Se você achou estranho a disparada do ouro em 2010 (talvez influenciada pelo temor de disparada de inflação com tantos Bancos Centrais injetando dinheiro na economia), saiba que houve um mini-crash no mercado a partir de 2012, como mostra o gráfico seguinte:

Houve um pequeno colapso no mercado de ouro a partir de 2010. A inflação esperada pelo influxo de dinheiro dos banqueiros centrais não veio, o que ocasionou correção do valor da commoditie metálica.

             Sendo assim, o ouro serve como proteção de valor principalmente contra escalada da inflação, como fica claro no gráfico de pico do ouro na década de 70. Porém, o retorno real do ouro no longo prazo tende a ser discreto. Logo, o ouro não é um bom ativo para se compor um portfólio de crescimento, pois a sua perspectiva de retorno real no longo prazo é baixa. O ouro pode servir como seguro, mas ninguém deve colocar 30% do seu dinheiro num seguro. Só tem sentido financeiro uma aplicação maior em ouro se a pessoa quiser fazer timing com o ativo, aí é outra história, estamos falando de tatical asset allocation, com todos os riscos e potenciais de retorno que uma estratégia dessas possui.

                E o dólar? Todo raciocínio feito em relação ao ouro, pode-se aplicar, em relação a nós brasileiros, à moeda americana.  De 1999 a 2014, o dólar teve um retorno inferior até mesmo ao IPCA, o que denota que quem investiu em dólar teve retornos reais negativos.  Porém, no médio prazo o poder do real em relação ao dólar deve medir o poder de compra dessas duas moedas.  É claro que há momentos de crises cambiais (como foi em 1998), e períodos de forte valorização da nossa moeda com muitos dólares entrando na economia (como foi no boom das nossas maiores commodities de 2002 a 2011). Há períodos de turbulência política e de calmaria política. Tudo isso faz com que o câmbio seja volátil e profissionais bem treinados podem se aproveitar disso. Porém, do ponto de vista lógico as moedas devem representar umas em relação a outras o poder de compra das mesmas.  E como seria esse raciocínio do dólar em relação ao real?

                De agosto de 1994 a dezembro de 2014 tivemos uma inflação medida pelo IPCA de 343%(https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/corrigirPorIndice.do?method=corrigirPorIndice). Portanto, teoricamente, R$ 4,43 atualmente compram o que R$ 1,00 comprava em agosto de 1994. Para o raciocínio ser completo, precisamos colocar também a inflação medida pelo CPI nos EUA no período que foi de aproximadamente 60% (que diferença!). Assim, U$ 1,60 dólares hoje compram  o que U$1,00 comprava no ano de 1994 (http://www.usinflationcalculator.com/). Portanto, se fôssemos levar em conta apenas o poder de compra das moedas, qual deveria ser a taxa de câmbio do dólar:

Agosto de 1994 = 1 real/1 dólar
Fevereiro de 2015 = 4,43 real/1,6 dólar = câmbio de 2,76 real para cada dólar.

Ontem, dia 04/02/2015, o dólar foi negociado a R$ 2,74, quase que milimetricamente no lugar onde deveria estar se levássemos em consideração apenas a inflação das duas moedas. Logo, fica claro que o dólar em 2011 a R$ 1,50 era algo que não se sustentaria no médio prazo. Parece também que o dólar a R$ 4,00 também não é algo sustentável, a não ser que a nossa inflação comece uma escalada muito forte.  Portanto, a nossa moeda parece estar onde ela deveria estar.  Apesar de discordar de alguns aspectos ideológicos dos textos no Mises, alguns artigos são de extrema valia. Eu creio que uma moeda depreciada é ruim para os cidadãos, toda coletividade perde para beneficiar apenas alguns setores ligados à exportação. Falo alguns setores, pois apenas os setores onde toda cadeia é em real que realmente se beneficiam. Portanto, ao invés, como muitos economistas fazem, de advogar uma depreciação ainda maior da nossa moeda, deveríamos pensar é em fazer reformas para voltarmos a ser competitivos num mundo cada vez mais globalizado. Enfrentar os problemas graves de nossa economia e de nossa indústria apenas com o discurso de desvalorização cambial (que é inclusive um discurso bem fácil de ser feito) não parece ser a melhor e nem a mais inteligente solução.

