domingo, 5 de março de 2017

DIRETA X ESQUERDA: A MULETA ARGUMENTATIVA

Olá, colegas. Às vezes construo alguns textos baseado em comentários feitos no espaço deste blog. Acho bacana quando isso ocorre. Primeiramente, pois é uma forma de uma troca de ideia genuína com alguma pessoa que por ventura se sentiu compelida a escrever um comentário. Além do mais, eu particularmente gosto quando um comentário pode ser o pontapé provocativo para uma reflexão.

 No meu último artigo A Ameaça do Globalismo ou A Ameaça à Nossa Inteligência, um dos últimos comentários foi o seguinte:

"Soul, entendo sua visao de nao aderir a extremismos em um momento político tao polarizado, mas nomes e conceitos sao criados na tentativa de organizar e registrar o pensamento. Sua relutância em aceitar as denominaçoes direita e esquerda na política parece-me exagerada. Inevitável distinguir ideologias tao distintas quando nos referimos a políticos como Bolsonaro e Marcelo Freixo, por exemplo. Impossível aglutinar conceitualmente duas visoes de mundo tao díspares. Constatar a existência de campos políticos antagônicos, nao significa a obrigatoriedade de pensar sempre de acordo com um desses campos. Negar que existem visoes mais conservadoras e outras mais progressistas no contexto social, que acabam se refletindo no âmbito político-partidário, significa desconsiderar a ciência política, em última análise. Nao significa que você tenha que adotar a bandeira da direita ou da esquerda, nem que as movimentaçoes partidárias sejam sempre coerentes com o espectro político a que dizem pertencer. Quando afirmo que sou totalmente contrário aos ideais defendidos por um Bolsonaro, acho razoável concluir que nao comungo dos pensamentos inerentes ao simpatizantes da extrema-direita.Concordo que rotular pode desaguar em preconceitos e diminuir o entendimento de temas complexos ,mas as divisoes em esquerda, extrema-esquerda, centro, direita e extrema- direita, ajudam a entender a política. Nomear, conceituar, nao significa rotular. Abraço. “

 O comentário, sobre minha perspectiva, é bom e aborda o  tema de maneira sensata. Afinal, qual é o problema de fazer divisões no espectro político? O que há de errado em rotular (para mim é um sinônimo para nomear) determinadas posições políticas como de esquerda ou direita? Há algum motivo para eu me contrapor a essa distinção?

 Vamos iniciar pelo começo. Olhe a realidade. “Como assim olhar a realidade, Soul? O que é a realidade?”. Boa resposta prezado leitor imaginário. Vamos não nos preocupar com a profunda questão de “O que é a realidade?”. Melhor, vamos partir de uma definição estreita de realidade como algo natural para nós seres humanos: as coisas que existem.

 O universo, de novo não entrarei em eventuais outras questões reflexivas sobre o tema, existe. Como ele existe? Ele existe de maneira única. Todas as manifestações da realidade são manifestações de uma realidade única. “Soul, acho que você está complicado demais, algo que era para ser simples”, nem tanto caro amigo. 

 Se o Universo, se a realidade, existe de uma única forma, por qual motivo nomeamos coisas, construímos matérias científicas separadas ? Simplesmente, porque apenas assim nosso cérebro consegue apreender de forma mais fácil a realidade. Você pode ver o ato de um rato se movendo na rua como um fenômeno físico, químico ou biológico, ou quem sabe pelo ponto de vista de saúde pública humana, mas a realidade de um rato se movendo é única.

 As separações que os humanos fazem entre física, química, bio-química, etc, são apenas formas de se analisar a realidade de uma maneira mais compreensiva para nosso cérebro. Obviamente, isso não é ruim, isso é ótimo, pois nos permite saber mais do universo de uma forma que seja compreensível para nossa mente. Afinal, nossa compreensão, nosso cérebro é limitado. Portanto, faz sentido que o conhecimento humano seja dividido numa disciplina de pessoas que se interessem por física, ou noutra matéria de pessoas que se interessem por química.

 Porém, como a realidade é única, parece evidente que essa forma de tentar apreender o mundo pode produzir uma visão fragmentada da realidade, que muitas vezes pode estar muito longe do que a realidade realmente é (também não discutirei se o ser humano realmente pode compreender a realidade como ela é, eu creio que não). 

