quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

VENEZUELA - PARA MUITO ALÉM DO CHAVISMO

                Olá, colegas. Desejo um feliz 2015 para todos. Nesse artigo, escrevo um pouco sobre um país lindíssimo, mas temido por muitos brasileiros pelo suposto espectro negativo que lança sobre o Brasil: A Venezuela. Este foi um dos países que mais me surpreendeu na vida pela quantidade de paisagens belas e diversas. Não é à toa que a Venezuela faz parte do seleto grupo de países com megadiversidade biológica (http://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADses_megadiversos).

                Apesar de suas belezas naturais, imagino que o que vem na cabeça de todos ao citar  a Venezuela é o nome Hugo Chávez ou a palavra Chavismo.  Isso talvez  possa até mesmo obscurecer o simples fato que a Venezuela é muito maior do que o seu sistema político atual. Não é o meu enfoque, até porque não tenho conhecimento específico para tanto, fazer uma sofisticada e completa digressão sobre as condições políticas, econômicas, históricas e sociais desse país. Não. O meu intuito é apenas passar, como já fiz com outros lugares, as minhas impressões sobre o que vi e senti ao visitar este extraordinário país.

                A Venezuela possui uma característica que a diferencia dos demais países da América do Sul: ela possui muito petróleo.  Se o petróleo é uma maldição para os venezuelanos, se é a porta de saída para uma vida melhor, é difícil dizer para um país com história social e política tão conturbada.  A Venezuela tem tanto petróleo que é o país com as maiores reservas comprovadas do mundo, ultrapassando até mesmo a Arábia Saudita nesse quesito, representando  mais de 24% das reservas mundiais (não você não leu errado) com quase 300 bilhões de barris (http://www.opec.org/opec_web/en/data_graphs/330.htm). Um petróleo a U$100,00 o Barril significa que o país está sentando em 30 trilhões de dólares, com um barril a U$ 50,00 significa 15 trilhões de dólares a menos (simplifico aqui, antes que as pessoas com mais expertise em petróleo reclamem). Sendo assim, mudanças expressivas no valor do petróleo  podem atingir a Venezuela na ordem de magnitude de centenas de bilhões ou até mesmo trilhões  de dólares. Além do mais, o petróleo responde por um terço do PIB venezuelano, 80% das exportações e 50% das receitas do governo. Portanto, fica claro que o Petróleo é o sangue da economia  Venezuelana, com as eventuais benesses e problemas que isso pode representar.

                Todo país tem sua própria e interessante história, mas nos países da América do Sul e Central (talvez com exceção do único país de colonização Portuguesa), o enredo é similar: os europeus chegam e exploram a população nativa, há movimentos nacionais pela independência que muitas vezes resultam em batalhas sangrentas, há uma série de ditadores e governos antidemocráticos nos 150 anos após as independências, resultando em países pouco desenvolvidos do ponto de vista social, econômico e democrático.  A Venezuela possui muito desse enredo.  Afetada positivamente pelo aumento brusco do preço do petróleo no início da década de 70 (o que gerou uma expansão enorme de gastos) e depois duramente pela queda dos preços na década de 80 (será que o mesmo filme está se repetindo?), a Venezuela na década de 90 era um país com alta inflação, com o PIB per capta retrocedendo para níveis da década de 60, grande desemprego e condições sociais e econômicas muito duras. Foi nesse caldo social e político que um General chamado Hugo Chávez chegou ao poder por meio de eleições democráticas no ano de 1998 (Chávez já tinha tentado um golpe fracassado em 1994), e iria transformar a Venezuela de maneira profunda e chamar atenção não só da região, mas de todo o mundo.
                
Talvez uma das personalidades mais polêmicas das últimas décadas na humanidade. Atrás na foto um dos grandes ícones para Chavéz: Simon Bolivar herói da independência em muitos países americanos. A admiração era tão grande que o nome da Venezuela foi mudado para República Bolivariana da Venezuela. 

