sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

"O HORROR, O HORROR"

   Olá, colegas. Hoje, foi um bom dia. Acordei, e o que era esperado com ansiedade pela comunidade científica, e por quem gosta de ciência, se concretizou. A espécie humana detectou ondas gravitacionais. A primeira vez que li sobre a existência teórica desse fenômeno foi há uns 12 anos lendo o magistral livro “O Universo Elegante”. Cem anos depois de publicada a Teoria da Relatividade Geral, surge a comprovação empírica de uma de suas mais estranhas e instigantes previsões. Foi um dia especial para toda a humanidade com certeza. Uma pena que é um assunto que não entra tanto nas rodas de discussões das pessoas. Porém, não é sobre isso que irei escrever.

  Hoje de manhã, aproveitando que tenho televisão no quarto, assisti o debate entre os candidatos democratas. Foi bem interessante e poderia abordar como os EUA são um país que debate constantemente e como o Brasil, nesse aspecto, é um país medíocre onde quase nada é debatido. Basta  ver o nível absurdamente baixo dos debates políticos no Brasil ou os debates  nas mais variadas redes sociais, blogs, etc. Mas não é sobre isso também que irei escrever.

  No debate de hoje de manhã, Sanders, um dos concorrentes democratas, ao falar sobre a admiração de Hillary Clinton por Herry Kissinger citou expressamente o Camboja. Ele falou que por aconselhamento de Kissinger os EUA bombardearam esse país ocasionado a morte de dezenas, talvez de centenas de milhares, pessoas levando uma guerrilha de orientação Maoísta ao poder que nas palavras de Sanders,  ele  está correto nesse ponto, praticou um regime “carniceiro" no Camboja. Há até mesmo um livro a respeito chamado "Sideshow: Kissinger, Nixon and the Destruction of Cambodia" (não lido por  mim). É sobre isso que irei escrever, mas numa perspetiva muito pessoal.

  O que foi realmente  o Khmer Vermelho? Como foi possível tal regime ocorrer, mesmo depois da promessa feita após o Holocausto Judeu de “Never Again”? Essas são perguntas que esse artigo não tem a pretensão de responder. É incrível que poucas pessoas tenham ouvido falar do Khmer Vermelho. Talvez o nome Pol Pot possa ser reconhecível, mas quase nenhum brasileiro realmente sabe o que esses nomes significaram, o que é algo triste, pois é uma parte, horrível certamente, importante da história da nossa espécie humana no século passado. 

Foi nisso que se transformou o Camboja entre abril de 1975 e janeiro de 1979, quando o regime genocida do Khmer Vermelho introduziu a sua ideia maluca de uma sociedade agrária.

Pol Pot, também conhecido como Brother number 1, Responsável direto pela morte de talvez 3 milhões de pessoas. Isso representou mais de um em cada quatro cambojanos. Imaginem, leitores, uma em cada quatro pessoas que vocês conhecem mortas dentro de dois-três anos. Inimaginável, não?


   O Camboja no pós-guerra (segunda guerra mundial) era um país pacífico que gozava de um razoável nível de vida. Sem sombra de dúvidas, não era tão poderoso como seus vizinhos Tailândia e Vietnã. Aliás, depois do declínio do poderoso e impressionante império Khmer no século 15, os 500 anos que se seguiram foram apenas de declínio e de submissão aos dois poderosos vizinhos, e no século 19 a potência colonizadora francesa. Entretanto, após a Independência em 1953 as coisas não iam mal para o Camboja.

  Então, ler um pouco mais a respeito no meu artigo sobre o Vietnã Vietnã: A Guerra Americana, a guerra americana começou. O país se desestabilizou, um golpe contra o então monarca foi dado em 1970 - com o apoio tácito dos EUA - e os bombardeio americanos, secretos num primeiro momento, começaram. Os EUA bombardeavam o país, pois muitos vietnamitas do norte usavam o pais como uma forma de chegarem ao Vietnã do Sul e assim ajudar os vietcongues na luta contra as tropas americanas. O Bombardeio foi tão intenso que os EUA despejaram mais bombas no Camboja do que o fizeram em toda segunda guerra mundial . É um número assustador. A tática utilizada foi o carpet-bombing, talvez já tenham reparado em filmes sobre o Vietnã quando bombardeios B-52 lançam centenas de bombas uma atrás da outra.

