segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

ENCONTREI O QUE PROCURAVA? O QUE MUDOU EM MIM?

Olá, colegas. Espero que esteja tudo bem com os leitores deste espaço neste final de ano. Primeiros dias no Brasil, e estou feliz de visitar a cidade onde nasci. Joguei um pouco de xadrez numa pracinha em frente à praia (passei muitos anos na minha adolescência naquele lugar), fiquei triste ao saber que algumas pessoas  de mais idade que frequentavam o mesmo lugar tinham morrido. Faz parte da vida. Andei pela praia de Santos, é um bom lugar para se viver. Não é o que eu gostaria para mim, pois prefiro lugares não tão cheios, mas é inegável que se tem certa qualidade de vida em Santos. 

 Será que Santos mudou? Será que meus familiares mudaram? Será que eu mudei? Isso me leva a indagação de um colega que escreveu de forma anônima no meu último artigo:


Não lembro se existe em alguns dos seus textos os motivos pelos quais vc resolveu fazer uma viagem tão longa, mas sei que vc relatou insatisfação e falta de significado no trabalho. Após tanto tempo viajando, vc preencheu o que esperava com essa viagem? Como está o Soul hoje versus o Soul que iniciou a viagem? Eu sinto uma certa insatisfação e ansiedade por conhecer tão pouco o mundo (embora já tenha feito algumas viagens internacionais), pretendo algum dia fazer uma ou algumas viagens de volta ao mundo.
Forte abs!

  
  É uma pergunta profunda. Aliás, agradeço muito o leitor por esse questionamento. São essas indagações que realmente vão ao âmago de muitas coisas. São esses questionamentos que infelizmente muitas pessoas não se perguntam ao longo de suas vidas. São perguntas que parecem um pouco abstratas demais para serem feitas ou encaradas com seriedade, mas elas são fundamentais para um maior desenvolvimento pessoal.

 Viagens são carregadas, ao menos para muitas pessoas, de algumas finalidades. Conhecer um outro lugar, um outro povo, teria o condão de expandir o nosso conhecimento sobre o mundo, e em última instância sobre nós mesmos. Apesar disto, muitos, a esmagadora maioria infelizmente, viajam para ter confortos. Um hotel luxuoso. Um tour exclusivo. Além de ser uma experiência cara, ela em muitos aspectos é vazia. E por qual motivo? Pois não conhecemos novas culturas e povos ficando em hotéis caros, apartados da vida cotidiana de uma população.  Assim, uma viagem pode servir sim para questionarmos muitos aspectos da nossas vidas, como também pode ser apenas um passatempo de luxo sem grande significado.

  Eu esperava preencher algo com essa viagem? Aliás, eu esperava obter algo que mudasse a minha vida numa jornada tão longa de quase dois anos? A resposta é NÃO. Não viajei para preencher algo que estava faltando ou em busca de algo de grande significado. Apenas fui. Fui motivado por uma curiosidade, por querer sentir como é ter uma vida onde a rotina é não possuir rotina. 

  Vocês imaginam o que é durante quase dois anos ter que decidir o que comer, onde dormir, para onde ir, qual tipo de transporte tomar, etc, etc, quase que diariamente? As pessoas simplesmente não tomam essas decisões em seu dia a dia, pois  uma vida rotineira pressupõe que esse tipo de questão não faça parte do cotidiano. Porém, essa não foi a minha realidade, e a vida é muito diferente quando temos que fazer estas indagações de forma frequente.

 Isso teve o efeito de reforçar ainda mais a ideia de que temos que aceitar mais as coisas. Às vezes a comida não era boa, às vezes nem comida tinha, às vezes o lugar para dormir era bom, às vezes não. Quando aceitamos mais o que a realidade nos oferece, nos tornamos mais fortes, e se há alguma coisa diferente em mim em relação há dois anos, é que me sinto mais forte.

  Dormi diversas vezes no chão, em barracas, em quartos com várias pessoas, em trens, dormi até mesmo seis meses dentro de um carro pequeno,  e sinceramente dormi bem em quase todos os dias. Não comi com fartura como se come no Brasil, mas nem por isso fiquei mais fraco. Durante vários meses viajei por regiões do mundo onde não era possível se comunicar, mas nem por isso deixei de fazer as coisas. 

 Hoje, escrevendo no conforto de uma cama, depois de ter comido um rodízio de comida japonesa e ter conversado com amigos numa língua que me expresso com extrema fluidez, sinto que o conforto, a fartura e a facilidade são coisas boas, mas elas não são imprescindíveis para uma boa vida, aliás elas podem em muitos casos ser um impeditivo para uma vida mais significativa.

  Volto também com o sentimento de que há muita bondade, generosidade e beleza neste mundo. As relações humanas são o que tornam tudo especial, tudo. Todas histórias que possuo desta viagem, e são dezenas e dezenas, são especiais pelo aspecto humano. Os encontros humanos que tive o privilégio de ter foram de uma intensidade ímpar. Alguns duraram semanas, outros foram de algumas horas, mas todos de alguma maneira foram especiais.

  Fico triste quando vejo pessoas que não percebem a beleza das relações humanas. Se suas relações na maioria dos casos é baseada em obrigações sociais, onde não há uma genuína interação humana, só posso sentir tristeza e desejar que em certo momento da sua vida você possa perceber o quão a vida pode ser melhor quando interagimos de uma maneira mais profunda e densa com outros indivíduos da nossa espécie.