                Não vou aqui tecer pesadas críticas ou elogios ao Chávez. Digo apenas duas coisas. Todas as entrevistas mais densas que eu li ou ouvi sobre a Venezuela e Chávez foram de jornalistas estrangeiros que viveram na Venezuela e retrataram uma figura ambígua e complexa, nem o salvador que algumas pessoas ainda insistem em rotular, nem o demônio em que muitas pessoas atualmente gostam de retratar. A segunda é que quase todos os venezuelanos com quem tive a oportunidade de conversar sobre o tema disseram-me que a grande guinada de Chávez para um radicalismo mais exacerbado foi pós-golpe frustrado de 2002. Poucas pessoas aqui no Brasil sabem sobre esse golpe, nem como ele foi feito. É considerado um dos primeiros golpes midiáticos da História, numa grande farsa e encenação. Há um belo documentário sobre o tema feito por dois irlandeses que foram pegos de surpresa quando o golpe aconteceu, creio que eles estavam fazendo um documentário sobre a Venezuela. Há imagens primorosas feitas, pois mostram o desenrolar do golpe dentro do Palácio Miraflores. O documentário chama-se “La Revolución no será Transmitida”.  Quando escrevi sobre o Oriente Médio (http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2014/08/reflexao-infamia-mentira-o-massacre-e.html), refleti como ações impensadas criaram um monstro chamado ISIL (mais comumente conhecido como ISIS). O monstro é muito pior do que eu pensava, como pode ser visto nessa reportagem do primeiro repórter ocidental autorizado a percorrer territórios controlados pelo  ISIS (http://edition.cnn.com/2014/12/22/world/meast/inside-isis-juergen-todenhoefer/). A coisa vai piorar muito antes de melhorar. Assim como a invasão desastrada do Carandiru levou a criação do PCC, o golpe frustrado na Venezuela levou a uma radicalização de Chavéz e do seu projeto de poder. Se isso foi apenas uma escusa para o Chavéz se sentir legitimado, eu não tenho conhecimento para responder. Porém, uma coisa é clara, violência desmedida e impensada geralmente cria resultados muito piores, muitos deles inesperados.

Um ótimo documentário de como uma história sempre tem diversos lados. O que acho mais interessante é como a manipulação dos meios de comunicação pode ser muito forte.

                Em que pese eventuais erros e lapsos da oposição venezuelana, o ponto objetivo é que hoje a Venezuela é um país em crise econômica, social e política. A inflação está acima de 60%, o país entrou em recessão esse ano, há uma grande divisão da sociedade venezuelana (o que ficou visível nas manifestações violentas do ano passado)e a  violência assola o país, tornando a Venezuela o segundo país onde mais se  mata por ano, com uma taxa de homicídios o dobro da do Brasil que já é altíssima (http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/04/140410_homicidio_onu_mm).  Para piorar o preço do petróleo não para de cair o que pode ocasionar a falência do país para pagar as suas obrigações em dólar (os títulos Venezuelanos estão sendo negociados a menos de 40 centavos para cada dólar, o que representa um desconto de mais de 60% no valor de face - http://www.bloomberg.com/news/2014-12-15/venezuelan-bonds-fall-to-16-year-low-as-maduro-affirms-subsidies.html - basicamente significando que são JUNK BONDS) e pode ficar impossível financiar o  espantoso déficit 11.5% do PIB previsto para 2014 (http://www.tradingeconomics.com/venezuela/government-budget). Enfim, se a situação econômica é ruim para o Brasil esse ano, para a Venezuela é desesperadora.
               
                Sempre quando um país sofre uma grave crise econômica com reflexos em seu câmbio, os governos tendem a impor limites muito restritos para a compra, venda e saída de moeda forte do país.  Quase sempre há muitas limitações para a compra de dólar, o que leva a formação de mercados negros de câmbio. É aqui que minha história na Venezuela se inicia. Quando estive na Venezuela entre abril e maio de 2011, eu sabia que a cotação oficial da moeda era de 1 dólar para 4 Bolivares Furtes.  Isso queria dizer que todas as transações oficiais seriam convertidas por essa cotação: ATM, compra com cartão de crédito, casas oficiais de câmbio. Entretanto, eu tinha lido no site estrangeiro Trip Advisor que se podia no mercado negro vender dólar a 8 Bolivares Furtes. Sendo assim, se algo custasse 80 Bolivares e eu resolvesse usar o cartão a fatura iria sair 20 dólares. Se eu trocasse dólar no mercado negro, a mesma compra custaria 10 dólares. Portanto, a única solução seria levar dólar em espécie e foi o que fiz. Essa divergência entre câmbio oficial (atualmente está em 6.3 Bolivares por dólar) e o mercado paralelo (que atualmente está em inacreditáveis 50 Bolivares) num país que importa quase tudo que consome faz com que o poder de compra da população caia absurdamente.

                Entrei na Venezuela vindo da espetacular e feliz Colômbia.  A diferença de humor entre os Venezuelanos, principalmente em Caracas, e os colombianos foi um aspecto que me chamou atenção de que algo deveria estar profundamente errado com a Venezuela.  Na fronteira entre Colômbia e Venezuela tentei trocar os meus suados dólares por bolívares pela cotação de oito, mas consegui apenas sete, o que me fez trocar poucos dólares. A viagem da fronteira até a cidade de Maracaibo na Venezuela foi uma história a parte. Pegamos um coletivo com um casal de ingleses. O carro mexia de um lado para o outro, numa das sensações mais esquisitas que já tive dentro de um automóvel, onde eu seriamente temi pela minha segurança e da minha companheira. Por fim, chegamos ilesos a Maracaibo.



Mochilas devida e seguramente acomodadas, o expresso maracaibo estava pronto para partir...