 A discussão visão fragmentada x visão holística sempre esteve presente em muitos debates. Se a especialização é produtiva em muitos sentidos, como fazer com que essa especialização não se torne uma fragmentação nefasta? Não há respostas, e eu mesmo não sei como me colocar diante desse dilema. Tendo a dar preferência a uma visão mais geral sobre tudo, mas isso obviamente faz com que eu perca os benefícios de um conhecimento mais especializado, o que às vezes me faz falta. Por seu turno, alguém com um alto conhecimento especializado pode ter dificuldades de enxergar com mais clareza questões que são triviais se olhadas por uma perspectiva mais ampla.

  Por mais que tenha colocado a reflexão do último parágrafo, é evidente os diversos avanços tecnológicos, econômicos e de conhecimento que a especialização do saber trouxe. É inegável. Se assim o é, por qual motivo eu me oponho tão fortemente a essa dicotomia, sem sentido para mim, entre esquerda x direita quando se discute assuntos políticos?

  Vejam, prezados leitores, quando resolvemos estudar um fenômeno que é único em diversas formas separadas de saber como física e química, há um ganho evidente para o nosso entendimento. Consigo vislumbrar por qual motivo se tem uma aula de física, e depois outra separada de química quando estamos no colegial. 

 Agora, apesar de já ter tentado, eu não consigo vislumbrar qual é a vantagem que se ganha ao discutir um assunto sobre a ótica da categorização de direita e esquerda. Pior, além de não ver vantagem, eu percebo, assim como notado pelo leitor, que há uma tendência muito forte para que haja uma piora na compreensão das coisas, quando se adota essa forma de rotular a realidade.

  Por qual motivo? Primeiramente, porque os campos de separação de disciplinas como Física e Química possuem um motivo, possuem os seus pressupostos e servem a um objetivo. As divisões que se fazem entre direita x esquerda, por seu turno, parecem-me arbitrárias , produzindo muitas vezes “monstrengos ideológicos”, que não ajudam os humanos a responder questões específicas e relevantes.

 É preciso notar que a nomenclatura direta e esquerda vem da época do pós-revolução francesa, e simplesmente diz respeito ao lado na Assembléia Constituinte que determinados grupos se sentavam.  As pessoas que sentavam à esquerda  eram consideradas mais “radicais" do que as pessoas sentadas à direita que eram consideradas menos “radicais”.

 De lá surgiram diversas nomenclaturas como progressistas e conservadores, por exemplo. Paremos para pensar nessas rotulações. 

 Apesar do princípio da conservação de energia ser um dos mais caros à Física Moderna, a forma como essa energia se organiza nunca é estanque. Ter uma visão de que a realidade se conserva indefinidamente além de ser completamente errada, é desarrazoada. Se as coisas se conservassem do jeito que são para sempre, eu não estaria escrevendo nada muito menos num dispositivo tecnológico como um computador, pois é bem provável que nem vida existia no planeta terra.

  Portanto, para que uma pessoa seja conservadora ela necessariamente tem que admitir o progresso, ou a mudança, ou qualquer termos que queiramos colocar. Se assim o é, se o próprio termo se torna uma contradição em si, de qual valia esse termo (ao contrário da física e da química) pode nos ajudar a compreender a realidade?

  Por outro lado, quem se interessa um pouco sobre biologia, sabe que as espécies evoluem num ritmo muito, mais muito lento. Quase todas as modificações ao estado atual, ou seja ao conservadorismo, são nocivas à sobrevivência do indivíduo, e quase todas elas não tem nenhum impacto na espécie.  Isso é evidente. 

 Se uma espécie possui uma determinado aparelho respiratório que é apropriado para a sobrevivência num determinado local do planeta, por exemplo, qualquer modificação na constituição genética desse aparelho (seja por meio de mutações por agentes externos, seja por meio de recombinações de genes) quase sempre levará o organismo a falecer. Como o organismo não irá gerar descendentes, a modificação ocorrida (progresso) não irá modificar em nada a espécie. Portanto, qualquer pessoa que seja “progressista” precisa admitir que a conservação é a norma, não a exceção quando falamos em seres vivos. Se assim o é, qual é o sentido de se atribuir um termo que por si só pode ser contraditório?

 Tanto o conservadorismo e o progresso são facetas não só da humanidade, mas da vida na terra como um todo. E onde essa digressão me leva? Ao ponto de que temos que começar a nos preocupar com os problemas objetivos que se colocam e não como eventualmente de forma arbitrária rotulamos pessoas ou ideias. Exemplos Práticos? Claro.