  O mundo que se descortinou se mostrou ainda maior e mais complexo do que eu já sabia que ele era. De lutadores Mongóis, a paraquedistas profissionais da Nova Zelândia, Aborígenes Australianos, Desarmadores de minas terrestres no Camboja, Motoristas Tajiks, Empresários Iranianos, etc, etc, o mundo é um mosaico de etnias, nacionalidades, habilidades, paisagens, problemas e tantos outros aspectos que possamos imaginar.   Um mundo tão diverso, apenas fez aumentar o meu sentimento de assombro. 

  
  Sempre há alguém melhor do que você, mais bonito, mais ágil, mais rico, mais inteligente, neste vasto mundo muito dificilmente você é o melhor em algo, e se por acaso você for, pode ter certeza que será mediano em milhares de outras habilidades  e características humanas. A vaidade, se formos refletir mais profundamente, é um tremendo auto-engano. 

  Assim, caro colega que fez a pergunta, não encontrei algo que estava procurando. Entretanto, encontrei satisfação, beleza e generosidade neste mundo. Dormi em lugares muito simples, tomei banhos em rio, usei banheiros de buraco por meses, comi comidas não tão boas, negociei centenas de vezes com pessoas que não entendiam o que eu falava, e sinto que tudo isso me fez muito mais forte, pois nada disso foi um sacrifício para mim, muito pelo contrário.

  O Soul de hoje comparado com o Soul de ontem está um pouco mais velho e com menos cabelo. Está feliz por ter realizado algo que não foi extraordinário como quando um cientista descobre algo novo, ou quando alguém ajuda a vida de centenas de pessoas com algum projeto social ou quando um empreendedor constrói um negócio que melhora a vida de muitos. Não, não foi algo extraordinário. Aliás, sinto que a esmagadora maioria das pessoas não possui nem mesmo interesse em ouvir o que tenho para contar, e não tenho qualquer problema com isso, aliás estou até mesmo evitando ficar falando muito, apenas respondo quando sou perguntado. 

  Porém,  apesar do que escrevi no último parágrafo, para mim (e talvez só para mim e a minha companheira) foi algo extraordinário, algo que talvez só o tempo dará  total dimensão do que foi a minha vida nestes dois anos. Sinto-me realizado, sinto que vivi momentos de uma beleza indescritível, e que essas memórias irão acompanhar-me para o resto da minha vida neste planeta azul.

   Um grande abraço a todos!
  


  

46 comentários:

  1. Soul,

    Literalmente ... que viagem hehehehe ...

    é pra poucos ... eu gosto de viajar .. mas acho q to "velho" pra encarar uma aventura dessas ..

    Abs,

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    1. Olá, Rodolfo! Depois que você engrena, a coisa toda vai com uma enorme fluidez:)
      Abraço!

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  2. Excelente Soul, eu sonho em realizar uma viagem assim como a sua algum dia!

    Eu gostaria de te perguntar algo em relação a essas relações humanas que você tanto parece ter aprendido durante sua viagem.

    Eu enxergo a dimensão e a importância de se conectar com outros indivíduos e aprender mais com eles no nosso dia a dia, e não somente em viagens e outras oportunidades, mas dentro da rotina parece tão difícil realmente se conectar com as outras pessoas e fazer trocas interessantes com elas a ponto de realmente se conectar e realizar um diálogo genuíno.

    O que você aprendeu nessa viagem em relação a essa conexão humana, como realmente interagir com o próximo e não ser só mais um boneco no meio de tantos?

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    1. Olá, Gabriel, essa é a chave, em minha humilde opinião, de vivermos melhores vidas. Essa inclusive foi a pergunta de um amigo meu ontem enquanto caminhávamos pela praia. É o que tentarei colocar ainda mais em prática. Como se conectar com outros seres humanos em nossas rotinas apressadas e esquematizadas?

      Primeiramente, é uma questão de perspectiva. Eu li um artigo num blog de finanças, onde o autor classificava como deprimente uma experiência dele com um transporte de táxi coletivo, ou o UBER compartilhado. Ao ler o relato dele, eu não consegui entender o que de tão deprimente tinha sido a experiência, pelo contrário eu vi pessoas sendo gentis com ele, e a possibilidade de se ter relações com outros seres humanos, mesmo que breves.
      Por outro lado, pegar um UBER num carro cheirando a novo, todo confortável, é uma experiência muito boa. Não nego que possa ser uma experiência confortável, e em certa medida boa, mas ela será asséptica, assim como muitas dos nossos relacionamentos hoje em dia, e muitas das viagens. Não há nenhum mal nisso, desde que isso não seja o cerne de nossa vida.

      Sendo assim, é uma mudança de mentalidade. Eu já peguei inúmeros transportes compartilhados. No Panamá, isso é muito normal. Minha mulher, antes de conhecê-la (eu a conheci no Panamá), quando viajou sozinha lá pegava transportes assim sem qualquer problema, baratos, barulhentos, mas cheios de vida. Na Ásia Central, Mongólia, e algumas partes da Rússia, você aponta o dedo, e qualquer carro pode parar para te levar a algum lugar. Todos os carros são "um Uber em potencial". Tenho histórias muito divertidas deste tipo de transporte.

      Então, veja, é uma questão de como encaramos a vida, e isso depende apenas da gente.