                
                Ao chegar à rodoviária da cidade, percebi que não era um bom momento. Era de noite, feriado no país e não havia nenhum ônibus que iria circular para nenhum lugar naquela noite e no próximo dia. Olhei rapidamente o guia Lonely Planet e consegui um táxi coletivo que estava indo para a cidade de Coro. Essa viagem também foi uma outra aventura. O taxista tentou nos dar um golpe, quase discutimos com policiais chavistas de madrugada e com muita sorte encontramos uma pousada para ficar. As primeiras impressões da Venezuela não estavam sendo nada boas.

                No dia seguinte fomos de coletivo em coletivo e conseguimos chegar em Caracas. A capital da Venezuela, ao contrário da capital colombiana Bogotá, possui um ar triste, favelas para todos os lados e uma sensação de insegurança no ar. Eu estava quase desistindo da Venezuela, quando resolvemos tentar ir para Los Roques. Acabei fechando um pacote para Los Roques e o parque nacional Canaima, mal sabia que estava rumando para os lugares mais bonitos em que eu já tive a oportunidade de visitar.

                Apesar do caos econômico que a Venezuela se encontra, muitos indicadores sociais melhoraram significativamente no governo Chávez. Queda da pobreza extrema, melhora de índices de mortalidade infantil e desnutrição, bem como aumento na renda real per capta. Como tudo na vida sempre é bom olhar o outro lado e outras opiniões. Achei esse repórter do insuspeito The Guardian que escreve sobre a Venezuela, algumas palavras do mesmo (http://www.theguardian.com/commentisfree/2013/nov/07/venezuela-not-greece-latin-america-oil-poverty): “However, thegovernment got control of the national oil company in 2003, and the whole decade's economic performance turned out quite well, with average annual growth of real income per person of 2.7% and poverty reduced by over half, and large gains for the majority in employment, access to health care, pensions and education.” (Contudo, o governo tomou controle da companhia nacional de petróleo em 2003, e a performance econômica de toda a década foi muito boa, com uma média de crescimento anual da renda real média per capta de 2.7% e a pobreza reduzida pela metade, e grandes ganhos para a maioria em emprego, acesso a cuidados médicos, pensões e educação - Tradução Livre) 

            Portanto, com certeza a máquina de propaganda do regime tem papel fundamental na manutenção do poder. Porém, parece inegável que apesar de todo o caos que a Venezuela se encontra a vida, por incrível que pareça, melhorou para as camadas mais pobres do extrato social venezuelano, o que me leva a pensar  quão ruim não era a vida  antes para os mais pobres.  Evidentemente, eu vejo todas as falhas e problemas da Venezuela atualmente, mas talvez sistemas disfuncionais como o chavismo , e nós latinos americanos somos pródigos em criar isso, só tem chance de florescer em sociedades muito desiguais e empobrecidas.

                Los Roques é um arquipélago de ilhas ao norte da Venezuela no meio do Caribe. Só é possível chegar lá em aviões de pequeno porte para 15/20 passageiros. Dizem que é o paraíso para KiteSurf (esporte que pretendo aprender ), não saberia dizer. Agora posso afirmar que lá é um dos lugares mais maneiros para relaxar e estar acompanhado que eu já estive no mundo. Água absurdamente cristalina, ilhas desertas (sendo que a ilha principal nem veículo motorizado tem), uma beleza de cair o queixo. Passamos alguns dias memoráveis no arquipélago de Los Roques. Com certeza quero retornar um dia (as fotos a seguir não são minhas, eu não tenho muito habilidade e paciência para tirar fotos).

 Posso garantir que as fotos retratam bem o que é Los Roques
 Praias desertas para se aproveitar...
 Água incrivelmente transparente
Los Roques uma das belezas de nosso continente,

                De Los Roques fomos para uma cidade  chamada Ciudad Bolivar , porta de entrada para o espetacular parque nacional Canaima no coração da Venezuela.  O parque é considerado patrimônio da humanidade e é uma atração absolutamente fabulosa, sendo acessível apenas por avião. O parque é imenso e é nele que se encontra a maior queda d água do mundo, o impressionante Salto Angel.  Para chegar até o Salto é preciso ir de barco numa viagem que demora entre 4 e 5 horas, passando por dezenas de Tepuis (formações geológicas verticais com o seu topo achatado, como as nossas chapadas, o Monte Roraima é um Tepui), num percurso de uma beleza indescritível. O transporte é feito por Índios.  Após a jornada de barco, é necessário mais uma hora de caminhada mata a dentro, o que demanda um certo esforço, mas que é prontamente recompensado pela vista magnífica da grande cachoeira. Há um certo ar de Lost World, o que torna o ambiente muito agradável e diferente para quem viveu toda uma vida em meios urbanos. Dorme-se no meio do mato em redes numa construção improvisada. Como a água do rio na região do abrigo é muito rápida não há insetos. Mesmo que houvesse, seria muito difícil que os insetos passassem pelas centenas de aranhas das mais variadas cores e tamanhos que cercavam o acampamento com suas teias. O dia terminou com uma janta e uma animada conversa com um grupo de holandeses que nos fazia companhia. Conhecemos um rapaz da África do Sul que morava na Austrália e foi uma das pessoas mais engraçadas que já encontrei. Foi um dia para se guardar na memória.