É isso colegas, espero que tenham gostado do artigo. Um grande abraço a todos!


30 comentários:

  1. Soul muito bom

    A questão do câmbio no curto prazo é que faz crer que talvez haja ganho do investidor que compra dólar. Pois as perspectivas dos próximos 6 meses é de inflação em ascenção.

    Concorda?

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    1. Valeu, guardião.
      No curto prazo, vai saber o que pode acontecer.
      Se a nossa inflação de 2015 for tão alta como o boletim FOCUS começa a prever (7%), e a inflação dos EUA continuar baixa, então um dólar a R$ 2,90 seria apenas a recomposição inflacionária. Um dólar a R$ 3,00 não seria tão longe.
      Como as nossas taxas de juros reais ainda são muito altas, e ainda está muito barato se endividar nos exterior, não me parece que o influxo de dólar possa sofrer baques extremos. É claro que tudo vai a depender se o FED realmente terá forças para elevar o target da FFR.

      Portanto, o seu investimento com dólar a R$ 2,20 foi muito bem feito. Talvez para frente o potencial seja mais discreto, mas do jeito que a nossa economia e a nossa política estão uma disparada do câmbio de curto prazo não pode ser totalmente descartada.

      Abraço!

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    2. soul,

      Muito bom o texto e obrigado pela citação.

      Com respeito ao Ouro, entendi o que você disse, e concordo sobre a tendência de valorização discreta no longo prazo, mas repare que no curto prazo, como esta desvalorização recente coincide com uma apreciação do dólar no mundo todo, o que consequentemente tem desvalorizado ouro, minério, petróleo, etc. No curto e médio prazo isso tem a ver mais com o equilíbrio entre oferta e demanda dos ativos e um acaba influenciando o outro naturalmente, para manter o equilíbrio.

      Com respeito ao câmbio aqui no Brasil, também é aceitável entender que no longo prazo a taxa de cambio tende a retornar para uma média do poder de compra das economias (Brasil e USA) considerando a inflação de ambas, porém no curto e médio prazo, a característica flutuante do cambio (que não é tão flutuante assim no Brasil) o torna imprevisível. Assim como no caso do Ouro, tudo vai depender de uma séria de fatores, como política externa, oferta e demanda por commodities, exportações, economia mundial, etc para definir o valor do câmbio no curto e no médio prazo. Sinceramente o câmbio entre 2,00 e 4,00 nos próximos 2 anos são realistas, apesar de eu achar que o "preço justo" seria em torno dos 2,90 - 3,00 que você mencionou.

      Abraços

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    3. Olá, EI.
      Concordo com quase tudo. Apenas não sei se a queda do dólar está apenas ligada com a valorização do dólar. Se olhar atentamente ao gráfico, irá observar que a queda foi acentuada entre janeiro e julho de 2013. Começou a haver frenesi no mundo com uma hipotética normalização da política monetária do FED na metade de 2013.
      Entretanto, concordo que uma miríade de fatores influenciarão o preço do câmbio e do ouro em períodos mais curtos de prazo, mas a tendência de retornos reais neutros no longo prazo parece clara e lógica.
      Quem tiver talento em saber se posicionar em momentos adequados em câmbio ou em ouro pode ganhar muito dinheiro. Porém, acho arriscado para pequenos investidores.
      É melhor se ater em ativos com retornos reais potenciais maiores como ações, FII, mercado de dívida, etc.

      Abraço!

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    4. soul, é isso mesmo. E realmente, não é somente um fator, mas um conjunto de fatores e muitas vezes os efeitos acontecem em um período determinado e não instantânea e simultaneamente.
      Realmente é muito arriscado e não passa de uma aposta. Entendo que câmbio e ouro devem servir mesmo como parte de uma estratégia, como seguro.
      Abraços

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    5. Soul,
      Ainda me lembrei de uma coisa. Por incrível que pareça um dos melhores indicadores para comparar paridade de moedas e poder de compras nos países é o famoso índice Big Mac.
      Nem sei como está agora mas valeria uma olhada para para analisar de o cambio está realmente "justo".
      Abraços

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    6. Olá, EI.
      Há dois índices do BIG MAC: um "cru" e outro ajustado pelo per capta real (esse faz muito mais sentido).
      Porém, o índice em si não capta esse movimento, eu creio (posso estar falando bobagem). Pois além da questão da inflação, entra em cena o PIB PER CAPTA e não é bem o foco que dei a questão. Porém, a questão é interessante mesmo.
      Obrigado pelas sempre boas contribuições!