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    2. Agora, o que realmente nos faz conectar com as pessoas, sejam conhecidos ou desconhecidos, é quando nos importamos genuinamente com elas. Minha companheira sentiu isso, ao refletir que em alguns encontros com conhecidas delas, perguntavam mais sobre o corpo, acessórios femininos, do que algo como "você está bem?" "está feliz com a sua vida?" "há algo que eu possa fazer para ajudar?". Quão frequentemente ouvimos isso, ou perguntamos sinceramente isso? Não muita, não é mesmo?

      Precisamos aprender a nos importar. Há um documentário muito bom que se chama "Who cares?", é um documentário sobre empreedorismo social, e é muito bonito.

      Muitas pessoas acham que ao falar "eu não me importo com os outros" estão demonstrando força, mas isso para mim é um sinal de fraqueza, não de força.

      Se quisermos ter relações mais significativas, precisamos nos importar com os outros. As pessoas confundem isso com alguns outro conceitos. Há estudos que mostram que o nosso cérebro evoluiu para ser capaz de lidar de forma satisfatória com grupos de 120 a 150 pessoas. Muito provavelmente, esse era o tamanho máximo dos agrupamentos humanos de 100 mil anos atrás.
      Esse fato é tão importante, que há empresas de alta tecnologia que limitam o seu tamanho a 150 funcionários, e se a empresa tem que crescer mais, eles simplesmente fazem uma outra sede, uma outra estrutura, para acomodar um novo grupo. Este exemplo se não me engano está no ótimo livro "The Tipping Point".

      Para relacionamentos mais profundos, talvez o alcance do nosso cérebro seja muito menor, talvez 5-10 pessoas. É evidente que um Pai não tem condições de considerar todas as crianças como suas filhas, não teria nem tempo, nem energia mental para ter o mesmo grau de cuidado que tem com o seu filho em relação a outras crianças.

      Sim, isso é tudo verdade e faz sentido. Porém, a conclusão disso não é, como muitos erroneamente fazem, "ah, só vou me preocupar com a minha família mais próxima, e só me relacionarei com um estreito grupo de pessoas".

      Não. Provavelmente, Gabriel, pelo fato de não te conhecer e não ter convivido contigo, eu não terei o mesmo carinho e admiração que tenho por amigos de longa data. Porém, isso não me impede que mesmo não conhecendo você, eu realmente me importe se por algum motivo eu tiver algum contato contigo, mesmo que seja breve. O fato de um Pai amar os seus filhos, não é impeditivo que ele se preocupe realmente com outras crianças na medida do possível.

      O amor é algo que se expande, não há limites para ele, um pai não exaure todo o seu amor apenas amando o seu filho.

      Peço escusas pela resposta longa. Iria até fazer um artigo mais completo para responder a sua muito boa pergunta, mas resolvi escrever em comentários mesmo.

      Um grande abraço colega!

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    3. Incrível Soul, eu que agradeço pela resposta longa e confesso que fiquei com sede de ler um artigo seu exclusivo sobre o tema, espero que saia um dia!

      É um tema que realmente pode se expandir bastante e que todos nós devíamos refletir mais a respeito e sua resposta provocou várias reflexões.

      Realmente, concordo contigo que o que possibilita esse contato mais genuíno seja uma aproximação onde você verdadeiramente se importa com o outro, talvez a compaixão tão citada pelos budistas.

      Ainda peco muito nesse sentido e é uma parte da minha vida que sinto certa urgência em evoluir, mas mesmo tentando muitas vezes eu ainda enxergo muita gente fechada pra um contato mais profundo, pra um diálogo que vá além das "small talks" e isso vem me angustiando bastante.

      Muitas vezes me sinto um tanto alienado por buscar esse contato mais profundo e encontrar ele em poucas pessoas. Não tenho vivência suficiente ainda para dizer se é algo cultural da minha região, se eu sou o culpado ou se essa brevidade é algo que afeta a maior parte das pessoas, mas é algo que vem me incomodando bastante.

      Já favoritei o documentário aqui, vou ver se consigo assistir hoje ainda!

      Um grande abraço Soul e obrigado novamente por compartilhar um pouco de sua sabedoria!

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    4. Gabriel, primeiramente não se angustie. A angústia, até mesmo por nossa mortalidade, é algo inerente do fato de ser humano. Será que um cachorro pensa sobre a sua mortalidade? Provavelmente, não. Então, talvez, esse seja um fato único da nossa espécie. Assim, é algo humano se angustiar, mas podemos guardar essa angústia apenas para momentos realmente necessários.

      Mesmo que as conversas sejam "small talks" como você mesmo disse, mesmo neste terreno é possível termos bons encontros com as pessoas. Uma vez minha mãe me disse , quando estava no início da minha faculdade e a cabeça borbulhando de ideias, algo mais ou menos assim: "Eu trabalho, pago meus impostos, estou cansada, e quero ver a minha novela". Na época, não entendia que todas as pessoas tem suas fases, momentos e estágios evolutivos em várias áreas. Nós temos que apenas aceitar este fato. Quando começamos a aceitar mais, uma sensação de maior tranquilidade vai tomando conta da gente. Esse tipo de angústia vai amenizando, e conseguimos ver coisas com mais clareza.

      Eu tentei achar o documentário, vi no cinema alguns anos atrás, mas não consegui achar para ver na internet. Espero que goste.