Muitos chamam o bombardeio ao Camboja de genocídio americano. Sem dúvida alguma foi um crime contra a humanidade.


  Os ataques ocasionaram a morte de centenas de milhares de pessoas (há análises que apontam 500 mil pessoas). A quantidade foi tão absurda que até hoje essas bombas ainda matam seres humanos. Poucas pessoas sabem mais muitas bombas  não explodem quando tocam o chão, porém elas ainda continuam ativas. São as chamadas UXO  (Unexplode Ordenance). Até hoje em dia essas bombas continuam ceifando vidas de cambojanos, sendo um perigo ainda maior do que as minas terrestres.

   Na época do golpe que destronou o rei Sihanouk, uma limitada guerrilha de orientação maoísta que veio a ser chamada de Khmer (os Khmer são a principal etnia no Camboja) Vermelho (pela alusão ao comunismo) realizava atos de guerrilha em algumas regiões remotas do Camboja. Após os bombardeios dos EUA, dezenas de milhares de agricultores cansados dos bombardeios americanos engrossaram as fileiras do Khmer Vermelho para assim derrubar um governo fraco de Lon Nol que possuía o apoio dos EUA. Muitos ainda lutavam junto ao Khmer Vermelho porque eram leais ao rei destronado. Assim, derrubar o governo era lutar contra os próprios americanos. A esmagadora maioria dos agricultores não sabia quem era Mao, ou Stalin e muito menos Marx. Eram apenas pessoas revoltadas contra ataques aéreos que causavam destruição e morte e contra os quais eles não podiam se defender.

Os EUA jogaram mais bombas no Camboja do que a quantidade de bombas lançadas em toda segunda guerra mundial. Centenas de milhares de pessoas mortas e dezenas de milhares de pessoas juntaram-se ao Khmer Vermelho. Sendo assim, os EUA são indiretamente responsáveis por um dos regimes mais genocidas de toda história humana.


  De uma pequena guerrilha escondida nos recantos remotos do Camboja, o Khmer Vermelho se tornou uma organização forte que em poucos anos tomou conta do país. Em 17 de abril de 1975, o Khmer Vermelho toma a capital do país Phnom Penh.   Recebidos nas primeiras horas como salvadores, pois as pessoas não suportavam mais o governo fraco de Lon Nol, em menos de três dias o Khmer Vermelho colocou em prática um dos planos mais obtusos de “reestruturação" da sociedade jamais tentando em qualquer lugar do mundo.

    O Angkar (ou simplesmente a organização) determinou o esvaziamento de todas as cidades. Todas as cidades importantes foram evacuadas em poucos dias.  O objetivo era eliminar o Camboja de qualquer influência externa e criar uma sociedade agrícola perfeita. Quem era associado a de alguma forma a vida urbana era considerado “inimigo" e deveria ser reeducado. Quem era intelectual deveria simplesmente ser assassinado. O Khmer Vermelho começou a assassinar todos os médicos, advogados, engenheiros, professores, monges budistas ou qualquer um que tivesse qualquer conhecimento ou de alguma maneira pudesse ser associado a uma vida urbana. Se soubesse falar Francês, era assassinado. Se tivesse qualquer relação com estrangeiros, era assassinado. Dezenas de prisões de tortura surgiram no país, a maior delas conhecida como S-21.

Evacuação de Phnom Penh.

  É a minha segunda vez no país. A primeira vez fiquei apenas uma semana (como a maioria dos turistas, sendo que boa parte fica apenas alguns dias conhecendo os fantásticos templos de Angkor). Dessa vez devo ficar um mês. Muitas coisas mudaram no país, muitas mesmo. Uma das coisas que fazia questão de visitar novamente era a prisão S-21 que foi transformada num museu. Ainda mais, gostaria que minha companheira pudesse conhecer um pouco mais sobre essa história triste da nossa espécie.