 Parece-me evidente que não há motivo para modificarmos como os bebês são alimentados por leite materno. Sou um conservador. Por outro lado, creio que há motivos de pensarmos como criamos animais para consumo humano. Progressista. Creio que não há motivos de porque não admitirmos que seres humanos podem se apaixonar ou amar de diversas formas, e não necessariamente apenas a fórmula mais tradicional Homem e Mulher. Progressista. Por outro lado, creio que a relação de Pai e Filho, por mais amorosa que possa ser, possui e deve possuir uma dimensão de autoridade e respeito. Conservador. Então, afinal, eu sou conservador ou progressista? Não sou uma coisa nem outra, ou talvez seja as duas ao mesmo tempo. A mim me parece evidente que essa nomenclatura não ajuda a nada.

 Se fosse só este problema, inutilidade da rotulação, nem me importaria. O grande problema é que a rotulação direta x esquerda, pelo menos a praticada pela esmagadora maioria das pessoas, serve como uma muleta argumentativa e uma forma de não-pensar.  No mesmo texto citado, houve outro comentário que resume bem o nível do debate:

"soulsurfer, sempre atacando rótulos "esquerda X direita", mas sempre se aliando aos pensamentos da esquerda - e esquerda caviar.
Não importa se você se autoproclama de direita/esquerda/centro, porém, se você fala como um porco, anda como um porco, fala como um porco e age como um porco, podemos presumir com razoável margem de certeza que você é um porco.

 O tópico central do artigo era a unificação da humanidade. Um tema interessante. Observem que o argumento do comentador não diz se acha se está havendo uma integração maior ou não da humanidade. Se isso é um fenômeno histórico de longa data ou não. Quais os motivos  de porque essa unificação, ou não, estaria acontecendo. Não. A muleta argumentativa entrou em cena: "toda a temática que você traz à baila não importa, você é de esquerda, e ponto final.”

 A pobreza e a fraqueza dessa forma de ver o mundo parecem-me evidentes por si só. E elas são desencadeadas, no meu sentir, pela necessidade de se colocar um rótulo que faça com que a realidade seja mais simples, ao menos na percepção da pessoa, do que ela necessariamente é.  É uma simplificação causada não pelo conhecimento, pela sagacidade da reflexão, mas sim pelo empobrecimento e pela ignorância.

 Dizer que uma determinada visão é de esquerda ou direita, não vai ajudar a humanidade achar uma solução para o aumento da acidificação dos oceanos. Para quem não sabe, há uma catástrofe acontecendo com os nossos oceanos, se o aumento do efeito estufa é bem debatido e em voga na mídia, a consequência gêmea do aumento dos níveis de CO2 absorvidos pelo oceano é quase nunca nem mesmo mencionado. O que vai nos ajudar a resolver, ou minorar esse problema, passa muito ao largo de definições como esquerda ou direta. 

  O que fazer com lixos radiativos? O que fazer com a crise humana ocasionada por fluxos migratórios oriundos de conflitos armados? Dizer que alguém é de direita ou esquerda apenas fará com que o debate fique turvo e não saia do lugar. Qualquer um pode dizer que é correto que não sejam aceitos refugiados por países mais ricos, e que as populações locais que encontrem um jeito de encarar o problema. Como qualquer um pode dizer que fechar os olhos para o problema é apenas um ato de desumanidade que pode dizer muitas coisas sobre nós mesmos. Dizer que uma posição é de direita ou esquerda nesse sentido não traz qualquer benefício ao debate, muito menos se pensarmos que este é um problema do século 21 sendo abordado com uma nomenclatura do século 18.

  Portanto, respondendo ao colega do comentário que desencadeou esse texto, eu não creio que haja qualquer ganho para o entendimento da realidade na divisão feita entre direta x esquerda. Pelo contrário, acho que há apenas a criação de uma opacidade desnecessária no melhor cenário. No pior cenário, como acontece muito em nosso país, essa divisão cria legiões de pessoas que baseando nesses critérios de classificação param de pensar, refletir, enchem os seus corações de rancor e ódio, e não contribuem com absolutamente nada de útil para o debate.


  Um abraço a todos!