      Abraço Gabriel

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    5. Eu encontrei ele Soul, ainda não consegui assistir mas vou deixar o link aqui caso alguém se interesse:

      https://vimeo.com/89837588

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  3. Desculpe perguntar algo sobre dinheiro depois de ler um post tão humanista. Mas quanto custou mais ou menos essa viagem? Se é que você quer falar sobre isso.
    Parabéns por fazer algo que gosta, por ter a atitude de ir lá e fazer nesse caso uma viagem, mas poderia ser qualquer outra coisa.
    Quanto a relações humanas, interações e o aprendizado durante a viagem, acredito que a maioria dessas conclusões e respostas estão na nossa cara, quem sabe em nós mesmos.
    Se você fosse a um local pobre aí da baixada santista mesmo teria algumas vivencias e conclusões parecidas com as que teve na Ásia.
    Observando algumas pessoas do seu entorno, teria conclusões parecidas com as que teve observando pessoas de outros países.
    A diferença é que na viagem entre outras coisas a pessoa se "desarma". Você provavelmente passaria por desconfortos parecidos se tivesse viajado pelo interior do Brasil, visitado regiões bem diferentes da sua, como Amazônia ou interior do Nordeste.
    Acho que suas conclusões sobre espiritualidade ou filosóficas observadas em outras religiões poderiam ser observadas em pessoas daqui, com as religiosidades que temos aqui.
    Talvez você aprendeu coisas em alguma religião da Ásia Central ou Sudeste Asiático e não tenham tido a curiosidade de conversar com fiéis ou mesmo entrar em alguma igreja perto da sua casa.
    Quem sabe ai na igreja do seu bairro você não aprenderia algo, teria alguma iluminação vamos dizer assim.
    Será que tudo o que aprendeu não esteve sempre perto de você?
    Será que os outros são mais evoluídos ou apenas estão condicionados as suas realidades e possibilidades como nós estamos?

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    1. Colega, ótimas indagações. Fico feliz que os meus textos estejam proporcionando ótimos questionamentos.
      Sobre o seu primeiro relacionados a gastos, eu pretendo escrever sobre isso. Porém, adianto que os meus gastos foram da ordem de 20 a 30% maiores do que os gastos que tenho no Brasil. Como os meus gastos no Brasil, por viver apenas com minha companheira e não ter filhos (e nem pagar aluguel), não são altos, não foi um custo muito elevado.
      Gastei muito dinheiro mesmo nos primeiros 6-7 meses. Austrália, Nova Zelândia e Fiji são países muito caros para se viajar. Mesmo morando numa pequena campervan na Oceania (algo que foi realmente espetacular e maravilhoso), cozinhar a nossa própria comida, e muitas vezes dormir sem pagar nada, a conta total não foi tão barata. Se eu tirar esses países da conta, é possível que o meu gasto tenha sido talvez até menor do que eu gasto no Brasil.

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    2. Sobre as suas outras indagações, eu não tenho a menor dúvida. Ao caminhar por umas avenidas em Santos, eu fiquei reparando em muitas igrejas que eu nem tinha percebido que existiam. Não é necessário viajar para o outro lado do mundo para que encontremos paz, sabedoria ou para que possamos nos maravilhar com as relações humanas. Não é preciso ver a miséria no Cambodja, para entender o quão degradante a miséria abjeta pode ser, basta a ir a alguns lugares no Brasil.
      Agora, não podemos querer acreditar que tudo é idêntico, pois não é. Temos muito em comum, mas a diversidade geográfica, climática, e de desenvolvimento histórico, teve o condão de produzir agrupamentos humanos, e por via de consequência suas estruturas culturais (como família, religião, etc) diferentes daqueles que observamos no Brasil. E isso, ao menos para mim, é algo muito bonito de se presenciar pessoalmente, nem que seja por momentos breves.
      No mais, você foi perfeito ao dizer que talvez quando estamos num lugar completamente diferente, nos "desarmamos" e talvez com isso sejamos capazes de captar coisas que não vemos no nosso dia a dia. Talvez seja o mesmo motivo de ter tantas pessoas que não conseguem conversar com as pessoas que ama sobre alguns tópicos difíceis, mas conseguem fazer isso com pessoas desconhecidas onde não há um envolvimento emocional.

      É verdade. Cabe a nós, mesmo com nossos envolvimentos emocionais mais profundos e densos e rotinas arraigadas, trazer um pouco desse "desarmamento" para as nossas vidas do quotidiano.

      Abraço!

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  4. Olá Soul, acredito que li todos os seus textos nos últimos 2 anos e meio que acompanho o blog. Sempre sinto uma sensação boa quando acesso o site e tem algo novo. Engraçado a sensação de te conhecer (pelo menos através das palavras escritas) sem sequer saber seu nome - o que perto da essência não é muito.
    Fico muito feliz pelas suas conquistas e realizações. Acho que muitos aqui se inspiram através dos seus textos.
    Gostaria de conhecer mais sobre as experiências que teve nessa viagem e algumas outras coisas da maneira com que você encara a vida. Não deixe de postar.
    Um forte abraço
    Chapchap

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    1. Olá, Chapchap, bom ver um comentário seu novamente.
      Agradeço as palavras. Não deixarei de escrever. O Blog me faz bem, e eu gosto da experiência de escrever. Com certeza escreverei sobre diversos temas relacionados ou não à viagem.

      Um grande abraço também e boas festas para você!

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  5. Soul, excelente texto! Compartilho com todas suas sensações quando também voltei de viagem. Sentir-se mais forte, capaz e independente é a bottom line!