No voo para Canaima o co-piloto não apareceu, o que obrigou a Senhorita Soulsurfer a assumir o posto.
Um dos passeios mais sensacionais para se fazer no mundo. São cinco horas dentro de um rio no meio do nada, cercado por dezenas de Tepuis (há um deles ao fundo).
 Contemplando o magnífico Salto Angel. Infelizmente, fomos  numa estação com pouca água, mas mesmo assim o local é extraordinário.
A acomodação chique da aventura. Se tem algo que gosto em minha companheira é a ausência de frescura para dormir em lugares como esse, algo de certa maneira não muito usual em boa parte das mulheres brasileiras.

          No outro dia, voltamos para a vila indígena de Canaima. Passamos o dia nos banhando no rio em uma paisagem surreal. Agradeço por ter tido a oportunidade de conhecer lugar tão fantástico no planeta terra.

 Uma paisagem incrível....


Era hora de se despedir de Canaima, pois a última aventura da viagem seria ainda mais incrível


          Eu senti o povo Venezuelano mais triste do que seus irmãos (a rivalidade entre os dois países é enorme) colombianos. Porém, conheci muitas pessoas bacanas. Não sei se foi coincidência ou não, mas todas as pessoas com as quais conversei, inclusive uma funcionária pública, estavam fartas do governo de Chávez, e isso em 2011, o que me leva a crer que a situação deve ter piorado bastante de lá para cá. As reclamações eram sempre sobre violência e sobre o encarecimento da vida e a dificuldade de se ter acesso a bens, já que boa parte do que é consumido pelo país é importado.  Eu creio que as pessoas com as quais mantive contato eram da classe média venezuelana, o que me faz acreditar que realmente o grande apoio do governo vem das classes menos favorecidas e empobrecidas.

                De Canaima voltamos de avião para Ciudad Bolivar e lá eu precisava achar guias indígenas para fazer o trekking de seis dias ao topo do majestoso Monte Roraima. Restavam-me apenas U$ 650,00 (e eu não conseguia usar o meu cartão, em que pese a questão do câmbio oficial, pois o mesmo tinha sido bloqueado ao tentar usá-lo em Bogotá) eu precisava achar algum tour disponível para duas pessoas por essa quantia, o que não seria fácil. Depois de muito procurar, acabei encontrando um guia cujas duas maiores alegrias eram beber e falar mal de Hugo Chávez. Acertei por U$ 620,00 dólares (com alimentação, Porter e barraca inclusa)  e na mesma noite rumamos para um dos grandes desafios físicos da minha vida.
                
             
             O Trekking ao monte Roraima é feito em seis dias, mas acabamos fazendo em cinco. A caminhada em si não é tão demandante, mas para quem nunca tinha dormindo tantos dias seguidos em barraca foi desafiador. A equipe era formada por mim, Sra. Soulsurfer, o guia e um carregador índio que era uma figura chamado Osmar. Ele falava uma mistura de português com espanhol com um sotaque muito engraçado. É impressionante a força dos Índios que carregam os equipamentos. Eu fico imaginando os Sherpas no Nepal carregando dezenas de quilos nas costas a mais de 5.000 metros acima do nível do mar, mas isso é história para outro artigo.


                No primeiro dia de caminhada, o guia e o carregador tomaram toda bebida e chegaram ao acampamento completamente bêbados. Desse dia lembro  de milhares de vaga-lumes que pareciam estrelas, foi algo muito diferente,  No segundo dia, sem bebida, os dois se mantiveram sóbrios e a caminhada foi um pouco mais pesada e longa. No entanto, o local de acampamento era extraordinário, de uma beleza quase que poética. O terceiro dia foi a escalada do monte propriamente dito. Não foi fácil, mas não foi tão difícil como eu imaginei, deve ter durado umas 6/7 horas.  Estar no topo do Monte Roraima parece que se está em outro mundo, em outro ecossistema. Andamos ao leu no topo, tomamos banho em piscinas naturais, passamos por vales de cristais, numa experiência fantástica. Dormirmos duas noites no topo do monte, numa sensação de estar apartado do mundo, das preocupações mundanas, do stress do dia a dia. No quinto dia resolvemos voltar e fazer o percurso de dois dias em apenas um, pois queríamos chegar um dia mais cedo em Boa Vista e mudar a passagem do avião de volta para casa. Não foi uma boa escolha. Andamos mais de 14 horas e levamos o nosso corpo a exaustão. Ao final, eu apenas queria me jogar no chão e dormir. O nosso guia entrou em contato com um líder indígena local e ainda bem que não foi preciso dormir na barraca, pois vieram nos buscar de carro e nos levar até uma pequena cidade. Imagine a cena de dois brasileiros exaustos no meio da noite numa caminhonete cheia de Índios ouvindo uma música chamada “A Loira mais Gostosa da Gran Sabana” por quase 30 minutos, pois é a cena foi e ainda é um pouco surreal para mim, mas pensando em retrospectiva não deixa de ser divertida. Chegando a pequena cidade dormirmos em maravilhosas camas e tomamos um maravilhoso banho.  Aliás, uma das coisas mais prazerosas depois de um trekking desse é dormir numa cama, tomar banho e comer uma comida gostosa. O prazer que se sente é imenso, o que para mim apenas deixa claro como não são necessárias grandes conquistas materiais para nos sentirmos satisfeitos com a vida.