32 comentários:

  1. Caramba esse texto foi uma viagem do nada ao lugar algum.

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    1. Hum. Mas ao menos você gostou da viagem? Como dizem, não importa o destino, mas sim o caminho. Por minha experiência, tendo a concordar com esse adágio. Se a menos a viagem foi uma boa experiência para você, fico satisfeito.
      Abs

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    2. Kkkkk
      me matou nessa resposta!

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    3. Haha eu ri alto, por que o Anonimo 1, matou a pau meu pensamento no término do texto, foi uma viagem do nada ao lugar nenhum, entretanto foi uma boa viagem sim. Valeu perder alguns minutos com o texto.

      Tua resposta foi demais Soul!

      kkk

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  2. Bom, eu já não ando gostando desse negócio de direita e esquerda simplesmente pq acho que politicamente não dá pra fazer mais isso.

    Por exemplo, pauta humanitárias (igualdade racial, contra o ódio às minorias etc) deveria ser pauta de todo político decente, e não "dá esquerda". Dá mesma forma, esperar que a economia esteja OK não deveria ser uma preocupação "dá direita". Era pra ser de todos.

    Então ultimamente eu apenas não me nomeio mais como de direita ou esquerda (antes eu me nomeava como de direita). O resultado disso é que, se eu converso com um petista, ela fala q sou de direita. Se converso com um psdbista, ele fala que sou de esquerda.... :(

    Bom, pra finalizar, a evolução ocorre muito mais rápido do que inicialmente se achava. Sim, ainda é um tempo longo comparado a nossa existência, mas muito menor do que se achava há algumas décadas atrás. Vou procurar uma referência para isso amanhã.

    Abraços

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    1. Olá, colega. Se achar a referência sobre o tempo de evolução biológica e a modificação no entendimento da rapidez do mesmo, agradeceria.
      Sobre o comentário, estou de acordo.
      Abs

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    2. https://www.nytimes.com/2016/07/24/opinion/sunday/evolution-is-happening-faster-than-we-thought.html


      https://www.theguardian.com/science/2015/mar/25/study-shows-humans-are-evolving-faster-than-previously-thought

      Tem algumas referências nesses artigos tb.

      Abraços

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  3. Soul,

    És um cara inteligente ... concordando ou discordando de alguns escritos ou parte deles, sempre tem ótimas reflexões... acho que somos doutrinados a ficar separando as coisas quando na verdade elas são bem mais complexas. Procuramos o bem e o mal, o bom e o ruim.... Agora vamos ao cenário mais complexo para os brasileiros, a política, onde está o bem? hehehe

    Abs,

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    1. Olá, Rodrigo!
      Grato pelas palavras, amigo. Onde está o bem na política brasileira? Pergunta difícil hein?:)
      Um abraço

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  4. Soul, a compreensao da vida ocorre a partir da linguagem, da palavra. A palavra cria a realidade, descortina o mundo. O mal uso da palavra, a fraqueza argumentativa, o radicalismo, nao é exclusividade do mundo político. O fato das pessoas utilizarem mal as expressoes direita, esquerda, conservador, progressista, nao retira a razao de existir das nomenclaturas. Você mencionou a etimologia das expressoes, remontando à origem histórica, mas permita discordar da correlaçao "radical" e esquerda e "menos radical" e direita. A divisao esquerda e direita tinha motivaçao na diferença de classes sociais, representadas à época, pelos jacobinos e gerondinos, a grosso modo.Nao me recordo agora quem ocupava o lado esquerdo e direito. Levando em conta o contexto histórico,a nomeaçao fica menos arbitrária. No caso da origem dos signos, das palavras, acredito que sairíamos do estudo político e entraríamos no campo linguístico, ou seja, outro ramo do saber. As palavras direita, esquerda, progressista e conservador na minha maneira de pensar, nao têm aplicaçao holística nesse contexto específico do estudo da política. Nas democracias ocidentais, o enfrentamento de problemas objetivos passa pela política partidária. Os partidos, em teoria, refletem aspiraçoes e pensamentos de determinados segmentos da sociedade. Existem sistemas políticos mais funcionais, assim como democracias mais consolidadas. Aqui no Brasil, diante da profusao de siglas partidárias, fica difícil para algumas pessoas definirem o que é direita e esquerda. Acompanho sempre seu blog, na tentativa de aprender um pouco sobre os "pensamentos financeiros", o que me possibilitou perceber que você é um amante do conhecimento, do pensamento livre, daí suas reservas aos rótulos direita e esquerda tao mal utilizados nas redes sociais. Concordo que num mundo ideal, onde nao existisse nenhum tipo de divisao, nao haveria necessidade de direita e esquerda e talvez a necessidade de tantas palavras,idiomas e dialetos espalhados pelo mundo. Abraço!
    Bruno.