    Estive meio afastado da net social durante algum tempo e confesso que perdi um pouco da sequência de suas aventuras. Voltei há pouco tempo e por vezes via uma postagem sua e pensava: "Poxa, não consegui acompanhar o Soul" e ficava chateado por isso. Principalmente porque suas postagens sempre foram excelentes, mesmo não concordando com um ou outro ponto.

    Enfim, vou tentar estar mais presente a partir de agora! Bom retorno Soul e que você tenha mais tempo para produzir seus excelentes conteúdos!

    Abraço!

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    1. Olá, André, quanto tempo colega.
      Fico feliz de ter aparecido e espero que esteja tudo bem contigo, colega.
      Espero ter tempo colega, é uma das coisas mais preciosas que temos, e por isso temos que saber bem utilizá-lo.

      Obrigado pelas gentis palavras, tudo de bom André!

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  6. Excelente post Soul!

    Como sempre bons textos!

    Qualquer dia tentar reunir a galera que joga xadrez para umas partidas online...

    Abraços

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    1. Olá, colega. Vamos sim, ano que vem quem sabe:)
      Abraço!

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  7. Soul, ótimo post!

    Sobre as relações humanas. Acredito que um dos segredos está na capacidade de olharmos os outros com olhos mais "limpos". Não os olhar como outras pessoas qualquer, mas vê-las de uma maneira mais positiva (não quer dizer iludir-se com os outros).

    Uma das características que percebo na blogosfera de finanças, o bom relacionamento entre a maioria dos blogueiros, se dá pela maneira a qual vocês se conectam. Os interesses são claros e genuínos, vocês não sabem os nomes uns dos outros, nem detalhes pessoais e características físicas, mas o que vocês conhecem um nos outros é o anseio de cada um, os sonhos, as esperanças e outras coisas mais. Isso, a meu ver, são pontos importantes nas vidas das pessoas; e vocês, blogueiros de finanças, se conectam justamente através de conversas mais profundas, digamos.

    Acho que quando viajamos, nossa mente tende a olhar os nativos de outros lugares com outras lentes, pois os achamos diferentes de nós (e são mesmo, em partes), isso nos permite vê-los por outro prisma.

    É nessa sensação ou percepção que momentos simples podem se tornar grandes momentos. Dois homens dividindo água num deserto pode ser uma experiência marcante, o nível de honestidade e sentimentos pode chegar lá em cima, e as duas pessoas se olharem com grande respeito uma para com outra. Já que a preocupação que um terá com o outro, e vice-versa, será mais admirada ainda num momento de dificuldade.

    Acho que nossa sociedade perdeu muito em substância nessas últimas décadas. Antes, por mais que fosse algo meio que imposto, as pessoas tendiam a respeitar as outras. Os mais novos respeitavam os mais velhos. Havia um elo de respeito, e é isso que fazia as pessoas se relacionarem de maneira mais proveitosa e verdadeira.

    Creio que o respeito traz um equilíbrio e saúde imensa nas relações das pessoas. Sabe, até no meio profissional, e não digo o respeito politicamente correto (portar-se bem frente ao outro apenas pelo interesse envolvido), falo do respeito sincero, aquele em que um funcionário respeita os seus superiores e os vê como pessoas que chegaram lá por serem capacitadas, assim como o respeito do chefe com seus subordinados, quando ele enxerga no seu funcionário uma pessoa esforçada que luta para agregar valor à empresa. E se formos levar esse ponto para uma relação amorosa, um homem pode enxergar, na companheira, uma mulher com qualidades, fiel a si, que está sempre ao seu lado; assim como ela também pode enxergá-lo por suas qualidades, valorizar os esforços que o companheiro faz para a relação dos dois.

    Enfim, desejo-te saúde e um bom ano novo e, também, um novo ano.

    Abraço!


    Anderson

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    1. Olá, Anderson.
      Li com muita atenção o seu comentário. Sim, você foi ao cerne da questão: respeito. O que as pessoas entendem como "politicamente correto" hoje em dia, por exemplo, é apenas uma tentativa forçada das pessoas serem respeitosas. É claro que não funciona, e é por isso que hoje se inventou ate o "politicamente incorreto". Eu não tento ser nem um, nem outro, eu tento apenas ter respeito. Às vezes posso falhar, quem não comete erros, e posso ser desrespeitoso, mas eu creio sinceramente que o respeito é o elo que nos une aos outros. Quando se quebra isso, de certa maneira a sociedade adoece, e as relações perdem e muito. Imagine num cenário extremo: a guerra da síria. Não há qualquer respeito lá, mesmo com inimigos devemos ter o mínimo de respeito, e talvez seja um dos piores lugares na terra para se estar no presente momento.

      Também creio que você está correto na abordagem sobre a blogosfera de finanças. As pessoas se conectam aqui com mais facilidade, pois conseguem vislumbrar algo em comum, objetivos de vida parecidos, e isso torna as coisas muito mais fáceis. Daí os diversos conselhos de livros de auto-ajuda como: relacione-se com quem pensa como você, se afaste de pessoas que talvez não compartilhe de suas crenças, etc, etc.
      Não há menor dúvida que um blogueiro de finanças se coloca na posição de outro blogueiro de finanças, apesar de eventuais desavenças pontuais, muito mais fácil do que se colocaria no lugar de um refugiado sírio, por exemplo. Não há nada de errado disso, pelo contrário. Porém, o que percebo, e o que tento às vezes passar com os meus textos, é que há uma gama muito grande de relações que temos, ou podemos vir a ter, e nem sempre essas relações serão do jeito que queremos, e nem por isso elas não podem ser proveitosas ou significativas.