É preciso caminhar....

 Isso sim é uma hospedagem cinco estrelas!
Desbravando um mundo desconhecido no topo do magnífico Monte Roraima
 Um banho de piscina natural no topo do mundo:)
Nosso simpático guia, beber e falar mal do regime chavista eram os passatempos prediletos dele. A comida que ele preparava era simples, mas bem gostosa.

                No final da viagem fomos num coletivo até Boa Vista (cidade brasileira que gostei bastante, apesar de ser absurdamente quente). Na fronteira entre Brasil e Venezuela, um policial federal olhou com cara de brabo para mim e apenas perguntou “É Brasileiro?” , eu assenti que sim com a cabeça, e ele perguntou novamente a mesma coisa, eu respondendo “Sim!”. Ele ficou me encarando mais uns segundos e permitiu que o carro prosseguisse. No banco da frente, apenas ouvi um “Graças a Dios” de um Peruano que estava sem os documentos, mas mesmo assim conseguiu entrar no Brasil, graças a minha cara de gringo e a implicância do policial federal. Ao chegar num bar local na beira da estrada, soube que o Santos tinha sido o único time a não ser eliminado na taça libertadores, o que selaria o caminho do glorioso alvinegro praiano para a sua terceira conquista da taça libertadores, um título que sempre quis ver desde menino, mas isso também já é outra história. No último dia de Trekking, acho que tomei muitas picadas na minha perna de um mosquito chamado puri-puri , quando cheguei em Boa Vista a batata da minha perna estava absurdamente inchada, vermelha, dura e doendo. Foram alguns dias passando pomada para a dor passar, uma lembrança que às vezes são os pequenos objetos e percalços que te derrubam.

                A situação atual da Venezuela me deixa triste, pois é um país que gostei tanto de conhecer e os venezuelanos possuem as suas similaridades com nós brasileiros. Ao contrário do que alguns pensam, eu acredito que a chance da situação do Brasil se deteriorar econômica, social e politicamente para como está a Venezuela no curto/médio prazo é quase nenhuma. Nosso país é muito mais diversificado economicamente. Nossas instituições são muito mais sólidas, nossa mídia muito mais forte, nosso exército muito mais independente,  o que torna quase impensável que um grupo político se aproprie por completo do Estado e da sociedade civil organizada. A forma como o partido no poder há 12 anos vem apanhando de todos os lados, a espada de dâmocles pairando sobre o governo quando as delações de Roberto Costa e Youssef vierem a público com as denúncias e os nomes dos políticos e a guinada surpreende da Presidente Dilma Roussef no discurso econômico, apenas mostram que um regime similar ao chavismo não teria condições de florescer atualmente no Brasil. Agora, todos aqueles que querem mudanças políticas nesse país, eu incluso, precisamos ter a sapiência de não fazer a bobagem que a oposição venezuelana fez em 2002, e devemos buscar a mudança pelos meios democráticos, não por impeachment ( a não ser que se comprove cabalmente envolvimento da Presidente no mega escândalo de corrupção da Petrobrás) ou pedindo, algo que para mim é absolutamente incompreensível, como a volta dos militares. 

                É isso colegas, espero que tenham gostado do relato e possam ter outra visão, ou ao menos outra perspectiva, sobre esse país fabuloso que é a Venezuela.


                Grande Abraço a todos!

28 comentários:

  1. Show de postagem! Gostei bastante, foi uma aventura e tanto a viagem.
    Sobre o povo da Venezuela penso que são simpáticos e gregários, isto é, gostam muito de estar em contato com outros.
    Diferente dos áridos países árabes que também tem muito petróleo, a Venezuela teria todas as condições de ser um grande produtor agrícola, mas desperdiça todo esse potencial e fica muito dependente de alimentos que vem de fora. Incompetência do governo, que é muito radical nas suas medidas econômicas e afasta fábricas que poderiam produzir aquilo que o país precisa.
    Investir mais no turismo também poderia deixar o país um pouco menos dependente das receitas do petróleo.
    por fim, dá uma forcinha pra quem não entende inglês como eu e traduza a frase do jornalista do Guardian que você citou acima...valeu.