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    1. Olá, Bruno. Tudo bem colega?
      "Levando em conta o contexto histórico,a nomeaçao fica menos arbitrária.". Sim, você tem toda razão aqui. Foi uma nomenclatura que se deu para um determinado acontecimento histórico. Você também está correto, que representava determinadas classes sociais e a direção dos assentos onde cada um resolvia sentar.
      O problema é transportar uma distinção criada num período histórico específico para uma miríade de novas situações que não guardam qualquer relação com a França em 1789.

      "Concordo que num mundo ideal, onde nao existisse nenhum tipo de divisao, nao haveria necessidade de direita e esquerda e talvez a necessidade de tantas palavras,idiomas e dialetos espalhados pelo mundo."
      Bom, eu creio que são coisas diversas a diversidade de idiomas, palavras e dialetos no mundo, da nomenclatura direita x esquerda. São dois fenômenos em tudo diversos. A existência de diversas línguas e palavras apenas mostra como diversos grupos de seres humanos, apesar de suas semelhanças, evoluíram para se expressar de diversas maneiras e com variados símbolos ideias, fatos, acontecimentos, etc.
      Não creio que isso seja necessariamente ruim, pelo contrário acho que isso faz parte da beleza da diversidade humana.

      Abs!

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  5. Texto bastante instigante, como usual.Todavia, creio que essas categorias tenham utilidade para o estudo da ciência política. O óbvio reducionismo é inerente ao recorte dá realidade para pesquisa. Vários sociólogos tentaram conceituar uma "terceira via", mas nenhuma atingiu a aceitação das categorias extremas. Elas descrevem um conjunto de atributos esperados na teoria, em uma simplificação do mundo.
    Vejo entretanto que são utilizadas atualmente na Internet para rotular e evitar o debate dos argumentos. Abraço!

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    1. Olá, Faleasco.
      O problema é quando ocorre o que você relatou nas duas últimas linhas.
      Um abraço

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  6. Entendo, Soul. Na parte final do texto, ao mencionar a existência de diversos idiomas e traçar um paralelo com as divisoes existentes no aspecto político, quis reforçar o caráter natural da dicotomia direita e esquerda, quando analisado sobre um prisma de divisao de classes sociais. Para mim, a divisao entre classes sociais, quando acentuada, é um fenômeno que divide, assim como a passagem bíblica da Torre de Babel. Há quem entenda que nao faz sentido falar em lutas de classes atualmente, que é uma construçao esquerdista ultrapassada. Sem dúvida que o mundo é outro, se comparado com o ano de 1789, principalmente devido ao advento da tecnologia, que encurta distância geográfica, mas nao encurta diferenças ideológicas, ao contrário, às vezes as aprofunda. Será que as composiçoes sociais atualmente sao tao diferentes da sociedade francesa, á época da revoluçao? Aproveitar e parabenizá-lo pelo fato de sempre ser aberto ao diálogo de maneira tao paciente.

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    1. Olá, colega. Eu acho que são sim.
      Agradeço as palavras e o comentário.
      Um abraço!

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  7. Taleb feelings... estaria você citando um "platonismo político"? Creio que o problema começa quando esquecemos das simplificações que fazemos para nosso entendimento e de fato acreditamos que o mundo funciona estritamente da maneira que o compreendemos. Curiosamente, o professor de Platão pode ser citado para trazer um pouco de luz à discussão: só sei que nada sei.

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    1. Olá, colega. Não compreendi bem o seu ponto.
      Um abs

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  8. Fosse o Soulsurfer francês, em quem estaria disposto a votar para presidência ?

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    1. Se eu fosse Francês, eu iria morar talvez em Le Landes:)
      Minha opinião nesse assunto seria de quase nenhuma valia, pois sei muito por alto quem está concorrendo.
      Um abraço amigos!

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    2. Vocês esperavam que tipo de resposta de alguém que não se posiciona?
      Outro exemplo:
      Num segundo turno entre Lula x Bolsonaro. Em quem você votaria para eleger o menos pior?