      Desejo o mesmo para você e sua família, amigo.

      Abraço!

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  8. Caro Soul, sou o anônimo que postou a pergunta que originou este post. Agradeço por ter elaborado tão bem a resposta, muito obrigado!

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    1. Obrigado você pela pergunta, colega.
      Abraço!

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  9. Olá Soul, parabéns pelo post e por toda a descrição da sua viagem durante todo esse tempo..

    Cara, eu sou fascinado por outras culturas, outros idiomas, mas confesso que me sinto um cagão! Acho que tenho medo de ~abandonar~ meu emprego CLT, minha vidinha monótona.. tudo isso acaba pesando..

    Estou planejando uma viagem sozinho na américa do Sul ano que vem, mas coisa super rápida, algo de 1 semana...

    Talvez este será o meu gatilho.. não sei.

    Queria te perguntar (e se você já falou em algum outro post, me desculpe) se você já viajou sozinho e o que achou da experiencia..

    Grande abraço

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    1. Olá, Pobre Japa!
      O receio da mudança e do desconhecido existe em qualquer ser humano, pelo menos em algum período da vida. Isso é normal.
      O que você tem que se perguntar, e se sua vida faz sentido para você? Qual é o seu grande receio? Errar? Se desapontar? O maior risco, talvez além da morte, é nos passarmos fome. Você corre esse risco se mudar, o que é que realmente te prende? Essas indagações apenas você pode responder a si mesmo.

      América do Sul é um lugar lindo. Paisagens, culturas, comida e idioma fácil. Muito boa escolha. Agora, 1 semana? Tente estender, se possível para pelo menos três semanas, posso te ajudar a montar um roteiro. Com 4 semanas você faz uma viagem inesquecível por Peru, Bolívia e Chile.

      Já, foi uma experiência muito boa. Foi nessa viagem que conheci a minha mulher há seis anos. Todo tipo de viagem é bom: sozinho, com mulher, com amigos. Já tive a oportunidade de viajar de tudo que é jeito. Se está com receio de viajar sozinho, não tenha. Esqueça hotéis, fique em albergues, se não fala inglês fluente, tente dar uma melhorada, e vai ver o quanto de pessoas inteessantes você não vai conhecer na estrada.

      Abraço!

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  10. Soul,

    Não concordo com seu ponto de vista em várias áreas, mas sinceramente, sua escrita é sensacional e mesmo eu sendo um hatter em potencial seus textos são interessantes. Acredito que pra um mundo onde as pessoas possam ser mais realizadas e felizes, devemos trabalhar melhor a relação interpessoal, porém sinto que cada vez mais as pessoas se fecham e esfriam suas relações como seus sentimentos.

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    1. Olá, colega. Grato pela visita e comentário. Hatter? Não, colega, não creio que você seja isso. Discordar de mim não o tornará alguém que de alguma maneira dissemina o ódio. Uma das primeiras coisas que aprendi da minha mãe é jamais dizer "Eu Te odeio". Eu nunca disse eu te odeio para ninguém na minha vida, nunca, em 36 anos, nunca usei essa palavra, e por isso agradeço muito a minha mãe.

      Claro, veja o seu próprio exemplo, apesar de não concordar em muitos tópicos, você foi capaz de elogiar a minha escrita, isso mostra algo muito positivo sobre você, não pelo elogio, mas sim por você achar alguma qualidade em que porventura você discorde em grande medida.

      Abraço!

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  11. Soul, sempre bom ler seus textos. Você foge do senso comum da blogosfera e é isso é muito bom. Falando nisso, muitos blogueiros não gostam de você infelizmente, justamente por esse seu lado mais sofista, humanista. Vejo também que temos muito ódio espalhado aqui e mesmo que isso seja engraçado por um lado, acho triste ver que as pessoas acabam se afundando em suas próprias convicções e radicalismos.

    Eu acompanho os blogs há pouco tempo, mas dá para distinguir que há alguns grupos formados. Há uma ala radical (pessoal beta sei lá o que, anti-mulher, que odeia o Brasil), há o pessoal anti-social (querem fugir da matrix de qualquer jeito, incluindo o convívio social) e há o pessoal mais de boa, mente aberta, como você, Frugal, Uó e outros. Como você se vê dentro dessa relação da blogosfera? Vc tem alguma concepção formada sobre essa relação de finanças e lado social? Por que será que muita das pessoas disciplinadas em finanças, vêem no convívio social um "mártire"? Será que isso não pode ser um pouco de ego? Algo como "sou melhor do que os outros, portanto não me interessa estar perto de vcs".

    Desculpe tantas perguntas, rs.

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    1. Olá, Igor.
      Sim, realmente há pessoas que não gostam de mim, muitos deles blogueiros. O engraçado é que não gostar do que escrevo é mais do que normal (às vezes nem eu mesmo gosto hehe), agora não gostar de mim é algo sem sentido, pois as pessoas nem me conhecem. Agora você falando o seu lado mais "sofista" não sei se foi uma provocação:) Sim, as pessoas odeiam o que não entendem e o que acham diferente. Sim, também acho isso triste.