  A prisão S-21 era um local secreto. Um dos lugares mais funestos que eu já estive. O Khmer Vermelho transformou uma escola num lugar sinistro de torturas, horror e morte.  A partir de aqui o relato será bem pessoal mesmo.

  Ao chegar novamente nesse local sinistro, percebo que a entrada original  está agora fechada. Além do mais, é possível alugar Audio-Guides, algo que não existia quando estive 8 anos atrás. Levando em conta que não há tantas informações em Inglês, é uma boa forma de se conhecer mais sobre as histórias por trás da prisão, ou sobre as "Vozes da S-21", nome de um livro bem conhecido sobre o tema.  Muitas mais pessoas também visitam local. Quando estive a primeira vez eram no máximo umas 40 pessoas, dessa vez deveria ter  mais de 1.000. Penso comigo mesmo que isso é bom sinal, pois é importante que as pessoas saibam sobre o que ocorreu.

  Começo então a andar pelas salas. Quando os Vietnamitas liberaram o Camboja do Khmer Vermelho (algo nunca reconhecido pela comunidade internacional, ao contrário da liberação da França pelos americanos na segunda guerra mundial, por exemplo) e descobriram a prisão S-21, havia 14 cadáveres com marca de tortura profunda. Em várias salas do bloco A , assim como quando visitei na primeira vez, há salas de aula com uma foto gigante de como encontram o corpo naquele local em preto e branco, bem como os instrumentos de tortura utilizados. Basicamente, deixaram a sala do jeito que encontraram. As imagens são fortes. Após entrar na sexta ou sétima sala as fotos dos corpos torturados começam a parecer muito iguais.

  Sinto um sentimento ruim com esse pensamento. Parece um desrespeito, "pois, foram vidas humanas com a sua individualidade própria, cada uma daquelas fotos representa um ser humano com desejos, sonhos, medos, família" mas é o que penso na hora. Vou para o bloco B e as famosas fotos de milhares de prisioneiros uma do lado da outra estão presentes. “Quem são aquelas pessoas?”  São fotos pequenas de pessoas com números.  Ao entrar na S-21, a pessoa perdia o seu nome e se transformava em apenas um número. Algo idêntico feito pelos nazistas em campos de concentração. Tantas pessoas. Com olhos esbugalhados. Não há nenhum rosto feliz, talvez porque já sabiam do seu cruel destino. Olho então vários desenhos feitos por um dos sobreviventes. Num, ele descreve como era dormir. São cinquenta pessoas num espaço que cabe umas 20. Não há cobertor. Não há lençol. Não há banheiro.   Não consigo vislumbrar como é ficar com mais 50 pessoas num local sem banheiro, o fedor, a insalubridade que não deve ser. Em outros desenhos, diversas cenas de torturas. Choques elétricos, unhas sendo arrancadas,  mulheres tendo os mamilos arrancados, pessoas sendo afogadas em baldes de excremento humano. Alguns prisioneiros eram torturados três vezes por dia. Os torturadores perguntavam coisas como “ Admita que você é um agente da CIA ou KGB” , quase todos respondiam “Eu não sei o que CIA e KGB significam, irmão”, apenas para serem torturados ainda mais. No final, todos admitiam trabalhar para CIA ou KGB para que a tortura parasse. Incrível pensar que os EUA durante muito tempo no governo Bush filho deram desculpas para torturas na luta contra o terrorismo. É simplesmente impressionante. Torturas foram e ainda são justificadas, pressionar a Arábia Saudita (esse sim um Estado que apóia o terrorismo, mas possui mais de um trilhão de dólares em ativos nos EUA) não. Essa contradição no discurso é algo tenebroso.