      Abraço!

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    7. Você diz em resposta ao EI, que mercado de dívida poderia ser interessante. Mas isto não vai exatamente no sentido contrário do artigo do Mises que você indicou lá no FI?

      O artigo, ao abordar o excesso de liquidez promovido pelo FED, "en passant" cita a má precificação do mercado de dívida soberana (e, por tabela, dos créditos privados). Interessante que o Setúbal, do Itau, em entrevista em Davos, também mencionou o assunto. Onde há fumaça...

      Nesse contexto (e no contexto de subida forte do IPCA, que tem também seus reflexos no imposto inflacionário), seria realmente a NTNB-2050 pagando, talvez, em breve, 6,5% interessante? O que acha?
      Jeca

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    8. Jeca,
      O Mises, pelo menos algumas pessoas, não concorda com emprestar dinheiro para o governo. Então, mercado de dívida soberana com eles não rola. Se você ler o meu artigo sobre spread, high yield e FII de papel, verá que abordei de leve essa questão.
      No exterior, parece que está realmente havendo uma distorção dos prêmios
      Porém, o Brasil pela nossa singularidade, é um ponto fora na curva. Os juros reais pagam aqui nem de leve lembram os países desenvolvidos, nem mesmo os emergentes como México, Chile, etc.
      Se eu não me engano há apenas uns 6/7 países no mundo inteiro que pagam mais juros reais do que o Brasil. Logo, não creio que haveria um grande risco por aqui.
      É uma bela taxa 6,5% aa. Um TIPS (parecido com o NTN-B) americano com maturidade de 10 anos está pagando 0%. Em 2013 chegou a pagar -0,5%, como é um título vinculado ao CPI essas são as taxas reais (http://research.stlouisfed.org/fred2/series/DFII10)

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    9. Mas seria o Brasil o ponto fora da curva, ou o "ponto na curva" (ou só um pouquinho fora) e os demais países que, na realidade estariam fora da curva?

      Se você pegar uma NTNB-P 24 (a nossa 10Y Tips), e considerar uma inflação média no período de 5,5%, descontando os custos e o IR, daria um ganho real de 4,36% pelas minhas contas.

      Ok. No atual patamar mundial de juros, é muito. Mas olhe lá no link que você indicou, a US TIPS esteve pagando 2-2,5%, por um período razoável (não estou considerando os picos), há não muito tempo atrás (leia-se: quando as condições econômicas dos diversos países do mundo eram "normais'.

      Então, como você disse em seu post sobre FII de papel, comparando TD com este, parece-me que o "spread" entre a US TIPS de antanho e a NTNB-P 24, precifica o risco país.

      Certo, você argumentará: "Mas você está comparando a US TIPS de 7 anos atrás com a NTNB de hoje." Contudo, o que estou querendo dizer é que, quando as condições monetárias se normalizarem, talvez daqui 4 a 5 anos, esse rendimento que o investidor terá "travado" na NTNB, não será nada demais comparada com a provável (ou apenas possível?) US-TIPS, se levarmos em consideração o risco.

      E o Brasil tem muitos riscos: desde um salvador da pátria ganhar as eleições e decidir renegociar a dívida, passando pela disparada da inflação (que comerá todo o juros pré-fixado da NTNB com o IR inflacionário), e até o risco de desvalorização cambial ordinária.
      Jeca.

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    10. Olá, colega.
      Sim, se você pegar no mesmo gráfico e colocar o ano de 2003 (só vai até aí nesse site), realmente os juros eram da ordem de 2/2.5% por um bom período.