      Olha, eu já nem creio na divisão direita x esquerda, se formos tentar dividir então o micro do micro (que é a blogosfera financeira), aí realmente não vamos a lugar algum, em minha opinião.

      O Uó é um cara super bem resolvido, feliz com a paternidade e feliz com a vida. Se ele tiver 20 milhões, muito provavelmente será tão satisfeito como é agora. É um sujeito pelo qual tenho bastante respeito.
      O Frugal é alguém mais novo do que o UÓ, ainda possui uma certa inquietação angustia, mas é uma pessoa muito bacana pelo pouco que conheço e creio estar num ótimo caminho.

      Blogs que escrevem textos simples, toscos, denegrindo mulheres realmente são despropositados. Você denegriria sua mãe? Creio que não. A sua filha? Então, eu vejo que muitos homens brasileiros sofrem uma certa dissonância cognitiva, a mulher que eles chamam de aproveitadora, ou palavras de calão ainda menor, não são suas filhas ou mães, mas sempre são as outras. Eu já abordei essa questão no meu blog, ao falar das pessoas que dizem que o pior do Brasil é o Brasileiro, e não se achar o pior sendo brasileiro. Um blogueiro ficou brabo com isso, inclusive. O ruim, o errado, é sempre os outros. Isso não é novidade, Sartre já dizia que "O inferno são os outros".

      Eu acho que há muito material de qualidade na internet, numa ilha de inutilidade, propagação de ódio e de informações erradas. Se você se dispõe a ler um texto meu, ou qualquer outro texto, creio que você procura obter uma leitura com um mínimo de qualidade que de alguma maneira possa ser de alguma valia para você.
      Logo, eu creio que há bons textos sendo produzidos por blogs amadores como os nossos. Em muitos casos, muito bons artigos, que muito economistas famosos (nem vou falar dos educadores financeiros famosos, pois não gosto de quase nenhum) não abordam nem metade do conteúdo.
      Cabe a pessoa filtrar e procurar aquilo que valerá a pena dedicar um tempo.
      A pessoa realmente quer ler mais um texto sobre o "Bostil"? Sério, isso vai acrescentar alguma coisa na sua vida, a não ser mais rancor?
      A pessoa quer ler textos mal escritos sobre mulheres?

      Sendo assim, é uma escolha individual de cada um produzir qualquer tipo de texto, como é uma escolha individual de cada um ler ou não estes textos.

      Abraço!

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    2. Também concordo com o Igor no que diz respeito a radicalismos, existem exageros.
      Porém o Igor define como radicais os que não pensam parecido com ele.
      A convicção de alguma forma existe.
      O convívio social não é fácil ou não acontece para todos da mesma maneira, por várias razões, por isso alguns acabam tendo mais facilidade com assuntos técnicos ou finanças ou qualquer outra coisa do que com convívio social.
      Não creio que na maioria dos casos isso é uma estratégia ou algo do tipo, simplesmente a pessoal foi se formando assim, acho que talvez tenha até explicação biológica ou genética para essa característica.
      A questão do ego pode ser a resposta para alguns casos, mas certamente não é para todos.
      Nem todos os populares são humildes ou generosos, tem muitos que são verdadeiros personagens.
      Por outro lado tem pessoas que são tímidas, ou sistemáticas ou possuem características pessoais que acabam afugentando algumas pessoas:
      Exemplos disso são pessoas que não bebem ou são baladeiras, pessoas que não gostam de futebol ou outros interesses populares. Isso por sí só pode sim até certo ponto atrapalhar uma boa aceitação social, já que a maioria das pessoas tem hábitos ligados a isso.
      Fora que ser sincero e autêntico dependendo de onde você está socialmente inserido pode ser levar pessoas a enxergá-lo como arrogante, folgado etc.
      A pessoal quando é mais séria ou responsável muitas vezes já foi vítima de bullings e coisas do tipo só por ser assim
      É fácil também fazer julgamentos simplistas sobre os outros.

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    3. Anon, concordo com vc sobre a parte do convívio, muito bem colocado. Quando digo "ala radical", me refiro a um tipo de atitude que é levada ao extremo. Podemos comparar esse pessoal beta anti-mulher com as feminazis. Existem até pontos válidos em sua argumentação, mas é de um exagero tão intenso que beira o irreal.

      Soul, quanto a questão do sofismo, de maneira nenhuma foi uma provação. Até achei estranho e fui pesquisar na internet. Eu aprendi que os sofistas eram mestres da retórica, mas li aqui que na filosofia moderna esse termo tem uma conotação negativa. O sofismo atual seria a arte da "enganação". Não sabia mesmo. Peço desculpas se por algum acaso lhe ofendi.

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    4. Imagina, colega! Eu não me ofendo com essas coisas. Acho a provocação algo muito saudável. Sim, os sofistas eram grandes argumentadores, mas hoje em dia realmente esta é a conotação dada aos sofistas e ao ato de sofismar. Eu imaginei que não era uma provação, e por isso fez a brincadeira.

      Abraço!

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  12. Não bateu uma hora uma canseira monstra e vontade de ir pra casa ficar quieto soul?
    Encarei uma viagem de 2 meses no brasil, low cost, só hostels, infelizmente no brasil todos os hostels porcaria.

    Foi uma experiencia fantastica, mas digo, no fim de 2 meses eu estava morto de cansado, e ja nao aproveitava os lugares como no começo.