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    3. Qual assunto você gostaria de um posicionamento, colega? O que mais tem são posicionamentos meus sobre uma gama variada de assuntos.
      Há uma diferença entre se manifestar, e reconhecer que não sabe. Se você tem uma análise boa sobre as eleições francesas, ótimo, eu não.
      Eu provavelmente anularia o voto. Bolssonaro não tem a menor condições de ser presidente do Brasil. O Lula é réu em diversos processos e pode vir a ser condenado em primeira instância e ainda assim poder se candidatar a presidente. Pode-se argumentar que anular o voto não é a melhor solução, talvez não seja mesmo, mas é o que provavelmente faria nesse caso hipotético que não é tão improvável assim de acontecer, graças a lambança que está se fazendo com o país.
      Abs

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    4. Kkkkkkk,
      A sua resposte era exatamente a que eu esperava.
      "Eu provavelmente anularia o voto"
      Mais sem posição do que isso é impossível.

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  9. Soul. De nada adianta o proselitismo. Os únicos que são contra a partição e a nomenclatura são os esquerdistas (como vc). Que perceberam no engodo que caíram. Menos mal, que vc já sente um pouco de vergonha de ser taxado de esquerdista, isso é um bom sinal. Outros foram tão doutrinados em faculdades como a sua, que dificilmente se libertarão. E eu acredito que deve ser difícil reconhecer que foi doutrinado na escola de direito. Afinal de contas, cabeças "tão pensantes e livres" não conseguem dar o braço a torcer, de que foram simplesmente enganadas e usurpadas da verdade. Sinto que vc está sofrendo com isso, sempre toca nesse assunto, deve ser difícil encarar a verdade e se desprender da doutrinação aprendida na faculdade. Se liberte, encare o que vc realmente acredita.
    Não ache que progressista (termo cunhado para mascarar a agenda comunista de 68) é quem é humanitário e preocupado com as questões ambientais, e conservador é o malvadão capitalista e desumano.
    Se liberte e defenda aquilo que realmente vc acredita e não o que o seu pai e seus professores te passaram como verdade.
    Obs. Longe de mim querer ser agressivo com vc, se eu fui me desculpe, mas queria te dar esse feedback como leitor.

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    1. Olá, colega. Não foi agressivo, tudo certo:)
      Apenas não entendi a sua mensagem. O que mais tem por aqui são opiniões minhas sobre uma gama bem variada de assuntos: exploração animal, justiça, fundos imobiliários, os três riscos acionários de Fama and French, avaliação de imóveis, IF, Trump, etc. O que não falta é opinião aqui.
      Assim, ininteligível "Se liberte e defenda aquilo que realmente vc acredita e não o que o seu pai e seus professores te passaram como verdade."
      Um abraço amigo!

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  10. Grande Soul, vou repassar minha mensagem:

    Amigo, voltei com o blog reformulado.

    Vou postar apenas em inglês, mas você pode ver em português traduzindo com o plugin do Google que coloquei lá.

    O intuito da mudança é pra eu me forçar a escrever em inglês e também para o blog ganhar o mundo.

    A linha do blog continua a mesma: ações, ETFs, investimentos no exterior, John Bogle, comportamento pessoal, biografias, livros, sites, dicas de economias pessoais, superação, trabalho e estudo, Jéssica Chastain também.

    Atualização mensal e resultado anual continuam. Análise de resultados de ações brasileiras sempre que sair o anual.

    Mudei o sistema de comentário para o sistema do Disqus (lê-se “Discuss”), essa é uma ferramenta muito bacana pq assim vc vai ver todos os seus comentários e suas respostas e discussões num canto só, se não conhece se cadastre no site Disqus.com vale a pena sim.

    Agora dá pra treinar o inglês lá e deixar sua participação. Você está no meu blogroll.

    Grande abraço,

    Frugal Simple.

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  11. Opa! Se puder adicionar meu outro blog no blogroll, ficarei grato: Porta dos Investimentos (http://portadosinvestimentos.blogspot.com.br)

    Adicionarei seu blog neste novo blog também!

    Muito obrigado e um abraço!

    Ps.: Desculpe a mensagem fora do tema, blog novo, tem que pedir aos amigos ajuda! Valeu!

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  12. Vivemos a era da doxa, potencializada pelo anonimato. Para tudo há de haver uma resposta positiva, um sim, um não, um talvez. Nunca um ”não sei”.

    Mundo, para minha estirpe, perigosamente perto do grande nojo do homem.

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