      Parece-me que ainda há um longo caminho para se ver taxas assim nos EUA. Porém, se elas realmente ocorrerem, se entendi corretamente o seu raciocínio, um investidor travado na taxa de IPCA + 6,5% estaria recebendo uma taxa "normal" para os riscos que o nosso país oferece comparado com um investidor nacional americano.
      É possível. Contudo, o risco então de comprar a essa taxa no brasil é bem diminuto, pois mesmo com aumento significativo das remunerações no exterior a taxa atual seria compatível com um spread "histórico". Se essa é sua linha de argumentação, apenas ressalta que atualmente os juros reais no Brasil são muito altos, principalmente se compararmos com países como México, Chile e até, se não me engano, Peru.

      Agora, concordo que o Brasil possui muito mais riscos do que uma Suíça e deve pagar mais, porém creio que 6% de juros a mais em relação aos EUA(não se esqueça que nos EUA a tributação sobre rendimento de juros é muito maior do que os 15%) parece-me muito alto.

      Abraço.

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    11. Boas ponderações.
      Se você não se incomodar, poderia me dizer qual é sua estratégia de aportes em NTNB? Tenta fazer timing? Aplica só quando os juros estão acima de X? etc...

      Para evitar os riscos de tentar fazer timing, passei a adquirir, sempre que a taxa supera 6,2%, 0,2 títulos. Quando supera 6,3%, 0,3 tít, e por aí vai... Diariamente, sempre NTNB-2050 (para diminuir os riscos de reinvestimento). O que acha?

      Em princípio pareceu-me okay. Porém, além da trabalheira de ficar transferindo dinheiro para a corretora diariamente (não pago taxas para transferir), após refletir, creio que eu esteja usando um método que tem semelhanças com o Matingale, desaconselhável em gestão de riscos.
      O que acha?

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    12. Olá, colega. Eu não aplico em NTN-B.
      Como você mesmo disse, eu acho muita trabalheira, principalmente se você compra apenas essa quantidade de títulos.
      Afinal, o nosso tempo possui um custo de oportunidade bem grande, principalmente o nosso tempo com saúde.
      Se você já tem esse controle todo apenas para comprar NTN-B, tenho certeza que tem os seus controles de riscos para finanças, bem como os seus objetivos traçados.

      Abraço

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  2. Supondo que hoje eu compre dez mil dólares, sabe quanto terei daqui 1 ano? Dez mil dólares MENOS a inflação do período. Resumindo, dólar não é investimento

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    1. Olá, Boteco!
      Pode ser investimento, mas encarado como seguro e parcelas pequenas do patrimônio.
      Abraço!

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    2. Depende Boteco. Se você investir em US TIPS (a NTNB deles) você terá inflação + uma taxinha (deve esta por volta de 0,3-0,4%).
      Jeca

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    3. Bom, você já conhecia o TIPS. Atualmente, eles pagam uma taxa negativa para maturidades menores.

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    4. amigo, não entendi sua colocação: dez mil dolares menos a inflação do periodo. Mas o importante não é quanto esses dez mil dolares estarão valendo depois de 1 ano? No caso vc compraria 10 mil dolares em cotas de R$3,00 por exemplo. Assim vc teria algo em torno de 3333 cotas, ou "ações". No fim de 1 ano, se cada cota passasse a valer R$3,20, vc não teria lucrado 20 centavos por cota? Qual a diferença entre eu comprar ação da empresa X a R$3,00 e depois de 1 ano ela valer R$3,20 ?

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    5. claro que o retorno real tem que ser calculado subtraindo-se a inflação. Assim eu não lucraria 20 centavos por ação. Mas qual a diferença da inflação sobre uma ação de dólar e a inflação sobre uma ação de empresa?

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  3. Opa,

    Tudo bem Sô!

    Alocação de ativos é algo dificílimo. Conheço poucos que sabem fazer isto, tipo o Stuhlberger.

    Nem me arrisco a comprar Dólar e Outro porque do jeito que sou vou é comprar topo de mercado, rs. Fico só olhando.

    Eu acompanho a carteira do Fundo Verde de perto, hoje está assim:

    Títulos publicos: 7 Bi
    Operações compromissadas 3,3 Bi
    Investimentos no Exterior 2,5 bi
    Ações 1,3 bi
    ...

    Eles estão com uma exposição bem pesada no exterior, até meados do ano passado estavam com rentabilidade baixa, o próprio Stuhlberger tinha falado que estava apanhando muito do mercado, mas foi só passar a euforia das eleições que as previsões do cara se concretizaram.