   Dou "stop" no audio-guide e olho de novo para as centenas de fotos.  São muitas fotos, acabo não prestando atenção numa pessoa em específico, pois quero olhar todas as fotos,  mas com isso acabo não olhando nenhuma com atenção, até que meus olhos encontram dois estrangeiros no meio das fotos dos Cambojanos. Um Inglês e um Canadense. O que eles estariam fazendo lá?  Os dois jovens estavam velejando pelo golfo da Tailândia, dando uma mini-volta ao mundo. Em 1978, não se sabia o que ocorria no Camboja, pois o país estava completamente fechado para o mundo. Por um azar do destino, o barco deles foi parar na costa  cambojana e foi interceptado por um barco do Khmer Vermelho. O Nome do Inglês era  John Dewhirst (reportagem sobre Inglês massacrado na S-21l). Ouço então o relato do irmão do outro estrangeiro preso ao testemunhar nas câmeras especiais de julgamento do  Camboja, também conhecidas como ECCC (Extraordinary Chambers in the Courts of Cambodia). Essas câmeras são uma tentativa do Cambodia, com ajuda da ONU, de lidar com o seu passado na forma de processos contra as principais lideranças do Khmer Vermelho. Lembro que por um triz não fui trabalhar em Darfur no Sudão pela ONU, uma das coisas que mais gostaria de ter feito. Meu nome foi indicado pelo governo brasileiro, mas não deve ter sido aceito, por falta de experiência num tema tão sensível, pelo escritório da ONU em New York. Sinto que o trabalho das ECCC é de extrema importância para o futuro desse país que aprendi a gostar tanto.


    Pela primeira  vez eu choro. Ouço o relato pungente do irmão.  Eu, Soulsurfer, estou dando uma volta ao mundo,  sou muito parecido com aqueles dois jovens. Vejo uma proximidade. Lembro então da frase do Stalin “A Morte de uma pessoa é uma tragédia, a morte de milhões apenas uma estatística”. Sim, é a mais pura verdade essa frase. Nós, humanos, não conseguimos lidar com grandes números ou muita abstração. Tantas fotos de pessoas assassinadas, mas eu precisei ouvir a história de apenas um, ainda parecido comigo, para me sentir profundamente tocado. “É errado pensar e me sentir assim?” “Há certo e errado nesse caso?”, esses pensamentos  me vieram na mente.

   Ao me encaminhar para os Blocos C e D (a prisão era constituída de quatro blocos), lembro que estou com fome. Não tomei café da manha e já são 11 e meia. Tenho fome. “Estou no meio de tanto horror, de tanto sofrimento humano, e apenas algumas horas sem comer eu já sinto desconforto?” “Será que realmente me importo com tanto sofrimento ou qualquer indisposição banal minha é o suficiente para esquecer tudo isso?”. Tenho uma bolacha na mochila, mas resolvo não comer, não naquele lugar, não me parece certo.  

   Aquela foi apenas uma prisão. Havia mais de cem, não tão grandes, pelo país. "Por quê"? Qual o motivo da minha vida ser tão próspera e tantas pessoas terem uma vida tão miserável, um final tão ignóbil. A primeira vez que estive no Camboja, quando voltei para o Brasil não entendia como eu com menos de 30 anos podia ser dono (tinha acabado de comprar o apartamento que habito no Brasil) de um imóvel tão grande e confortável. O que fiz por merecer, enquanto há tantos miseráveis num país como o Camboja? Hoje, consigo sentir-me mais tranquilo com esses questionamentos, mas ele voltou sobre outra  forma: por que tantas pessoas sofrem tanto? Não sei, sinceramente não sei.

 As salas foram deixadas do jeito que foram encontradas.
Desenho de um dos sobreviventes. Durante meses a vida foi assim para centenas de milhares de pessoas. Ficar deitado nessa posição com mais cinquenta pessoas. Fazer as necessidades no mesmo local. Ser torturado três vezes por dia.

 As diversas imagens dos prisioneiros massacrados pela intolerância humana.
John Dewhirst, O Inglês capturado enquanto dava uma volta ao mundo. Todos que entravam na prisão eram fotografados. Essa fotografia foi tirada na prisão S-21.

Um lugar de engrandecimento humano (a escola) transformado num dos lugares mais ignóbeis que nossa espécie já inventou.