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    1. Olá, IB!
      A Venezuela poderia ser a Noruega da América do Sul. Infelizmente, não foi assim que as coisas aconteceram para esse país.
      Talvez seja um exemplo da "doença holandesa", onde um recurso natural que poderia ajudar um povo e uma nação, na verdade atrasa o desenvolvimento. Eu talvez acho que não seja tão simples, pois se olharmos o PIB PER CAPTA venezuelano é maior do que o Brasil que é considerado um país de renda média alta. Logo, a Venezuela não está tão ruim como países africanos que descobriram diamante, ouro ou até mesmo petróleo e caíram em guerras civis sangrentas com níveis de desenvolvimento humano baixíssimos.
      Opa, fiz uma tradução literal no próprio texto, peço escusas pela omissão.
      Abração!

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  2. Muito triste o que aconteceu com a Venezuela, um dos países com as mais belas paisagens naturais do mundo e sentado sobre as maiores reservas de petróleo do planeta imerso na miséria por causa de um governo que tem o objetivo de se perpetuar no poder.

    Um colega meu trabalhou na Venezuela por um ano e voltou ao Brasil em Junho de 2014, a situação estava, realmente, muito pior do que em 2011, há escassez total de produtos. Ele conta que os brasileiros criaram um grupo no Whatz para trocarem informações sobre onde achar produtos como papel higiênico e leite, pois esses produtos sumiam muito rápido das prateleiras e quem não enfrentava as filas desde a madrugada só conseguia comprar nos empórios, onde o preço era três vezes maior que nos mercados.

    A eleição lá foi uma fraude total, muitas cédulas que votavam no Capriles foram destruídas e muitos eleitores do Maduro votaram mais de uma vez, no final da apuração o resultado foi Maduro 51% X Capriles 49%.

    Só uma dúvida, foi meu vídeo das três mentiras do Chávez que desencadeou o post?

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    1. Olá, Land. Creio que deve ter piorado muito mesmo. Como disse, o câmbio negro era de 1 para 8 em 2011, hoje está em 1 para 50, então dá para perceber que em três anos a cobra fumou por lá.
      Interessante o seu relato. Há várias explicações sobre o ocorrido em artigos do Mises, pois a Venezuela é um prato cheio para artigos de libertários, e todos eles, pelo menos os que eu li, com fundamento e com ótimas explicações sobre o funcionamento da economia e por qual motivo a economia degringolou.
      O governo da Venezuela fez e faz muitas coisas que só poderiam resultar no caos econômico que hoje eles se encontram. Porém, mesmo com todos os problemas, o apoio ao chavismo talvez continue, pois a vida dos venezuelanos mais pobres na década de 90 era muito ruim mesmo. Eu creio que Maduro é um líder muito fraco, e que o regime está colapsando. Espero apenas que colapse sem levar o país para o precipício de uma guerra civil.
      Sim, o resultado foi apertado. Bom, ai eu não poderia saber, eu não me lembro da comunidade internacional ter se posicionado que a eleição teria sido fraudada. Geralmente, há inspetores internacionais. Mas é possível que possa ter ocorrido.

      Olha, eu não vi o seu vídeo, vou passar no blog para dar uma conferida. Apenas senti vontade de escrever sobre essa viagem, é bom relembrar e aqui serve como um diário de viagens para mim.
      Eu não tenho a menor dúvida que se procurarmos vamos achar muito mais do que três mentiras do Chávez hehe
      Abraço!

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  3. Passando só p/ lhe desejar ótimas energias neste ano que se inicia Soul Surfer, depois eu volto p/ ler essa postagem... rsrsrs Grande Abraço !!

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    1. Olá, Investidor Zé Ninguém!
      Obrigado amigo, desejo o mesmo para você e família!
      Abraço!

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  4. Excelente soul!!! Nada como vermos com nossos próprios olhos e termos a nossa própria opinião sobre determinados assuntos/lugares. Nada é tão ruim Qto parece nem tão bom qto querem fazer parecer. A dicotomia da vida atual muitas vezes dificulta reconhecer as diversas nuances que existem no mundo.
    Sim, los roques é um paraíso do kitesurf ! E kitesurf é um esporte que vale a pena aprender. Não vai te arrepender !! Abs!

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    1. Olá, amigo!
      Sim, estou bem inclinado a aprender. Quando entra o maral poder se divertir fazendo Kite, ou ir para Los Roques fazer Kite deve ser muito bom mesmo.
      Abraço!

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  5. Linda viagem Soul! Tenho certeza que foi animal! Compartilho essa sua forma de viajar e fico contente por ter uma companheira que topa tudo isso também. O único problema é que ela tem somente férias uma vez ao ano hehe

    Sobre a impossibilidade de o Brasil virar uma Venezuela, eu concordo com suas observações, mas coloco um ponto a mais para análise. Seu pensamento se baseia com o que temos hoje. Com as instituições de hoje. O desafio é ao menos tentarmos manter essa estrutura e não piorarmos. Em 2002 na Venezuela ninguém acreditava que isso iria acontecer também. Mas depois do golpe, Chavez radicalizou e depreciou as instituições. Aqui estamos lutando contra isso. Se depender do PT, ocorrerá o mesmo. Os decretos 8243, a lei da mídia, a reforme política, o inconformismo perante os juízes do STF (e vêm novas nomeações por aí) são sinais da implantação de tais condições. O duro é ter de contar com o PMDB para que isso não ocorra...