    Parte deles eu fui quase por obrigação por estar no roteiro

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    1. Olá, colega.
      Claro. O que a gente fazia era mudar de país, de ares, de cultura, e um sopro novo de novidades preenchia um eventual sensação de cansaço.

      Eu poderia tranquilamente viajar mais dois anos, mas eu teria que parar alguns meses num lugar muito bacana. Eu estava pensando no Havaí. Porém, decidi que era tempo de voltar, ver o meu pai e mãe, e colocar em ordem alguns assuntos por aqui.

      Eu encontrei alguns viajantes de longa duração que não estavam felizes. Eles eram mais velhos, e senti que eles viajavam para fugir de algo, na vã tentativa de encontrar algo num país estrangeiro, quando o problema estava neles mesmos.

      Se a pessoa não está feliz, cansada, numa viagem, é hora de repensar. Viajar por obrigação não faz sentido, mas eu entendo o que você passou, isso é normal em muitas pessoas. Nestes casos, talvez você deveria fazer menos coisas, talvez ir para um hotel e quebrar um pouco a sequência de hostels, etc.

      Espero que da próxima vez, se você fizer, você possa achar o seu ritmo.

      Abraço!

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  13. Soul , você voltou e eu no velho continente em minha primeira viagem.
    Turismo básico, que nem vale a pena te relatar, pois a ti será o banal do banal.
    Em todo caso, Paris semana passada, agora em Roma.
    Notei em dez dias aqui como houve uma invasão de sírios, especialmente na França.
    Sobre este tema, e devido à sua conhecida eloquência, queria sua opinião sobre o que pensa a respeito: dizem que o correto seria aprendermos com a história. E a história ensina que a Europa desde a idade média briga contra os mulcumanos (moros).

    A pergunta que lanço é : não deveriam aprender com a história e dificultar a entrada desse pessoal aqui? Não acha que em poucas décadas eles estarão arrependidos porém num caminho sem volta? Crê que esse caminho sem volta já exista devido à grande disparidade da taxa de natalidade de europeus X mulcumanos?

    Abraços ,

    Capixaba Investor


    PS: viajou o mundo todo mas ainda não comeu a genuína moqueca capixaba

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    1. Colega, Paris é uma das cidades, se não for a mais, bonitas do mundo. Roma transpira história e arte. Viajar para essas duas belezuras não tem nada de banal. Aliás, viajar para a Praia Grande em SP, por exemplo, não tem nada de banal. Qualquer experiência pode ser gratificante.

      Colega, sua pergunta é das mais complexas e difíceis, não tenho resposta para isso, mas em sua homenagem produzi um texto.

      É verdade, conheço um pouco o Brasil, mas com certeza há muitas coisas a desbravar.

      Abraço!

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  14. Sensacional Soul!
    O material produzido pelo seu blog nesses últimos dois anos em sua longa viagem é inestimável. O seu contato com diversas pessoas de diferentes etnias foi uma verdadeira aula de vida.
    Abs!

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    1. Olá, Finanças Inteligentes.
      Rapaz, toda mensagem sua é um grande prazer. Saiba que tenho um enorme respeito por você. O seu blog não é nem mesmo considerado parte da blogosfera financeira, quase ninguém cita. Talvez porque você tenha uma abordagem mais profissional, mas ele é de extrema valia e importância.
      Sabe o que ficaria bacana? Creio que não é do seu interesse escrever sobre tópicos apartados das finanças, mas por que você não começa a escrever sobre temas como : o mercado é realmente eficiente? O investimento passivo é o melhor caminho para o investidor comum? Etc, etc. Acho que sua visão nesses assuntos mais gerais de investimento seria de grande valia.

      Agradeço as palavras amigo!

      Abraço!

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    2. Certamente Soul, poderia contribuir nesses temas, mas fugiria um pouco da minha proposta. Além disso, são assuntos mais complexos/polêmicos e já estou acostumado enxergar o mercado com mais simplicidade. Há uns 5/6 anos atrás talvez estaria mais disposto a escrever sobre esses assuntos, pois era a época que borbulhavam na minha mente. Hoje, não tem nada fervendo rs... O Sr. Mercado me ensinou "arquivar" muita coisa. Eu é que agradeço pelas palavras! Bom retorno,
      abs

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  15. Qto a sua companheira, ela tbm é financeiramente livre, como foi o lado dela nesta viagem. ? Depende de vc. ? E como vc enxerga a união em que só um é provedor. ? Abs

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    1. Olá, colega. A minha situação financeira é mais confortável do que a da minha companheira. Como exergo? Eu acho que cada casal deve chegar a um bom entendimento sobre finanças. Às vezes estão no mesmo pé de igualdade, às vezes não, o que importo é que haja conversa, respeito e amizade entre o casal.

      Abraço!

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  16. "O Soul de hoje comparado com o Soul de ontem está um pouco mais velho e com menos cabelo". Procure um bom dermatologista antes que seja tarde! Provavelmente ele vai te receitar Finasterida 1mg, shampoo de cetoconazol e minoxidil. No meu caso, funcionou! Os cabelos pararam de cair. Abraços!

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    1. Olá, colega. Já usei tudo isso. Decidi que não ia querer tomar uma medicação de uso contínuo apenas por causa do cabelo. Os efeitos que isso pode ter no seu organismo ao longo de décadas são sempre incertos.
      Fico feliz que tenha melhorado para você, para mim além do meu temor, não senti tanta diferença.

      Abraço!

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  17. Que texto foda soul! Obrigado por partilhar!!

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