    A visita a prisão acaba e nos encaminhamos para o Killing Field de Choueng Ek.Tratei desse lugar no meu artigo Os Campos da Morte. Basicamente, todos os prisioneiros da S-21 eram assassinados. Nenhum era liberado. Pol Pot dizia que "é melhor assassinar um inocente, do que deixar um culpado solto" numa inversão perversa de como a frase geralmente é utilizada em regimes democráticos consolidados. Quando não morriam das torturas, eles eram assassinados nesse campo da morte que fica a 15km da capital. Ele não foi o único. Houve quase 300 Killing Fields no país (sem contar os que nunca se descobriu).

"Como ele não tem mais nenhum uso, não há ganho se ele vive e não há perda se ele morre". O impressionante é que muitas pessoas pensam assim em relação a muitas situações, inclusive talvez leitores desse blog.


  Quando estive lá a  primeira vez, minha visita foi praticamente sozinha. Não havia mais ninguém. Hoje em dia, há  pessoas no local. As pessoas eram trazidas no meio da noite e mortas a golpes de bastão. Não se desperdiçava munição. Um a um os prisioneiros, depois de meses de tortura, eram assassinados com golpes de bastão na cabeça. Num lugar do campo, aparece uma árvore. Lá está escrito que soldados Khmer batiam a cabeça de crianças no tronco e arremessam crianças quase  mortas  numa cova juntos com as suas mães. Para que não houvesse chance de sobrevivência e para que não houvesse mau cheiro, jogavam químicos potentes nos corpos moribundos.

  Eu não sei nem o que pensar. Talvez toda aquela experiência já é um pouco demais para apenas um dia. Meu cérebro não acompanha mais. Na penúltima parada do Audio-Guide, há uma árvore onde ficava um auto-falante que amplificava uma música. Era usado para que os prisioneiros não ouvissem os gritos de outros prisioneiros sendo assassinados. O Audio-Guide então diz que esta música tradicional se misturava ao som de um gerador. O Narrador então pede para que se escute por 30 segundos o som que pode ter sido a última coisa que dezenas de milhares de pessoas podem ter ouvido em suas vidas.

   O som é sinistro. A mistura é algo sombrio. Fico imaginando ser trazido no meio da noite depois de ser torturado à exaustão. No meio da floresta então você houve uma mistura sinistra de uma música com uma melodia triste e um som abafado de um gerador. Lembro de uma das cenas do Filme “A Lista de Schindler” onde nazistas colocam músicas infantis alemães no meio de um processo de seleção de quem irá morrer ou não. Fico paralisado. Não quero ver o memorial no centro do campo com dezenas de milhares de caveiras. 

  Aperto então o último ícone do audio-guide e é uma música triste sobre a capital Phnom Penh e a tragédia que se abateu sobre esse lindo país. Choro pela segunda vez no dia. De alguma maneira a música me toca profundamente, mesmo não entendendo o que se canta, posso inferir que é algo muito triste.

Esse é um grande filme. Feito ainda na década de 80, conta o horror vivido pelo Camboja no regime do Khmer Vermelho.






Memorial para as vítimas (Nenhuma das fotos desse artigo foram retiradas por mim, foram todas pegas da Internet. Não tirei quase nenhuma foto dos locais).


  Todos nós podemos nos sentir de forma diferente sobre diversas questões. Entretanto, a dignidade humana deve ser defendida sempre. Nunca deveríamos deixar que qualquer regime ou qualquer ideia de alguma maneira tente “desumanizar" grupos inteiros de indivíduos. Infelizmente, depois do Camboja diversos outros massacres ocorreram e ainda ocorrem. Assistimos, nós humanos, indiferentes e paralisados ao sofrimento de milhões de sírios. Por que não agimos tempestivamente? Será que estamos condenados a no futuro perguntar porque as pessoas do passado não fizeram nada para impedir que atrocidades continuassem? Eu procuro ser otimista e creio que não, podemos sim enquanto espécie tentar diminuir atos tão atrozes contra seres humanos.

  Porém, precisamos antes de tudo extirpar o ódio de nossos corações. Sempre quando existir o ódio, haverá a semente para o extremo mal. Não compartilhe mensagens de ódio, amigos leitores. Não concorda com um governo, com uma ideologia, com qualquer coisa, exerça a sua liberdade de se opor contra o que quer que seja. Não faça isso com ódio no coração, mesmo contra pessoas que por ventura possam ter feito um pequeno ou um grande mal a você ou a conhecidos seus. O ódio é algo que corrói a nossa vida, nada de bom sai de uma pessoa com ódio. Eliminemos o ódio e tentemos diminuir nossos preconceitos contra outros seres humanos.