    Abração!



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    1. Olá, André! Valeu, é verdade. Quem sabe um dia não nos encontramos em alguma viagem dessas?

      Veja, eu disse que não vejo muita possibilidade no curto/médio prazo (próximos cinco anos). Porém, é evidente que se plantarmos sementes ruins, se não cuidarmos de nossas instituições, é possível que possamos enfraquecê-las, sim. Contudo, eu vejo nossas instituições se fortalecendo e não o contrário. O Trabalho feito pelo MPF e PF, e do Juiz Sergio Moro, é digno de nota. A Polícia Federal é subordinada ao Ministério da Justiça que é subordinado ao chefe do executivo. Sendo assim, a Polícia Federal estar atuando dessa maneira autônoma e incomodando o partido que está no poder é um ótimo sinal da vitalidade das nossas instituições. Creio que isso nunca iria ocorrer num país como a Venezuela Atualmente.
      Mas, devemos ficar atento. Você faz um bom trabalho de escrever sobre o tema e refletir a respeito. Há pessoas fazendo isso em alcances maiores. Não somos tão estáveis como países desenvolvidos, mas em 25 anos de regime democrático nossas instituições, ao menos para mim, mostram sinais de solidez e evolução.

      Abraço!

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    2. Entendo seu ponto Soul, mas acredito que isso ocorre apesar de todas as dificuldades que o grupo no poder impõe. É isso que precisamos defender. Eles estão tentando tirar mais da nossa ainda débil (comparada à países desenvolvidos) vitalidade institucional. Veja esse link: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/em-dez-anos-investimento-na-pf-cai-quatro-vezes/

      Abraço!

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    3. Olá, André. Então, como convivo com isso, não creio que a PF esteja se enfraquecendo, muito pelo contrário, e isso é patente não só nos ganhos dos delegados e agentes, mas como nas novas instalações da PF pelo Brasil afora. Os prédios da PF estavam caindo aos pedaços e hoje, pelo menos em capitais, são bem melhores. Talvez o grosso do investimento tenha sido nisso (mas não faço ideia, é apenas um chute). Agora a eficiência da PF aumentou e muito no governo do PT e isso é inegável. Não é despicienda, apesar de ser uma instituição independente, que na época do FHC, a alcunha "engavetador-geral da União" tinha a sua razão de existir. Portanto, em relação à polícia não acredito em retrocessos, muito pelo contrário.

      Abraço!

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    4. Mas vc acha que os dados mostrados no link não são verdadeiros? A PF até pode estar mais eficiente, mas isso "apesar" da restrição orçamentária nos últimos anos e não "por causa" dela.
      O ponto que quero chegar não é só "se" a PF está melhor ou não, mas o "porquê" e o quanto isso tem relação com o governo nos últimos anos ou não.

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  6. Olá Soul,

    Obrigado por compartilhar essa experiência conosco. Desejo um feliz 2015 a você!

    Abraços.

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    1. Olá, IL!
      Grato amigo, desejo o mesmo para você!
      Abraço!

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  7. Fala Soul


    Excelente. Um retrato da Venezuela que eu não conhecia. Eu não conheço a Venezuela e também não conheço a Colombia, apesar de ter chegado perto, quando visitei Quito.

    Eu conheço um venezuelano que agora mora nos EUA. Quando tive a oportunidade de conversar com ele, ele disse algo muito semelhante ao que vc disse aqui. A população mais pobre da Venezuela apoiava o Chaves e agora apoia o Maduro. Por incrivel que pareça, mesmo com todas as dificuldades que esse governo socialista causa ao povo de todas as classes. É a situação que temos aqui no Brasil, com a população mais pobre do nordeste sendo curral eleitoral do PT e prejudicando a si e todo o resto.

    Eu gostaria muito de visitar esse parque Los Roques. Minha namorada que achou esse atol pesquisando viagens baratas e me mostrou uns tempos atrás.


    Fica nos planos, assim como algum dia ver as Angel Falls de perto. Viajar vai ficar em quinto plano pra mim esse ano. Preciso poupar para o plano de fuga.

    Vc citou os sherpas cara, até deu uma dor no coração em lembrar que em Abril eu poderia estar lá aos pés do grandão, com falta de ar e dor de cabeça. ahahah

    Ótimo artigo, gostei muito. Começou vem 2015.


    Abs

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    1. Olá, Rover! Valeu amigo.