    Ainda aprendo com este pessoal, rs.

    Abraço

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    1. Olá, UB!
      Como está amigo?
      Sim, mas ele mesmo disse que errou um pouco o timing da exposição a dólar. Se eles que cobram 150 milhões de reais por ano erram, imagina a gente?
      Mas, pela composição dá para ver que eles estão centrados aproveitando essa taxa de juros reais muito alto que nosso país está oferecendo, mais de 50% do patrimônio do fundo está comprado em dívida soberana.
      A alocação de ativos é facílima, qualquer um pode fazer e vai bater a esmagadora maioria dos gestores.
      O que é difícilimo fazer é timing na alocação, o que a doutrina chama de tatical asset allocation, e é o que o fundo verde tenta fazer com sucesso algumas vezes, não tanto em outras.

      Abraço!

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  4. Olá Soul,

    Li o texto do Mises que você comentou no Financas Inteligentes e achei bem interessante. Muito bom o seu raciocínio sobre o valor correto do câmbio, com base na inflação dos dois países (que diferença hein?). A única questão que me passou pela cabeça é se aquela relação 1/1 de 1994 exprimia verdadeiramente a realidade das duas moedas. Isso porque, embora a metodologia utilizada no lançamento do Real tenha acompanhado a evolução da nossa moeda à época (era cruzeiro, cruzado? Nem sei), que vinha massacrada pela hiperinflação, essa paridade foi estabelecida por via legal e não pelas flutuações do mercado. Nesse caso, se a relação fosse um pouco diferente, 1/1,5, por exemplo, o resultado será bem diferente não é?
    Um abraço,
    Paris2022

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    1. Olá, Paris.
      Sobre a sua interessante reflexão, eu recomendo você ler outro artigo do Mises feito pelo leandro sobre os 20 anos do Real.
      Lá essa sua dúvida pode ser sanada com explicações muito melhores do que eu por ventura possa dar.
      O processo de criação do real foi muito interessante, envolveu várias etapas, aumento das reservas de dólar, etc. O artigo citado é muito interessante.
      Sobre a resposta do FI, ele deu uma fugidinha sobre o FFR, mas vou reler a segunda parte do artigo que trata exatamente sobre taxas de redesconto, etc.

      Abraço!

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    2. Oi Soul,

      Li o artigo do Leandro e realmente acabei com minhas dúvidas. Quando postei estava recorrendo às minhas lembranças da época que não eram lá muito boas. Aliás, eu deveria ter pensado que se a paridade tivesse sido apenas legal o plano não teria dado certo como aqueles que o precederam. Obrigada pela dica.
      Abraço.

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    3. Olá, Paris.
      Eu também não sabia ao certo como tinha funcionado, e o artigo, muito bem escrito, ajudou-me a entender um pouco ao menos.
      Abraço!

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  5. Soul,

    Definitivamente preciso aprender a escrever com vc!! rsrs

    Ótimo texto como sempre! Câmbio não é bem minha praia, então foi um grande aprendizado.

    Em relação ao dólar como seguro ou investimento, meu tcc da pós foi sobre alocação de ativos aplicado a uma carteira de fundos de investimento. Uma das minhas conclusões foi justamente a mesma que você colocou no texto: como hedge ou seguro o dólar faz um ótimo serviço, a inclusão dele nas carteiras formadas (na verdade um fundo cambial) diminuía bem a volatilidade, mas como investimento de longo prazo individualmente era péssimo.

    Um abraço!!

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    1. Olá, IC!
      Obrigado, amigo. Também não é minha. Aliás, apenas arranho investimentos, porém, creio, o suficiente para tentar sobreviver.

      Bacana hein! Você é economista? Parece ser bem interessante o estudo que fez.

      Abração!

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    2. Soul,

      Sou Administrador. Um dos poucos da turma que não odiaram as aulas de administração financeira e mercado de capitais. Fiz pós na área também. Pena que demorei demais para me convencer que eu era capaz de ser bom na área. Nem que seja para aplicação nas minhas finanças pessoais.

      Gosto de fazer estudos, projeções, brincar com números em geral. Havia parado um pouco por vários motivos, mas este ano resolvi retornar!

      Um abraço!

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  6. Soul, acho que poderia atualizar este post, que tal? :)

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