  Espero que todos estejam bem, que possam olhar para as suas famílias, vizinhos, filhos, namoradas (os) com amor e ternura.  Desejo o melhor do fundo do meu coração a todos, mesmo pessoas que possam eventualmente não gostar de mim, conhecendo-me ou não. 


  Abraço a todos.

11 comentários:

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    1. Valeu, Guardião.
      Fico feliz com a sua visita.
      Abraço!

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  2. Todos esses regimes genocidas tem uma coisa em comum: a idéia de que o ser humano existe existe para servir a algo, seja uma causa, uma divindade, uma ideologia.
    O Bernie Sanders ao defender o socialismo tenta reduzir os indivíduos a servos da "sociedade". Incorre no mesmo erro de ditadores que se servem do sangue e suor alheio.
    Enquanto o direito das pessoas de viverem suas próprias vidas não forem um valor universal haverá espaço para regimes que em nome de um "bem maior" causará dor e sofrimento.
    Quando estiver refletindo sobre seus "privilégios" lembre se que vivemos num país com relativo respeito aos direitos individuais e que poderia estar melhor num país onde as liberdades individuais fossem mais respeitadas ou pior se nascesse onde as idéias coletivistas se estabeleceram.

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    1. Olá, colega.
      É verdade. Um regime, sobre qualquer pretexto, que tenta "nulificar" o ser humano enquanto indivíduo único está fadado a causar sofrimento.
      O direito ao ser humano de procurar realizar-se como bem entender também entendo ser crucial para uma boa vida.
      Sobre ideias "coletivistas" precisaria entender o que entende por isso. Nós humanos evoluímos biologicamente em agrupamentos humanos. Nós humanos também nos sentimos mais realizados e satisfeitos em agrupamentos humanos saudáveis (basta pensar como nos sentimos felizes quando cercados de amigos). Assim, parece-me natural que temos que conviver com ideias que de certa maneira prezem pelo bem-estar coletivo.
      Creio que esmagar a individualidade do ser humano é um erro tão grande como destruir a existência de uma vida coletiva, formada por outros valores que não apenas individuais.

      Grato pela mensagem.

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  3. Socialismo, Comunismo, politicamente correto,todo esse lixo levará as pessoas a destruição.
    O Brasil está literalmente ferrado.

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  4. Os dois anônimos aí de cima percorrem um caminho perigoso, quando utilizam a expressões "lixo", "socialismo" e tentam rotular determinados segmentos como detentores de todo o mal que assolam a humanidade. Lembrem-se que a história da humanidades é marcada por regimes genocidas de "direita" e de "esquerda". A barbárie não é posse de um ou outro segmento, mas sim de todo e qualquer ser humano, desde que não se mantenha vigilante em relação aos seus sentimentos. Lembrem-se e entendam que o texto escrito pelo Soul remete a atrocidades oriundas de uma nação democrática, mas que na política intervencionista externa comete os mais indefensáveis crimes contra a humanidade.

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  5. Lembro que ao final de uma visita a auschwitz achei repugnante a ideia de comer algo na lanchonete que havia no local. Havia alguns visitantes almoçando pene à bolonhesa em apesar de estarem fazendo nada de errado, a imagem me incomodou.
    Situação muito parecida com a que relatou.

    Em relação à responsabilidade dos EUA, penso um pouco diferente. São culpados pelos ignóbeis bombardeios, mas não pelo que ocorreu depois. O khmer ascendeu ao poder graças aos bombardeios, mas os bombardeios, por si sós, não resultaram no genocídio.
    Por fim, deixo aqui uma visão menos otimista sobre a humanidade.
    Atrocidades desta natureza acontecem desde que o homem caminha pela terra. Não tenho porque acreditar que no futuro as coisas possam ser diferentes, ainda que compartilhe da mesma esperança.
    Ótima postagem, como de costume.