      Eu acho que sempre devemos procurar compreender e entender pessoas que pensam e agem de maneira diferente. Assim, eu realmente aprecio opiniões diversas da minha quando bem fundamentadas. Por isso, achei bem interessante achar aquele artigo do The Guardian sobre a Venezuela de uma perspectiva diferente da minha. Por qual motivo há um apoio popular tão forte ao chavismo? Podemos responder: "Ah, populismo". Pode ser uma resposta, mas não creio que ela consiga capturar toda a complexidade da situação. Pois, apenas do ponto de vista racional, se você é miserável e a sua vida melhorou sobre um determinado regime, diz o bom senso que você apoie o regime atual. Logo, eu creio ser importante termos as mais diversas visões sobre os assuntos, pois assim podemos entendê-los de uma forma melhor, bem como estaremos melhor preparados para combater nossos oponentes (e aqui a palavra oponente não tem uma conotação negativa para mim).

      Você iria adorar Los Roques, um ótimo lugar para se levar a mulher. A próxima vez quero fazer scuba dive lá e kitesurf (se eu conseguir aprender:))

      Ainda conhecerá esse extraordinário país que é o Nepal. Um lugar bem especial na terra, com um povo muito amável.

      Obrigado pela visita!

      Abraço!

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  8. Nossa que legal! Tenho que me preparar melhor fisicamente para fazer esse tipo de ecoturismo. Quanto a questão política, acho que é comum essa melhora especialmente na pobreza extrema após uma estatização mas essa melhora só funciona no curto prazo porque no longo prazo o país fica com o filme muito queimado com o mercado.

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    1. Olá estudante!
      É, parece que no longo prazo, certos modelos provocam mais voos de galinha, do que desenvolvimento sustentável.
      Abraço!

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  9. Bela paisagem, triste país… Este é o futuro de todo país guiado por canalhas populistas. Conseguiram deixar a população da Venezuela pobe como um todo. Ricos, só os do "gobierno bolivariano". Feliz 2015! (o até isso aqui virar uma… Venezuela!).

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    1. Olá, Heavy!
      Obrigado, amigo para você também.
      Esperemos que a situação não degringole por aqui.
      Abraço!

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  10. Parabéns, Soul, mais um texto bacana. Apesar de ser preguiçoso e querer fazer turismo bem BARATO nas praias do Brasil mesmo, achei bacanao seu texto.

    Outra coisa a dizer é que foi esclarecedor sua análise da situação política venezuelana, em geral nós apenas vemos as mentiras e o marketing da VEJA e da Globo.


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  11. Feliz ano novo.

    Estive na Venezuela em fev de 2012.

    Evitei ficar em Caracas. Fomos direto para Los Roques e depois para Canaima. Não cheguei a ir para o monte Roraima.

    Tive que dormir apenas uma noite em Caracas porque não conseguimos adiantar o voo.

    Gostei muito da viagem. Especialmente Los Roques.
    Visitamos várias ilhas. Uma ilha tinha uns 30m por 15m. Ficamos lá umas 2h. O pessoal ficava em volta dessa ilha fazendo Kite surf. Quase fui atropelado. Pensei em fazer aula lá, mas tava mto caro.

    Passou por baixo da cachoeira em Canaima? E o barco era de tora de árvore?

    Em Caracas tinha muita gente querendo tirar vantagem por sermos turistas. Sinistro. Logo que saímos do avião os guardas do aeroporto nos abordaram para trocar dólar.
    Outra coisa que achei diferente (para mim que sou do sul) é que a polícia (acho que era exército mesmo) anda de fuzil. Tinha gente com fuzil dentro do aeroporto.

    E essas suas fotos de costas? Já planejava criar o blog como anônimo?

    Abraço
    Eduardo

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    1. Feliz ano novo também.
      Hum, nenhum guarda me abordou para trocar dólar e eu com certeza não faria isso. Qual cachoeira especificamente falando? Em vários países é normal guardas ou o exército transitar nos aeroportos com fuzil, no Nepal lembro-me que passei por cinco revistas antes de pegar o voo para a Índia dentro do aeroporto.

      Valeu pelo relato, abraço!

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    2. Uma das cachoeiras que fica perto das pousadas perto do mini aeroporto.
      Tem uma pequena represa lá tb.

      http://s30.postimg.org/6y1druisx/CIMG0354.jpg
      http://s30.postimg.org/s554fuvg1/CIMG0360.jpg
      http://s30.postimg.org/mr6c8b5pt/CIMG0362.jpg
      http://s30.postimg.org/9qulbvj5d/CIMG0380.jpg
      http://s30.postimg.org/404ey5b5d/CIMG0384.jpg

      Eduardo

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  12. Mais uma grande viagem e um belo relato, Surfer!
    Muito bacana o trekking. Esses "perrengues" são as melhores histórias.
    Tava com físico em dia hein, 14 horas de trilha depois de dormir tantos dias em barraca não é pra qualquer um hahahha Minha coluna já deu ruim por bem menos que isso.
    Um dia marcamos de fazer alguma trilha bacana

    Abç

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    1. Olá, Poeta!
      Acho que pelo contrário, se tivesse bom não despencaria no final do dia...hehe
      Claro, onde você mora tem inúmeras trilhas que quero fazer um dia..
      Abração!

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