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    1. Olá, colega. Concordo que não se pode responsabilizar os EUA pelos atos de tortura do Khmer Vermelho. Nem o mais empedernido militarista americano gostaria de ver um regime genocida como o KV no poder. Entretanto, creio que é inegável que os atos dos EUA sim contribuíram para que o regime do KV chegasse ao poder. Por isso, disse que os EUA seriam "indiretamente" responsáveis.
      O mesmo aconteceu com o surgimento do ISIS. É o efeito colateral de uma guerra contra o Iraque baseado numa mentira. Ações como essa possuem efeitos colaterais, muitos imprevisíveis e horríveis. Creio que foi esse o ponto que quis passar.
      Eu concordo em partes. Sim, há muito tempo isso ocorre. Entretanto, creio que nós humanos podemos amenizar como essas situações ocorrem. Se não podemos eliminar, ao menos podemos nos esforçar para que quando ocorra não atinja níveis tão absurdos como ocorreu no Camboja ou em Ruanda em 1994 ou como vem ocorrendo na Síria agora ou no Sudão do Sul.

      Abraço e obrigado pelo comentário

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  6. Fala Soul


    Eu já tinho ouvido falar do Khmer Vermelho, mas vc tem absoluta razão, dificilmente no ocidente conhecemos, temos acesso ou somos motivados a conhecer sobre essas grandes tragédias. Da mesma maneira que muitos não sabem o que é o Holomodor, não sabem sobre o genocídio armênio de 1915 e nem sabem sobre o genocídio em Ruanda que aconteceu há pouco mais de 20 anos apenas. Vc explicou claramente o que ocorreu e eu me sinto agradecido por agora conhecer melhor essa história.

    Quando eu visitei Auschwitz eu tbm senti algo parecido. Vc se sente "estranho". Acho que uma palavra que melhor descreve o sentimento é "desconfortável".

    Quanto à sociedade de hoje, ainda é longo o caminho até que consigamos viver em total harmonia livre de amarras religiosas, ideológicas, políticas e raciais. Infelizmente não vamos viver pra testemunhar isso. No seu primeiro parágrafo vc cita a confirmação das ondas gravitacionais. Isso é uma notícia extremamente importante pra humanidade toda, que como vc mesmo citou, pouca gente dá atenção. Foi um grande passo, que vai mudar completamente nossa maneira de pesquisar. Até cheguei ler um artigo onde dizem que o SETI poderá mudar completamente sua searching net para se adequar ao que essa nova descoberta permite. Se quisermos ter um futuro, a ciência é o caminho. Não apenas o futuro onde exploramos o cosmos. O futuro onde coexistimos pacificamente como civilação.

    Obrigado pelo artigo soul.

    Abs

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    1. Olá, Rover!
      Grato pelo comentário:)
      É mesmo? Quando adolescente era apaixonado pelo SETI. Um dos filmes que mais gosto é o "Contato" que trata sobre o programa. Um filme maravilhoso na minha concepção.
      Sim, o genocídio armênio é uma das chagas abertas. Muitos dizem que a recusa da Turquia tratar o incidente como genocídio é um dos motivos dela não ser aceita na UE (creio que é uma desculpa, mas não deixa de ser um peso contra a Turquia). Aliás, a Armênia parece ser linda. Gostaria de visitar esse país.

      Concordo, Rover. Sou um entusiasta da Ciência. Creio que a Ciência nos faz mais humildes. A verdade é mais importante do que nossas vaidades. Se tentaram um sistema político e não deu certo, por qual motivo insistir? Isso é uma atitude anti-cinetífica. Creio também que muito reside em nós. Temos que extirpar o ódio. Mesmo se não gostamos de algo, podemos nos posicionar de maneira contrária de forma firme, mas sem necessidade de carregarmos ódio. Eu, quando estou no Brasil, não sei, sinto que as pessoas estão muito nervosas e violentas mesmo para coisas banais. Enfim, creio que a humanidade em muitos aspectos está evoluindo. Em alguns outros, talvez a evolução esteja se dando a passos de tartaruga.

      Grande Abraço!

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